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coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

cidade

árvore na ribeirão claro


Morei atrás deste muro cinza, na esquina das ruas Ribeirão Claro e Fiandeiras, na Vila Olímpia, por mais de 20 anos.
Hoje ali é a sede da Comunidade Shalom, para quem vendi o terreno.
Naquele período plantei inúmeras árvores na vizinhança, esta árvore da foto foi uma das que sobreviveu, outra foi cruelmente cortada pela então prefeita Marta Suplicy.
Nunca entendi direito por que BRASILEIRO ODEIA ÁRVORE.

é isso, por fernando stickel [ 20:19 ]

império das tintas


Você precisa pintar algo da mesma cor, por exemplo completar a pintura de uma casa, ou pintar o segundo portão da mesma cor que o primeiro, e não sabe a quem recorrer?
É este senhor indicado na seta a solução.
Trata-se do Paulo do Império das Tintas na Rua Tabapuã, bairro do Itaim bibi.


O Paulo te atende com a maior simpatia e profissionalismo. Se for preciso fazer um teste ele produz uma pequena quantidade de tinta, você faz o teste, e só depois do teste aprovado ele fecha a encomenda.


A loja tem uma gigantesca quantidade de referências de cor, dos mais variados tipos de tinta, dá pra ficar horas escolhendo…
Quando resolvi usar o amarelo para fazer a cenografia do Espaço Fundação Stickel para a exposição de Maciej Babinski, levei a questão ao Paulo, e com dois testes resolvemos a questão!

é isso, por fernando stickel [ 15:02 ]

yasuhiro aida


O arquiteto Yasuhiro Aida foi durante muitos anos o braço direito do nosso chefe do escritório, o arquiteto Salvador Candia, no Edifício Vicente Filizola na R. da Consolação 65, centro de São Paulo.

Aida foi sempre uma presença calma, composta, economico de palavras e gestos, trabalhando incansavelmente em sua prancheta por vezes esboçava um sorriso enigmático.
Aprendi muito com ele, que dedicava poucos e preciosos minutos a me resgatar de minha ignorancia de jovem arquiteto recém-formado.
Saudades dos anos 70, analógicos e poéticos…


Além de tudo, Aida era um excelente desenhista, as perspectivas dos projetos do escritório, muito elegantes, eram feitas por ele.

Este desenho encontrei entre os guardados de minha família, ante-projeto para uma residência no Morumby, encomendado pelos meus pais Erico e Martha Stickel. O terreno era perto da Capela do Morumbi, do outro lado da avenida, mas o projeto não progrediu.

é isso, por fernando stickel [ 22:16 ]

vila nova conceição


Passeio a pé pela Vila Nova Conceição, com ou sem os cachorros.

é isso, por fernando stickel [ 13:43 ]

obras necessárias


Por sorte, determinação ou ambos, tenho muitas atividades e interesses, não sou uma pessoa que fica quieta em um canto esperando a vida passar.
Mas, por vezes sou vítima do desanimo, e esta semana foi dificil, muito dificil superar a declaração de inocência do ladrão master de Garanhuns, lula da silva, ao mesmo tempo em que os bandidos instalados nos gabinetes em Brasília iniciam gostosamente o processo de crucificação do ex-juiz Sergio Moro. Tudo isso ao som do desmonte da Lava-Jato e o tempero de uma pandemia cruel e assassina.


No Condomínio Modular Delta onde moro e sou assistente dos síndicos, tenho me dedicado a desmontar gambiarras de décadas de falta de planejamento, e nesta tarefa busquei o auxílio do João “Faz Tudo”.
Isto, juntamente com meu trabalho na Fundação Stickel, este blog, e muitas outras coisinhas, me mantém permanentemente ocupado, sem chance de ceder ao desanimo com que Brasilia nos brinda dia sim e dia também.


João “Faz Tudo” e sua equipe. Me divirto muito com ele, e aprendo muito também, acompanhando os trabalhos, com isso vamos colocando o prédio em ordem, pouco a pouco.


Já no caso da Fundação Stickel o combate ao desanimo e ao mau humor é diário, pois nossa missão é ajudar na transformação de pessoas, proporcionando a elas justamente mais condições de batalhar em uma sociedade tão disfuncional, desigual e injusta.

é isso, por fernando stickel [ 9:18 ]

erico nasceu no hotel albion


Hotel Albion, então ocupando a antiga residência de Antônio Álvares Leite Penteado, futuro Conde Álvares Penteado, na Rua Brigadeiro Tobias, c. 1929.

Meu avô Arthur Stickel isolou-se na Ilhabela durante a Primeira Grande Guerra, por ter sido perseguido em São Paulo por ser alemão. A solução foi buscar refúgio, acompanhado de sua mulher Erna, na Praia da Siriuba.

A Ilhabela naquela época era muito, muito longe de tudo. Minha avó ficou grávida e o casal, temendo não ter condições adequadas, resolveu vir a São Paulo para o parto. A viagem se iniciava em uma canoa com destino a Bertioga…

Chegaram em São Paulo e se dirigiram ao Hotel Albion, no centro histórico da cidade. Na recepção do hotel minha avó entrou em trabalho de parto, rapidamente providenciaram uma parteira, e foi ali mesmo que meu pai nasceu em 3 Abril 1920.

Por conta da permanência na Ilha, meu pai recebeu uma homenagem ao local de sua concepção em seu nome, Erico João SIRIUBA Stickel

O almanaque da Província de São Paulo, editado em 1885, registra a existência então dos seguintes hotéis: Hotel Brasil-Itália, na rua Boa Vista; Hotel Fasoli, na rua Senador Feijó; do Hotel Boa Vista, na rua do mesmo nome; Hotel Provenceau, na rua São Bento; Hotel Albion, na rua Alegre, atual Brigadeiro Tobias; Hotel das Famílias, próximo ao Mercado, no fim da General Carneiro; Hotel Bristol, na rua Gusmões; Hotel Suiço e a Pensão Morais, no Paissandu. Alguns outros hotéis de quase nenhuma expressão ainda existiam na capital paulista. Mas com características de hotel e capacidade de hospedagem e prestação de serviços, os hotéis paulistanos eram os acima enumerados.

é isso, por fernando stickel [ 11:52 ]

chuva de prata


Em 1954 com seis anos de idade, lembro de sair cedo de casa para o quintal de nossa casa na R. dos Franceses e encontrá-lo coberto de folhas de alumínio triangulares, brilhando ao sol e molhadas do orvalho.
Nas comemorações do Quarto Centenário de São Paulo, a Força Aérea Brasileira com seus aviões fez a Chuva de Prata sobre a cidade!


Lembro também da “Voluta Ascendente” escultura de Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera. Meu pai comentou comigo na época que a Voluta não tinha condições técnicas de ficar de pé, o projeto seria falho. De fato, o troço caiu e não levantou mais…

é isso, por fernando stickel [ 11:59 ]

mercedes na pracinha


Passeando com a Mercedes-Benz 280 SL na Pracinha da Vila Nova Conceição.

é isso, por fernando stickel [ 11:57 ]

corrida de rua em são paulo


Eu de camiseta branca e calção vermelho e minha filha Fernanda, com as mesmas cores do Papai… Estou na esquina da R. Araujo x R. Major Sertório, no centro de São Paulo.

Em 28 Outubro 1979, um dia antes da minha filha Fernanda completar 2 anos de idade, participei, aos 31 anos de idade, da “Primeira Corrida pela Cidade de São Paulo” na distância de 8km, que completei em 45’ 27”. Na minha camiseta o logotipo “und”, do estúdio de design gráfico do qual eu era sócio na época.

Descobri a corrida com cerca de 22 anos de idade, quando comprei o livro do Dr. Keneth Cooper, e fui fazer o famoso teste dos 12 minutos na pista de atletismo do Clube Pinheiros. A partir daí comecei a correr sozinho, fui tomando gosto, corria na praia no Guarujá, até que meu amigo Renato me avisou desta prova, que resolvemos correr juntos. A largada foi no Estádio do Pacaembu, circulamos pelo centro da cidade e a corrida terminou no Pacaembu.

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]

guerra às gambiarras


Sim. Eu tenho um caso pessoal com as gambiarras, eu as odeio!!!!
Na minha vida de arquiteto e “construtor-reformador”, fiz dezenas de reformas nos mais diferentes imóveis, residenciais e comerciais e sempre me defrontei com a praga das gambiarras, instalações provisórias, mal feitas, precárias, que acabam permanecendo no tempo, enfeiando o ambiente onde estão e provocando inúmeros problemas.

Fui pesquisar:

“Gambiarra” (substantivo feminino) é uma palavra com vários significados, os mais predominante são “extensão de luz”; “acessório de iluminação” (Novo Dicionário Aurélio, 1975); e, no Brasil, “improvisação” (que terá correspondência no termo “desenrascanço”, utilizado em Portugal)
Entre outros significados, destacam-se “ramificação de luzes” (Ferreira, 1999), “ligação fraudulenta; gato” (Houaiss, 2001), “relação extraconjugal” (Navarro, 2004).
O termo “gambiarra” costuma ser usado também como adjetivo, significando “precário”, “feio”, “tosco”, “mal acabado”.


Recentemente me voluntariei para fazer parte do Conselho Consultivo de apoio ao trabalho da síndica Juliana e do sub-síndico Giuliano no Condomínio Modular Delta, onde moro. Concluímos há pouco tempo com sucesso algumas obras importantes, como a nova entrada de eletricidade, a pintura dos prédios e o jardim, e agora chegou a hora de eliminar as gambiarras na garagem, que representam, além de tudo, um risco de segurança.


Este novo trabalho será feito pelo João orientado por mim, vou acompanhá-lo pessoalmente, e será necessário para aumentar a segurança do prédio, e também como preparação de novas e importantes reformas estruturais.


Sandra minha mulher conheceu o João “faz-tudo” mil anos atrás, ele já trabalhou para nós em inúmeras obras, e, de fato, entende profundamente de eletricidade e será capaz de destrinchar décadas de instalações que se sobrepõe umas às outras, eliminando as inativas e inúteis e colocando em ordem as instalações necessárias ao bom andamento do prédio.


A mistura é completa, cabos de eletricidade com telefone, câmeras de segurança com o acionamento dos portões, todos enroscados em canos de água fria e quente, gás, esgoto, águas pluviais, etc…


Arquiteta Sandra Pierzchalski e o João “Faz tudo”


Em três dias de trabalho já eliminamos centenas de kg de canos e conduites, centenas de metros de cabos dos mais variados tipos e várias caixas de passagem, suportes, etc…

é isso, por fernando stickel [ 16:27 ]

mais uma árvore


Uma das decisões mais tristes é mandar derrubar uma árvore. Esta foi sacrificada no Condomínio Modular Delta.


Quando uma árvore morre, e galhos secos ameaçam cair, com risco de dano material e até de morte a decisão precisa ser tomada rápidamente.


Minhas companheiras maritacas que me acordavam com sua deliciosa algazarra agora vão ter que cantar em outra freguesia…

é isso, por fernando stickel [ 9:12 ]

de pessoas e suas influências

Uma conjunção muito especial de fatores propiciou a sistematização destas memórias, focadas principalmente nos anos 70, um pouco antes e um pouco depois.
Em Fevereiro deste ano faleceu meu amigo Frederico Nasser, na sequência instalou-se a pandemia do coronavírus e a quarentena.
Na enorme quantidade de tempo livre resultante me voltei para arquivos fechados há muitos anos, repassei textos, documentos, atualizei este blog e registrei novas memórias. Um documento em particular atuou como poderoso catalisador de lembranças, o convite de casamento do Frederico e Marina. Foi fundamental a ajuda dos amigos para ajustar detalhes, datas, locais e nomes! Obrigado a todos!

De pessoas e suas influências

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais, e tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, à sua estrutura biológica original os aprendizados, amores, encrencas, circunstancias, os livros que leu, amizades, viagens e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos e me terás… Vou tentar explicar. Ou não. Deixemos os fatos, ou as minhas memórias, falarem por si.

No Colégio Visconde de Porto Seguro um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e sábio.

Me preparando para o vestibular de arquitetura no Cursinho Universitário em 1968, conheci mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física. Na mesma época um amigo me falou de um curso de desenho do professor Frederico Nasser, em uma casinha de vila na R. da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni.

Fui procurar o Frederico e iniciei as aulas, desenhávamos em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local Frederico me apresentou Marcel Duchamp e com isso selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo D. Rene, mãe do Dudi Maia Rosa. Não sei nem como encontrava tempo para tudo isso, pois cursava simultaneamente o terceiro colegial! Foram tempos muito ricos e intensos!

Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propos a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de seu amigo, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto no Edifício Suzana na R. Bela Cintra.
Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento, todo reformado, o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo, parecia um submarino, achei o máximo! Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente, e somos amigos desde então.

O vestibular para arquitetura no Mackenzie em 1968 foi antes da FAUUSP, e eu fiquei sabendo através do então diretor da Arquitetura do Mackenzie, o arquiteto Salvador Candia, que eu estaria na lista de espera, nas primeiras colocações. Isto significava que eu estava praticamente matriculado no Mackenzie, pois quando saia o resultado da FAUUSP, muitos aprovados no Mackenzie desistiam para se matricular na FAUUSP, abrindo lugar para a fila de espera. Simplesmente antecipei minhas férias e fui para o Guarujá!
Poucos dias antes do vestibular da FAUUSP voltei para São Paulo, dei uma passada no Cursinho Universitário, cumprimentei os amigos, preparei meus materiais e fui para o vestibular absolutamente tranquilo! O resultado de tanta cuca fresca é que entrei na FAUUSP no 19º lugar!

Com meu colega Edo Rocha fomos para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador capotamos o meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas isto é outra história…

Em 1969 Frederico mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na R. Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém ingressados na FAUUSP também tinham aulas lá, Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Edo Rocha, Leslie M. Gattegno (já falecido), Claudio Furtado… Enquanto desenhávamos nu feminino dentro da casa, Frederico pintava coisas esquisitas no pátio externo da casa… No segundo semestre de 1969 Frederico organizou uma visita de seus alunos ao estúdio do mestre Wesley Duke Lee em Santo Amaro, em um domingo de manhã. Entrar naquele estúdio já era um privilégio, fiquei totalmente fascinado! Wesley com sua cultura e charme inigualáveis, falou sobre muitas coisas, mas sobretudo sobre tecnologia e da chegada do homem à Lua recém ocorrida no dia 20 de Julho. Inesquecível!

Um belo dia, em 1969, a informação correu como fogo em rastilho de pólvora: Chegou Liquitex na Casa do Artista!


Nas setas Alice e eu em Cabo Frio.

E houve o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do Tio Bubi e da Tia Lila, promovido pelo João e Marília Vogt. O espírito da coisa era EU VOU!!!! Todos os amigos iam, ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir! (os anfitriões não gostaram muito… no final deu tudo certo) Foram dias fantásticos, mais de 30 pessoas, amigos, parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Todo mundo soltando pipa nas dunas, inesquecível!
Entre outros minha memória acusa:
Os anfitriões Bubi e Lila, os co-anfitriões João e Marilia, Baravelli e Sakae, Zé Resende e Sophia, Fajardo e Renata, Frederico Nasser, Ricardo Alves Lima, Dudi, Gilda, Monica, Alice e eu.

No espaço da Escola Brasil: rolou uma interessantíssima aula de Tai Chi Chuan com Carlos Carvalho, na fazenda da Lucila Assumpção um fim de semana delicioso e na casa do Tremembé do Zé Resende conheci o ceramista Megumi Yuasa, em uma exposição de ceramica organizada por Frederico Nasser em Dezembro 1971, assim como as esculturas do Zé instaladas ao ar livre.

Em um salão em cima da garagem, na edícula de uma grande casa imersa nas árvores da R. Atlantica, Carlos Fajardo me apresentou Bob Dylan. Na Vila Nova Conceição no estúdio de portão verde do meu amigo Cassio Michalany rolavam intermináveis sessões de jazz, whisky e arte!

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares que sempre foram fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, limpos, amplos, organizados. Havia de tudo lá, até um pote com unhas cortadas… foram vários:
– Av. Miruna, 1967 a 1971
– R. Padre João Manoel, esquina da Oscar Freire, 1971 a 1974 (neste espaço surgiu a primeira Galeria Luisa Strina)
– R. Pedroso Alvarenga, 1974 a 1979
– R. João Cachoeira, 1980 a 1984
– Granja Viana, 1984 até hoje
Pelo menos duas galerias saíram das suas hábeis mãos, Galeria Luisa Strina e Galeria São Paulo na R. Estados Unidos, da Regina Boni.
O mesmo fascínio e curiosidade acontecia também no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona, onde ele também dava aulas.

Em Janeiro de 1970 Dudi Maia Rosa, Frederico Nasser, Augusto Livio Malzoni, e eu partilhamos um gigantesco quarto no Wellington Hotel da 7ª Avenida em New York, para um mês de imersão no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no Automat Horn & Hardardt da Rua 57… e visita à inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970” no Metropolitan Museum of Art, inaugurando sob curadoria de Henry Geldzahler o Departamento de Arte Contemporânea do Museu. Baby Maia Rosa, que aparece na foto, estava em outro endereço.

Na sequência do estúdio na R. Pedroso Alvarenga, Frederico Nasser com seus amigos e colegas artistas plásticos Luis Paulo Baravelli, Carlos Fajardo, e José Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil: na Av. Rouxinol 51 em Moema. Eu fui aluno em 1970, no ano da abertura daquela que ficou conhecida como Escola Brasil:

No segundo semestre de 1970, Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende realizaram a poderosa exposição BFNR 1970 no MAM Rio de Janeiro em Agosto e no MACUSP em Setembro. Eu estou em uma foto na capa do catálogo do Frederico, e fiz alguns retratos do artista. Fui ao Rio para a inauguração, me hospedei “comme il faut” no apartamento da Vovó Zaíra de frente para o mar no Posto 6 em Copacabana, foram dias deliciosos com direito a um jantar no Antonio’s…

Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente e carismática, um poderoso magneto que despertava conhecimento e provocava sede de saber, e de quebra atraía muitas pessoas, que se conheceram e formaram um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou outra gravitavam em torno da Escola. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, Baby Maia Rosa, José Carlos BOI Cezar Ferreira (1944-2018), Leila Ferraz, Wesley Duke Lee (1931-2010), Maciej Babinski, Guto Lacaz, Arnaldo Pappalardo, Santuza Andrade, Megumi Yuasa, e muitos outros foram fruto desta amizade.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil, e convidei o Frederico para ser meu padrinho. Durante alguns anos Frederico frequentou assiduamente meu apartamento na R. Hans Nobiling, éramos amigos íntimos, Frederico aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim… No apartamento de cima havia sempre festas, e acabamos descobrindo que lá morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei para um apartamento na R. Tucumã 141 e comecei a namorar a Iris Di Ciommo, por volta de 1974.

No enorme apartamento na Av. Angélica, de frente para a Pça. Buenos Aires, onde morava com os pais Lamartine e Rene, Dudi Maia Rosa montou um pequeno atelier de gravura, e foi lá que ele me ensinou a fazer a primeira e única gravura da minha carreira em 10 Agosto 1972… Obrigado Dudera! Neste mesmo ano Dudi e Gilda se casaram em uma linda festa na casa do João e Marília em Osasco.
Muitos anos depois, já nos 2000, Dudi foi a mola propulsora para eu criar este blog, mas esta é outra história….

A Galeria Luisa Strina inaugurada em 1974 tinha seu acesso pela R. Padre João Manoel por uma escada que levava à sobreloja. Passava-se por um pequeno espaço administrativo e chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira, logo à esquerda o “escritório” da Luisa era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras. Sentada em seu canto Luisa recebia clientes, amigos, colecionadores, xeretas e desocupados que lá ficavam visitando, papeando, e, naturalmente, comprando! Lá encontrei inúmeras vezes o meu contraparente Pituca Roviralta, já falecido, um dos primeiros compradores do meu treabalho…

Xico Leão era um dos alunos da Escola, um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso, e além de tudo um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem, bonita e delicada caiu nas graças do Prof. Nasser. O namoro evoluiu e chegou o casamento, o Frederico me convidou para ser seu padrinho, Iris e eu nos preparamos e na quarta-feira 8 de Dezembro 1976 embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá na R. Bolivia às 20:30h
O casamento se deu em altíssimo astral, me diverti muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas encontrei D. Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, me apresentei e disse a ela:
-D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!! Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…
Iris e eu fomos os últimos a sair da festa, voltamos alegremente para casa na alta madrugada, eu pilotando a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me que no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar bêbado.

Em 1977 nasceu minha filha Fernanda, seu padrinho foi Cassio Michalany, ele deu de presente para ela uma tela de 15 x 15 cm. Um ladrilho tecido e pintado a mão, em cada aniversário ela ganhou mais um… Em 1979 nasceu o meu filho Antonio, e convidei o Frederico para ser seu padrinho (ausente, diga-se…)

Na segunda metade dos anos 70 Frederico Nasser planejava abrir uma livraria. Em uma conversa no Guarujá com Dudi Maia Rosa, Claudinho Fernandes, que também queria abrir uma livraria ficou sabendo dos planos do Frederico, e acabaram se compondo, abrindo em 1978 como sócios a Livraria Horizonte na R. Jesuino Arruda 806, quase esquina da R. João Cachoeira.
O imóvel selecionado abrigava originalmente um açougue, e o Baravelli, homem dos sete instrumentos, o transformou em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista, que acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, era uma farra, uma enorme mesa central e poltronas confortáveis completavam o ambiente acolhedor. No andar de cima Frederico tocava sua editora Ex Libris. Naquela época eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico “und” e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.

Plinio e Virginia casaram-se em 1978.

Na sequência Frederico e Claudinho desmancharam a sociedade e o Frederico montou em 1980, também com projeto do Baravelli, uma nova livraria, a poucas dezenas de metros, na R. João Cachoeira 267. A execução da obra a cargo do faz tudo Roberto (o chão era de tijolo aparente, cortado a 45 graus) com dois mezaninos e janelas abertas ilegalmente para a lateral do prédio.
A Livraria Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley Duke Lee, o estúdio do artista plástico Luis Paulo Baravelli na sobreloja, e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados na edícula.
Algum tempo depois a Livraria Universo fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas e se especializando em livros raros. Lá Frederico continuava a operar a Editora Ex Libris/Edições Universo, lançando em 1987 o notável livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo…” fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.

Em seu novo estúdio inaugurado em 1980 na R. João Cachoeira, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam ao direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA. Neste espaço certo dia Baravelli confidenciou aos amigos:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
E a opção foi fazer a revista Arte em São Paulo! Muito pragmaticamente, Baravelli fez a lista dos itens necessários, e comprou-os:
– Impressora
– Prensa de hot stamping para as capas
– Encadernadora espiral
– Estoque de papel para impressão
– Estoque de cartão para as capas
Finalmente contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes jornalistas, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981, com um texto meu sobre Cassio Michalany, e o último em 1985.

Entrando nos anos 80 minha vida virou de ponta cabeça… tomei a decisão de ser artista plástico profissional, saí do escritório de design gráfico “und” que havia criado com o Lelé Chamma, separei da Iris, mudei para o apartamento da R. Pinheiros, foi um caos!
A estas alturas o encanto dos anos 70 criativos e loucos estava se quebrando, os contatos entre aquela grande turma de amigos foram se espaçando, as amizades se esgarçando, cada um cuidando de sua vida, os filhos crescendo, e o Frederico iniciou um processo misterioso de se fechar para o mundo. Pouco a pouco foi evitando o contato social com amigos, família e foi se isolando. Não respondia telefonemas, ninguém entendia o que estava acontecendo.

Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim na véspera do Natal vi o Frederico andando a pé na calçada oposta, parei o carro e me dirigi a ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico simplesmente me ignorou e passou reto… eu fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar, totalmente alheio à minha presença… Que Frederico Nasser era aquele?!!

Seu coração falhou definitivamente no início de 2020 aos 75 anos de idade. Foi muito triste e difícil aceitar a perda de um amigo, o luto e a tristeza que senti em 2020 já havia sentido e trabalhado durante quase 40 anos…

Fernando Stickel
9 Julho 2020

Agradecimentos:
Sandra Pierzchalski
Plinio de Toledo Piza Filho
Claudio Furtado
Iris Di Ciommo
Claudio Fernandes
Mauro Lopes
Monica Vogt Marques
Luis Paulo Baravelli
Cassio Michalany
José Resende

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]

fiação indiana

Meu amigo José Antonio Penteado Vignoli escreveu um belo artigo sobre a S.A. Fiação para Malharia Indiana empresa da minha família, no interessante site São Paulo Antiga.


A história da empresa da família de Vignoli é também muito interessante, veja aqui.

é isso, por fernando stickel [ 20:01 ]

loteria


Morando e trabalhando na Vila Olímpia, tenho o hábito de fazer uma fezinha na Mega Sena na Loterica São Jorge na R. Nova Cidade, rotina de quem está há 35 anos no bairro, assim como ir à padaria, à farmácia, cortar o cabelo, ou sacar dinheiro no caixa automático.

Jogo sempre sete números, a aposta é mais cara, mas a probabilidade de ganhar é muito maior, e jogo quando o prêmio está acumulado, a excitação é maior…
Pensar no que fazer com o dinheiro se você ganhar é um exercício mental muito interessante. Até uma determinada faixa a sua vida não mudará, apenas adicionará um conforto aqui, a realização de um desejo ali. Daí pra frente a coisa fica mais complexa… mas de qualquer maneira de uma coisa tenho certeza absoluta, seja qual for o valor do prêmio, se algum dia eu ganhar, uma parcela será distribuida a quem precisa ou merece.

A única atendente da lotérica que conheço pelo nome é a D. Terezinha, uma senhora japonesa de mais idade, talvez a dona do estabelecimento. Todas as outras conheço de vista, a que me atende no guichê preferencial tem mãos bonitas, com as unhas bem cuidadas.
Procuro sempre os horários em que a lotérica está vazia, agora na quarentena está mais fácil…

Tenho certeza de que a sorte (boa ou má) nada mais é que a conjunção em um determinado momento, de vários fluxos energéticos, cristalizando um ou vários fatores, comandados não pela sua vontade, mas pelas leis maiores do universo e suas circunstancias.

é isso, por fernando stickel [ 0:07 ]

jardim modular delta


Novos jardins no Condomínio Modular Delta!


Projeto e execução da paisagista Flavia Tiraboschi.


Na sequência da pintura dos prédios o paisagismo foi a cereja no bolo!

é isso, por fernando stickel [ 19:13 ]

coronavírus avança


A imagem é do site da Johns Hopkins University

Além de estarmos fechados dentro de casa há mais de 40 dias, a crise do coronavírus começa a provocar atritos no condomínio, são reclamações de barulho das crianças nas áreas comuns, aglomerações de adultos irresponsáveis sem usar máscaras de proteção, e por aí vai…

Eu como membro do Conselho que auxilia os síndicos vou dando os meus palpites, que na maioria das vezes são radicais demais… Pouquíssimos adultos estão usando máscaras…

E não ajuda nada neste cenário o fato de Bolsonaro só fazer e falar bobagem a respeito, externando desprezo pelas fatalidades com seu “E daí?” O novo Ministro da Saúde Nelson Teich não consegue falar três palavras coerentes, só enrola.

O número de infectados e mortos só faz subir…Hoje são 3.200.000 casos confirmados no mundo e 229.000 mortes. No Brasil são 79.500 casos confirmados e 5.500 mortes.

A adesão à quarentena vem diminuindo, do ideal de 70% na cidade de São Paulo, estamos hoje com 48%, nas periferias o comércio começa a funcionar normalmente, o que vai acabar provocando um desastre…

Mas o pior de tudo é a tradicional incompetência do Governo Federal em distribuir o auxílio emergencial de R$600,00 às famílias de baixa renda. A Caixa Econômica Federal não consegue montar um sistema que atinja a todos os necessitados, seus aplicativos e sites na internet funcionam mal, provocando filas gigantescas nas agências físicas, é uma tristeza…

é isso, por fernando stickel [ 12:46 ]

entenderam?


Mr. Natural sabe tudo! R. Crumb & F. Stickel #fiqueemcasa

é isso, por fernando stickel [ 20:27 ]

coronavírus


A crise do coronavírus já infectou milhões ao redor do mundo, matou milhares e colocou milhões em quarentena, como a Sandra e eu que já estamos há uma semana fechados dentro de casa…
O desenho é de R. Crumb, o STAY HOME é meu…

é isso, por fernando stickel [ 18:22 ]