
Em um canto qualquer das minhas caminhadas matinais encontro este vaso sabiamente apoiado em um caco de cimento, para manter o equilíbrio.
A planta e a cidade agradecem!

Em um canto qualquer das minhas caminhadas matinais encontro este vaso sabiamente apoiado em um caco de cimento, para manter o equilíbrio.
A planta e a cidade agradecem!
Eu trabalhava em 1974, recém formado arquiteto, no escritório do arquiteto Salvador Candia, responsável pelo projeto do Edifício Joelma, e me dirigia de carro para o trabalho pela Av. 9 de Julho, quando ouvi pelo rádio a notícia do incêndio.
A tragédia ocorreu no dia 1º de fevereiro de 1974, no atualmente denominado Edifício Praça da Bandeira, no centro de São Paulo, e provocou a morte de 187 pessoas e deixou mais de 300 feridos.
Meus colegas que já estavam no escritório quando o incêndio irrompeu relataram mais tarde que conseguiam ver a fumaça, e partilhavam o desespero e tristeza do Salvador.
O que é educação?
Sandra e eu pegamos o elevador na garagem do Shopping Iguatemi, fomos assistir ao excelente filme Michael, antes mesmo de entrar no elevador eu já escutava a voz de homem falando muito alto, dentro do elevador encontrei o cidadão à vontade, discursando para seu celular num tom de voz muitos decibéis acima do que seria compatível com a situação.
A aparência do gajo sugeria a de um malfeitor, e as duas damas que o acompanhavam pareciam, bem, acompanhantes de malfeitor.
Todos trajavam roupas e acessórios de grife, com o claro intuito de comunicar o seu elevado status financeiro.
Que horror!!!

Propaganda da IBM Selectric
Esta história começa com um furto.
A Selectric, máquina de escrever elétrica de esfera da IBM foi lançada em 1961, sua tecnologia também serviu de base para os primeiros terminais de computador e processadores de texto da IBM.
Entre as décadas de 1960 e 1980, a Selectric foi tão dominante que, para muitas empresas, “ter uma IBM” significava simplesmente possuir uma máquina de escrever. Seu desenho industrial tornou-se um dos ícones do escritório moderno do século XX, comparável à importância do computador pessoal duas décadas depois.
Nos anos 1970 surgiram modelos mais sofisticados, como a IBM Correcting Selectric II, que incorporava sistemas de correção automática por fita corretiva, que foi o modelo que Lelé e eu compramos, usada.
Lá pelos idos de 1978, tocando o escritório de comunicação visual und que eu havia criado com o Norberto (Lelé) Chamma em 1977, um belo dia, na hora do almoço um gatuno entra no escritório, que ficava na R. Felipe de Alcaçova, na Vila Madalena, e leva nossa jóia da coroa, a Selectric. O ladrão saiu correndo, tropeçou, a IBM voou e o ladrão se evadiu, sem a máquina, que foi recuperada com arranhões.

A Lambretta laranja
Ao saber do furto decidi imediatamente que precisávamos de um muro alto, pois a casa era aberta para a rua, com murinho baixo. Saí na minha Lambretta cor de laranja atrás de um depósito de material de construção, para encomendar areia, cimento, ferro e tijolo. Quando desci a íngreme ladeira da R. Purpurina, entre a Fradique Coutinho e a Mourato Coelho, encontrei um caminhão que subia a rampa e cuja carga de ferros de construção havia “escorrido” para o chão.
O motorista e o ajudante estavam ali sem saber o que fazer, coçando a cabeça. Parei e perguntei:
-Tá sobrando ferro aí?
-Por que, tá precisando quanto?
– Duas barras. (cada uma tem cerca de seis metros de comprimento)
– Pode pegar…
Embalado pela fantástica economia que eu proporcionaria à obra do muro, peguei duas barras no chão, dobrei-as ao meio, passei pelo estepe da Lambretta, amarrei com elástico, e saí arrastando uma espécie de rabo de andorinha com três metros de cada lado da Lambretta.
Subi a Purpurina em primeira marcha, virei à direita na Fradique, tudo ia bem, o ruído dos ferros arrastando no asfalto, me animei, coloquei segunda marcha, já estava no meio do quarteirão, ganhando velocidade na descida, quando um brutal tranco me lançou ao chão. Deitado no asfalto, tonto, arranhado, esfolado, com enorme corte no pé, roupas e sapato rasgado, sem óculos e sem relógio, fui socorrido por “populares”, que gentilmente recolheram meus pertences espalhados e me ajudaram a levantar. Aí entendi o tamanho da minha burrice, o lado direito daquele apêndice metálico que eu arrastava havia sido “mordido” pelo pneu de um carro estacionado, brecou a Lambretta que simplesmente me ejetou. O saldo da brincadeira: Um pé mal costurado no pronto socorro da esquina, que depois inflamou e tive que ir a um cirurgião plástico que abriu tudo de novo, e costurou tudo de novo, uma Lambretta destruída, a obra do muro adiada e uma lição aprendida: Burrice mata!
E a IBM teve que ir para o conserto, para se recuperar do tombo…

Sede da IBM na Rua Tutóia
Logo na sequência, com a máquina de escrever consertada, fui comprar fitas para ela, na recém inaugurada sede da IBM em São Paulo na Rua Tutóia, projeto dos arquitetos Croce, Aflalo e Gasperini. Fui muito mal atendido e relatei o fato em uma carta. Não custa lembrar que na época ainda não existia fax, internet, e-mail, motoboy, etc…
25 de Abril de 1978
und 029/78
Ilmo. Sr.
José Bonifácio de Abreu Amorim
Presidente
IBM do Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda
Av. Presidente Vargas 642 (ICOMAP 824)
Rio de Janeiro RJ
Prezado Senhor,
Quero inicialmente expressar minha satisfação em possuir una máquina de escrever IBM, bem como externar o prazer que tive em conhecer de perto a sede paulista da IBM à Rua Tutóia.
Muito ne surpreenderam no entanto, as experiencias passadas na recepção e seção de vendas a vista da supra citada sede, na minha opinião totalmente incompatíveis com a imagem institucional desta conceituada empresa.
Assim, ao me dirigir à sobreloja, me deparei com una reprodução fiel das nossas mais ineficientes repartições públicas.
Uma fila de “boys” de fazer inveja ao INPS desenbocava num balcão onde funcionários rudes e desprovidos de interesse anotavam o pedido e forneciam una senha gasta.
A simples tarefa de extrair una nota fiscal ao consumidor e entregar uma dúzia de fitas demorou, no meu caso 1 hora.
Ao tentar obter uma indicação quanto a esfera correta que deveria adquirir, uma vez que esta que lhe escreve esta “encavalando”, obti como resposta do funcionário um seco: “Chame a assistência técnica”.
Ao me dirigir a recepção e solicitar o nome e endereço de V. Sa. fui submetido a um polido interrogatório entremeado de consultas telefônicas como se, a priori suspeitassem de una carta-bomba ou similar.
Acredito que os fatos aqui mencimados se constituam de fato numa “bomba” para V. Sa., una vez que profissionais do nivel hierárquico que V. Sa. ocupa sofrem, fruto de preccupações superiores, um distanciamento natural das ocorrencias diárias nas sobrelojas.
Espero apenas que em futuro próximo, eu possa vir a ser atendido em nível compatível à imagem que a IBM projeta no Brasil e no mundo.
Sendo o que se me apresenta para o momento, despeço-me,
Atenciosamente
Fernando Diederichsen Stickel
Norberto Chamma/Fernando Diederichsen Stickel Arquitetos
Rua Felipe de Alcaçova 73 (011)212 4615
05416 São Paulo SP Brasil

Papel carta da und,na primeira versão, com Chamma/Stickel/und/Arquitetura/Visual. Logo depois reduzimos para apenas o logotipo und
Para minha surpresa, poucos dias depois chegou por carta a resposta do CEO da IBM no período 1969-1979, José Bonifácio de Abreu Amorim, se desculpando pelo ocorrido e oferecendo soluções.
Para mim foi uma vitória no estilo David versus Golias, pois a IBM naquela época era, provavelmente, a empresa mais poderosa do mundo na área de tecnologia, apelidada de “Big Blue”, tinha o tamanho e poderio equivalente a Apple, Microsoft, Google, tudo junto!


Meu falecido amigo Anisio Campos (1934-2019), sempre muito criativo, teve uma ideia brilhante para comemorar o Natal em 1993, “vestir” os postes de iluminação pública com lanternas de 1 metro de altura criadas por artistas plásticos, criando uma exposição pública ao ar livre. As “telas-lanternas” em tecido translúcido seriam penduradas em aros metálicos fixados nos postes da rede pública.
A Associação de Lojas e Restaurantes da Oscar Freire comprou o projeto, alguns apoios foram obtidos juntamente com as necessárias conversas com o poder público e a concessionária da iluminação.
O projeto “Arte na Luz da Rua” frutificou e foi inaugurado com linda festa ao ar livre em 25 novembro 1993, ao longo da R. Oscar Freire em São Paulo. Eu tive o privilégio de ser um dos artistas selecionados.


Há muitos e muitos anos passo em frente deste imóvel na Vila Nova Conceição, na R. Bastos Pereira 519, sempre curioso sobre a placa RIACHUELO Mudanças e Guarda Móveis.
Finalmente encontrei a porta aberta e o simpático convite do Luis Scalabitti de 83 anos, filho do fundador da empresa em 1926, para conhecera empresa e o espaço.
Um galpão grande e profundo, que a fachada simples da casa não sugere, abriga vários contêineres, o guarda móveis.
No terreno vizinho outro galpão abriga 4 caminhões Mercedes-Benz modelo 1113, dos anos 60, de uma frota de seis, todos impecáveis e conservados.
Luis e os irmãos nasceram ali mesmo na Bastos Pereira, hoje uma irmã mora no andar de cima.
Lembrei muito do meu falecido amigo Cassio Michalany, que morava e tinha seu estúdio a poucos quarteirões, na R. Lourenço de Almeida, em um imóvel muito parecido.

A entrada para um tempo diferente

O VW Nivus preto apareceu no topo da rua, conforme previsto no aplicativo, o final de placa 09, era ele.
O sol brilhava na pintura polida e na limpeza impecável do carro.
Ele desceu a rua, percebeu minha presença, ligou o pisca-alerta e parou ao meu lado no lugar justo, aquele em que basta estender a mão para encontrar a maçaneta da porta traseira. Entrei, banco do passageiro afastado para aumentar o meu espaço, limpeza perfeita.
Percebi que o o motorista Leonardo é jovem, asseado, nos cumprimentamos e imediatamente comento sobre o asseio do carro.
Contei a ele minha experiência na chegada ao Japão, em 2018 Sandra e eu desembarcamos no Narita Airport, e tomamos um taxi para Tokyo, são 66 km grande parte trafegando por vias suspensas e viadutos. Percebi que todos os veículos que observava pela janela do taxi estavam meticulosamente limpos, carros, vans, caminhões, motocicletas, carretas, tudo limpo e polido.
O próprio taxi era imaculado, o motorista uniformizado e de luvas brancas. Sobre o banco traseiro uma cobertura branca de crochê.
Ao sair do carro no fim da viagem esqueci meu óculos, liguei pelo aplicativo e rapidamente o Leonardo reapareceu para devolver meus óculos. Isto sim é civilização! Adicionei 5 estrelas à nota 5,0 do Leonardo, além de uma caixinha. Como é bom ser bem atendido!

Nos anos 70 a construtora Formaespaço construiu uma série de edifícios modulares, com projeto do arquiteto Abrahão Sanovicz. Eu moro no Modular Delta e sou seu síndico, nesta condição estou me interessando no que ocorre nos prédios “gêmeos” todos situados em São Paulo, e todos nomeados com letras do alfabeto grego, que são:
Modular Alfa – Rua Graúna 271 – Moema – Amarelo
Modular Beta – Av. Divino Salvador 863 – Moema
Modular Gama – Av. Jurema 888 – Indianópolis
Modular Delta 1 & 2 – Av. Lavandisca 52 – Moema – Torre 1 Azul, Torre 2 Verde
Modular Epsilon – Av. Lavandisca 622 – Moema – Vermelho
Modular Dzeta – Av. Irerê 976 – Planalto Paulista
Modular Eta – Av. Cons. Rodrigues Alves 999 – Vila Mariana
Modular Lambda 1 & 2 – R. Dr. Tomás Carvalhal 310 – Paraíso
Modular Omicron – R. Tabapuã 281 – Itaim Bibi
Modular Sigma 1 & 2 – Rua Caiubi 321 – Perdizes
Modular Omega – R. Vieira de Morais 601 – Campo Belo
Modular Vega – R. Campevas 325 – Perdizes

“Branca” grafite, lápis de cor e esmalte s/ papel s/ tecido s/ painel de madeira e instalação elétrica com 26 lâmpadas 25W e dimmer
180 x 450 cm 1985

Capa do catálogo
Participei com o meu trabalho “Branca” do 9º Salão Nacional de Artes Plásticas Sul, promovido pela FUNARTE no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS em Porto Alegre em outubro de 1986, minha amiga e também artista plástica Ana Alegria me ajudou em todo o processo de montagem. Na sequência o trabalho foi exposto na minha exposição individual na Galeria Virgílio em 2001.

“Branca” no saguão da Galeria Olido, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura, de São Paulo

“Branca” no saguão da Galeria Olido

Sandra Pierzchalski e Agnaldo Farias, curador da mostra inaugural, em frente ao trabalho Aurora de Carmela Gross
Doei a obra Branca à Secretaria Municipal de Cultura em Fevereiro 2004, por ocasião da comemoração dos 450 anos da Cidade de São Paulo e da inauguração da Galeria Olido.
A inauguração da galeria foi na sexta-feira, 10 setembro 2004 às 19:30h. Discursos intermináveis, muita gente, tumulto, barulho, tudo isso faz parte.
O importante, para mim, é que o trabalho que doei à Secretaria Municipal de Cultura ficou impecávelmente instalado no saguão de entrada, conforme projeto feito conjuntamente com a arquiteta Sylvia Moreira.
As cores dos ambientes e detalhes de acabamento que determinei também ficaram perfeitos. Esta é a enorme satisfação profissional.

Carta ao Secretário de Cultura, Celso Frateschi

Condomínio Modular Delta 1 & 2
Projetado pelo arquiteto Abrahão Sanovicz (1933-1999) no início da década de 70, para a Construtora Formaespaço, os edifícios modulares foram pensados para serem implantados, sempre com a mesma planta e as mesmas dimensões, em terrenos típicos, com dimensões de 20 x 50m.
O Condomínio é composto de duas torres, Torre 1 – Azul e Torre 2 – Verde. Mudei há 18 anos, para a Torre 2, no início de 2008 …. desde setembro 2025 sou o seu síndico.
Até 2019 fui um morador alheio às coisas do condomínio, entrava e saía e vivia a minha vida sem me conectar com o que acontecia no prédio. Nesta época eu estava muito mais dedicado à reforma e inauguração do novo Espaço Fundação Stickel na Vila Olímpia e na reforma dos meus carros clássicos.
Foi então que percebi movimentos atípicos no prédio, iniciou-se uma reforma gigantesca do sistema elétrico, e algumas amostras de cor apareceram nas paredes, prenunciando uma nova pintura. A curiosidade arquitetônica falou mais alto, me interessei, conheci a Juliana, a nova síndica, e começamos a conversar. De consultor espontâneo passei a conselheiro, depois a subsíndico, quando a Juliana vendeu seu apartamento e deixou o prédio, fui convidado a assumir a sindicância.
Sinto-me realizado nesta curiosa missão, misto de administrador, psicólogo, mediador, arquiteto, engenheiro de manutenção e construtor. É um cargo que exige técnica, paciência e visão de longo prazo.


Fui síndico cerca de 50 anos atrás, quando morei no Edifício Jaguar, prédio recém construído do qual fui um dos primeiros moradores. Jovem arquiteto formado pela FAUUSP em 1973, acompanhei a obra e identifiquei diversas falhas construtivas não solucionadas pela incorporadora. Assumi então a tarefa de cobrar providências, o que naturalmente me levou à sindicância. Foi uma gestão breve, porém suficiente para compreender a complexidade — e os desafios — da função.
Nunca exerci a profissão de arquiteto, mas adoro uma obra, uma reforma, e o Modular Delta se apresentou como terreno fértil para esta paixão, pois o prédio, com grande qualidade de projeto, estava sucateado.
Hoje, encaro essa responsabilidade não apenas como gestão condominial, mas como um compromisso com a preservação e valorização e renascimento de uma obra significativa da arquitetura paulista.

Nestes seis anos, nas gestões da síndica Juliana Minako Barca (2020-2025) e na minha (2025-2026) realizamos as seguintes atividades/obras:
Nova entrada de força ENEL, novos quadros e medidores.
Poda e retirada de árvores gigantes mortas.
Eliminação de todos os aparelhos de ar-condicionado das fachadas.
Impermeabilização das marquises (precisa refazer).
Pintura das fachadas das duas torres e do térreo.
Doação de fotos para os Halls sociais.
Reformas para obtenção do AVCB, escadas, portas corta-fogo, bombas, alarme, corrimãos nas escadas, etc…
Reforços estruturais na garagem, pilares e vigas.
Eliminação de gambiarras elétricas, caixas de passagem, armários elétricos sem uso, tubulações, etc…
Eliminação de bujões Ultragás inativos e tubulações de gás fora de uso.
Retirada de antigos relógios de gás inativos da Torre Verde.
Implantação de jardins, paisagismo, plantio de árvores nas calçadas, novos canteiros de Russélias, remanejamento de vasos.
Reforma da garagem, troca das tubulações de esgoto e águas pluviais, nova iluminação e quadros elétricos, pintura.
Reforma e impermeabilização da captação de águas pluviais no térreo “poço inglês”.
Consertos das guias das calçadas.
Reforma dos bicicletários.
Novo sistema de coleta e separação de lixo – Instituto Muda – Retirada das lixeiras dos andares.
Novo sistema de aquecimento de água com bombas de calor elétricas, novo vaso de pressão na Torre Azul.
Novo poste de entrada de fibras óticas.
Reforma das instalações de interfone.
Nova entrada de água cavalete SABESP.
Reforma de bombas e tubulações de recalque, instalações elétricas e quadros de controle.
Reforma da portaria, implantação de segurança, cerca elétrica, câmeras de monitoramento, reconhecimento facial, intertravamento dos portões e portaria remota.
Reforma completa do Salão de Festa, comodato gratuito dos móveis.
Reforma da copa dos funcionários, novo piso, novo sofá.
Reforma dos elevadores sociais, nova empresa de manutenção (Blue).
Novo piso drenante na calçada, novos canteiros e iluminação.
Nova rede de drenagem de águas pluviais na garagem, caixas coletoras, bombas e quadros elétricos.
Normatizações administrativas diversas, para novas obras, placas nas grades, uso de garagem por visitantes, etc…
Sinalização, faixa de segurança nos vidros.
Novas lixeiras.


Em pleno domingo de Carnaval acompanho o desfecho de uma tragédia urbana.
Em frente ao meu prédio, Condomínio Modular Delta, há uma lavanderia com espaço de estacionamento. À noite, ali se abrigava um carroceiro e sua carrocinha. De vez em quando ouvíamos gritarias noturnas; diziam que era alcoólatra e bebia pelos bares da redondeza.
Há algum tempo ele passou a dormir na esquina oposta, na calçada do meu prédio. Na quinta-feira observei que ele ficou o dia inteiro deitado, enrolado em seus trapos. Diferentemente da maioria dos catadores de recicláveis, não tinha um cachorro.
Pedi ao meu zelador, Zé Carlos, que verificasse a situação e oferecesse ajuda, inclusive chamando o SAMU. Ele foi até lá, conversou, perguntou se precisava de socorro. O homem recusou: disse que queria apenas ficar quieto.
Assim permaneceu por pelo menos dois dias, largado na calçada ao lado da carrocinha.
Hoje, ao chegar em casa, vi o SAMU. Um vizinho de outro prédio o encontrara imóvel e, sem obter resposta, chamou atendimento. Por volta das 20h foi constatado o óbito.
Tá lá o corpo estendido no chão. Dois policiais militares fazem a guarda, aguardando a perícia. Converso com o zelador do prédio em frente, que veio prestar solidariedade ao conterrâneo falecido — pernambucano, como ele. Faço intimamente uma homenagem. Ninguém merece morrer assim.


O carroceiro e sua humanidade, ursinho de pelúcia grudado em sua carroça.

Marco da arquitetura e do urbanismo modernos, a cidade de Brasília DF, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO, detendo a maior área tombada do mundo: 112,25 km². É, até hoje, o único bem contemporâneo a receber esta distinção nesta escala.
O reconhecimento veio em 7 de dezembro de 1987 e teve um protagonista central: O mineiro José Aparecido de Oliveira</em> (1929-2007), então governador do Distrito Federal (1985–1988). Foi ele quem liderou o processo de candidatura, mobilizou o Itamaraty, especialistas em patrimônio e a própria UNESCO, articulando técnica e diplomaticamente a defesa da capital brasileira.
José Aparecido sustentava que Brasília não era apenas a sede administrativa do país, mas um marco incontornável do urbanismo do século XX — resultado do Plano Piloto de Lúcio Costa e do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer.
Para convencer a UNESCO, foi necessário mais do que exaltar a qualidade do projeto original: era preciso demonstrar compromisso concreto com sua preservação. José Aparecido impulsionou instrumentos legais e diretrizes urbanísticas que asseguraram à organização internacional a integridade do Plano Piloto.
Naquele período, minhas conexões mineiras estavam muito ativas. Eu tinha acabado de fazer uma exposição em Belo Horizonte, na galeria do Grupo Corpo em 1986, namorava a Helena Bricio e era amigo do Nirlando Beirão (1948-2020). O próprio José Aparecido me enviou um convite para a cerimônia oficial de celebração.

Conjunto Residencial da Colina
Contactei minha amiga e colega da FAUUSP Sylvia Ficher, arquiteta e moradora de Brasília, e pedi abrigo — prontamente concedido. Ela morava no Conjunto Residencial da Colina, no Setor Habitacional de Professores da Universidade de Brasília (UnB), projeto do arquiteto João Filgueiras Lima</em>, carinhosamente conhecido como Lelé. Foi bom conhecer um dos ícones da arquitetura dos anos 60!
Desembarquei com um terno azul-marinho na mala e me preparei para a festa, marcada para o fim da tarde. Peguei um táxi e fui me misturar às autoridades.
A casa era grande, branca, em um estilo arquitetônico que nada tinha a ver com Brasília, talvez um neo-colonial-espanhol, alguma coisa indefinida. Encontrei um ou dois arquitetos conhecidos; conversávamos e bebericávamos enquanto o ambiente ganhava densidade política. De repente, um burburinho surgiu no extremo oposto do salão. Luzes de cinegrafistas começaram a se mover na nossa direção. A notícia correu rápido: o presidente havia chegado.
José Sarney avançava cumprimentando convidados. A trupe veio se aproximando de nós, de repente estavam na nossa frente, Sarney parou diante de mim e estendeu a mão. Apertei-a — mais por protocolo do que por convicção. A sensação foi imediata e desagradável: mão frouxa, úmida.
O gesto durou segundos. A cena, no entanto, ficou (infelizmente) gravada na minha memória.
A seguir texto da Sylvia Ficher:
Senzala e Casa Grande
Publicado em: 5º SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO
URBANISMO. Cidades: temporalidades em confronto.
Campinas: PUC/Campinas, 1998. (CD-ROM)
Após vinte anos de ditadura, período dominado pela política demagógica do BNH,
quando os estudos de análise urbana começavam a duras penas a repercutir na
prática urbanística, eis que os interesses políticos do então governador do Distrito
Federal, José Aparecido, levaram a UNESCO a afixar selo de qualidade em Brasília,
declarada ‘Patrimônio da Humanidade’ em 1987. Talvez desavisada, a honrada
instituição cultural então contribuía para a entronização de um velho modelo – aquele
preconizado pela Carta de Atenas em 1933 – há muito avaliado, criticado e descartado
por quem se dedica ao estudo das cidades, de seu impacto sobre o meio ambiente, de
suas lógicas de localização, de suas morfologias, de seus processos de parcelamento
e ocupação do solo, de sua economia etc..
Como era de se esperar, por conta do prestigioso título vinha rápido em 1990 o
tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o qual
descobria, tautologicamente, a excepcionalidade de Brasília. [A tautologia é evidente:
Brasília tornara-se excepcional para a UNESCO por que o governador assim havia
afirmado, portanto Brasília será excepcional para o IPHAN por que a UNESCO assim
o decretou]. E vinha, mais rápido ainda, o descarte do diagnóstico sério sobre a cidade
e seu entorno feito pelo GT Brasília para a própria UNESCO.
Afinal, o que vem sendo considerado patrimônio da humanidade, de que se ocupa o
IPHAN em Brasília? Da expansão urbana do Distrito Federal, com mais de dois
milhões de habitantes, dispersos insensatamente por área várias vezes maior do que
a ocupada por uma cidade tradicional de igual porte nas chamadas ‘cidades satélites’
(os subúrbios de baixa renda e cidades dormitórios em Brasília) e ‘invasões’ (as
favelas brasilienses), onde se repetem as mazelas típicas das cidades do 3º Mundo na
carência de água e esgotos, de pavimentação e iluminação, de serviços mínimos de
saúde, educação e segurança, de transportes coletivos eficientes e acessíveis, de
equipamentos culturais e de lazer?
Ou a casa grande desta grande senzala, onde vive menos de um terço de sua
população, reverentemente conhecida pelos excluídos como ‘Plano Piloto’?
É este último o patrimônio da humanidade. De um só golpe retórico, ao mesmo tempo
em que se refaz a realidade, conta-se uma falsa história – a do sucesso do urbanismo
modernista para o desenho de cidades, o qual teria criado no ‘árido’ planalto central
um oásis urbano, graças à sabedoria de suas proposições: a cidade linear disposta em
jardins (a custos altíssimos para o bolso do contribuinte), a preponderância do sistema
viário sobre a rua tradicional (que cobra seu preço em vidas humanas, na cidade com
o mais alto índice de acidentes de trânsito com vítimas fatais do país), a indefinição
entre espaço público e privado (que permite aos especuladores o completo descaso
para com o mínimo previsto em qualquer código de obras, como soleiras, calçadas e
guias), o apogeu do edifício isolado (acarretando o aumento desnecessário das
distâncias urbanas e, consequentemente, do custo da infraestrutura e dos transportes
coletivos) e por fim, mas não menos, a definitiva monumentalização da arquitetura
cotidiana, tornada escultura para gáudio dos arquitetos formalistas.
Hoje, aqueles que obram pela preservação da memória da cultura brasileira – dos
documentos tradicionais da historiografia às realizações materiais do passado –
2
deparam-se mais uma vez com a ação mistificadora das elites brasileiras, mais
preocupadas em preservar – e reproduzir – sua falsa consciência.
Assim como Ruy Barbosa buscou reescrever nosso passado queimando os registros
da escravidão em 1890, a política oficial de preservação no Brasil deixou sempre de
considerar as manifestações arquitetônicas populares. Quem visitar um engenho do
ciclo do açúcar não irá encontrar as marcas de uma unidade produtiva representativa
de nossa economia colonial, dependente e escravista, mas apenas a materialização
do poderio da oligarquia: a casa grande, uma vez que a senzala há muito
desapareceu nesta assepsia do passado. Em termos atuais, seria como tomar o
check-up do ministro da Saúde como testemunho da saúde de nosso povo, a mansão
da alta burguesia como testemunho dos padrões de habitação em nossas cidades.
Mas se é a parcela casa grande da capital federal que se quer proteger, por que tanto
espalhafato, por que recorrer a títulos internacionais ou ao tombamento por lei? Afinal
essa Brasília do plano piloto não corre risco algum, afora um ou outro quebra-quebra
conduzido pela população ‘insensível’ no desespero dos protestos dos sem terra, sem
saúde, sem emprego e demais despossuídos.
O plano piloto está duramente protegido por uma legislação restritiva, que impõe uma
setorização alheia à vida real e impede o desenvolvimento de tipologias mais
adequadas às necessidades de seus habitantes, e pela propriedade do solo pelo
Estado que, este sim, faz sua especulação fundiária própria, entesourando as grandes
áreas ainda desocupadas ao redor do plano piloto, enquanto mantém as populações
de baixa renda a distâncias cruéis. Quanto aos monumentos e espaços diferenciados
de Brasília, como a Catedral, a Esplanada dos Ministérios, os diversos palácios onde
se assentam os donos do poder, estes sim estão ameaçados constantemente, não
pela incúria dos brasilienses mas pela vaidade de seu autor que – rodeado por sua
corte pessoal – incessantemente altera e remenda sua própria obra com novos
apêndices e penduricalhos.
Em nome da preservação da ‘modernidade’ de Brasília, a preservação de práticas
sociais arcaicas de discriminação. O novo anexo do Supremo Tribunal, rompendo a
escala e o equilíbrio do principal espaço monumental da cidade – a Praça dos Três
Poderes – é aprovado sem maiores delongas; afinal, tem a griffe Niemeyer. Já ali
perto, no combate a uma feira de produtos contrabandeados (cuja existência não será
aqui discutida, mas que passa pela informalização da economia brasileira, seu
subemprego e outros ‘avanços’ neoliberais, e sobrevive no convívio franco do legal e
do ilegal), a administração do Plano Piloto conjura a inadequação de sua localização,
uma vez que o estacionamento do estádio Mané Garrincha – quem diria – é ‘tombado’!
Enquanto a Praça dos Três Poderes é desfigurada pela construção de um espigão
com detalhes neogóticos e de qualidade discutível, o que causa alvoroço é o
estacionamento de um estádio de esportes, para o olhar oficioso ‘descaracterizado’
por umas tantas barraquinhas improvisadas e provisórias.
As ações ‘preservacionistas’ do IPHAN, conforme divulgadas nos jornais, são
estarrecedoras. Em defesa das ‘características ímpares’ de Brasília, síndicos são
arrochados por ousar plantar cercas vivas ao redor de áreas com ‘pilotis’ no esforço de
criar uma distinção mínima entre o público e o privado, e condôminos são impedidos
de reformas banais, como a remoção de lixeiras em obediência às exigências
sanitárias. Fechando de vez o cerco (e a cerca), o IPHAN apoia projeto de lei que
pretende transformar as superquadras em condomínios particulares, dando de
presente, privatizando a custo zero a cidade e instaurando o reinado das empresas
paramilitares de segurança.
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Surpreendente mesmo é a certeza do IPHAN quanto às ‘características ímpares’ de
Brasília. Meses atrás suas manifestações indicavam que o must da cidade é o pilotis;
logo depois, embasado no vácuo de sua reflexão sobre o urbano, afirmava que vias
exclusivas para ônibus na W3 são inaceitáveis. Afinal, que mandato, que expertise
profunda têm os senhores do IPHAN, em que compêndios tanta expertise está
explanada para se arvorarem em guardiões do certo ou errado urbanístico de Brasília?
Mas nada disso ocorre sem conflito, como mostra episódio recente quando, em nome
de obscuros critérios de restauração (original versus cópia, quiçá?), criou-se uma
polêmica em torno da reforma de uma laje da Rodoviária. Correndo por fora, brigando
pelo aval de laços com os nomes daqueles que conceberam a cidade, grupos de
poder se digladiam encarniçadamente pelo monopólio do direito de mando
arquitetônico e urbanístico em Brasília.
E assim um dos maiores complexos urbanos do país fica sujeito aos desígnios destes
grupos que fazem e desfazem a cidade, utilizando o tombamento para sua
legitimação, por este justificados em seu elitismo e absolvidos de seu descaso perante
os reais problemas sociais da cidade e do país. Enquanto isso, discussões sobre o
planejamento de Brasília, ações em sua estrutura, melhorias de suas condições de
urbanidade são obstruídas por discursos superficiais e preconceituosos, que invocam
argumentos de autoridade no trato do fenômeno urbano. E todos nós perdemos a
oportunidade de contribuir de fato para a conservação daquelas qualidades
indiscutíveis de Brasília e para a revisão de tantos erros que marcam sua história
ainda tão jovem. De quebra, avança-se em mais um desserviço ao debate
contemporâneo sobre as cidades brasileiras.
Durmamos tranquilos em um quarto arejado da casa grande. A velha ordem está
preservada.
Algumas fontes
Robert Conrad. Brazilian Slavery. Boston: G. K. Hall, 1977.
Millôr Fernandes. Visita. Jornal de Brasília, p. 11, 27 jun. 1985.
Brasília‚ patrimônio da humanidade. Jornal de Brasília, p. 1 e 12, 8 dez. 1987.
Niemeyer: o monopólio de um gênio questionado. Jornal de Brasília, p. 15, 13 dez.
1987.
Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade. Jornal de Brasília, Caderno Especial, 1
jan. 1988.
Roberto Schwarz. A cidade total. Folha de São Paulo, p. 6/8 e 6/9, 27 mar. 1994.
STJ inaugura sede e empossa Bueno de Souza na presidência. Correio Brazilienze, p.
4, 24 jun. 1995.
Presidente do STJ defende sede luxuosa. Folha de São Paulo, p. 1/8, 24 jun. 1995.
Jânio de Freitas. Exemplo de austeridade. Folha de São Paulo, p. 1/5, 25 jun. 1995.
Maria Elisa Costa. Paisagismo em Brasília. Correio Brazilienze, p. 9, 11 jan. 1997.

Nesta esquina triangular da Av. IV Centenário com R. Afonso Braz agonizou durante décadas uma casa abandonada.
Alguns anos atrás iniciaram-se obras de reforma, da pior forma possível, sem projeto, sem tapume, sem capricho, sem limpeza.
A coisa se arrastou por muito tempo, vãos de portas e janelas foram abertos e fechados dezenas de vezes, óbviamente pela falta de um projeto. Arquitetura feita na base da picareta e da martelada, tentativa e erro…
Finalmente abriram lá um restaurante, que não durou mais que um ano. E lá está o imóvel fechado…
Muito dinheiro gasto, muito tempo de obra, a quem interessa tanto prejuízo, talvez alguém que precise lavar dinheiro, né não?

Neste endereço no 591 da R. Diogo Jácome já existiram “N” restaurantes, todos de arquitetura duvidável e vida curta.
Cores muito fortes na fachada, combinações exóticas de menus divulgados em cartazes na porta, e, compreensívelmente, pouca gente lá dentro.
Este se anuncia como “Gastronomia e Confeitaria Afetiva”
Algum tempo atrás um deles fez um toldo tão vagabundo que na primeira chuva a coisa desabou…
Parece que nestes endereços tem caveira de burro enterrada.

Na esquina da R. Afonso Braz com Diogo Jácome, na Vila Nova Conceição, havia um tradicional bar da esquina, sempre cheio, com mesinhas na calçada. Aos sábados enchia de atletas, passeadores, gente bonita e saudável, tomando um lanche, suco ou uma cerveja, durante a semana trabalhadores de todos os tipos traçando um PF.
Há cerca de um ano ou ano e meio foi fechado e demolido, eu não entendi…
Ficou um tempão fechado e mais recentemente iniciou-se uma obra esquisita, daquelas que aparenta não ter projeto, propósito, nem cronograma.
Esta esquina faz parte do meu roteiro diário, seja a pé ou de carro, e flagrei uma coluna evidentemente fora do prumo, e muito delgada para segurar sua carga, parece que o último andar será um “rooftop”… Desastre anunciado? Implicância de um chato? Pode ser, mas conheço um pouco de obra, estrutura, etc… e o bom senso me alertou.
Existem por aqui no bairro outros fenômenos similares, pontos excelentes com obras mal feitas e incompreensíveis, parece ser lavagem de dinheiro… Normalmente os bares/restaurantes que surgem nestes pontos esquisitos não decolam, estão sempre vazios.
Todas as vezes que passei a pé pela obra tentei encontrar um mestre de obras, alguém para comentar sobre a coluna, mas a obra parece blindada, sempre fechada.

Ao longo dos meses alguns enchimentos (sem ferro) foram adicionados, solução estética? Me parece evidente que a estrutura desta trapizonga está subdimensionada.

Fui verificar o site constante da placa, mclregularizacoes.com.br que revelou-se inexistente… curioso… Pesquisei também o número do CREA do engenheiro Marcelo Alves Sobrinho, também inexistente… mais curioso ainda… O número do ART confere no site do CREA, para reforma sem acréscimo de área, mas o registro do CREA do engenheiro é outro… curiosíssimo!!!

Engrossaram um pouquinho mais a coluna, uma maquiagem com gesso…

Na parede de tijolinhos o Restaurante La Tartine
Amor aos Pedaços ou O Tarado de Itanhaém
(Porquê ressuscitei este texto de 22 anos atrás: Conheci recentemente Itanhaém, e fiquei impressionado com a pobreza e a carência da cidade…)
Sandra e eu fomos ao teatro assistir a comédia “Vestir o pai”, de Mário Viana, com Karin Rodrigues, dirigida por Paulo Autran. Hilária, excelente!
Após o teatro fomos jantar no bistrô La Tartine, vizinho do restaurante Mestiço, muito gostoso simpático e barato, sempre com lugares disponíveis, ao contrário do Mestiço, sempre lotado. Nas mesas ao lado desenrolam-se cenas fascinantes, nos esforçamos para escutar sem dar bandeira, Sandra com seu ouvido de tísica é especialista na espionagem.
Ele: Alto, forte, ombros largos, por volta dos 45 anos, grisalho nas têmporas, cara de serial killer, médico legista contratado por concurso pela Prefeitura de Itanhaém, SP, prolixo, encantado com sua própria voz, alta e pausada, veste jeans, tênis e camisa cinza escuro e discorre sobre o milhão de dólares necessário para montar uma franquia McDonalds ou os R$ 200.000 para montar uma Amor aos Pedaços.
Ela: Mignon, gostosinha, parda, vulgar, sorriso semi-cretino nos lábios, bibliotecária do interior, parece ser excelente ouvinte, ou então está apenas embevecida pelo bonitão. Não sabe o que é Amor aos Pedaços. Ele: (declamando): – “Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida, você não sabe como estou feliz” e olha profundamente nos olhos dela, inclina-se para a frente e segura a mão da moça bem apertada. Logo a seguir: -“Você pode escolher o prato quente para dividirmos” mudando abruptamente para: “Eu sonhei em ter uma livraria”, e conta como é apaixonado pelos livros desde criança.
E assim vai ele solando sobre os mais diversos assuntos, conta como foi contratado pela Prefeitura, ela fixada nele. Aí conta como conseguiu obter gravações da ex-mulher com o amante, através de um enfermeiro do Savoy Pronto Socorro, e continua descrevendo suas aventuras para a baixinha, sempre vidrada nele, sempre com olhar entre embevecido e completamente idiota, depois volta a falar das franquias e da sua paixão pelos livros e a vontade de ter uma livraria, e também o desejo de montar academia de artes marciais… , o tempo passa, Sandra e eu mal conseguimos disfarçar a excitação, anotamos algumas coisas em guardanapos de papel, o assunto é extremamente fascinante. A moça não se dá conta, mas está correndo perigo. Algo neste casal nos passa uma tragédia suspensa por fios muito tênues, a brutal diferença física entre os dois, a obsessão sinistra do grandalhão evidenciada no seu falar pausado e monocórdio, a improvável salada de objetivos de vida…
Atrás de nós outro casal curioso, ele um jovem gatão gringo, cabelos longos, mãos bonitas e costas largas, na segunda caipirinha tripla, ela mulata esguia, cabelos anelados, insinuosa e sorridente, no segundo balde de dry-martini. Falam alto, ele em inglês e ela macarronicamente se dedica mais ao “body language”, se pegam, se beijam, a certa altura se levantam, e no meio do restaurante entre as mesas abraçam-se num longo beijo tarado e voltam a se sentar sorridentes. Mais dry-martini, mais caipirinha, o tom de voz se eleva, começam a brincar com os talheres fazendo um barulho danado, daqui a pouco se levantam novamente e se agarram mais intensamente, mão na bunda, beijos profundos, parece que de comum acordo estão fazendo uma prévia dos corpos, antes que desmaiem de tanto beber, dane-se o restaurante e quem estiver por perto. Neste caso a tragédia será apenas acordar com aquela puta dor de cabeça, talvez algumas manchas roxas e tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior…

Na esquina da R. Afonso Braz com Diogo Jácome havia um bar tradicional, sempre cheio, com mesinhas na calçada, o famoso “bar da esquina”. Aos sábados enchia de atletas, passeadores, gente bonita e saudável.
Há cerca de ano ou ano e meio foi fechado e demolido, eu não entendi…
Ficou um tempão fechado, mais recentemente iniciou-se uma obra esquisita, daquelas que aparenta não ter projeto nem propósito.
Ontem flagrei uma coluna evidentemente fora do prumo, e aparentemente muito delgada para segurar sua carga… Desastre anunciado? Implicância de um chato? Pode ser, mas mesmo sem ser arquiteto praticante conheço um pouco de obra, estrutura, etc…
Existem por aqui no bairro outros fenômenos similares, pontos excelentes com obras mal feitas e incompreensíveis, parece ser lavagem de dinheiro… Corre na rádio tamanco que estes estabelecimentos seriam propriedade do filho de um político famoso…

No tapume capenga está afixada esta placa.
Em uma pesquisa rápida não encontrei nem o Eng. Marcelo Alves Sobrinho, nem seu número do CREA. Por que será?
O grande culpado pelo revoltante assassinato do ciclista Vitor Medrado de 46 anos, executado hoje em Frente ao Parque do Povo no Itaim Bibi em SP é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi ele, juntamente com Zé Dirceu e comparsas do PT que instalaram a partir de 2003, de maneira planejada sistemática e permanente o desmonte das estruturas de Estado, visando a instalação da cultura da impunidade, e o rebaixamento dos padrões éticos e morais do país.
Desta maneira agências reguladoras, fundos de pensão, estatais foram sistematicamente aparelhadas com os companheiros, na sequência o judiciário, legislativo, polícia, ninguém escapou. Com o passar do tempo outros partidos perceberam as enormes vantagens de dominar a estrutura punitiva do Estado, e, todos mancomunados, assaltam diligentemente o Estado brasileiro, permitindo ainda que ninguém, rigorosamente ninguém bem conectado na política e bem fornido no bolso irá em cana no Brasil.
O desmonte da Operação Lava Jato, e a ampla geral e completa anistia a todos os bandidos foi realizada à luz do dia, invocando a República e a Democracia, ora vejam só… Chegamos a ter que engolir Sergio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão por corrupção, deitando falação de dentro da piscina.
Fruto destes absurdos, bandidos começaram a ser considerados “vítimas da sociedade” e assassinos, traficantes, ladrões operam livremente, proporcionando jornadas de terror aos cidadãos de bem.
Os motoqueiros assassinos do Vitor, se forem pegos, em poucos dias estarão novamente nas ruas, de volta ao ofício de matar inocentes. Enquanto isso “painho” Lula só pensa naquilo, na eterna reeleição, na eterna impunidade.
Estas minhas impressões coletei lendo os jornais e acompanhando com interesse nossa aventura brasileira, li muito, fui assinante de inúmeras revistas e jornais, inclusive do PASQUIM nos anos 70. O que sei com certeza é que o país não decola, a insegurança jurídica, o crime e a corrupção impunes formam um caldo de cultura que impede o crescimento. É uma tragédia sem solução à vista.