aqui no aqui tem coisa encontram-se
coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

cidade

cópia fiel

Fui visitar meu bom e velho amigo Arnaldo Pappalardo em seu bom e velho estúdio no Sumaré, agora transformado na novíssima Cópia Fiel, uma pequena, e simpaticíssima lojinha totalmente aberta para a rua, sem obstáculos, vidros ou portas, onde Arnaldo vende a preços muito acessíveis as suas lindas fotos.


Papo de vizinhos.


O português entrou na loja e ficou encantado!


Av. Prof Alfonso Bovero 278 – Sumaré
A loja estará sempre aberta de quarta-feira a sábado das 10:30 hs às 17:30 hs e aos domingos das 10:30 hs às 13:30 hs.

é isso, por fernando stickel [ 17:13 ]

abriu bachir!


Eu fui o primeiro cliente! Abriu a dois quarteirões da minha casa, na esquina da R. Diogo Jácome com a Av. Helio Pellegrino uma deliciosa sorveteria libanesa.
Os donos, Maurice e Carolina muito simpáticos me ofereceram sorvete, que apreciei gulosamente às 9:30h da manhã!


Combinação perfeita, Mercedes Benz 280 SL com Bachir!

é isso, por fernando stickel [ 8:08 ]

interlagos


Pista de Interlagos em 1963, era assim que eu frequentava o autódromo na minha adolescência!
Ao final da reta a Curva 1, de alta velocidade… Não existe mais.

é isso, por fernando stickel [ 10:47 ]

sampaio vidal

é isso, por fernando stickel [ 9:07 ]

sampaio vidal

Minha ex, Iris Di Ciommo, encontrou em seus guardados os ante-projetos e alguns detalhamentos da obra de reforma da casa que compramos no final dos anos 70 na Rua Sampaio Vidal 564, desenhados por nós em papel manteiga.

O projeto original do conjunto de quatro sobrados geminados é do arquiteto João Batista Vilanova Artigas.

É curioso que eu já conhecia esta casa no tempo de estudante da FAUUSP, pois iniciei minha vida profissional desenhando plantas de prefeitura para o arquiteto Alfred Talaat, que lá tinha seu escritório. Na edícula nos fundos do terreno era o estúdio do Augusto Livio Malzoni.

O projeto executivo da reforma foi executado pelo “Cambeu”, nosso colega de classe Henrique Cambiaghi, pois o escritório dele tinha mais condições para a tarefa.

A construção ficou ao cargo do Henrique Falzoni.

Além da obra, plantamos árvores na calçada e no pátio frontal da casa, utilizado como garagem. Nosso colega Plinio de Toledo Piza fez o projeto de paisagismo do jardim nos fundos da casa.

Eu tomei algumas liberdades com o projeto original do mestre Artigas, a mais benéfica foi a inclusão de um terraço no primeiro piso, acessado por portas na sala de jantar e na cozinha, e com uma escada em espiral descendo ao jardim.
Criei também na porta principal da casa uma escada curva, estilo “bolo de noiva” pintada de vermelho, que também ficou muito boa


Projeto de paisagismo de Plinio de Toledo Piza.


O conjunto dos quatro sobrados, o número 564 está marcado em vermelho.

é isso, por fernando stickel [ 17:43 ]

árvore na ribeirão claro


Morei atrás deste muro cinza, na esquina das ruas Ribeirão Claro e Fiandeiras, na Vila Olímpia, por mais de 20 anos.
Hoje ali é a sede da Comunidade Shalom, para quem vendi o terreno.
Naquele período plantei inúmeras árvores na vizinhança, esta árvore da foto foi uma das que sobreviveu, outra foi cruelmente cortada pela então prefeita Marta Suplicy.
Nunca entendi direito por que BRASILEIRO ODEIA ÁRVORE.

é isso, por fernando stickel [ 20:19 ]

império das tintas


Você precisa pintar algo da mesma cor, por exemplo completar a pintura de uma casa, ou pintar o segundo portão da mesma cor que o primeiro, e não sabe a quem recorrer?
É este senhor indicado na seta a solução.
Trata-se do Paulo do Império das Tintas na Rua Tabapuã, bairro do Itaim bibi.


O Paulo te atende com a maior simpatia e profissionalismo. Se for preciso fazer um teste ele produz uma pequena quantidade de tinta, você faz o teste, e só depois do teste aprovado ele fecha a encomenda.


A loja tem uma gigantesca quantidade de referências de cor, dos mais variados tipos de tinta, dá pra ficar horas escolhendo…
Quando resolvi usar o amarelo para fazer a cenografia do Espaço Fundação Stickel para a exposição de Maciej Babinski, levei a questão ao Paulo, e com dois testes resolvemos a questão!

é isso, por fernando stickel [ 15:02 ]

yasuhiro aida


O arquiteto Yasuhiro Aida foi durante muitos anos o braço direito do nosso chefe do escritório, o arquiteto Salvador Candia, no Edifício Vicente Filizola na R. da Consolação 65, centro de São Paulo.

Aida foi sempre uma presença calma, composta, economico de palavras e gestos, trabalhando incansavelmente em sua prancheta por vezes esboçava um sorriso enigmático.
Aprendi muito com ele, que dedicava poucos e preciosos minutos a me resgatar de minha ignorancia de jovem arquiteto recém-formado.
Saudades dos anos 70, analógicos e poéticos…


Além de tudo, Aida era um excelente desenhista, as perspectivas dos projetos do escritório, muito elegantes, eram feitas por ele.

Este desenho encontrei entre os guardados de minha família, ante-projeto para uma residência no Morumby, encomendado pelos meus pais Erico e Martha Stickel. O terreno era perto da Capela do Morumbi, do outro lado da avenida, mas o projeto não progrediu.

é isso, por fernando stickel [ 22:16 ]

vila nova conceição


Passeio a pé pela Vila Nova Conceição, com ou sem os cachorros.

é isso, por fernando stickel [ 13:43 ]

obras necessárias


Por sorte, determinação ou ambos, tenho muitas atividades e interesses, não sou uma pessoa que fica quieta em um canto esperando a vida passar.
Mas, por vezes sou vítima do desanimo, e esta semana foi dificil, muito dificil superar a declaração de inocência do ladrão master de Garanhuns, lula da silva, ao mesmo tempo em que os bandidos instalados nos gabinetes em Brasília iniciam gostosamente o processo de crucificação do ex-juiz Sergio Moro. Tudo isso ao som do desmonte da Lava-Jato e o tempero de uma pandemia cruel e assassina.


No Condomínio Modular Delta onde moro e sou assistente dos síndicos, tenho me dedicado a desmontar gambiarras de décadas de falta de planejamento, e nesta tarefa busquei o auxílio do João “Faz Tudo”.
Isto, juntamente com meu trabalho na Fundação Stickel, este blog, e muitas outras coisinhas, me mantém permanentemente ocupado, sem chance de ceder ao desanimo com que Brasilia nos brinda dia sim e dia também.


João “Faz Tudo” e sua equipe. Me divirto muito com ele, e aprendo muito também, acompanhando os trabalhos, com isso vamos colocando o prédio em ordem, pouco a pouco.


Já no caso da Fundação Stickel o combate ao desanimo e ao mau humor é diário, pois nossa missão é ajudar na transformação de pessoas, proporcionando a elas justamente mais condições de batalhar em uma sociedade tão disfuncional, desigual e injusta.

é isso, por fernando stickel [ 9:18 ]

erico nasceu no hotel albion


Hotel Albion, então ocupando a antiga residência de Antônio Álvares Leite Penteado, futuro Conde Álvares Penteado, na Rua Brigadeiro Tobias, c. 1929.

Meu avô Arthur Stickel isolou-se na Ilhabela durante a Primeira Grande Guerra, por ter sido perseguido em São Paulo por ser alemão. A solução foi buscar refúgio, acompanhado de sua mulher Erna, na Praia da Siriuba.

A Ilhabela naquela época era muito, muito longe de tudo. Minha avó ficou grávida e o casal, temendo não ter condições adequadas, resolveu vir a São Paulo para o parto. A viagem se iniciava em uma canoa com destino a Bertioga…

Chegaram em São Paulo e se dirigiram ao Hotel Albion, no centro histórico da cidade. Na recepção do hotel minha avó entrou em trabalho de parto, rapidamente providenciaram uma parteira, e foi ali mesmo que meu pai nasceu em 3 Abril 1920.

Por conta da permanência na Ilha, meu pai recebeu uma homenagem ao local de sua concepção em seu nome, Erico João SIRIUBA Stickel

O almanaque da Província de São Paulo, editado em 1885, registra a existência então dos seguintes hotéis: Hotel Brasil-Itália, na rua Boa Vista; Hotel Fasoli, na rua Senador Feijó; do Hotel Boa Vista, na rua do mesmo nome; Hotel Provenceau, na rua São Bento; Hotel Albion, na rua Alegre, atual Brigadeiro Tobias; Hotel das Famílias, próximo ao Mercado, no fim da General Carneiro; Hotel Bristol, na rua Gusmões; Hotel Suiço e a Pensão Morais, no Paissandu. Alguns outros hotéis de quase nenhuma expressão ainda existiam na capital paulista. Mas com características de hotel e capacidade de hospedagem e prestação de serviços, os hotéis paulistanos eram os acima enumerados.

é isso, por fernando stickel [ 11:52 ]

chuva de prata


Em 1954 com seis anos de idade, lembro de sair cedo de casa para o quintal de nossa casa na R. dos Franceses e encontrá-lo coberto de folhas de alumínio triangulares, brilhando ao sol e molhadas do orvalho.
Nas comemorações do Quarto Centenário de São Paulo, a Força Aérea Brasileira com seus aviões fez a Chuva de Prata sobre a cidade!


Lembro também da “Voluta Ascendente” escultura de Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera. Meu pai comentou comigo na época que a Voluta não tinha condições técnicas de ficar de pé, o projeto seria falho. De fato, o troço caiu e não levantou mais…

é isso, por fernando stickel [ 11:59 ]

mercedes na pracinha


Passeando com a Mercedes-Benz 280 SL na Pracinha da Vila Nova Conceição.

é isso, por fernando stickel [ 11:57 ]

corrida de rua em são paulo


Eu de camiseta branca e calção vermelho e minha filha Fernanda, com as mesmas cores do Papai… Estou na esquina da R. Araujo x R. Major Sertório, no centro de São Paulo.

Em 28 Outubro 1979, um dia antes da minha filha Fernanda completar 2 anos de idade, participei, aos 31 anos de idade, da “Primeira Corrida pela Cidade de São Paulo” na distância de 8km, que completei em 45’ 27”. Na minha camiseta o logotipo “und”, do estúdio de design gráfico do qual eu era sócio na época.

Descobri a corrida com cerca de 22 anos de idade, quando comprei o livro do Dr. Keneth Cooper, e fui fazer o famoso teste dos 12 minutos na pista de atletismo do Clube Pinheiros. A partir daí comecei a correr sozinho, fui tomando gosto, corria na praia no Guarujá, até que meu amigo Renato me avisou desta prova, que resolvemos correr juntos. A largada foi no Estádio do Pacaembu, circulamos pelo centro da cidade e a corrida terminou no Pacaembu.

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]

guerra às gambiarras


Sim. Eu tenho um caso pessoal com as gambiarras, eu as odeio!!!!
Na minha vida de arquiteto e “construtor-reformador”, fiz dezenas de reformas nos mais diferentes imóveis, residenciais e comerciais e sempre me defrontei com a praga das gambiarras, instalações provisórias, mal feitas, precárias, que acabam permanecendo no tempo, enfeiando o ambiente onde estão e provocando inúmeros problemas.

Fui pesquisar:

“Gambiarra” (substantivo feminino) é uma palavra com vários significados, os mais predominante são “extensão de luz”; “acessório de iluminação” (Novo Dicionário Aurélio, 1975); e, no Brasil, “improvisação” (que terá correspondência no termo “desenrascanço”, utilizado em Portugal)
Entre outros significados, destacam-se “ramificação de luzes” (Ferreira, 1999), “ligação fraudulenta; gato” (Houaiss, 2001), “relação extraconjugal” (Navarro, 2004).
O termo “gambiarra” costuma ser usado também como adjetivo, significando “precário”, “feio”, “tosco”, “mal acabado”.


Recentemente me voluntariei para fazer parte do Conselho Consultivo de apoio ao trabalho da síndica Juliana e do sub-síndico Giuliano no Condomínio Modular Delta, onde moro. Concluímos há pouco tempo com sucesso algumas obras importantes, como a nova entrada de eletricidade, a pintura dos prédios e o jardim, e agora chegou a hora de eliminar as gambiarras na garagem, que representam, além de tudo, um risco de segurança.


Este novo trabalho será feito pelo João orientado por mim, vou acompanhá-lo pessoalmente, e será necessário para aumentar a segurança do prédio, e também como preparação de novas e importantes reformas estruturais.


Sandra minha mulher conheceu o João “faz-tudo” mil anos atrás, ele já trabalhou para nós em inúmeras obras, e, de fato, entende profundamente de eletricidade e será capaz de destrinchar décadas de instalações que se sobrepõe umas às outras, eliminando as inativas e inúteis e colocando em ordem as instalações necessárias ao bom andamento do prédio.


A mistura é completa, cabos de eletricidade com telefone, câmeras de segurança com o acionamento dos portões, todos enroscados em canos de água fria e quente, gás, esgoto, águas pluviais, etc…


Arquiteta Sandra Pierzchalski e o João “Faz tudo”


Em três dias de trabalho já eliminamos centenas de kg de canos e conduites, centenas de metros de cabos dos mais variados tipos e várias caixas de passagem, suportes, etc…

é isso, por fernando stickel [ 16:27 ]

mais uma árvore


Uma das decisões mais tristes é mandar derrubar uma árvore. Esta foi sacrificada no Condomínio Modular Delta.


Quando uma árvore morre, e galhos secos ameaçam cair, com risco de dano material e até de morte a decisão precisa ser tomada rápidamente.


Minhas companheiras maritacas que me acordavam com sua deliciosa algazarra agora vão ter que cantar em outra freguesia…

é isso, por fernando stickel [ 9:12 ]

de pessoas e suas influências


Frederico Nasser e eu, na festa de noivado com Maria Alice Kalil, 1970

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais e mais um pouco, tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, à sua estrutura biológica original, os aprendizados e as circunstâncias, as encrencas e os lugares, os amores e as paixões, as amizades, as viagens, os livros que leu e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos eventualmente cometidos e me terás. Vou tentar explicar. Ou não.
Deixemos que as minhas memórias falem por si, em sua lógica peculiar.

No colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo, um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e um sábio em geral. Me preparando para o vestibular de arquitetura no Cursinho Universitário em 1968, tive mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e a fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física.
Na mesma época, um amigo me falou de um curso de desenho do professor Frederico Nasser, em uma casinha de vila na Rua da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni. Procurei o Frederico e iniciamos nossas aulas.

Preciso abrir aqui um parêntese. Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente, carismática – um poderoso magneto que despertava conhecimento, provocava sede de saber e, de quebra, irradiava uma atração que amalgamou muitas pessoas em um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou de outra gravitaram em torno dele e da Escola Brasil:. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Baby Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, José Carlos BOI Cezar Ferreira, Leila Ferraz, Wesley Duke Lee, Maciej Babinski, Megumi Yuasa e muitos outros que aparecerão aqui e ali, ao longo das próximas linhas. Fecho aqui o parêntese.

Os alunos desenhavam em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local, Frederico me apresentou Marcel Duchamp, através da “bíblia” The Complete Works of Marcel Duchamp, escrita por Arturo Schwarz e publicada pela Thames and Hudson em 1969, e assim selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também o meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo dona Rene, mãe do Dudi. Não sei como eu encontrava tempo para tudo isso, cursando simultaneamente o terceiro colegial, hoje o último ano do ensino médio. Foram tempos muito ricos e intensos!
Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha um lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propôs a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de um amigo dele, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto na rua Bela Cintra. Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento todo reformado, com o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo parecendo um submarino. Achei o máximo. Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente e nos tornamos amigos desde então.
Pouco depois, passei no vestibular da FAUUSP e fui com meu colega Edo Rocha para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador, capotamos o meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas esta é uma outra história.

Em 1969, Frederico Nasser mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na rua Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém-ingressados na FAUUSP desenhavam lá também, como o Edo Rocha e Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Leslie M. Gattegno e Claudio Furtado. Enquanto desenhávamos nus femininos dentro de casa, Frederico, muito focado, pintava coisas esquisitas no pátio externo…
No segundo semestre daquele ano, Frederico organizou em um domingo de manhã uma visita de seus alunos ao estúdio do mestre Wesley Duke Lee em Santo Amaro. Entrar naquele estúdio era um privilégio, fiquei totalmente fascinado. Com sua cultura e charme inigualáveis, Wesley falou sobre muitas coisas, mas sobretudo de tecnologia e da recém-ocorrida chegada do homem à Lua, no dia 20 de julho. Inesquecível.


Nas setas vermelhas eu e Maria Alice Kalil em Cabo Frio

E veio então o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do tio Bubi e da tia Lila, promovido pelo João e a Marília Vogt. O espírito da coisa era “EU VOU!”. Ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir! (Os anfitriões não gostaram muito… mas no final deu tudo certo). Foram dias fantásticos, mais de 30 amigos e parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Minha memória acusa a presença, entre outros, dos anfitriões Bubi e Lila e dos coanfitriões João e Marilia, claro, e de Baravelli e Sakae, de Zé Resende e Sophia, de Carlos Fajardo e Renata, mais o Frederico, Dudi, Gilda, Ricardo Alves Lima, Monica Vogt, Maria Alice Kalil.

Em janeiro de 1970 Frederico Nasser, Dudi, Augusto Livio e eu dividimos um gigantesco quarto no Wellington Hotel da 7ª Avenida em Nova York para um mês de imersão no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no restaurante Automat Horn & Hardardt na Rua 57 e visita à inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970” no Metropolitan Museum of Art, inaugurando o seu Departamento de Arte Contemporânea sob curadoria de Henry Geldzahler.


A Escola Brasil: na Av. Rouxinol 51

Pouco depois, na sequência do estúdio na Rua Pedroso Alvarenga, Frederico e os amigos e colegas das artes plásticas Baravelli, Fajardo e Zé Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil, na Avenida Rouxinol, em Moema. Conhecida como Escola Brasil:, eu fui um de seus alunos no ano de abertura.


Futebol dos “pernetas”na R. dos Franceses. De costas, Baravelli.

Foi também em 1970, na quadra multiuso nos fundos da casa dos meus pais, na Rua dos Franceses, que eu e o grupo de amigos da Escola Brasil: inventamos um jogo de futebol. O mais engraçado é que, se bem me lembro, nenhum dos participantes tinha muita intimidade com o esporte bretão – sempre fui um perna de pau, isso posso garantir! Além de mim e do Neco, meu irmão, jogavam Frederico, José Carlos BOI, Cassio, Fajardo, Leslie e Baravelli. Fora os “jogadores”, também estavam lá a Sakae, mulher do Baravelli, e o filho deles, o Zé.


Capa do catálogo de Frederico Nasser para a exposição BFNR, com dedicatória. Eu estou na foto de costas, em primeiro plano.

Em agosto do mesmo ano, os incansáveis Frederico, Baravelli, Fajardo e Zé Resende realizaram a poderosa exposição BFNR 1970 no MAM Rio de Janeiro, que viria no mês seguinte para o MACUSP, no prédio da Bienal em São Paulo – eu apareço na capa do catálogo do Frederico, de quem fiz alguns retratos para esta mesma edição. Fui ao Rio para a inauguração da exposição e me hospedei “comme il faut” no apartamento da vovó Zaíra, de frente para o mar no Posto 6, em Copacabana. Foram dias deliciosos com direito a um jantar no clássico Antonio’s.

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares, sempre fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, amplos, limpos, organizados. (O mesmo fascínio e curiosidade acontecia também no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona, onde ele também dava aulas.)
Havia de tudo nos estúdios do Baravelli, até um pote com unhas cortadas… Foram muitos os espaços ao longo dos anos:
– Avenida Miruna, de 1967 a 1971;
– Rua Padre João Manoel, esquina com a Oscar Freire, de 1971 a 1974;
– Rua Pedroso Alvarenga, de 1974 a 1979;
– Rua João Cachoeira, de 1980 a 1984;
– Granja Viana, 1984 até hoje.
Pelo menos duas galerias saíram das hábeis mãos do Baravelli – a Galeria São Paulo, da Regina Boni, na Rua Estados Unidos, e a Galeria Luisa Strina, aberta em seu segundo estúdio particular, citado na lista ali em cima.
Com acesso pela Rua Padre João Manoel, uma escada levava à galeria na sobreloja. Passando por um pequeno espaço administrativo, chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira onde, logo à esquerda, o “escritório” da Luisa Strina era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras confortáveis. Sentada em seu canto, com as unhas impecavelmente esmaltadas de vermelho, ela recebia os amigos e os clientes, colecionadores, xeretas e desocupados em geral que lá ficavam papeando e, naturalmente, comprando!
Lá encontrei inúmeras vezes o meu contraparente Pituca Roviralta, um dos primeiros compradores do meu trabalho.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil e convidei o Frederico Nasser para ser meu padrinho. Durante alguns anos, Frederico frequentou assiduamente nosso apartamento na Rua Hans Nobiling. Éramos amigos íntimos, ele aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim. No apartamento de cima, sempre havia umas festas e acabamos descobrindo que lá morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei para um apartamento na Rua Tucumã, 141, e comecei a namorar a Iris Di Ciommo por volta de 1974.

No enorme apartamento na Avenida Angélica, de frente para a Praça Buenos Aires, onde morava com os pais, dona Rene e Lamartine, Dudi montou um pequeno atelier de gravura. Foi lá que ele me apresentou à técnica e eu fiz a primeira e única gravura da minha carreira ¬– me lembro bem até do dia – em 10 de agosto de 1972. Obrigado, Dudera!
Neste mesmo ano, Dudi e Gilda se casaram em uma linda festa na casa do João e Marília em Osasco.

Um dos integrantes da turma da Escola Brasil:, Xico Leão era um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso e, além de tudo, um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem e delicada, caiu nas graças do professor Frederico Nasser. Quando o namoro evoluiu para o casamento, Frederico me convidou para ser seu padrinho. Felizes com a deferência, na quarta-feira 8 de dezembro 1976 Iris e eu embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente, às oito e meia da noite, na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá, na Rua Bolívia.
O casamento se deu em altíssimo astral. Nos divertimos muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas, encontrei dona Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, e me apresentei a ela:
– D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!!
Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…
Iris e eu fomos os últimos a deixar a festa, comigo pilotando alegremente a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me de que, no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar embriagado.


Pinturas de Cassio Michalany, presente para a afilhada Fernanda.

Em 1977, nasceu minha filha Fernanda. Seu padrinho, o Cassio, a presenteou com uma tela de 15 x 15 cm, um ladrilho tecido e pintado a mão – em cada aniversário, ela ganharia mais um. Dois anos depois, nasceu o meu filho Antonio e convidei Frederico Nasser para ser seu padrinho, mas ele não pôde estar presente ao nascimento.
Na mesma época, Frederico planejava abrir uma livraria. Em uma conversa com Dudi no Guarujá , Claudinho Fernandes, que também flertava com a mesma ideia, ficou sabendo dos planos do amigo em comum e os dois acabaram se tornando sócios para abrir, em 1978, a Livraria Horizonte.
O imóvel selecionado na Rua Jesuíno Arruda, 806, quase esquina com a João Cachoeira, abrigava originalmente um açougue, mas Baravelli, o homem dos sete instrumentos, transformou o lugar em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista. A Horizonte acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, sempre uma farra com sua enorme mesa central e poltronas confortáveis completando o ambiente acolhedor. No andar de cima, Frederico tocava sua editora Ex Libris. Naquela época, eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico und – assim mesmo, com minúscula – e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.
Cerca de dois anos depois, Frederico desmanchou a sociedade com Claudinho e montou uma nova livraria a poucos metros da Horizonte, na Rua João Cachoeira, 267 – a Universo. Também com projeto do Baravelli, a execução da obra ficou a cargo do Roberto “faz tudo”, com o chão de tijolo aparente, cortado a 45 graus, dois mezaninos e janelas ilegalmente abertas para a lateral do prédio.
A Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley; o estúdio da vez de Baravelli, na sobreloja; e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados, na edícula.
Algum tempo depois, a livraria fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas, agora especializada em livros raros. Lá, Frederico continuou a operar a Editora Ex Libris, lançando em 1987 o notável O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo, edição fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.
No estúdio em cima da Universo, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam o direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes, para frear o ímpeto da turma, ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA.

Foi neste espaço que, certo dia, Baravelli confidenciou aos amigos:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
A opção foi fazer a revista Arte em São Paulo. Muito pragmaticamente, ele fez uma lista dos itens necessários e comprou:
_ Impressora;
_ Prensa de hot stamping para as capas;
_ Encadernadora espiral;
_ Estoque de papel para impressão;
_ Estoque de cartão para as capas.
Em seguida contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes de jornalismo, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981, com um texto meu sobre Cassio Michalany. O último saiu em 1985.

Entrando nos anos 1980, minha vida virou de ponta cabeça. Tomei a decisão de ser artista plástico em tempo integral, saí do escritório de design gráfico und e me separei da Iris, mudando para o apartamento da Rua dos Pinheiros.
Foi um ano estressante, trabalhoso, caótico!

A esta altura, começava a se quebrar o encanto dos anos 1970, criativos e loucos, com os contatos entre aquela grande turma de amigos se espaçando, as amizades se esgarçando, os filhos nascendo e crescendo, cada um cuidando de sua vida. Foi nessa época que Frederico Nasser iniciou um misterioso processo de se fechar para o mundo. Pouco a pouco, foi evitando o contato social com os amigos e a família, se isolando mais e mais, sem responder nem mesmo aos telefonemas. Ninguém entendia o que estava acontecendo.
Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim, o avistei caminhando na calçada oposta. Parei o carro e corri para ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico me ignorou solenemente e passou reto… Fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar totalmente alheio à minha presença…
Que Frederico Nasser era aquele?!!
Seu coração falharia definitivamente no início de 2020, aos 75 anos de idade. É sempre muito triste e difícil aceitar a perda de um amigo. O luto e a tristeza que senti naquele momento, na verdade, já vinha sentindo e trabalhando durante quase 40 anos…

Fernando Stickel,
9 de julho de 2020

Uma conjunção muito especial de fatores propiciou a sistematização destas memórias, focadas nos anos 1970, um pouco antes e um pouco depois. Em fevereiro de 2020, faleceu meu grande amigo Frederico Nasser. Em seguida, a pandemia do coronavírus e a quarentena redefiniriam o mundo como o conhecíamos.
Foi neste contexto que me voltei a arquivos fechados há muitos anos, repassando textos e a memorabilia do período para atualizar minhas memórias ¬– e este blog.
Um documento em particular atuou como poderoso catalisador de lembranças, o convite de casamento do Frederico e Marina. Foi fundamental a ajuda dos amigos em várias conversas para ajustar algumas datas, locais e nomes.
Deixo aqui um agradecimento especial para Sandra Pierzchalski, Plinio de Toledo Piza Filho, Claudio Furtado, Iris Di Ciommo, Claudio Fernandes, Mauro Lopes, Monica Vogt Marques, Luis Paulo Baravelli, Cassio Michalany e José Resende.

Fernando Stickel,
10 de outubro de 2021

Revisão do texto: Tato Coutinho

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]

fiação indiana

Meu amigo José Antonio Penteado Vignoli escreveu um belo artigo sobre a S.A. Fiação para Malharia Indiana empresa da minha família, no interessante site São Paulo Antiga.


A história da empresa da família de Vignoli é também muito interessante, veja aqui.

é isso, por fernando stickel [ 20:01 ]