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cumprimentei sarney

Cumprimentei Sarney

Marco da arquitetura e do urbanismo modernos, Brasília, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO, detendo a maior área tombada do mundo: 112,25 km². É, até hoje, o único bem contemporâneo a receber esta distinção nesta escala.

O reconhecimento veio em 7 de dezembro de 1987 e teve um protagonista central: O mineiro José Aparecido de Oliveira, então governador do Distrito Federal (1985–1988). Foi ele quem liderou o processo de candidatura, mobilizou o Itamaraty, especialistas em patrimônio e a própria UNESCO, articulando técnica e diplomaticamente a defesa da capital brasileira.
José Aparecido sustentava que Brasília não era apenas a sede administrativa do país, mas um marco incontornável do urbanismo do século XX — resultado do Plano Piloto de Lúcio Costa e do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

Para convencer a UNESCO, foi necessário mais do que exaltar a qualidade do projeto original: era preciso demonstrar compromisso concreto com sua preservação. José Aparecido impulsionou instrumentos legais e diretrizes urbanísticas que asseguraram à organização internacional a integridade do Plano Piloto.

Naquele período, minhas conexões mineiras estavam muito ativas. O próprio José Aparecido me enviou um convite para a cerimônia oficial de celebração.

Contactei minha amiga Sylvia Ficher, arquiteta e moradora de Brasília, e pedi abrigo — prontamente concedido. Desembarquei com um terno azul-marinho na mala e me preparei para a festa, marcada para o fim da tarde, numa ampla residência da capital.
Peguei um táxi e fui me misturar às autoridades.

A casa era imponente. Encontrei um ou dois arquitetos conhecidos; conversávamos e bebericávamos enquanto o ambiente ganhava densidade institucional. De repente, um burburinho surgiu no extremo oposto do salão. Luzes de cinegrafistas começaram a se mover na nossa direção. A notícia correu rápido: o presidente havia chegado.
José Sarney avançava cumprimentando convidados. Aproximou-se, parou diante de mim e estendeu a mão. Apertei-a — mais por protocolo do que por convicção. A sensação foi imediata e desagradável: mão frouxa, úmida.
O gesto durou segundos. A cena, no entanto, ficou (infelizmente) gravada na minha memória.

é isso, por fernando stickel [ 23:28 ]

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