
Passeio a pé pela Vila Nova Conceição, com ou sem os cachorros.



Passeio a pé pela Vila Nova Conceição, com ou sem os cachorros.



Por sorte, determinação ou ambos, tenho muitas atividades e interesses, não sou uma pessoa que fica quieta em um canto esperando a vida passar.
Mas, por vezes sou vítima do desanimo, e esta semana foi dificil, muito dificil superar a declaração de inocência do ladrão master de Garanhuns, lula da silva, ao mesmo tempo em que os bandidos instalados nos gabinetes em Brasília iniciam gostosamente o processo de crucificação do ex-juiz Sergio Moro. Tudo isso ao som do desmonte da Lava-Jato e o tempero de uma pandemia cruel e assassina.

No Condomínio Modular Delta onde moro e sou assistente dos síndicos, tenho me dedicado a desmontar gambiarras de décadas de falta de planejamento, e nesta tarefa busquei o auxílio do João “Faz Tudo”.
Isto, juntamente com meu trabalho na Fundação Stickel, este blog, e muitas outras coisinhas, me mantém permanentemente ocupado, sem chance de ceder ao desanimo com que Brasilia nos brinda dia sim e dia também.

João “Faz Tudo” e sua equipe. Me divirto muito com ele, e aprendo muito também, acompanhando os trabalhos, com isso vamos colocando o prédio em ordem, pouco a pouco.

Já no caso da Fundação Stickel o combate ao desanimo e ao mau humor é diário, pois nossa missão é ajudar na transformação de pessoas, proporcionando a elas justamente mais condições de batalhar em uma sociedade tão disfuncional, desigual e injusta.

Hotel Albion, então ocupando a antiga residência de Antônio Álvares Leite Penteado, futuro Conde Álvares Penteado, na Rua Brigadeiro Tobias, c. 1929.
Meu avô Arthur Stickel isolou-se na Ilhabela durante a Primeira Grande Guerra, por ter sido perseguido em São Paulo por ser alemão. A solução foi buscar refúgio, acompanhado de sua mulher Erna, na Praia da Siriuba.
A Ilhabela naquela época era muito, muito longe de tudo. Minha avó ficou grávida e o casal, temendo não ter condições adequadas, resolveu vir a São Paulo para o parto. A viagem se iniciava em uma canoa com destino a Bertioga…
Chegaram em São Paulo e se dirigiram ao Hotel Albion, no centro histórico da cidade. Na recepção do hotel minha avó entrou em trabalho de parto, rapidamente providenciaram uma parteira, e foi ali mesmo que meu pai nasceu em 3 Abril 1920.
Por conta da permanência na Ilha, meu pai recebeu uma homenagem ao local de sua concepção em seu nome, Erico João SIRIUBA Stickel
O almanaque da Província de São Paulo, editado em 1885, registra a existência então dos seguintes hotéis: Hotel Brasil-Itália, na rua Boa Vista; Hotel Fasoli, na rua Senador Feijó; do Hotel Boa Vista, na rua do mesmo nome; Hotel Provenceau, na rua São Bento; Hotel Albion, na rua Alegre, atual Brigadeiro Tobias; Hotel das Famílias, próximo ao Mercado, no fim da General Carneiro; Hotel Bristol, na rua Gusmões; Hotel Suiço e a Pensão Morais, no Paissandu. Alguns outros hotéis de quase nenhuma expressão ainda existiam na capital paulista. Mas com características de hotel e capacidade de hospedagem e prestação de serviços, os hotéis paulistanos eram os acima enumerados.

Em 1954 com seis anos de idade, lembro de sair cedo de casa para o quintal de nossa casa na R. dos Franceses e encontrá-lo coberto de folhas de alumínio triangulares, brilhando ao sol e molhadas do orvalho.
Nas comemorações do Quarto Centenário de São Paulo, a Força Aérea Brasileira com seus aviões fez a Chuva de Prata sobre a cidade!

Lembro também da “Voluta Ascendente” escultura de Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera. Meu pai comentou comigo na época que a Voluta não tinha condições técnicas de ficar de pé, o projeto seria falho. De fato, o troço caiu e não levantou mais…

O projeto.

Passeando com a Mercedes-Benz 280 SL na Pracinha da Vila Nova Conceição.

Eu de camiseta branca e calção vermelho e minha filha Fernanda, com as mesmas cores do Papai… Estou na esquina da R. Araujo x R. Major Sertório, no centro de São Paulo.
Em 28 Outubro 1979, um dia antes da minha filha Fernanda completar 2 anos de idade, participei, aos 31 anos de idade, da “Primeira Corrida pela Cidade de São Paulo” na distância de 8km, que completei em 45’ 27”. Na minha camiseta o logotipo “und”, do estúdio de design gráfico do qual eu era sócio na época.
Descobri a corrida com cerca de 22 anos de idade, quando comprei o livro do Dr. Keneth Cooper, e fui fazer o famoso teste dos 12 minutos na pista de atletismo do Clube Pinheiros. A partir daí comecei a correr sozinho, fui tomando gosto, corria na praia no Guarujá, até que meu amigo Renato me avisou desta prova, que resolvemos correr juntos. A largada foi no Estádio do Pacaembu, circulamos pelo centro da cidade e a corrida terminou no Pacaembu.

Sim. Eu tenho um caso pessoal com as gambiarras, eu as odeio!!!!
Na minha vida de arquiteto e “construtor-reformador”, fiz dezenas de reformas nos mais diferentes imóveis, residenciais e comerciais e sempre me defrontei com a praga das gambiarras, instalações provisórias, mal feitas, precárias, que acabam permanecendo no tempo, enfeiando o ambiente onde estão e provocando inúmeros problemas.
Fui pesquisar:
“Gambiarra” (substantivo feminino) é uma palavra com vários significados, os mais predominante são “extensão de luz”; “acessório de iluminação” (Novo Dicionário Aurélio, 1975); e, no Brasil, “improvisação” (que terá correspondência no termo “desenrascanço”, utilizado em Portugal)
Entre outros significados, destacam-se “ramificação de luzes” (Ferreira, 1999), “ligação fraudulenta; gato” (Houaiss, 2001), “relação extraconjugal” (Navarro, 2004).
O termo “gambiarra” costuma ser usado também como adjetivo, significando “precário”, “feio”, “tosco”, “mal acabado”.

Recentemente me voluntariei para fazer parte do Conselho Consultivo de apoio ao trabalho da síndica Juliana e do sub-síndico Giuliano no Condomínio Modular Delta, onde moro. Concluímos há pouco tempo com sucesso algumas obras importantes, como a nova entrada de eletricidade, a pintura dos prédios e o jardim, e agora chegou a hora de eliminar as gambiarras na garagem, que representam, além de tudo, um risco de segurança.

Este novo trabalho será feito pelo João orientado por mim, vou acompanhá-lo pessoalmente, e será necessário para aumentar a segurança do prédio, e também como preparação de novas e importantes reformas estruturais.

Sandra minha mulher conheceu o João “faz-tudo” mil anos atrás, ele já trabalhou para nós em inúmeras obras, e, de fato, entende profundamente de eletricidade e será capaz de destrinchar décadas de instalações que se sobrepõe umas às outras, eliminando as inativas e inúteis e colocando em ordem as instalações necessárias ao bom andamento do prédio.


A mistura é completa, cabos de eletricidade com telefone, câmeras de segurança com o acionamento dos portões, todos enroscados em canos de água fria e quente, gás, esgoto, águas pluviais, etc…

Arquiteta Sandra Pierzchalski e o João “Faz tudo”

Em três dias de trabalho já eliminamos centenas de kg de canos e conduites, centenas de metros de cabos dos mais variados tipos e várias caixas de passagem, suportes, etc…

Uma das decisões mais tristes é mandar derrubar uma árvore. Esta foi sacrificada no Condomínio Modular Delta.

Quando uma árvore morre, e galhos secos ameaçam cair, com risco de dano material e até de morte a decisão precisa ser tomada rápidamente.

Minhas companheiras maritacas que me acordavam com sua deliciosa algazarra agora vão ter que cantar em outra freguesia…

Meu amigo José Antonio Penteado Vignoli escreveu um belo artigo sobre a S.A. Fiação para Malharia Indiana empresa da minha família, no interessante site São Paulo Antiga.

A história da empresa da família de Vignoli é também muito interessante, veja aqui.

Morando e trabalhando na Vila Olímpia, tenho o hábito de fazer uma fezinha na Mega Sena na Loterica São Jorge na R. Nova Cidade, rotina de quem está há 35 anos no bairro, assim como ir à padaria, à farmácia, cortar o cabelo, ou sacar dinheiro no caixa automático.
Jogo sempre sete números, a aposta é mais cara, mas a probabilidade de ganhar é muito maior, e jogo quando o prêmio está acumulado, a excitação é maior…
Pensar no que fazer com o dinheiro se você ganhar é um exercício mental muito interessante. Até uma determinada faixa a sua vida não mudará, apenas adicionará um conforto aqui, a realização de um desejo ali. Daí pra frente a coisa fica mais complexa… mas de qualquer maneira de uma coisa tenho certeza absoluta, seja qual for o valor do prêmio, se algum dia eu ganhar, uma parcela será distribuida a quem precisa ou merece.
A única atendente da lotérica que conheço pelo nome é a D. Terezinha, uma senhora japonesa de mais idade, talvez a dona do estabelecimento. Todas as outras conheço de vista, a que me atende no guichê preferencial tem mãos bonitas, com as unhas bem cuidadas.
Procuro sempre os horários em que a lotérica está vazia, agora na quarentena está mais fácil…
Tenho certeza de que a sorte (boa ou má) nada mais é que a conjunção em um determinado momento, de vários fluxos energéticos, cristalizando um ou vários fatores, comandados não pela sua vontade, mas pelas leis maiores do universo e suas circunstancias.

Novos jardins no Condomínio Modular Delta!

Projeto e execução da paisagista Flavia Tiraboschi.




Na sequência da pintura dos prédios o paisagismo foi a cereja no bolo!


A imagem é do site da Johns Hopkins University
Além de estarmos fechados dentro de casa há mais de 40 dias, a crise do coronavírus começa a provocar atritos no condomínio, são reclamações de barulho das crianças nas áreas comuns, aglomerações de adultos irresponsáveis sem usar máscaras de proteção, e por aí vai…
Eu como membro do Conselho que auxilia os síndicos vou dando os meus palpites, que na maioria das vezes são radicais demais… Pouquíssimos adultos estão usando máscaras…
E não ajuda nada neste cenário o fato de Bolsonaro só fazer e falar bobagem a respeito, externando desprezo pelas fatalidades com seu “E daí?” O novo Ministro da Saúde Nelson Teich não consegue falar três palavras coerentes, só enrola.
O número de infectados e mortos só faz subir…Hoje são 3.200.000 casos confirmados no mundo e 229.000 mortes. No Brasil são 79.500 casos confirmados e 5.500 mortes.
A adesão à quarentena vem diminuindo, do ideal de 70% na cidade de São Paulo, estamos hoje com 48%, nas periferias o comércio começa a funcionar normalmente, o que vai acabar provocando um desastre…
Mas o pior de tudo é a tradicional incompetência do Governo Federal em distribuir o auxílio emergencial de R$600,00 às famílias de baixa renda. A Caixa Econômica Federal não consegue montar um sistema que atinja a todos os necessitados, seus aplicativos e sites na internet funcionam mal, provocando filas gigantescas nas agências físicas, é uma tristeza…

Mr. Natural sabe tudo! R. Crumb & F. Stickel #fiqueemcasa

A crise do coronavírus já infectou milhões ao redor do mundo, matou milhares e colocou milhões em quarentena, como a Sandra e eu que já estamos há uma semana fechados dentro de casa…
O desenho é de R. Crumb, o STAY HOME é meu…

Um amigo me enviou esta foto de uma placa em homenagem ao meu tio avô Antonio Diederichsen (1875-1955), irmão do meu avô Ernesto Diederichsen, e empreendedor em Ribeirão Preto, SP.
Ele construiu o Edifício Diederichsen em 1936, onde foi originalmente inaugurada a famosa Choperia Pinguim. O edifício é tombado, legítimo representante do estilo Art-Deco.
Na placa está escrito:
Edifício Diederichsen
A Antonio Diederichsen
Grande benemérito desta cidade e propulsionador do seu progresso, homenagem do povo de Ribeirão Preto
20-12-1936


A Choperia Pinguim mudou-se para a esquina oposta ao Edifício Diederichsen.


Antonio Diederichsen nasceu em 01 de agosto de 1875, em São Paulo, filho de Bernhard Diederichsen e Anna da Rocha Leão. Iniciou os seus estudos básicos no Colégio Brasileiro-Alemão e os concluiu na Alemanha.
Retornando ao Brasil trabalhou com o pai, fabricante de vinho e chá, na Fazenda Morumbi, mas após uma praga nos vinhedos retornou à Alemanha para cursar Agronomia. Formado, veio trabalhar na Fazenda Santa Adelaide, de propriedade de seu tio Arthur Diederichsen.
Na ocasião, foi anunciada a falência do Banco Construtor e Auxiliar de Santos, que possuía, em Ribeirão Preto, uma oficina mecânica, uma fundição e uma serraria.
Diederichsen interessou-se por esse espólio e propôs sociedade a João Hibbeln, que era o seu depositário. A empresa foi constituída e começou na esquina das ruas José Bonifácio com São Sebastião, com a razão social de “Diederichsen & Hibbeln”.
O negócio se desenvolveu a contento, pois abriram a seção de ferragens e, em virtude do desenvolvimento da serraria, a firma mudou-se para a Vila Tibério. O horário era das 6,00 até às 21,00 horas. Em 1916, com o advento da 1a. Grande Guerra, a sociedade se dissolveu e entendeu Diederichsem de dar participação para os seus auxiliares diretos Manoel Pena, Germano Reinel da Silva e Guido Gambini.
O progresso e a cidade exigiram a expansão dos negócios e, assim foi construído o edifício do Antigo Banco Construtor, na esquina das ruas Saldanha Marinho e Américo Brasiliense. Antigo Banco Construtor era o nome de fantasia e se consagrou como a maior casa de materiais de construção da região. Sua diversidade de produtos era enorme. Ia do básico ao acabamento. Toda a região acorria para adquirir esses materiais. Diederichsen igualmente dotou a cidade de um moderno edifício construído no estilo Art-Deco, compreendendo o trecho da rua Alvares Cabral, com 150 metros de fachada e 3.750 m2 de área construída, entre a rua Gal. Osório e a São Sebastião, com locais para escritórios, apartamento, Hotel, restaurante, lojas e cafés.
Parte da construção ocupou a antiga residência do chefe político do PRP, Cel. Quinzinho da Cunha Junqueira. Ainda objetivando dotar a cidade de melhoramentos, em 1947, Diederichsen resolveu construir o edifício onde se instalou o Hotel Umuarama, inaugurado em 20 de janeiro de 1951. Ainda como desenvolvimento de suas atividades mercantis, Diederichsen, em 1922, passou a representar a empresa Byington & Cia., concessionária Chevrolet. Em 1934, a empresa Diederichsen & Cia. passou a vender os veículos da Ford e, 30 anos depois, com o nome de Cia. Comércio Antonio Diederichsen passou a ser concessionária Volkswagem. Já no ínício da década de 1950, agravou a diabetes de Diederichsen, que acabou falecendo no dia 30 de setembro de 1955.
Antonio Diederichsen nunca casou e não tinha herdeiros, deixou sua fortuna para a Santa Casa. Minha mãe se lembra bem do tio, que vinha a são Paulo ao menos uma vez por ano, muito gentil e simpático era querido por todos.
Mais informações sobre a família aqui.

O jornalista José Manoel Lourenço me enviou esta foto de Antonio Diederichsen.

Foto Nelson Kon
Os Edifícios Modular Delta I e II fazem parte de um conjunto de obras que o arquiteto Abrahão Sanovicz projetou para a construtora Formaespaço no início da década de 1970 – os Modulares. Os edifícios foram pensados para serem implantados em terrenos típicos na cidade de São Paulo, a partir do conceito de planta livre. Procurou-se racionalizar a construção pela escolha formal – duas lâminas paralelas entre si – e pela modulação estrutural, permitindo maior reaproveitamento da forma e a padronização das dimensões das diversas partes da estrutura.

Abrahão Velvu Sanovicz (1933-1999), arquiteto formado em 1958 na FAUUSP, membro da “Escola Paulista”, geração de ouro da arquitetura paulista, projetou e construiu relevantes edifícios habitacionais, culturais, educacionais, de serviço e infraestruturais. Ainda jovem, foi aluno da Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM e estagiário do escritório do designer Marcello Nizzoli em Milão, legando trabalhos nas áreas de artes plásticas – em especial, desenho e gravura – e design de marcas e produtos.

O Modular Delta hoje, com a placa da construtora que está restaurando as fachadas. O bloco azul já está quase pronto e iniciam-se os trabalhos no bloco verde.

Foto Nelson Kon

Foto Nelson Kon

Foto Nelson Kon

O condomínio está em plena reforma, eu me voluntarizei para fazer parte do Conselho Consultivo e ajudar a síndica na reforma… Agora vai!!!!

A nova entrada de energia para o Condomínio Modular Delta exigiu um novo poste, armário, tubulações, caixas de passagem, etc… Foi uma reforma cara, de longa duração, cheia de burocracia mas absolutamente necessária e uma das mais importantes dos últimos anos.

Novas caixas de passagem na garagem.

A instalação antiga conviveu com a nova durante vários meses.

Os quadros antigos cederam lugar a relógios modernos.