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o dia em que meu pai flutuou


Erico Stickel na noite de autógrafos de seu livro “Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil”, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em 29 de março de 2004.


O livro.

Meu pai, Erico João Siriuba Stickel, foi antes de tudo um bibliófilo, um amante da cultura e dos livros ou, como ele mesmo gostava de se referir, um “bicho de livro”. Ele era daquelas pessoas que invariavelmente eram duas, ele e o livro que carregava.
Me lembro, quando era pequeno, de acompanhá-lo no combate às pragas que ameaçavam sua biblioteca. Com um canivete, ele alargava os túneis que atravessavam páginas, capítulos, séculos, sem respeitar margens, parágrafos ou pontuação, e extraía das profundezas dos volumes as criaturas que insistiam em arruinar o seu tesouro.
Nossa casa, na Rua dos Franceses, em São Paulo, era tomada por estantes de livros na sala, no escritório, nos corredores, no porão, onde houvesse um espaço livre. Em lugar de destaque, ficava a Brockhaus Enzyklopädie, que durante décadas fez o papel de Google ao lado da Encyclopedia Britannica, de dicionários diversos e de muitos outros livros de referência e de arte. A história era a mesma em seu escritório. Sede da Fundação Stickel, a casinha de vila na Rua Bela Cintra era também abarrotada de livros e arquivos.


A casa inteira tomada pelos livros…

Através dos anos, sua biblioteca foi se especializando em autores e estudiosos da iconografia brasileira, dando corpo ao que se transformaria em sua única obra, Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil. Publicado pela Edusp, em 2004, o livro levou por volta de 30 anos para ser concluído e minha mãe, Martha, pode-se dizer, é coautora, ao menos na permanente companhia na obsessiva leitura e compilação de fichas, referências, notas etc. em um quarto no piso superior da casa onde morávamos na Rua dos Franceses, com janelas abertas para o jardim e o vale da Rua Almirante Marques Leão.
A intenção de meu pai era escrever um dicionário bibliográfico da iconografia brasileira, à semelhança de autores como Rubens Borba de Morais ou Rosemarie Horch, mas baseado em sua própria biblioteca.
No início era apenas o fichamento dos livros e publicações que ele achava interessantes. As fichas em cartolina eram preenchidas à mão com caneta tinteiro e com o tempo foram crescendo em número e complexidade.
As coisas começaram a mudar de figura em 1995, ano iniciado com o nascimento do meu caçula Arthur. Paralelamente ao trabalho como professor de desenho, me dividia entre a edição de meu livro aqui tem coisa, com a colaboração de meu pai, e a gestão de seu patrimônio. Com a parceria diária, consegui convencê-lo a iniciar a sistematização do vasto material de sua pesquisa, o que seria feito com a compra de um computador e a contratação da pesquisadora Francis Melvin Lee.


Francis com minha mãe, e o local de trabalho.

Foram muitos anos de uma minuciosa e cuidadosa rotina, da digitação do material manuscrito às revisões e catalogação final. Francis se dedicou também a organizar e catalogar em pastas um tesouro secreto de meu pai, escondido de todos em várias mapotecas. Eram obras em papel, aquarelas, desenhos e gravuras relacionadas à paisagem, à gente e aos costumes brasileiros, retratados por viajantes estrangeiros, ao final incorporados ao projeto.
Em 2002, tendo praticamente concluído sua pesquisa, meu pai, com a solidariedade de minha mãe, doou ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo os cerca de quatro mil volumes de sua “Pequena Biblioteca Particular”. Incorporada ao acervo do IEB como a “Biblioteca Martha e Erico Stickel”, ele a definiria – em texto introdutório à edição que viria pela frente – como uma coleção desenvolvida “em torno da representação artística que tivesse basicamente por alvo a paisagem, a cidade e sua arquitetura, o retrato, a fauna e a flora em seu ambiente natural, as festas populares e sacras, o patrimônio artístico e histórico nacional, imagens produzidas ao longo dos tempos por centenas de ‘viajantes’ e pintores de todos os tipos, aventureiros, fotógrafos e outros […]”.
Como resultado, Uma Pequena Biblioteca Particular se tornou um livro de peso, com cerca de 750 páginas e inúmeras reproduções a cores de Romulo Fialdini. Sem dúvida uma importante obra de referência para os estudiosos do assunto, gosto de folheá-lo também como um tributo a um desses dedicados autores bissextos, com o trabalho de uma vida indispensável à compreensão do mundo como o conhecemos – meu pai.
O amigo Emanoel Araújo assim o definiria em prefácio ao volume: “Erico Stickel poderia ser um colecionador frio, desses que costumam entesourar maravilhas que amealham durante toda uma vida só para sua satisfação pessoal. O resultado de suas visitas a exposições, livrarias e eventos culturais poderia permanecer como atividade privada e anônima como talvez se esperasse de um espartano como ele, pesquisador silencioso e sequioso de seu tempo. Entretanto, seguramente Erico Stickel desde muito cedo alimentou de maneira quase religiosa esta ideia que ora se materializa em forma de livro. Dar a público o resultado de suas constantes e laboriosas incursões pela cultura de nosso país”.

No início de 2003, com 82 anos de idade, meu pai passou a reclamar com frequência de um pigarro que o incomodava já havia algum tempo. Após visitas a diversos médicos e muitos exames depois, ele foi diagnosticado com um câncer no pâncreas. A notícia devastou a família, pois era de conhecimento comum que este diagnóstico equivalia a uma sentença de morte. Na sequência, os médicos decidiram que era necessária uma cirurgia exploratória.


Em recuperação após a cirurgia, com minha mãe e minha irmã Ana Maria.

Internado no Hospital Alemão Osvaldo Cruz no início de março, a cirurgia evidenciou que um tumor pressionava o esôfago, daí o pigarro. A equipe decidiu não tocá-lo pelo risco de provocar uma hemorragia e/ou metástase, optando por intervenções no entorno para aliviar o stress no esôfago.


A comemoração do aniversário de 83 anos.

Após a recuperação no hospital, meu pai voltou para casa a tempo de comemorar em 3 de abril, e muito bem disposto, o seu 83º aniversário. Veio então a quimioterapia, que no início provocou reações muito agressivas, mas tornou-se suportável após ajustes na dosagem da medicação.

Pouco a pouco, a vida foi voltando ao normal. Tão normal quanto possível para alguém que recebeu uma sentença de morte. Ocorre que meu pai era um ser agnóstico e sempre se comportou como tal, as questões espirituais não faziam parte de seu universo. Conhecendo este seu lado, aproveitei um dia em que fomos passear no Parque Trianon, um dos locais onde ele gostava de caminhar, e pragmaticamente desferi a pergunta:
– Então, pai, o que você quer fazer, quais são as tuas prioridades?
E ele, sem titubear: – Quero fazer o livro.
– Ok, pai, vamos fazer o livro!
De volta ao seu escritório, na Rua dos Franceses, conversei com a Francis, sua fiel auxiliar, e pedi a ela uma impressão do volume em edição. Levei a grossa encadernação ao professor Plinio Martins Filho, da Editora da Universidade de São Paulo, e contei a ele a história.
– Mas já está pronto? – ele perguntou, impressionado.
– Sim, Plinio, está pronto! Falta apenas revisão e a edição de arte.
– Vamos fazer!
E assim a obra de uma vida inteira entrou rapidamente na reta final, com meu pai animadíssimo com o interesse da Edusp em seu livro.

Mais ou menos nesta época, fui a uma palestra de Aldaiza Sposati, então secretária de Assistência Social da Prefeita Marta Suplicy, e lá conheci Agnes Ezabella. Foi ela quem me alertou que o novo Código Civil passou a permitir a penalização de fundações que não cumprissem sua missão, exatamente o caso da Fundação Stickel, instituída pelos meus pais em 1954 e paralisada havia 30 anos.
Levei a questão a um almoço de família, com a presença de meus pais e meus irmãos, fiz a explanação do caso e perguntei o que cada um gostaria de fazer a respeito. Meu pai disse que estava no fim da vida e não tinha mais interesse no assunto. Quando minha mãe e meus irmãos também não se interessaram, eu então, tomado por desconhecida coragem, declarei:
– Eu cuidarei da Fundação, contanto que ela tenha como missão a arte e a cultura!
Todos concordaram. E assim se iniciou a nova fase da Fundação Stickel, sob o meu comando.

Terminada a primeira bateria da quimioterapia, como meu pai se sentisse muito bem, planos de viagem foram feitos, pois viajar era uma de suas grandes paixões. Em um primeiro ensaio para ver se aguentaria ir para a Europa, ele e minha mãe foram a Buenos Aires em julho daquele mesmo ano. Aprovado no teste, em outubro viajaram para a Espanha, onde visitaram minha filha Fernanda, que estudava em Barcelona, e para a Itália, a Roma e Positano.


Ana Maria, Joana, Erico, Martha, Antonio no Txai.


Itacaré, BA

Para comemorar o Réveillon de 2004, meu pai convidou toda a família para o Txai Resort, em Itacaré na Bahia. De volta a São Paulo, ele e minha mãe comemoraram, em 6 de janeiro, seu aniversário de 57 anos de casamento. Uma verdadeira bênção!


Noite de autógrafos! O coroamento de 30 anos de trabalho!

Um ano depois da cirurgia, aconteceria o grande dia. Na segunda-feira, 29 de março de 2004, às 19h, iniciou-se a noite de autógrafos de Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Posso dizer com certeza que foi a ocasião em que vi meu pai mais alegre, realizado, feliz, sorridente, na companhia da família, de dezenas de amigos, seus colegas bibliófilos e “bichos de livro” em geral.

Ele flutuava sobre o solo!

A vida seguiu seu rumo. Em maio, meu pai me presenteou com o lindo Patek Phillippe de bolso, de ouro, que foi do meu avô Arthur Stickel. Pouco depois, ele e minha mãe embarcaram para a Europa, desta vez para Praga, na República Checa, de onde seguiram de navio a Berlim, na Alemanha, e finalmente a Paris, na França.


Em Campos do Jordão, na mesa Sandra, minha mãe, Antonio e Joaninha.


As leituras e o jogo de xadrez.

Em julho, na casa de Campos do Jordão, jogou xadrez com meu filho Arthur. Em setembro, depois de cerca de 30 sessões, a quimioterapia foi suspensa. No início de outubro, os médicos liberaram meu pai para mais uma viagem.
No dia 13 daquele mês, o novo Estatuto da Fundação Stickel foi assinado, oficializando a minha gestão. Em seguida, ele e minha mãe embarcaram para mais uma viagem, outra vez à Itália, rumo a Veneza, Positano e Roma. Mas não seria uma viagem como as outras.
Acometido de fortes dores em Roma, meu pai consultou o médico do hotel. Ao saber de seu histórico, recomendou Buscopan e a volta imediata ao Brasil. A viagem, graças ao poderoso analgésico transcorreu em paz, já em casa em São Paulo meus pais jantaram e assistiram a um filme de Charlie Chaplin. Na manhã seguinte, dia 4 de novembro, meu pai não acordou bem, ao chegar na casa encontrei-o dobrado com dores e levei-o imediatamente ao Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

No dia 7 de novembro, ao levar meu filho Arthur, então com 9 anos de idade, para visitar o avô no hospital, travamos a seguinte conversa no carro:
– Papi, o que é que o vovô tem?
– Um tumor no pâncreas.
– O que é pâncreas?
– É um órgão que fica mais ou menos embaixo do estômago, no começo do intestino.
– Ele pode morrer disso?
– Pode, mas ninguém sabe quando – fez-se um longo silêncio.
– Papi – disse ele, chorando. – Estou muito triste que o vovô vai morrer.
– Não chora, Arthur. Estamos todos tristes, mas a gente tem que ser forte e chegar lá legal para dar um beijo no vovô, dar uma força para a vovó. Estamos torcendo para ele sair do hospital logo.
– É, mas eu estou muito triste ¬– ele continuou chorando.
– Arthur… – disse ao chegar no hospital, também quase chorando. – Deixa eu te explicar uma coisa. O vovô não consegue comer pela boca, então eles colocaram uma sonda nele – expliquei o que era a sonda – para ele poder se alimentar e ficar mais forte.
– Mas ele sente o gosto?
– Não, a comida, que é uma papinha líquida, vai direto para o intestino.
– Mas ele não fica com fome?
– Não, e também não sente dor nenhuma porque os médicos estão tratando muito bem dele.
Chegando ao quarto, meu pai dormia de boca aberta na cadeira. Arthur cumprimentou a tia e recomeçou a chorar. Deitado no colo da avó, conversaram um pouco até que ele se acalmasse. Passado um tempo, o avô acordou. Arthur deu um beijo no avô. Conversaram. Assistimos todos a um programa sobre tubarões no canal National Geographic.
Na saída, Arthur já não chorava mais:
– Papi, eu quero vir visitar o vovô todos os dias.

Em 12 dias de internação, os médicos controlaram a obstrução intestinal e estabilizaram meu pai. Explicando que a doença chegara ao estágio terminal, pediram à família uma decisão sobre como prosseguir. Ele escolheu ficar em casa enquanto as condições fossem favoráveis, concordando que, se as coisas se complicassem, seria sedado e voltaria ao hospital. No dia 15 de novembro ele voltou para casa.
Um mês depois, na quinta-feira, 16 de dezembro, a família estava reunida ao final da tarde ao lado do meu pai, que sofria muito, com dificuldade de se alimentar e mesmo de beber água. Mesmo sem muita clareza, ele nos comunicou que não aguentava mais e queria ser sedado, para minha mãe ele confidenciou:
– Eu quero atravessar o rio, quero ir para a outra margem.
Por volta das 22h, tendo ao seu lado minha mãe, meu irmão Neco, meu filho Antonio e eu, meu pai colocou os sedativos na palma da mão e olhou-os longamente, em silêncio. Em seguida, ainda em silêncio, tomou os remédios. Na manhã seguinte, 17 de dezembro, a ambulância o levou de volta, já inconsciente, para o Hospital Alemão Osvaldo Cruz.
Na noite de 23 de dezembro, minha prima Bel Cesar foi visitá-lo acompanhada do filho, o Lama Michel Rinpoche. Com 12 anos de idade, Michel deixou a família e foi estudar budismo tibetano na Índia, se transformando em monge aos 23 anos de idade. A visita foi muito boa, calma. Lama Michel fez uma longa oração pedindo a abertura de caminhos para a alma do meu pai se elevar e atravessar mais tranquilamente o “bardo” – a fronteira entre a vida e a morte, descrita com minúcias no budismo.
No dia 25, a família toda se reuniu no hospital. Meu pai, totalmente sedado, precisou ser movimentado na cama e eu ajudei o enfermeiro. Foi quando vi as escaras… Muito triste.
Me impressionou também o quanto ele ainda era um homem grande, apesar da magreza. Ao final da tarde, exausto, me despedi de todos e fui para casa. Por volta das 21h, o telefone tocou. Meu pai tinha acabado de falecer no dia de Natal de 2004.
E flutuou pela última vez.

Revisão do texto: Tato Coutinho

é isso, por fernando stickel [ 16:45 ]

arthur trabalhando!


Meu filho Arthur conseguiu o visto de trabalho em Vancouver no Canadá, depois de um longo e dificil processo, sua participação em uma equipe de animação acaba de ser divulgada!
A animação executada pelo estúdio Titmouse. Inc chama-se “I Heart Arlo”, está no Netflix, e ele trabalhou nos episódios “In the Blue With You”; “Jeromio, Jeromio” e “Swamp Itch”.
Muito orgulho!

é isso, por fernando stickel [ 19:09 ]

casamento sandra e fernando

Vídeo do casdamento civil e do almoço de comemoração do meu casamento com a Sandra, em 12 Novembro 2006, em um restaurante do Sergio Arno que não existe mais.

Câmera Antonio Stickel e edição Arthur Stickel.

é isso, por fernando stickel [ 15:11 ]

faleceu boltanski


Foto Bonan Philipp Hugues/Alamo/ABACA

Faleceu Christian Boltanski (1944 – 2021) artista francês.

Estive com meu filho Arthur nesta exposição dele no Grand Palais em Paris, em Janeiro 2010.

é isso, por fernando stickel [ 8:12 ]

arthur em bonito


Em Julho 2003 levei meu filho Arthur então com 8 anos de idade para Bonito, MS.
Foi uma viagem deliciosa, ele se divertiu muito, teve contato com outras crianças, fizemos inúmeras atividades, na água, no ar, na terra.

A natureza é preservada, existe consciência ambiental, e todas as atividades de turismo, principalmente as que utilizam os rios, são muito controladas.


Nadamos junto com peixes maravilhosos!


Até demos uma volta de teco-teco!


Arthur se divertiu muito, inclusive com a máquina fotográfica.

é isso, por fernando stickel [ 17:31 ]

arthur em vancouver


Arthur, nos seus recém concluidos 26 anos de idade, morando em Vancouver no Canadá.


Ele completou o curso de especialização em animação na Vancouver Film School, e o diploma dele finalmente chegou!

é isso, por fernando stickel [ 10:00 ]

72 com muita lenha pra queimar!

Meu aniversário de 72 anos transcorreu como o clip acima, alegre, poderoso, inovador…

Um dia muito interessante!

Logo cedo recebi lindas flores de minha ex Jade Gadotti, e também da minha colaboradora Ana, obrigado!!

Às 9:00h em ponto iniciou-se uma reunião virtual via Zoom com o Conselho Curador da Fundação Stickel, onde importantes decisões foram tomadas, uma das melhores reuniões já feitas!
Na sequência minha aula com o personal trainer Samuel Amorim, responsável desde o início da pandemia por manter meu corpo em ordem.
Após o banho verifiquei no espelho que meus glúteos de fato estão com maior tonus, o que é muito importante pois eles são de fato a base que sustenta minha coluna semi avariada…
Mais alguns presentes chegaram, delícia!
Fui buscar minha mãe em sua casa para almoçar comigo, estavam também no almoço minha filha Fernanda, minha mulher Sandra e o Samuel. Deliciosos camarões e uma garrafa de champagne, de sobremesa uma cocada dos deuses!


Durante o almoço, maravilhosamente preparado pela Sandra, a Fernanda comentou que o meu neto Samuel de 10 anos tinha ido naquela manhã ao médico para verificar seu crescimento, que está absolutamente normal, ótima notícia!
À tarde no escritório uma deliciosa surpresa, quando me chamaram para uma reunião Zoom convocada apenas para comemorar meu aniversário, com toda a equipe da Fundação! Novamente bolo e champagne.
Terminamos o dia Sandra e eu exaustos no sofá, assistindo ao último capítulo da excelente série Netflix “Bom Dia Verônica”
A cereja do bolo do dia chegou por volta das 11 da noite, quando meu filho Arthur me ligou de Vancouver no Canadá para informar ter sido aprovado como free lancer e vai trabalhar para o mega estúdio de animação Titmouse!

é isso, por fernando stickel [ 23:42 ]

arthur animado!


Meu filho Arthur acaba de completar o curso de Animação Clássica (Classical Animation) na Vancouver Film School VFS, um dos cursos do Advanced Production Programs da escola de cinema.
Como bom pai coruja posso afirmar, sem chance de errar, que o trabalho do Arthur é o melhor da Classe CA 104, quem estiver precisando de um animador pode e deve procurá-lo!
Instagram e-mail a.s.stickel@gmail.com Linkedin
Veja a animação “Knock Out” aqui.
Veja o Demo Reel aqui.
Veja o portfolio aqui.


A formatura se deu com uma reunião via Zoom, e uma projeção no YouTube, sinal dos tempos de pandemia, que pegou o Canadá bem fortemente.

A turma tinha inicialmente 25 alunos, e terminou com 17.


No meio do caminho o Arthur começou a namorar com sua colega Quinn, americana da Califórnia, agora estão morando juntos.


O curso foi forte, exigiu muito dos alunos, e ainda tiveram que lidar com a pandemia, no final deu tudo certo!


Arthur e Quinn.


A tchurma.


O ano foi puxadíssimo, mesmo assim conseguiram passear um pouco…

Apresentação dos trabalhos de todos os alunos. A classe se chama CA 104.

é isso, por fernando stickel [ 18:30 ]

mercedes-benz: ascensão


Muitos anos atrás, no finalzinho do século XX comentei com meu mecânico Gigante que estava com vontade de comprar um carro clássico, possivelmente uma Mercedes-Benz.
Passados alguns dias ele me ligou e disse:
– Fernando, o carro já encontrei, agora é com você! Na sequência ele me passou o endereço da Auto Mercantil Paulista no centro da cidade.
Lá chegando encontrei a dica do Gigante, uma lindíssima Mercedes-Benz 500 SL 1986, impecável em sua pintura azul marinho com estofamento caramelo e capota de lona azul, com apenas 18.000km!
Negociei, comprei e saí feliz da vida com aquela poderosa máquina!
Marinheiro de primeira viagem nos carros clássicos, não me preocupei muito com a origem do carro, sua documentação, sabia apenas que o vendedor era um figurão na organização SBT do Silvio Santos.
Inevitavelmente minha personalidade caprichosa iniciou imediatamente os necessários ajustes e melhorias, o carro era muito pouco rodado, sofria de conhecidas sequelas de pouco uso, o escapamento por exemplo estava em muito mal estado, então mandei vir um novo original, os bicos de injeção também foram substituídos, e assim pouco a pouco o carro voltou à sua glória original: Motor V8 com 245 hp, câmbio automático de 4 marchas, freios a disco assistidos, ABS, airbag, ar condicionado, cruise control, enfim, todas as amenidades.


Cerca de 1997, com meu filho Arthur e a Mercedes na R. Ribeirão Claro.


O carro veio com os manuais, chave reserva, tudo direitinho!
Usei o carro com imenso prazer, até que um dia em Novembro de 1998, indicado pelo meu grande amigo Anisio Campos (1933-2019), participei pela primeira vez de uma competição automobilística, o rallye de regularidade “Interlagos Classic Endurance” promovido pelo MG Club.
Fiz a inscrição no clube, e lá fui eu, novato total no assunto, “rubbing shoulders” com a elite dos colecionadores de carros clássicos em São Paulo, muito bem introduzido pelo Anisio!


Anisio Campos e eu em Interlagos.


Feliz e orgulhoso com o 9º lugar em minha primeira competição!


Alguém me emprestou um capacete amarelo!


Bons tempos em que pilotos e colecionadores como Jan Balder, Sergio Magalhães, Antonio Marranghello, Roberto Haberfeld, Baby Maia Rosa, Edgard Saigh, Rodolfo Pirani, e Alcides Diniz punham suas máquinas para rodar… e eram máquinas como Ferrari, Porsche, Mercedes-Benz, Jaguar, Lancia, BMW…

é isso, por fernando stickel [ 10:21 ]

história da pagoda


A História da Pagoda – Mercedes-Benz 280SL 1970

Muitos anos atrás, provavelmente nos anos 80, meu amigo Anisio Campos me levou a conhecer a R&E, oficina restauradora de carros clássicos. Vi em cima de uma bancada, um conjunto completo de suspensão traseira de um Jaguar E Type, totalmente restaurado, pintura preta do agregado brilhando, os discos de freio impecáveis, metais, porcas, parafusos, arruelas, polidos e maravilhosos! Fiquei fascinado e pensei: Eu quero!!

Cerca de 30 anos depois, em 30 Junho 2008, na loja Private Collections na Av. Cidade Jardim em São Paulo, algo me chamou a atenção. O lindo carro brilhava e me apaixonei imediatamente pela combinação de pintura branca com estofamento vermelho. Comprei a Mercedes-Benz “Pagoda” 280 SL 1970 no ato!

Em seguida iniciamos na oficina do Gigante os cuidados necessários para colocar a Pagoda em condições de uso. Revisão de freios, conserto do trambulador, limpeza do tanque de gasolina, regulagem de válvulas, etc…

O motor e o cofre estavam muito sujos, então retiramos o motor para uma limpeza geral, pintura de peças, troca de mangueiras e bicos de injeção, polimento da tampa de válvulas, etc…

Em Setembro o motor tinha sido limpo, pintado, e estava de volta ao seu lugar. Em Outubro 2008 o carro estava lindo, funcionando bem e confiável.

Como perfeccionista não consegue ficar quieto, em Novembro levei o carro a uma garagem tranquila e lá entrou em ação Osmar Koch, vulgo “Có”, especialista em Mercedes-Benz. O mundo do restauro automotivo é cheio de curiosidades e particularidades, e o Có é uma delas… Ele vem até o “paciente”, com sua oficina ambulante dentro de uma Kombi, e inicia as operações, desmontou todo o painel, identificou as peças, levou para consertar, fez o tratamento anti-ferrugem onde necessário, pintou, bicromatizou, etc… etc…

O resultado final desta operação foi um painel totalmente restaurado, com os detalhes em madeira recuperados, sistema de ventilação e ar quente completo e operante, limpadores de para-brisa idem, rádio, mostradores, luzes, interruptores, tudo funcionando e original. De quebra trocamos todas as borrachas do carro, que estavam ressecadas.

Tudo isto durou até Junho 2009 quando um belo dia, ao checar o nível do óleo, vi que havia água no óleo… Mais uma vez o carro volta à oficina do Gigante para as investigações de praxe. Removemos o cabeçote e lá estava o vazamento de água para dentro de um cilindro… Foi aí que entrou em ação o “FATOR JÁ QUE” muito conhecido por todos os antigomobilistas.

Sim, JÁ QUE abrimos o motor, vamos refazê-lo por completo, retífica, pistões, anéis, pinos, bronzinas, casquilhos, etc… etc… inclusive um cabeçote 0km, pois o original estava empenado e sem salvação. Do motor original sobrou o bloco e o virabrequim, devidamente retificados.

Inúmeras outras peças originais Mercedes-Benz foram compradas, escapamento completo, molas, amortecedores, discos de freio, etc…

Em Janeiro e Fevereiro 2010 começam a chegar as peças para remontagem do motor, em Agosto finalmente recebemos o cabeçote novo!

Em Julho 2011 o carro voltou à garagem para detalhamento final do Có nas portas, vidros, etc… Em Setembro estourou uma mangueira de óleo… Em Outubro tudo pronto…Sabemos que carros restaurados precisam de muito uso para que todos os defeitos apareçam, sejam corrigidos, etc… etc… até que o dito cujo fique confiável.

Em Novembro 2011 participei do primeiro rallye de regularidade com a Pagoda, com o motor ainda amaciando. Meu amigo Mario Sacconi navegador e eu piloto obtivemos 12º lugar no 72º Rallye Campos do Jordão do MG Club, tudo funcionou perfeitamente à excceção do hodômetro, que quebrou logo no início da prova. Foi o primeiro grande teste da máquina!

Em Agosto 2012, com meu filho Arthur na posição de navegador, conquistamos o 1º Lugar no Rallye Volare, o 77º Rallye do MG Club do Brasil!

Em Março 2014 fui com um grupo de amigos para a Alemanha visitar a feira de carros clássicos TechnoClassica Essen, e trouxe de lá mais algumas peças. Os consertos e aprimoramentos se sucederam nos anos seguintes, assim como os rallyes e os passeios.

Em Junho de 2015 inicia-se a mais importante prova de regularidade em solo brasileiro, o Rallye Internacional 1.000 Milhas Históricas Brasileiras, promovido pelo MG Club do Brasil.
Para participar é necessário que o carro tenha o Passaporte da Fédération Internationale des Véhicules Anciens – FIVA, que exige além da originalidade a instalação de uma chave geral, que foi providenciada. O rallye percorreu em cinco dias Rio de Janeiro, Minas Gerais e voltou a São Paulo, Arthur e eu conquistamos o 2º Lugar!

Ao chegar à bandeirada final, no Shopping Iguatemi em São Paulo, o carro soltava muita fumaça, sinal de que algo ia mal. Logo em seguida, indicado por um amigo, levei o carro à oficina autorizada Mercedes-Benz A. M. Marcelo na Casa Verde. Me pediram para deixar o carro por uma semana para realizar o orçamento. Eu sabia que havia chegado o inevitável momento de fazer a funilaria e pintura completos.

Fechei contrato com a A. M. Marcelo para desmontagem completa, funilaria e pintura e remontagem completa. Em Agosto 2015 iniciaram-se os trabalhos de restauro e o carro foi 100% desmontado. A tinta foi retirada de toda a carroceria, toda a parte de baixo do carro, muito danificada pela ferrugem foi totalmente reconstruida, a lataria recuperada, todas as imperfeições corrigidas.
O motor teve o cabeçote e as guias de válvulas recuperados, o eixo comando de válvulas substituido. Em 15 meses o carro foi totalmente restaurado aos seus padrões originais, com a inclusão de um ar-condicionado original. Em Novembro 2016 recebi a máquina totalmente nova, pintada de branco, código 050.

Em Junho recebo pneus nas medidas originais, 185 HR14 com faixa branca, conferindo ao carro dirigibilidade e equilíbrio perfeitos! Nunca imaginei que este detalhe faria tanta diferença!

Em Outubro 2017 Arthur e eu conquistamos o 1º Lugar no Rally Quadrifoglio 2017 – Circuito das Nascentes, promovido pelo Alfa Romeo Clube do Brasil, 6ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Regularidade da FBVA.

Também em Outubro 2017 realizou-se no campo de polo da Sociedade Hípica Paulista o “Concours D’Elegance Car Day Brasil 2017”, promovido pela Federação Brasileira de Veículos Antigos -FBVA em comemoração ao seu aniversário de 30 anos, e julgado por juízes internacionais da Féderation Internationale des Véhicules Anciens – FIVA

A Pagoda conquistou o muito honroso 2º lugar em sua categoria, Esportivos Europeus, Classe F 1961 a 1970, o certificado foi assinado por Patrick Rollet, presidente da FIVA, um dos juízes, e por Roberto Suga, presidente da FBVA. Esta premiação representa o reconhecimento a nível internacional de um trabalho sério de restauro automotivo!

Timeline

Data Evento Promotor Navegador Posição
Jun 2008 Compra do carro na Private Collections
Jun 2009 Reforma mecânica no Gigante
Nov 2011 Rallye Campos do Jordão MG Club Do Brasil Mario Sacconi 12º
Jan 2012 Regularidade Interlagos Jan Balder Mario Sacconi 3º
Jan 2013 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 1º
Set 2013 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 1º
Dez 2013 Rallye Volare MG Club Do Brasil Arthur Stickel 1º
Dez 2013 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 1º
Abr 2014 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 3º
Jun 2014 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 1º
Dez 2014 Rallye Campos do Jordão MG Club Do Brasil Arthur Stickel 3º
Abr 2014 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 4º
Mar 2015 Rallye Monte Verde MG Club Do Brasil Arthur Stickel 2º
Jun 2015 1.000 Milhas Históricas MG Club Do Brasil Arthur Stickel 2º
Ago 2015 Reforma completa A.M.Marcelo
Jul 2017 VI Passeio Cron. Vinhedos Alfa Romeo Clube Sandra Pierzchalski 12º
Out 2017 Rallye Quadrifoglio 2017 Alfa Romeo Clube Arthur Stickel 1º
Out 2017 Concours D’Elegance Car Day Brasil 2017 FIVA 2º
Ago 2018 Rallye Caminho do Mar MG Club Do Brasil Arthur Stickel 5º
Jul 2019 Regularidade Interlagos Jan Balder Arthur Stickel 11º
Set 2019 Rallye Quadrifoglio Alfa Romeo Clube Sandra Pierzchalski 4º
Nov 2019 XIX Rallye Internacional Classic Car Club RS Sandra Pierzchalski 2º

é isso, por fernando stickel [ 10:05 ]

mercedes na regularidade


Torneio Interlagos de Regularidade no sábado 13 Julho 2019, com meu filho Arthur navegador, e a impecável máquina Mercedes-Benz 280SL 1970!
Fotos Original Motors.

é isso, por fernando stickel [ 9:42 ]


Meu filho Arthur participou da 18ª Mostra do Filme Livre no Centro Cultural Banco do Brasil em 17/4/2019, com o curta Larus & Niu, onde ele fez a Direção de Som.

é isso, por fernando stickel [ 14:53 ]

família


Arthur, Noah, eu, Antonio, Ian.

é isso, por fernando stickel [ 17:56 ]

rallye caminho do mar


Depois de quase um ano, a dupla Stickel & Stickel volta ao rallye!! Arthur navegador e eu piloto participamos no sábado 11/8/2018 do 99º Raid do MG Club do Brasil, Caminho do Mar 2018. Obtivemos um muito decente 5º lugar em um total de 51 carros!
A Mercedes-Benz 280SL 1970 “Pagoda” desempenhando cada dia melhor se comportou perfeitamente, uma delícia! Um dia glorioso de céu azul, sol forte e muito frio, terminou com almoço no Dalmo Bárbaro, tudo perfeito!


Arthur no Padrão de Lorena.

é isso, por fernando stickel [ 8:59 ]

três coisas que eu gosto


Em uma só foto, três coisas que eu gosto muito:
Arthur, meu filho.
Jimmy Hendrix, no colo do Arthur.
Mercedes-Benz 280 SL 1970.

é isso, por fernando stickel [ 13:10 ]

crianças


É difícil reunir as minhas três crias, Arthur Fernanda e Antonio, desta vez foi no velório da minha sogra Celia Gadotti, que descanse em paz!

é isso, por fernando stickel [ 13:00 ]

rally quadrifoglio


Arthur Stickel, navegador e eu piloto conquistamos em 29/10/2017 o primeiro lugar na categoria F – Esportivos Europeus 1961 a 1970 no Rally Quadrifoglio 2017 – Circuito das Nascentes, promovido pelo Alfa Romeo Clube do Brasil, 6ª Etapa do Campeonato Brasileiro de Regularidade da FBVA.


A grande vencedora, mais uma vez… Mercedes-Benz 280 SL 1970, primorosamente restaurada pela oficina A. M. Marcelo.


Na classificação geral obtivemos o segundo lugar, em um total de 56 carros participantes.

é isso, por fernando stickel [ 7:42 ]

arthur com cambridge


Meu filho Arthur Siriuba Stickel graduou-se em inglês pela Cambridge University, obtendo o título internacional de Nível 3 Proficiency, com a nota máxima A.
Muito orgulho, parabéns Arthur!!!

é isso, por fernando stickel [ 11:54 ]