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família

guarujá das antigas


Foto da conta Instagram @cedomguaruja

Na Guarujá da minha adolescência, nos anos 1960, chegava-se à cidade pela Av. Puglisi, ao chegar à praia, na Praça dos Expedicionários, virava-se à direita, rumo à Praia das Astúrias, onde ficava nossa casa.
Nesta esquina ficava a casa da família Kalil, indicada na SETA VERMELHA, que comecei a frequentar quando comecei a namorar a Alice na segunda metade dos anos 60.
Anos mais tarde, meu irmão Roberto comprou um apartamento no Edifício Pajah, talvez o prédio mais privilegiado do Guarujá, indicado na SETA VERDE, onde foi vizinho do meu amigo Eduardo Longo, em seu apartamento com painéis de John Graz.


Edifício Pajah


A Praça dos Expedicionários, ao fundo o Morro do Maluf. Na seta vermelha a casa da família Kalil. Arquivo @cedomguaruja

é isso, por fernando stickel [ 8:25 ]

arte em pinheiros

No início dos anos 1980 recém separado da Iris, fui morar no Ed. Ipauçu, na R. Pinheiros 1076, ao lado do posto de gasolina da Av. Pedroso de Morais.

O apartamento no terceiro andar, de cerca 120 m2, tinha dois quartos com terraço e uma boa sala também com terraço. O prédio era antigo, dos anos 50, amplo e muito gostoso, um quarto para mim e outro para os meus filhos Fernanda, na época com 5 anos e o Antonio com 3. Uma vaga de garagem para o meu VW Passat branco. No prédio não havia porteiro eletrônico, então quando chegava alguém eu jogava lá de cima a chave embrulhada em uma esponja. Morei neste apartamento até o final de 1983.


Eu e meus filhos Fernanda e Antonio no terraço dos quartos.

Adaptei a sala para ser um amplo estúdio, e lá preparei minha primeira exposição individual de desenhos, na extinta Paulo Figueiredo Galeria de Arte, na Rua Dr. Mello Alves 717 casa 1.
Com os trabalhos da exposição quase prontos, e ainda sem moldura, pedi ao meu amigo fotógrafo Arnaldo Pappalardo para fotografá-los.


No dia das fotos, meu amigo Cassio Michalany (1949-2024) veio participar da sessão.

O convite da exposição “Fernando Stickel Desenhos”. A vernissage foi no dia 5 abril 1983 às 21:00h. O trabalho reproduzido no convite Título: Audit; Técnica mista; Dimensões 26 x 182cm.

ARTE
Só para os “happy few”
Dois estilos eficazes, pessoais, exclusivos
MANFREDO DE SOUZA NETO E FERNANDO STICKEL • Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo

Dentre todas as áreas, a de artes plásticas é seguramente a que tem um público mais especializado – e essa tese pode ser provada pela presente exposição. Sem dúvida, a crítica, os colecionadores e os habitués do circuito terão grandes prazeres, e muito o que falar, diante dos trabalhos destes dois jovens artistas. Mas é muito difícil explicá-los para o leigo. Que diabos, afinal, querem dizer os compridos desenhos de Fernando Stickel, quase uma tira de papel com formas geométricas simples, aparentemente sem grandes emoções e nenhum virtuosismo? E qual a “mensagem” das pinturas de Manfredo de Souzaneto, que são na verdade montagens de telas de formatos distintos, cada uma recoberta uniformemente com uma cor, e muitas vezes com a moldura e o próprio chassi tornando-se parte do quadro?
Decididamente este texto não terá a pretensão de responder com clareza a tais perguntas. Mesmo porque a noção de “mensagem”, na obra de arte contemporânea, é bem mais complexa do que a de transmissão de um recado que está “fora” da obra. Isto é: a mensagem de um quadro é o próprio quadro – e acabou-se. Não interessa tanto se ele mostra um determinado assunto (no caso da arte figurativa) ou se ele extravasa determinadas emoções (como em certo tipo de abstração). O que de fato conta é a forma por cujo intermédio esse conteúdo está expresso. Em estética moderna, aliás, pode-se até afirmar que a distinção entre forma e conteúdo é uma falácia. Na verdadeira obra de arte, um é o outro, interagindo. Esse tipo de elucubração teórica é inevitável, para legitimar e qualificar o trabalho de Fernando e de Manfredo. Da mesma geração (34/35 anos), ambos com formação de arquiteto, e evidentemente atualizados em matéria de contemporaneidade, fazem uma arte consciente de sua função no universo. Tanto Manfredo quanto Fernando começam por questionar certos limites até a nível técnico. O primeiro é apresentado aqui como pintor e o segundo como desenhista. Mas na verdade Manfredo faz objetos que invadem ambiciosamente o espaço, exploram o lado reverso da pintura (através dos chassis aparentes), não usam a cor como seu maior recurso expressivo e não chegam a ser escultóricos. E os desenhos de Fernando só são desenhos porque utilizam o lápis – entre outras técnicas. Em apenas um ou outro caso, o elemento especificamente gráfico impera.
É claro que o objetivo dos dois artistas não é apenas essa discussão formal. No caso de Manfredo – que tem maior currículo e está visivelmente mais maduro -, sua atual fase é o legítimo ponto de chegada para outras etapas onde o elemento “extrapictórico” era maior. Mineiro, ele chegou a
desenhar, numa linguagem semi-abstrata, as montanhas de Minas. Viveu depois na França uma fase quase experimentalista e retorna agora a um suporte clássico – a tela -, mantendo-se ainda fiel às origens (suas tintas são todas feitas com terras, por ele mesmo preparadas). Fernando faz aqui sua primeira individual, com honestidade e garra. O que mais impressiona, em ambos, é a sensação imediata de acerto, Isto é: deram um tiro com boa pontaria.
Construíram uma linguagem bem articulada e eficaz.
Cabe a pergunta se vale a pena criar essa linguagem, que seguramente se destina a minorias. Com rara coragem, Manfredo argumenta: “Não creio que a arte possa mudar o mundo. Ela pode, quando muito, colaborar para mudar a cabeça de indivíduos”. Dependendo do ponto de vista, esta posição será tachada de alienada ou realista. Mas mesmo tal distinção é menos importante do que o fato de que a opção de Manfredo e Fernando não exclui (pelo contrário: incorpora) a beleza. Por isso, até quando não “entendida”, sua obra prova-se capaz de despertar sempre a mesma exclamação. “Que bonito!” E este é, seguramente, um critério decisivo de valor. Em vez de discursos, temos a instauração de objetos que enriquecem a sensibilidade do indivíduo. Não será também isso um ato social?
Olivio Tavares de Araújo
ISTOÉ 13/4/1983

é isso, por fernando stickel [ 18:24 ]

r. tucumã 141

Morei no final dos anos 70 no Edifício Pinheiros, delicioso prédio de três andares sobre pilotis na R. Tucumã 141, em frente à entrada principal do Clube Pinheiros. Lá nasceram meus dois filhos mais velhos, Fernanda em 1977 e Antonio em 1979.
Por pouco naquela época o condomínio não conseguiu destruir o maravilhoso painel da fachada do prédio, de autoria desconhecida.
Através de uma “Comissão de Obras” os arquitetos Tito Livio Fraschino e Helio de Maria Penteado, entre outros vizinhos, argumentavam que o painel era de “mau gosto” e queriam destrui-lo, substituindo-o por uma fachada em “brises”, que consideravam uma solução arquitetônica mais limpa e “elegante”.
Então pensei assim:

Que destruam tudo, mas não vão destruir o meu prédio!!!

Iris Di Ciomoo, com quem eu estava casado e eu redigimos um manifesto e enviamos aos nossos vizinhos em 22 agosto 1978:

Manifesto enviado aos 24 condôminos

DEFENDENDO O “NOSSO CASARÃO”

Numa época, em que os ataques à nossa memória cultural se tornam cada vez mais frequentes e destruidores, se fixa como imposição a todo cidadão, preservar e manter intacto, o que ainda conseguiu sobreviver.

O “Nosso Casarão”, adquire relevo e importância especiais, não apenas por ser o local que tanto nos é caro, e onde habitamos, mas também, e justamente, pelo fato de possuir características que, aos 24 anos de idade, numa sociedade de apenas 500 anos, constituem um valor de patrimônio histórico e cultural. Sendo assim, sua arquitetura, seus jardins, seu pé direito de 3 metros, suas escadas, e seu painel de fachada, tornam-se valores insubstituíveis.

O que pretendemos é preservar o prédio como um todo. Reformas fazem-se necessárias, porém a destruição do painel, se nos afigura um exagero de higiene formal.

Não é um apelo carregado de nostalgia, nem uma atitude retrógrada e reacionária, que se coloca contra o inevitável progresso.

Infelizmente a situação não abriga tanto romantismo.

O que se defende, não é uma donzela em apuros, mas, uma obra que definitivamente, pertence ao patrimônio cultural da cidade, do bairro, e nosso, seus habitantes e usuários.

O momento exige uma postura enérgica contra o verdadeiro vandalismo que ameaça nossos reais valores culturais, e é com esse alerta que eu me dirijo a vocês.

São Paulo, 22 de agosto de 1978

Fernando Diederichsen Stickel

Iris Di Ciommo


O manifesto, a pasta com as fotos e a lista de assinaturas

Na sequência pedi para o meu amigo Joaquim Cunha Bueno Marques fotografar o prédio, preparei um abaixo assinado com as fotos e fui à luta. Reuni um total de x assinaturas, a seguir:
Assinam a lista em defesa do painel do Edifício Pinheiros:

Aguinaldo Galiza Jr.- Publicitário
Armando Garcia Jr. – Arquiteto
Augusto Livio Malzoni – Pintor/Arquiteto
Antonio Carlos Barossi – Estudante Arquitetura
Antonio Marcos Silva – Arquiteto
Ana Maria Stickel Paoliello – Professora
Benedito Lima de Toledo – Arquiteto
Carlos Alberto Fajardo – Artista Plástico
Cesar Giobbi – Jornalista
Carla Dworecki – Publicitária
Celio Calestine – Arquiteto
Celso de Almeida – Decorador
Cecilia Bés – Assistente MASP
Carlos Alberto F. Villar – Arquiteto
Cecilia Motta – Geografa
Carlos Augusto de Carvalho – Estudante Arquitetura
Cassio Michalany – Pintor/Arquiteto
Eduardo Longo – Arquiteto
Eunice de Oliveira – Secretaria Escrit6rio Arquitetura
Edo Rocha – Pintor/Arquiteto
Erico J. S. Stickel – Advogado
Elói Gertel – Jornalista
Francisco Borges Filho Arquiteto
Felippe J. Crescenti Filho – Estudante Arquitetura
Frederico Jayme Nasser – Editor
Gustaaf Verberger – Antropólogo
Guilherme Paoliello – Estudante Arquitetura
Helena Carvalhosa – Caseira
Helio Mariz de Carvalho – Arquiteto
Henrique Cambiaghi Filho – Arquiteto
Ivone Dutra de Toledo – Professora
Jacques Bisilliat – O Bode
Jaime Cupertino – Arquiteto
Joaquim da C. Bueno Marques – Fotógrafo
João Vilanova Artigas – Arquiteto
Julio A. de Oliveira Moreno – Arquiteto
June A. Chaves Izzo – Arquiteto
João Xavier – Arquiteto
Klaus F. Foditsch – Engenheiro
Lenimar G. Rios – Arquiteto
Luiz Seman – Técnico Gráfico
Luisa Malzoni Strina – Comerciante de Arte
Luiz S. Hossaka – Assistente MASP
Luiz Paulo Baravelli – Artista Plástico
Luiz Pires Paoliello – Administrador Empresas
Marlene Milan Acayaba – Arquiteto
Marcelo R. Villares – Arquiteto
Maria Lúcia Simões da Cunha – Arquiteto
Maria A. Meirelles de Oliveira – Mãe
Modesto Carvalhosa – Advogado e professor USP
Martha Diederichsen Stickel – Mãe
Murillo Marx – Arquiteto
Mária Cecilia Pasote Neumann – Arquiteto
Maria Angela Pastore – Estudante Comunicação Visual
Nicodemus Pessoa – Jornalista
Norberto Chamma – Arquiteto
Olney Kruse – Jornalista
Odette Walkiria Rieper – Secretária Escritório Arquitetura
Pietro Maria Bardi – Diretor MASP
Plínio de Toledo Piza Filho – Arquiteto/Pintor
Paulo Mendes da Rocha – Arquiteto
Randáu Marques – Jornalista
Rubens Candia – Engenheiro
Rubens Mário de Oliveira – Decorador
Regina Cunha Wilke – Arquiteto
Ricardo Marques de Azevedo – Arquiteto
Roberto C. S. Aflalo – Arquiteto
Roberto D. Stickel – Engenheiro
Rogerio Batagliesi – Arquiteto
Sergio Prado – Arquiteto
Sylvia Ficher – Arquiteto
Salvador Candia – Arquiteto
Suzana Campos –
Sueli M. L. Bacha – Publicitária
Sakae Ishii – Arquiteto paisagista
Sylvia Foditsch – Historiadora
Sergio Ficher – Arquiteto
Santuza Borges Andrade – Pintora/Decoradora
Sheila Maureen Bisilliat – Fotógrafo
Telmo Martino – Jornalista
Virginia F. de Toledo Piza – Pedagoga
Walter Arruda de Menezes – Estudante Arquitetura
Wladmir Perez – Desenhista
Wesley Duke Lee – Pintor

Após o assunto aparecer em destaque no Jornal da Tarde e no Bom Dia São Paulo da Rede Globo, em Outubro de 1978, nunca mais se falou no assunto, o condomínio e sua “Comissão de Obras” calaram-se sobre o assunto e o painel continua lá, firme, forte e lindo.
Hoje meu irmão Neco Stickel mora no prédio e continua zelando por sua integridade.


Eu no apartamento 208, com tela do José Carlos BOI Cezar Ferreira.


Minha entrevista ao bom Dia São Paulo em frente ao Edifício Pinheiros, com o painel artístico na fachada.


Algum tempo depois enviei enviei esta “aventura” preservacionista no formato de trabalho, para o Primeiro Encontro Nacional de Arquitetos sobre Preservação de Bens Culturais promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil e realizado na FAUUSP na Cidade Universitária em julho 1981.

é isso, por fernando stickel [ 17:55 ]

porto seguro

Aos 7 anos de idade as crianças ingressavam no primeiro ano primário, eu o fiz em 1955 no Colégio Visconde de Porto Seguro, na Praça Roosevelt.

Assinam minha caderneta escolar meu pai Erico João Siriuba Stickel e o diretor da escola Hamilcar Turelli.

Nas minhas notas ainda nenhum presságio do inferno que viria a ser minha vida na escola. Boas lembranças da professora Maria Cecília…

é isso, por fernando stickel [ 17:44 ]

casamento fernanda e richard


Na gelada manhã do sábado, 9 agosto, Fernanda Stickel e Richard Pereira casaram-se no cartório.
Após o casamento a família reuniu-se na cantina Nello em Pinheiros, para delicioso almoço!


Sandra Pierzchalski e Martha Stickel.


A família completa!


Na cantina Nello.

é isso, por fernando stickel [ 8:08 ]

um ano da cirurgia

Dia de agradecer mais uma vez!
Terça-feira, um ano atrás, com a ridícula roupinha azul de papel eu aguardava a hora da cirurgia de descompressão da coluna lombar.
Dr. Hallim Féres e sua equipe batalharam por 5 horas para desentupir meus canos lombares, algumas intercorrências ocorreram, voltei à cirurgia para colocação de um dreno e acabei ficando um mês preso à cama do hospital, 100% na horizontal.
Não foi mole, mas agradeço diariamente minha recuperação, me dediquei com afinco a todas as recomendações de exercício, fisioterapia, etc… e hoje estou 95% recuperado.

Leia AQUI o relato completo da cirurgia.

é isso, por fernando stickel [ 9:02 ]

sonhei com rural willys

Sonhei que guiava uma Rural Willys “saia e blusa” vermelha e branco novinha em folha, em uma saída de escola ou aglomeração semelhante.
Ofereci uma carona aos meus pais, e minha mãe foi incapaz de entender ou aceitar a oferta.
Conversei com ela e expliquei que o problema não era imenso, era apenas aceitar ou não a carona.

(Este sonho foi em New York, em 22 novembro 1985, poucos dias antes da minha volta definitiva ao Brasil)

é isso, por fernando stickel [ 9:08 ]

cassio michalany

Fosse vivo meu amigo Cassio Michalany completaria hoje, 16 março 2025, 75 anos de idade, infelizmente ele nos deixou precocemente no ano passado.

Um acidente doméstico o enviou para a UTI no Hospital Oswaldo Cruz, na mesma época em que eu me recuperava em uma cama de hospital no Einstein de cirurgia de descompressão lombar.

Entre o Einstein e o Oswaldo Cruz trocamos alguns telefonemas, eu tive a sorte de sair, já ele teve sua linda carreira tragicamente encerrada ali mesmo no hospital. Consegui ir ao velório me despedir do grande amigo, apoiado em uma bengala, capengando…

Saudades do Cássio, muitas saudades.

é isso, por fernando stickel [ 8:51 ]

guarujá paraíso

Meus avós Erna Hedwig Stickel (1889-1973) e Arthur Stickel (1890-1967), em frente à sua casa na Praia do Guarujá, final dos anos 40. Eles tinham cerca de 60 anos de idade nesta foto.
Ao fundo, a ponta dos Astúrias, este foi o cenário da minha infância e adolescência, nos anos 50 e 60, simplesmente um paraíso!

No início dos anos 50 meus pais construíram a nossa, casa (à direita na foto), vizinha da casa dos meus avós. Ao fundo, em cima do morro, o famoso “Castelinho”.

Dentro da bóia meu primo Renato Cunha Bueno Marques.

é isso, por fernando stickel [ 18:05 ]

martha 98

Minha mãe Martha completa 98 anos de idade!!!


A turma toda no almoço de comemoração!

é isso, por fernando stickel [ 17:15 ]

escalada pedra do baú

Meu pai Erico me levou para escalar a Pedra do Baú em 24 janeiro 1956, aos 7 anos de idade, lembro-me perfeitamente da casinha que existia lá em cima, a 1950m. de altitude. Todos que chegavam lá tocavam o sino!

A pedra foi escalada pela primeira vez em 12 de agosto de 1940, por Antonio Cortez, um cidadão simples e humilde nascido em São Bento do Sapucaí, e seu irmão. Financiado pelo meu tio Luis Dumont Villares, Cortez construiu os degraus para a escalada, colocando grampos metálicos, construindo também o refúgio no topo da pedra.

A casinha era completa, inspirada em refúgios alpinos. Na frente havia uma pequena sala com lareira, estante com utensílios de cozinha e uma mesa de madeira onde ficava um livro onde os visitantes deixavam suas impressões e atrás, separado por uma parede, um dormitório com 6 triliches de lona, onde 18 pessoas podiam dormir. O telhado era inteiro de cobre, se configurando em um enorme para-raio, e havia inclusive captação de água da chuva. A inauguração oficial do “Refugio Antonio Cortez”se deu em 12 janeiro 1947.

Após a escalada dormimos no refúgio, acendemos uma fogueira do lado de fora para sinalizar nossa chegada para a família que estava em Campos do Jordão. A noite foi fria e emocionante, sair para mijar no vento gelado exigia altas doses de técnica, que eu evidentemente naquela idade não tinha…

Na manhã seguinte descemos pela Face Norte e seguimos vale abaixo até o Acampamento Paiol Grande, idealizado em 1946 por Luis Dumont Villares, meu pai Erico Stickel, Job Lane, Alfredo Velloso e Otavio Lotufo.

Ganhei um certificado de escalada, que foi assinado pelos meus primos Maria e Paulo Villares (com a observação “que escalou o Matterhorn”), e pelo meu pai, Erico Stickel. Eu tinha 7 anos e três meses de idade!

As fotos históricas emprestei do BLOG</strong> da família Cortez.

é isso, por fernando stickel [ 9:06 ]

intensivo para administradores

Descobri que meu pai Erico e eu fizemos o mesmo curso na Fundação Getúlio Vargas, o Intensivo de Administradores.

Ele fez a 10ª edição em 1958 aos 38 anos de idade e eu a 48ª edição em 1976, aos 28 anos de idade.

é isso, por fernando stickel [ 8:42 ]

dia dos pais


Dia dos Pais na Hípica Paulista

Vinte e um anos atrás, a comemoração do dia dos pais com Antonio e Arthur!

é isso, por fernando stickel [ 12:23 ]

crea, stickel, candia

Na Piazza Navona, Roma, fevereiro de 1974. Meus pais Erico, de óculos (1920-1984) e Martha com seus amigos Enzo Crea (1927—2007) e seus filhos e o arquiteto Salvador Candia (1924-1991), inclinado, em primeiro plano.

Enzo era o editor e proprietário da Edizioni dell’Elefante, uma pequena casa editorial especializada em livros de arte e pequenas edições especiais.


Salvador Candia e Erico Stickel na obra da casa do Salvador na R. Inglaterra

é isso, por fernando stickel [ 18:08 ]

cirurgia novamente


Sandra e eu no casamento em Sarapuí, 1/6/2024 15:30h

Completo hoje 40 dias da minha cirurgia de descompressão lombar. Estou bem – graças, à minha mulher, Sandra, à equipe médica do Dr. Hallim Féres, às dezenas de enfermeiras(os), cuidadores, amigos, familiares e a todos que, de alguma maneira, hipotecaram sua ajuda à minha causa de rápida recuperação.

Não tenho palavras para agradecer adequadamente, saibam apenas que o apoio de cada um foi decisivo para que eu chegasse até aqui: caminhando (com muito cuidado), retomando o trabalho (com moderação) e aguardando, nos próximos dias, a liberação para as indispensáveis sessões de fisioterapia.

Tudo começou com uma dor forte na perna esquerda, prenunciando uma crise das boas. No sábado, 1º de junho de 2024, Sandra e eu fomos ao casamento da Bruna e do Fernandinho, em Sarapuí. Ao sair do carro, no estacionamento do bufê, tive dificuldade para caminhar no piso inclinado, pouca força na perna esquerda, perdi o equilíbrio e tropecei na escada.

A Dra. Alexandra, minha fisiatra, recebeu rapidamente um vídeo que a Sandra fez da minha caminhada e recomendou internação imediata no Einstein: a compressão do nervo poderia causar perda permanente de força na perna e no pé. Voltamos do casamento, passamos rapidamente em casa para trocar de roupa e, naquela mesma noite, dei entrada na emergência para avaliação cirúrgica. Após a ressonância, ficou claro: o caso era grave, os nervos estavam pressionados.

Na manhã seguinte recebi a visita do neurocirurgião Dr. Felipe Féres, da equipe do Dr. Hallim Féres, que me explicou todo o procedimento com clareza e serenidade. Vieram os exames, a rotina hospitalar, suavizada por um plano de saúde top, excelente atendimento, um bom quarto com uma janela enorme e vista linda — deu até para ver, de relance, o início do jogo São Paulo x Cruzeiro.


A vista do quarto no Einstein, no canto direito o estádio do Pacaembu. 2/6/2024 17:00h


Terça-feira, 4/6/24 06:00h Pronto para entrar na faca.

A cirurgia foi realizada na terça-feira, 4 de junho. O quadro estava bem pior do que o previsto: o que deveria durar duas horas se estendeu por cinco, para “desentupir” meus canos lombares e controlar uma fístula liquórica na medula. A recomendação foi clara: muitos dias em repouso absoluto, na horizontal.

Dias e noites se misturaram. Cama, teto, TV desligada, a janela mostrando dias lindos, tubos embaralhados, o ruído incessante das meias de compressão. Banho na cama, fralda, comadre. Visitas pontuais traziam alívio e distração. Vieram também o medo e a depressão: será que voltaria a andar? A dormir? A viver normalmente? O desconhecimento técnico só aumentava a angústia. Aos poucos, pequenas conquistas: levantar, ir ao banheiro, andar pelo quarto, vislumbrar a volta à normalidade. Assisti a muitos jogos de Roland Garros.

No domingo, após uma noite sem analgésicos, acordei às 4h30. Levantei, fiz xixi e tentei acompanhar meu espírito em suas viagens fora do corpo. Um sono leve, cheio de imagens e aventuras.


Vida na horizontal…

A alta foi marcada para segunda-feira. Caminhei 60 metros no corredor. Sugeriram o uso de bengala – a perna esquerda ainda estava muito fraca. Era o começo.

A saúde é nosso maior bem. Sem ela não há sonhos, nem projetos, nem pensamentos organizados. Às vezes, é preciso uma dura lição no próprio corpo para compreender essa verdade elementar.

E finalmente a alta, na segunda-feira dia 10 junho 2024 às 15h00. Já em casa, iniciei fisioterapia com o Pedro, na clínica da Av. Brasil. Mas logo surgiu uma dor intensa na nuca, sinal de vazamento de líquor pela cicatriz da fístula. A recomendação foi dura: permanecer o máximo de tempo possível na horizontal, deitado o dia inteiro. E assim se passaram dias e noites.


Jimmy & Bolt me fazem companhia nas intermináveis horas na horizontal. Quinta-feira, 13/6/24, 18:30h

Voltei ao Einstein, onde o Dr. Felipe adicionou pontos à cicatriz para fechá-la definitivamente e evitar infecção. A parede da medula precisava cicatrizar para cessar o vazamento. Para reduzir a pressão, só havia um recurso: ficar deitado. O sinal de melhora seria o curativo seco — o que ainda não acontecia.

Senti que envelheci quinze anos em dez dias.

Deitado olhando o teto, o celular, um recorte de céu, aviões passando. O tempo escorrendo, os músculos desaparecendo lentamente.

No domingo, 16 de junho, senti-me um pouco mais confiante. Sandra preparou um almoço maravilhoso: spaghetti à bolonhesa, salada de rúcula, tomatinhos, mussarela e uma taça de Pinot Noir. A pressão na nuca parecia diminuir.

Mas a tão esperada cicatrização não veio. Os cirurgiões decidiram pela colocação de um dreno. Voltei ao Einstein. Na sexta-feira, 19 de junho, às 15h30, a cirurgia foi realizada. Mais tempo na horizontal.
Sandra contratou uma cuidadora para me ajudar nas tarefas mais básicas — inclusive comer. Dias e noites se sucederam, às vezes com Tramal, às vezes só com Novalgina.


Sexta-feira, 19/6/2024 15:30h Cirurgia para colocação do dreno realizada. Mais tempo na horizontal…


Primeira caminhada após uma semana na cama, na horizontal… Sábado, 27/6/24 14:30h


Quarta-feira, 1/7/2024, 14:30h, já em casa, com a reconfortante companhia do Jimmy & Bolt, e os aviões passando…


Negroni no clube

No dia 4 de julho, ainda mancando e com auxílio de bengala, fui com a Sandra ao velório do meu querido amigo Cassio Michalany. Depois, homenageei-o com um Negroni — durante muitos anos, Cassio e eu tomávamos um, pontualmente, em seu estúdio na Vila Nova Conceição, ao som do melhor jazz.

Não foi mole, recebi o apoio constante do meu amor, Sandra, e de muitos amigos, morri de saudades do Jimmy e do Bolt e perdi a noção do tempo. Vi incontáveis jogos de Roland Garros. E, finalmente, voltei para casa.
Bola pra frente.
Obrigado a todos que estiveram ao meu lado.
Sem vocês, tudo isso teria sido simplesmente intolerável.

é isso, por fernando stickel [ 8:26 ]

fernando arens jr

Meu tio-avô Fernando Arens Jr., irmão da minha avó Maria Elisa Arens Diederichsen (Lili)

Nasceu em Campinas em 18/4/1880 e faleceu em São Paulo em 5/8/1942. Era filho de Frederico Guilherme Fernando Arens e Filisbina Augusta Garcia Arens. Casou-se com Lavínia de Oliveira Caldas e teve os filhos Aracy Arens; Odila Arens Caldas(Memé); Renato Antonio Arens e Marina Arens Caldas.

Em 1915, Fernando Arens Jr, junto com Dimitri Sansaud de Lavaud, patenteou, no Escritório Americano de Marcas e Patentes (USPTO), uma máquina para moldagem de tubos metálicos por força centrífuga, patente número 1.199.353, aprovada em 26 de setembro de 1916. O princípio empregado é conhecido como “Processo De Lavaud” e é utilizado até hoje.

é isso, por fernando stickel [ 17:36 ]

hélice

A HISTÓRIA DA HÉLICE

Meu primo Paulo Villares tinha no porão de sua casa na rua Áustria uma oficina completa com torno, furadeira, bancada, inúmeros armários e gavetas abarrotados de fios, transistores, peças diversas, coisas interessantíssimas! Estou falando de uma época em que eu tinha 12 ou 13 anos de idade e ele estava com cerca de 21 anos, morando ainda com meus tios Luiz e Leonor.

Na oficina haviam ainda rádios, aeromodelos, peças de avião, motores de aeromodelos, hélices, etc… Sempre que minha família ia até a casa dos meus tios para uma festa, um almoço, eu dava um jeito de ir lá na oficina dar uma sapeada. O acesso era complicado, mas depois de observar o Paulo entrar aprendi o segredo…

Certo dia eu estava lá fuçando na oficina e encontrei uma hélice de avião, de madeira, com uma das pontas quebradas e me encantei com ela!
A hélice havia chegado às mãos do Paulo porque ele era aficcionado por aviação, tinha brevê, pilotava planador, meu tio Luiz tinha um avião, ou seja, ele estava por dentro do assunto aviação, assim, quando um casal de chilenos que fazia a volta ao mundo em um pequeno avião sofreu um acidente ao pousar e São Paulo e a hélice quebrou, o Paulo estava por ali e acabou recebendo a hélice de presente, havia até uma dedicatória escrita a caneta na própria hélice

Um belo dia, não me lembro em quais circunstancias, o Paulo me presenteou com a hélice, e eu fiquei em êxtase com aquele objeto maravilhoso!

Desde então a hélice me acompanhou por todos os locais onde morei, até de uma exposição de arte ela participou! Até que chegou a hora de nos separarmos, quando dei a hélice de presente para o casal de amigos Vera Domschke e Mario Sacconi, que estavam construindo uma casa na praia. A casa ficou pronta, linda, a conhecemos neste fim de semana, a nova morada da hélice!


Cassio Michalany e eu no apartamento da R. Hans Nobiling, cerca 1972, no canto direito, a hélice


Minha filha Fernanda e a hélice, no apartamento da R. Tucumã, cerca de 1980.

é isso, por fernando stickel [ 8:38 ]

martha 97


Aniversário de 97 anos da minha mãe Martha Diederichsen Stickel, que continua com boa saúde e vontade de viver!!!

é isso, por fernando stickel [ 21:20 ]