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...desde janeiro de 2003

3º setor

maria villares na fundação


A fachada do Espaço Fundação Stickel recebe tratamento especial.

No próximo sábado 11 novembro das 10 às 16h abriremos no Espaço Fundação Stickel, na R. Nova Cidade 195 – Vila Olímpia, a exposição de pinturas “Maria Villares – Flor e Pedra” com minha curadoria.

Minha carreira de curador de arte não existiu até hoje como tal, nunca dei maior destaque a este mister, mas, assim como nunca deixei de ser arquiteto, designer gráfico, artista plástico ou fotógrafo, o ofício da curadoria sempre esteve presente na minha vida artística desde os anos 70, tanto nas minhas exposições, nas exposições dos amigos e, a partir do início do meu trabalho com a Fundação Stickel em 2004, em todas as dezenas de exposições que fizemos.

Em algumas exposições me permiti assinar a curadoria, como “A Trama do Gosto”, na Bienal de São Paulo em 1987, onde apresentei um espaço intitulado “Natureza Morta Limitada”; na exposição “Retratos Eriçados” de Maciej Babinski em parceria com Agnaldo Farias no Espaço Fundação Stickel em 2019, e agora assino a curadoria da exposição “Maria Villares – Flor e Pedra”, para a qual escrevi o texto a seguir.

MARIA VILLARES Flor e Pedra

Flor e pedra. Claro e escuro. Quente e frio. Pele e osso. Vermelho e azul.

A obra de Maria Villares é extensa e longeva. Seu universo pictórico é labiríntico e habitado por seres sem rosto. Mas eles estão ali, silenciosos, observando, e comandando o espetáculo.

Conhecer suas pinturas é como passear por dentro de uma caverna, com uma lanterna na mão, descobrindo imagens fascinantes que brotam da escuridão, uma hora usando uma lupa, outra hora se aproveitando de um raio de sol bandido intrometido na escuridão. Pode-se também pensar em utilizar um periscópio, ele te revelará mais algumas imagens surpreendentes…. Mas, o que está fazendo esta flor aqui???!!! Assim é a pintura de Maria Villares.

Maria não busca os holofotes, mas a solidez da disciplina, coerência e permanência. Seu trabalho atravessa os anos sem interrupção, uma coisa fluindo para outra coisa, por vezes inclinada à gravura, por vezes à cerâmica, mas mantendo sempre o norte do desenho. Sim, o desenho comanda seu destino e sua arte, esta verdade permanente transparece nesta série de pinturas executadas ao longo de mais de duas décadas.

As pinturas de Maria não se revelam por completo, elas são discretamente generosas ao fornecer pequenas pistas ao arqueólogo de plantão que queira mergulhar em espaços desconhecidos à procura de flores ou outras iguarias no Jardim das Delícias de sua obra. Tal qual os peixes luminosos do abismo, flores crescem em locais proibidos…
Fernando Stickel
Outubro 2023


Maria Villares e seu armarinho de referências.


Montagem da exposição


O planejamento da expografia

é isso, por fernando stickel [ 7:15 ]

cidade invertida

A Fundação Stickel é especialista em levar arte e cultura gratuitamente a populações sem acesso a estes bens, fundamentas à cidadania. Fazemos isso através de cursos na periferia de São Paulo, exposições de arte, lançamento e doações de livros, etc…

As visitas educativas às nossas exposições são ferramenta fundamental neste processo, acabamos de utilizá-la em nosso Espaço Fundação Stickel, na Vila Olímpia, com a visita guiada à exposição “A Cidade Diante dos Meus Olhos”.

Utilizando vans, e uma boa integração entre as equipes responsáveis, trazemos alunos de nossas escolas parceiras na periferia de São Paulo, para realizar atividades com a equipe da Cidade Invertida, coordenada por Ricardo Hantzschel. 

Seu símbolo de referência é um trailer adaptado para operar, principalmente, como câmera obscura e laboratório fotográfico. Todos os alunos realizam fotos analógicas com câmeras “pin-hoje”, o processo é lúdico e extremamente interessante e didático.

As escolas beneficiadas são:
– Crescer Sempre de Paraisópolis.
– Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste.
– Escola Estadual Comendador Mário Reys em Itaquera.
– FAZ – Associação Alessandro Zarzur.

A Fundação Stickel está sempre em busca de novos parceiros que acreditem na nossa missão, e possam colaborar na manutenção de nossas atividades.

é isso, por fernando stickel [ 9:54 ]

leonardo da vinci


E. E. Comendador Mário Reys

A Fundação Stickel promoveu a visita educativa de alunos de suas instituições parceiras à exposição “Os Mundos de Leonardo da Vinci” no Shopping Morumbi, organizada em parceria com a Visual Farm, que trouxe à vida as ideias geniais do mestre renascentista em um espetáculo de projeções incríveis!

O acesso à arte também faz parte da nossa missão e, com esta atividade, queremos facilitar o contato entre os nossos públicos e os equipamentos culturais disponíveis na cidade.

– Crescer Sempre de Paraisópolis
– Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo de Ermelino Matarazzo na Zona Leste
– Escola Estadual Comendador Mário Reys em Itaquera


E. E. Condessa Filomena Matarazzo


Crescer Sempre

é isso, por fernando stickel [ 11:40 ]

humanismo


O Homem Vitruviano, c.1492, lápis e tinta sobre papel, Leonardo da Vinci, Gallerie dell’Accademia, Veneza, Itália.

Me ocorreu que nossa missão na Fundação Stickel, tudo o que fazemos tem foco no homem, no ser humano. Nossos permanentes esforços de aprimoramento da instituição focam sempre nossos atendidos, alunos e alunas. Parece óbvio, mas é fundamental esta clareza, sempre!
Somos humanistas!
O humanismo enfatiza a valorização e a dignidade da pessoa humana, promovendo a realização de seu potencial, a busca pelo conhecimento, a justiça social e a compreensão das complexidades da condição humana. Está relacionado com generosidade, compaixão e valorização dos atributos, potencialidades e realizações humanas.

Curiosamente, meus pais Erico e Martha Stickel, os instituidores da Fundação em 1954 eram apaixonados por tudo relacionado à Itália e ao Renascimento Italiano, o berço do HUMANISMO, eles conheciam profundamente o país e sua cultura, tendo viajado extensivamente por lá. O Humanismo, portanto, mesmo que de maneira não explícita, está nas raizes da Fundação.

O Humanismo foi um movimento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, uma abordagem filosófica, cultural e ética colocando os seres humanos no centro de suas preocupações. Valorizou o retorno à cultura da Antiguidade Clássica, como a base filosófica do Renascimento artístico, cultural e científico europeu. Fatores que favoreceram o humanismo a partir do século XIV:

– A migração de eruditos bizantinos: muitos procuraram refúgio na Europa Ocidental, especialmente na península itálica. Traziam com eles textos gregos e promoveram a difusão da cultura, valores e linguagem gregos.

– A prensa móvel, a invenção de Gutenberg em 1439 permitiu a produção e distribuição de livros a custo reduzido, assegurando a ampla disseminação das ideias humanistas.

– A ação dos mecenas, entre os mais importantes do renascimento italiano destacam-se os Médici de Florença, Cosimo de’ Medici (1389-1464); Lorenzo de Medici (1449-1492); e seu irmão Giuliano de Medici, ou os papas Júlio II (1443-1513) e Leão X (1475-1521).

– A criação de universidades, escolas e faculdades como Lovaina, Siena, Alcalá de Henares, Coimbra e as escolas do século XV, contribuiu largamente para a expansão do humanismo em toda a Europa.

Alguns dos pensadores, artistas e estudiosos do Renascimento europeu:

1-Francesco Petrarca (1304-1374): Frequentemente considerado o “pai do humanismo”, Petrarca foi um poeta, humanista e estudioso italiano. Ele foi pioneiro na redescoberta e no estudo das obras clássicas romanas, como as de Cícero e Virgílio. Sua abordagem de valorizar a literatura clássica e a ênfase no estudo da natureza humana foram fundamentais para a ascensão do humanismo renascentista.

2-Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494): Este filósofo italiano é conhecido por seu trabalho “Discurso Sobre a Dignidade do Homem”, que enfatizava a liberdade humana, a busca pelo conhecimento e o potencial ilimitado do ser humano para moldar seu próprio destino.

3-Leonardo Bruni (1370-1444): Um humanista italiano que foi um dos primeiros a usar o termo “humanitas” para descrever o estudo das letras clássicas. Ele também enfatizou a importância de estudar a história para entender a natureza humana.

4-Erasmus de Roterdã (1466-1536): Um humanista holandês que defendia uma educação baseada na razão e no estudo das obras clássicas. Ele criticava os aspectos dogmáticos da religião e defendia uma interpretação mais pessoal e moral do cristianismo.

5-Thomas More (1478-1535): Um humanista inglês conhecido por sua obra “Utopia”, que explorava ideias de justiça social, igualdade e governança ideal. Ele também foi um defensor da liberdade de pensamento e da crítica construtiva.

6-Desiderius Erasmus (1466-1536): Outro influente humanista holandês, Erasmus enfatizou a importância da educação e da tolerância religiosa. Ele também contribuiu para a crítica das práticas religiosas e instituições corruptas de sua época.

7-Giorgio Vasari (1511-1574): Um pintor, arquiteto e escritor italiano conhecido por seu livro “Vidas das Mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos”, que apresentava biografias de artistas renomados. Sua obra ajudou a preservar e popularizar a história da arte renascentista.

é isso, por fernando stickel [ 17:08 ]

Conheça a fundação que transforma vidas por meio da arte

KEKA CONSIGLIO
10/07/2023

Uma gota no oceano tem o poder de mudar a cor, assim como a arte tem condições de mudar as pessoas. Com esse olhar especial, a Fundação Stickel tem uma trajetória que se confunde com a história de desenvolvimento do Brasil, com muitos brasileiros precisando de ajuda. É a quinta entidade social mais antiga do Brasil. Seu foco inicial era totalmente assistencialista, ajudando crianças carentes no tratamento de tuberculose em Campos do Jordão (SP). Em 2004 começou a ser totalmente reformulada para o universo das artes e para atuar sob o lema “transformar vidas através da arte”.

Em 2012, sob comando de Fernando Diederichsen Stickel e Sandra Pierzchalski, a Fundação já estava 100% direcionada para a arte e ajustada para desenvolver ações que despertassem a curiosidade, a criatividade e o sentimento de pertencimento por meio de cursos gratuitos, palestras, publicação de livros e exposições. Sua missão é transformar a sociedade brasileira por meio da arte, com ética, transparência e respeito aos processos de aprendizado. A jornada da inclusão sociocultural é trabalhada para despertar novos potenciais em jovens e adultos para que se tornem agentes de transformação.

A paixão de Fernando pelo universo artístico começou em casa, com seu pai, Erico João Siriuba Stickel, um dos maiores colecionadores de arte do Brasil. Entre as milhares de obras de seu acervo, Erico adorava o Abaporu, o quadro mais importante da arte brasileira, pintado em segredo por pintora Tarsila do Amaral (1886-1973) para presentear o seu marido da época, o escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Abaporu acabou virando símbolo de tudo o que o modernismo queria dizer, tendo a antropofagia, no sentido de absorver a cultura europeia, dominante na época, e capaz de transformar em algo nacional.

Nos anos 1960, Tarsila vendeu o quadro para Pietro Maria Bardi (1900-1999), fundador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Menos de um mês depois, Bardi revendeu a pintura para o colecionador Erico Stickel (1920-2004). Fernando teve contato com o quadro Abaporu durante 20 anos, entre as décadas de 1960 e 1980. A pintura ficava no escritório de seu pai. Para ele, viver ao lado do Abaporu por um longo período tem importância folclórica, dada a proporção de relevância alcançada pelo quadro. Em 1984, o galerista Raul Forbes comprou o quadro por US$ 250 mil, na maior aquisição de uma pintura brasileira. Em 1995, Forbes decidiu leiloar Abaporu na famosa Christie’s, em Nova York. Recebeu US$ 1,35 milhão do empresário argentino Eduardo Constantini pela obra, que está exposta em grande destaque no Museu Malba.

Colecionador de arte, bibliófilo e estudioso da Iconografia Brasileira do Século XIX, Erico Stickel conviveu desde cedo com a biblioteca herdada de seu tio-avô Johann Metz (1861-1936) depois enriquecida por seu pai Arthur Stickel (1890-1968), à qual adicionou sua própria coleção. Paciente dedicado, dedicou mais de trinta anos ao trabalho de catalogação das primeiras obras de registro dos primórdios do Brasil como nação. A coleção Martha e Erico Stickel faz parte do acervo do IMS, no Rio de Janeiro, desde 2008. Reúne cerca de 1.500 obras que retratam o Brasil desde o século XVI (em cartografia) até o século XIX (em paisagens e registros do cotidiano feitos por artistas viajantes). As obras estão agrupadas em fólios, encadernadas em álbuns ou como peças avulsas, compreendendo gravuras, desenhos, aquarelas e manuscritos. Merecem destaque os trabalhos de Von Martius, Franz Frühbeck, Araújo Porto-Alegre, De Martino, Marguerite Tollemache, Johann Moritz Rugendas, Frederico Guilherme Briggs, Eugéne Cicéri, Iluchar Desmons, Luiz Schlappriz, Jan Frederik Schütz, Karl Wilhelm von Theremin, Carlos Linde e muitos outros.

O botânico e antropólogo alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), que é a maior referência de estudo da flora no Brasil, está presente na Coleção Stickel com um conjunto de 78 desenhos em grafite sobre papel, alguns com retoque de nanquim, que serviram de base para litografias. Os três anos em que viveu no Brasil, de 1817 a 1820, pesquisando principalmente na Amazônia, registrando sua flora e as cidades por onde passava, marcaram por muito tempo a produção de Von Martius. O acervo reúne também as principais obras do Brasil da época, com sua paisagem exuberante e o modo de vida de seus habitantes, assim como registros da época de D. Pedro II, da Batalha de Itororó e da Guerra do Paraguai. O Rio de Janeiro desse período está em duas aquarelas assinadas por Henry Chamberlain, as seis gravuras de Alfred Martinet e duas gravuras de Frederic Haguedorn, com a enseada de Botafogo e a entrada da Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar.

A Fundação Stickel hoje desponta como uma das principais iniciativas em prol da arte no Brasil. A partir da herança cultural deixada pelo pai, Fernando foi impactado pelas artes visuais desde cedo e seguiu o caminho artístico durante toda a sua vida. A arte sempre foi o norte da vida de Fernando, que se graduou em arquitetura pela USP e partiu para as artes plásticas, além de ter atuado como fotógrafo e professor.

Muitas comunidades são beneficiadas por seu trabalho com educadores especializados em música, história da arte, estamparia, grafite, xilografia, mosaico, gravura, marchetaria e escultura. Nos últimos anos, 18 mil pessoas foram beneficiadas por atividades educativas, 9 mil alunos participaram de cursos e 33 publicações sobre arte foram produzidas. Além disso, mais de 130 mil pessoas visitaram as exposições organizadas pela Fundação.

Agora, a novidade é o Projeto Investidor Cultural, desenvolvido e idealizado em conjunto com a Angatu Private, um Multi Family Office que tem entre seus sócios Fernando Hormain, um dos maiores apoiadores da iniciativa, que visa captar recursos para a promoção das atividades artísticas da Fundação Stickel. Doadores recebem um selo e uma obra criada por um dos jovens ou adultos beneficiados pela entidade para incentivar a continuidade do apoio financeiro aos diversos projetos de incentivo à cultura. Pode-se adotar um aluno, um curso ou realizar uma doação financeira. “A ideia é plantar uma semente em todos e mostrar que é possível transformar a sociedade a partir da arte”, explica Fernando. O movimento tende a crescer e a incentivar, também, pessoas a doarem parte do Imposto de Renda anual para os projetos apoiados pela Fundação. “É possível destinar 6% do valor anual a ser pago para causas que realmente irão transformar a vida de muitos jovens que vivem em situações extremas”, diz.

Essa coluna é dedicada a Fernando Hormain, sócio da Angatu Private Banrking e um dos idealizadores do Projeto Investidor Cultural.

é isso, por fernando stickel [ 14:29 ]

apoio ao terceiro setor

A Fundação Stickel contratou recentemente um novo administrador de seu Fundo Patrimonial, leia como se deu esta transformação, em artigo publicado pela FortunA Gestora em Comunicação de Luxo com foto de Júlio Trazzi:

Apoio ao terceiro setor

Os arquitetos Fernando Stickel e Sandra Pierzchalski são os responsáveis pela Fundação Stickel, criada em 1954 por Martha Diederichsen Stickel e Erico João Siriuba Stickel. Desde 2004, quando reativaram as atividades da instituição, que ficou durante algumas décadas parada, passaram por três empresas que administraram, “nem sempre com sucesso”, como acentua Fernando, o fundo patrimonial que sustenta as várias ações realizadas. “Há cerca de um ano eu e a Miriam Miranda Costa, gerente administrativa e financeira, decidimos buscar no mercado outra empresa. Estivemos com oito proponentes e não ficamos satisfeitos, até encontrar o Fernando Hormain, da Angatu Private, que nos sugeriu uma gestão mais adequada ao nosso perfil. A cereja do bolo foi o Selo de Investidor Cultural, que evidencia um ponto importante para nós, que é a captação de recursos”, conta Fernando Stickel.

Arquiteto e artista plástico, ele explica que a fundação não tem uma grande empresa ou banco por trás e, portanto, precisa captar recursos, sob pena de não ter condições de manter as atividades. “Nosso fundo patrimonial não dá conta de fornecer meios para todas as necessidades”, diz. Fernando Stickel acentua a importância da sensibilidade da Angatu e da proposição sob medida para as demandas da fundação. “Juntamos nessa nova parceria a gestão patrimonial mais adequada que tivemos até agora junto com a consciência de que ela precisa divulgar aos seus parceiros e usar esse recurso do selo como incentivo à doação.”

Esses recursos, tão difíceis de serem arrecadados num mercado nem sempre sensível à necessidade de projetos artísticos e culturais, são essenciais para colocar em prática o lema “Arte Transforma”, adotado pela fundação em 2012. Sob essa ideia, são realizados cursos gratuitos de temas variados, desde fotografia até design gráfico, na periferia de São Paulo; exposições, que divulgam o resultado dessas oficinas e também destacam artistas respeitados que nem sempre encontram espaço nos circuitos normais da arte; e publicações, que normalmente compilam os trabalhos dos alunos em catálogos e folders e depois são distribuídos para bibliotecas e escolas, sempre com um cuidado extremo na identificação de cada obra.

Esse capricho Fernando Stickel parece ter herdado do pai, Erico Stickel, um aficionado das artes que foi dono do famoso quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, durante quase 20 anos, e tinha como hobby garimpar obras de artistas que participaram das famosas expedições que vinham da Europa ao Brasil durante o século XIX. “Ele visitava feiras como a do Bixiga e do MASP, sebos e comerciantes de arte à procura dos trabalhos dos artistas que acompanhavam essas viagens. Tinha uma coleção riquíssima e, como era um estudioso, anotava tudo cuidadosamente em fichas, com o nome artista, ano, expedição e referências bibliográficas.” Erico chegou a publicar um dicionário chamado Uma Pequena Biblioteca Particular, pela Edusp.

Leia a revista FortunA aqui.


No Espaço Fundação Stickel, com Fernando Hormain da Angatu.

é isso, por fernando stickel [ 9:09 ]

perrone e igor

Designer gráfico, professor e arquiteto, Carlos Perrone está segurando um cartaz de sua autoria, criado a partir de texto de Vladimir Nabokov.

“The word cosmic is always in danger of losing its s.”

Perrone é parceiro da Fundação Stickel, tendo inaugurado, em plena pandemia, os cursos gratuitos de design, muito apreciados.

Eu tenho na minha formação o DNA do design gráfico, fui o cofundador da Und Corporate Design, junto com Lelé Chamma em 1977. Esta disciplina, que na época chamava-se Comunicação Visual, ocupou a minha vida profissionalmente, mas não me abandonou, você fica sempre atento ao bom uso de letras, tipografia, diagramação, etc… vou sempre à última página de um belo livro saber quem é o designer, me interesso por uma bela marca, logotipo ou design de exposição.

Esta convivência com o assunto venho passando para o Igor, nosso Coordenador de Projetos, que vem se revelando um excelente aprendiz da matéria, e que se deixou contaminar pela paixão do Perrone pelos cartazes, que mostrou a ele a beleza e o eterno poderio gráfico dos cartazes, consubstanciado na Bienal del Cartel Bolivia BICeBé

Tudo isso para contar a vocês que estamos preparando novo curso, com o Perrone, de cartazes!! Já prevemos desdobramentos desta iniciativa, como um concurso de cartazes, e mesmo uma bienal!

é isso, por fernando stickel [ 8:40 ]

festival faces

Fundação Stickel convida para a abertura da exposição A CIDADE DIANTE DOS MEUS OLHOS que dá início ao FACES – 2º Festival de Arte e Cultura Erico Stickel.

A mostra apresenta 120 fotografias dos nossos alunos e alunas dos cursos gratuitos realizados entre 2019 e 2022. As imagens foram selecionadas entre as 600 fotos produzidas ao longo das aulas. No evento, teremos uma palestra com o curador Rubens Fernandes Junior.

Venha se surpreender com o poder transformador da arte!

Sábado 17 de junho, das 11h às 15h.
Espaço Fundação Stickel R. Nova Cidade 195, Vila Olímpia, São Paulo.

Realização: PROMAC – São Paulo Capital da Cultura – Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo 

@smculturasp @fundacao.stickel @rubens1142

#FundacaoStickel #arte #cultura #fotografia #Festival #FestivalFACES  #TerceiroSetor #saopaulo #artetransforma

é isso, por fernando stickel [ 8:27 ]

feres khoury


FERES KHOURY PINTURAS

Como um raio na floresta, as pinturas recentes de Feres nos revelam lugares distantes, territórios intocados da natureza, florestas, pântanos, rochas e ravinas imaginárias, iluminados com precisão e potência.

A arte de Feres Khoury transpira sua forte conexão com o criativo e a pesquisa, seu gosto pela música e literatura, o mergulho profundo e apaixonado no universo da arte. Seu trabalho identifica-se integralmente com o vigor e diversidade da natureza.

Convivem no artista várias características, que aparecem aqui e acolá, há o ser racional, geométrico, cartesiano, há o calígrafo oriental, zeloso de sua habilidade e precisão, e há o ser lírico, explosivo, romântico. Há ainda o professor sensível… Tal como somos surpreendidos na natureza com uma súbita tempestade, ou um glorioso raio de sol, neste conjunto de pinturas Feres também é flagrado desenvolvendo um, outro ou vários de seus múltiplos talentos.

Nesta mostra Feres nos brinda com situações pictóricas de grande força, cor e teatralidade, à semelhança de J. W. Turner, nos expondo livremente e sem temor à força das tempestades, aos dias cinzentos e todas as outras glórias do planeta.

Aleluia!

é isso, por fernando stickel [ 17:42 ]

yanomami

Fundação Stickel convida para a abertura da exposição FACES DA FLORESTA – Os Yanomami – Fotografias de Valdir Cruz, com curadoria de Rubens Fernandes Junior.

Nesta mostra inédita em São Paulo, Valdir Cruz exibe 26 fotografias em preto e branco, incluindo o icônico retrato de Davi Kopenawa, xamã e líder indígena que estará presente no evento, acompanhado de Tuira Kopenawa Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e do escritor e ambientalista Ailton Krenak.

FACES DA FLORESTA
OS YANOMAMI

Os mistérios da floresta e de seus habitantes continuam a sensibilizar os fotógrafos. Só que agora, não mais pela grandiosidade das matas, ou pela exuberância da fauna, ou pela beleza da flora. Atualmente, o que preocupa o homem contemporâneo é a falta de perspectiva de uma existência futura para o cidadão que ali vive livremente. Em pleno século 21, onde tudo parece muito tênue e provisório, o que interessa é o olhar agudo e crítico sobre este imenso labirinto da floresta Amazônica, que quase já não consegue mais esconder a beleza mágica de seus habitantes, entre eles, os Yanomami.

Valdir Cruz adentra o território para flagrar este momento de transição em que parece impossível alimentar alternativas de salvação do que ainda resta da mais primitiva e pura experiência humana no planeta Terra. Através de um olhar refinado e certeiro, estabelece uma possibilidade de registrar os encantos da vida Yanomami e, ao mesmo tempo, impõe uma contundente e estranha sensação ao exibir as feridas abertas pelo homem civilizado. Claro que é perceptível a forte conexão entre o olhar envolvido que não só documenta, mas escancara o dramático e brutal esquecimento do povo originário Yanomami submetido ao abandono e a urgência da denúncia da perda de identidade.

A fotografia documental tem esse incrível poder transformador. Ao nos depararmos com esse comovente ensaio, que materializa as luzes e as sombras da floresta, somos surpreendidos pela tensão visual provocada pela sensação de impotência diante de uma inevitável catástrofe. Valdir Cruz não é um simulador de imagens: apenas registra o que se evidencia diante de seus olhos, com a perspicácia de um observador atento que provoca efeitos perturbadores.

Roland Barthes defende que a fotografia é subversiva, não quando ela assusta, mas quando ela incita à reflexão, quando ela é incômoda, quando ela desalinha nossa percepção do cotidiano e, como neste ensaio, provoca a ampliação da exagerada insensatez do homem civilizado. É paradoxal se deparar com essas fotografias bem elaboradas esteticamente, mas apreendidas sem deslumbramento. Um manifesto visual que consegue sensibilizar nossa imaginação e detonar uma última centelha capaz de incendiar nossa consciência sobre a necessidade de dar condições para a preservação e sobrevivência da diversidade étnica ainda existente em nosso país.

Rubens Fernandes Junior
pesquisador e curador de fotografia

Abertura 18 de março, sábado, às 11h.
Espaço Fundação Stickel – Rua Nova Cidade 195 – Vila Olímpia – São Paulo.

Em cartaz até 29 de abril 2023

REALIZAÇÃO: Fundação Stickel – Galeria Bolsa de Arte

APOIO: UNIFESP – Instituto Socioambiental – Hutukara Associação Yanomami?


Valdir Cruz fotografado por Juan Esteves.

é isso, por fernando stickel [ 8:47 ]

edouard bos & krajcberg


No dia 7 novembro 2006 a Fundação Stickel abriu em seu espaço na Vila Olímpia a exposição dupla dos fotógrafos Juan Esteves, com “Presença” e Joaquim Marques (1950-2004) com “Matizes do Tempo”, com curadoria de Rosely Nakagawa.

Edouard Bos foi meu aluno de desenho de observação, e faleceu precocemente. Na foto, Edouard na abertura da exposição em frente à imagem de Frans Krajcberg (1921-2017).

é isso, por fernando stickel [ 18:17 ]

investidor cultural


Parceira da Fundação Stickel com a Cordier Investimentos. que criou o conceito deste Certificado de Doação, emitido ao doador da Fundação.


Fernando Hormain, diretor da Cordier e eu, apresentando a ideia aos sócios do Mercedes-Benz Clube SP.


Ao centro, de vermelho o presidente do Clube Elias Haddad.

é isso, por fernando stickel [ 12:56 ]

rua henrique martins

Eu nasci em 1948 no nº 631 da Rua Henrique Martins, bairro de Jardim Paulista em São Paulo. Parado no portão o Citroën Traction-Avant do meu pai.

Em 1954 meus pais Erico e Martha criaram a Fundação Stickel, e a casa da R. Henrique Martins foi incluída na dotação inicial da Fundação. Desde então ela vem sendo alugada, gerando renda para a Fundação.

O Restaurante Roanne em São Paulo foi criado em 1986 pelo “chef” Claude Troisgros, que já tinha um restaurante no Rio de Janeiro, sendo inquilino da Fundação neste imóvel.

A sociedade mudou posteriormente de mãos e passaram a ser sócios o “chef” francês Emmanuel Bassoleil e a empresária carioca Vania Ferreira Fontana. Durante muitos anos o Roanne foi um dos famosos, caros e bem frequentados restaurantes de culinária francesa de São Paulo. Em 1993, Bassoleil foi reconhecido como o chef do ano, e o Roanne ganhou sua terceira estrela no Guia Quatro Rodas.

No início dos anos 2000 os sócios se desentenderam e o restaurante começou a decair. Lá pelas tantas os aluguéis foram escasseando, pararam de pagar o IPTU, contas de água, luz, etc… até que o restaurante fechou e o imóvel foi abandonado pelos inquilinos.

A Fundação não recebeu as chaves e ficou sem acesso ao imóvel. Contatos amigáveis com o fiador Emmanuel não progrediram e a Fundação se viu obrigada a iniciar os competentes processos judiciais. Finalmente em 2008, depois de muitas tentativas, a Fundação recebeu as chaves e pudemos fazer a vistoria do imóvel acompanhados dos advogados de ambas as partes e dos peritos judiciais.

Deu vontade de chorar, a casa encontrava-se totalmente vandalizada, destruída, cheia de infiltrações e vazamentos, furos no telhado, em péssimo estado.

Sou um firme adepto da máxima: “Melhor um mau acordo que uma boa briga” e tentei inúmeras vezes, sem sucesso, um contato com o Emmanuel, afim de chegarmos a um acordo, pois haviam aluguéis não pagos, danos ao imóvel, contas não pagas, etc… configurando considerável prejuízo financeiro, além do imóvel destruído.

Enquanto isso, nossa lenta justiça foi trabalhando, as responsabilidades apuradas, os danos dimensionados, e, treze anos depois o processo judicial finalmente chegou ao fim. Através de um advogado conhecido de ambas as partes, que intercedeu, Emmanuel finalmente aceitou um acordo e no dia 12 Junho 2017 foi colocado o ponto final no processo, com o recebimento pela Fundação de uma indenização.

No dia seguinte, 13 junho 2007, enviei ao Emmanuel uma bela garrafa de champagne francês Taittinger, com o seguinte bilhete:

“Prezado Emmanuel,
Recebemos ontem a parcela final do nosso acordo, encerrando definitivamente o longo processo judicial.
Quero lhe garantir que de nossa parte não sobra nenhum ressentimento, e que desejo que possamos voltar a conviver como amantes da gastronomia e dos bons vinhos.
Santé!”

Não houve resposta do Emmanuel.

O sofrimento de todos os envolvidos e o desperdício de tempo e dinheiro que este processo provocou é algo que jamais deveria acontecer, ainda mais com uma instituição do Terceiro Setor, que já tem por sua própria natureza incontáveis preocupações.

Enfim, melhor um mau acordo que uma boa briga sempre foi o meu lema, bola pra frente!


Repetiu-se aqui em São Paulo a mesma sina de Campos do Jordão. Vendemos o imóvel e lá se instalou um salão de beleza.

é isso, por fernando stickel [ 10:57 ]

conselho fundação stickel


Última reunião de 2022 dos Conselhos Curador e Fiscal da Fundação Stickel em sua sede na Vila Olímpia.
Da esq. para a direita, eu, Alexandre Dórea Ribeiro, Sandra Pierzchalski, Marcia Kalvon Woods, Rosangela Santos, Arnaldo Halpern, Vitor Urner, Miriam Miranda Costa, Valdir Mafra.

é isso, por fernando stickel [ 9:53 ]

dia de doar

Chegou o grande dia de manifestar sua solidariedade! O Dia de Doar é hoje, 29 novembro!

A nossa causa é transformar a vida das pessoas através da arte. Entre no site da Fundação Stickel e doe hoje! Ou ainda faça um Pix: 61002937/0001-90 Compartilhe suas doações com a #diadedoar e inspire outras doações! ?

O Dia de Doar é um movimento para promover a generosidade. É uma mobilização que promove um país mais solidário, por meio da conexão de pessoas com causas. E faz isso celebrando o prazer que é doar, e o hábito de doar o tempo todo.

Hoje o Brasil inteiro se mobiliza pelo Dia de Doar: milhares de organizações estarão preparadas para receber doações, e milhões de brasileiros demonstram seu apoio, doando e tornando pública a doação compartilhando a hashtag #diadedoar nas mídias sociais.


A sua doação muda mundos!

é isso, por fernando stickel [ 9:38 ]

faleceu rochelle costi

Com a fotógrafa Rochelle Costi em 2016, em frente aos trabalhos dos alunos no curso “Espaço, Espesso, Espelho” promovido pela Fundação Stickel no CEU Paz, no qual ela foi a educadora.

Rochelle Costi, parceira da Fundação Stickel e minha amiga, faleceu hoje aos 61 anos de idade, vítima de atropelamento. Muito triste e trágico, estou chocado. Desejo que a querida Rochelle esteja bem e em paz, e que sua família consiga superar esta perda trágica.

Este espaço com marcas de uma estante na parede era o quarto do meu irmão Neco na casa da R. dos Franceses, onde a família Stickel morou até um ano após o falecimento do meu pai Erico em 2004.
Contei para a Rochelle da existência da nossa casa na R. dos Franceses, na época estava fechada, aguardando venda. Por ser tombada, a venda era particularmente difícil, o que deu bastante tempo à família para desmontar e esvaziar a casa.
Rochelle e eu visitamos a casa, e ela perguntou o que iríamos fazer com as estantes, disse a ela que se interessasse poderia levar embora, e assim foi, algum tempo depois ela me enviou a foto da estante já instalada em sua casa na R. Livreiro Saraiva no Pacaembu.

Estante instalada na casa de Rochelle Costi em uma configuração diferente de seu local original, no quarto do meu irmão Neco na R. Dos Franceses.

é isso, por fernando stickel [ 9:20 ]

desenho e gravura

A Fundação Stickel acaba de entregar os certificados de conclusão do curso gratuito “Desenho e Gravura” a 20 alunos de Merien Rodrigues e seu projeto Itinero Grapho. Merien estreou como educadora da Fundação na Escola Condessa Filomena Matarazzo em Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo.

O projeto é particularmente interessante porque a Merien vai ao local das aulas com Akalangakamaleoa, uma Kombi equipada como atelier de gravura!!!

é isso, por fernando stickel [ 11:45 ]

baravelli 80

Trabalhar com pessoas inteligentes é bom, colocar em ação o que foi combinado com objetividade é melhor ainda, e quando você junta inteligência, criatividade e pragmatismo no mesmo pacote aí fica bom demais!

É o caso da exposição BARAVELLI 80 que criamos a partir de uma ideia da minha mulher Sandra, em parceria com o artista Luiz Paulo Baravelli, a Fundação Stickel e a Galeria Marcelo Guarnieri, para homenagear o aniversário de 80 anos do artista e seus 57 anos de carreira profissional (1965-2022).

Eu tive o privilégio de conhecer o Baravelli em 1968 no Cursinho Universitário, me preparando para o vestibular de arquitetura. De lá para cá meio século se passou, e nós continuamos firmes nas nossas paixões, criando com o mesmo entusiasmo de 50 anos atrás uma nova exposição de ARTE!

Vamos mostrar didaticamente no Espaço Fundação Stickel, 57 trabalhos do artista, expostos em sequência cronológica, proporcionando aos espectadores uma experiência imersiva na mente privilegiada e multifacetada de um artista muito ativo e produtivo, cuja obra é ao mesmo tempo fascinante e surpreendente!

A Fundação Stickel focará nesta exposição o educativo, pois o formato idealizado pelo artista se presta exatamente para este fim, privilegiando o entendimento do processo de trabalho do artista.

é isso, por fernando stickel [ 16:28 ]