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3º setor

história da fundação stickel 11

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 11

Ao final de 2007 a Fundação Stickel operava seu projeto social, “Mulheres de Talento”, na Freguesia do Ó e prosseguia na pesquisa sobre a Escola Brasil:, realizando exposições de arte, publicações e apoio a artistas, através de novas parcerias, como o Museu de Arte Contemporânea de Campinas – MACC e a associação Carpe Diem.

Na área social novas parcerias como o “Dia de Fazer a Diferença”, com a Fundação Alphaville e o “Programa Ação Família”, com a Prefeitura do Município de São Paulo, na Paróquia São José Operário no Jardim Damasceno, Zona Norte de São Paulo.

Avanços estruturais aconteceram, com a realização do primeiro Planejamento Estratégico e a criação de uma nova Identidade Visual.

O arranque inicial de renascimento da Fundação exigiu de mim e da Sandra enorme mobilização de esforços, pois navegávamos as desconhecidas águas do Terceiro Setor, e eu senti agudamente a necessidade de me qualificar melhor para este novo mundo. Pesquisei e descobri o MBA em Gesta?o e Empreendedorismo Social na FIA-CEATS, sob coordenação das Profas. Dras. Rosa Maria Fischer e Graziella Comini, no qual me inscrevi e iniciei as aulas na 5ª Turma, em março 2008.

Frequentar o MBA, conhecer meus colegas, todos envolvidos em empreendimentos do Terceiro Setor, os professores, palestrantes, as visitas a diversos projetos, tudo isso foi de fundamental importância no meu amadurecimento nesta nova área. Chegado o momento do TCC, meu trabalho foi “As Fundações Familiares no Brasil, a Motivação dos Instituidores no Momento da Instituição, sua Evolução” onde analisei 8 fundações familiares, e para tanto entrevistei instituidores e dirigentes destas fundações, conquistando neste processo um rico network.

A entrevista com a presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Regina Vidigal Guarita, foi particularmente importante, pois além de me atender com muita generosidade, ela me colocou em contato com o superintendente da fundação, Marcos Kisil, que me ampliou ainda mais o conhecimento do Terceiro Setor, me apresentando o IDIS-Instituto para o Desenvolvimento do Investimento, que acabou por assumir papel importante no desenvolvimento da Fundação Stickel, inclusive por promover o curso “Foundation School”, que eu realizei em 2011 na Itália e a Sandra em 2013 na Inglaterra.

é isso, por fernando stickel [ 10:44 ]

história da fundação stickel 10

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 10


Exposição de fotos de Juan Esteves “Presença” no Espaço Fundação Stickel 7/11/2006

Eu conhecia muito bem o mundo das artes e da cultura, onde a “nova” Fundação Stickel começava a atuar, entre 2005 e 2006 criamos o Espaço Fundação Stickel e lá realizamos 11 mostras e lançamos 7 livros, com muito sucesso, mas faltava algo, eu sabia que precisávamos avançar na área social.

Sem experiência na área, me sentia ao mesmo tempo curioso e inseguro sobre como iríamos incluir esta atuação social no novo modelo da Fundação e para me informar comecei a frequentar congressos e encontros do Terceiro Setor, que pudessem lançar luz sobre estas questões.


Primeira reunião do Conselho Curador, 31/10/2006

Simultaneamente prosseguia a busca pelas certificações, como o registro de Utilidade Pública Federal e a inscrição no conselho Municipal Assistência Social – COMAS. Este último nos informou que a inscrição só seria possível se tivéssemos um projeto social próprio, Agnes e Lobato me indicaram a consultora Marilena Flores Martins, com a qual me reuni e a conversa foi mais ou menos assim:
-Marilena, precisamos de um projeto social.
-Em qual área?
-Não sei, não entendo nada disso…
-Vou pensar e fazer uma proposta.

Logo recebi dela a proposta “Mulheres de Talento”, cujo foco era o atendimento social e profissionalizante de jovens mães solteiras da Vila Brasilândia, bairro da Zona Norte de São Paulo, que naquela época, 2006/2007 era o bairro de pior Índice de Desenvolvimento Humano – IDH da cidade.

Decidimos que o mergulho na área mais carente e problemática da cidade seria uma maneira inequívoca de abraçar a causa social e decidimos prosseguir com o projeto, alugamos um imóvel e a Sandra mais uma vez se dedicou voluntariamente ao projeto e à obra de reforma de um sobrado na R. Candida Franco de Barros.


Sandra Pierzchalski tocando a obra de reforma do sobrado em 26/4/2007


O “Atelier Bichinho”, mini creche para atendimento das crianças


Sandra supervisiona a construção da horta


Atendimento das jovens mães solteiras

Uma equipe foi contratada, incluindo uma assistente social, e em agosto 2007 foi inaugurado o projeto “Mulheres de Talento”, lá as moças recebiam atendimento social e profissionalizante gratuito, incluindo oficinas de arte, enquanto seus filhos eram atendidos em uma mini-creche no andar de baixo, com jardim e horta. Logo e seguida obtivemos a inscrição no COMAS e a Utilidade Pública Federal.

Com o surgimento do projeto social próprio, as ajudas monetárias pontuais a outras instituições foram sendo progressivamente desativadas.

é isso, por fernando stickel [ 18:12 ]

história da fundação stickel 9

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 9


Sandra na obra da R. Ribeirão Claro, 5/8/2005

No início de 2005 meu estúdio na R. Ribeirão Claro – Vila Olímpia, estava vazio e à venda, mas necessitava ainda de processo burocrático de regularização no Registro de Imóveis, foi aí que Sandra teve uma ideia brilhante:
– Enquanto aguardamos a regularização, vamos fazer uma galeria de arte lá, proveitamos apenas o galpão principal e blindamos o restante.
Concordei e cedi gratuitamente o imóvel à Fundação, Sandra iniciou o projeto arquitetônico da reforma.


A nova iluminação do Espaço Fundação Stickel

Em agosto começamos a obra de reforma do imóvel na R. Ribeirão Claro, e logo precisei decidir sobre a iluminação da nova galeria. Lembrei do estúdio do Baravelli nos anos 70, que misturava lâmpadas quentes e frias, obtendo uma excelente qualidade de luz, liguei para ele e fui visitá-lo na Granja Viana. Ele me recebeu com a simpatia costumeira, conversamos sobre as lâmpadas e ele perguntou:
– Pode fazer exposição lá?
– Sim, por que?
– Tenho uma exposição pronta…
Do dia desta conversa até a inauguração do Espaço Fundação Stickel com a exposição “Série Arte e Ilusão” de Luis Paulo Baravelli em 15 de outubro, decorreram exatos 15 dias!


Vernissage da exposição de Baravelli, inaugurando o Espaço Fundação Stickel em 15/10/2005


Exposição Himalayas, abertura em 13/9/2005

Em setembro havíamos realizado a exposição “Himalayas” com fotos de Franklin Nolla e aquarelas de Nando Rocco no Empório Siriuba, espaço da minha irmã Sylvia.

Simultaneamente iniciamos, na área de projetos, uma pesquisa sobre a Escola Brasil:, instituição de ensino de arte pioneira e informal dos anos 70, criada por Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende, ex-alunos de Wesley Duke Lee, que deixou um legado fantástico. Uma equipe de pesquisa foi montada sob a coordenação da Prof. Dra. Claudia Valladão de Mattos, e os pesquisadores Maria do Carmo Couto e Andre Tavares.

Editamos pela Fundação em novembro 2005, o livro “COMO ANDA A COR – Trabalhos de Cassio Michalany” lançado na Galeria Raquel Arnaud, simultaneamente à exposição do artista.


No estúdio do Wesley, Claudia (no detalhe), Andre, Maria do Carmo, eu e Wesley, em 2/12/2005

Em dezembro visitamos o estúdio de Wesley Duke Lee com a equipe de pesquisa do projeto Escola Brasil:, gravamos uma entrevista em vídeo e eu tirei muitas fotos, de repente Wesley me disse assim:
– Li muito durante a minha vida, me considero erudito, mas estou tendo dificuldade de acessar as informações…
Era o prenuncio da demência que levou o artista à morte em 2010.

é isso, por fernando stickel [ 18:00 ]

história da fundação stickel 8

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 8

No primeiro semestre de 2004, após a aprovação da família Stickel para o meu projeto de reativação da Fundação Stickel, com foco em arte e cultura, várias coisas se sucederam.


Escritório da Fundação na Trav. Newton Feitoza

A Fundação ainda totalmente inativa, dividia o espaço de uma casinha de vila na Travessa Newton Feitoza com o escritório do meu pai. Então foi necessário separar a pessoa jurídica (Fundação) da pessoa física (Erico, meu pai recém falecido). Arquivos, móveis, obras de arte e objetos foram assim apartados. O único funcionário da Fundação começou a trabalhar nos trâmites burocráticos da reativação, e logo criamos o domínio e o site da Fundação na internet.

Imbuído do firme propósito de transformar a Fundação Stickel, em uma instituição exemplar do Terceiro Setor, contratei a seguir os gestores Agnes Ezabella e João Lobato para me ajudar a ressuscitar a Fundação em seus aspectos legais, cuidando das exigências burocráticas que eram e continuam gigantescas, obter certificados a nível municipal, estadual e federal, credenciamentos diversos, normas contábeis, relatório SICAP, etc…


Família Stickel no escritório da Fundação

Eu agia nesta fase pioneira com vários chapéus, de Presidente do Conselho de Curadores, CEO, Contador, Administrador Geral, Coordenador de Projetos, etc… e me dividia entre o escritório da Fundação na Travessa Newton Feitoza, e o meu estúdio de artista plástico na R. Nova Cidade – Vila Olímpia, que começou a receber algumas reuniões de trabalho da Fundação.


A casa da Fundação na R. Brigadeiro Jordão

Em junho 2005 recebi um telefonema de Campos do Jordão dando conta que a casa da Fundação na R. Brigadeiro Jordão tinha sido invadida.
Viajei imediatamente e encontrei um cenário desolador, o imóvel depredado, portas e janelas quebrados, muito lixo espalhado, até uma fogueira tinha sido acesa dentro da casa… A Prefeitura de Campos do Jordão, comodatária, simplesmente abandonou o imóvel que havia recebido em comodato gratuito de 20 anos, sem uma única notificação. Tomei as providências necessárias para a segurança do imóvel e na sequência processamos a Prefeitura por perdas e danos. O processo correu, longo como sempre, a Fundação o venceu e muitos anos depois recebemos uma indenização pífia. Como a nova missão da Fundação não tinham mais conexão com a cidade, vendemos o imóvel, encerrando a fase pioneira em Campos do Jordão.


Utilizando o jornal do dia para marcar a data, 19 junho 2005

é isso, por fernando stickel [ 13:36 ]

história da fundação stickel 7


Stickel Heim

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 7

A atividade filantrópica da família Stickel não ficou restrita apenas à Fundação Stickel.

Em 1974 meus pais Martha e Erico doaram à Sociedade Beneficente Alemã – SBA, na comemoração do Sesquicentenário da Imigração Alemã 1824-1974, um pavilhão para uso de idosos denominado “Stickel Heim”, com 12 quartos, sala de estar, copa e terraço. O projeto arquitetônico foi do arquiteto Salvador Candia, em cujo escritório eu trabalhava na época, e a construção ficou a cargo da Wysling Gomes.


Placa comemorativa afixada ao prédio


No dia da inauguração, eu, meu pai Erico, Iris Di Ciommo, minha mãe Martha e o arquiteto Salvador Candia

As Aldeias Infantis SOS Rio Bonito, inaugurada em 1980, foi uma iniciativa de quatro casais de amigos, Peter e Scholy Mangels, Karin e Eckard Essle, Marta e Hans Von Heydebreck e meus pais, que doaram o terreno sobre o qual se ergueu a Aldeia, meu irmão Roberto executou o projeto arquitetônico.


Os fundadores das Aldeias SOS Brasil, meus pais são os últimos à direita

Em 1995 eu iniciei ajuda à Creche O Semeador, como descrito no capítulo 6.

A primeira oportunidade de fazer algo na área das artes surgiu em em 1998, quando alguém me procurou para ajudar na finalização do catálogo da exposição “Private Light / Public Light” do artista Mischa Kuball, representante da Alemanha na 24ª Bienal de São Paulo, o que fiz já com recursos da Fundação.

Em 2002, meu pai, com a solidariedade de minha mãe, doou ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo – IEB os cerca de quatro mil volumes de sua “Pequena Biblioteca Particular”. Esta biblioteca foi a base do estudo e pesquisa que meu pai realizou durante 30 anos, com a intenção de escrever um dicionário bibliográfico da iconografia brasileira, trabalho coroado com o lançamento de seu livro “Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil” no dia 29 março 2004, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Foi talvez o dia mais feliz da vida do meu pai.

Em 2004, no início da revitalização da Fundação, estabelecemos algumas ajudas pontuais a outras instituições, e, assim a ajuda à Creche O Semeador saiu do meu cuidado pessoal e foi transferida para a responsabilidade da Fundação, iniciamos uma ajuda à Associação Minha Rua Minha Casa, da qual fui conselheiro, e também voltamos a ajudar a Sociedade Beneficente Alemã – SBA.

é isso, por fernando stickel [ 15:23 ]

história fundação stickel 6


Auto Posto Interlaken, na Av. Interlagos

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 6

Quis o destino que em 1995 eu fosse sócio e gerente de um posto de gasolina, quando uma amiga me pediu para criar uma “caderneta” das despesas de gasolina do Fusca do Sr. Wilson, que gerenciava a “Creche O Semeador” no Jardim Roschel em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo.

Depois de um tempo eu assumi as despesas da “caderneta” do meu próprio bolso. Estreei assim na filantropia cerca de 30 anos atrás, sem muita consciência de estar dando meus primeiros passos no Terceiro Setor.


Wilson, Fátima e eu na creche O Semeador

Em 2001, minha namorada Sandra tinha uma equipe de obra, que por vezes ficava ociosa. Nestes momentos enviávamos, alguns rapazes à Creche, que ficava em área rural com muitas cobras, para fazer um mutirão de limpeza do terreno, roçar mato, recolher lixo, etc… até uma horta criamos. Um dos rapazes desta equipe, o Marco, hoje com 44 anos, continua a trabalhar conosco. E assim Sandra também estreava no Terceiro Setor.

No início de 2004 assisti a uma palestra e comecei a conversar com uma senhora sentada ao meu lado, seguiu-se um diálogo mais ou menos assim:
– Vocês têm uma Fundação?
– Sim, mas está paralisada.
– Prestem atenção que vocês poderão perdê-la.
– Por que?
– O Código Civil mudou, agora a Curadoria das Fundações pode intervir em fundações paralisadas, como a de vocês, destituir diretoria e o conselho e destinar o patrimônio para outra fundação.

Levei o assunto para um almoço de família e perguntei o que desejavam fazer com a Fundação. Meu pai, com 84 anos e doente opinou que deveríamos encerrá-la, minha mãe o acompanhou, e assim fizeram meus três irmãos. Neste momento, eu, tomado de algo que não sei descrever, talvez coragem, clareza, loucura ou sei lá o que, levantei a mão e exclamei:
– Eu cuidarei da Fundação! Vou reativá-la, mas quero que ela trabalhe também com arte e cultura.
Ao final de uma breve negociação todos concordaram com minha proposta, e assim iniciou-se o renascimento da Fundação Stickel. Um novo estatuto foi redigido, e algumas semanas antes de falecer em 25 dezembro 2004, meu pai o assinou o novo estatuto. Em 31 dezembro 2004 a Fundação completou 50 anos de idade.


Marco Antonio, Agnes e Fátima na horta da creche O Semeador


Família Stickel em julho 2004

é isso, por fernando stickel [ 13:52 ]

história da fundação stickel 5


A casa 1 da vila, do lado esquerdo

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 5

Em 1991, por insistência da minha família, preocupada com as consequências do Plano Collor, principalmente a queda dos aluguéis, fui trabalhar com meu pai, uma aventura arriscada, mas necessária, o meu novo local de trabalho era uma aprazível casinha de vila, que unia o escritório do meu pai Erico e os arquivos da Fundação, que continuava inativa.

Nas primeiras semanas de trabalho me dediquei a conhecer a gestão do patrimônio familiar, quando um belo dia abro uma gaveta do escritório e encontro uma pilha de cautelas, documentos em papel tamanho A3, algumas muito sofisticadas graficamente. Pergunto ao meu pai o que eram, e ele me diz que eram os investimentos da Fundação. Ensina o dicionário: “Cautela é um título fornecido por sociedades anônimas a seus acionistas, e no qual se mencionam as ações subscritas pelos últimos.”


Uma cautela

Comentei que haviam maneiras mais eficientes de gerir uma carteira de investimentos, e que seria uma boa ideia submetê-las a uma gestão profissional. Meu pai tinha um relacionamento antigo com o Banco Itaú, levamos as cautelas ao Itaú Private, recém-criado, e assim surgiu assim o Fundo Patrimonial da Fundação.
Tomei também conhecimento dos imóveis da Fundação, entre eles uma casa na R. Henrique Martins, alugada para o restaurante Roanne, do “chef” Claude Troigros.


Conhecendo os problemas

Algum tempo depois, em 1997, meu pai decidiu, aos 77 anos de idade, renunciar ao cargo de Presidente do Conselho, e me indicou para substituí-lo. Eu já conhecia a necessidade de escriturar o livro de atas com as reuniões do Conselho de Curadores, mas encarei o convite como uma oportunidade de simplificar e introduzir eficiência. Como condição para assumir o novo posto solicitei que os cerca de 40 conselheiros fossem todos dispensados, e que o novo Conselho fosse composto apenas pela nossa família. Assim foi feito, não sem dificuldades burocráticas, porque vários conselheiros eram falecidos…

A segunda condição foi a redução do nome para Fundação Stickel, o que também foi feito. E assim, aos 49 anos de idade assumi a Presidência da Fundação Stickel, com um Conselho Curador composto de 6 membros, meus pais, eu e meus irmãos. Um novo estatuto foi redigido, incorporando estas mudanças.

é isso, por fernando stickel [ 12:07 ]

história fundação stickel 4


O livro de atas da Fundação Stickel

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 4

Nas décadas de 50 e 60 a Fundação Beneficente Martha e Erico Stickel provia serviços de assistência social e de saúde em Campos do Jordão. A única fonte de informação desta época que sobreviveu foi o livro de atas das reuniões do Conselho Curador, manuscrito pelo meu pai.

Indicações das atividades nesta época residem apenas nas memórias… lembro de ouvir meu pai dizer assim: – Vou alugar a casa do Guarujá para fulano, ele vai pagar o aluguel para a Fundação, ou ainda: – Jamais trabalhe no Estado! Funcionário público só atrapalha!

Lembro ainda de meu pai relatar em meados da década de 70, com muito desgosto, que estava reduzindo as atividades da Fundação, pois os agentes públicos não o deixavam em paz. Eram fiscalizações, autuações por descumprimento de normas, reclamações, multas, gerando nele profunda frustração. Ele dizia: – Vocês (o governo) estão achando que faço tudo errado? Então vou me retirar.

De fato, o estado regulava tudo, inclusive os serviços sociais. A Legião Brasileira de Assistência LBA criada em 1942, tinha um propósito limitado de fornecer assistência às famílias dos militares brasileiros lutavam no exterior. Foram criados o Instituto Nacional de Previdência Social INPS, instituição previdenciária brasileira em 1966, o Programa Nacional de Alimentação e Nutrição materno-infantil em 1972, o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1974, culminando com o Ministério da Previdência e Assistência Social em 1977.

Os efeitos danosos da excessiva regulamentação e burocracia que infelizmente tão bem conhecemos no Brasil, se fizeram sentir fortemente no ser pragmático que era o meu pai.
As atividades foram diminuindo, uma breve incursão por Ilhabela SP se encerrou e por volta de 1980 as atividades fundacionais cessaram por completo, a casa sede em Abernéssia foi cedida para a Prefeitura de Campos do Jordão em comodato gratuito de 20 anos, para a instalação de uma biblioteca infantil.

Apenas o livro de atas continuava em ação, exigindo agora as assinaturas de dezenas de membros do Conselho, um pesadelo logístico! A burocracia do Terceiro Setor era assim servida, e a Fundação continuava legalmente viva, sob os cuidados de um contador.


Legião Brasileira de Assistência – LBA


Familia Stickel nos anos 50

é isso, por fernando stickel [ 16:30 ]

danilo blanco


Danilo Blanco, eu, minha mãe Martha e Sandra Pierzchalski

Abertura da exposição de Danilo Blanco, CADEIRAS, JANELAS E RAIOS DE SOL com curadoria de Rubens Fernandes Júnior, no Espaço Fundação Stickel.


Em primeiro plano o curador Rubens e sua esposa Paula.


Igor Damianof, Lucas Cruz e Marco Antonio Ribeiro

O conjunto de cadeiras expostas surgiu de uma ideia de Danilo ao observar artesãos que circulam pelas ruas e praças do centro de São Paulo. Com o objetivo de valorizar o trabalho desses artistas anônimos, ele encomendou a construção das peças, a partir de um simples briefing: “faça uma cadeira” mostrando com a mão o tamanho de cerca de 10 cm, “que tenha quatro pernas, assento e encosto”.
Individualmente, cada uma das peças se apresenta de maneira distinta, mostrando o potencial criativo despertado pelo pedido do artista, que não interferiu no processo e nem limitou os artesãos. As cadeirinhas foram construídas com formas, traços e materiais diferentes, transformando este simples objeto do cotidiano em arte.
Assim, Danilo idealizou mais uma ação colaborativa, como já fez em outras parcerias com a Fundação Stickel na construção dos murais públicos oriundos das nossas oficinas de marchetaria, instalados nos terminais Palmeiras – Barra Funda e Vila Nova Cachoeirinha. A marchetaria, por sinal, é a principal linguagem do artista e ele traz, paralelamente e de forma complementar às cadeiras, novos trabalhos com seus desenhos geométricos e abstratos, além das peças de um dominó gigante.

é isso, por fernando stickel [ 17:20 ]

história fundação stickel 3


Martha e Erico Stickel em Campos do Jordão

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 3

Em 1944 Erico João Siriuba Stickel (1920-2004), meu pai, servia o Exército na Cavalaria do CPOR em São Paulo, e lá era instrutor do meu tio Ernestinho, ficaram amigos e Ernestinho convidou Erico para passar um fim de semana em Campos do Jordão, na casa da família recém inaugurada em 1941. Lá conheceu a irmã de Ernestinho, Martha, que relata ter se apaixonado imediatamente ao conhecer Erico.

Erico e Martha namoraram, noivaram e o casamento ocorreu em 6 janeiro 1947 na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo na R. Helvetia, Campos Eliseos, com recepção na casa dos pais da noiva na R. dos Franceses, Bela Vista. A noiva passou a usar o nome do marido, Martha Diederichsen Stickel, minha mãe.

Ernesto Diederichsen, meu avô, industrial e empresário estava à frente de seu tempo, tinha sua atenção voltada para o bem estar dos seus empregados, criando muito antes que as leis o obrigassem, creche, ambulatório, gabinete médico, escola primária, cinema e biblioteca em suas empresas, que incluíam indústrias têxteis, comércio de café, adubos e forragens, óleos vegetais, hotel e outras atividades.

Ernesto internou-se aos 71 anos de idade no Hospital Santa Catarina em São Paulo para uma cirurgia de próstata. A operação correu bem, ele se recuperava sentado, lendo o jornal no quarto do hospital quando sofreu uma embolia pulmonar, falecendo no dia 20 outubro 1949.

Com a ausência de Ernesto na direção do Grêmio Bernardo Diederichsen, meus pais decidiram assumir o trabalho social, e assim as atividades seguiram por dois anos, quando meu pai resolveu em 1951 transformar o Grêmio na Associação Beneficente Martha e Erico Stickel. Os trabalhos evoluiram, quando em 31/12/1954 a Associação foi transformada na Fundação Beneficente Martha e Erico Stickel.

Erico e Martha doaram bens para a criação do Fundo Patrimonial da Fundação, destinado a sustentar suas atividades. Um dos imóveis do Fundo Patrimonial se transformou na sede da Fundação, era uma casa na esquina da R. Brigadeiro Jordão com a R. Dr. Reid, em Abernéssia. A casa foi equipada para atendimentos à população carente, com serviços de puericultura, gabinete dentário, médico, raio-x, serviço social e ambulância.


Martha em frente à casa da família


A casa da família Diederichsen em Campos do Jordão


Sede da Fundação Stickel em Abernéssia

é isso, por fernando stickel [ 8:28 ]

história da fundação stickel 2


Abernéssia nos anos 40

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 2

Maria Elisa (Lili) Arens Diederichsen (1883-1973) e Ernesto Diederichsen (1878-1949), meus avós, proprietários de terrenos em Campos do Jordão, planejam a construção da casa de veraneio da família. Havia no terreno um lago, acima dele foi o local escolhido para a construção da casa. Um trator Case vermelho foi adquirido, equipes contratadas e o movimento de terra se iniciou, abrindo-se as estradas de acesso e o platô onde se ergueu a casa.

Por força das obras, Lili e Ernesto frequentavam mais a cidade e estreitaram a convivência com a comunidade local, tomando contato com a dramática situação da saúde e pobreza no município. Famílias paupérrimas afluíam à cidade para tratamento de tuberculose, internando-se nos inúmeros sanatórios da região, prevalecia ainda a terapêutica baseada no tratamento higieno-dietético, que acreditava na cura do doente submetido a condições favoráveis, como boa alimentação, repouso e o clima das montanhas, com exposição ao sol.

As famílias dos internados, sem recursos e sem opção, acabavam por se abrigar em pensões ou favelas. Esse cenário de extrema carência sensibilizou meus avós, que começaram a suprir as necessidades mais urgentes, principalmente das crianças, distribuindo mantimentos, cobertores, remédios e agasalhos em geral. Esta iniciativa se consolidou em 1946 na criação do Grêmio Bernardo Diederichsen, sob direção do Reverendo Oswaldo Alves e com a colaboração do meu tio Luiz Dumont Villares (1899-1979), que havia se tornado sócio do meu avô na construção do Hotel Toriba, inaugurado em 1943.

O nome do Grêmio, homenageava o filho primogênito Bernardo Frederico Diederichsen (1904-1928), falecido precocemente aos 24 anos de idade, vítima de choque elétrico. Recém formado engenheiro eletrotécnico na prestigiosa escola EHT Zürich na Suíça, ele estava em seu primeiro emprego no Banco do Brasil em São Paulo. Vestia um guarda-pó branco e trabalhava em um rádio, com uma chave de fenda no bolso do guarda-pó, inclinou-se sobre o rádio e a chave de fenda encostou em uma fonte de alta voltagem, fulminando-o instantaneamente.
Em seu bolso da calça carregava seu primeiro salário.
Minha mãe Martha tinha apenas um ano de idade, e lembra de conviver toda sua infância com sua mãe Lili vestida de preto, em luto fechado.


Bernardo Frederico Diederichsen


Diploma de engenheiro elétrico

é isso, por fernando stickel [ 8:31 ]

poster contest

Quem já não foi ao cinema e ficou observando os cartazes dos filmes em exibição, ou daqueles que entrarão em cartaz? De repente até decidindo assistir algo por conta do poder de persuasão deste tradicionalíssimo meio de comunicação.

O cartaz tem esse poder de captar a nossa atenção, despertar nossa curiosidade, seja pela mensagem, seja pela beleza gráfica, muitos deles verdadeiras obras de arte.

Cartazes tem sido utilizados em todo o planeta para divulgar mensagens de forma visual e impactante. em todas as áreas imagináveis, publicidade, arte, política, religião, esportes, saúde, educação, etc…

Atenta ao potencial do cartaz, tanto como arte quanto como poderosa ferramenta de comunicação, a Fundação Stickel promoveu em 2023 o concurso POSTER CONTEST – ARTE TRANSFORMA, com curadoria de Carlos Perrone, pensando em trazer um novo olhar ao tradicional concurso de cartazes.

O POSTER CONTEST marca, não apenas, a nossa entrada no universo do design gráfico, como também o início das comemorações do aniversário de 70 anos da Fundação Stickel.

Você é nosso convidado para o evento de abertura, venha descobrir os 30 projetos gráficos selecionados por um júri de 7 especialistas da área, entre os 100 projetos submetidos, incluindo o Prêmio Aquisição e os seis destaques.

Exposição Poster Contest – Arte Transforma
Abertura – sábado, 17 de fevereiro, das 11h às 16h
Espaço Fundação Stickel
Rua Nova Cidade 195 – Vila Olímpia
Catálogo disponível

Membros do júri:
Carlos Perrone; Iris Di Ciommo; José Renato Maia; José Roberto DÉlboux; Marcelo Pallotta;, Sandra Pierzchalski; Tadeu Costa


Visão da exposição

é isso, por fernando stickel [ 7:57 ]

maria villares – flor e pedra

Abertura da exposição de pinturas “Maria Villares – Flor e Pedra” com minha curadoria, no sábado 11 novembro 2023 no Espaço Fundação Stickel.


Visão geral da vernissage


Maria Villares, Chris e Diana Potter


Ivo Mesquita, Maria Alice Milliet e Helena Carvalhosa


Martha Stickel, Sandra Pierzchalski, Maria Villares e eu.


Ricardo Prado Santos, João Roberto Rodrigues, eu, Bassy Machado, Luiz Fernando Rocco


Gilda Mattar, Alexandre Dórea Ribeiro, Alex Cerveny, Sandra Pierzchalski, Nathalie e Lucas Lenci


Maria Villares e sua filha Kita, Ana Darce e Jacqueline Aronis

é isso, por fernando stickel [ 8:56 ]

maria villares na fundação


A fachada do Espaço Fundação Stickel recebe tratamento especial.

No próximo sábado 11 novembro das 10 às 16h abriremos no Espaço Fundação Stickel, na R. Nova Cidade 195 – Vila Olímpia, a exposição de pinturas “Maria Villares – Flor e Pedra” com minha curadoria.

Minha carreira de curador de arte não existiu até hoje como tal, nunca dei maior destaque a este mister, mas, assim como nunca deixei de ser arquiteto, designer gráfico, artista plástico ou fotógrafo, o ofício da curadoria sempre esteve presente na minha vida artística desde os anos 70, tanto nas minhas exposições, nas exposições dos amigos e, a partir do início do meu trabalho com a Fundação Stickel em 2004, em todas as dezenas de exposições que fizemos.

Em algumas exposições me permiti assinar a curadoria, como “A Trama do Gosto”, na Bienal de São Paulo em 1987, onde apresentei um espaço intitulado “Natureza Morta Limitada”; na exposição “Retratos Eriçados” de Maciej Babinski em parceria com Agnaldo Farias no Espaço Fundação Stickel em 2019, e agora assino a curadoria da exposição “Maria Villares – Flor e Pedra”, para a qual escrevi o texto a seguir.

MARIA VILLARES Flor e Pedra

Flor e pedra. Claro e escuro. Quente e frio. Pele e osso. Vermelho e azul.

A obra de Maria Villares é extensa e longeva. Seu universo pictórico é labiríntico e habitado por seres sem rosto. Mas eles estão ali, silenciosos, observando, e comandando o espetáculo.

Conhecer suas pinturas é como passear por dentro de uma caverna, com uma lanterna na mão, descobrindo imagens fascinantes que brotam da escuridão, uma hora usando uma lupa, outra hora se aproveitando de um raio de sol bandido intrometido na escuridão. Pode-se também pensar em utilizar um periscópio, ele te revelará mais algumas imagens surpreendentes…. Mas, o que está fazendo esta flor aqui???!!! Assim é a pintura de Maria Villares.

Maria não busca os holofotes, mas a solidez da disciplina, coerência e permanência. Seu trabalho atravessa os anos sem interrupção, uma coisa fluindo para outra coisa, por vezes inclinada à gravura, por vezes à cerâmica, mas mantendo sempre o norte do desenho. Sim, o desenho comanda seu destino e sua arte, esta verdade permanente transparece nesta série de pinturas executadas ao longo de mais de duas décadas.

As pinturas de Maria não se revelam por completo, elas são discretamente generosas ao fornecer pequenas pistas ao arqueólogo de plantão que queira mergulhar em espaços desconhecidos à procura de flores ou outras iguarias no Jardim das Delícias de sua obra. Tal qual os peixes luminosos do abismo, flores crescem em locais proibidos…
Fernando Stickel
Outubro 2023


Maria Villares e seu armarinho de referências.


Montagem da exposição


O planejamento da expografia

é isso, por fernando stickel [ 7:15 ]

cidade invertida

A Fundação Stickel é especialista em levar arte e cultura gratuitamente a populações sem acesso a estes bens, fundamentas à cidadania. Fazemos isso através de cursos na periferia de São Paulo, exposições de arte, lançamento e doações de livros, etc…

As visitas educativas às nossas exposições são ferramenta fundamental neste processo, acabamos de utilizá-la em nosso Espaço Fundação Stickel, na Vila Olímpia, com a visita guiada à exposição “A Cidade Diante dos Meus Olhos”.

Utilizando vans, e uma boa integração entre as equipes responsáveis, trazemos alunos de nossas escolas parceiras na periferia de São Paulo, para realizar atividades com a equipe da Cidade Invertida, coordenada por Ricardo Hantzschel. 

Seu símbolo de referência é um trailer adaptado para operar, principalmente, como câmera obscura e laboratório fotográfico. Todos os alunos realizam fotos analógicas com câmeras “pin-hoje”, o processo é lúdico e extremamente interessante e didático.

As escolas beneficiadas são:
– Crescer Sempre de Paraisópolis.
– Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste.
– Escola Estadual Comendador Mário Reys em Itaquera.
– Associação Alessandro Zarzur – FAZ no Real Parque, Zona Sul

A Fundação Stickel está sempre em busca de novos parceiros que acreditem na nossa missão, e possam colaborar na manutenção de nossas atividades.

é isso, por fernando stickel [ 9:54 ]

leonardo da vinci


E. E. Comendador Mário Reys

A Fundação Stickel promoveu a visita educativa de alunos de suas instituições parceiras à exposição “Os Mundos de Leonardo da Vinci” no Shopping Morumbi, organizada em parceria com a Visual Farm, que trouxe à vida as ideias geniais do mestre renascentista em um espetáculo de projeções incríveis!

O acesso à arte também faz parte da nossa missão e, com esta atividade, queremos facilitar o contato entre os nossos públicos e os equipamentos culturais disponíveis na cidade.

– Crescer Sempre de Paraisópolis
– Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo de Ermelino Matarazzo na Zona Leste
– Escola Estadual Comendador Mário Reys em Itaquera


E. E. Condessa Filomena Matarazzo


Crescer Sempre

é isso, por fernando stickel [ 11:40 ]

humanismo


O Homem Vitruviano, c.1492, lápis e tinta sobre papel, Leonardo da Vinci, Gallerie dell’Accademia, Veneza, Itália.

Me ocorreu que nossa missão na Fundação Stickel, tudo o que fazemos tem foco no homem, no ser humano. Nossos permanentes esforços de aprimoramento da instituição focam sempre nossos atendidos, alunos e alunas. Parece óbvio, mas é fundamental esta clareza, sempre!
Somos humanistas!
O humanismo enfatiza a valorização e a dignidade da pessoa humana, promovendo a realização de seu potencial, a busca pelo conhecimento, a justiça social e a compreensão das complexidades da condição humana. Está relacionado com generosidade, compaixão e valorização dos atributos, potencialidades e realizações humanas.

Curiosamente, meus pais Erico e Martha Stickel, os instituidores da Fundação em 1954 eram apaixonados por tudo relacionado à Itália e ao Renascimento Italiano, o berço do HUMANISMO, eles conheciam profundamente o país e sua cultura, tendo viajado extensivamente por lá. O Humanismo, portanto, mesmo que de maneira não explícita, está nas raizes da Fundação.

O Humanismo foi um movimento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, uma abordagem filosófica, cultural e ética colocando os seres humanos no centro de suas preocupações. Valorizou o retorno à cultura da Antiguidade Clássica, como a base filosófica do Renascimento artístico, cultural e científico europeu. Fatores que favoreceram o humanismo a partir do século XIV:

– A migração de eruditos bizantinos: muitos procuraram refúgio na Europa Ocidental, especialmente na península itálica. Traziam com eles textos gregos e promoveram a difusão da cultura, valores e linguagem gregos.

– A prensa móvel, a invenção de Gutenberg em 1439 permitiu a produção e distribuição de livros a custo reduzido, assegurando a ampla disseminação das ideias humanistas.

– A ação dos mecenas, entre os mais importantes do renascimento italiano destacam-se os Médici de Florença, Cosimo de’ Medici (1389-1464); Lorenzo de Medici (1449-1492); e seu irmão Giuliano de Medici, ou os papas Júlio II (1443-1513) e Leão X (1475-1521).

– A criação de universidades, escolas e faculdades como Lovaina, Siena, Alcalá de Henares, Coimbra e as escolas do século XV, contribuiu largamente para a expansão do humanismo em toda a Europa.

Alguns dos pensadores, artistas e estudiosos do Renascimento europeu:

1-Francesco Petrarca (1304-1374): Frequentemente considerado o “pai do humanismo”, Petrarca foi um poeta, humanista e estudioso italiano. Ele foi pioneiro na redescoberta e no estudo das obras clássicas romanas, como as de Cícero e Virgílio. Sua abordagem de valorizar a literatura clássica e a ênfase no estudo da natureza humana foram fundamentais para a ascensão do humanismo renascentista.

2-Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494): Este filósofo italiano é conhecido por seu trabalho “Discurso Sobre a Dignidade do Homem”, que enfatizava a liberdade humana, a busca pelo conhecimento e o potencial ilimitado do ser humano para moldar seu próprio destino.

3-Leonardo Bruni (1370-1444): Um humanista italiano que foi um dos primeiros a usar o termo “humanitas” para descrever o estudo das letras clássicas. Ele também enfatizou a importância de estudar a história para entender a natureza humana.

4-Erasmus de Roterdã (1466-1536): Um humanista holandês que defendia uma educação baseada na razão e no estudo das obras clássicas. Ele criticava os aspectos dogmáticos da religião e defendia uma interpretação mais pessoal e moral do cristianismo.

5-Thomas More (1478-1535): Um humanista inglês conhecido por sua obra “Utopia”, que explorava ideias de justiça social, igualdade e governança ideal. Ele também foi um defensor da liberdade de pensamento e da crítica construtiva.

6-Desiderius Erasmus (1466-1536): Outro influente humanista holandês, Erasmus enfatizou a importância da educação e da tolerância religiosa. Ele também contribuiu para a crítica das práticas religiosas e instituições corruptas de sua época.

7-Giorgio Vasari (1511-1574): Um pintor, arquiteto e escritor italiano conhecido por seu livro “Vidas das Mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos”, que apresentava biografias de artistas renomados. Sua obra ajudou a preservar e popularizar a história da arte renascentista.

é isso, por fernando stickel [ 17:08 ]

Conheça a fundação que transforma vidas por meio da arte

KEKA CONSIGLIO
10/07/2023

Uma gota no oceano tem o poder de mudar a cor, assim como a arte tem condições de mudar as pessoas. Com esse olhar especial, a Fundação Stickel tem uma trajetória que se confunde com a história de desenvolvimento do Brasil, com muitos brasileiros precisando de ajuda. É a quinta entidade social mais antiga do Brasil. Seu foco inicial era totalmente assistencialista, ajudando crianças carentes no tratamento de tuberculose em Campos do Jordão (SP). Em 2004 começou a ser totalmente reformulada para o universo das artes e para atuar sob o lema “transformar vidas através da arte”.

Em 2012, sob comando de Fernando Diederichsen Stickel e Sandra Pierzchalski, a Fundação já estava 100% direcionada para a arte e ajustada para desenvolver ações que despertassem a curiosidade, a criatividade e o sentimento de pertencimento por meio de cursos gratuitos, palestras, publicação de livros e exposições. Sua missão é transformar a sociedade brasileira por meio da arte, com ética, transparência e respeito aos processos de aprendizado. A jornada da inclusão sociocultural é trabalhada para despertar novos potenciais em jovens e adultos para que se tornem agentes de transformação.

A paixão de Fernando pelo universo artístico começou em casa, com seu pai, Erico João Siriuba Stickel, um dos maiores colecionadores de arte do Brasil. Entre as milhares de obras de seu acervo, Erico adorava o Abaporu, o quadro mais importante da arte brasileira, pintado em segredo por pintora Tarsila do Amaral (1886-1973) para presentear o seu marido da época, o escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Abaporu acabou virando símbolo de tudo o que o modernismo queria dizer, tendo a antropofagia, no sentido de absorver a cultura europeia, dominante na época, e capaz de transformar em algo nacional.

Nos anos 1960, Tarsila vendeu o quadro para Pietro Maria Bardi (1900-1999), fundador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Menos de um mês depois, Bardi revendeu a pintura para o colecionador Erico Stickel (1920-2004). Fernando teve contato com o quadro Abaporu durante 20 anos, entre as décadas de 1960 e 1980. A pintura ficava no escritório de seu pai. Para ele, viver ao lado do Abaporu por um longo período tem importância folclórica, dada a proporção de relevância alcançada pelo quadro. Em 1984, o galerista Raul Forbes comprou o quadro por US$ 250 mil, na maior aquisição de uma pintura brasileira. Em 1995, Forbes decidiu leiloar Abaporu na famosa Christie’s, em Nova York. Recebeu US$ 1,35 milhão do empresário argentino Eduardo Constantini pela obra, que está exposta em grande destaque no Museu Malba.

Colecionador de arte, bibliófilo e estudioso da Iconografia Brasileira do Século XIX, Erico Stickel conviveu desde cedo com a biblioteca herdada de seu tio-avô Johann Metz (1861-1936) depois enriquecida por seu pai Arthur Stickel (1890-1968), à qual adicionou sua própria coleção. Paciente dedicado, dedicou mais de trinta anos ao trabalho de catalogação das primeiras obras de registro dos primórdios do Brasil como nação. A coleção Martha e Erico Stickel faz parte do acervo do IMS, no Rio de Janeiro, desde 2008. Reúne cerca de 1.500 obras que retratam o Brasil desde o século XVI (em cartografia) até o século XIX (em paisagens e registros do cotidiano feitos por artistas viajantes). As obras estão agrupadas em fólios, encadernadas em álbuns ou como peças avulsas, compreendendo gravuras, desenhos, aquarelas e manuscritos. Merecem destaque os trabalhos de Von Martius, Franz Frühbeck, Araújo Porto-Alegre, De Martino, Marguerite Tollemache, Johann Moritz Rugendas, Frederico Guilherme Briggs, Eugéne Cicéri, Iluchar Desmons, Luiz Schlappriz, Jan Frederik Schütz, Karl Wilhelm von Theremin, Carlos Linde e muitos outros.

O botânico e antropólogo alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), que é a maior referência de estudo da flora no Brasil, está presente na Coleção Stickel com um conjunto de 78 desenhos em grafite sobre papel, alguns com retoque de nanquim, que serviram de base para litografias. Os três anos em que viveu no Brasil, de 1817 a 1820, pesquisando principalmente na Amazônia, registrando sua flora e as cidades por onde passava, marcaram por muito tempo a produção de Von Martius. O acervo reúne também as principais obras do Brasil da época, com sua paisagem exuberante e o modo de vida de seus habitantes, assim como registros da época de D. Pedro II, da Batalha de Itororó e da Guerra do Paraguai. O Rio de Janeiro desse período está em duas aquarelas assinadas por Henry Chamberlain, as seis gravuras de Alfred Martinet e duas gravuras de Frederic Haguedorn, com a enseada de Botafogo e a entrada da Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar.

A Fundação Stickel hoje desponta como uma das principais iniciativas em prol da arte no Brasil. A partir da herança cultural deixada pelo pai, Fernando foi impactado pelas artes visuais desde cedo e seguiu o caminho artístico durante toda a sua vida. A arte sempre foi o norte da vida de Fernando, que se graduou em arquitetura pela USP e partiu para as artes plásticas, além de ter atuado como fotógrafo e professor.

Muitas comunidades são beneficiadas por seu trabalho com educadores especializados em música, história da arte, estamparia, grafite, xilografia, mosaico, gravura, marchetaria e escultura. Nos últimos anos, 18 mil pessoas foram beneficiadas por atividades educativas, 9 mil alunos participaram de cursos e 33 publicações sobre arte foram produzidas. Além disso, mais de 130 mil pessoas visitaram as exposições organizadas pela Fundação.

Agora, a novidade é o Projeto Investidor Cultural, desenvolvido e idealizado em conjunto com a Angatu Private, um Multi Family Office que tem entre seus sócios Fernando Hormain, um dos maiores apoiadores da iniciativa, que visa captar recursos para a promoção das atividades artísticas da Fundação Stickel. Doadores recebem um selo e uma obra criada por um dos jovens ou adultos beneficiados pela entidade para incentivar a continuidade do apoio financeiro aos diversos projetos de incentivo à cultura. Pode-se adotar um aluno, um curso ou realizar uma doação financeira. “A ideia é plantar uma semente em todos e mostrar que é possível transformar a sociedade a partir da arte”, explica Fernando. O movimento tende a crescer e a incentivar, também, pessoas a doarem parte do Imposto de Renda anual para os projetos apoiados pela Fundação. “É possível destinar 6% do valor anual a ser pago para causas que realmente irão transformar a vida de muitos jovens que vivem em situações extremas”, diz.

Essa coluna é dedicada a Fernando Hormain, sócio da Angatu Private Banrking e um dos idealizadores do Projeto Investidor Cultural.

é isso, por fernando stickel [ 14:29 ]