
Ao longo da minha carreira de artista plástico fui solicitado inúmeras vezes a doar meus trabalhos, fosse para o acervo de museus como o MAM ou a Pinacoteca, fosse para leilões beneficentes e outras causas. Sempre concordei, sempre doei.

Ao longo da minha carreira de artista plástico fui solicitado inúmeras vezes a doar meus trabalhos, fosse para o acervo de museus como o MAM ou a Pinacoteca, fosse para leilões beneficentes e outras causas. Sempre concordei, sempre doei.
Lá no final dos anos 80 e começo dos 90 eu frequentava o delicioso restaurante de massas Da Fiorella, na Rua Bernardino de Campos, no Brooklin Paulista.
O restaurante foi criado em 1976 pela minha amiga Mara Baldacci, irmã da Vera, e fechou em 1995. Muito charmoso e decorado com centenas de desenhos, gravuras, vários deles de autoria dos amigos da casa, entre eles, eu.
As toalhas das mesas eram de papel, e invariavelmente eu desenhava alguma coisa. Anos atrás a Mara me enviou as imagens de alguns destes desenhos, que adorei rever, obrigado!!

Jade Gadotti assina este desenho comigo

Meu ex-aluno de desenho Naji Ayoub está expondo seus trabalhos em Santos, SP.
A Pinacoteca Benedicto Calixto recebe, a exposição “Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura”, dentro da programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca. A mostra com curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho reúne obras recentes do artista e propõe ao público uma imersão na pintura como processo, marcada pela relação entre gesto, matéria e cor.
A exposição integra a programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca, uma ação cultural realizada pelo Ministério da Cultura com patrocínio da Ecovias, Instituto Rumo, Rumo, Brasil Terminal Portuário (BTP), MSC, MEDLOG e G. Pierotti. A iniciativa da Fundação Pinacoteca Benedito Calixto tem direção executiva de Leila Gazzaneo e produção executiva de Fábio Luiz Salgado.
Pinacoteca Benedicto Calixto – Av. Bartolomeu de Gusmão 15 Boqueirão – Santos SP
Terça a domingo, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Informações: (13) 3288-2260 | WhatsApp: (13) 9 9171-4553
Instagram: @pinacotecabenedictocalixto


Eu na obra do saguão
Em 2004, a convite da minha amiga Sylvia Moreira, arquiteta responsável pela projeto da obra de retrofit da Galeria Olido na Av. São João, sede da Secretaria Municipal de Cultura, fiz durante vários meses uma consultoria informal no projeto, abordando principalmente cores e acabamentos de várias salas de espetáculos, paredes, portas, poltronas, forros, etc… O projeto original do edifício data de 1957, autoria de Domício de Almeida.
Doei também a minha obra Branca, que foi instalada na recepção da Galeria Olido.






Participei em novembro 1980 do I Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura e realizado na Fundação Bienal de São Paulo, no Ibirapuera.
Enviei três trabalhos sobre papel, dimensões 22,5 x 180 cm. produzidos no início 1980.
O secretário de cultura na época era Antonio Henrique da Cunha Bueno, e o júri de seleção e premiação composto por Paulo Chaves, Lourdes Cedran, Sheila Leirner e Ivo Zanini.
A história da vida destes trabalhos:
Você rasou: Participou do Salão, depois doei para Iris, que por sua vez doou para meu filho Antonio.
Sivas: Participou do Salão, depois doei para Rachel.
Astrodome: Participou do Salão, depois passou pela Galeria Paulo Figueiredo em 1982, e finalmente dei de presente no casamento dos meus amigos Luciana e Otávio.



Participei do leilão “Pratos para a Arte III”, em 22 agosto 2000, promovido pela Associação Cultural Amigos do Museu Lasar Segall, no Galpão Eva Modiano. O leiloeiro foi Antonio Maschio.
Fui convidado a participar por Sonia Matarazzo e Eliane Fagundes, do Atelier Barro Blanco, lá realizei o meu prato, foi muito interessante e gostoso, novos tipos de tintas e depois ver a peça queimada, pronta!
Sandra Pierzchalski arrematou meu prato!


O convite

Sandra e eu, felizes!
Em 2001 aluguei durante o mês de dezembro o Espaço Virgílio em Pinheiros, SP, onde expus minhas pinturas e desenhos. A exposição teve o título de FERNANDO STICKEL – PINTURAS E DESENHOS, o vernissage foi no dia 29/11/01.
Neste espaço posteriormente funcionou a Galeria Virgílio, naquela época um grupo de artistas gerenciava o espaço, e inclusive o alugava.
Sou adepto deste tipo de solução alternativa, pois muitas vezes negociar uma exposição com as galerias de arte pode ser uma tarefa insanamente longa, cansativa e frustrante.
Pude desta maneira organizar a exposição da maneira que eu achei correta, com dois grupos de desenhos, um recente só de nus, e um “histórico” com trabalhos antigos, e também um grupo de pinturas recentes.

Este trabalho intitulado BRANCA doei posteriormente à Prefeitura de São Paulo, e foi exposto na inauguração da Galeria Olido, em 10 Setembro 2004.

Champagne!



Participei da exposição “A Ordem em Questão” na Galeria de Arte UFF (Universidade Federal Fluminense) em Niterói RJ em abril de 1986, com a pintura “Memories of the past/Memories of the present, realizada em New York em 1985, acrílica sobre tela, 56 x 392 cm.
A curadoria da exposição foi de Luiz Sérgio da Cruz de Oliveira, com texto crítico de Marcio Doctors, e os participantes foram:
Adriano de Aquino, Eduardo Sued, Fernando Borges, Fernando Stickel, Gerardo Villaseca, João Grijó, Nelson Augusto, Paulo Roberto Leal, Rachel de Almeida Magalhães, Ronaldo do Rego Macedo.

O convite

Nosso cãozinho da raça Jack Russell, Jimmy Hendrix, relaxa no tapete que criei.

Meus amigos Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi criaram nos anos 80 a Companhia dos Tapetes Ocidentais, e me convidaram a criar um tapete para a exposição “13 Tapetes Ocidentais” na Paulo Figueiredo Galeria de Arte em São Paulo, vernissage em 27 agosto em 1987.
Os 13 artistas convidados para a mostra foram:
Antonio Lizarraga, Antonio Peticov, Carlos Alberto Fajardo, Claudio Tozzi, Dudi Maia Rosa, Esther Grinspun, Fernando Stickel, Gilberto Salvador, Guto Lacaz, Ivald Granato, Takashi Fukushima, Tomie Ohtake, Wesley Duke Lee
A partir do meu projeto a Companhia criou dois tapetes, um em lâ, e o outro em acrílica. Os dois adornam minha casa hoje em dia, com ligeira diferença de cor.

Participei do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela FUNARTE, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) em dezembro 1985.

Os três trabalhos, denominados Zinc Paroles, Bristol Panamarenko e Brasil Brezil são pinturas em acrílica sobre tela, em chassis dimensionados, 56 x 392 cm. executados em 1985
Quando morei em Nova York em 1984/1985 produzi lá vários trabalhos em papel, na primeira fase da minha estadia na Clinton Street, na sequência na 18 Street produzi também pinturas em tela.
Recebi de amigos o edital de convocação do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, me interessei em participar e produzi três telas de grandes dimensões.
Em um almoço antes da minha viagem eu havia conhecido uma restauradora de nome Jade Gadoti, trocamos endereços e viajei para Nova York. Com as telas prontas, jeans em 1985 eu precisava montar um esquema para produzir os chassis no Brasil, esticar as telas, e enviá-las ao Salão no MAM Rio de Janeiro.
Consultei a Jade expliquei o problema e ela se dispôs resolver a questão, pedi ajuda também para meu pai Erico, que providenciou pagamentos, etc… Faltava o transporte das telas de Nova York para São Paulo, foi aí que entrou em ação meu amigo Paulo Herkenhoff que se dispôs a levar as telas, bem enroladas elas faziam um volume razoável, ainda assim ele topou.
Tudo funcionou, os chassis complexos ficaram perfeitos, a entelagem também, e assim participei da exposição à distancia. Obrigado Jade, Paulo e Papai!


Ferderico Morais escreve sobre o Salão.

Participei do II Salão de Artes Visuais de Rio Claro com três desenhos em 1982, promovido pela Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, no Centro Cultural de Rio Claro.
A comissão de seleção e premiação foi composta por Alberto Beuttemmuller, Casemiro Xavier de Mendoça, Fabio Magalhães, Ivo Zanini e Paulo Chaves.

Participei com desenhos intitulados Animula, Pundit e Audit, na foto acima, lápis de cor e esmalte sobre papel, 26 x 182 cm. 1982

“Branca” grafite, lápis de cor e esmalte s/ papel s/ tecido s/ painel de madeira e instalação elétrica com 26 lâmpadas 25W e dimmer
180 x 450 cm 1985

Capa do catálogo
Participei com o meu trabalho “Branca” do 9º Salão Nacional de Artes Plásticas Sul, promovido pela FUNARTE no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS em Porto Alegre em outubro de 1986, minha amiga e também artista plástica Ana Alegria me ajudou em todo o processo de montagem. Na sequência o trabalho foi exposto na minha exposição individual na Galeria Virgílio em 2001.

“Branca” no saguão da Galeria Olido, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura, de São Paulo

“Branca” no saguão da Galeria Olido

Sandra Pierzchalski e Agnaldo Farias, curador da mostra inaugural, em frente ao trabalho Aurora de Carmela Gross
Doei a obra Branca à Secretaria Municipal de Cultura em Fevereiro 2004, por ocasião da comemoração dos 450 anos da Cidade de São Paulo e da inauguração da Galeria Olido.
A inauguração da galeria foi na sexta-feira, 10 setembro 2004 às 19:30h. Discursos intermináveis, muita gente, tumulto, barulho, tudo isso faz parte.
O importante, para mim, é que o trabalho que doei à Secretaria Municipal de Cultura ficou impecávelmente instalado no saguão de entrada, conforme projeto feito conjuntamente com a arquiteta Sylvia Moreira.
As cores dos ambientes e detalhes de acabamento que determinei também ficaram perfeitos. Esta é a enorme satisfação profissional.

Carta ao Secretário de Cultura, Celso Frateschi

Três desenhos, pastel sobre papel, 26 x 160 cm. executados em 1980

Participei do IV Salão Nacional de Artes Plásticas promovido pela FUNARTE no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-RJ em novembro 1981.
A comissão de Seleção e Premiação foi constituída por Amilcar de Castro, Anna Letycia Quadros, Aracy Amaral, Frederico Morais, Ítalo Campofiorito e Walmir Ayala.
O Salão aceitava desenho, gravura, pintura, escultura e “Propostas” que seriam instalações. Participei com três desenhos, intitulados Vessel, Nasser e Hippodroma.

Fui convidado a participar da exposição “UMA VIAGEM DE 450 ANOS” comemorando o aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, com curadoria de Radha Abramo e colaboração da AICA – Associação Internacional dos Críticos de Arte, da ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, e da APAP – Associação Profissional dos Artistas Plásticos de São Paulo.
SESC Pompéia de 20/01 a 14/03/2004 Rua Clélia 93
As obras participantes da exposição foram confeccionadas a partir de um mesmo suporte, malas baratas de chapa de madeira, representando a quantidade de migrantes que participaram da construção da cidade tal qual é hoje. Os artistas trabalharam em cima do suporte idêntico para todos, com as mais diversas técnicas.

O convite

A mala fechada

A mala aberta

As ferramentas e as peças desmontadas
Terminei o trabalho da mala para o SP 450. Raríssimas vezes um trabalho meu teve começo meio e fim tão rápido, tão redondo e com resultado tão bom. Tive clareza desde o primeiro minuto do partido do trabalho, desmontar a mala e reconstruí-la. Os acidentes de percurso, que sempre acontecem, foram para o bem, e o trabalho acabou no lucro. Fiquei contente porque é uma maneira auspiciosa de iniciar o ano.
A maioria dos artistas simplesmente abriu a mala e colocou algo lá dentro, sendo as fotos e os espelhos os recheios favoritos, ou então fechou a mala e pintou algo nela.
Sendo absolutamente imparcial, posso dizer que cerca de 10 trabalhos são interessantes, e entre eles está o meu, o único pendurado na parede.
È curiosa ainda a discrepância entre o edital, que impunha a única limitação aos trabalhos, cujo peso não deveria ser superior a 5 kg, e a realidade de dezenas de trabalhos expostos com peso flagrantemente superior ao limite. Então, fica a pergunta aos organizadores:
-Para que se dar ao trabalho de elaborar um edital que destina-se a não ser respeitado?
Entre outros, participaram da exposição os artistas:
Amélia Toledo
Antônio Peticov
Caciporé Torres
Cássio Vasconcelos
Cláudio Tozzi
Cléber Machado
Domício Machado
Fernando Durão
Fernando Stickel
Gregório Gruber
Hudinilson Jr.
Iatã Canabrava
José Roberto Aguilar
Lúcia Py
Margot Delgado
Maria Bonomi
Maria Villares
Odette Eid
Percival Tirapelli
Regina Rennó
Rodolpho Parigi
Rubens Gerchman
Sandra Tucci
Vera Sabino

Em 2002 recebi pelo correio o Projeto Inserções da artista plástica Sandra Cinto, propondo: “Faça um desenho e envie para alguém” Adorei, sempre gostei muito de arte postal/mail art!
O que é o Projeto Inserções?
O Inserções foi um programa curatorial experimental (anos 2000) que convidava artistas a criar ações simples, replicáveis e abertas, muitas vezes sem objeto final fixo, enfatizando:
-Processo em vez de resultado
-Circulação em vez de exposição
-Participação em vez de contemplação
Nesse contexto, a obra de Sandra Cinto funciona mais como instrução poética do que como objeto artístico tradicional.
Levei a sugestão ao pé da letra, fiz 10 desenhos pequenos e enviei para 10 amigos, recebi os A.R. da entrega postal, não recebi retorno de ninguém.
Waltercio Caldas
Sandra Cinto
Paulo Herkenhoff
Marcos Weinstock
Angelica de Morais
Vera de Sá
Katia Canton
Emanoel Araújo
Carlos Fajardo
Agnaldo Farias



Participei do 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea no Pavilhão da Bienal de São Paulo no Ibirapuera em 1986, com três pinturas de grandes dimensões (59 x 413 cm.), acrílica sobre tela, ralizadas em New York em 1985.

A Secretaria de Estado da Cultura, promotora do Salão, era ocupada por Jorge da Cunha Lima, no governo de André Franco Montoro.

As instruções totalmente analógicas

Nesta esquina de uma das alamedas de acesso ao Parque Lage no Rio de Janeiro iniciava-se a minha Instalação AZ, com a qual participei da exposição “Como Vai Você Geração 80?” no Parque Lage em 1984.

A localização do Parque Lage na Rua Jardim Botânico é única, enfiada na floresta, tem o Cristo Redentor logo ali em cima, é maravilhoso!

Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, no Rio de Janeiro, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
Exposição: “Como vai você, Geração 80?”
Recebi em junho 2003 o seguinte e-mail:
Prezado Fernando,
Meu nome é Caroline Buttelli, sou estudante do 9º semestre de Design na Universidade Luterana do Brasil ULBRA, em Canoas, RS.
Estou cursando uma disciplina de História da Arte Brasileira, na qual estou desenvolvendo um trabalho em grupo sobre a Geração 80 de Pintores. Gostaríamos de fazer uma entrevista por e-mail a respeito dessa manifestação artística, para incluirmos em nossa pesquisa. O objetivo dela é saber qual a visão dos próprios pintores acerca da Geração 80.
E esta foi minha resposta:
Caroline,
Participei da exposição coletiva “Como vai você, Geração 80”, no Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ em 1984, quase que por acaso. Soube por amigos que os convites para participar estavam sendo feitos, mexi meus pauzinhos e fui convidado nos últimos instantes pelo curador Marcus Lontra.
Naquela época eu namorava a Helena, uma carioca, e passava bastante tempo no Rio de Janeiro. Fui ao Parque Lage e decidi que o meu trabalho seria feito ao longo de uma das alamedas de acesso do parque, a céu aberto. Apresentei meu projeto, uma instalação chamada “AZ”, que foi aprovado. Consegui o patrocínio de oito pessoas amigas, que financiaram o meu trabalho. Cada um dos patrocinadores recebeu, ao final do evento, uma colagem com fotos do trabalho realizado. Não participei de nenhum “grupo” chamado “Geração 80”, portanto este meu depoimento é individual. Tentando responder objetivamente às tuas perguntas:
1) Qual a relação entre a sua arte produzida nos anos 80 e o momento de abertura política pelo qual o Brasil estava atravessando? Existiu alguma relação?
– Os artistas são as antenas da raça, disse Ezra Pound. Então, para um artista antenado, tudo é política. No meu caso esta atitude não transparesce necessáriamente na minha obra, que não carrega slogans nem bandeiras, o que não quer dizer que eu não tenha carregado bandeiras, como a das “diretas já”, “fora collor” ou “stop the war”.
2) Alguns críticos de arte dizem que os anos 80 geraram as piores obras do século XX. Qual a sua opinião a respeito?
– Bullshit. Alguém se lembra de algum nome destes tais críticos? Alguns dos participantes da Geração 80, no entanto, tem hoje projeção mundial. Como em todas as exposições coletivas com grande número de artistas, olhando-se para os participantes quase 20 anos depois, nota-se uma grande maioria que sumiu, e alguns poucos que ganharam notoriedade. É sempre assim. 100 anos depois serão lembrados apenas aqueles de grande projeção. Já os críticos…
3) Com a liberdade artística pregada pela Geração 80, como você e os demais artistas escolhiam seus temas, já que tudo era permitido?
– Tudo sempre foi permitido. Vide Marcel Duchamp e sua obra “Fountain” de 1917. Liberdade artística sempre existiu, mesmo nos países e regimes mais totalitários a arte teima em florescer.
4) Os anos 80 marcaram a volta da pintura, que estava em baixa nos anos 70. Quais eram os ideais artístico da Geração 80?
– Eu sempre desenhei, pintei, fiz colagens, fotografei, escrevi, etc…, sem conexão direta com os anos 70, 80 ou 90. Meu ritmo de trabalho é muito irregular, e independe dos modismos e suas épocas.
5) Muitos artistas dizem que os anos 80 foram prósperos em termos financeiros, existindo uma grande procura pelas obras de arte. Qual a sua impressão a respeito disto?
– Por ter um ritmo de trabalho muito irregular, minha relação com o mercado nunca foi boa. Nunca fui um artista que “vende bem” (infelizmente…)
6) Como o conceito de Transvanguarda se aplicou à Geração 80 de Pintores?
– Não sei.
7) Quais os artistas internacionais que serviam de inspiração para ti e para a Geração 80, se é que existiram?
– Para mim foram e continuam sendo Matisse, Duchamp, Beuys. Para a Geração 80 não sei.
8) Quais as suas impressões gerais a respeito da exposição “Como vai você, geração 80?”, realizada no Parque Laje em 1984?
– A exposição foi um evento altamente energético, mágico, excitante, apinhado de gente, realmente marcante. Meu trabalho foi vandalizado e três dias após a inauguração já não existia mais.
9) Se pudesse selecionar uma obra sua que fosse a melhor representante dos conceitos da Geração 80, qual seria?
– A obra que lá foi exposta:
Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
10) Na sua opinião, qual a diferença básica entre a arte produzida hoje e a arte dos anos 80?
– A utilização maciça de novos meios técnicos digitais, fotografia, vídeo, computação, etc…

Inês Sadalla me convidou em 1988 para participar de uma exposição coletiva em sua galeria, com o tema da Reserva Ecológica da Juréia.
O grupo de artistas selecionados fez uma excursão à Reserva, dormimos lá, acompanhados do biólogo, fotógrafo e ambientalista João Paulo Capobianco, na época Presidente da Associação em Defesa da Juréia, foi uma experiência maravilhosa!

Situada no litoral sul de São Paulo, entre Peruíbe e Iguape, a reserva tem 82.000 hectares

AQUI ESTÁ
AQUI FICARÁ
Meu trabalho foi uma colagem com as fotos que tirei durante a expedição à reserva Reserva Ecológica da Juréia em 1987.
Meus colegas de exposição: Aldemir Martins, Alex Cerveny, Alex Flemming, Alice Brill, Amélia Toledo, Angela Leite, Beatriz Leite, Brenda Novak, Darci Lopes, Edith Derdik, E. Granero, Fernando Stickel, Francisco Faria, Genilson Soares, Gilberto Salvador, Gilda Mattar, Glauco Pinto de Moraes, Gregório Gruber, Guta Oliveira Santos, Guto Lacaz, Heinz Budweg, Jeanete Musatti, Maria Victória Granero, Mário Ishikawa, Norma Grinberg, Odair Magalhães, Ricardo Levy, Rubens Matuck, Sylvía Motta, Thais Gasparinetti, Tomoshige Kusuno, Ubirajara Ribeiro, Zé Pedro
A exposição se realizou na Sadalla Galeria de Arte em junho 1988 na R. Estados Unidos 367 em São Paulo. Na abertura teve a projeção de um documentário, com palestra de Amyr Klink e Fabio Feldman.

Capa do catálogo