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Posts tagueados ‘new york’

martha e o dry martini

Minha mãe Martha e meu pai Erico estavam em New York nos anos 70 e foram assistir na companhia dos amigos cariocas Sonia e Jorge Diehl ao Die Dreigroschenoper, peça com música de Kurt Weill e letra de Bertolt Brecht, em algum teatro Off-Broadway.

Em frente ao teatro havia um bar, onde os amigos tomaram um dry-martini antes do início da peça.

Minha mãe, já durante a performance começou a passar mal, e meu pai saiu do teatro em busca de um sanduíche, cuja ingestão colocou tudo nos devidos lugares.

é isso, por fernando stickel [ 8:11 ]

nyc 1985


É um prazer receber a notícia que um trabalho que você fez há exatos 35 anos atrás está bem e cumprindo seu papel!


Na casa da Claudia Gnemmi em Ilhabela um desenho que fiz quando morei em New York em 1985, e que foi exposto na Galeria Susanna Sassoun na exposição NYC 85 em 1986.

é isso, por fernando stickel [ 8:24 ]

casino russe


Meus tio Luiz Dumont Villares tinha negócios com a Westinghouse, e Mr. Falinsky, de origem russa, era o contato na empresa.
Jantando no Casino Russe, o casal Leonor e Luiz, minha mãe Martha com 19 anos, e o casal Falinsky.

Transcrição do cartão:

Jantar à convite do casal Falinsky no “Casino Russe”dia 31/5/46
Quanto a, passarmos fome aqui, peço consultarem os nossos pratos.
Não estão com água na boca? Abraços
Luiz
Leonor
Martha

Sobre o Casino Russe:
The third establishment reviewed by Iles Brody in the April Gourmet was the Russian-themed nightclub Casino Russe at 157 West 56th Street, run by and contiguous with the Russian Tea Room. It had been a favorite with New York’s emigre population, the Carnegie Hall crowd and cosmopolitans since the 1930s. Showing off his worldliness, Brody compared the night spot with the cabarets of southern Russia as well as with the Russian-themed supper clubs that had been all the rage in Paris just before the war. In his current best seller, Arch of Triumph, novelist Erich Maria Remarque made one of the Russian clubs of Paris a favored haunt of his protagonist. Remarque, who was living in New York in 1946, frequented Casino Russe, one of his “headquarters” in the city along with “21,” Le Pavillon and El Morocco. The food was Russian as was the entertainment. Brody wrote that the house cocktail was vodka, apricot brandy, cherry brandy and lemon juice, although he preferred his vodka straight with a sprinkle of pepper and a slice or two of unpeeled cucumber as they did it in Russia. The 40-man kitchen staff also prepared food for the Russian Tea Room, which had a different menu. Shows were at 8:30 and 12:00. When Brody visited the entertainers included a flame eater/dagger dancer, a chanteuse and a violinist. Dinner and floor show were $3.50. The drinks were good, he said, but the wine list was meager. He noted the existence of the Baghdad Room, off from the main dining room and away from the floor show.

é isso, por fernando stickel [ 9:21 ]

de pessoas e suas influências


Frederico Nasser e eu, na festa de noivado com Maria Alice Kalil, 1970

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais e mais um pouco, tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, à sua estrutura biológica original, os aprendizados e as circunstâncias, as encrencas e os lugares, os amores e as paixões, as amizades, as viagens, os livros que leu e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos eventualmente cometidos e me terás. Vou tentar explicar. Ou não.
Deixemos que as minhas memórias falem por si, em sua lógica peculiar.

No colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo, um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e um sábio em geral. Me preparando para o vestibular de arquitetura no Cursinho Universitário em 1968, tive mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e a fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física.
Na mesma época, um amigo me falou de um curso de desenho do professor Frederico Nasser, em uma casinha de vila na Rua da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni. Procurei o Frederico e iniciamos nossas aulas.

Preciso abrir aqui um parêntese. Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente, carismática – um poderoso magneto que despertava conhecimento, provocava sede de saber e, de quebra, irradiava uma atração que amalgamou muitas pessoas em um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou de outra gravitaram em torno dele e da Escola Brasil:. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Baby Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, José Carlos BOI Cezar Ferreira, Leila Ferraz, Wesley Duke Lee, Maciej Babinski, Megumi Yuasa e muitos outros que aparecerão aqui e ali, ao longo das próximas linhas. Fecho aqui o parêntese.

Os alunos desenhavam em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local, Frederico me apresentou Marcel Duchamp, através da “bíblia” The Complete Works of Marcel Duchamp, escrita por Arturo Schwarz e publicada pela Thames and Hudson em 1969, e assim selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também o meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo dona Rene, mãe do Dudi. Não sei como eu encontrava tempo para tudo isso, cursando simultaneamente o terceiro colegial, hoje o último ano do ensino médio. Foram tempos muito ricos e intensos!
Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha um lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propôs a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de um amigo dele, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto na rua Bela Cintra. Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento todo reformado, com o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo parecendo um submarino. Achei o máximo. Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente e nos tornamos amigos desde então.
Pouco depois, passei no vestibular da FAUUSP e fui com meu colega Edo Rocha para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador, capotamos o meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas esta é uma outra história.

Em 1969, Frederico Nasser mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na rua Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém-ingressados na FAUUSP desenhavam lá também, como o Edo Rocha e Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Leslie M. Gattegno e Claudio Furtado. Enquanto desenhávamos nus femininos dentro de casa, Frederico, muito focado, pintava coisas esquisitas no pátio externo…
No segundo semestre daquele ano, Frederico organizou em um domingo de manhã uma visita de seus alunos ao estúdio do mestre Wesley Duke Lee em Santo Amaro. Entrar naquele estúdio era um privilégio, fiquei totalmente fascinado. Com sua cultura e charme inigualáveis, Wesley falou sobre muitas coisas, mas sobretudo de tecnologia e da recém-ocorrida chegada do homem à Lua, no dia 20 de julho. Inesquecível.


Nas setas vermelhas eu e Maria Alice Kalil em Cabo Frio

E veio então o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do tio Bubi e da tia Lila, promovido pelo João e a Marília Vogt. O espírito da coisa era “EU VOU!”. Ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir! (Os anfitriões não gostaram muito… mas no final deu tudo certo). Foram dias fantásticos, mais de 30 amigos e parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Minha memória acusa a presença, entre outros, dos anfitriões Bubi e Lila e dos coanfitriões João e Marilia, claro, e de Baravelli e Sakae, de Zé Resende e Sophia, de Carlos Fajardo e Renata, mais o Frederico, Dudi, Gilda, Ricardo Alves Lima, Monica Vogt, Maria Alice Kalil.

Em janeiro de 1970 Frederico Nasser, Dudi, Augusto Livio e eu dividimos um gigantesco quarto no Wellington Hotel da 7ª Avenida em Nova York para um mês de imersão no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no restaurante Automat Horn & Hardardt na Rua 57 e visita à inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970” no Metropolitan Museum of Art, inaugurando o seu Departamento de Arte Contemporânea sob curadoria de Henry Geldzahler.


A Escola Brasil: na Av. Rouxinol 51

Pouco depois, na sequência do estúdio na Rua Pedroso Alvarenga, Frederico e os amigos e colegas das artes plásticas Baravelli, Fajardo e Zé Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil, na Avenida Rouxinol, em Moema. Conhecida como Escola Brasil:, eu fui um de seus alunos no ano de abertura.


Futebol dos “pernetas”na R. dos Franceses. De costas, Baravelli.

Foi também em 1970, na quadra multiuso nos fundos da casa dos meus pais, na Rua dos Franceses, que eu e o grupo de amigos da Escola Brasil: inventamos um jogo de futebol. O mais engraçado é que, se bem me lembro, nenhum dos participantes tinha muita intimidade com o esporte bretão – sempre fui um perna de pau, isso posso garantir! Além de mim e do Neco, meu irmão, jogavam Frederico, José Carlos BOI, Cassio, Fajardo, Leslie e Baravelli. Fora os “jogadores”, também estavam lá a Sakae, mulher do Baravelli, e o filho deles, o Zé.


Capa do catálogo de Frederico Nasser para a exposição BFNR, com dedicatória. Eu estou na foto de costas, em primeiro plano.

Em agosto do mesmo ano, os incansáveis Frederico, Baravelli, Fajardo e Zé Resende realizaram a poderosa exposição BFNR 1970 no MAM Rio de Janeiro, que viria no mês seguinte para o MACUSP, no prédio da Bienal em São Paulo – eu apareço na capa do catálogo do Frederico, de quem fiz alguns retratos para esta mesma edição. Fui ao Rio para a inauguração da exposição e me hospedei “comme il faut” no apartamento da vovó Zaíra, de frente para o mar no Posto 6, em Copacabana. Foram dias deliciosos com direito a um jantar no clássico Antonio’s.

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares, sempre fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, amplos, limpos, organizados. (O mesmo fascínio e curiosidade acontecia também no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona, onde ele também dava aulas.)
Havia de tudo nos estúdios do Baravelli, até um pote com unhas cortadas… Foram muitos os espaços ao longo dos anos:
– Avenida Miruna, de 1967 a 1971;
– Rua Padre João Manoel, esquina com a Oscar Freire, de 1971 a 1974;
– Rua Pedroso Alvarenga, de 1974 a 1979;
– Rua João Cachoeira, de 1980 a 1984;
– Granja Viana, 1984 até hoje.
Pelo menos duas galerias saíram das hábeis mãos do Baravelli – a Galeria São Paulo, da Regina Boni, na Rua Estados Unidos, e a Galeria Luisa Strina, aberta em seu segundo estúdio particular, citado na lista ali em cima.
Com acesso pela Rua Padre João Manoel, uma escada levava à galeria na sobreloja. Passando por um pequeno espaço administrativo, chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira onde, logo à esquerda, o “escritório” da Luisa Strina era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras confortáveis. Sentada em seu canto, com as unhas impecavelmente esmaltadas de vermelho, ela recebia os amigos e os clientes, colecionadores, xeretas e desocupados em geral que lá ficavam papeando e, naturalmente, comprando!
Lá encontrei inúmeras vezes o meu contraparente Pituca Roviralta, um dos primeiros compradores do meu trabalho.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil e convidei o Frederico Nasser para ser meu padrinho. Durante alguns anos, Frederico frequentou assiduamente nosso apartamento na Rua Hans Nobiling. Éramos amigos íntimos, ele aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim. No apartamento de cima, sempre havia umas festas e acabamos descobrindo que lá morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei para um apartamento na Rua Tucumã, 141, e comecei a namorar a Iris Di Ciommo por volta de 1974.

No enorme apartamento na Avenida Angélica, de frente para a Praça Buenos Aires, onde morava com os pais, dona Rene e Lamartine, Dudi montou um pequeno atelier de gravura. Foi lá que ele me apresentou à técnica e eu fiz a primeira e única gravura da minha carreira ¬– me lembro bem até do dia – em 10 de agosto de 1972. Obrigado, Dudera!
Neste mesmo ano, Dudi e Gilda se casaram em uma linda festa na casa do João e Marília em Osasco.

Um dos integrantes da turma da Escola Brasil:, Xico Leão era um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso e, além de tudo, um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem e delicada, caiu nas graças do professor Frederico Nasser. Quando o namoro evoluiu para o casamento, Frederico me convidou para ser seu padrinho. Felizes com a deferência, na quarta-feira 8 de dezembro 1976 Iris e eu embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente, às oito e meia da noite, na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá, na Rua Bolívia.
O casamento se deu em altíssimo astral. Nos divertimos muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas, encontrei dona Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, e me apresentei a ela:
– D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!!
Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…
Iris e eu fomos os últimos a deixar a festa, comigo pilotando alegremente a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me de que, no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar embriagado.


Pinturas de Cassio Michalany, presente para a afilhada Fernanda.

Em 1977, nasceu minha filha Fernanda. Seu padrinho, o Cassio, a presenteou com uma tela de 15 x 15 cm, um ladrilho tecido e pintado a mão – em cada aniversário, ela ganharia mais um. Dois anos depois, nasceu o meu filho Antonio e convidei Frederico Nasser para ser seu padrinho, mas ele não pôde estar presente ao nascimento.
Na mesma época, Frederico planejava abrir uma livraria. Em uma conversa com Dudi no Guarujá , Claudinho Fernandes, que também flertava com a mesma ideia, ficou sabendo dos planos do amigo em comum e os dois acabaram se tornando sócios para abrir, em 1978, a Livraria Horizonte.
O imóvel selecionado na Rua Jesuíno Arruda, 806, quase esquina com a João Cachoeira, abrigava originalmente um açougue, mas Baravelli, o homem dos sete instrumentos, transformou o lugar em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista. A Horizonte acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, sempre uma farra com sua enorme mesa central e poltronas confortáveis completando o ambiente acolhedor. No andar de cima, Frederico tocava sua editora Ex Libris. Naquela época, eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico und – assim mesmo, com minúscula – e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.
Cerca de dois anos depois, Frederico desmanchou a sociedade com Claudinho e montou uma nova livraria a poucos metros da Horizonte, na Rua João Cachoeira, 267 – a Universo. Também com projeto do Baravelli, a execução da obra ficou a cargo do Roberto “faz tudo”, com o chão de tijolo aparente, cortado a 45 graus, dois mezaninos e janelas ilegalmente abertas para a lateral do prédio.
A Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley; o estúdio da vez de Baravelli, na sobreloja; e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados, na edícula.
Algum tempo depois, a livraria fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas, agora especializada em livros raros. Lá, Frederico continuou a operar a Editora Ex Libris, lançando em 1987 o notável O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo, edição fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.
No estúdio em cima da Universo, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam o direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes, para frear o ímpeto da turma, ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA.

Foi neste espaço que, certo dia, Baravelli confidenciou aos amigos:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
A opção foi fazer a revista Arte em São Paulo. Muito pragmaticamente, ele fez uma lista dos itens necessários e comprou:
_ Impressora;
_ Prensa de hot stamping para as capas;
_ Encadernadora espiral;
_ Estoque de papel para impressão;
_ Estoque de cartão para as capas.
Em seguida contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes de jornalismo, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981, com um texto meu sobre Cassio Michalany. O último saiu em 1985.

Entrando nos anos 1980, minha vida virou de ponta cabeça. Tomei a decisão de ser artista plástico em tempo integral, saí do escritório de design gráfico und e me separei da Iris, mudando para o apartamento da Rua dos Pinheiros.
Foi um ano estressante, trabalhoso, caótico!

A esta altura, começava a se quebrar o encanto dos anos 1970, criativos e loucos, com os contatos entre aquela grande turma de amigos se espaçando, as amizades se esgarçando, os filhos nascendo e crescendo, cada um cuidando de sua vida. Foi nessa época que Frederico Nasser iniciou um misterioso processo de se fechar para o mundo. Pouco a pouco, foi evitando o contato social com os amigos e a família, se isolando mais e mais, sem responder nem mesmo aos telefonemas. Ninguém entendia o que estava acontecendo.
Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim, o avistei caminhando na calçada oposta. Parei o carro e corri para ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico me ignorou solenemente e passou reto… Fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar totalmente alheio à minha presença…
Que Frederico Nasser era aquele?!!
Seu coração falharia definitivamente no início de 2020, aos 75 anos de idade. É sempre muito triste e difícil aceitar a perda de um amigo. O luto e a tristeza que senti naquele momento, na verdade, já vinha sentindo e trabalhando durante quase 40 anos…

Fernando Stickel,
9 de julho de 2020

Uma conjunção muito especial de fatores propiciou a sistematização destas memórias, focadas nos anos 1970, um pouco antes e um pouco depois. Em fevereiro de 2020, faleceu meu grande amigo Frederico Nasser. Em seguida, a pandemia do coronavírus e a quarentena redefiniriam o mundo como o conhecíamos.
Foi neste contexto que me voltei a arquivos fechados há muitos anos, repassando textos e a memorabilia do período para atualizar minhas memórias ¬– e este blog.
Um documento em particular atuou como poderoso catalisador de lembranças, o convite de casamento do Frederico e Marina. Foi fundamental a ajuda dos amigos em várias conversas para ajustar algumas datas, locais e nomes.
Deixo aqui um agradecimento especial para Sandra Pierzchalski, Plinio de Toledo Piza Filho, Claudio Furtado, Iris Di Ciommo, Claudio Fernandes, Mauro Lopes, Monica Vogt Marques, Luis Paulo Baravelli, Cassio Michalany e José Resende.

Fernando Stickel,
10 de outubro de 2021

Revisão do texto: Tato Coutinho

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]

nyc 85 na suzanna sassoun

fs New York 1
Foto Beatriz Schiller, New York, 1985.

Morando em New York em 1985 em um loft eu tinha espaço para produzir arte de grandes dimensões.
Já havia feito lá pinturas sobre tela de 4 metros de comprimento, e resolvi mudar o suporte, comprei um rolo de papel preto, destes que se usa em estúdios fotográficos, e pedi para minha amiga Lisa posar.

G3ô

Nesta sessão de Novembro de 1985 fiz várias pinturas grandes (na verdade são desenhos feitos com pincel e tinta). Um mês depois encerrei minha estadia em NYC e voltei ao Brasil, carregando um gigantesco rolo de trabalhos em papel, que foram emoldurados e expostos em 27 Abril 1986 na exposição “NYC 1985” na Galeria Suzana Sassoun em São Paulo.

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O convite da exposição.


Minha amiga Gilda Mattar me fotografou.


Meu amigo Baravelli escreveu um texto.

é isso, por fernando stickel [ 8:54 ]

festa para jay chiat!


Mais um achado nos arquivos…
Quando meu amigo Jay Chiat (1931-2002) me ligou de NYC em 1989, avisando que viria a São Paulo em Abril de 1990, eu disse a ele:
– Sure Jay! We’ll make a party for you!
E aí veio a tragédia do Plano Collor…
E aí o Jay confirmou a viagem!
E aí eu me vi na obrigação de honrar o meu compromisso, já que era impossível não prestigiar um homem que havia aberto todas as portas para mim quando morei em New York.
Me virei para encontrar os endereços/telefones dos mais prestigiados publicitários de São Paulo, alguns dos quais eu conhecia pessoalmente, fiz os convites citando claramente que era uma festa em homenagem ao Jay, me virei para arrumar o dinheiro necessário, e Jade e eu fizemos uma belíssima festa na R. Ribeirão Claro!!!
Para minha surpresa fui solenemente esnobado pelos tais prestigiados publicitários paulistanos, que simplesmente não apareceram, eita turminha mal-educada! Vivendo e aprendendo…
As anotações a caneta nos recortes de jornal são do meu pai Erico.

é isso, por fernando stickel [ 18:25 ]

sonia braga setentona!


Muitos anos atrás eu almoçava com minha ex Jade no Gino em New York, quando vi em uma mesa próxima Sonia Braga almoçando sozinha. Levantei-me, fui até ela, cumprimentei-a e disse:
– Sou seu fã!
Ela ficou um pouco confusa, e perguntou: – Eu te conheço?
Eu disse: – Não, sou só um brasileiro teu fã!

Parabéns pelo teu aniversário de 70 anos no dia de hoje Sonia Braga!!! Continuo teu fã, ainda mais depois de assistir ao excelente Bacurau!

é isso, por fernando stickel [ 12:21 ]

amigos em new york


Quando morei em New York em 1984-1985, fiz amizade com muitas pessoas, algumas já conhecidas do Brasil e muitas outras cuja amizade floresceu por lá e nas viagens que fiz.
Minha vida foi interessantíssima neste período, em grande parte por conta destas amizades, obrigado a todos(as):

Helena Hungria
Benjamin Patterson
Bia Cunha
Eliane Gamal
Beatriz Schiller
Claudio Elisabetsky
Susan Goodman
Santuza Andrade
Lorie Peters
Riaya Abou Ela
Debbie Seaman
Julie Mullin
Amy Mullin
Anna Carolina Destefano
Francine Ramu
David Herman
Helena Bricio
Lisa Colella
Martin Penrose
Viola Penrose
Vera Valle
Barbara Lippert
Tina Alcantara Machado
Rhonda Friedman
Monica Kowarick
Cristiana George
Lucia Guimarães
Maria Ignez Whitaker

Alguns já não estão mais entre nós…

Elisa Niccolini, falecida em 2018
Jay Chiat (1931-2002)
Keith Bright (1932-2018)
Robert Miles (Bob) Runyan (1925-2001)
Bob Dion
Vera Baldacci (1958-2016)

Infelizmente esqueci o nome de muitas outras pessoas. Sobrou apenas a memória visual, obrigado também!


Os amigos brasileiros em New York no apartamento da Santuza, se bem me lembro na East 57 Street.
Elisa Niccolini, falecida precocemente em 2019 foi minha “banqueira”no First Womens Bank, eu, Santuza Andrade e Wesley Duke Lee (1931-2010), sentada no chão Tina Alcantara Machado.

é isso, por fernando stickel [ 18:10 ]

cartão postal


Sempre gostei muito de papéis, cartas, cartões postais escritos à mão.
Nos anos 70 e 80 enviei muitos cartões feitos por mim, com colagens, desenhos, etc…
Este cartão, na verdade uma mini-pintura em acrílico, que enviei para os meus pais de New York em Janeiro de 1985, meio manchado e desbotado sobreviveu!

é isso, por fernando stickel [ 13:49 ]

sophie calle in nyc


Foto Jade Gadotti

Conheci a artista francesa Sophie Calle em New York em 1991.
Eu e minha ex-mulher Jade Gadotti ganhamos de presente de casamento do meu falecido amigo Jay Chiat (1931-2002) a estadia em um fabuloso apartamento Na East 19 Street, que ele colocou à nossa disposição. Já instalados no apartamento há alguns dias o Jay ligou e perguntou se nós poderíamos dividir o Ap. com uma amiga dele, que era a Sophie.
No problem eu disse, ela chegou e se instalou, muito discreta e estranha. Pouco a pouco entramos em contato mais íntimo, e assim se passaram umas duas semanas de convivência, pudemos conhecer melhor seu fascinante trabalho. O aspecto mais curioso de sua pessoa eram seus perfumes (excessivamente exóticos…) suas jóias, feitas de cabelos de pessoas mortas, eram tramas, bordados, fechados em pequenos ostensórios de vidro, que ela usava como broches ou anéis.
Outro aspecto interessante foi o meu primeiro contato com a informática, pois a Sophie usava uma agenda eletrônica Palm, que eu não conhecia, ela me explicou o funcionamento, me encantei e saí imediatamente para comprar na Third Av., foi o início da minha vida digital.


Minha anotação da época.


No dia 15 Março houve a vernissage do trabalho “La Fille du Docteur”na Thea Westreich – 114 Greene Street


Carriage House
No dia 16 Março 1991 houveram duas vernissages do trabalho dela na Pat Hearn Gallery – 39 Wooster St. e na Luhring Augustine – 130 Prince St., e após um jantar na lindíssima “Carriage House” do Jay na 149 East 38St. onde conheci também o famoso marchand Leo Castelli (1907-1999), já com 84 anos de idade.


8 East 12 St. New York

é isso, por fernando stickel [ 9:22 ]

marcel duchamp’s studio


Em 1985 morei em New York na rua 18 West, quase esquina com a 5ª avenida.
Eu sabia que Marcel Duchamp tinha morado ali perto na rua 11, e na página 127 do meu livro “aqui tem coisa” tem um desenho meu alusivo a este assunto.


Agora, através deste artigo, descubro o endereço exato do antigo estúdio de Duchamp na 80 East 11th Street #403, e também que o artista Serkan Ozkaya reproduziu no local a obra mais importante de Duchamp. Étant donnés: 1. la chute d’eau 2. le gaz d’éclairage (1946–1966).

é isso, por fernando stickel [ 17:21 ]

sonhei…

Sonhei que fazia parte um grupo de estudantes que iria à Faculdade de Arquitetura em Paris para uma palestra.
O grupo era uma mistura dos meus colegas da FAU-USP e do Colégio Santa Cruz.
Em um ônibus chegamos ao Campus, através de um imenso portão de ferro, que se abria sobre algo que tinha a cara da Park Avenue em New York, com as faculdades ocupando grandes prédios ao longo da avenida, e exuberantes jardins em seu centro.
Em uma longa caminhada chegamos ao prédio da Arquitetura, enorme, moderno, com muitas áreas verdes embutidas na parte de baixo de sua fachada.
Através de um pequeno elevador, muito apertado, entramos no prédio e chegamos a uma sala toda de madeira, paredes, teto e piso, onde tínhamos que sentar em uma carteira comprida para cerca de 24 pessoas 12 de cada lado. O processo para sentar era bem complicado, de encaixe, apertado. Na frente de cada lugar vários postais dos anos 40/50 com gravuras e caligrafias.
Nisto a imensa carteira começa a se movimentar e ganha enormes corredores, todos também de madeira, amplos, iluminados, muito bonitos.
Comecei a conversar em francês com uma moça vestida de short azul claro.
Percebi que em algum momento da viagem perdi minha mala cilíndrica listrada de branco e rosa…

é isso, por fernando stickel [ 13:18 ]

histórias trágicas

Por alguma curiosa razão cairam no meu colo recentemente três histórias fascinantes, localizadas em São Paulo, New York e Los Angeles.

Escritas por jornalistas investigativos, são retratos trágicos da vida urbana nas grandes cidades.

nelsonneusa
No site BRIO, SOBRE A SEDE
por Vitor Hugo Brandalise

jbell
Na revista eletrônica do New York Times, The Lonely Death of George Bell
Written by N. R. KLEINFIELD; Photographs by JOSH HANER

lam
No site Matter, American Horror Story: The Cecil Hotel
This story was written by Josh Dean, edited by Bobbie Johnson, and fact-checked by Sarah Sloat. Photographs by Daniel Shea for Matter.

é isso, por fernando stickel [ 17:23 ]

george bell & diane arbus

bell2
Photograph by JOSH HANER
The Lonely Death of George Bell – A história de uma morte solitária em New York. Aqui.

bell
Esta foto PB me lembrou o trabalho da fotógrafa Diane Arbus, poderia perfeitamente bem ser de autoria dela… inclusive pelo formato quadrado. E claro, pela história ligada a ela…

é isso, por fernando stickel [ 16:58 ]

ben & jerry

ben
Nos anos 80 morei em New York, e diáriamente mergulhava de cabeça no sorvete, com enorme alegria!
Meu gasto calórico era bem alto, andava a pé e de bicicleta diáriamente, conheci desta maneira a ilha de Manhattan de cabo a rabo, auxiliado por enormes quantidades de sorvete!
O carro chefe nos supermercados era o Haagen-Dasz, mas existiam também várias outras marcas, entre elas a de dois hippies que começaram a fazer sorvete em Vermont.
Eis que na padaria da esquina, onde almocei hoje, aparece a geladeira dos sorvetes dos hippies Ben & Jerry!!! Abençoados sejam!!!

é isso, por fernando stickel [ 13:02 ]

abaporu, telmo martino e nyc

telmo
Com sua acidez e humor característicos, o jornalista Telmo Martino (1931-2013) noticiou em sua coluna do Jornal da Tarde de 31/8/84 minha ida a New York em Setembro de 1984.

“Abaporu Foundation” é uma brincadeira com o fato de meu pai, Erico Stickel, ter vendido na época a hoje famosa tela de Tarsila do Amaral, tido como a estrela do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires – MALBA, e distribuido metade do valor da venda entre os filhos.
Eu que estava esperando o resultado de uma bolsa de estudos para me aperfeiçoar em Artes nos E.U.A. peguei o dinheiro e me mandei para New York para um ano sabático, foi o dinheiro mais bem gasto!

abaporu1
Em 2005 visitei em Buenos Aires um velho conhecido… Meu pai comprou o quadro do Bardi lá no início dos anos 60, e eu convivi com esta tela por mais de 20 anos…

é isso, por fernando stickel [ 8:41 ]

consulta com iatã cannabrava

iatas

Estive ontem no Madalena Centro de Estudos da Imagem, cujo folheto informativo esclarece:

“Uma experiência educativa através do pensar, vivenciar e olhar imagens. Um espaço para a formação e reflexão sobre o campo da fotografia, a discussão e desenvolvimento de ideias.”

Me encontrei com o fotógrafo Iatã Cannabrava para uma “leitura de portfolio”. É a segunda vez na minha carreira de artista plástico/fotógrafo que submeto meu trabalho à opinião de um expert. A primeira vez se deu quando eu morava em New York e conheci a curadora Alanna Heiss, mas esta história contarei em outra oportunidade.

A fotografia evoluiu muito e eu andava sem contato com a comunidade da fotografia, trabalhando sozinho, e acabei sentindo necessidade de uma atualização.

Levei para a entrevista as fotos originais do meu livro “Vila Olímpia”, o próprio livro e vários arquivos em pen-drive, inclusive as imagens da exposição “Fare Mondi”. A conversa foi ótima e acabou se estendendo, os assuntos se sucederam, pareciam não ter fim, minha sede de sabedoria só ficou maior…

é isso, por fernando stickel [ 9:07 ]

benjamin patterson


Em Setembro de 1984 cheguei a New York para lá ficar durante um ano, e fui hóspede por dois meses na casa da minha amiga Helena Hungria, na época casada com o Fluxus-artist Benjamin Patterson.
O apartamento deles era em Washington Heights, perto da George Washington Bridge, 665 West 160 Street #2A

(não sei se fui um bom hóspede, mas eles foram excelentes anfitriões… agradeço até hoje a paciência deles…)

Para chegar ao MoMA, na 53 Street, por exemplo, eu demorava cerca de uma hora no subway.
Benjie, como a Helena carinhosamente o chamava, cozinhava muitas vezes para nós, e eu o supria dos “brazilian cigars” Alonso Menendez, made in Bahia, que nós degustávamos após o jantar.


Encontrei na internet esta foto recente do Ben, em uma exposição no Nassauischer Kunstverein Wiesbaden.


665 West 160 Street NYC
A menos de um quarteirão de distancia iniciava-se um imenso e aprazível parque, que levava à George Washington Bridge.

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]