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doação à pinacoteca

Meu pai foi muito amigo do artista plástico, curador e diretor da Pinacoteca do Estado Emanuel Araújo (1940-2022). Moravam no mesmo bairro, a Bela Vista, e se frequentavam sempre com o tema da arte à mesa.
Talvez por conta disso meus pais Martha e Erico Stickel resolveram homenageá-lo na sua gestão da Pinacoteca, doando um trabalho de minha autoria, realizado parte em New York e parte em São Paulo, intitulado Lisas, técnica mista sobre madeira com 134 x 393 cm. datado 1985-1989

A cerimônia da doação deu-se em 11 abril 2002, no prédio da Pinacoteca

é isso, por fernando stickel [ 17:49 ]

rosangela dorazio

Este é o texto de curadoria que preparei para a exposição de Rosangela Dorazio no Espaço Fundação Stickel:

N A T U R E Z A S U S P E N S A
O laguinho da praça sofreu um corte, sua água solidificou-se em farpa, enquanto isso a árvore do parque enfrentou uma meia-cana e sua casca virou fiapo.
A natureza se desconstrói sob a ação de Rosângela Dorazio, ganhando uma nova ordem — ou, talvez, uma nova desordem.
No lugar da água, o nankin, no lugar do céu a lasca, tudo se costura em léguas de fiapos. A artista transforma a superfície de seus trabalhos
em um campo de experimentação e batalha, onde o desenho, a gravura, a fotografia e a escultura se fundem em linguagens híbridas, unidas na
violência e inquietação dos gestos desta nova poética visual.
Rosângela Dorazio reinventa a natureza, com sua tempestade particular, onde fiapos voam e lascas nadam. Incorpora o vento e as
ondas, rearrumando a realidade, o resultado de toda esta violência é curiosamente plácido, o espanto provocado pela colisão de elementos cede lugar a uma estranha serenidade. O caos, aqui, não é ruína, mas método.
A artista precisa do caos como processo de trabalho, ao invés de bebê-lo ela gosta de jogar café quente no seu trabalho, subvertendo a ordem das coisas; fotografia que não é usada como tal, gravura onde a reprodutibilidade não interessa, ferramentas usadas não para obter um corte fino, e sim para arrebentar.
Curioso é, ao final, uma fotografia despedaçada exalar paz e beleza.
Insólito como uma superfície lisa cresce naturalmente para a tridimensionalidade, igualmente curioso é um desenho ou aquarela ganhar dimensão poética ao ser agredido com café! O que deveria ser a pele da obra — seu acabamento — torna-se víscera, conteúdo, profundidade.
Há algo de arqueológico na abordagem de Dorazio, como Alexander Von Humboldt e Spix & Martius, viajantes-cientistas que cruzaram os
sertões brasileiros séculos atrás, ela se lança sobre a natureza com gulosos olhos de descobridora. Só que sua viagem é para dentro: do papel, do corpo da obra, dos limites da linguagem visual. Suas monitipias são texturas; suas rotas, as nervuras do gesto natural.
Dorazio extrai beleza do imprevisível, do acidente, do improviso. Seu trabalho é uma travessia sensorial, onde o espectador é convidado a olhar de perto — e, talvez, a se perder dentro de uma floresta de arrepios.

Fernando Stickel
14/07/2025


Minha mãe Martha, Rosangela e eu.


Sandra e eu.

é isso, por fernando stickel [ 7:09 ]

exposição no naji


Foto Jade Gadotti

Em outubro 1999 houve uma exposição coletiva de arte no estúdio do meu ex-aluno de desenho Naji Ayoub. Eu era um dos artistas expositores, me lembro também de Marcella Sion e Andre Balbi.


Meus pais Martha e Erico e duas das minhas pinturas.

é isso, por fernando stickel [ 13:46 ]

martha 98

Minha mãe Martha completa 98 anos de idade!!!


A turma toda no almoço de comemoração!

é isso, por fernando stickel [ 17:15 ]

dia dos pais


Dia dos Pais na Hípica Paulista

Vinte e um anos atrás, a comemoração do dia dos pais com Antonio e Arthur!

é isso, por fernando stickel [ 12:23 ]

crea, stickel, candia

Na Piazza Navona, Roma, fevereiro de 1974. Meus pais Erico, de óculos (1920-1984) e Martha com seus amigos Enzo Crea (1927—2007) e seus filhos e o arquiteto Salvador Candia (1924-1991), inclinado, em primeiro plano.

Enzo era o editor e proprietário da Edizioni dell’Elefante, uma pequena casa editorial especializada em livros de arte e pequenas edições especiais.


Salvador Candia e Erico Stickel na obra da casa do Salvador na R. Inglaterra

é isso, por fernando stickel [ 18:08 ]

história da fundação stickel 7


Stickel Heim

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 7

A atividade filantrópica da família Stickel não ficou restrita apenas à Fundação Stickel.

Em 1974 meus pais Martha e Erico doaram à Sociedade Beneficente Alemã – SBA, na comemoração do Sesquicentenário da Imigração Alemã 1824-1974, um pavilhão para uso de idosos denominado “Stickel Heim”, com 12 quartos, sala de estar, copa e terraço. O projeto arquitetônico foi do arquiteto Salvador Candia, em cujo escritório eu trabalhava na época, e a construção ficou a cargo da Wysling Gomes.


Placa comemorativa afixada ao prédio


No dia da inauguração, eu, meu pai Erico, Iris Di Ciommo, minha mãe Martha e o arquiteto Salvador Candia

As Aldeias Infantis SOS Rio Bonito, inaugurada em 1980, foi uma iniciativa de quatro casais de amigos, Peter e Scholy Mangels, Karin e Eckard Essle, Marta e Hans Von Heydebreck e meus pais, que doaram o terreno sobre o qual se ergueu a Aldeia, meu irmão Roberto executou o projeto arquitetônico.


Os fundadores das Aldeias SOS Brasil, meus pais são os últimos à direita

Em 1995 eu iniciei ajuda à Creche O Semeador, como descrito no capítulo 6.

A primeira oportunidade de fazer algo na área das artes surgiu em em 1998, quando alguém me procurou para ajudar na finalização do catálogo da exposição “Private Light / Public Light” do artista Mischa Kuball, representante da Alemanha na 24ª Bienal de São Paulo, o que fiz já com recursos da Fundação.

Em 2002, meu pai, com a solidariedade de minha mãe, doou ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo – IEB os cerca de quatro mil volumes de sua “Pequena Biblioteca Particular”. Esta biblioteca foi a base do estudo e pesquisa que meu pai realizou durante 30 anos, com a intenção de escrever um dicionário bibliográfico da iconografia brasileira, trabalho coroado com o lançamento de seu livro “Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil” no dia 29 março 2004, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Foi talvez o dia mais feliz da vida do meu pai.

Em 2004, no início da revitalização da Fundação, estabelecemos algumas ajudas pontuais a outras instituições, e, assim a ajuda à Creche O Semeador saiu do meu cuidado pessoal e foi transferida para a responsabilidade da Fundação, iniciamos uma ajuda à Associação Minha Rua Minha Casa, da qual fui conselheiro, e também voltamos a ajudar a Sociedade Beneficente Alemã – SBA.

é isso, por fernando stickel [ 15:23 ]

danilo blanco


Danilo Blanco, eu, minha mãe Martha e Sandra Pierzchalski

Abertura da exposição de Danilo Blanco, CADEIRAS, JANELAS E RAIOS DE SOL com curadoria de Rubens Fernandes Júnior, no Espaço Fundação Stickel.


Em primeiro plano o curador Rubens e sua esposa Paula.


Igor Damianof, Lucas Cruz e Marco Antonio Ribeiro

O conjunto de cadeiras expostas surgiu de uma ideia de Danilo ao observar artesãos que circulam pelas ruas e praças do centro de São Paulo. Com o objetivo de valorizar o trabalho desses artistas anônimos, ele encomendou a construção das peças, a partir de um simples briefing: “faça uma cadeira” mostrando com a mão o tamanho de cerca de 10 cm, “que tenha quatro pernas, assento e encosto”.
Individualmente, cada uma das peças se apresenta de maneira distinta, mostrando o potencial criativo despertado pelo pedido do artista, que não interferiu no processo e nem limitou os artesãos. As cadeirinhas foram construídas com formas, traços e materiais diferentes, transformando este simples objeto do cotidiano em arte.
Assim, Danilo idealizou mais uma ação colaborativa, como já fez em outras parcerias com a Fundação Stickel na construção dos murais públicos oriundos das nossas oficinas de marchetaria, instalados nos terminais Palmeiras – Barra Funda e Vila Nova Cachoeirinha. A marchetaria, por sinal, é a principal linguagem do artista e ele traz, paralelamente e de forma complementar às cadeiras, novos trabalhos com seus desenhos geométricos e abstratos, além das peças de um dominó gigante.

é isso, por fernando stickel [ 17:20 ]

história da fundação stickel 2


Abernéssia nos anos 40

A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO STICKEL – Parte 2

Maria Elisa (Lili) Arens Diederichsen (1883-1973) e Ernesto Diederichsen (1878-1949), meus avós, proprietários de terrenos em Campos do Jordão, planejam a construção da casa de veraneio da família. Havia no terreno um lago, acima dele foi o local escolhido para a construção da casa. Um trator Case vermelho foi adquirido, equipes contratadas e o movimento de terra se iniciou, abrindo-se as estradas de acesso e o platô onde se ergueu a casa.

Por força das obras, Lili e Ernesto frequentavam mais a cidade e estreitaram a convivência com a comunidade local, tomando contato com a dramática situação da saúde e pobreza no município. Famílias paupérrimas afluíam à cidade para tratamento de tuberculose, internando-se nos inúmeros sanatórios da região, prevalecia ainda a terapêutica baseada no tratamento higieno-dietético, que acreditava na cura do doente submetido a condições favoráveis, como boa alimentação, repouso e o clima das montanhas, com exposição ao sol.

As famílias dos internados, sem recursos e sem opção, acabavam por se abrigar em pensões ou favelas. Esse cenário de extrema carência sensibilizou meus avós, que começaram a suprir as necessidades mais urgentes, principalmente das crianças, distribuindo mantimentos, cobertores, remédios e agasalhos em geral. Esta iniciativa se consolidou em 1946 na criação do Grêmio Bernardo Diederichsen, sob direção do Reverendo Oswaldo Alves e com a colaboração do meu tio Luiz Dumont Villares (1899-1979), que havia se tornado sócio do meu avô na construção do Hotel Toriba, inaugurado em 1943.

O nome do Grêmio, homenageava o filho primogênito Bernardo Frederico Diederichsen (1904-1928), falecido precocemente aos 24 anos de idade, vítima de choque elétrico. Recém formado engenheiro eletrotécnico na prestigiosa escola EHT Zürich na Suíça, ele estava em seu primeiro emprego no Banco do Brasil em São Paulo. Vestia um guarda-pó branco e trabalhava em um rádio, com uma chave de fenda no bolso do guarda-pó, inclinou-se sobre o rádio e a chave de fenda encostou em uma fonte de alta voltagem, fulminando-o instantaneamente.
Em seu bolso da calça carregava seu primeiro salário.
Minha mãe Martha tinha apenas um ano de idade, e lembra de conviver toda sua infância com sua mãe Lili vestida de preto, em luto fechado.


Bernardo Frederico Diederichsen


Diploma de engenheiro elétrico

é isso, por fernando stickel [ 8:31 ]

martha 97


Aniversário de 97 anos da minha mãe Martha Diederichsen Stickel, que continua com boa saúde e vontade de viver!!!

é isso, por fernando stickel [ 21:20 ]

maria villares – flor e pedra

Abertura da exposição de pinturas “Maria Villares – Flor e Pedra” com minha curadoria, no sábado 11 novembro 2023 no Espaço Fundação Stickel.


Visão geral da vernissage


Maria Villares, Chris e Diana Potter


Ivo Mesquita, Maria Alice Milliet e Helena Carvalhosa


Martha Stickel, Sandra Pierzchalski, Maria Villares e eu.


Ricardo Prado Santos, João Roberto Rodrigues, eu, Bassy Machado, Luiz Fernando Rocco


Gilda Mattar, Alexandre Dórea Ribeiro, Alex Cerveny, Sandra Pierzchalski, Nathalie e Lucas Lenci


Maria Villares e sua filha Kita, Ana Darce e Jacqueline Aronis

é isso, por fernando stickel [ 8:56 ]

ernesto diederichsen

ERNESTO DIEDERICHSEN – Um visionário

Meu avô Ernesto Diederichsen (1878-1949) e sua esposa Maria Elisa Arens Diederichsen (Lili)(1883-1973) chegaram à cidade serrana de Campos do Jordão, SP em 1936. Encantados com o cenário, compram grandes glebas de terra e iniciam a construção da residência de veraneio da família, concluída em 1941, na sequência empreendem em sociedade com o genro Luiz Dumont Villares o Hotel Toriba, concluído em 1943.

A vivência em Campos do Jordão os colocou em contato com a situação de pobreza e más condições de saúde em que viviam moradores e ocupantes dos sanatórios existentes na região. Sensibilizados com a situação, Ernesto e Lili iniciam um trabalho filantrópico assistencialista, e criam em 1946 o Grêmio Bernardo Diederichsen. Com gestão do Reverendo Oswaldo Alves o Grêmio atendia famílias e crianças carentes que chegavam à cidade para acompanhar o tratamento de tuberculose de parentes internados, incluindo distribuição de remédios, alimentos, agasalhos e realização de tratamentos médicos.

Após o falecimento de Ernesto, em 1949, as obras assistenciais foram assumidas por sua filha Martha Diederichsen Stickel junto ao seu marido Erico João Siriuba Stickel (1920-2004), meus pais. Em 1954 este trabalho assistencial se transformou, na Fundação Beneficente Martha e Erico Stickel, hoje Fundação Stickel.

Industrial e empresário, Ernesto estava à frente de seu tempo, pois tinha sua atenção voltada para o bem estar de todos os empregados de suas indústrias, criando muito antes que as leis o obrigassem, creche, ambulatório, gabinete médico, escola primária, cinema e biblioteca em suas empresas.

O Sítio das Figueiras ficava às margens da represa Billings e abrigava a casa de veraneio da família, inserida em meio a gigantescas figueiras, daí o nome do sítio. A estrutura de lazer da casa incluía quadras de esporte e um enorme escorregador, alguns barcos também ficavam disponíveis para brincadeiras aquáticas.

A cerca de 400 metros da casa ficava a Colônia de Férias dos funcionários do grupo empresarial Diederichsen, que incluía indústrias têxteis, comércio de café, adubos e forragens, óleos vegetais hotel e outras atividades. A Colônia de Férias era ampla, com acomodações para para os funcionários, salões de eventos, cozinha, restaurante, etc…

Anos mais tarde, o Sítio das Figueiras se transformou no SESC Interlagos.

Quando conheci a Argos Industrial nos anos 70 fiquei fascinado pela marca da empresa, criada pelo designer Alexandre Wollner (1928-2018),considerado o pai do design moderno no Brasil.

é isso, por fernando stickel [ 17:42 ]

dia das mães


Almoço de comemoração do Dia das Mães na Sociedade Hípica Paulista.

é isso, por fernando stickel [ 17:08 ]

bodas de brilhante


Neste dia 6 janeiro 1947, meus pais Erico e Martha casaram-se 75 anos atrás… Se neu pai fosse vivo estaríamos comemorando as bodas de brilhante do casal!

é isso, por fernando stickel [ 15:36 ]

martha


Minha mãe Martha em seu canto predileto, olhando para o Clube Pinheiros.

é isso, por fernando stickel [ 11:49 ]

páscoa


Minha mãe Martha, 95 anos, na Sociedade Hípica Paulista no domingo de Páscoa.

é isso, por fernando stickel [ 7:55 ]

martha 95


Minha mãe Martha completa 95 anos de idade, com almoço na Hípica Paiulista!!!

é isso, por fernando stickel [ 9:00 ]

martha no hospital


Minha mãe teve uma insuficiência cardíaca, já controlada, e foi internada por alguns dias no Sirio Libanês. No próximo 21 Fevereiro ela completará 95 anos!!!


Recuperando-se em casa, cheia de apetite!!

é isso, por fernando stickel [ 11:22 ]