aqui no aqui tem coisa encontram-se
coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

Posts tagueados ‘livro’

o dia em que meu pai flutuou


Erico Stickel na noite de autógrafos de seu livro “Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil”, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em 29 de março de 2004.


O livro.

Meu pai, Erico João Siriuba Stickel, foi antes de tudo um bibliófilo, um amante da cultura e dos livros ou, como ele mesmo gostava de se referir, um “bicho de livro”. Ele era daquelas pessoas que invariavelmente eram duas, ele e o livro que carregava.
Me lembro, quando era pequeno, de acompanhá-lo no combate às pragas que ameaçavam sua biblioteca. Com um canivete, ele alargava os túneis que atravessavam páginas, capítulos, séculos, sem respeitar margens, parágrafos ou pontuação, e extraía das profundezas dos volumes as criaturas que insistiam em arruinar o seu tesouro.
Nossa casa, na Rua dos Franceses, em São Paulo, era tomada por estantes de livros na sala, no escritório, nos corredores, no porão, onde houvesse um espaço livre. Em lugar de destaque, ficava a Brockhaus Enzyklopädie, que durante décadas fez o papel de Google ao lado da Encyclopedia Britannica, de dicionários diversos e de muitos outros livros de referência e de arte. A história era a mesma em seu escritório. Sede da Fundação Stickel, a casinha de vila na Rua Bela Cintra era também abarrotada de livros e arquivos.


A casa inteira tomada pelos livros…

Através dos anos, sua biblioteca foi se especializando em autores e estudiosos da iconografia brasileira, dando corpo ao que se transformaria em sua única obra, Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil. Publicado pela Edusp, em 2004, o livro levou por volta de 30 anos para ser concluído e minha mãe, Martha, pode-se dizer, é coautora, ao menos na permanente companhia na obsessiva leitura e compilação de fichas, referências, notas etc. em um quarto no piso superior da casa onde morávamos na Rua dos Franceses, com janelas abertas para o jardim e o vale da Rua Almirante Marques Leão.
A intenção de meu pai era escrever um dicionário bibliográfico da iconografia brasileira, à semelhança de autores como Rubens Borba de Morais ou Rosemarie Horch, mas baseado em sua própria biblioteca.
No início era apenas o fichamento dos livros e publicações que ele achava interessantes. As fichas em cartolina eram preenchidas à mão com caneta tinteiro e com o tempo foram crescendo em número e complexidade.
As coisas começaram a mudar de figura em 1995, ano iniciado com o nascimento do meu caçula Arthur. Paralelamente ao trabalho como professor de desenho, me dividia entre a edição de meu livro aqui tem coisa, com a colaboração de meu pai, e a gestão de seu patrimônio. Com a parceria diária, consegui convencê-lo a iniciar a sistematização do vasto material de sua pesquisa, o que seria feito com a compra de um computador e a contratação da pesquisadora Francis Melvin Lee.


Francis com minha mãe, e o local de trabalho.

Foram muitos anos de uma minuciosa e cuidadosa rotina, da digitação do material manuscrito às revisões e catalogação final. Francis se dedicou também a organizar e catalogar em pastas um tesouro secreto de meu pai, escondido de todos em várias mapotecas. Eram obras em papel, aquarelas, desenhos e gravuras relacionadas à paisagem, à gente e aos costumes brasileiros, retratados por viajantes estrangeiros, ao final incorporados ao projeto.
Em 2002, tendo praticamente concluído sua pesquisa, meu pai, com a solidariedade de minha mãe, doou ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo os cerca de quatro mil volumes de sua “Pequena Biblioteca Particular”. Incorporada ao acervo do IEB como a “Biblioteca Martha e Erico Stickel”, ele a definiria – em texto introdutório à edição que viria pela frente – como uma coleção desenvolvida “em torno da representação artística que tivesse basicamente por alvo a paisagem, a cidade e sua arquitetura, o retrato, a fauna e a flora em seu ambiente natural, as festas populares e sacras, o patrimônio artístico e histórico nacional, imagens produzidas ao longo dos tempos por centenas de ‘viajantes’ e pintores de todos os tipos, aventureiros, fotógrafos e outros […]”.
Como resultado, Uma Pequena Biblioteca Particular se tornou um livro de peso, com cerca de 750 páginas e inúmeras reproduções a cores de Romulo Fialdini. Sem dúvida uma importante obra de referência para os estudiosos do assunto, gosto de folheá-lo também como um tributo a um desses dedicados autores bissextos, com o trabalho de uma vida indispensável à compreensão do mundo como o conhecemos – meu pai.
O amigo Emanoel Araújo assim o definiria em prefácio ao volume: “Erico Stickel poderia ser um colecionador frio, desses que costumam entesourar maravilhas que amealham durante toda uma vida só para sua satisfação pessoal. O resultado de suas visitas a exposições, livrarias e eventos culturais poderia permanecer como atividade privada e anônima como talvez se esperasse de um espartano como ele, pesquisador silencioso e sequioso de seu tempo. Entretanto, seguramente Erico Stickel desde muito cedo alimentou de maneira quase religiosa esta ideia que ora se materializa em forma de livro. Dar a público o resultado de suas constantes e laboriosas incursões pela cultura de nosso país”.

No início de 2003, com 82 anos de idade, meu pai passou a reclamar com frequência de um pigarro que o incomodava já havia algum tempo. Após visitas a diversos médicos e muitos exames depois, ele foi diagnosticado com um câncer no pâncreas. A notícia devastou a família, pois era de conhecimento comum que este diagnóstico equivalia a uma sentença de morte. Na sequência, os médicos decidiram que era necessária uma cirurgia exploratória.


Em recuperação após a cirurgia, com minha mãe e minha irmã Ana Maria.

Internado no Hospital Alemão Osvaldo Cruz no início de março, a cirurgia evidenciou que um tumor pressionava o esôfago, daí o pigarro. A equipe decidiu não tocá-lo pelo risco de provocar uma hemorragia e/ou metástase, optando por intervenções no entorno para aliviar o stress no esôfago.


A comemoração do aniversário de 83 anos.

Após a recuperação no hospital, meu pai voltou para casa a tempo de comemorar em 3 de abril, e muito bem disposto, o seu 83º aniversário. Veio então a quimioterapia, que no início provocou reações muito agressivas, mas tornou-se suportável após ajustes na dosagem da medicação.

Pouco a pouco, a vida foi voltando ao normal. Tão normal quanto possível para alguém que recebeu uma sentença de morte. Ocorre que meu pai era um ser agnóstico e sempre se comportou como tal, as questões espirituais não faziam parte de seu universo. Conhecendo este seu lado, aproveitei um dia em que fomos passear no Parque Trianon, um dos locais onde ele gostava de caminhar, e pragmaticamente desferi a pergunta:
– Então, pai, o que você quer fazer, quais são as tuas prioridades?
E ele, sem titubear: – Quero fazer o livro.
– Ok, pai, vamos fazer o livro!
De volta ao seu escritório, na Rua dos Franceses, conversei com a Francis, sua fiel auxiliar, e pedi a ela uma impressão do volume em edição. Levei a grossa encadernação ao professor Plinio Martins Filho, da Editora da Universidade de São Paulo, e contei a ele a história.
– Mas já está pronto? – ele perguntou, impressionado.
– Sim, Plinio, está pronto! Falta apenas revisão e a edição de arte.
– Vamos fazer!
E assim a obra de uma vida inteira entrou rapidamente na reta final, com meu pai animadíssimo com o interesse da Edusp em seu livro.

Mais ou menos nesta época, fui a uma palestra de Aldaiza Sposati, então secretária de Assistência Social da Prefeita Marta Suplicy, e lá conheci Agnes Ezabella. Foi ela quem me alertou que o novo Código Civil passou a permitir a penalização de fundações que não cumprissem sua missão, exatamente o caso da Fundação Stickel, instituída pelos meus pais em 1954 e paralisada havia 30 anos.
Levei a questão a um almoço de família, com a presença de meus pais e meus irmãos, fiz a explanação do caso e perguntei o que cada um gostaria de fazer a respeito. Meu pai disse que estava no fim da vida e não tinha mais interesse no assunto. Quando minha mãe e meus irmãos também não se interessaram, eu então, tomado por desconhecida coragem, declarei:
– Eu cuidarei da Fundação, contanto que ela tenha como missão a arte e a cultura!
Todos concordaram. E assim se iniciou a nova fase da Fundação Stickel, sob o meu comando.

Terminada a primeira bateria da quimioterapia, como meu pai se sentisse muito bem, planos de viagem foram feitos, pois viajar era uma de suas grandes paixões. Em um primeiro ensaio para ver se aguentaria ir para a Europa, ele e minha mãe foram a Buenos Aires em julho daquele mesmo ano. Aprovado no teste, em outubro viajaram para a Espanha, onde visitaram minha filha Fernanda, que estudava em Barcelona, e para a Itália, a Roma e Positano.


Ana Maria, Joana, Erico, Martha, Antonio no Txai.


Itacaré, BA

Para comemorar o Réveillon de 2004, meu pai convidou toda a família para o Txai Resort, em Itacaré na Bahia. De volta a São Paulo, ele e minha mãe comemoraram, em 6 de janeiro, seu aniversário de 57 anos de casamento. Uma verdadeira bênção!


Noite de autógrafos! O coroamento de 30 anos de trabalho!

Um ano depois da cirurgia, aconteceria o grande dia. Na segunda-feira, 29 de março de 2004, às 19h, iniciou-se a noite de autógrafos de Uma Pequena Biblioteca Particular – Subsídios para o Estudo da Iconografia no Brasil, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Posso dizer com certeza que foi a ocasião em que vi meu pai mais alegre, realizado, feliz, sorridente, na companhia da família, de dezenas de amigos, seus colegas bibliófilos e “bichos de livro” em geral.

Ele flutuava sobre o solo!

A vida seguiu seu rumo. Em maio, meu pai me presenteou com o lindo Patek Phillippe de bolso, de ouro, que foi do meu avô Arthur Stickel. Pouco depois, ele e minha mãe embarcaram para a Europa, desta vez para Praga, na República Checa, de onde seguiram de navio a Berlim, na Alemanha, e finalmente a Paris, na França.


Em Campos do Jordão, na mesa Sandra, minha mãe, Antonio e Joaninha.


As leituras e o jogo de xadrez.

Em julho, na casa de Campos do Jordão, jogou xadrez com meu filho Arthur. Em setembro, depois de cerca de 30 sessões, a quimioterapia foi suspensa. No início de outubro, os médicos liberaram meu pai para mais uma viagem.
No dia 13 daquele mês, o novo Estatuto da Fundação Stickel foi assinado, oficializando a minha gestão. Em seguida, ele e minha mãe embarcaram para mais uma viagem, outra vez à Itália, rumo a Veneza, Positano e Roma. Mas não seria uma viagem como as outras.
Acometido de fortes dores em Roma, meu pai consultou o médico do hotel. Ao saber de seu histórico, recomendou Buscopan e a volta imediata ao Brasil. A viagem, graças ao poderoso analgésico transcorreu em paz, já em casa em São Paulo meus pais jantaram e assistiram a um filme de Charlie Chaplin. Na manhã seguinte, dia 4 de novembro, meu pai não acordou bem, ao chegar na casa encontrei-o dobrado com dores e levei-o imediatamente ao Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

No dia 7 de novembro, ao levar meu filho Arthur, então com 9 anos de idade, para visitar o avô no hospital, travamos a seguinte conversa no carro:
– Papi, o que é que o vovô tem?
– Um tumor no pâncreas.
– O que é pâncreas?
– É um órgão que fica mais ou menos embaixo do estômago, no começo do intestino.
– Ele pode morrer disso?
– Pode, mas ninguém sabe quando – fez-se um longo silêncio.
– Papi – disse ele, chorando. – Estou muito triste que o vovô vai morrer.
– Não chora, Arthur. Estamos todos tristes, mas a gente tem que ser forte e chegar lá legal para dar um beijo no vovô, dar uma força para a vovó. Estamos torcendo para ele sair do hospital logo.
– É, mas eu estou muito triste ¬– ele continuou chorando.
– Arthur… – disse ao chegar no hospital, também quase chorando. – Deixa eu te explicar uma coisa. O vovô não consegue comer pela boca, então eles colocaram uma sonda nele – expliquei o que era a sonda – para ele poder se alimentar e ficar mais forte.
– Mas ele sente o gosto?
– Não, a comida, que é uma papinha líquida, vai direto para o intestino.
– Mas ele não fica com fome?
– Não, e também não sente dor nenhuma porque os médicos estão tratando muito bem dele.
Chegando ao quarto, meu pai dormia de boca aberta na cadeira. Arthur cumprimentou a tia e recomeçou a chorar. Deitado no colo da avó, conversaram um pouco até que ele se acalmasse. Passado um tempo, o avô acordou. Arthur deu um beijo no avô. Conversaram. Assistimos todos a um programa sobre tubarões no canal National Geographic.
Na saída, Arthur já não chorava mais:
– Papi, eu quero vir visitar o vovô todos os dias.

Em 12 dias de internação, os médicos controlaram a obstrução intestinal e estabilizaram meu pai. Explicando que a doença chegara ao estágio terminal, pediram à família uma decisão sobre como prosseguir. Ele escolheu ficar em casa enquanto as condições fossem favoráveis, concordando que, se as coisas se complicassem, seria sedado e voltaria ao hospital. No dia 15 de novembro ele voltou para casa.
Um mês depois, na quinta-feira, 16 de dezembro, a família estava reunida ao final da tarde ao lado do meu pai, que sofria muito, com dificuldade de se alimentar e mesmo de beber água. Mesmo sem muita clareza, ele nos comunicou que não aguentava mais e queria ser sedado, para minha mãe ele confidenciou:
– Eu quero atravessar o rio, quero ir para a outra margem.
Por volta das 22h, tendo ao seu lado minha mãe, meu irmão Neco, meu filho Antonio e eu, meu pai colocou os sedativos na palma da mão e olhou-os longamente, em silêncio. Em seguida, ainda em silêncio, tomou os remédios. Na manhã seguinte, 17 de dezembro, a ambulância o levou de volta, já inconsciente, para o Hospital Alemão Osvaldo Cruz.
Na noite de 23 de dezembro, minha prima Bel Cesar foi visitá-lo acompanhada do filho, o Lama Michel Rinpoche. Com 12 anos de idade, Michel deixou a família e foi estudar budismo tibetano na Índia, se transformando em monge aos 23 anos de idade. A visita foi muito boa, calma. Lama Michel fez uma longa oração pedindo a abertura de caminhos para a alma do meu pai se elevar e atravessar mais tranquilamente o “bardo” – a fronteira entre a vida e a morte, descrita com minúcias no budismo.
No dia 25, a família toda se reuniu no hospital. Meu pai, totalmente sedado, precisou ser movimentado na cama e eu ajudei o enfermeiro. Foi quando vi as escaras… Muito triste.
Me impressionou também o quanto ele ainda era um homem grande, apesar da magreza. Ao final da tarde, exausto, me despedi de todos e fui para casa. Por volta das 21h, o telefone tocou. Meu pai tinha acabado de falecer no dia de Natal de 2004.
E flutuou pela última vez.

Revisão do texto: Tato Coutinho

é isso, por fernando stickel [ 16:45 ]

clássicos

é isso, por fernando stickel [ 12:11 ]

clássicos à venda!

Meu livro “Clássicos” está à venda por R$250,00!
Basta comentar neste post ou enviar um e-mail para fernando@stickel.com.br para combinarmos pagamento e entrega.

Fotografias e textos de Fernando Stickel
300 exemplares numerados e assinados
108 páginas
Impressão IPSIS
Design gráfico de Ekaterina Kholmogorova e Bia Matuck
Produção gráfica de Jairo da Rocha
Editora Madalena

é isso, por fernando stickel [ 9:09 ]

livro “clássicos”

Vou lançar meu terceiro livro, desta vez serão fotos e relatos sobre o apaixonante universo dos carros clássicos, produzido pela Editora Madalena, de Iatã Cannabrava.

Depois de mais de 30 anos em atividade como artista plástico, Fernando Stickel se viu entregue a uma paixão de infância quando completou 60 anos: os motores. O ano era 2008 e a escolha foi um Porsche Carrera 1975. O primeiro carro antigo veio na sequência da descoberta da fotografia como ferramenta de trabalho, alguns anos antes, quando comprou sua primeira digital e passou a registrar tudo ao seu redor. As duas paixões se encontraram então e Fernando começou a fotografar tudo que envolvia o tema: coleções de carros clássicos, rallyes, oficinas, pilotos, mecânicos, passeios, restauros e concursos, viajando o país, por lugares como São Paulo, Campos do Jordão (SP), Tiradentes (MG), Vale dos Vinhedos (RS), e no exterior, em Buenos Aires, na Argentina, Deserto do Atacama, no Chile, Punta del Este, no Uruguai e Toscana, na Itália. Agora ele lança o livro “Clássicos”, que reúne relatos pessoais e uma seleção de imagens tiradas entre 2007 e 2020, feita com o editor Iatã Cannabrava.

“É um livro para os amantes de carros clássicos, mas não só para eles! É um projeto que fala com todos que gostam de boas histórias, lindas fotografias, belas viagens e lugares mágicos em que tudo se transforma, como oficinas e ferros-velhos”, diz o autor.

Quando criança Fernando era aficionado por qualquer coisa que andasse, do carrinho de rolimã à bicicleta ou qualquer máquina e motor. Em um trecho no livro, ele conta: “Em uma das minhas memórias mais antigas, de 1952, eu devo ter uns 4 anos de idade e viajo com meus pais de carro pela Suíça. Lembro de uma estrada no meio da floresta, quando chegamos a uma clareira com um pequeno bar ou restaurante e uma Ferrari vermelha parada na porta”.

Em 1967, tirou carteira de motorista e passou a ir para a escola com um dos carros da família. “Certo dia, pilotando pela avenida Pedroso de Morais o Alfa-Romeo JK FNM 2000, levando comigo meu irmão Roberto, então com 12 anos de idade, entrei forte demais à direita na praça Panamericana, que naquela época nada mais era que uma enorme área circular coberta de mato. Perdi o controle, rodei e a força centrífuga me arrancou da posição do motorista – o banco era inteiriço e não havia cinto de segurança – e me jogou sobre o meu irmão, que se lembra da direção do JK rodando para lá e para cá, comigo em cima dele, enquanto o carro, sozinho, rodava no asfalto até parar. Por sorte, não vinha ninguém atrás de nós. Nem na guia o carro bateu. Nós simplesmente voltamos aos nossos lugares e seguimos a viagem ao colégio”, lembra ele em outro relato.

Em 2004, Fernando assumiu a direção da Fundação Stickel, reativando as atividades iniciadas pelos seus pais em 1954. Desde então, a missão passou a ser a transformação de jovens e adultos por meio das artes visuais, despertando novos potenciais. Atuando na capital paulista, promove gratuitamente ações culturais diversas, como cursos de arte e fotografia (online desde a pandemia) exposições, edição e distribuição gratuita de livros, programas educativos e de pesquisa.

Marcado para o dia 7 de novembro, o lançamento acontecerá em um evento fechado chamado “Classic Car Celebration”, um concurso de elegância para carros clássicos em que 200 a 250 modelos estarão expostos e serão escolhidos por um júri, na presença de um pequeno grupo – devido às restrições da pandemia – no Hotel Fazenda Dona Carolina, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. A ideia é realizar a tarde de autógrafos nesta tarde e venda nacional pela internet.

Clássicos
Fotografias e textos de Fernando Stickel
Editora Madalena

Impressão: IPSIS
Design gráfico: Ekaterina Kholmogorova e Bia Matuck
Produção gráfica: Jairo da Rocha
Número de páginas: 108
Preço: R$250,00
Vendas: Deixe seu comentário neste post que entrarei em contato para combinar pagamento e entrega.
—-
Informações para a Imprensa
Juliana Gola | jugola@gmail.com | 11 99595-2341

é isso, por fernando stickel [ 9:29 ]

livro da escola viva

Aquarela que fiz em 2002 para ilustrar o livro da Escola Viva, editado pela DBA.

é isso, por fernando stickel [ 7:47 ]

artistas que admiro

Em 2003 fiz uma lista dos Artistas que admiro, com as respectivas datas de nascimento, e cujos livros estão na minha biblioteca.
Fazer arte é um enorme prazer, preenche tua alma, teu coração, e é tão excitante quanto a conquista de um grande amor com a pureza, elegância e potência de um carro de corrida.


Henri Matisse 1869
Marcel Duchamp 1897
Alexander Calder 1898
Joseph Cornell 1903
Joseph Beuys 1921
HC Westermann 1922
Cy Twombly 1928
Wesley Duke Lee 1931
Nam June Paik 1932
Javacheff Christo 1935
Ed Ruscha 1937
Panamarenko 1940
Jonathan Borofsky 1943
Waltercio Caldas 1946
Fernando Stickel 1948
Sophie Calle 1953

é isso, por fernando stickel [ 8:31 ]

vozes do ofício


Em 14 Dezembro 1999 lancei meu primeiro livro de poesias e desenhos “aqui tem coisa” pela Editora DBA, na A Estufa do Leo Laniado, na R. Wizard 53 na Vila Madalena.

Foi um evento alto astral, veja aqui.

Menos de um ano depois quatro poetas com livros recém lançados se organizaram em torno da Livraria Spiro da Lili Guimarães para fazer uma noite de leitura de poemas.

Eliane Accioly Fonseca – Trapeiro de Sonho
Fernando Stickel – aqui tem coisa
Luciana Wis – Vida
Rita Moreira – Perscrutando o Papaia

Criamos o grupo “Vozes do Ofício”, se bem me lembro fui eu que propus este nome, e convidamos o saxofonista Lloyd Bonnemaison para acompanhar a leitura. Jade Gadotti fez uma linda foto, imprimimos um convite, conquistamos alguns patrocinadores, e fizemos um lindo evento no dia 27 Junho 2000, na Al. Lorena 1979!


Lloyd e eu.


Meus pais Martha, Erico e eu.


Luciana Wis e Rita Moreira.


Eu com Eliane Fonseca.


Giovanna Pennacchi e Lili Guimarães, a anfitriã.


Naji e Roberta Ayoub com Anisio Campos


A audiência.

é isso, por fernando stickel [ 11:22 ]

faleceu o boi


Faleceu no último dia 15 Dezembro aos 74 anos de idade o meu amigo José Carlos BOI Cezar Ferreira. Uma tristeza.


Em Março 2017 houve uma exposição das pinturas do Boi no estúdio do Artur Lescher, ele estava bem, lúcido e feliz. Logo depois foi internado e de lá para cá sua saúde decaiu rapidamente.


Artista de mão cheia, Boi foi um pintor único, não deixou jamais seu estilo próprio, forte, personalíssimo ser influenciado por qualquer modismo ou tendência.


Boi foi parceiro da Fundação Stickel, realizamos uma exposição de suas pinturas em 2006 no Espaço Fundação Stickel e fizemos seu livro “Um Boi abstrato” com texto de Gabriel Borba em 2011.

é isso, por fernando stickel [ 7:13 ]

lançamento livro heep


Um projeto que deu certo! De A a Z!

Fernando Serapião, da Editora Monolito, convidou a Fundação Stickel a ser a proponente de um edital do CAU/SP, para a execução do livro Adolf Franz Heep – Um arquiteto moderno, com texto do arquiteto Marcelo Barbosa.
A Fundação venceu o edital, e adicionamos uma cereja ao bolo, o Projeto Contrapartida, onde a fotógrafa Ana Mello faria oficinas gratuitas de fotografia de arquitetura, na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha.

O lançamento do livro foi no Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, onde fiz uma rápida palestra ressaltando a importância do livro, o primeiro escrito sobre este importante arquiteto, na sequência um debate entre Paulo Bruna, Marcelo Barbosa, Hugo Segawa e Abilio Guerra.

Paulo Mendes da Rocha observa Marcelo Barbosa preparar a dedicatória!


Sandra Pierzchalski e sua dedicatória!

é isso, por fernando stickel [ 15:14 ]

livro clássicos


Nas últimas 4 ou 5 semanas sofri de recorrentes dores nas costas, acompanhadas de profundo mau humor… foram crises em cima de crises, fui ao médico, fisioterapeuta, fiz ressonância magnética, etc… etc…

Fui obrigado pelas circunstancias a zerar minha rotina matinal de exercícios, natação, etc… que foi substituída por repouso (argh!!!) e caminhadas de 30 metros no máximo…

O lado bom de tudo isso é que me concentrei na única coisa que é possível fazer nesta situação, sentar na cadeira Aeron, com bom suporte lombar, por 3 ou 4 horas diárias em frente ao computador e trabalhar no meu próximo projeto. O nome ainda não está definido, mas por enquanto vamos chama-lo de “CLÁSSICOS”.

Trata-se de um livro e de uma exposição de fotos sobre a minha paixão e experiência com carros clássicos, rallyes dos quais participei, restauros que fiz, amigos e parceiros que conquistei nesta jornada, e outras cositas mas…

O resultado deste trabalho (até agora…) após exame de mais de 70.000 imagens de minha lavra, desde 2003, são 230 imagens de carros clássicos, nas mais variadas situações, e 120 imagens das pessoas envolvidas neste fascinante assunto, ou seja, 350 imagens selecionadas a dedo…

Estimo que gastei neste esforço concentrado cerca de 120 horas de trabalho, e no mínimo mais do dobro disso desde que comecei a trabalhar nestas imagens, sem falar, é claro, do tempo envolvido na tomada das imagens, rallyes, passeios, visitas a coleções, encontros de amantes dos clássicos, acompanhamento do restauro de Mercedes-Benz e Porsche, viagens à Europa, Uruguai e Argentina, etc… etc…

Meu amigo, o fotógrafo Valdir Cruz teve importante participação neste processo, pois foi seguindo sua orientação para edição deste trabalho que pude chegar na seleção atual, finalizada hoje 27/12/2017. O próximo passo, que será dado em 2018 será imprimir estas 350 imagens e partir para nova edição.

é isso, por fernando stickel [ 17:55 ]

tinta loka street book


Fundação Stickel convida para a noite de autógrafos no lançamento do livro” Tinta Loka – Street Book” de Bonga Mac e Tamires Santana pela LiteraRUA Editora.

A7MA Galeria – R. Harmonia 95B – Vila Madalena tel 2361-7876

Sábado, 18 Novembro 2017 das 17:00 às 21:00h

Participação dos DJ’s Clevinho, MF e Pow!

é isso, por fernando stickel [ 14:21 ]

erico stickel doou ao ieb

ieb
Meus pais Erico e Martha Stickel doaram em 2002 parte importante da biblioteca que meu pai criou durante sua vida de bibliófilo e estudioso da iconografia brasileira. Foram cerca de 4.000 volumes.
A instituição escolhida para a doação foi o Instituto de Estudos Brasileiros da USP – IEB, e a doação ocorreu em 2002, dois anos antes do falecimento do meu pai, em 25/12/2004.

é isso, por fernando stickel [ 8:37 ]

rua dos franceses

franceses livros
Na casa da Rua dos Franceses, onde minha mãe, eu e meus irmãos nasceram.

é isso, por fernando stickel [ 17:47 ]

salvador candia

salvador candia 1
Encontrei na internet o livro de 2008 “Aproximações sobre a obra de Salvador Candia”, dissertação de mestrado na FAU-USP de Eduardo Rocha Ferroni. Folhear este livro é como revisitar meu passado… Os nomes, os projetos, as referências, toda a minha formação como arquiteto está lá. O Salvador foi o único mestre que tive na arte de projetar.
Ele também me inspirou a fumar charutos, muitos anos mais tarde…

salvador candia 2
A pág 71 registra minha colaboração no escritório, como estagiário e arquiteto recém formado, 1972-1974.

salvador candia 3
A pág 150 mostra o projeto que fiz para a fachada do Edifício Barão de Iguatemi.

é isso, por fernando stickel [ 21:28 ]

samuel e os oceanos

samuel
Trouxe de Londres para o meu neto Samuel, da livraria do Natural History Museum, um livro ilustrado sobre os oceanos.
Minha filha Fernanda me enviou o desenho que ele fez, encantado que ficou com o livro.
Samuel está com seis anos, no primeiro ano da escola, iniciando a alfabetização. Dá pra ver no desenho que ele já escreve o próprio nome.
Fiquei encantado com a resposta! Tenho dado sempre livros de presente para ele, que adora!

é isso, por fernando stickel [ 15:02 ]

doação contos e rimas

contos
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo recebeu na última sexta-feira, 5 de dezembro, 630 exemplares do livro “Contos e Rimas para Meninos e Meninas”, de Renata Cajado, com ilustrações de Lia Nasser, doados pela Fundação Stickel.

O livro foi editado pela Fundação Stickel, lançado na Casa das Rosas em 2006 e reune dez estórias divertidas sobre o universo infantil, que falam principalmente sobre amizade. Acompanha, ainda, um CD de músicas com letras de Renata Cajado e música de Adriana Ezabella.

A obra é dirigida para crianças de 4 a 10 anos e tem o propósito de desenvolver atividades em escolas, instituições infantis e grupos terapêuticos, por meio de exercícios com a língua portuguesa (rimas), resgate da arte de contar estória, estímulo ao canto (músicas) e à interpretação teatral.

Os livros, entregues diretamente à Secretaria, serão internamente distribuídos às Diretorias Regionais de Educação, para que depois sejam encaminhados às salas de leitura e bibliotecas dos Centros Unificados de Educação – CEUs.

Na foto, da esquerda para direita: Cristina Reis (Secretaria de Educação), Astrid Novelli (Secretaria de Educação), Fernando Stickel (Fundação Stickel), Patrícia Martins (Secretaria de Educação) e Fátima Bonifácio (Secretaria de Educação).

contos

é isso, por fernando stickel [ 7:40 ]

boneco de zauberplatz

z1
Fiz um boneco impresso em papel couche do meu fotolivro Zauberplatz. O resultado é fantástico, completamente diferente manusear a coisa pronta, sentir seu peso, folhear as páginas.

z2
A impressão ficou bastante fiel ao que se via na tela do computador, gostei!
Veja o livro aqui.

é isso, por fernando stickel [ 11:30 ]

zauberplatz, livro pronto!

Clicando aí em cima você abrirá o meu fotolivro (por enquanto apenas virtual) com o título ZAUBERPLATZ, resultado do curso “Ponto Convergente” que fiz no Madalena Centro de Estudos da Imagem.
O curso teve a duração de seis meses, com o objetivo de se construir um trabalho, neste processo interessantíssimo várias coisas ocorreram, além das aulas rotineiras às quintas-feiras, as mais significativas foram:

– A riquíssima biblioteca do Madalena CEI. Poder ter nas mãos publicações de altíssimo nível, do mundo inteiro, acompanhadas das explicações dos professores foi um privilégio.

– Para realizar a diagramação do livro aprendi em uma aula rápida com a Iris Di Ciommo (obrigado!) a mexer no programa de edição Indesign, herdeiro do Pagemaker que cheguei a dominar nos anos 90.

– Workshop de edição de imagens com Claudi, trabalho muito cansativo e indispensável, passei por várias versões do livro, recebendo comentários e sugestões dos meus colegas do curso e dos professores, principalmente do Claudi Carreras, Iatã Cannabrava e Claudia Jaguaribe.

– Workshop “Todo retrato é um autorretrato” com Marcio Scavone em seu estúdio.

– Participei com sucesso da Convocatória do Paraty em Foco, e enviei o Zauberplatz para o 5º CONCURSO FOTOLIBRO IBEROAMERICANO RM

– Palestras de vários fotógrafos e pessoas ligadas à arte e à fotografia, como Agnaldo Farias e Sofia Borges.

Ao final do curso, cuja última aula será daqui a pouco, fico com a sensação de que falta muito a aprender, por outro lado estou curtindo muito a satisfação de completar um projeto com começo, meio e fim.

é isso, por fernando stickel [ 16:05 ]