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...desde janeiro de 2003

arte

desenho nu feminino


Ilustração para revista Moda Brasil

Lá no final dos anos 80 eu dava aulas de desenho de observação no meu estúdio da R. Ribeirão Claro, na Vila Olímpia.
Certa feita uma aluna, não me lembro seu nome, se aproximou meio timidamente e me contou que tinha um sonho, perguntei qual era e ela me disse que gostaria de ser desenhada nua.

Por coincidência naquela época eu havia sido convidado a fazer uma ilustração para um artigo sobre celulite na revista Moda Brasil, e resolvi unir o útil ao agradável. A minha aluna tinha proporções generosas, adequada ao artigo sobre celulite, então propus a ela um escambo.

Faríamos uma sessão privada de desenho, com ela posando nua, eu ficaria com os direitos das imagens, podendo utilizá-los na ilustração da revista, e ela ficaria com os desenhos resultantes da sessão.

Ela topou, e assim foi feito, no dia combinado dispensei os empregados do estúdio, me muni de papéis, tintas, etc.., recebi minha aluna, expliquei como faríamos a sessão, e ela resoluta, porém um pouco tímida se despiu, subiu na mesa e iniciamos a sessão de desenho, que foi extremamente bem sucedida! Ambos saimos satisfeitos, foi ótimo!

é isso, por fernando stickel [ 15:02 ]

galeria olido


Eu na obra do saguão

Em 2004, a convite da minha amiga Sylvia Moreira, arquiteta responsável pela projeto da obra de retrofit da Galeria Olido na Av. São João, sede da Secretaria Municipal de Cultura, fiz durante vários meses uma consultoria informal no projeto, abordando principalmente cores e acabamentos de várias salas de espetáculos, paredes, portas, poltronas, forros, etc… O projeto original do edifício data de 1957, autoria de Domício de Almeida.

Doei também a minha obra Branca, que foi instalada na recepção da Galeria Olido.

é isso, por fernando stickel [ 23:10 ]

agosto da fotografia

Quando fiz minha exposição de fotos da série “Vila Olímpia” em maio 2006 na Pinacoteca, com curadoria de Diógenes Moura, fiquei conhecendo o Marcelo Reis, curador da Casa da Photographia em Salvador BA. Ele me convidou a expor minhas fotos no Festival Nacional de Fotografia – Agosto da Fotografia Ano II em Salvador, BA, no Goethe Institut ICBA (Instituto Cultural Brasil-Alemanha) em agosto 2006.

Foi maravilhoso receber este convite, logo na sequência da mostra na Pinacoteca, me senti energizado, valorizado, parecia que o meu trabalho com fotografia era um renascimento, além de tudo a equipe da Casa da Photographia fez tudo funcionar perfeitamente!


Sandra e eu na exposição


Eu falando sobre meu trabalho, na inauguração da exposição no Goethe Institut de Salvador. Ao lado a maravilhosa equipe da Casa da Photographia!


Goethe-Institut de Salvador

é isso, por fernando stickel [ 7:06 ]

foto atual 1985-2005


Fui convidado pelo João Pedrosa a participar de uma exposição coletiva de fotógrafos na Arte Pedrosa Galeria de Arte, na Al. Franca 1558, com abertura na quarta-feira, 22/6/05 às 19:00h.

A mostra se chama Foto Atual 1985 – 2005.

É a primeira vez que exponho fotos, estou muito excitado com a novidade! É uma honra ser convidado para expor ao lado de feras como Alexandre da Cunha, Armando Prado, Cassio Vasconcellos, Daniel Klajmic, Douglas Garcia, Iran do Espírito Santo, Marcelo Krasilcic, Milton Machado, Miguel rio Branco, Paulo Vainer, Ricardo Van Steen, Roberto Donaire, Roberto Stelzer, Rubem Azevedo, Tiago Judas, Tuca Reinés e Vik Muniz.


Meu amigo Aly veio especialmente para ver minha foto, da série “Vila Olímpia”


Sandra e eu, felizes, em foto de Nina Jacobi


João Pedrosa e convidada


Minha foto exposta


João Pedrosa e Jeanete Musatti

é isso, por fernando stickel [ 8:35 ]

primeiro salão paullista

Participei em novembro 1980 do I Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura e realizado na Fundação Bienal de São Paulo, no Ibirapuera.

Enviei três trabalhos sobre papel, dimensões 22,5 x 180 cm. produzidos no início 1980.

O secretário de cultura na época era Antonio Henrique da Cunha Bueno, e o júri de seleção e premiação composto por Paulo Chaves, Lourdes Cedran, Sheila Leirner e Ivo Zanini.

A história da vida destes trabalhos:
Você rasou: Participou do Salão, depois doei para Iris, que por sua vez doou para meu filho Antonio.
Sivas: Participou do Salão, depois doei para Rachel.
Astrodome: Participou do Salão, depois passou pela Galeria Paulo Figueiredo em 1982, e finalmente dei de presente no casamento dos meus amigos Luciana e Otávio.

é isso, por fernando stickel [ 12:26 ]

pratos para a arte

Participei do leilão “Pratos para a Arte III”, em 22 agosto 2000, promovido pela Associação Cultural Amigos do Museu Lasar Segall, no Galpão Eva Modiano. O leiloeiro foi Antonio Maschio.

Fui convidado a participar por Sonia Matarazzo e Eliane Fagundes, do Atelier Barro Blanco, lá realizei o meu prato, foi muito interessante e gostoso, novos tipos de tintas e depois ver a peça queimada, pronta!

Sandra Pierzchalski arrematou meu prato!

é isso, por fernando stickel [ 16:34 ]

espaço virgílio


O convite

virgilio
Sandra e eu, felizes!

Em 2001 aluguei durante o mês de dezembro o Espaço Virgílio em Pinheiros, SP, onde expus minhas pinturas e desenhos. A exposição teve o título de FERNANDO STICKEL – PINTURAS E DESENHOS, o vernissage foi no dia 29/11/01.
Neste espaço posteriormente funcionou a Galeria Virgílio, naquela época um grupo de artistas gerenciava o espaço, e inclusive o alugava.
Sou adepto deste tipo de solução alternativa, pois muitas vezes negociar uma exposição com as galerias de arte pode ser uma tarefa insanamente longa, cansativa e frustrante.
Pude desta maneira organizar a exposição da maneira que eu achei correta, com dois grupos de desenhos, um recente só de nus, e um “histórico” com trabalhos antigos, e também um grupo de pinturas recentes.


Este trabalho intitulado BRANCA doei posteriormente à Prefeitura de São Paulo, e foi exposto na inauguração da Galeria Olido, em 10 Setembro 2004.


Champagne!

é isso, por fernando stickel [ 12:46 ]

modulares formaespaço

Nos anos 70 a construtora Formaespaço construiu uma série de edifícios modulares, com projeto do arquiteto Abrahão Sanovicz. Eu moro no Modular Delta e sou seu síndico, nesta condição estou me interessando no que ocorre nos prédios “gêmeos” todos situados em São Paulo, e todos nomeados com letras do alfabeto grego, que são:

Modular Alfa – Rua Graúna 271 – Moema
Modular Beta – Av. Divino Salvador 863 – Moema
Modular Gama – Av. Jurema 888 – Indianópolis
Modular Delta 1 & 2 – Av. Lavandisca 52 – Moema
Modular Epsilon – Av. Lavandisca 622 – Moema
Modular Dzeta – Av. Irerê 976 – Planalto Paulista
Modular Eta – Av. Cons. Rodrigues Alves 999 – Vila Mariana
Modular Lambda 1 & 2 – R. Dr. Tomás Carvalhal 310 – Paraíso
Modular Omicron – R. Tabapuã 281 – Itaim Bibi
Modular Sigma 1 & 2 – Rua Caiubi 321 – Perdizes
Modular Omega – R. Vieira de Morais 601 – Campo Belo
Modular Vega – R. Campevas 325 – Perdizes

é isso, por fernando stickel [ 11:46 ]

a ordem em questão

Participei da exposição “A Ordem em Questão” na Galeria de Arte UFF (Universidade Federal Fluminense) em Niterói RJ em abril de 1986, com a pintura “Memories of the past/Memories of the present, realizada em New York em 1985, acrílica sobre tela, 56 x 392 cm.

A curadoria da exposição foi de Luiz Sérgio da Cruz de Oliveira, com texto crítico de Marcio Doctors, e os participantes foram:
Adriano de Aquino, Eduardo Sued, Fernando Borges, Fernando Stickel, Gerardo Villaseca, João Grijó, Nelson Augusto, Paulo Roberto Leal, Rachel de Almeida Magalhães, Ronaldo do Rego Macedo.


O convite

é isso, por fernando stickel [ 17:15 ]

jimmy hendrix no tapete


Nosso cãozinho da raça Jack Russell, Jimmy Hendrix, relaxa no tapete que criei.

Meus amigos Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi criaram nos anos 80 a Companhia dos Tapetes Ocidentais, e me convidaram a criar um tapete para a exposição “13 Tapetes Ocidentais” na Paulo Figueiredo Galeria de Arte em São Paulo, vernissage em 27 agosto em 1987.

Os 13 artistas convidados para a mostra foram:
Antonio Lizarraga, Antonio Peticov, Carlos Alberto Fajardo, Claudio Tozzi, Dudi Maia Rosa, Esther Grinspun, Fernando Stickel, Gilberto Salvador, Guto Lacaz, Ivald Granato, Takashi Fukushima, Tomie Ohtake, Wesley Duke Lee

A partir do meu projeto a Companhia criou dois tapetes, um em lâ, e o outro em acrílica. Os dois adornam minha casa hoje em dia, com ligeira diferença de cor.

é isso, por fernando stickel [ 11:35 ]

VIII salão nacional

Participei do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela FUNARTE, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) em dezembro 1985.


Os três trabalhos, denominados Zinc Paroles, Bristol Panamarenko e Brasil Brezil são pinturas em acrílica sobre tela, em chassis dimensionados, 56 x 392 cm. executados em 1985

Quando morei em Nova York em 1984/1985 produzi lá vários trabalhos em papel, na primeira fase da minha estadia na Clinton Street, na sequência na 18 Street produzi também pinturas em tela.

Recebi de amigos o edital de convocação do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, me interessei em participar e produzi três telas de grandes dimensões.

Em um almoço antes da minha viagem eu havia conhecido uma restauradora de nome Jade Gadoti, trocamos endereços e viajei para Nova York. Com as telas prontas, jeans em 1985 eu precisava montar um esquema para produzir os chassis no Brasil, esticar as telas, e enviá-las ao Salão no MAM Rio de Janeiro.
Consultei a Jade expliquei o problema e ela se dispôs resolver a questão, pedi ajuda também para meu pai Erico, que providenciou pagamentos, etc… Faltava o transporte das telas de Nova York para São Paulo, foi aí que entrou em ação meu amigo Paulo Herkenhoff que se dispôs a levar as telas, bem enroladas elas faziam um volume razoável, ainda assim ele topou.

Tudo funcionou, os chassis complexos ficaram perfeitos, a entelagem também, e assim participei da exposição à distancia. Obrigado Jade, Paulo e Papai!


Ferderico Morais escreve sobre o Salão.

é isso, por fernando stickel [ 15:44 ]

falta de “clareza”

Em dezembro de 1985 voltei de uma estadia de 15 meses em New York e fui morar em um estúdio na R. Ribeirão Claro, na Vila Olímpia em São Paulo.

No ano seguinte iniciei uma pesquisa com trabalhos com lâmpadas, que não chegaram a nenhum lugar, a não ser em dois trabalhos, um pequeno e um gigantesco…

A casa/estúdio estava ainda no início da arrumação, foi um trabalho imenso recuperar padrões mínimos da habitabilidade, mas o resultado valeu a pena, pois fiquei mais de 20 anos morando e trabalhando no mesmo local.


Este é o trabalho “pequeno”, cerca de 35 cm. de diâmetro, madeira, espelho e lâmpada incandescente, com o fio elétrico ligado direto na tomada.


Este é o trabalho imenso, com 4,5 m. de comprimento “Branca”

é isso, por fernando stickel [ 18:43 ]

salão de rio claro

Participei do II Salão de Artes Visuais de Rio Claro com três desenhos em 1982, promovido pela Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, no Centro Cultural de Rio Claro.

A comissão de seleção e premiação foi composta por Alberto Beuttemmuller, Casemiro Xavier de Mendoça, Fabio Magalhães, Ivo Zanini e Paulo Chaves.

Participei com desenhos intitulados Animula, Pundit e Audit, na foto acima, lápis de cor e esmalte sobre papel, 26 x 182 cm. 1982

é isso, por fernando stickel [ 15:56 ]

galeria olido


“Branca” grafite, lápis de cor e esmalte s/ papel s/ tecido s/ painel de madeira e instalação elétrica com 26 lâmpadas 25W e dimmer
180 x 450 cm 1985


Capa do catálogo

Participei com o meu trabalho “Branca” do 9º Salão Nacional de Artes Plásticas Sul, promovido pela FUNARTE no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS em Porto Alegre em outubro de 1986, minha amiga e também artista plástica Ana Alegria me ajudou em todo o processo de montagem. Na sequência o trabalho foi exposto na minha exposição individual na Galeria Virgílio em 2001.


“Branca” no saguão da Galeria Olido, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura, de São Paulo


“Branca” no saguão da Galeria Olido


Sandra Pierzchalski e Agnaldo Farias, curador da mostra inaugural, em frente ao trabalho Aurora de Carmela Gross

Doei a obra Branca à Secretaria Municipal de Cultura em Fevereiro 2004, por ocasião da comemoração dos 450 anos da Cidade de São Paulo e da inauguração da Galeria Olido.
A inauguração da galeria foi na sexta-feira, 10 setembro 2004 às 19:30h. Discursos intermináveis, muita gente, tumulto, barulho, tudo isso faz parte.
O importante, para mim, é que o trabalho que doei à Secretaria Municipal de Cultura ficou impecávelmente instalado no saguão de entrada, conforme projeto feito conjuntamente com a arquiteta Sylvia Moreira.
As cores dos ambientes e detalhes de acabamento que determinei também ficaram perfeitos. Esta é a enorme satisfação profissional.


Carta ao Secretário de Cultura, Celso Frateschi

é isso, por fernando stickel [ 8:08 ]

IV salão nacional


Três desenhos, pastel sobre papel, 26 x 160 cm. executados em 1980

Participei do IV Salão Nacional de Artes Plásticas promovido pela FUNARTE no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-RJ em novembro 1981.

A comissão de Seleção e Premiação foi constituída por Amilcar de Castro, Anna Letycia Quadros, Aracy Amaral, Frederico Morais, Ítalo Campofiorito e Walmir Ayala.

O Salão aceitava desenho, gravura, pintura, escultura e “Propostas” que seriam instalações. Participei com três desenhos, intitulados Vessel, Nasser e Hippodroma.

é isso, por fernando stickel [ 18:00 ]

cumprimentei sarney

Marco da arquitetura e do urbanismo modernos, a cidade de Brasília DF, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO, detendo a maior área tombada do mundo: 112,25 km². É, até hoje, o único bem contemporâneo a receber esta distinção nesta escala.

O reconhecimento veio em 7 de dezembro de 1987 e teve um protagonista central: O mineiro José Aparecido de Oliveira</em> (1929-2007), então governador do Distrito Federal (1985–1988). Foi ele quem liderou o processo de candidatura, mobilizou o Itamaraty, especialistas em patrimônio e a própria UNESCO, articulando técnica e diplomaticamente a defesa da capital brasileira.
José Aparecido sustentava que Brasília não era apenas a sede administrativa do país, mas um marco incontornável do urbanismo do século XX — resultado do Plano Piloto de Lúcio Costa e do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

Para convencer a UNESCO, foi necessário mais do que exaltar a qualidade do projeto original: era preciso demonstrar compromisso concreto com sua preservação. José Aparecido impulsionou instrumentos legais e diretrizes urbanísticas que asseguraram à organização internacional a integridade do Plano Piloto.

Naquele período, minhas conexões mineiras estavam muito ativas. Eu tinha acabado de fazer uma exposição em Belo Horizonte, na galeria do Grupo Corpo em 1986, namorava a Helena Bricio e era amigo do Nirlando Beirão (1948-2020). O próprio José Aparecido me enviou um convite para a cerimônia oficial de celebração.


Conjunto Residencial da Colina

Contactei minha amiga e colega da FAUUSP Sylvia Ficher, arquiteta e moradora de Brasília, e pedi abrigo — prontamente concedido. Ela morava no Conjunto Residencial da Colina, no Setor Habitacional de Professores da Universidade de Brasília (UnB), projeto do arquiteto João Filgueiras Lima</em>, carinhosamente conhecido como Lelé. Foi bom conhecer um dos ícones da arquitetura dos anos 60!

Desembarquei com um terno azul-marinho na mala e me preparei para a festa, marcada para o fim da tarde. Peguei um táxi e fui me misturar às autoridades.

A casa era grande, branca, em um estilo arquitetônico que nada tinha a ver com Brasília, talvez um neo-colonial-espanhol, alguma coisa indefinida. Encontrei um ou dois arquitetos conhecidos; conversávamos e bebericávamos enquanto o ambiente ganhava densidade política. De repente, um burburinho surgiu no extremo oposto do salão. Luzes de cinegrafistas começaram a se mover na nossa direção. A notícia correu rápido: o presidente havia chegado.

José Sarney avançava cumprimentando convidados. A trupe veio se aproximando de nós, de repente estavam na nossa frente, Sarney parou diante de mim e estendeu a mão. Apertei-a — mais por protocolo do que por convicção. A sensação foi imediata e desagradável: mão frouxa, úmida.
O gesto durou segundos. A cena, no entanto, ficou (infelizmente) gravada na minha memória.

A seguir texto da Sylvia Ficher:

Senzala e Casa Grande
Publicado em: 5º SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO
URBANISMO. Cidades: temporalidades em confronto.
Campinas: PUC/Campinas, 1998. (CD-ROM)
Após vinte anos de ditadura, período dominado pela política demagógica do BNH,
quando os estudos de análise urbana começavam a duras penas a repercutir na
prática urbanística, eis que os interesses políticos do então governador do Distrito
Federal, José Aparecido, levaram a UNESCO a afixar selo de qualidade em Brasília,
declarada ‘Patrimônio da Humanidade’ em 1987. Talvez desavisada, a honrada
instituição cultural então contribuía para a entronização de um velho modelo – aquele
preconizado pela Carta de Atenas em 1933 – há muito avaliado, criticado e descartado
por quem se dedica ao estudo das cidades, de seu impacto sobre o meio ambiente, de
suas lógicas de localização, de suas morfologias, de seus processos de parcelamento
e ocupação do solo, de sua economia etc..
Como era de se esperar, por conta do prestigioso título vinha rápido em 1990 o
tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o qual
descobria, tautologicamente, a excepcionalidade de Brasília. [A tautologia é evidente:
Brasília tornara-se excepcional para a UNESCO por que o governador assim havia
afirmado, portanto Brasília será excepcional para o IPHAN por que a UNESCO assim
o decretou]. E vinha, mais rápido ainda, o descarte do diagnóstico sério sobre a cidade
e seu entorno feito pelo GT Brasília para a própria UNESCO.
Afinal, o que vem sendo considerado patrimônio da humanidade, de que se ocupa o
IPHAN em Brasília? Da expansão urbana do Distrito Federal, com mais de dois
milhões de habitantes, dispersos insensatamente por área várias vezes maior do que
a ocupada por uma cidade tradicional de igual porte nas chamadas ‘cidades satélites’
(os subúrbios de baixa renda e cidades dormitórios em Brasília) e ‘invasões’ (as
favelas brasilienses), onde se repetem as mazelas típicas das cidades do 3º Mundo na
carência de água e esgotos, de pavimentação e iluminação, de serviços mínimos de
saúde, educação e segurança, de transportes coletivos eficientes e acessíveis, de
equipamentos culturais e de lazer?
Ou a casa grande desta grande senzala, onde vive menos de um terço de sua
população, reverentemente conhecida pelos excluídos como ‘Plano Piloto’?
É este último o patrimônio da humanidade. De um só golpe retórico, ao mesmo tempo
em que se refaz a realidade, conta-se uma falsa história – a do sucesso do urbanismo
modernista para o desenho de cidades, o qual teria criado no ‘árido’ planalto central
um oásis urbano, graças à sabedoria de suas proposições: a cidade linear disposta em
jardins (a custos altíssimos para o bolso do contribuinte), a preponderância do sistema
viário sobre a rua tradicional (que cobra seu preço em vidas humanas, na cidade com
o mais alto índice de acidentes de trânsito com vítimas fatais do país), a indefinição
entre espaço público e privado (que permite aos especuladores o completo descaso
para com o mínimo previsto em qualquer código de obras, como soleiras, calçadas e
guias), o apogeu do edifício isolado (acarretando o aumento desnecessário das
distâncias urbanas e, consequentemente, do custo da infraestrutura e dos transportes
coletivos) e por fim, mas não menos, a definitiva monumentalização da arquitetura
cotidiana, tornada escultura para gáudio dos arquitetos formalistas.
Hoje, aqueles que obram pela preservação da memória da cultura brasileira – dos
documentos tradicionais da historiografia às realizações materiais do passado –
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deparam-se mais uma vez com a ação mistificadora das elites brasileiras, mais
preocupadas em preservar – e reproduzir – sua falsa consciência.
Assim como Ruy Barbosa buscou reescrever nosso passado queimando os registros
da escravidão em 1890, a política oficial de preservação no Brasil deixou sempre de
considerar as manifestações arquitetônicas populares. Quem visitar um engenho do
ciclo do açúcar não irá encontrar as marcas de uma unidade produtiva representativa
de nossa economia colonial, dependente e escravista, mas apenas a materialização
do poderio da oligarquia: a casa grande, uma vez que a senzala há muito
desapareceu nesta assepsia do passado. Em termos atuais, seria como tomar o
check-up do ministro da Saúde como testemunho da saúde de nosso povo, a mansão
da alta burguesia como testemunho dos padrões de habitação em nossas cidades.
Mas se é a parcela casa grande da capital federal que se quer proteger, por que tanto
espalhafato, por que recorrer a títulos internacionais ou ao tombamento por lei? Afinal
essa Brasília do plano piloto não corre risco algum, afora um ou outro quebra-quebra
conduzido pela população ‘insensível’ no desespero dos protestos dos sem terra, sem
saúde, sem emprego e demais despossuídos.
O plano piloto está duramente protegido por uma legislação restritiva, que impõe uma
setorização alheia à vida real e impede o desenvolvimento de tipologias mais
adequadas às necessidades de seus habitantes, e pela propriedade do solo pelo
Estado que, este sim, faz sua especulação fundiária própria, entesourando as grandes
áreas ainda desocupadas ao redor do plano piloto, enquanto mantém as populações
de baixa renda a distâncias cruéis. Quanto aos monumentos e espaços diferenciados
de Brasília, como a Catedral, a Esplanada dos Ministérios, os diversos palácios onde
se assentam os donos do poder, estes sim estão ameaçados constantemente, não
pela incúria dos brasilienses mas pela vaidade de seu autor que – rodeado por sua
corte pessoal – incessantemente altera e remenda sua própria obra com novos
apêndices e penduricalhos.
Em nome da preservação da ‘modernidade’ de Brasília, a preservação de práticas
sociais arcaicas de discriminação. O novo anexo do Supremo Tribunal, rompendo a
escala e o equilíbrio do principal espaço monumental da cidade – a Praça dos Três
Poderes – é aprovado sem maiores delongas; afinal, tem a griffe Niemeyer. Já ali
perto, no combate a uma feira de produtos contrabandeados (cuja existência não será
aqui discutida, mas que passa pela informalização da economia brasileira, seu
subemprego e outros ‘avanços’ neoliberais, e sobrevive no convívio franco do legal e
do ilegal), a administração do Plano Piloto conjura a inadequação de sua localização,
uma vez que o estacionamento do estádio Mané Garrincha – quem diria – é ‘tombado’!
Enquanto a Praça dos Três Poderes é desfigurada pela construção de um espigão
com detalhes neogóticos e de qualidade discutível, o que causa alvoroço é o
estacionamento de um estádio de esportes, para o olhar oficioso ‘descaracterizado’
por umas tantas barraquinhas improvisadas e provisórias.
As ações ‘preservacionistas’ do IPHAN, conforme divulgadas nos jornais, são
estarrecedoras. Em defesa das ‘características ímpares’ de Brasília, síndicos são
arrochados por ousar plantar cercas vivas ao redor de áreas com ‘pilotis’ no esforço de
criar uma distinção mínima entre o público e o privado, e condôminos são impedidos
de reformas banais, como a remoção de lixeiras em obediência às exigências
sanitárias. Fechando de vez o cerco (e a cerca), o IPHAN apoia projeto de lei que
pretende transformar as superquadras em condomínios particulares, dando de
presente, privatizando a custo zero a cidade e instaurando o reinado das empresas
paramilitares de segurança.
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Surpreendente mesmo é a certeza do IPHAN quanto às ‘características ímpares’ de
Brasília. Meses atrás suas manifestações indicavam que o must da cidade é o pilotis;
logo depois, embasado no vácuo de sua reflexão sobre o urbano, afirmava que vias
exclusivas para ônibus na W3 são inaceitáveis. Afinal, que mandato, que expertise
profunda têm os senhores do IPHAN, em que compêndios tanta expertise está
explanada para se arvorarem em guardiões do certo ou errado urbanístico de Brasília?
Mas nada disso ocorre sem conflito, como mostra episódio recente quando, em nome
de obscuros critérios de restauração (original versus cópia, quiçá?), criou-se uma
polêmica em torno da reforma de uma laje da Rodoviária. Correndo por fora, brigando
pelo aval de laços com os nomes daqueles que conceberam a cidade, grupos de
poder se digladiam encarniçadamente pelo monopólio do direito de mando
arquitetônico e urbanístico em Brasília.
E assim um dos maiores complexos urbanos do país fica sujeito aos desígnios destes
grupos que fazem e desfazem a cidade, utilizando o tombamento para sua
legitimação, por este justificados em seu elitismo e absolvidos de seu descaso perante
os reais problemas sociais da cidade e do país. Enquanto isso, discussões sobre o
planejamento de Brasília, ações em sua estrutura, melhorias de suas condições de
urbanidade são obstruídas por discursos superficiais e preconceituosos, que invocam
argumentos de autoridade no trato do fenômeno urbano. E todos nós perdemos a
oportunidade de contribuir de fato para a conservação daquelas qualidades
indiscutíveis de Brasília e para a revisão de tantos erros que marcam sua história
ainda tão jovem. De quebra, avança-se em mais um desserviço ao debate
contemporâneo sobre as cidades brasileiras.
Durmamos tranquilos em um quarto arejado da casa grande. A velha ordem está
preservada.
Algumas fontes
Robert Conrad. Brazilian Slavery. Boston: G. K. Hall, 1977.
Millôr Fernandes. Visita. Jornal de Brasília, p. 11, 27 jun. 1985.
Brasília‚ patrimônio da humanidade. Jornal de Brasília, p. 1 e 12, 8 dez. 1987.
Niemeyer: o monopólio de um gênio questionado. Jornal de Brasília, p. 15, 13 dez.
1987.
Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade. Jornal de Brasília, Caderno Especial, 1
jan. 1988.
Roberto Schwarz. A cidade total. Folha de São Paulo, p. 6/8 e 6/9, 27 mar. 1994.
STJ inaugura sede e empossa Bueno de Souza na presidência. Correio Brazilienze, p.
4, 24 jun. 1995.
Presidente do STJ defende sede luxuosa. Folha de São Paulo, p. 1/8, 24 jun. 1995.
Jânio de Freitas. Exemplo de austeridade. Folha de São Paulo, p. 1/5, 25 jun. 1995.
Maria Elisa Costa. Paisagismo em Brasília. Correio Brazilienze, p. 9, 11 jan. 1997.

é isso, por fernando stickel [ 23:28 ]

show do super bowl

Pela primeira vez na vida assisti ao show do intervalo do Super Bowl, com o tal Bad Bunny, criatura cuja existência me era desconhecida até então.
Do ponto de vista do espetáculo foi interessante, por uns dois ou três minutos, o cenário caribenho, latino-americano, com dançarinos, cana de açúcar, casita, etc… Do ponto de vista da música, lamentável, o artista parecia ter bolas de gude na boca, não se entendia uma única palavra, o que também não tem nenhuma importância. Nota 3 para o conjunto da obra. Um bando de dançarinos chacoalhando freneticamente os glúteos, e o artista apalpando os genitais a cada três acordes só adicionaram desgosto ao espetáculo.

Mas… do ponto de vista político foi um golaço!!!

é isso, por fernando stickel [ 16:58 ]

conta vermelha no post-it

Conta vermelha no post-it. É só isso.

é isso, por fernando stickel [ 18:16 ]