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...desde janeiro de 2003

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cumprimentei sarney

Marco da arquitetura e do urbanismo modernos, Brasília, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO, detendo a maior área tombada do mundo: 112,25 km². É, até hoje, o único bem contemporâneo a receber esta distinção nesta escala.

O reconhecimento veio em 7 de dezembro de 1987 e teve um protagonista central: O mineiro José Aparecido de Oliveira</em> (1929-2007), então governador do Distrito Federal (1985–1988). Foi ele quem liderou o processo de candidatura, mobilizou o Itamaraty, especialistas em patrimônio e a própria UNESCO, articulando técnica e diplomaticamente a defesa da capital brasileira.
José Aparecido sustentava que Brasília não era apenas a sede administrativa do país, mas um marco incontornável do urbanismo do século XX — resultado do Plano Piloto de Lúcio Costa e do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

Para convencer a UNESCO, foi necessário mais do que exaltar a qualidade do projeto original: era preciso demonstrar compromisso concreto com sua preservação. José Aparecido impulsionou instrumentos legais e diretrizes urbanísticas que asseguraram à organização internacional a integridade do Plano Piloto.

Naquele período, minhas conexões mineiras estavam muito ativas. Eu tinha acabado de fazer uma exposição em Belo Horizonte, na galeria do Grupo Corpo em 1986, namorava a Helena Bricio e era amigo do Nirlando Beirão (1948-2020). O próprio José Aparecido me enviou um convite para a cerimônia oficial de celebração.


Conjunto Residencial da Colina

Contactei minha amiga e colega da FAUUSP Sylvia Ficher, arquiteta e moradora de Brasília, e pedi abrigo — prontamente concedido. Ela morava no Conjunto Residencial da Colina, no Setor Habitacional de Professores da Universidade de Brasília (UnB), projeto do arquiteto João Filgueiras Lima</em>, carinhosamente conhecido como Lelé. Foi bom conhecer um dos ícones da arquitetura dos anos 60!

Desembarquei com um terno azul-marinho na mala e me preparei para a festa, marcada para o fim da tarde. Peguei um táxi e fui me misturar às autoridades.

A casa era grande, branca, em um estilo arquitetônico que nada tinha a ver com Brasília, talvez um neo-colonial-espanhol, alguma coisa indefinida. Encontrei um ou dois arquitetos conhecidos; conversávamos e bebericávamos enquanto o ambiente ganhava densidade política. De repente, um burburinho surgiu no extremo oposto do salão. Luzes de cinegrafistas começaram a se mover na nossa direção. A notícia correu rápido: o presidente havia chegado.

José Sarney avançava cumprimentando convidados. A trupe veio se aproximando de nós, de repente estavam na nossa frente, Sarney parou diante de mim e estendeu a mão. Apertei-a — mais por protocolo do que por convicção. A sensação foi imediata e desagradável: mão frouxa, úmida.
O gesto durou segundos. A cena, no entanto, ficou (infelizmente) gravada na minha memória.

A seguir texto da Sylvia Ficher:

Senzala e Casa Grande
Publicado em: 5º SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO
URBANISMO. Cidades: temporalidades em confronto.
Campinas: PUC/Campinas, 1998. (CD-ROM)
Após vinte anos de ditadura, período dominado pela política demagógica do BNH,
quando os estudos de análise urbana começavam a duras penas a repercutir na
prática urbanística, eis que os interesses políticos do então governador do Distrito
Federal, José Aparecido, levaram a UNESCO a afixar selo de qualidade em Brasília,
declarada ‘Patrimônio da Humanidade’ em 1987. Talvez desavisada, a honrada
instituição cultural então contribuía para a entronização de um velho modelo – aquele
preconizado pela Carta de Atenas em 1933 – há muito avaliado, criticado e descartado
por quem se dedica ao estudo das cidades, de seu impacto sobre o meio ambiente, de
suas lógicas de localização, de suas morfologias, de seus processos de parcelamento
e ocupação do solo, de sua economia etc..
Como era de se esperar, por conta do prestigioso título vinha rápido em 1990 o
tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o qual
descobria, tautologicamente, a excepcionalidade de Brasília. [A tautologia é evidente:
Brasília tornara-se excepcional para a UNESCO por que o governador assim havia
afirmado, portanto Brasília será excepcional para o IPHAN por que a UNESCO assim
o decretou]. E vinha, mais rápido ainda, o descarte do diagnóstico sério sobre a cidade
e seu entorno feito pelo GT Brasília para a própria UNESCO.
Afinal, o que vem sendo considerado patrimônio da humanidade, de que se ocupa o
IPHAN em Brasília? Da expansão urbana do Distrito Federal, com mais de dois
milhões de habitantes, dispersos insensatamente por área várias vezes maior do que
a ocupada por uma cidade tradicional de igual porte nas chamadas ‘cidades satélites’
(os subúrbios de baixa renda e cidades dormitórios em Brasília) e ‘invasões’ (as
favelas brasilienses), onde se repetem as mazelas típicas das cidades do 3º Mundo na
carência de água e esgotos, de pavimentação e iluminação, de serviços mínimos de
saúde, educação e segurança, de transportes coletivos eficientes e acessíveis, de
equipamentos culturais e de lazer?
Ou a casa grande desta grande senzala, onde vive menos de um terço de sua
população, reverentemente conhecida pelos excluídos como ‘Plano Piloto’?
É este último o patrimônio da humanidade. De um só golpe retórico, ao mesmo tempo
em que se refaz a realidade, conta-se uma falsa história – a do sucesso do urbanismo
modernista para o desenho de cidades, o qual teria criado no ‘árido’ planalto central
um oásis urbano, graças à sabedoria de suas proposições: a cidade linear disposta em
jardins (a custos altíssimos para o bolso do contribuinte), a preponderância do sistema
viário sobre a rua tradicional (que cobra seu preço em vidas humanas, na cidade com
o mais alto índice de acidentes de trânsito com vítimas fatais do país), a indefinição
entre espaço público e privado (que permite aos especuladores o completo descaso
para com o mínimo previsto em qualquer código de obras, como soleiras, calçadas e
guias), o apogeu do edifício isolado (acarretando o aumento desnecessário das
distâncias urbanas e, consequentemente, do custo da infraestrutura e dos transportes
coletivos) e por fim, mas não menos, a definitiva monumentalização da arquitetura
cotidiana, tornada escultura para gáudio dos arquitetos formalistas.
Hoje, aqueles que obram pela preservação da memória da cultura brasileira – dos
documentos tradicionais da historiografia às realizações materiais do passado –
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deparam-se mais uma vez com a ação mistificadora das elites brasileiras, mais
preocupadas em preservar – e reproduzir – sua falsa consciência.
Assim como Ruy Barbosa buscou reescrever nosso passado queimando os registros
da escravidão em 1890, a política oficial de preservação no Brasil deixou sempre de
considerar as manifestações arquitetônicas populares. Quem visitar um engenho do
ciclo do açúcar não irá encontrar as marcas de uma unidade produtiva representativa
de nossa economia colonial, dependente e escravista, mas apenas a materialização
do poderio da oligarquia: a casa grande, uma vez que a senzala há muito
desapareceu nesta assepsia do passado. Em termos atuais, seria como tomar o
check-up do ministro da Saúde como testemunho da saúde de nosso povo, a mansão
da alta burguesia como testemunho dos padrões de habitação em nossas cidades.
Mas se é a parcela casa grande da capital federal que se quer proteger, por que tanto
espalhafato, por que recorrer a títulos internacionais ou ao tombamento por lei? Afinal
essa Brasília do plano piloto não corre risco algum, afora um ou outro quebra-quebra
conduzido pela população ‘insensível’ no desespero dos protestos dos sem terra, sem
saúde, sem emprego e demais despossuídos.
O plano piloto está duramente protegido por uma legislação restritiva, que impõe uma
setorização alheia à vida real e impede o desenvolvimento de tipologias mais
adequadas às necessidades de seus habitantes, e pela propriedade do solo pelo
Estado que, este sim, faz sua especulação fundiária própria, entesourando as grandes
áreas ainda desocupadas ao redor do plano piloto, enquanto mantém as populações
de baixa renda a distâncias cruéis. Quanto aos monumentos e espaços diferenciados
de Brasília, como a Catedral, a Esplanada dos Ministérios, os diversos palácios onde
se assentam os donos do poder, estes sim estão ameaçados constantemente, não
pela incúria dos brasilienses mas pela vaidade de seu autor que – rodeado por sua
corte pessoal – incessantemente altera e remenda sua própria obra com novos
apêndices e penduricalhos.
Em nome da preservação da ‘modernidade’ de Brasília, a preservação de práticas
sociais arcaicas de discriminação. O novo anexo do Supremo Tribunal, rompendo a
escala e o equilíbrio do principal espaço monumental da cidade – a Praça dos Três
Poderes – é aprovado sem maiores delongas; afinal, tem a griffe Niemeyer. Já ali
perto, no combate a uma feira de produtos contrabandeados (cuja existência não será
aqui discutida, mas que passa pela informalização da economia brasileira, seu
subemprego e outros ‘avanços’ neoliberais, e sobrevive no convívio franco do legal e
do ilegal), a administração do Plano Piloto conjura a inadequação de sua localização,
uma vez que o estacionamento do estádio Mané Garrincha – quem diria – é ‘tombado’!
Enquanto a Praça dos Três Poderes é desfigurada pela construção de um espigão
com detalhes neogóticos e de qualidade discutível, o que causa alvoroço é o
estacionamento de um estádio de esportes, para o olhar oficioso ‘descaracterizado’
por umas tantas barraquinhas improvisadas e provisórias.
As ações ‘preservacionistas’ do IPHAN, conforme divulgadas nos jornais, são
estarrecedoras. Em defesa das ‘características ímpares’ de Brasília, síndicos são
arrochados por ousar plantar cercas vivas ao redor de áreas com ‘pilotis’ no esforço de
criar uma distinção mínima entre o público e o privado, e condôminos são impedidos
de reformas banais, como a remoção de lixeiras em obediência às exigências
sanitárias. Fechando de vez o cerco (e a cerca), o IPHAN apoia projeto de lei que
pretende transformar as superquadras em condomínios particulares, dando de
presente, privatizando a custo zero a cidade e instaurando o reinado das empresas
paramilitares de segurança.
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Surpreendente mesmo é a certeza do IPHAN quanto às ‘características ímpares’ de
Brasília. Meses atrás suas manifestações indicavam que o must da cidade é o pilotis;
logo depois, embasado no vácuo de sua reflexão sobre o urbano, afirmava que vias
exclusivas para ônibus na W3 são inaceitáveis. Afinal, que mandato, que expertise
profunda têm os senhores do IPHAN, em que compêndios tanta expertise está
explanada para se arvorarem em guardiões do certo ou errado urbanístico de Brasília?
Mas nada disso ocorre sem conflito, como mostra episódio recente quando, em nome
de obscuros critérios de restauração (original versus cópia, quiçá?), criou-se uma
polêmica em torno da reforma de uma laje da Rodoviária. Correndo por fora, brigando
pelo aval de laços com os nomes daqueles que conceberam a cidade, grupos de
poder se digladiam encarniçadamente pelo monopólio do direito de mando
arquitetônico e urbanístico em Brasília.
E assim um dos maiores complexos urbanos do país fica sujeito aos desígnios destes
grupos que fazem e desfazem a cidade, utilizando o tombamento para sua
legitimação, por este justificados em seu elitismo e absolvidos de seu descaso perante
os reais problemas sociais da cidade e do país. Enquanto isso, discussões sobre o
planejamento de Brasília, ações em sua estrutura, melhorias de suas condições de
urbanidade são obstruídas por discursos superficiais e preconceituosos, que invocam
argumentos de autoridade no trato do fenômeno urbano. E todos nós perdemos a
oportunidade de contribuir de fato para a conservação daquelas qualidades
indiscutíveis de Brasília e para a revisão de tantos erros que marcam sua história
ainda tão jovem. De quebra, avança-se em mais um desserviço ao debate
contemporâneo sobre as cidades brasileiras.
Durmamos tranquilos em um quarto arejado da casa grande. A velha ordem está
preservada.
Algumas fontes
Robert Conrad. Brazilian Slavery. Boston: G. K. Hall, 1977.
Millôr Fernandes. Visita. Jornal de Brasília, p. 11, 27 jun. 1985.
Brasília‚ patrimônio da humanidade. Jornal de Brasília, p. 1 e 12, 8 dez. 1987.
Niemeyer: o monopólio de um gênio questionado. Jornal de Brasília, p. 15, 13 dez.
1987.
Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade. Jornal de Brasília, Caderno Especial, 1
jan. 1988.
Roberto Schwarz. A cidade total. Folha de São Paulo, p. 6/8 e 6/9, 27 mar. 1994.
STJ inaugura sede e empossa Bueno de Souza na presidência. Correio Brazilienze, p.
4, 24 jun. 1995.
Presidente do STJ defende sede luxuosa. Folha de São Paulo, p. 1/8, 24 jun. 1995.
Jânio de Freitas. Exemplo de austeridade. Folha de São Paulo, p. 1/5, 25 jun. 1995.
Maria Elisa Costa. Paisagismo em Brasília. Correio Brazilienze, p. 9, 11 jan. 1997.

é isso, por fernando stickel [ 23:28 ]

show do super bowl

Pela primeira vez na vida assisti ao show do intervalo do Super Bowl, com o tal Bad Bunny, criatura cuja existência me era desconhecida até então.
Do ponto de vista do espetáculo foi interessante, por uns dois ou três minutos, o cenário caribenho, latino-americano, com dançarinos, cana de açúcar, casita, etc… Do ponto de vista da música, lamentável, o artista parecia ter bolas de gude na boca, não se entendia uma única palavra, o que também não tem nenhuma importância. Nota 3 para o conjunto da obra. Um bando de dançarinos chacoalhando freneticamente os glúteos, e o artista apalpando os genitais a cada três acordes só adicionaram desgosto ao espetáculo.

Mas… do ponto de vista político foi um golaço!!!

é isso, por fernando stickel [ 16:58 ]

conta vermelha no post-it

Conta vermelha no post-it. É só isso.

é isso, por fernando stickel [ 18:16 ]

livros sobre automóveis

Fiz três livros sobre automóveis, o mais antigo “Clássicos” em 2020, depois “Sandra & Máquinas” de 2023, e finalmente o “JC’s Classics Garage” do final de 2025.

é isso, por fernando stickel [ 12:40 ]

viagem de 450 anos

“UMA VIAGEM DE 450 ANOS”

Exposição comemorativa do aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, com curadoria de Radha Abramo e colaboração da AICA – Associação Internacional dos Críticos de Arte, da ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, e da APAP – Associação Profissional dos Artistas Plásticos de São Paulo.

As obras participantes da exposição foram confeccionadas a partir do mesmo suporte, malas baratas de chapa de madeira, no qual os artistas trabalharam as mais diversas técnicas. A mala representa a quantidade de migrantes que participaram na construção da cidade tal qual é hoje. As obras serão montadas em uma grande instalação e há uma trilha sonora alusiva à cidade de São Paulo.
SESC Pompéia de 20/01 a 14/03/04 Terça sábado, das 9h às 20h30/ domingo e feriado, das 9h às 19h30.


A mala fechada


A mala aberta


As ferramentas e as peças desmontadas

Terminei o trabalho da mala para o SP 450. Raríssimas vezes um trabalho meu teve começo meio e fim tão rápido, tão redondo e com resultado tão bom. Tive clareza desde o primeiro minuto do partido do trabalho, desmontar a mala e reconstruí-la. Os acidentes de percurso, que sempre acontecem, foram para o bem, e o trabalho acabou super bem. Fico contente porque é uma maneira auspiciosa de iniciar o ano.

A maioria dos artistas simplesmente abriu a mala e colocou algo lá dentro, sendo as fotos e os espelhos os recheios favoritos, ou então fechou a mala e pintou algo nela.
Sendo absolutamente imparcial, posso dizer que cerca de 10 trabalhos são interessantes, e entre eles está o meu, o único pendurado na parede.
È curiosa ainda a discrepância entre o edital, que impunha a única limitação aos trabalhos, cujo peso não deveria ser superior a 5 kg, e a realidade de dezenas de trabalhos expostos com peso flagrantemente superior ao limite. Então, fica a pergunta aos organizadores:
-Para que se dar ao trabalho de elaborar um edital que destina-se a não ser respeitado?

Entre outros, participaram da exposição os artistas:

Amélia Toledo
Antônio Peticov
Caciporé Torres
Cássio Vasconcelos
Cláudio Tozzi
Cléber Machado
Domício Machado
Fernando Durão
Fernando Stickel
Gregório Gruber
Hudinilson Jr.
Iatã Canabrava
José Roberto Aguilar
Lúcia Py
Margot Delgado
Maria Bonomi
Maria Villares
Odette Eid
Percival Tirapelli
Regina Rennó
Rodolpho Parigi
Rubens Gerchman
Sandra Tucci
Vera Sabino

é isso, por fernando stickel [ 15:46 ]

faleceu brigitte bardot

Adeus a Brigitte Bardot.
a deusa brigitte bardot
Ela se foi aos 91 anos de idade. Que faça uma linda viagem, sempre de camisetinhas listradas sob o sol de alguma praia linda.

é isso, por fernando stickel [ 8:57 ]

faça um desenho

Em 2002 recebi pelo correio o Projeto Inserções da artista plástica Sandra Cinto, propondo: “Faça um desenho e envie para alguém” Adorei, sempre gostei muito de arte postal!

O que é o Projeto Inserções?
O Inserções foi um programa curatorial experimental (anos 2000) que convidava artistas a criar ações simples, replicáveis e abertas, muitas vezes sem objeto final fixo, enfatizando:
-Processo em vez de resultado
-Circulação em vez de exposição
-Participação em vez de contemplação
Nesse contexto, a obra de Sandra Cinto funciona mais como instrução poética do que como objeto artístico tradicional.

Levei a sugestão ao pé da letra, fiz 10 desenhos pequenos e enviei para 10 amigos. O retorno foi zero, ninguém agradeceu, ninguém comentou, ninguém contestou.

é isso, por fernando stickel [ 10:40 ]

pintura na aché


A pintura realizada na Aché

Eu conheci o dono da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A, Victor Siaulys (1936-2009), em um evento do Terceiro Setor.
Ele foi o criador, junto com a esposa Mara, da entidade filantrópica Laramara em homenagem à filha Lara, que nasceu cega. Criou também, em 1991 a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (hoje Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) de apoio a inclusão educacional e social da pessoa com deficiência visual.

No ano de 2001, após uma conversa com Victor, elaboramos uma ideia que frutificou em um trabalho interessante para a Aché, em sua sede em Guarulhos.

Durante a “Semana do Livro 2001”, realizada de 25 a 29/9/2001, no saguão térreo do prédio de escritórios da Aché em Guarulhos, eu pintei uma tela de 1,6 x 3,2m, perante os funcionários da Aché, conversando e interagindo com eles e respondendo perguntas, enquanto trabalhava.

Levei meus materiais e a tela, e montei um pequeno estúdio, à vista de todos, foi muito interessante!


Iniciando os trabalhos


Conversando com os funcionários Aché


Retoques finais


Hoje a pintura está na coleção do meu amigo Pierre Plas, no Château Du Plas, em São Roque SP

é isso, por fernando stickel [ 20:21 ]

o tarado de itanhaém


Na parede de tijolinhos o Restaurante La Tartine

Amor aos Pedaços ou O Tarado de Itanhaém

(Porquê ressuscitei este texto de 22 anos atrás: Conheci recentemente Itanhaém, e fiquei impressionado com a pobreza e a carência da cidade…)

Sandra e eu fomos ao teatro assistir a comédia “Vestir o pai”, de Mário Viana, com Karin Rodrigues, dirigida por Paulo Autran. Hilária, excelente!
Após o teatro fomos jantar no bistrô La Tartine, vizinho do restaurante Mestiço, muito gostoso simpático e barato, sempre com lugares disponíveis, ao contrário do Mestiço, sempre lotado. Nas mesas ao lado desenrolam-se cenas fascinantes, nos esforçamos para escutar sem dar bandeira, Sandra com seu ouvido de tísica é especialista na espionagem.

Ele: Alto, forte, ombros largos, por volta dos 45 anos, grisalho nas têmporas, cara de serial killer, médico legista contratado por concurso pela Prefeitura de Itanhaém, SP, prolixo, encantado com sua própria voz, alta e pausada, veste jeans, tênis e camisa cinza escuro e discorre sobre o milhão de dólares necessário para montar uma franquia McDonalds ou os R$ 200.000 para montar uma Amor aos Pedaços.
Ela: Mignon, gostosinha, parda, vulgar, sorriso semi-cretino nos lábios, bibliotecária do interior, parece ser excelente ouvinte, ou então está apenas embevecida pelo bonitão. Não sabe o que é Amor aos Pedaços. Ele: (declamando): – “Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida, você não sabe como estou feliz” e olha profundamente nos olhos dela, inclina-se para a frente e segura a mão da moça bem apertada. Logo a seguir: -“Você pode escolher o prato quente para dividirmos” mudando abruptamente para: “Eu sonhei em ter uma livraria”, e conta como é apaixonado pelos livros desde criança.

E assim vai ele solando sobre os mais diversos assuntos, conta como foi contratado pela Prefeitura, ela fixada nele. Aí conta como conseguiu obter gravações da ex-mulher com o amante, através de um enfermeiro do Savoy Pronto Socorro, e continua descrevendo suas aventuras para a baixinha, sempre vidrada nele, sempre com olhar entre embevecido e completamente idiota, depois volta a falar das franquias e da sua paixão pelos livros e a vontade de ter uma livraria, e também o desejo de montar academia de artes marciais… , o tempo passa, Sandra e eu mal conseguimos disfarçar a excitação, anotamos algumas coisas em guardanapos de papel, o assunto é extremamente fascinante. A moça não se dá conta, mas está correndo perigo. Algo neste casal nos passa uma tragédia suspensa por fios muito tênues, a brutal diferença física entre os dois, a obsessão sinistra do grandalhão evidenciada no seu falar pausado e monocórdio, a improvável salada de objetivos de vida…

Atrás de nós outro casal curioso, ele um jovem gatão gringo, cabelos longos, mãos bonitas e costas largas, na segunda caipirinha tripla, ela mulata esguia, cabelos anelados, insinuosa e sorridente, no segundo balde de dry-martini. Falam alto, ele em inglês e ela macarronicamente se dedica mais ao “body language”, se pegam, se beijam, a certa altura se levantam, e no meio do restaurante entre as mesas abraçam-se num longo beijo tarado e voltam a se sentar sorridentes. Mais dry-martini, mais caipirinha, o tom de voz se eleva, começam a brincar com os talheres fazendo um barulho danado, daqui a pouco se levantam novamente e se agarram mais intensamente, mão na bunda, beijos profundos, parece que de comum acordo estão fazendo uma prévia dos corpos, antes que desmaiem de tanto beber, dane-se o restaurante e quem estiver por perto. Neste caso a tragédia será apenas acordar com aquela puta dor de cabeça, talvez algumas manchas roxas e tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior…

é isso, por fernando stickel [ 20:47 ]

uma semana em los angeles

Uma Semana em Los Angeles

Em 1985 eu morava em Nova York e já havia marcado minha volta definitiva ao Brasil para passar o Natal com a família. No dia 23 de novembro, recebi uma ligação do meu querido amigo Jay Chiat (1931–2002):
— Hi Fernando! I’m going to LA, would you like to come?
Respondi imediatamente: Sure!
Jay enviou as informações da viagem e eu comprei um voo “red-eye” da PANAM, pousando em Los Angeles às três da madrugada de 3 de dezembro. No saguão, um motorista me aguardava e seguimos em uma Mercedes-Benz até 6 North Star, Marina del Rey. A rua estava completamente escura e, tateando no breu (sem celulares e lanternas…), procurei a campainha. Não lembro bem como consegui chamá-lo, mas depois de uns 20 minutos Jay abriu a porta. Fomos dormir.


Apartamento do Jay em Marina Del Rey

Na manhã seguinte descobri que estávamos literalmente de frente para o Pacífico, pé na areia. Saímos para fazer compras e tomar café no Porsche 944 preto. Depois corremos na praia e, pela primeira vez, mergulhei nas águas geladas do Pacífico.
Banho tomado, roupa limpa, fomos almoçar no 72 Market Street, decorado com obras de Billy Al Bengston e DeWain Valentine. Em frente ficava o estúdio de Jonathan Borofsky.


Market Street, Venice. À direita o restaurante, à esquerda o estúdio de Borofsky


Convite da galeria LA Louver para exposição Larry Bell

Após o almoço, visitamos a Galeria L.A. Louver, na 77 Market Street, onde havia uma exposição de Larry Bell. Jay me apresentou ao proprietário, Peter Goulds. Depois passamos no escritório do designer Bob Runyan (1925–2001), onde bebemos vinho e demos boas risadas.
Os dias seguintes foram nessa toada: Spago, Scratch, Chinois, La Toque, Michaels… No MOCA, vi pela primeira vez o trabalho de James Turrell, na retrospectiva Occluded Front.


James Turrell, retrospectiva Occluded Front. Fiquei impressionado com este trabalho


Frank Gehry

Um dia Jay me levou ao estúdio de Frank Gehry (1929-2025) em Venice — uma enorme fábrica caótica, com dezenas de maquetes de papelão penduradas no teto e poltronas igualmente de papelão espalhadas pelo espaço aberto. Gehry nos recebeu com simpatia.

À noite, fomos jantar no Rebecca’s, na 2025 Pacific Avenue, projeto recente de Gehry. Chegamos no 944 preto e, para minha vergonha, eu não conseguia achar a maçaneta — o manobrista precisou ajudar. Entrar no restaurante foi um deslumbramento: o bar de alabastro/ônix reluzia na atmosfera sensual de luzes rebaixadas, e um enorme crocodilo metálico pendurado no teto. O ambiente era o mais ousado que eu já tinha visto.
Os convidados começaram a chegar, Jay me apresentando a todos — entre eles, Dennis Hopper (1936–2010). Lembro Jay discutindo com ele a compra de um warehouse para um projeto conjunto. Eu ali, sentado ao seu lado, saboreava o privilégio de jantar com um dos monstros sagrados do cinema.

Em outro dia, Jay, Keith Bright (1932-2018) e Bob Runyan organizaram um almoço onde me apresentaram Riaya, linda jovem de origem árabe. Convidei-a para jantar. Keith ouviu e disse:
— Fernando, take my car, you will love it!
O carro era simplesmente o sonho californiano: um Cadillac 1959 conversível cor-de-rosa. À noite, capota aberta, Venice parecia o Guarujá da minha infância — ruas escuras, trechos desertos. Após o jantar, seguimos passeando. Parei num farol vermelho e virei à direita, tudo vazio. De repente, como em filme, uma viatura da polícia surgiu do nada. O policial perguntou se eu não havia visto o sinal vermelho, examinou os documentos e perguntou:
— Have you been drinking?
— Well, I had dinner…
Depois de algumas advertências e muitos Yes, officer, ele devolveu meus documentos e nos liberou. Seguimos, aliviados, na maravilhosa “banheira”.


Cadillac 1959 Convertible

Em mais uma tarde memorável, Jay me levou à galeria de um amigo (cujo nome esqueci) onde me deparei com inúmeras caixas de Joseph Cornell. Ao perceber meu fascínio, o galerista me levou ao acervo e colocou outras caixas em minhas mãos. Um privilégio raro.

Um belo dia Jay falou assim:
— Fernando, I’m not going to use the car tomorrow, you wanna use it?
Aceitei na hora. No dia seguinte, acordei cedo, tomei banho, vesti minha Lacoste azul-marinho, peguei os óculos escuros e o mapa da cidade e rodei cerca de 400 milhas por Los Angeles — no Porsche 944 preto. Visitei o Getty Museum, San Fernando Valley, Griffith Observatory; passei pela Rodeo Drive, Beverly Hills, Sunset Boulevard… Foi um dia glorioso.


Griffith Observatory

Houve ainda um episódio divertido: em um almoço, nossa garçonete era jovem, bonita e usava grandes argolas. Keith chamou-a e comentou:
— Quanto maior o diâmetro da argola, maior a sensualidade; quanto maior a espessura, maior o sex drive.
Quando ela trouxe o troco, veio junto um de seus brincos… Jay e eu saímos, e Keith ficou paquerando a moça.

Minha semana em LA, hóspede do Jay, encerrou com chave de ouro meus 15 meses nos EUA. Conviver com ele e seus amigos — todos bem-sucedidos, premiados, mas sobretudo generosos e curtidores — ampliou meu entendimento sobre amizade, profissionalismo e generosidade.
Jay era sócio da agência Chiat/Day, tinha 54 anos e estava no auge do sucesso, sua agência atendia clientes como Apple, Pizza Hut, Suntory, Nike e Porsche. Keith aos 53 e Bob, 60, eram designers gráficos de sucesso. Eu, aos 37 anos de idade, bebia gulosamente na fonte de sabedoria dos amigos americanos…


Keith, eu, Jay e Bob de smoking

Voltei a Nova York, fiz as malas e, em 13 de dezembro, cheguei a São Paulo carregando um grande rolo de obras em papel produzidas em NY. Após emolduradas, deram origem à exposição NYC85, apresentada em abril de 1986 na Galeria Suzanna Sassoun.

é isso, por fernando stickel [ 7:33 ]

4º salão paulista

Participei do 4º Salão Paulista de Arte Contemporânea no Pavilhão da Bienal de São Paulo no Ibirapuera em 1986, com três pinturas de grandes dimensões (4 metros de comprimento…), acrílica sobre tela, ralizadas em New York.

A Secretaria de Estado da Cultura, promotora do Salão, era ocupada por Jorge da Cunha Lima, no governo de André Franco Montoiro.

é isso, por fernando stickel [ 7:25 ]

prêmio aquisição desenho


Com esta colagem sobre papel intitulada VET, de 27 x 187 cm. ganhei em 1985 o Prêmio Aquisição Desenho, no III Salão Paulista de Arte Contemporânea, realizado no Pavilhão da Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera.


Convite do Salão.


Ficha técnica dos três trabalhos enviados.


Os prêmios aquisição.

é isso, por fernando stickel [ 11:39 ]

fernando stickel na geração 80


Nesta esquina de uma das alamedas de acesso ao Parque Lage no Rio de Janeiro iniciava-se a minha Instalação AZ, com a qual participei da exposição “Como Vai Você Geração 80?” no Parque Lage em 1984.


A localização do Parque Lage na Rua Jardim Botânico é única, enfiada na floresta, tem o Cristo Redentor logo ali em cima, é maravilhoso!

Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, no Rio de Janeiro, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
Exposição: “Como vai você, Geração 80?”

Recebi em junho 2003 o seguinte e-mail:
Prezado Fernando,
Meu nome é Caroline Buttelli, sou estudante do 9º semestre de Design na Universidade Luterana do Brasil ULBRA, em Canoas, RS.
Estou cursando uma disciplina de História da Arte Brasileira, na qual estou desenvolvendo um trabalho em grupo sobre a Geração 80 de Pintores. Gostaríamos de fazer uma entrevista por e-mail a respeito dessa manifestação artística, para incluirmos em nossa pesquisa. O objetivo dela é saber qual a visão dos próprios pintores acerca da Geração 80.

E esta foi minha resposta:
Caroline,
Participei da exposição coletiva “Como vai você, Geração 80”, no Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ em 1984, quase que por acaso. Soube por amigos que os convites para participar estavam sendo feitos, mexi meus pauzinhos e fui convidado nos últimos instantes pelo curador Marcus Lontra.
Naquela época eu namorava a Helena, uma carioca, e passava bastante tempo no Rio de Janeiro. Fui ao Parque Lage e decidi que o meu trabalho seria feito ao longo de uma das alamedas de acesso do parque, a céu aberto. Apresentei meu projeto, uma instalação chamada “AZ”, que foi aprovado. Consegui o patrocínio de oito pessoas amigas, que financiaram o meu trabalho. Cada um dos patrocinadores recebeu, ao final do evento, uma colagem com fotos do trabalho realizado. Não participei de nenhum “grupo” chamado “Geração 80”, portanto este meu depoimento é individual. Tentando responder objetivamente às tuas perguntas:
1) Qual a relação entre a sua arte produzida nos anos 80 e o momento de abertura política pelo qual o Brasil estava atravessando? Existiu alguma relação?
– Os artistas são as antenas da raça, disse Ezra Pound. Então, para um artista antenado, tudo é política. No meu caso esta atitude não transparesce necessáriamente na minha obra, que não carrega slogans nem bandeiras, o que não quer dizer que eu não tenha carregado bandeiras, como a das “diretas já”, “fora collor” ou “stop the war”.
2) Alguns críticos de arte dizem que os anos 80 geraram as piores obras do século XX. Qual a sua opinião a respeito?
– Bullshit. Alguém se lembra de algum nome destes tais críticos? Alguns dos participantes da Geração 80, no entanto, tem hoje projeção mundial. Como em todas as exposições coletivas com grande número de artistas, olhando-se para os participantes quase 20 anos depois, nota-se uma grande maioria que sumiu, e alguns poucos que ganharam notoriedade. É sempre assim. 100 anos depois serão lembrados apenas aqueles de grande projeção. Já os críticos…
3) Com a liberdade artística pregada pela Geração 80, como você e os demais artistas escolhiam seus temas, já que tudo era permitido?
– Tudo sempre foi permitido. Vide Marcel Duchamp e sua obra “Fountain” de 1917. Liberdade artística sempre existiu, mesmo nos países e regimes mais totalitários a arte teima em florescer.
4) Os anos 80 marcaram a volta da pintura, que estava em baixa nos anos 70. Quais eram os ideais artístico da Geração 80?
– Eu sempre desenhei, pintei, fiz colagens, fotografei, escrevi, etc…, sem conexão direta com os anos 70, 80 ou 90. Meu ritmo de trabalho é muito irregular, e independe dos modismos e suas épocas.
5) Muitos artistas dizem que os anos 80 foram prósperos em termos financeiros, existindo uma grande procura pelas obras de arte. Qual a sua impressão a respeito disto?
– Por ter um ritmo de trabalho muito irregular, minha relação com o mercado nunca foi boa. Nunca fui um artista que “vende bem” (infelizmente…)
6) Como o conceito de Transvanguarda se aplicou à Geração 80 de Pintores?
– Não sei.
7) Quais os artistas internacionais que serviam de inspiração para ti e para a Geração 80, se é que existiram?
– Para mim foram e continuam sendo Matisse, Duchamp, Beuys. Para a Geração 80 não sei.
8) Quais as suas impressões gerais a respeito da exposição “Como vai você, geração 80?”, realizada no Parque Laje em 1984?
– A exposição foi um evento altamente energético, mágico, excitante, apinhado de gente, realmente marcante. Meu trabalho foi vandalizado e três dias após a inauguração já não existia mais.
9) Se pudesse selecionar uma obra sua que fosse a melhor representante dos conceitos da Geração 80, qual seria?
– A obra que lá foi exposta:
Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
10) Na sua opinião, qual a diferença básica entre a arte produzida hoje e a arte dos anos 80?
– A utilização maciça de novos meios técnicos digitais, fotografia, vídeo, computação, etc…

é isso, por fernando stickel [ 18:37 ]

juréia


Inês Sadalla me convidou em 1988 para participar de uma exposição coletiva em sua galeria, com o tema da Reserva Ecológica da Juréia.
O grupo de artistas selecionados fez uma excursão à Reserva, dormimos lá, acompanhados do biólogo, fotógrafo e ambientalista João Paulo Capobianco, na época Presidente da Associação em Defesa da Juréia, foi uma experiência maravilhosa!

Situada no litoral sul de São Paulo, entre Peruíbe e Iguape, a reserva tem 82.000 hectares


AQUI ESTÁ
AQUI FICARÁ
Trabalho fotográfico que fiz na Reserva Ecológica da Juréia em 1987.

Meus colegas de exposição: Aldemir Martins, Alex Cerveny, Alex Flemming, Alice Brill, Amélia Toledo, Angela Leite, Beatriz Leite, Brenda Novak, Darci Lopes, Edith Derdik, E. Granero, Fernando Stickel, Francisco Faria, Genilson Soares, Gilberto Salvador, Gilda Mattar, Glauco Pinto de Moraes, Gregório Gruber, Guta Oliveira Santos, Guto Lacaz, Heinz Budweg, Jeanete Musatti, Maria Victória Granero, Mário Ishikawa, Norma Grinberg, Odair Magalhães, Ricardo Levy, Rubens Matuck, Sylvía Motta, Thais Gasparinetti, Tomoshige Kusuno, Ubirajara Ribeiro, Zé Pedro

A exposição se realizou em junho 1988 na R. Estados Unidos 367.

é isso, por fernando stickel [ 15:54 ]

obras destruídas

O doloroso capítulo dos trabalhos descartados, destruídos.
Ideias boas que ficaram pelo caminho, circunstancias de espaço, armazenamento, caos organizacional, falta de condições de exposição, falta de clareza mental, tudo isso contribui para a destruição de obras.
Por sorte fotografei vários destes trabalhos destruídos, assim agora, muitos anos depois, podemos falar deles…


Visitei a retrospectiva de Joseph Beuys no Centre Pompidou em Paris em 1994 e fiquei louco. Fui duas vezes ao museu, absorvi, respirei o cheiro do feltro e do óleo de oliva, mergulhei nas vitrines, fiquei louco, passei horas fascinado lá dentro, o impacto foi muito grande.


De volta ao meu estúdio entendi que um monte de objetos que eu colecionava estavam ali esperando para serem utilizados em uma nova série de trabalhos.
Encomendei uma dúzia de caixas de folha de flandres, receptáculo destes objetos. Por alguma razão o projeto não avançou, sobrou o registro fotográfico. Tudo foi para o lixo.


Sempre gostei muito de colagens no papel, bidimensionais, depois comecei a pesquisar colagens espaciais, juntando objetos diversos. Uma das caixas de flandres ficou vazia na parede, adicionei um espelho guarnecido de suspensórios e um fragmento de tela. A trapizonga ficou ali por um tempo mas não se consolidou como um trabalho terminado, foi tudo para o lixo.


Tentei juntar vários fragmentos de tela com pirâmides pintadas, também sem sucesso, foi tudo para o lixo.


O trabalho “Sim querida, queimei tudo” foi mais elaborado, pelo tamanho, diversidade e quantidade de objetos coletados, rádios, caixas de charuto, calculadora, vários litros de vinagre feito por mim mesmo, um relógio, liquidificador, ventilador, etc… tudo devidamente acomodado em estantes de aço. O elemento aglutinador era uma tela vermelha com o título do trabalho pintado em branco. Gostava muito desta “assemblage”. Não sobreviveu, foi tudo para o lixo.


O caso desta pintura de grandes dimensões foi diferente, pois o trabalho foi concluido e exposto na exposição que fiz na Espaço Virgilio em 2001, como não foi vendido retornou ao estúdio, ocupando espaço imenso. Tanto atravancou que foi para o lixo.


Esta pintura acrílica sobre madeira de 2m. também foi finalizada e participou da exposição no Espaço Virgílio em 2001. Após a exposição voltou para o meu estúdio, eu não estava satisfeito com ela, seu conceito me parecia confuso não era um trabalho pacífico, tranquilo. Me incomodava, foi para o lixo.


Esta pintura sobre madeira nasceu geométrica, uma das minhas primeiras obras, depois mudou algumas vezes e sumiu, nem eu sei onde foi parar… Se dei de presente para alguém, não sei, sumiu…

A história deste trabalho é engraçada, no meu primeiro ano de arquitetura na FAUUSP em 1969 havia uma matéria chamada Cálculo, e me deparei com umas minhocas estranhas (limites, diferenciais, integrais) que até hoje não tenho a menor idéia do que sejam…

A saída para passar de ano foi caprichar no trabalho prático que tinha peso alto na nota final, então construí um hiperbolóide em aço cromado e arame, tirei nota 10 e passei raspando…

Anos se passaram, o trabalho perdeu o brilho e sumiu…

é isso, por fernando stickel [ 6:59 ]

arte em pinheiros

No início dos anos 1980 recém separado da Iris, fui morar no Ed. Ipauçu, na R. Pinheiros 1076, ao lado do posto de gasolina da Av. Pedroso de Morais.

O apartamento no terceiro andar, de cerca 120 m2, tinha dois quartos com terraço e uma boa sala também com terraço. O prédio era antigo, dos anos 50, amplo e muito gostoso, um quarto para mim e outro para os meus filhos Fernanda, na época com 5 anos e o Antonio com 3. Uma vaga de garagem para o meu VW Passat branco. No prédio não havia porteiro eletrônico, então quando chegava alguém eu jogava lá de cima a chave embrulhada em uma esponja. Morei neste apartamento até o final de 1983.


Eu e meus filhos Fernanda e Antonio no terraço dos quartos.

Adaptei a sala para ser um amplo estúdio, e lá preparei minha primeira exposição individual de desenhos, na extinta Paulo Figueiredo Galeria de Arte, na Rua Dr. Mello Alves 717 casa 1.
Com os trabalhos da exposição quase prontos, e ainda sem moldura, pedi ao meu amigo fotógrafo Arnaldo Pappalardo para fotografá-los.


No dia das fotos, meu amigo Cassio Michalany (1949-2024) veio participar da sessão.

O convite da exposição “Fernando Stickel Desenhos”. A vernissage foi no dia 5 abril 1983 às 21:00h. O trabalho reproduzido no convite Título: Audit; Técnica mista; Dimensões 26 x 182cm.

ARTE
Só para os “happy few”
Dois estilos eficazes, pessoais, exclusivos
MANFREDO DE SOUZA NETO E FERNANDO STICKEL • Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo

Dentre todas as áreas, a de artes plásticas é seguramente a que tem um público mais especializado – e essa tese pode ser provada pela presente exposição. Sem dúvida, a crítica, os colecionadores e os habitués do circuito terão grandes prazeres, e muito o que falar, diante dos trabalhos destes dois jovens artistas. Mas é muito difícil explicá-los para o leigo. Que diabos, afinal, querem dizer os compridos desenhos de Fernando Stickel, quase uma tira de papel com formas geométricas simples, aparentemente sem grandes emoções e nenhum virtuosismo? E qual a “mensagem” das pinturas de Manfredo de Souzaneto, que são na verdade montagens de telas de formatos distintos, cada uma recoberta uniformemente com uma cor, e muitas vezes com a moldura e o próprio chassi tornando-se parte do quadro?
Decididamente este texto não terá a pretensão de responder com clareza a tais perguntas. Mesmo porque a noção de “mensagem”, na obra de arte contemporânea, é bem mais complexa do que a de transmissão de um recado que está “fora” da obra. Isto é: a mensagem de um quadro é o próprio quadro – e acabou-se. Não interessa tanto se ele mostra um determinado assunto (no caso da arte figurativa) ou se ele extravasa determinadas emoções (como em certo tipo de abstração). O que de fato conta é a forma por cujo intermédio esse conteúdo está expresso. Em estética moderna, aliás, pode-se até afirmar que a distinção entre forma e conteúdo é uma falácia. Na verdadeira obra de arte, um é o outro, interagindo. Esse tipo de elucubração teórica é inevitável, para legitimar e qualificar o trabalho de Fernando e de Manfredo. Da mesma geração (34/35 anos), ambos com formação de arquiteto, e evidentemente atualizados em matéria de contemporaneidade, fazem uma arte consciente de sua função no universo. Tanto Manfredo quanto Fernando começam por questionar certos limites até a nível técnico. O primeiro é apresentado aqui como pintor e o segundo como desenhista. Mas na verdade Manfredo faz objetos que invadem ambiciosamente o espaço, exploram o lado reverso da pintura (através dos chassis aparentes), não usam a cor como seu maior recurso expressivo e não chegam a ser escultóricos. E os desenhos de Fernando só são desenhos porque utilizam o lápis – entre outras técnicas. Em apenas um ou outro caso, o elemento especificamente gráfico impera.
É claro que o objetivo dos dois artistas não é apenas essa discussão formal. No caso de Manfredo – que tem maior currículo e está visivelmente mais maduro -, sua atual fase é o legítimo ponto de chegada para outras etapas onde o elemento “extrapictórico” era maior. Mineiro, ele chegou a
desenhar, numa linguagem semi-abstrata, as montanhas de Minas. Viveu depois na França uma fase quase experimentalista e retorna agora a um suporte clássico – a tela -, mantendo-se ainda fiel às origens (suas tintas são todas feitas com terras, por ele mesmo preparadas). Fernando faz aqui sua primeira individual, com honestidade e garra. O que mais impressiona, em ambos, é a sensação imediata de acerto, Isto é: deram um tiro com boa pontaria.
Construíram uma linguagem bem articulada e eficaz.
Cabe a pergunta se vale a pena criar essa linguagem, que seguramente se destina a minorias. Com rara coragem, Manfredo argumenta: “Não creio que a arte possa mudar o mundo. Ela pode, quando muito, colaborar para mudar a cabeça de indivíduos”. Dependendo do ponto de vista, esta posição será tachada de alienada ou realista. Mas mesmo tal distinção é menos importante do que o fato de que a opção de Manfredo e Fernando não exclui (pelo contrário: incorpora) a beleza. Por isso, até quando não “entendida”, sua obra prova-se capaz de despertar sempre a mesma exclamação. “Que bonito!” E este é, seguramente, um critério decisivo de valor. Em vez de discursos, temos a instauração de objetos que enriquecem a sensibilidade do indivíduo. Não será também isso um ato social?
Olivio Tavares de Araújo
ISTOÉ 13/4/1983

é isso, por fernando stickel [ 18:24 ]

jadite galleries

Participei de uma única exposição em New York, com trabalhos produzidos lá, durante a minha estadia em 1984/1985. Não me lembro como fiquei conhecendo o Roland Sainz, proprietário, da Jadite Galleries, inaugurada em 1985, mas ele me convidou a participar da exposição coletiva “SPACE AND COLOR” em fevereiro 1986.

Entre outros trabalhos que estiveram na exposição na Jadite Galleries estava este desenho/colagem, intitulado Helter Skelter de 32 x 76 cm. de 1985. Ele voltou para São Paulo após a exposição e participou da minha individual “NYC 1985” na Galeria Suzanna Sassoun, na sequência foi para Belo Horizonte, onde participou de outra individual na Sala Corpo, galeria do Grupo Corpo, foi então para Porto Alegre em uma exposição na Galeria Arte & Fato, voltou para São Paulo e finalmente foi presenteada aos meus amigos Arnaldo Pappalardo e Miriam Andraus, no casamento deles.
A dedicatória diz assim: Arnaldo, Miriam, no velho e novo mundo, de noite e de dia, no frio e calor, Boa Viagem! (assinatura) 23 abril 88.

Os artistas plásticos bem ou mal organizados utilizam sistemas de registro e controle de seus trabalhos. Eu me incluo na fatia dos bem organizados, e inventei em 1983 um caderno grande e um carimbo, equipamento simples com o qual fui registrando cronologicamente o nascimento dos meus trabalhos. Evidentemente existem hoje sistemas digitais sofisticados para cumprir a mesma tarefa, mas eu continuo satisfeito com o analógico, que me serve bem há 42 anos…

Escrevi a página de registro do Helter Skelter em New York quando lá morei e trabalhei. A anotação mostra o nascimento do trabalho em 1985 e sua história subsequente.

Juntamente com o livro de registro criei também uma etiqueta de identificação adesiva, inspirado na etiquetas de Luis Paulo Baravelli e Wesley Duke Lee. Todos os trabalhos que saíam do meu estúdio deveriam teoricamente estar registrados no livro e portar a etiqueta. Houve falhas…

Esta outra colagem/pastel de 25 x 64,5 cm também esteve na exposição da Judite Galleries, participou da exposição na Galeria Suzanna Sassoun, e foi para Belo Horizonte, para a exposição na Sala Corpo, finalmente dei de presente para minha amiga Claudia Gnemmi, e hoje mora com ela na Ilhabela!

Este trabalho de 31 x 123 cm. dei de presente para o Roland Sainz, dono da galeria.

é isso, por fernando stickel [ 18:34 ]

desenho jovem

Participei da exposição coletiva Desenho Jovem em julho 1980 no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MACUSP, comandado naquela época pelo Prof. Dr. Wolfgang Pfeiffer, com três desenhos. Entre outros participaram também desta mostra Jaqueline Aronis, Ciro Cozzolino, José Leonilson, Sergio Niculitcheff, Sergio Romagnolo e Luiz Hermano..


Nankin e aquarela, 22 x 30 cm. 1973


Nankin e aquarela, 22 x 30 cm. 1977


Nankin e aquarela, 22 x 30 cm. 1973

A coordenação catalogação e montagem era da Elvira Vernaschi, e no Conselho do MAC havia nomes como Aracy Amaral, Yolanda Penteado, José Mindlin, Regina Silveira e Walter Zanini.

é isso, por fernando stickel [ 8:14 ]