
Fabio em seu estúdio em 2015
Faleceu meu amigo Fabio Cardoso, artista plástico de mão cheia. Um pouco mais moço que eu, o maldito câncer o levou. RIP Fabio.


Fabio em seu estúdio em 2015
Faleceu meu amigo Fabio Cardoso, artista plástico de mão cheia. Um pouco mais moço que eu, o maldito câncer o levou. RIP Fabio.


Marco da arquitetura e do urbanismo modernos, Brasília, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO, detendo a maior área tombada do mundo: 112,25 km². É, até hoje, o único bem contemporâneo a receber esta distinção nesta escala.
O reconhecimento veio em 7 de dezembro de 1987 e teve um protagonista central: O mineiro José Aparecido de Oliveira</em> (1929-2007), então governador do Distrito Federal (1985–1988). Foi ele quem liderou o processo de candidatura, mobilizou o Itamaraty, especialistas em patrimônio e a própria UNESCO, articulando técnica e diplomaticamente a defesa da capital brasileira.
José Aparecido sustentava que Brasília não era apenas a sede administrativa do país, mas um marco incontornável do urbanismo do século XX — resultado do Plano Piloto de Lúcio Costa e do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer.
Para convencer a UNESCO, foi necessário mais do que exaltar a qualidade do projeto original: era preciso demonstrar compromisso concreto com sua preservação. José Aparecido impulsionou instrumentos legais e diretrizes urbanísticas que asseguraram à organização internacional a integridade do Plano Piloto.
Naquele período, minhas conexões mineiras estavam muito ativas. Eu tinha acabado de fazer uma exposição em Belo Horizonte, na galeria do Grupo Corpo em 1986, namorava a Helena Bricio e era amigo do Nirlando Beirão (1948-2020). O próprio José Aparecido me enviou um convite para a cerimônia oficial de celebração.

Conjunto Residencial da Colina
Contactei minha amiga e colega da FAUUSP Sylvia Ficher, arquiteta e moradora de Brasília, e pedi abrigo — prontamente concedido. Ela morava no Conjunto Residencial da Colina, no Setor Habitacional de Professores da Universidade de Brasília (UnB), projeto do arquiteto João Filgueiras Lima</em>, carinhosamente conhecido como Lelé. Foi bom conhecer um dos ícones da arquitetura dos anos 60!
Desembarquei com um terno azul-marinho na mala e me preparei para a festa, marcada para o fim da tarde. Peguei um táxi e fui me misturar às autoridades.
A casa era grande, branca, em um estilo arquitetônico que nada tinha a ver com Brasília, talvez um neo-colonial-espanhol, alguma coisa indefinida. Encontrei um ou dois arquitetos conhecidos; conversávamos e bebericávamos enquanto o ambiente ganhava densidade política. De repente, um burburinho surgiu no extremo oposto do salão. Luzes de cinegrafistas começaram a se mover na nossa direção. A notícia correu rápido: o presidente havia chegado.
José Sarney avançava cumprimentando convidados. A trupe veio se aproximando de nós, de repente estavam na nossa frente, Sarney parou diante de mim e estendeu a mão. Apertei-a — mais por protocolo do que por convicção. A sensação foi imediata e desagradável: mão frouxa, úmida.
O gesto durou segundos. A cena, no entanto, ficou (infelizmente) gravada na minha memória.
A seguir texto da Sylvia Ficher:
Senzala e Casa Grande
Publicado em: 5º SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO
URBANISMO. Cidades: temporalidades em confronto.
Campinas: PUC/Campinas, 1998. (CD-ROM)
Após vinte anos de ditadura, período dominado pela política demagógica do BNH,
quando os estudos de análise urbana começavam a duras penas a repercutir na
prática urbanística, eis que os interesses políticos do então governador do Distrito
Federal, José Aparecido, levaram a UNESCO a afixar selo de qualidade em Brasília,
declarada ‘Patrimônio da Humanidade’ em 1987. Talvez desavisada, a honrada
instituição cultural então contribuía para a entronização de um velho modelo – aquele
preconizado pela Carta de Atenas em 1933 – há muito avaliado, criticado e descartado
por quem se dedica ao estudo das cidades, de seu impacto sobre o meio ambiente, de
suas lógicas de localização, de suas morfologias, de seus processos de parcelamento
e ocupação do solo, de sua economia etc..
Como era de se esperar, por conta do prestigioso título vinha rápido em 1990 o
tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o qual
descobria, tautologicamente, a excepcionalidade de Brasília. [A tautologia é evidente:
Brasília tornara-se excepcional para a UNESCO por que o governador assim havia
afirmado, portanto Brasília será excepcional para o IPHAN por que a UNESCO assim
o decretou]. E vinha, mais rápido ainda, o descarte do diagnóstico sério sobre a cidade
e seu entorno feito pelo GT Brasília para a própria UNESCO.
Afinal, o que vem sendo considerado patrimônio da humanidade, de que se ocupa o
IPHAN em Brasília? Da expansão urbana do Distrito Federal, com mais de dois
milhões de habitantes, dispersos insensatamente por área várias vezes maior do que
a ocupada por uma cidade tradicional de igual porte nas chamadas ‘cidades satélites’
(os subúrbios de baixa renda e cidades dormitórios em Brasília) e ‘invasões’ (as
favelas brasilienses), onde se repetem as mazelas típicas das cidades do 3º Mundo na
carência de água e esgotos, de pavimentação e iluminação, de serviços mínimos de
saúde, educação e segurança, de transportes coletivos eficientes e acessíveis, de
equipamentos culturais e de lazer?
Ou a casa grande desta grande senzala, onde vive menos de um terço de sua
população, reverentemente conhecida pelos excluídos como ‘Plano Piloto’?
É este último o patrimônio da humanidade. De um só golpe retórico, ao mesmo tempo
em que se refaz a realidade, conta-se uma falsa história – a do sucesso do urbanismo
modernista para o desenho de cidades, o qual teria criado no ‘árido’ planalto central
um oásis urbano, graças à sabedoria de suas proposições: a cidade linear disposta em
jardins (a custos altíssimos para o bolso do contribuinte), a preponderância do sistema
viário sobre a rua tradicional (que cobra seu preço em vidas humanas, na cidade com
o mais alto índice de acidentes de trânsito com vítimas fatais do país), a indefinição
entre espaço público e privado (que permite aos especuladores o completo descaso
para com o mínimo previsto em qualquer código de obras, como soleiras, calçadas e
guias), o apogeu do edifício isolado (acarretando o aumento desnecessário das
distâncias urbanas e, consequentemente, do custo da infraestrutura e dos transportes
coletivos) e por fim, mas não menos, a definitiva monumentalização da arquitetura
cotidiana, tornada escultura para gáudio dos arquitetos formalistas.
Hoje, aqueles que obram pela preservação da memória da cultura brasileira – dos
documentos tradicionais da historiografia às realizações materiais do passado –
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deparam-se mais uma vez com a ação mistificadora das elites brasileiras, mais
preocupadas em preservar – e reproduzir – sua falsa consciência.
Assim como Ruy Barbosa buscou reescrever nosso passado queimando os registros
da escravidão em 1890, a política oficial de preservação no Brasil deixou sempre de
considerar as manifestações arquitetônicas populares. Quem visitar um engenho do
ciclo do açúcar não irá encontrar as marcas de uma unidade produtiva representativa
de nossa economia colonial, dependente e escravista, mas apenas a materialização
do poderio da oligarquia: a casa grande, uma vez que a senzala há muito
desapareceu nesta assepsia do passado. Em termos atuais, seria como tomar o
check-up do ministro da Saúde como testemunho da saúde de nosso povo, a mansão
da alta burguesia como testemunho dos padrões de habitação em nossas cidades.
Mas se é a parcela casa grande da capital federal que se quer proteger, por que tanto
espalhafato, por que recorrer a títulos internacionais ou ao tombamento por lei? Afinal
essa Brasília do plano piloto não corre risco algum, afora um ou outro quebra-quebra
conduzido pela população ‘insensível’ no desespero dos protestos dos sem terra, sem
saúde, sem emprego e demais despossuídos.
O plano piloto está duramente protegido por uma legislação restritiva, que impõe uma
setorização alheia à vida real e impede o desenvolvimento de tipologias mais
adequadas às necessidades de seus habitantes, e pela propriedade do solo pelo
Estado que, este sim, faz sua especulação fundiária própria, entesourando as grandes
áreas ainda desocupadas ao redor do plano piloto, enquanto mantém as populações
de baixa renda a distâncias cruéis. Quanto aos monumentos e espaços diferenciados
de Brasília, como a Catedral, a Esplanada dos Ministérios, os diversos palácios onde
se assentam os donos do poder, estes sim estão ameaçados constantemente, não
pela incúria dos brasilienses mas pela vaidade de seu autor que – rodeado por sua
corte pessoal – incessantemente altera e remenda sua própria obra com novos
apêndices e penduricalhos.
Em nome da preservação da ‘modernidade’ de Brasília, a preservação de práticas
sociais arcaicas de discriminação. O novo anexo do Supremo Tribunal, rompendo a
escala e o equilíbrio do principal espaço monumental da cidade – a Praça dos Três
Poderes – é aprovado sem maiores delongas; afinal, tem a griffe Niemeyer. Já ali
perto, no combate a uma feira de produtos contrabandeados (cuja existência não será
aqui discutida, mas que passa pela informalização da economia brasileira, seu
subemprego e outros ‘avanços’ neoliberais, e sobrevive no convívio franco do legal e
do ilegal), a administração do Plano Piloto conjura a inadequação de sua localização,
uma vez que o estacionamento do estádio Mané Garrincha – quem diria – é ‘tombado’!
Enquanto a Praça dos Três Poderes é desfigurada pela construção de um espigão
com detalhes neogóticos e de qualidade discutível, o que causa alvoroço é o
estacionamento de um estádio de esportes, para o olhar oficioso ‘descaracterizado’
por umas tantas barraquinhas improvisadas e provisórias.
As ações ‘preservacionistas’ do IPHAN, conforme divulgadas nos jornais, são
estarrecedoras. Em defesa das ‘características ímpares’ de Brasília, síndicos são
arrochados por ousar plantar cercas vivas ao redor de áreas com ‘pilotis’ no esforço de
criar uma distinção mínima entre o público e o privado, e condôminos são impedidos
de reformas banais, como a remoção de lixeiras em obediência às exigências
sanitárias. Fechando de vez o cerco (e a cerca), o IPHAN apoia projeto de lei que
pretende transformar as superquadras em condomínios particulares, dando de
presente, privatizando a custo zero a cidade e instaurando o reinado das empresas
paramilitares de segurança.
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Surpreendente mesmo é a certeza do IPHAN quanto às ‘características ímpares’ de
Brasília. Meses atrás suas manifestações indicavam que o must da cidade é o pilotis;
logo depois, embasado no vácuo de sua reflexão sobre o urbano, afirmava que vias
exclusivas para ônibus na W3 são inaceitáveis. Afinal, que mandato, que expertise
profunda têm os senhores do IPHAN, em que compêndios tanta expertise está
explanada para se arvorarem em guardiões do certo ou errado urbanístico de Brasília?
Mas nada disso ocorre sem conflito, como mostra episódio recente quando, em nome
de obscuros critérios de restauração (original versus cópia, quiçá?), criou-se uma
polêmica em torno da reforma de uma laje da Rodoviária. Correndo por fora, brigando
pelo aval de laços com os nomes daqueles que conceberam a cidade, grupos de
poder se digladiam encarniçadamente pelo monopólio do direito de mando
arquitetônico e urbanístico em Brasília.
E assim um dos maiores complexos urbanos do país fica sujeito aos desígnios destes
grupos que fazem e desfazem a cidade, utilizando o tombamento para sua
legitimação, por este justificados em seu elitismo e absolvidos de seu descaso perante
os reais problemas sociais da cidade e do país. Enquanto isso, discussões sobre o
planejamento de Brasília, ações em sua estrutura, melhorias de suas condições de
urbanidade são obstruídas por discursos superficiais e preconceituosos, que invocam
argumentos de autoridade no trato do fenômeno urbano. E todos nós perdemos a
oportunidade de contribuir de fato para a conservação daquelas qualidades
indiscutíveis de Brasília e para a revisão de tantos erros que marcam sua história
ainda tão jovem. De quebra, avança-se em mais um desserviço ao debate
contemporâneo sobre as cidades brasileiras.
Durmamos tranquilos em um quarto arejado da casa grande. A velha ordem está
preservada.
Algumas fontes
Robert Conrad. Brazilian Slavery. Boston: G. K. Hall, 1977.
Millôr Fernandes. Visita. Jornal de Brasília, p. 11, 27 jun. 1985.
Brasília‚ patrimônio da humanidade. Jornal de Brasília, p. 1 e 12, 8 dez. 1987.
Niemeyer: o monopólio de um gênio questionado. Jornal de Brasília, p. 15, 13 dez.
1987.
Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade. Jornal de Brasília, Caderno Especial, 1
jan. 1988.
Roberto Schwarz. A cidade total. Folha de São Paulo, p. 6/8 e 6/9, 27 mar. 1994.
STJ inaugura sede e empossa Bueno de Souza na presidência. Correio Brazilienze, p.
4, 24 jun. 1995.
Presidente do STJ defende sede luxuosa. Folha de São Paulo, p. 1/8, 24 jun. 1995.
Jânio de Freitas. Exemplo de austeridade. Folha de São Paulo, p. 1/5, 25 jun. 1995.
Maria Elisa Costa. Paisagismo em Brasília. Correio Brazilienze, p. 9, 11 jan. 1997.
Pela primeira vez na vida assisti ao show do intervalo do Super Bowl, com o tal Bad Bunny, criatura cuja existência me era desconhecida até então.
Do ponto de vista do espetáculo foi interessante, por uns dois ou três minutos, o cenário caribenho, latino-americano, com dançarinos, cana de açúcar, casita, etc… Do ponto de vista da música, lamentável, o artista parecia ter bolas de gude na boca, não se entendia uma única palavra, o que também não tem nenhuma importância. Nota 3 para o conjunto da obra. Um bando de dançarinos chacoalhando freneticamente os glúteos, e o artista apalpando os genitais a cada três acordes só adicionaram desgosto ao espetáculo.
Mas… do ponto de vista político foi um golaço!!!

Nesta esquina triangular da Av. IV Centenário com R. Afonso Braz agonizou durante décadas uma casa abandonada.
Alguns anos atrás iniciaram-se obras de reforma, da pior forma possível, sem projeto, sem tapume, sem capricho, sem limpeza.
A coisa se arrastou por muito tempo, vãos de portas e janelas foram abertos e fechados dezenas de vezes, óbviamente pela falta de um projeto. Arquitetura feita na base da picareta e da martelada, tentativa e erro…
Finalmente abriram lá um restaurante, que não durou mais que um ano. E lá está o imóvel fechado…
Muito dinheiro gasto, muito tempo de obra, a quem interessa tanto prejuízo, talvez alguém que precise lavar dinheiro, né não?

Neste endereço no 591 da R. Diogo Jácome já existiram “N” restaurantes, todos de arquitetura duvidável e vida curta.
Cores muito fortes na fachada, combinações exóticas de menus divulgados em cartazes na porta, e, compreensívelmente, pouca gente lá dentro.
Este se anuncia como “Gastronomia e Confeitaria Afetiva”
Algum tempo atrás um deles fez um toldo tão vagabundo que na primeira chuva a coisa desabou…
Parece que nestes endereços tem caveira de burro enterrada.

Na esquina da R. Afonso Braz com Diogo Jácome, na Vila Nova Conceição, havia um tradicional bar da esquina, sempre cheio, com mesinhas na calçada. Aos sábados enchia de atletas, passeadores, gente bonita e saudável, tomando um lanche, suco ou uma cerveja, durante a semana trabalhadores de todos os tipos traçando um PF.
Há cerca de um ano ou ano e meio foi fechado e demolido, eu não entendi…
Ficou um tempão fechado e mais recentemente iniciou-se uma obra esquisita, daquelas que aparenta não ter projeto, propósito, nem cronograma.
Esta esquina faz parte do meu roteiro diário, seja a pé ou de carro, e flagrei uma coluna evidentemente fora do prumo, e muito delgada para segurar sua carga, parece que o último andar será um “rooftop”… Desastre anunciado? Implicância de um chato? Pode ser, mas conheço um pouco de obra, estrutura, etc… e o bom senso me alertou.
Existem por aqui no bairro outros fenômenos similares, pontos excelentes com obras mal feitas e incompreensíveis, parece ser lavagem de dinheiro… Normalmente os bares/restaurantes que surgem nestes pontos esquisitos não decolam, estão sempre vazios.
Todas as vezes que passei a pé pela obra tentei encontrar um mestre de obras, alguém para comentar sobre a coluna, mas a obra parece blindada, sempre fechada.

Ao longo dos meses alguns enchimentos (sem ferro) foram adicionados, solução estética? Me parece evidente que a estrutura desta trapizonga está subdimensionada.

Fui verificar o site constante da placa, mclregularizacoes.com.br que revelou-se inexistente… curioso… Pesquisei também o número do CREA do engenheiro Marcelo Alves Sobrinho, também inexistente… mais curioso ainda… O número do ART confere no site do CREA, para reforma sem acréscimo de área, mas o registro do CREA do engenheiro é outro… curiosíssimo!!!
Hoje, 31 janeiro 2026 este blog completa inacreditáveis 23 anos de contínua existência!
A data será comemorada com o breve lançamento de uma nova versão do blog, mais interativa e com vários novos departamentos. Aguardem e continuem a visitar!
Divirtam-se acompanhando os aniversários anteriores AQUI
Já passei esta data de aniversário tomando bons vinhos, viajando, abstêmio, me dedicando à contenção em algumas versões do Dry January, e este ano estou novamente abstêmio e um pouco mais radical, incluí a retirada dos doces da minha dieta, meu objetivo é perder peso e baixar minha glicemia para 99, por ordens médicas, e decidi fechar a boca até atingir meu objetivo, perder 4 a 5 kg. De 92 kg para 88 kg deverá resolver.
O Fernando Bueno, lá de Montreal no Canadá a -21 graus C é quem está engenheirando as mudanças. Estou curtindo muito a expectativa de que tudo funcione e em breve possa girar em definitivo a chave e curtir a nova versão do aqui tem coisa
Veja AQUI o passar dos anos e como foi a evolução do blog.

Conta vermelha no post-it. É só isso.

Fiz três livros sobre automóveis, o mais antigo “Clássicos” em 2020, depois “Sandra & Máquinas” de 2023, e finalmente o “JC’s Classics Garage” do final de 2025.

“UMA VIAGEM DE 450 ANOS”
Exposição comemorativa do aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, com curadoria de Radha Abramo e colaboração da AICA – Associação Internacional dos Críticos de Arte, da ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, e da APAP – Associação Profissional dos Artistas Plásticos de São Paulo.
As obras participantes da exposição foram confeccionadas a partir do mesmo suporte, malas baratas de chapa de madeira, no qual os artistas trabalharam as mais diversas técnicas. A mala representa a quantidade de migrantes que participaram na construção da cidade tal qual é hoje. As obras serão montadas em uma grande instalação e há uma trilha sonora alusiva à cidade de São Paulo.
SESC Pompéia de 20/01 a 14/03/04 Terça sábado, das 9h às 20h30/ domingo e feriado, das 9h às 19h30.

A mala fechada

A mala aberta

As ferramentas e as peças desmontadas
Terminei o trabalho da mala para o SP 450. Raríssimas vezes um trabalho meu teve começo meio e fim tão rápido, tão redondo e com resultado tão bom. Tive clareza desde o primeiro minuto do partido do trabalho, desmontar a mala e reconstruí-la. Os acidentes de percurso, que sempre acontecem, foram para o bem, e o trabalho acabou super bem. Fico contente porque é uma maneira auspiciosa de iniciar o ano.
A maioria dos artistas simplesmente abriu a mala e colocou algo lá dentro, sendo as fotos e os espelhos os recheios favoritos, ou então fechou a mala e pintou algo nela.
Sendo absolutamente imparcial, posso dizer que cerca de 10 trabalhos são interessantes, e entre eles está o meu, o único pendurado na parede.
È curiosa ainda a discrepância entre o edital, que impunha a única limitação aos trabalhos, cujo peso não deveria ser superior a 5 kg, e a realidade de dezenas de trabalhos expostos com peso flagrantemente superior ao limite. Então, fica a pergunta aos organizadores:
-Para que se dar ao trabalho de elaborar um edital que destina-se a não ser respeitado?
Entre outros, participaram da exposição os artistas:
Amélia Toledo
Antônio Peticov
Caciporé Torres
Cássio Vasconcelos
Cláudio Tozzi
Cléber Machado
Domício Machado
Fernando Durão
Fernando Stickel
Gregório Gruber
Hudinilson Jr.
Iatã Canabrava
José Roberto Aguilar
Lúcia Py
Margot Delgado
Maria Bonomi
Maria Villares
Odette Eid
Percival Tirapelli
Regina Rennó
Rodolpho Parigi
Rubens Gerchman
Sandra Tucci
Vera Sabino

Imagem ChatGPT
Me dei conta que sou apaixonado hoje, pela Mercedes-Benz 560 SEL 1989, como fui apaixonado pelo Dodge 1946 “Fluid-Drive”que herdei do meu avô Arthur Stickel.
Ambos são carros confortabilíssimos, o Dodge tinha bancos inteiriços, praticamente eram camas, ou sofás… e não tinha ar-condicionado.
A “baleia” apelido da Mercedes incorpora inúmeras modernidades, por ser 43 anos mais jovem, mas mantém a mesma pose de carro grande e confortável do Dodge.
Ambos deliciosos de guiar!

Foto da conta Instagram @cedomguaruja
Na Guarujá da minha adolescência, nos anos 1960, chegava-se à cidade pela Av. Puglisi, ao chegar à praia, na Praça dos Expedicionários, virava-se à direita, rumo à Praia das Astúrias, onde ficava nossa casa.
Nesta esquina ficava a casa da família Kalil, indicada na SETA VERMELHA, que comecei a frequentar quando comecei a namorar a Alice na segunda metade dos anos 60.
Anos mais tarde, meu irmão Roberto comprou um apartamento no Edifício Pajah, talvez o prédio mais privilegiado do Guarujá, indicado na SETA VERDE, onde foi vizinho do meu amigo Eduardo Longo, em seu apartamento com painéis de John Graz.

Edifício Pajah

A Praça dos Expedicionários, ao fundo o Morro do Maluf. Na seta vermelha a casa da família Kalil. Arquivo @cedomguaruja

Adeus a Brigitte Bardot.
a deusa brigitte bardot
Ela se foi aos 91 anos de idade. Que faça uma linda viagem, sempre de camisetinhas listradas sob o sol de alguma praia linda.

Em 2002 recebi pelo correio o Projeto Inserções da artista plástica Sandra Cinto, propondo: “Faça um desenho e envie para alguém” Adorei, sempre gostei muito de arte postal!
O que é o Projeto Inserções?
O Inserções foi um programa curatorial experimental (anos 2000) que convidava artistas a criar ações simples, replicáveis e abertas, muitas vezes sem objeto final fixo, enfatizando:
-Processo em vez de resultado
-Circulação em vez de exposição
-Participação em vez de contemplação
Nesse contexto, a obra de Sandra Cinto funciona mais como instrução poética do que como objeto artístico tradicional.
Levei a sugestão ao pé da letra, fiz 10 desenhos pequenos e enviei para 10 amigos. O retorno foi zero, ninguém agradeceu, ninguém comentou, ninguém contestou.



Gostamos de acreditar em mandingas, mas o universo é só matemática e probabilidades.

A pintura realizada na Aché
Eu conheci o dono da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A, Victor Siaulys (1936-2009), em um evento do Terceiro Setor.
Ele foi o criador, junto com a esposa Mara, da entidade filantrópica Laramara em homenagem à filha Lara, que nasceu cega. Criou também, em 1991 a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (hoje Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) de apoio a inclusão educacional e social da pessoa com deficiência visual.
No ano de 2001, após uma conversa com Victor, elaboramos uma ideia que frutificou em um trabalho interessante para a Aché, em sua sede em Guarulhos.
Durante a “Semana do Livro 2001”, realizada de 25 a 29/9/2001, no saguão térreo do prédio de escritórios da Aché em Guarulhos, eu pintei uma tela de 1,6 x 3,2m, perante os funcionários da Aché, conversando e interagindo com eles e respondendo perguntas, enquanto trabalhava.
Levei meus materiais e a tela, e montei um pequeno estúdio, à vista de todos, foi muito interessante!

Iniciando os trabalhos

Conversando com os funcionários Aché

Retoques finais

Hoje a pintura está na coleção do meu amigo Pierre Plas, no Château Du Plas, em São Roque SP

Na parede de tijolinhos o Restaurante La Tartine
Amor aos Pedaços ou O Tarado de Itanhaém
(Porquê ressuscitei este texto de 22 anos atrás: Conheci recentemente Itanhaém, e fiquei impressionado com a pobreza e a carência da cidade…)
Sandra e eu fomos ao teatro assistir a comédia “Vestir o pai”, de Mário Viana, com Karin Rodrigues, dirigida por Paulo Autran. Hilária, excelente!
Após o teatro fomos jantar no bistrô La Tartine, vizinho do restaurante Mestiço, muito gostoso simpático e barato, sempre com lugares disponíveis, ao contrário do Mestiço, sempre lotado. Nas mesas ao lado desenrolam-se cenas fascinantes, nos esforçamos para escutar sem dar bandeira, Sandra com seu ouvido de tísica é especialista na espionagem.
Ele: Alto, forte, ombros largos, por volta dos 45 anos, grisalho nas têmporas, cara de serial killer, médico legista contratado por concurso pela Prefeitura de Itanhaém, SP, prolixo, encantado com sua própria voz, alta e pausada, veste jeans, tênis e camisa cinza escuro e discorre sobre o milhão de dólares necessário para montar uma franquia McDonalds ou os R$ 200.000 para montar uma Amor aos Pedaços.
Ela: Mignon, gostosinha, parda, vulgar, sorriso semi-cretino nos lábios, bibliotecária do interior, parece ser excelente ouvinte, ou então está apenas embevecida pelo bonitão. Não sabe o que é Amor aos Pedaços. Ele: (declamando): – “Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida, você não sabe como estou feliz” e olha profundamente nos olhos dela, inclina-se para a frente e segura a mão da moça bem apertada. Logo a seguir: -“Você pode escolher o prato quente para dividirmos” mudando abruptamente para: “Eu sonhei em ter uma livraria”, e conta como é apaixonado pelos livros desde criança.
E assim vai ele solando sobre os mais diversos assuntos, conta como foi contratado pela Prefeitura, ela fixada nele. Aí conta como conseguiu obter gravações da ex-mulher com o amante, através de um enfermeiro do Savoy Pronto Socorro, e continua descrevendo suas aventuras para a baixinha, sempre vidrada nele, sempre com olhar entre embevecido e completamente idiota, depois volta a falar das franquias e da sua paixão pelos livros e a vontade de ter uma livraria, e também o desejo de montar academia de artes marciais… , o tempo passa, Sandra e eu mal conseguimos disfarçar a excitação, anotamos algumas coisas em guardanapos de papel, o assunto é extremamente fascinante. A moça não se dá conta, mas está correndo perigo. Algo neste casal nos passa uma tragédia suspensa por fios muito tênues, a brutal diferença física entre os dois, a obsessão sinistra do grandalhão evidenciada no seu falar pausado e monocórdio, a improvável salada de objetivos de vida…
Atrás de nós outro casal curioso, ele um jovem gatão gringo, cabelos longos, mãos bonitas e costas largas, na segunda caipirinha tripla, ela mulata esguia, cabelos anelados, insinuosa e sorridente, no segundo balde de dry-martini. Falam alto, ele em inglês e ela macarronicamente se dedica mais ao “body language”, se pegam, se beijam, a certa altura se levantam, e no meio do restaurante entre as mesas abraçam-se num longo beijo tarado e voltam a se sentar sorridentes. Mais dry-martini, mais caipirinha, o tom de voz se eleva, começam a brincar com os talheres fazendo um barulho danado, daqui a pouco se levantam novamente e se agarram mais intensamente, mão na bunda, beijos profundos, parece que de comum acordo estão fazendo uma prévia dos corpos, antes que desmaiem de tanto beber, dane-se o restaurante e quem estiver por perto. Neste caso a tragédia será apenas acordar com aquela puta dor de cabeça, talvez algumas manchas roxas e tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior…
Uma Semana em Los Angeles
Em 1985 eu morava em Nova York e já havia marcado minha volta definitiva ao Brasil para passar o Natal com a família. No dia 23 de novembro, recebi uma ligação do meu querido amigo Jay Chiat (1931–2002):
— Hi Fernando! I’m going to LA, would you like to come?
Respondi imediatamente: Sure!
Jay enviou as informações da viagem e eu comprei um voo “red-eye” da PANAM, pousando em Los Angeles às três da madrugada de 3 de dezembro. No saguão, um motorista me aguardava e seguimos em uma Mercedes-Benz até 6 North Star, Marina del Rey. A rua estava completamente escura e, tateando no breu (sem celulares e lanternas…), procurei a campainha. Não lembro bem como consegui chamá-lo, mas depois de uns 20 minutos Jay abriu a porta. Fomos dormir.

Apartamento do Jay em Marina Del Rey
Na manhã seguinte descobri que estávamos literalmente de frente para o Pacífico, pé na areia. Saímos para fazer compras e tomar café no Porsche 944 preto. Depois corremos na praia e, pela primeira vez, mergulhei nas águas geladas do Pacífico.
Banho tomado, roupa limpa, fomos almoçar no 72 Market Street, decorado com obras de Billy Al Bengston e DeWain Valentine. Em frente ficava o estúdio de Jonathan Borofsky.

Market Street, Venice. À direita o restaurante, à esquerda o estúdio de Borofsky

Convite da galeria LA Louver para exposição Larry Bell
Após o almoço, visitamos a Galeria L.A. Louver, na 77 Market Street, onde havia uma exposição de Larry Bell. Jay me apresentou ao proprietário, Peter Goulds. Depois passamos no escritório do designer Bob Runyan (1925–2001), onde bebemos vinho e demos boas risadas.
Os dias seguintes foram nessa toada: Spago, Scratch, Chinois, La Toque, Michaels… No MOCA, vi pela primeira vez o trabalho de James Turrell, na retrospectiva Occluded Front.

James Turrell, retrospectiva Occluded Front. Fiquei impressionado com este trabalho

Frank Gehry
Um dia Jay me levou ao estúdio de Frank Gehry (1929-2025) em Venice — uma enorme fábrica caótica, com dezenas de maquetes de papelão penduradas no teto e poltronas igualmente de papelão espalhadas pelo espaço aberto. Gehry nos recebeu com simpatia.
À noite, fomos jantar no Rebecca’s, na 2025 Pacific Avenue, projeto recente de Gehry. Chegamos no 944 preto e, para minha vergonha, eu não conseguia achar a maçaneta — o manobrista precisou ajudar. Entrar no restaurante foi um deslumbramento: o bar de alabastro/ônix reluzia na atmosfera sensual de luzes rebaixadas, e um enorme crocodilo metálico pendurado no teto. O ambiente era o mais ousado que eu já tinha visto.
Os convidados começaram a chegar, Jay me apresentando a todos — entre eles, Dennis Hopper (1936–2010). Lembro Jay discutindo com ele a compra de um warehouse para um projeto conjunto. Eu ali, sentado ao seu lado, saboreava o privilégio de jantar com um dos monstros sagrados do cinema.
Em outro dia, Jay, Keith Bright (1932-2018) e Bob Runyan organizaram um almoço onde me apresentaram Riaya, linda jovem de origem árabe. Convidei-a para jantar. Keith ouviu e disse:
— Fernando, take my car, you will love it!
O carro era simplesmente o sonho californiano: um Cadillac 1959 conversível cor-de-rosa. À noite, capota aberta, Venice parecia o Guarujá da minha infância — ruas escuras, trechos desertos. Após o jantar, seguimos passeando. Parei num farol vermelho e virei à direita, tudo vazio. De repente, como em filme, uma viatura da polícia surgiu do nada. O policial perguntou se eu não havia visto o sinal vermelho, examinou os documentos e perguntou:
— Have you been drinking?
— Well, I had dinner…
Depois de algumas advertências e muitos Yes, officer, ele devolveu meus documentos e nos liberou. Seguimos, aliviados, na maravilhosa “banheira”.

Cadillac 1959 Convertible
Em mais uma tarde memorável, Jay me levou à galeria de um amigo (cujo nome esqueci) onde me deparei com inúmeras caixas de Joseph Cornell. Ao perceber meu fascínio, o galerista me levou ao acervo e colocou outras caixas em minhas mãos. Um privilégio raro.
Um belo dia Jay falou assim:
— Fernando, I’m not going to use the car tomorrow, you wanna use it?
Aceitei na hora. No dia seguinte, acordei cedo, tomei banho, vesti minha Lacoste azul-marinho, peguei os óculos escuros e o mapa da cidade e rodei cerca de 400 milhas por Los Angeles — no Porsche 944 preto. Visitei o Getty Museum, San Fernando Valley, Griffith Observatory; passei pela Rodeo Drive, Beverly Hills, Sunset Boulevard… Foi um dia glorioso.

Griffith Observatory
Houve ainda um episódio divertido: em um almoço, nossa garçonete era jovem, bonita e usava grandes argolas. Keith chamou-a e comentou:
— Quanto maior o diâmetro da argola, maior a sensualidade; quanto maior a espessura, maior o sex drive.
Quando ela trouxe o troco, veio junto um de seus brincos… Jay e eu saímos, e Keith ficou paquerando a moça.
Minha semana em LA, hóspede do Jay, encerrou com chave de ouro meus 15 meses nos EUA. Conviver com ele e seus amigos — todos bem-sucedidos, premiados, mas sobretudo generosos e curtidores — ampliou meu entendimento sobre amizade, profissionalismo e generosidade.
Jay era sócio da agência Chiat/Day, tinha 54 anos e estava no auge do sucesso, sua agência atendia clientes como Apple, Pizza Hut, Suntory, Nike e Porsche. Keith aos 53 e Bob, 60, eram designers gráficos de sucesso. Eu, aos 37 anos de idade, bebia gulosamente na fonte de sabedoria dos amigos americanos…

Keith, eu, Jay e Bob de smoking
Voltei a Nova York, fiz as malas e, em 13 de dezembro, cheguei a São Paulo carregando um grande rolo de obras em papel produzidas em NY. Após emolduradas, deram origem à exposição NYC85, apresentada em abril de 1986 na Galeria Suzanna Sassoun.

Visitamos o Pantanal Matogrossense. Lindo. Poderoso. Encantador.

A poucos metros da maravilhosa Pousada Caiman, onde nos hospedamos, a natureza se apresenta avassaladora.