aqui no aqui tem coisa encontram-se
coisas, coisas, coisas...
...desde janeiro de 2003

De pessoas e suas influências

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais, e tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, biológico original os aprendizados, amores, encrencas, circunstancias, os livros que lemos, amizades, viagens e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos e me terás… Vou tentar explicar. Ou não. Deixemos os fatos, ou minhas memórias, falarem por si.

No Colégio Visconde de Porto Seguro um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e sábio.

No Cursinho Universitário, me preparando para o vestibular de arquitetura em 1968, conheci mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física. Na mesma época, um amigo me apresentou o curso de desenho de Frederico Nasser em uma casinha de vila na R. da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni.

Fui procurar o Frederico e iniciei as aulas, desenhávamos em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local Frederico me apresentou Marcel Duchamp e com isso selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo Dona Rene, mãe do Dudi Maia Rosa. Não sei nem como encontrava tempo para tudo isso, pois cursava simultaneamente o terceiro colegial! Foram tempos muito ricos e intensos!

Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propos a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de seu amigo, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto na R. Bela Cintra.
Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento, todo reformado, com o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo, parecia um submarino, achei o máximo! Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente, e somos amigos desde então.

Passei no vestibular da FAUUSP e fui com meu colega Edo Rocha para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador capotamos no meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas isto é outra história…

Em 1969 Frederico mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na R. Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém ingressados na FAUUSP também tinham aulas lá, Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Edo Rocha, Leslie M. Gattegno (já falecido), Claudio Furtado… Enquanto desenhávamos nu feminino dentro da casa, Frederico pintava coisas esquisitas no pátio externo da casa…

No segundo semestre de 1969 Frederico organizou uma visita de seus alunos ao estúdio do Wesley Duke Lee em Santo Amaro, em um domingo de manhã. Entrar naquele estúdio já era um privilégio, eu estava totalmente fascinado! Wesley com sua cultura e charme inigualáveis, falou sobre muitas coisas, mas sobretudo sobre tecnologia e da chegada do homem à Lua no dia 20 de Julho. Inesquecível!

E houve o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do Tio Bubi e da Tia Lila, promovido pelo João e Marília Vogt. O espírito da coisa era EU VOU!!!! Todos os amigos iam, ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir!
Foram dias fantásticos, mais de 30 pessoas, amigos, parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Todo mundo soltando pipa nas dunas, inesquecível!
Entre outros minha memória acusa:
Os anfitriões Bubi e Lila, os co-anfitriões João e Marilia, Baravelli e Sakae, Zé Resende e Sophia, Fajardo e Renata, Frederico Nasser, Ricardo Alves Lima, Dudi, Gilda, Monica, Alice e eu.

No estúdio do Zé Resende rolou uma interessantíssima aula de Tai Chi Chuan, e na fazenda da Lucila Assumpção um fim de semana delicioso.

Em um salão em cima da garagem, na edícula de uma grande casa imersa nas árvores da R. Atlantica, Carlos Fajardo me apresentou Bob Dylan. Na Vila Nova Conceição no estúdio de portão verde do meu amigo Cassio Michalany rolavam intermináveis sessões de jazz, whisky e arte!

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares que sempre foram fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, limpos, amplos, organizados. Havia de tudo lá, até um pote com unhas cortadas… foram vários:
– Avenida Miruna, de 1971 a 1974
– Rua Padre João Manoel, 1974 a 1979 (neste espaço surgiu a primeira Galeria Luisa Strina)
– Rua João Cachoeira, de 1980 a 1984
– Granja Viana, de 1984 até hoje
Pelo menos duas galerias saíram das suas hábeis mãos, Galeria Luisa Strina e a Galeria São Paulo na R. Estados Unidos, da Regina Boni.
O mesmo fascínio acontecia no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona…

Em Janeiro de 1970 nos reunimos em New York, no Wellington Hotel na Sétima Avenida, Dudi Maia Rosa, Frederico Nasser, Augusto Livio Malzoni e eu, partilhando um gigantesco quarto, para uma imersão de um mês no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no Automat Horn & Hardardt da Rua 57… e a inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970”, no THE Metropolitan Museum of Art, inaugurando sob curadoria de Henry Geldzahler o Departamento de Arte Contemporânea do Museu.

Na sequência do estúdio na R. Pedroso Alvarenga, Frederico Nasser, com seus amigos e colegas artistas plásticos Luis Paulo Baravelli, Carlos Fajardo, e José Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil: na Av. Rouxinol em Moema. Eu fui aluno em 1970, no ano da abertura daquela que ficou conhecida como Escola Brasil:

Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente e carismática, um poderoso magneto que despertava conhecimento e provocava sede de saber, e de quebra atraía muitas pessoas, que ali se conheceram e formaram um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou outra gravitavam em torno da Escola. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, Baby Maia Rosa, José Carlos BOI Cezar Ferreira (1944-2018), Leila Ferraz, Wesley Duke Lee (1931-2010), Maciej Babinski, Megumi Yuasa, e muitos outros foram fruto desta amizade.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil, e convidei o Frederico para ser meu padrinho. Durante alguns anos Frederico frequentou assiduamente meu apartamento na R. Hans Nobiling, éramos amigos íntimos, Frederico aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim… No apartamento de cima descobrimos que morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei de apartamento e comecei a namorar a Iris Di Ciommo, por volta de 1974. Os casamentos se sucederam, Dudi e Gilda em 1972, Plinio e Virginia em 1978…

No enorme apartamento na Av. Angélica, de frente para a Pça. Buenos Aires, onde morava com os pais Lamartine e Rene, Dudi Maia Rosa montou um pequeno atelier de gravura, e foi lá que ele me ensinou a fazer a primeira e única gravura da minha carreira em 10 Agosto 1972… Obrigado Dudera!

A Galeria Luisa Strina inaugurada em 1974 tinha seu acesso pela R. Padre João Manoel por uma escada que levava à sobreloja. Passava-se por um pequeno espaço administrativo e chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira, logo à esquerda o “escritório” da Luisa era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras. Sentada em seu canto Luisa recebia clientes, amigos, colecionadores, xeretas e desocupados que lá ficavam visitando, papeando, e, naturalmente, comprando!

Xico Leão era um dos alunos da Escola, um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso, e além de tudo um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem, bonita e delicada caiu nas graças do Prof. Nasser. O namoro evoluiu e chegou o casamento, o Frederico me convidou para ser seu padrinho, Iris e eu nos preparamos e na quarta-feira 8 de Dezembro 1976 embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá na R. Bolivia às 20:30h

O casamento se deu em altíssimo astral, me diverti muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas encontrei D. Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, me apresentei e disse a ela:
-D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!! Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…

Iris e eu fomos os últimos a sair da festa, e fui alegremente para casa pilotando a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me que no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar bêbado.

Em 1977 nasceu minha filha Fernanda, seu padrinho foi Cassio Michalany, em 1979 nasceu o meu filho Antonio, e convidei o Frederico para ser seu padrinho (ausente, diga-se…)

Na segunda metade dos anos 70 Frederico Nasser planejava abrir uma livraria. Em uma conversa no Guarujá com Dudi Maia Rosa, Claudinho Fernandes, que também queria abrir uma livraria ficou sabendo dos planos do Frederico, e acabaram se compondo, abrindo em 1978 como sócios a Livraria Horizonte na R. Jesuino Arruda 806, quase esquina da R. João Cachoeira.
O imóvel selecionado abrigava um açougue, e o Baravelli, homem dos sete instrumentos, o transformou em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista, que acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, era uma farra, uma enorme mesa central e poltronas confortáveis completavam o ambiente acolhedor. No andar de cima Frederico tocava sua editora Ex Libris.

Naquela época, 1978 ou 79, eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico “und” e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.

Na sequência Frederico e Claudinho desmancharam a sociedade e o Frederico montou em 1980, também com projeto do Baravelli, uma nova livraria, a poucas dezenas de metros, na R. João Cachoeira 267, a execução da obra a cargo do faz tudo Roberto (o chão era de tijolo aparente, cortado a 45 graus). Dois mezaninos e janelas abertas ilegalmente para a lateral do prédio. A Livraria Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley Duke Lee, o estúdio do artista plástico Luis Paulo Baravelli na sobreloja, e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados na edícula.

Algum tempo depois a Livraria Universo fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas, se especializando em livros raros. Lá Frederico continuava a operar a Editora Ex Libris, lançando em 1987 o notável livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo…” fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.

Em seu novo estúdio inaugurado em 1980 na R. João Cachoeira, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam ao direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA. Neste espaço certo dia Baravelli falou assim:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
E a opção foi fazer a revista Arte em São Paulo! Muito pragmaticamente, Baravelli fez a lista dos itens necessários, e comprou-os:
– Impressora
– Prensa de hot stamping para as capas
– Encadernadora espiral
– Estoque de papel para impressão
– Estoque de cartão para as capas
Finalmente contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes jornalistas, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981 e o último em 1985.

Entrando nos anos 80 minha vida virou de ponta cabeça… tomei a decisão de ser artista plástico profissional, saí do escritório de design gráfico “und” que havia criado com o Lelé Chamma, separei da Iris, mudei de casa, foi um caos!
A estas alturas o encanto dos anos 70 criativos e loucos estava se quebrando, os contatos entre aquela grande turma de amigos foram se espaçando, as amizades se esgarçando, cada um cuidando de sua vida, os filhos crescendo, e o Frederico iniciou um processo misterioso de se fechar para o mundo. Pouco a pouco foi evitando o contato social com amigos, família e foi se isolando. Ninguém entendia o que estava acontecendo.

Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim vi o Frederico andando a pé na calçada oposta, parei o carro e me dirigi a ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico simplesmente me ignorou e passou reto… eu fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar, totalmente alheio à minha presença… Que Frederico Nasser era aquele?!

Seu coração falhou definitivamente no início de 2020 aos 75 anos de idade. Foi muito triste e difícil de aceitar a perda de um amigo, o luto e a tristeza que senti em 2020 já havia sentido e trabalhado durante quase 40 anos…

Por que estou me lembrando de tudo isso? Nomes em um convite de casamento de quase meio século atrás, encontrado por puro acaso, despertaram em mim uma avalanche de lembranças…

Fernando Stickel
9 Julho 2020

Agradecimentos:
Sandra Pierzchalski
Plinio de Toledo Piza Filho
Claudio Furtado
Claudio Fernandes
Mauro Lopes
Monica Vogt Marques
Luis Paulo Baravelli
Cassio Michalany

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]


Meu tio Bernardo Diederichsen (1904-1928) faleceu aos 24 anos de idade, ao sofrer choque elétrico.
Recém formado Engenheiro Eletrotécnico na EHT Zürich na Suíça, ele estava em seu primeiro emprego no Banco do Brasil em São Paulo.
Vestia uma camisa branca e trabalhava em um rádio, com uma chave de fenda no bolso da camisa, inclinou-se sobre o rádio e a chave de fenda encostou em uma fonte de alta voltagem, fulminando-o instantaneamente.
Em seu bolso da calça carregava seu primeiro salário.
Minha mãe Martha tinha apenas um ano de idade, e lembra de conviver toda sua infância com sua mãe Maria Elisa Diederichsen (Lili) de luto.
Eu me lembro de ter visto a camisa branca, com uma marca de queimado provocada pelo choque…

é isso, por fernando stickel [ 13:36 ]

Meu amigo José Antonio Penteado Vignoli escreveu um belo artigo sobre a S.A. Fiação para Malharia Indiana empresa da minha família, no interessante site São Paulo Antiga.


A história da empresa da família de Vignoli é também muito interessante, veja aqui.

é isso, por fernando stickel [ 20:01 ]


Faleceu a baiana Martha Rocha, miss Brasil 1954 aos 18 anos de idade.
Na minha infância e adolescência, quando alguém queria mencionar um padrão de beleza era sempre Martha Rocha… RIP linda!

é isso, por fernando stickel [ 18:59 ]


Aniversário de 2 anos do meu neto Pedro!!

é isso, por fernando stickel [ 14:42 ]


Proposta incrível! Inteligência em ação durante a pandemia:

Projeto Quarentena Books reúne oito fotógrafos e designers em livros inéditos.

Bob Wolfenson, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Cássio Vasconcellos, Ana Carolina Fernandes, Daniel Klajmic, Rodrigo Koraicho e Paulo Fridman estão no projeto idealizado por Lucas Lenci e André Matarazzo

Renda será revertida aos grupos vulneráveis ao covid-19 e autores se encontram em live dia 30 de junho, às 19h

Livros de fotografia inéditos, produzidos e impressos em plena quarentena, com renda revertida aos mais vulneráveis impactados pela pandemia do covid-19. Essa foi a ideia da dupla Lucas Lenci e André Matarazzo, que movimentou oito fotógrafos e oito designers a remexerem suas gavetas e levantarem projetos para publicação pela editora Ipsis. “A quarentena proporciona uma nova visão sobre nossas atitudes, e isso impacta a produção criativa, nossa ideia é explorar isso ajudando aos outros no processo”, diz Lenci.

O Quarentena Books contará com trabalhos dos fotógrafos Bob Wolfenson, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Cássio Vasconcellos, Ana Carolina Fernandes, Daniel Klajmic, Rodrigo Koraicho e Paulo Fridman, cada qual com seu designer escolhido. Os livros poderão ser adquiridos em uma caixa, com todos (R$ 450,00), ou separadamente (R$60,00 cada) pelo site do projeto (www.quarentenabooks.com). Toda a impressão ficou por conta da Ipsis, que entrou como editora e gráfica sem custos para o projeto. “Nossa intenção com esta iniciativa é manter vivo o sonho dos maravilhosos livros de fotografia, documentos/objetos/textos/fotos que se eternizam para gerações futuras entenderem a nossa época. Também aproveitamos o tempo livre de pouco trabalho para investir em algo criativo e que vai permitir ajudar pessoas carentes, vítimas da pandemia, com o lucro deste grande projeto”, explica Fernando Ullmann, da Ipsis.

A ideia do Quarentena Books é conectar criativos, consolidar projetos e assim ajudar pessoas na quarentena. “Estamos todos doando nosso tempo e nossa criatividade. A única transação financeira do projeto é a venda final de livros cujo lucro é destinado aos mais vulneráveis”, explica André.

Os livros
Com retratos de anônimos feitos nos mais de 50 anos dedicados à fotografia, Cristiano Mascaro apresenta Apenas Retratos, que terá projeto gráfico de Julio Mariutti. “Minhas aventuras me puseram diante de inúmeros monumentos arquitetônicos, mas sempre esteve presente junto a mim este propósito, quase saudosista, de retratar as pessoas que encontrava nas ruas ou nos locais de trabalho. Finalmente neste período de confinamento pude rever meus arquivos em filme e finalmente achei o tempo que precisava para materializar este projeto”, conta Mascaro.

Já Cássio Vasconcellos viu na quarentena o momento ideal para refletir sobre o caos urbano, visto de cima, em voos de helicópteros. A série Coletivos tem projeto de Kenzo Mayama e reúne situações típicas da sociedade pré-pandemia que agora ganham nova leitura. “Realidade ou fantasia era a pergunta que me fazia sobre estas extensas montagens digitais que iludiam pela complexidade e tamanho, e, na quarentena, o que chamava de fantasia parece mais um sonho”, diz Cássio.

Em Cinderela, a fotógrafa Ana Carolina Fernandes edita finalmente a série em que registrou as travestis moradoras de um casarão antigo, na Lapa, no Rio de Janeiro. Foram mais de três anos de convivência entre elas, que resultou em cumplicidade, confiança e respeito vistas nas imagens. “Parece que a quarenta trouxe a oportunidade e o momento certo para finalmente me dedicar a este livro, cujo estímulo inicial veio de uma grande referência da fotografia mundial, David Alan Harley, que me disse ser este um trabalho merecedor de um livro”, conta ela. Bruno Di Cellio é o designer convidado.

Proibidas de ir à praia hoje, as pessoas fotografadas no Piscinão de Ramos em 2002, por Daniel Klajmic ganham agora outros olhos. Parte do ensaio já foi publicada em revistas nacionais e internacionais, mas nesta edição as mais de 40 imagens refletem mais aspectos. “Lembro que tive um sentimento estranho, pois me parecia uma maneira de manter parte da população longe das praias da zona Sul. Percebendo a alegria das pessoas ali, entendi que o assunto tinha uma complexidade muito maior, e que me interessava muito. No contexto atual, as fotos ganham um novo sentido já que hábitos outrora banais como ir à praia ou fotografar a praia parece um privilégio distante”, diz ele. O projeto gráfico é de Edu Hirama.

Também imerso no comportamento de um grupo, o livro “Ô Culpa”, com fotografias de Rodrigo Koraicho e design de Raphael Ferraz, se lança intimamente no cotidiano de uma ocupação em São Paulo. “A escassez habitacional da região metropolitana de São Paulo bateu recorde e atualmente o Estado de São Paulo registra um déficit habitacional de cerca de 1,8 milhão de domicílios segundo números da FGV”, alerta Rodrigo.

Já em Submerso, o fotógrafo Bob Wolfenson convida o designer Pedro Gerab para contar a história de suas fotografias atingidas pela água do rio Pinheiros na maior enchente da região, em 2020. Todas elas estavam guardadas em gavetas no estúdio e agora existem sob novos aspectos: carcomidas, manchadas, rasgadas e desfeitas. “E é deste jeito que quero apresentá-las. Esta quarentena me parece um momento adequado para reorganizar minhas fotografias que por motivos externos, tem novo significado”, diz Bob.

Resgatando o passado, o fotógrafo Paulo Fridman apresenta NY in the 80´s, um livro com registros feitos naquela década. “Esse tempo em casa me permitiu viajar no tempo. O confinamento me fez mergulhar neste material de quando vivi na cidade”, conta. Rodolfo Garcia assina o projeto gráfico.

Em Releituras, a fotógrafa Claudia Jaguaribe experimenta um novo processo, absorvendo notícias atuais, voltando-se para dentro e ressignificando imagens. “As casas que antes eram um conforto agora retratam uma nova solidão. Nada melhor do que usar este tempo de reclusão e repensar o próprio trabalho”, afirma ela. Para a edição, convidou a designer Mariana Lara Resende.

Sobre os editores:

Lucas Lenci
Fotógrafo e coordenador de projetos editoriais, publicou 5 livros próprios e outros diversos para colegas fotógrafos e tambem empresas. Participou de inumeras exposições entre Brasil, Estados Unidos e alguns paises da Europa Recebeu diversos prêmios tanto de fotogrfia quanto para suas publicações. Espera usar o tempo de confinamento para dispersar sua criatividade e criar novas obras editoriais.

Andre Matarazzo
Com mais de 46 prêmios internacionais no portfólio, André é um criativo e empreendedor que fez sua carreira publicitária ao longo de 8 países nos últimos 22 anos e hoje vive ao redor do mundo tocando sua Sexy Beast. Está incrivelmente animado em poder conectar com criativos tão interessantes durante esse período claustrofóbico.

Ipsis gráfica e Editora S/A
Considerada a principal referência de qualidade no mercado editorial brasileiro recebe a missão de imprimir com o mais alto padrão livros de arquitetura, artes plásticas, fotografia, história, literatura, com 70 anos de existência sempre inovando e criando novas tendências. Em recente mudança de marca, a Ipsis criou um selo que vai abraçar as publicações que porventura venha a editar. Trata-se do IpsisPub que assina esta coleção.

é isso, por fernando stickel [ 17:27 ]

Encontrei nestas intermináveis arrumações proporcionadas pela pandemia do coronavirus e a consequente enorme quantidade de horas dentro de casa, um texto manuscrito explicativo (será que explica?) do título do meu livro “aqui tem coisa”, lançado em Dezembro 1999. A data provável da execução deste texto seria entre 1997 e 1999, antes do início do meu trabalho com fotografia em 2003.

Por que aqui tem coisa

Na verdade explicar o título do livro serve como pretexto para falar um pouco do meu trabalho, afinal o material para este livro vem sendo criado preparado, revisado, repaginado desde 1968/69/70 quando as portas da percepção do mundo artístico me foram abertas por Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende. Em 1970 ao organizarem a Escola Brasil: os quatro artistas prepararam um folheto explicativo dos objetivos e da filosofia da Escola em cuja capa se lia:

ARTE É MUITAS COISAS

Vinte e cinco anos de carreira me levaram a trabalhar com com muitas coisas. Meu interesse continua a circular por diversas coisas e assuntos diferentes.
No entanto a formação formal de arquiteto e artista plástico delimita seu currículo e você se acostumar dizer:

Sou arquiteto e artista plástico.

Minha atividade artística iniciou-se em 1971 participando da 5ª Jovem Arte Contemporânea No MAC USP na seção de Poesia.
Trabalhei com design, arquitetura, engenharia e marketing, voltando à atividade artística em 1980.
Não faço diferença entre uma tela de Matisse, uma Ferrari by PininFarina, um almoço no Joel Robuchon, um poema de e e cummings, uma foto de Man Ray, um quadrinho do Angeli, a coluna da Barbara Gancia ou uma música e letra do Caetano. É tudo arte. É tudo inteligência. É tudo prazer sabor e enriquecimento.
É tudo coisa.
Então aqui tem coisa, lá tem coisa, estamos cercados de coisas. Coisas boas e coisas ruins e coisas mais ou menos.
As minhas coisas boas se manifestaram na minha carreira artística como aulas, poemas, textos, desenhos, pinturas, esculturas, objetos, arquitetura, design, culinária, instalações, curadoria, joias, ilustração, cenografia.
Aqui tem coisa são as coisas boas da escrita.

é isso, por fernando stickel [ 9:54 ]


Um gênio do design gráfico nos deixa… Milton Glaser (1929-2020) Curti muito seu trabalho nos anos 70…

é isso, por fernando stickel [ 12:12 ]


O Brasil vai ganhar dos Estados Unidos!!!!!

Que triste sina a nossa… Quantas décadas perdidas, quantos brasileiros ficaram pelo caminho, esquecidos, tragados pela miséria, pelo esgoto a céu aberto, pela incompetência dos agentes públicos, pelos infindáveis crimes dos políticos… etc… etc…

É triste ser brasileiro… É triste ver Bolsonaro ignorar solenemente a pandemia, se lixando para os milhares de compatriotas mortos.
É incompreensivel o Ministério da Saúde sem ministro, gerenciado por um general.
É triste ver este país maravilhoso se arrastando na lama da corrupção, do crime e da impunidade, década após década…

Agora além das já muito usadas hashtags #foralula #foradilma e #forapt temos que adicionar #forabolsonaro

é isso, por fernando stickel [ 10:21 ]


Retrato de Patricia Magano

Faleceu hoje meu amigo o fotógrafo Fausto Ivan Marcondes Passos, aos 79 anos de idade. Vá em paz Fausto, faça uma linda viagem!


Fausto 100% no estilo dos anos 70, “barba e bolsa”


Gosto muito desta foto do Fausto de 1982, eu com meus filhos Fernanda e Antonio.

é isso, por fernando stickel [ 18:23 ]

fs New York 1
Foto Beatriz Schiller, New York, 1985.

Morando em New York em 1985 em um loft eu tinha espaço para produzir arte de grandes dimensões.
Já havia feito lá pinturas sobre tela de 4 metros de comprimento, e resolvi mudar o suporte, comprei um rolo de papel preto, destes que se usa em estúdios fotográficos, e pedi para minha amiga Lisa posar.

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Nesta sessão de Novembro de 1985 fiz várias pinturas grandes (na verdade são desenhos feitos com pincel e tinta). Um mês depois encerrei minha estadia em NYC e voltei ao Brasil, carregando um gigantesco rolo de trabalhos em papel, que foram emoldurados e expostos em 27 Abril 1986 na exposição “NYC 1985” na Galeria Suzana Sassoun em São Paulo.

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O convite da exposição.


Minha amiga Gilda Mattar me fotografou.


Meu amigo Baravelli escreveu um texto.

é isso, por fernando stickel [ 8:54 ]


Participei de uma “live”com o tema “EU VIVI COM O ABAPORU”, convidado por Cristina Delanhesi, Presidente do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS, participou também o Diretor Artístico do museu, Fabio Magalhães.
Desde o início da pandemia do coronavírus as reuniões presenciais à distância, via aplicativo Zoom se tornaram comuns, alguns problemas técnicos vem ocorrendo e precisam ser superados, na primeira tentativa de realizar esta live fomos invadidos por hackers digitais, que tumultuaram a reunião e nos obrigaram a encerrar.
Desta vez funcionou! Apesar de, infelizmente, nem todos os inscritos terem conseguido logar na live. Mas a gravação do evento está aí em cima, disponível.

é isso, por fernando stickel [ 8:17 ]


Babinski – História de uma exposição

Na inauguração do Espaço Fundação Stickel na R. Nova Cidade 193, em 23 Março 2019, Bassy Machado, Sandra Pierzchalski, Rosangela Dorazio, Sandra Lourenço e Michele Behar.

Logo depois da inauguração mostrei aquarelas e gravuras de Maciej Babinski da minha coleção para Rosangela Dorazio, que ficou agradavelmente surpresa ao reencontrar o Babinski, pois sua tia Sandra Sousa Lemos havia sido duma das primeiras pessoas a fazer uma exposição do artista em Araguari, MG em 1977, e se interessou em reatar contato com Babinski, iniciando contato com ele.

Fruto destas conversas, na sequência, o filho do artista, Daniel Babinski me contactou dizendo haver produzido um documentário em vídeo inédito sobre seu pai. Tudo isto seria de extremo interesse para a Fundação Stickel, que estava na época negociando a colaboração do curador Agnaldo Farias, desenhava-se assim o início de um trabalho conjunto, com a possibilidade de fazer uma exposição, e para tanto convidei o Agnaldo a visitar Babinski em Várzea Alegre CE, o que fizemos em Julho 2019.
Chegamos na madrugada do dia 9 Julho, após o pouso em Juazeiro do Norte fomos diligentemente conduzidos pelo Tonheiro, taxista que atende o casal Babinski, até Várzea Alegre, onde Lidia e Babinski nos esperavam, gentilíssimos, cerca de 3 horas da manhã!


Logo na manhã de 9 Julho primeira manhã na casa de Babinski, longas conversas com Agnaldo Farias.


Babinski em seu “Museu”. A tela da esquerda selecionamos para a exposição.


O estúdio do artista.


No dia 10 Julho em uma longa reunião de trabalho, Agnaldo e eu selecionamos as 66 aquarelas e 2 pinturas para a exposição.


O curador e o artista.


Ao final do dia, Lidia e Babinski embalam cuidadosamente as aquarelas que traríamos para São Paulo no vôo daquela noite.


De volta a São Paulo Agnaldo começou a escrever o texto do catálogo, e eu chamei Lucas Cruz, professor de fotografia da Fundação Stickel para fotografar as aquarelas. Na sequência foram feitas molduras na Capricho Molduras e contratamos Luciana Facchini para o design gráfico do catálogo. Uma parceria se estabeleceu com Marcelo Guarnieri para a comercialização da exposição, e eu desenvolvi o Projeto Expográfico.


Lidia, Maciej e Daniel Babinski.
Finalmente acertamos com o Daniel a projeção do seu documentário juntamente com a vernissage da exposição e conversa dos curadores com Babinski, também durante a vernissage.


A vernissage no dia 7 Setembro 2019

é isso, por fernando stickel [ 9:18 ]


Nove anos atrás Sandra e eu fomos visitar a ninhada de 6 Jack Russel recém nascida, para escolher o nosso cachorrinho, todos tinham nomes de músicos, havia Tim Maia, Madonna, Jamiroquai, e outros que não lembro, e havia Jimmy Hendrix! Foi o escolhido!


Eu relutei muito em tomar a decisão de ter um cachorro, e fui atropelado pela Sandra que decidiu e pronto! Quando o Jimmy chegou em casa, em 24 horas eu já havia me derretido todo por ele, e estava irremediavelmente apaixonado, como continuo até hoje, em seu aniversário de 9 anos!


Dois anos depois chegou o Bolt, para fazer companhia e completar a familia!

é isso, por fernando stickel [ 8:24 ]

Minhas memórias de Ferrari são muito antigas e muito vívidas!

Na memória mais antiga eu deveria ter uns 4 anos de idade e viajava com meus pais de carro pela Itália ou Suíça, a estrada em meio a uma floresta, de repente em uma clareira aparece aquela maravilha vermelha estacionada em frente a um restaurante, quiçá uma Ferrari 340 Mexico… Imagem indelével.

Interlagos


Com 16 ou17 anos de idade eu era tarado por motocicletas e automóveis, assíduo leitor da revista Quatro Rodas e frequentava a pista de Interlagos nas Mil Milhas, 500 Km, etc…
Morava na Rua dos Franceses na Bela Vista, o bairro abrigava, além de uma enorme colônia italiana, várias oficinas mecânicas. Perto da minha casa morava, na Rua dos Ingleses, o Domingos Papaleo (1937-2015), que corria de Ferrari, provavelmente uma 500 Testa Rossa vermelha de 1956.
Do meu quarto eu ouvia cheio de prazer e excitação as aceleradas da Ferrari nos testes que ele fazia no imenso quarteirão formado pela R. dos Franceses, Joaquim Eugênio de Lima, Alm. Marques Leão e R. Cons. Carrão. Certo dia tomei coragem, fui até a casa dele, toquei a campainha e pedi pra ele me levar a dar uma volta, e não é que o italiano me mandou entrar na macchina e lá fomos nós dar a volta no quarteirão, com aquele som maravilhoso preenchendo todos os meus sentidos!!! Jamais esquecerei!!!

Mais recentemente, já vivendo na Vila Olímpia, algumas experiências com Ferraris, mas de outro tipo… Novos ricos mais afoitos, se exibem nos fins de semana ou feriados aqui na Vila Olímpia / Vila Nova Conceição.
Aceleram e fazem bastante barulho nas avenidas Helio Pelegrino e Nova Faria Lima. São várias, vermelhas, pretas, amarelas, brancas.

Ora, o cara que tem grana para comprar uma Ferrari, vai ficar brincando aqui na cidade, nas ruas esburacadas, cheias de lombada e radar? Se exibindo em torno do quarteirão? Atormentando os vizinhos com o lindo ronco da macchina?
E olhe que sou um amante das máquinas e motores, em particular da Ferrari…

Elegância e discrição andam em falta por aqui..

é isso, por fernando stickel [ 20:39 ]


Eu e meu pai Erico, em momento descontraido na R. dos Franceses nos anos 90. Ao fundo escultura de Marcello Mascherini (1906-1983)

é isso, por fernando stickel [ 14:39 ]


Acabamos de assistir uma premiada e maravilhosa série dinamarquesa no Netflix: Ride Upon the Storm, ou Os Caminhos do Senhor. O título original é Herrens veje.

Lars Mikkelsen é Johannes, pastor em uma família de longa linhagem religiosa. Tudo gira em torno de sua mulher Elisabeth e seus dois filhos August e Christian.

A série é falada em dinamarquês, lingua incompreensivel para mim, porém identifico muitas palavras em alemão…


Na série “House of Cards” Mikkelsen protagoniza Viktor Petrov, presidente da Rússia.

é isso, por fernando stickel [ 9:38 ]


Carl Gustav Jung explica:

Minha querida amiga Sylvia Ficher, colega de classe da FAUUSP, mora hoje em dia em Brasília.
Há poucos dias, a partir de um post que fiz sobre a Escola Brasil:, começamos a conversar sobre a Revista Arte em São Paulo, editada por Luis Paulo Baravelli nos anos 1980. A conversa evoluiu e ela lembrou que comprou nos anos 70, muito antes de saber que iria morar em Brasilia, uma peça do Baravelli da exposição de Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende no MAC São Paulo e MAM Rio de Janeiro em 1970.

Ficha técnica da peça:
Título: Restos de Brasília
Data: 1967/70
Técnica: Acrílico, latão cerâmica, madeira pintada
Dimensões: 45 x 28 x 12 cm.


E eu dou o seguinte título a esta experiência de sincronicidade: Memories of the Future

A Sylvia completa a história contando que a peça chama-se “Restos de Brasília” porque o Baravelli havia mandado uma peça para uma exposição em Brasília dentro de uma caixa feita no maior capricho para protege-la. E devolveram o trabalho todo entuchado de qualquer jeito na caixa… Foi com esses restos – cacos de azulejos, placa de acrílico quebrada e mais um lajotas – que ele montou a nova peça.

O próprio Baravelli completa a história em e-mail para mim:
Super confere a história da Silvia (abraço pra ela!), mas tem mais tempero político. Este trabalho mandei para um salão de arte em Brasília (em 1969, acho) e ainda antes da exposição a turma do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) entrou no depósito e quebrou tudo o que eles não gostavam, a minha peça inclusive. A peça original chamava “Voando pelo Brasil”, sem nenhuma contestação política nem nada.
Os organizadores não tiveram outro jeito a não ser encaixotar e devolver.
Lembro que na tal exposição (acho que se chamava algo como 1o. Salão de Brasília) também havia trabalhos do Gerchmann, do Nitsche, do Vergara e do Tozzi, que também foram destruídos.

é isso, por fernando stickel [ 9:55 ]