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convite edo rocha

Em novembro 1970 meu amigo Edo Rocha fez uma exposição de seus trabalhos na galeria Ars Mobile. Nós éramos carne e unha naquela época, no mundo da arte e na vida pessoal, frequentávamos a Escola Brasil: e éramos colegas no primeiro ano da FAUUSP. Eu andava muito ativo com minha câmera fotográfica PENTAX 35mm, e foi com ela que fiz as fotos do artista para o convite da exposição.


Com uma canetinha de nankin 0,1 desenhei a vinhetinha “edofotostickel”

é isso, por fernando stickel [ 17:15 ]

foto atual 1985-2005


Fui convidado pelo João Pedrosa a participar de uma exposição coletiva de fotógrafos na Arte Pedrosa Galeria de Arte, na Al. Franca 1558, com abertura na quarta-feira, 22/6/05 às 19:00h.

A mostra se chama Foto Atual 1985 – 2005.

É a primeira vez que exponho fotos, estou muito excitado com a novidade! É uma honra ser convidado para expor ao lado de feras como Alexandre da Cunha, Armando Prado, Cassio Vasconcellos, Daniel Klajmic, Douglas Garcia, Iran do Espírito Santo, Marcelo Krasilcic, Milton Machado, Miguel rio Branco, Paulo Vainer, Ricardo Van Steen, Roberto Donaire, Roberto Stelzer, Rubem Azevedo, Tiago Judas, Tuca Reinés e Vik Muniz.


Meu amigo Aly veio especialmente para ver minha foto, da série “Vila Olímpia”


Sandra e eu, felizes, em foto de Nina Jacobi


João Pedrosa e convidada


Minha foto exposta


João Pedrosa e Jeanete Musatti

é isso, por fernando stickel [ 8:35 ]

primeiro salão paullista

Participei em novembro 1980 do I Salão Paulista de Artes Plásticas e Visuais, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura e realizado na Fundação Bienal de São Paulo, no Ibirapuera.

Enviei três trabalhos sobre papel, dimensões 22,5 x 180 cm. produzidos no início 1980.

O secretário de cultura na época era Antonio Henrique da Cunha Bueno, e o júri de seleção e premiação composto por Paulo Chaves, Lourdes Cedran, Sheila Leirner e Ivo Zanini.

A história da vida destes trabalhos:
Você rasou: Participou do Salão, depois doei para Iris, que por sua vez doou para meu filho Antonio.
Sivas: Participou do Salão, depois doei para Rachel.
Astrodome: Participou do Salão, depois passou pela Galeria Paulo Figueiredo em 1982, e finalmente dei de presente no casamento dos meus amigos Luciana e Otávio.

é isso, por fernando stickel [ 12:26 ]

pratos para a arte

Participei do leilão “Pratos para a Arte III”, em 22 agosto 2000, promovido pela Associação Cultural Amigos do Museu Lasar Segall, no Galpão Eva Modiano. O leiloeiro foi Antonio Maschio.

Fui convidado a participar por Sonia Matarazzo e Eliane Fagundes, do Atelier Barro Blanco, lá realizei o meu prato, foi muito interessante e gostoso, novos tipos de tintas e depois ver a peça queimada, pronta!

Sandra Pierzchalski arrematou meu prato!

é isso, por fernando stickel [ 16:34 ]

espaço virgílio


O convite

virgilio
Sandra e eu, felizes!

Em 2001 aluguei durante o mês de dezembro o Espaço Virgílio em Pinheiros, SP, onde expus minhas pinturas e desenhos. A exposição teve o título de FERNANDO STICKEL – PINTURAS E DESENHOS, o vernissage foi no dia 29/11/01.
Neste espaço posteriormente funcionou a Galeria Virgílio, naquela época um grupo de artistas gerenciava o espaço, e inclusive o alugava.
Sou adepto deste tipo de solução alternativa, pois muitas vezes negociar uma exposição com as galerias de arte pode ser uma tarefa insanamente longa, cansativa e frustrante.
Pude desta maneira organizar a exposição da maneira que eu achei correta, com dois grupos de desenhos, um recente só de nus, e um “histórico” com trabalhos antigos, e também um grupo de pinturas recentes.


Este trabalho intitulado BRANCA doei posteriormente à Prefeitura de São Paulo, e foi exposto na inauguração da Galeria Olido, em 10 Setembro 2004.


Champagne!

é isso, por fernando stickel [ 12:46 ]

poster contest 3


Fundação Stickel convida para a exposição do Stickel Poster Contest 3, que reúne 62 cartazes no Museu da Imagem e do Som – MIS.

A mostra apresenta trabalhos escolhidos entre 382 cartazes enviados de 4 países, 17 estados brasileiros e 65 municípios, refletindo a diversidade e a vitalidade do design gráfico contemporâneo. O concurso teve curadoria de Rico Lins e direção artística de Fernando Stickel. O júri de seleção e premiação foi composto por Clarissa Schneider, Monique Schoenacker e Thiago Lacaz.

Abertura: Sábado 14 de março das 11h às 16h
Visitação: até 29 de março, terças a sextas, das 10h às 19h, sábados, das 10h às 20h, domingos e feriados, das 10h às 18h

MIS – Museu da Imagem e do Som
Av. Europa 158 – São Paulo SP

Entrada gratuita

é isso, por fernando stickel [ 15:23 ]

a ordem em questão

Participei da exposição “A Ordem em Questão” na Galeria de Arte UFF (Universidade Federal Fluminense) em Niterói RJ em abril de 1986, com a pintura “Memories of the past/Memories of the present, realizada em New York em 1985, acrílica sobre tela, 56 x 392 cm.

A curadoria da exposição foi de Luiz Sérgio da Cruz de Oliveira, com texto crítico de Marcio Doctors, e os participantes foram:
Adriano de Aquino, Eduardo Sued, Fernando Borges, Fernando Stickel, Gerardo Villaseca, João Grijó, Nelson Augusto, Paulo Roberto Leal, Rachel de Almeida Magalhães, Ronaldo do Rego Macedo.


O convite

é isso, por fernando stickel [ 17:15 ]

jimmy hendrix no tapete


Nosso cãozinho da raça Jack Russell, Jimmy Hendrix, relaxa no tapete que criei.

Meus amigos Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi criaram nos anos 80 a Companhia dos Tapetes Ocidentais, e me convidaram a criar um tapete para a exposição “13 Tapetes Ocidentais” na Paulo Figueiredo Galeria de Arte em São Paulo, vernissage em 27 agosto em 1987.

Os 13 artistas convidados para a mostra foram:
Antonio Lizarraga, Antonio Peticov, Carlos Alberto Fajardo, Claudio Tozzi, Dudi Maia Rosa, Esther Grinspun, Fernando Stickel, Gilberto Salvador, Guto Lacaz, Ivald Granato, Takashi Fukushima, Tomie Ohtake, Wesley Duke Lee

A partir do meu projeto a Companhia criou dois tapetes, um em lâ, e o outro em acrílica. Os dois adornam minha casa hoje em dia, com ligeira diferença de cor.

é isso, por fernando stickel [ 11:35 ]

arquitetos joalheiros

Lá nos idos de 1989 a joalheira Miriam Mamber teve a ideia de convidar um grupo de arquitetos para fazer e expor joias, eu fui um dos convidados.

Adorei o convite e me lancei com entusiasmo à empreitada, utilizando seixos, conchas, cacos de cerâmica e vidro que encontrei e colecionei durante anos nas minhas andanças, principalmente nas praias do Curral e Velloso na Ilhabela. Por indicação contratei um ourives que desenvolveu os engastes de prata que receberam os materiais coletados.

A exposição aconteceu na Galeria Artwear & Design na galeria da Al. Gabriel Monteiro da Silva 1046 em 17 outubro 1989 e teve o nome de ARQUITETOS JOALHEIROS. Os artistas convidados foram:

Lezio Cardoso, Paulo Hatanaka, Guto Lacaz, Pepe Asbun, Paulo Mendes da Rocha, Luis Paulo Baravelli, Miriam Mirna Korolkovas, Luciano Deviá, Takashi Fukushima, Eduardo Longo, Sueli Suchodolski, Claudio Libeskind, Joaquim Guedes e eu.


Polaroid antiga com a preparação das peças.

Nunca desenhei joias, mas a minha curiosidade e interesse levam-me a colecionar coisas,
pelo inusitado da beleza ou emoção que me despertam. Entre estas coisas encontram-se
centenas de cacos de cerâmica, vidro, pedras e tijolos polidos pelas areias da praia do
Velloso em Ilhabela.
Ao ser convidado para criar joias, lembrei imediatamente da rara beleza destes elementos
trabalhados pela natureza, que coleciono há anos, e decidi estrear como joalheiro
utilizando-os.
Tratei de selecioná-los pelo formato, cor, textura e relacioná-los, uni-los e mesmo realçá-los
com doses homeopáticas de metais nobres, conferindo acabamento, solidez, toque e
permanência.
O processo de criação de uma joia, objeto utilitário ou projeto de arquitetura é o mesmo.
O que muda é a escala, a complexidade de execução e o número de profissionais envolvidos.
Posso sozinho completar uma aguarela em poucas horas. Com o auxílio de um ourives uma
joia pode ser produzida em alguns dias ou semanas. Já um projeto de arquitetura envolve
dezenas de profissionais e não raro anos de trabalho.
Acredito na fecundidade excitante e saudável das atividades interdisciplinares dos
arquitetos joalheiros, músicos engenheiros, cenógrafos cozinheiros, artistas figurinistas
ou …
A compra de um objeto de arte é para mim um enorme prazer. Dividir esta sensação ao
presentear uma mulher com uma joia eleva à enésima potência as emoções envolvidas.
Joias simbolizam algo quando usadas com sabedoria, podendo significar bom gosto,
beleza, sedução, magia, equilíbrio, lirismo, amor.

Fernando Stickel – Arquiteto Joalheiro – agosto 1989

é isso, por fernando stickel [ 10:13 ]

VIII salão nacional

Participei do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela FUNARTE, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) em dezembro 1985.


Os três trabalhos, denominados Zinc Paroles, Bristol Panamarenko e Brasil Brezil são pinturas em acrílica sobre tela, em chassis dimensionados, 56 x 392 cm. executados em 1985

Quando morei em Nova York em 1984/1985 produzi lá vários trabalhos em papel, na primeira fase da minha estadia na Clinton Street, na sequência na 18 Street produzi também pinturas em tela.

Recebi de amigos o edital de convocação do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, me interessei em participar e produzi três telas de grandes dimensões.

Em um almoço antes da minha viagem eu havia conhecido uma restauradora de nome Jade Gadoti, trocamos endereços e viajei para Nova York. Com as telas prontas, jeans em 1985 eu precisava montar um esquema para produzir os chassis no Brasil, esticar as telas, e enviá-las ao Salão no MAM Rio de Janeiro.
Consultei a Jade expliquei o problema e ela se dispôs resolver a questão, pedi ajuda também para meu pai Erico, que providenciou pagamentos, etc… Faltava o transporte das telas de Nova York para São Paulo, foi aí que entrou em ação meu amigo Paulo Herkenhoff que se dispôs a levar as telas, bem enroladas elas faziam um volume razoável, ainda assim ele topou.

Tudo funcionou, os chassis complexos ficaram perfeitos, a entelagem também, e assim participei da exposição à distancia. Obrigado Jade, Paulo e Papai!


Ferderico Morais escreve sobre o Salão.

é isso, por fernando stickel [ 15:44 ]

salão de rio claro

Participei do II Salão de Artes Visuais de Rio Claro com três desenhos em 1982, promovido pela Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo, no Centro Cultural de Rio Claro.

A comissão de seleção e premiação foi composta por Alberto Beuttemmuller, Casemiro Xavier de Mendoça, Fabio Magalhães, Ivo Zanini e Paulo Chaves.

Participei com desenhos intitulados Animula, Pundit e Audit, na foto acima, lápis de cor e esmalte sobre papel, 26 x 182 cm. 1982

é isso, por fernando stickel [ 15:56 ]

galeria olido


“Branca” grafite, lápis de cor e esmalte s/ papel s/ tecido s/ painel de madeira e instalação elétrica com 26 lâmpadas 25W e dimmer
180 x 450 cm 1985


Capa do catálogo

Participei com o meu trabalho “Branca” do 9º Salão Nacional de Artes Plásticas Sul, promovido pela FUNARTE no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS em Porto Alegre em outubro de 1986, minha amiga e também artista plástica Ana Alegria me ajudou em todo o processo de montagem. Na sequência o trabalho foi exposto na minha exposição individual na Galeria Virgílio em 2001.


“Branca” no saguão da Galeria Olido, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura, de São Paulo


“Branca” no saguão da Galeria Olido


Sandra Pierzchalski e Agnaldo Farias, curador da mostra inaugural, em frente ao trabalho Aurora de Carmela Gross

Doei a obra Branca à Secretaria Municipal de Cultura em Fevereiro 2004, por ocasião da comemoração dos 450 anos da Cidade de São Paulo e da inauguração da Galeria Olido.
A inauguração da galeria foi na sexta-feira, 10 setembro 2004 às 19:30h. Discursos intermináveis, muita gente, tumulto, barulho, tudo isso faz parte.
O importante, para mim, é que o trabalho que doei à Secretaria Municipal de Cultura ficou impecávelmente instalado no saguão de entrada, conforme projeto feito conjuntamente com a arquiteta Sylvia Moreira.
As cores dos ambientes e detalhes de acabamento que determinei também ficaram perfeitos. Esta é a enorme satisfação profissional.


Carta ao Secretário de Cultura, Celso Frateschi

é isso, por fernando stickel [ 8:08 ]

IV salão nacional


Três desenhos, pastel sobre papel, 26 x 160 cm. executados em 1980

Participei do IV Salão Nacional de Artes Plásticas promovido pela FUNARTE no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-RJ em novembro 1981.

A comissão de Seleção e Premiação foi constituída por Amilcar de Castro, Anna Letycia Quadros, Aracy Amaral, Frederico Morais, Ítalo Campofiorito e Walmir Ayala.

O Salão aceitava desenho, gravura, pintura, escultura e “Propostas” que seriam instalações. Participei com três desenhos, intitulados Vessel, Nasser e Hippodroma.

é isso, por fernando stickel [ 18:00 ]

uma viagem de 450 anos

Fui convidado a participar da exposição “UMA VIAGEM DE 450 ANOS” comemorando o aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, com curadoria de Radha Abramo e colaboração da AICA – Associação Internacional dos Críticos de Arte, da ABCA – Associação Brasileira dos Críticos de Arte, e da APAP – Associação Profissional dos Artistas Plásticos de São Paulo.

SESC Pompéia de 20/01 a 14/03/2004 Rua Clélia 93

As obras participantes da exposição foram confeccionadas a partir de um mesmo suporte, malas baratas de chapa de madeira, representando a quantidade de migrantes que participaram da construção da cidade tal qual é hoje. Os artistas trabalharam em cima do suporte idêntico para todos, com as mais diversas técnicas.


O convite


A mala fechada


A mala aberta


As ferramentas e as peças desmontadas

Terminei o trabalho da mala para o SP 450. Raríssimas vezes um trabalho meu teve começo meio e fim tão rápido, tão redondo e com resultado tão bom. Tive clareza desde o primeiro minuto do partido do trabalho, desmontar a mala e reconstruí-la. Os acidentes de percurso, que sempre acontecem, foram para o bem, e o trabalho acabou no lucro. Fiquei contente porque é uma maneira auspiciosa de iniciar o ano.

A maioria dos artistas simplesmente abriu a mala e colocou algo lá dentro, sendo as fotos e os espelhos os recheios favoritos, ou então fechou a mala e pintou algo nela.
Sendo absolutamente imparcial, posso dizer que cerca de 10 trabalhos são interessantes, e entre eles está o meu, o único pendurado na parede.
È curiosa ainda a discrepância entre o edital, que impunha a única limitação aos trabalhos, cujo peso não deveria ser superior a 5 kg, e a realidade de dezenas de trabalhos expostos com peso flagrantemente superior ao limite. Então, fica a pergunta aos organizadores:
-Para que se dar ao trabalho de elaborar um edital que destina-se a não ser respeitado?

Entre outros, participaram da exposição os artistas:

Amélia Toledo
Antônio Peticov
Caciporé Torres
Cássio Vasconcelos
Cláudio Tozzi
Cléber Machado
Domício Machado
Fernando Durão
Fernando Stickel
Gregório Gruber
Hudinilson Jr.
Iatã Canabrava
José Roberto Aguilar
Lúcia Py
Margot Delgado
Maria Bonomi
Maria Villares
Odette Eid
Percival Tirapelli
Regina Rennó
Rodolpho Parigi
Rubens Gerchman
Sandra Tucci
Vera Sabino

é isso, por fernando stickel [ 15:46 ]

fernando stickel na geração 80


Nesta esquina de uma das alamedas de acesso ao Parque Lage no Rio de Janeiro iniciava-se a minha Instalação AZ, com a qual participei da exposição “Como Vai Você Geração 80?” no Parque Lage em 1984.


A localização do Parque Lage na Rua Jardim Botânico é única, enfiada na floresta, tem o Cristo Redentor logo ali em cima, é maravilhoso!

Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, no Rio de Janeiro, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
Exposição: “Como vai você, Geração 80?”

Recebi em junho 2003 o seguinte e-mail:
Prezado Fernando,
Meu nome é Caroline Buttelli, sou estudante do 9º semestre de Design na Universidade Luterana do Brasil ULBRA, em Canoas, RS.
Estou cursando uma disciplina de História da Arte Brasileira, na qual estou desenvolvendo um trabalho em grupo sobre a Geração 80 de Pintores. Gostaríamos de fazer uma entrevista por e-mail a respeito dessa manifestação artística, para incluirmos em nossa pesquisa. O objetivo dela é saber qual a visão dos próprios pintores acerca da Geração 80.

E esta foi minha resposta:
Caroline,
Participei da exposição coletiva “Como vai você, Geração 80”, no Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ em 1984, quase que por acaso. Soube por amigos que os convites para participar estavam sendo feitos, mexi meus pauzinhos e fui convidado nos últimos instantes pelo curador Marcus Lontra.
Naquela época eu namorava a Helena, uma carioca, e passava bastante tempo no Rio de Janeiro. Fui ao Parque Lage e decidi que o meu trabalho seria feito ao longo de uma das alamedas de acesso do parque, a céu aberto. Apresentei meu projeto, uma instalação chamada “AZ”, que foi aprovado. Consegui o patrocínio de oito pessoas amigas, que financiaram o meu trabalho. Cada um dos patrocinadores recebeu, ao final do evento, uma colagem com fotos do trabalho realizado. Não participei de nenhum “grupo” chamado “Geração 80”, portanto este meu depoimento é individual. Tentando responder objetivamente às tuas perguntas:
1) Qual a relação entre a sua arte produzida nos anos 80 e o momento de abertura política pelo qual o Brasil estava atravessando? Existiu alguma relação?
– Os artistas são as antenas da raça, disse Ezra Pound. Então, para um artista antenado, tudo é política. No meu caso esta atitude não transparesce necessáriamente na minha obra, que não carrega slogans nem bandeiras, o que não quer dizer que eu não tenha carregado bandeiras, como a das “diretas já”, “fora collor” ou “stop the war”.
2) Alguns críticos de arte dizem que os anos 80 geraram as piores obras do século XX. Qual a sua opinião a respeito?
– Bullshit. Alguém se lembra de algum nome destes tais críticos? Alguns dos participantes da Geração 80, no entanto, tem hoje projeção mundial. Como em todas as exposições coletivas com grande número de artistas, olhando-se para os participantes quase 20 anos depois, nota-se uma grande maioria que sumiu, e alguns poucos que ganharam notoriedade. É sempre assim. 100 anos depois serão lembrados apenas aqueles de grande projeção. Já os críticos…
3) Com a liberdade artística pregada pela Geração 80, como você e os demais artistas escolhiam seus temas, já que tudo era permitido?
– Tudo sempre foi permitido. Vide Marcel Duchamp e sua obra “Fountain” de 1917. Liberdade artística sempre existiu, mesmo nos países e regimes mais totalitários a arte teima em florescer.
4) Os anos 80 marcaram a volta da pintura, que estava em baixa nos anos 70. Quais eram os ideais artístico da Geração 80?
– Eu sempre desenhei, pintei, fiz colagens, fotografei, escrevi, etc…, sem conexão direta com os anos 70, 80 ou 90. Meu ritmo de trabalho é muito irregular, e independe dos modismos e suas épocas.
5) Muitos artistas dizem que os anos 80 foram prósperos em termos financeiros, existindo uma grande procura pelas obras de arte. Qual a sua impressão a respeito disto?
– Por ter um ritmo de trabalho muito irregular, minha relação com o mercado nunca foi boa. Nunca fui um artista que “vende bem” (infelizmente…)
6) Como o conceito de Transvanguarda se aplicou à Geração 80 de Pintores?
– Não sei.
7) Quais os artistas internacionais que serviam de inspiração para ti e para a Geração 80, se é que existiram?
– Para mim foram e continuam sendo Matisse, Duchamp, Beuys. Para a Geração 80 não sei.
8) Quais as suas impressões gerais a respeito da exposição “Como vai você, geração 80?”, realizada no Parque Laje em 1984?
– A exposição foi um evento altamente energético, mágico, excitante, apinhado de gente, realmente marcante. Meu trabalho foi vandalizado e três dias após a inauguração já não existia mais.
9) Se pudesse selecionar uma obra sua que fosse a melhor representante dos conceitos da Geração 80, qual seria?
– A obra que lá foi exposta:
Título: AZ
Técnica: Instalação composta de faixa de morim pintada ao longo de alameda de acesso do Parque Lage, suporte de um texto poético composto pelo entrelaçamento de duas sequências de palavras de A a Z.
Dimensões: 0.80 x 150m
Data: 1984
10) Na sua opinião, qual a diferença básica entre a arte produzida hoje e a arte dos anos 80?
– A utilização maciça de novos meios técnicos digitais, fotografia, vídeo, computação, etc…

é isso, por fernando stickel [ 18:37 ]

juréia


Inês Sadalla me convidou em 1988 para participar de uma exposição coletiva em sua galeria, com o tema da Reserva Ecológica da Juréia.
O grupo de artistas selecionados fez uma excursão à Reserva, dormimos lá, acompanhados do biólogo, fotógrafo e ambientalista João Paulo Capobianco, na época Presidente da Associação em Defesa da Juréia, foi uma experiência maravilhosa!

Situada no litoral sul de São Paulo, entre Peruíbe e Iguape, a reserva tem 82.000 hectares


AQUI ESTÁ
AQUI FICARÁ
Meu trabalho foi uma colagem com as fotos que tirei durante a expedição à reserva Reserva Ecológica da Juréia em 1987.

Meus colegas de exposição: Aldemir Martins, Alex Cerveny, Alex Flemming, Alice Brill, Amélia Toledo, Angela Leite, Beatriz Leite, Brenda Novak, Darci Lopes, Edith Derdik, E. Granero, Fernando Stickel, Francisco Faria, Genilson Soares, Gilberto Salvador, Gilda Mattar, Glauco Pinto de Moraes, Gregório Gruber, Guta Oliveira Santos, Guto Lacaz, Heinz Budweg, Jeanete Musatti, Maria Victória Granero, Mário Ishikawa, Norma Grinberg, Odair Magalhães, Ricardo Levy, Rubens Matuck, Sylvía Motta, Thais Gasparinetti, Tomoshige Kusuno, Ubirajara Ribeiro, Zé Pedro

A exposição se realizou na Sadalla Galeria de Arte em junho 1988 na R. Estados Unidos 367 em São Paulo. Na abertura teve a projeção de um documentário, com palestra de Amyr Klink e Fabio Feldman.


Capa do catálogo

é isso, por fernando stickel [ 15:54 ]

arte em pinheiros

No início dos anos 1980 recém separado da Iris, fui morar no Ed. Ipauçu, na R. Pinheiros 1076, ao lado do posto de gasolina da Av. Pedroso de Morais.

O apartamento no terceiro andar, de cerca 120 m2, tinha dois quartos com terraço e uma boa sala também com terraço. O prédio era antigo, dos anos 50, amplo e muito gostoso, um quarto para mim e outro para os meus filhos Fernanda, na época com 5 anos e o Antonio com 3. Uma vaga de garagem para o meu VW Passat branco. No prédio não havia porteiro eletrônico, então quando chegava alguém eu jogava lá de cima a chave embrulhada em uma esponja. Morei neste apartamento até o final de 1983.


Eu e meus filhos Fernanda e Antonio no terraço dos quartos.

Adaptei a sala para ser um amplo estúdio, e lá preparei minha primeira exposição individual de desenhos, na extinta Paulo Figueiredo Galeria de Arte, na Rua Dr. Mello Alves 717 casa 1.
Com os trabalhos da exposição quase prontos, e ainda sem moldura, pedi ao meu amigo fotógrafo Arnaldo Pappalardo para fotografá-los.


No dia das fotos, meu amigo Cassio Michalany (1949-2024) veio participar da sessão.

O convite da exposição “Fernando Stickel Desenhos”. A vernissage foi no dia 5 abril 1983 às 21:00h. O trabalho reproduzido no convite Título: Audit; Técnica mista; Dimensões 26 x 182cm.

ARTE
Só para os “happy few”
Dois estilos eficazes, pessoais, exclusivos
MANFREDO DE SOUZA NETO E FERNANDO STICKEL • Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo

Dentre todas as áreas, a de artes plásticas é seguramente a que tem um público mais especializado – e essa tese pode ser provada pela presente exposição. Sem dúvida, a crítica, os colecionadores e os habitués do circuito terão grandes prazeres, e muito o que falar, diante dos trabalhos destes dois jovens artistas. Mas é muito difícil explicá-los para o leigo. Que diabos, afinal, querem dizer os compridos desenhos de Fernando Stickel, quase uma tira de papel com formas geométricas simples, aparentemente sem grandes emoções e nenhum virtuosismo? E qual a “mensagem” das pinturas de Manfredo de Souzaneto, que são na verdade montagens de telas de formatos distintos, cada uma recoberta uniformemente com uma cor, e muitas vezes com a moldura e o próprio chassi tornando-se parte do quadro?
Decididamente este texto não terá a pretensão de responder com clareza a tais perguntas. Mesmo porque a noção de “mensagem”, na obra de arte contemporânea, é bem mais complexa do que a de transmissão de um recado que está “fora” da obra. Isto é: a mensagem de um quadro é o próprio quadro – e acabou-se. Não interessa tanto se ele mostra um determinado assunto (no caso da arte figurativa) ou se ele extravasa determinadas emoções (como em certo tipo de abstração). O que de fato conta é a forma por cujo intermédio esse conteúdo está expresso. Em estética moderna, aliás, pode-se até afirmar que a distinção entre forma e conteúdo é uma falácia. Na verdadeira obra de arte, um é o outro, interagindo. Esse tipo de elucubração teórica é inevitável, para legitimar e qualificar o trabalho de Fernando e de Manfredo. Da mesma geração (34/35 anos), ambos com formação de arquiteto, e evidentemente atualizados em matéria de contemporaneidade, fazem uma arte consciente de sua função no universo. Tanto Manfredo quanto Fernando começam por questionar certos limites até a nível técnico. O primeiro é apresentado aqui como pintor e o segundo como desenhista. Mas na verdade Manfredo faz objetos que invadem ambiciosamente o espaço, exploram o lado reverso da pintura (através dos chassis aparentes), não usam a cor como seu maior recurso expressivo e não chegam a ser escultóricos. E os desenhos de Fernando só são desenhos porque utilizam o lápis – entre outras técnicas. Em apenas um ou outro caso, o elemento especificamente gráfico impera.
É claro que o objetivo dos dois artistas não é apenas essa discussão formal. No caso de Manfredo – que tem maior currículo e está visivelmente mais maduro -, sua atual fase é o legítimo ponto de chegada para outras etapas onde o elemento “extrapictórico” era maior. Mineiro, ele chegou a
desenhar, numa linguagem semi-abstrata, as montanhas de Minas. Viveu depois na França uma fase quase experimentalista e retorna agora a um suporte clássico – a tela -, mantendo-se ainda fiel às origens (suas tintas são todas feitas com terras, por ele mesmo preparadas). Fernando faz aqui sua primeira individual, com honestidade e garra. O que mais impressiona, em ambos, é a sensação imediata de acerto, Isto é: deram um tiro com boa pontaria.
Construíram uma linguagem bem articulada e eficaz.
Cabe a pergunta se vale a pena criar essa linguagem, que seguramente se destina a minorias. Com rara coragem, Manfredo argumenta: “Não creio que a arte possa mudar o mundo. Ela pode, quando muito, colaborar para mudar a cabeça de indivíduos”. Dependendo do ponto de vista, esta posição será tachada de alienada ou realista. Mas mesmo tal distinção é menos importante do que o fato de que a opção de Manfredo e Fernando não exclui (pelo contrário: incorpora) a beleza. Por isso, até quando não “entendida”, sua obra prova-se capaz de despertar sempre a mesma exclamação. “Que bonito!” E este é, seguramente, um critério decisivo de valor. Em vez de discursos, temos a instauração de objetos que enriquecem a sensibilidade do indivíduo. Não será também isso um ato social?
Olivio Tavares de Araújo
ISTOÉ 13/4/1983

é isso, por fernando stickel [ 18:24 ]

jadite galleries

Participei de uma única exposição em New York, com trabalhos produzidos lá, durante a minha estadia em 1984/1985. Não me lembro como fiquei conhecendo o Roland Sainz, proprietário, da Jadite Galleries, inaugurada em 1985, mas ele me convidou a participar da exposição coletiva “SPACE AND COLOR” em fevereiro 1986.

Entre outros trabalhos que estiveram na exposição na Jadite Galleries estava este desenho/colagem, intitulado Helter Skelter de 32 x 76 cm. de 1985. Ele voltou para São Paulo após a exposição e participou da minha individual “NYC 1985” na Galeria Suzanna Sassoun, na sequência foi para Belo Horizonte, onde participou de outra individual na Sala Corpo, galeria do Grupo Corpo, foi então para Porto Alegre em uma exposição na Galeria Arte & Fato, voltou para São Paulo e finalmente foi presenteada aos meus amigos Arnaldo Pappalardo e Miriam Andraus, no casamento deles.
A dedicatória diz assim: Arnaldo, Miriam, no velho e novo mundo, de noite e de dia, no frio e calor, Boa Viagem! (assinatura) 23 abril 88.

Os artistas plásticos bem ou mal organizados utilizam sistemas de registro e controle de seus trabalhos. Eu me incluo na fatia dos bem organizados, e inventei em 1983 um caderno grande e um carimbo, equipamento simples com o qual fui registrando cronologicamente o nascimento dos meus trabalhos. Evidentemente existem hoje sistemas digitais sofisticados para cumprir a mesma tarefa, mas eu continuo satisfeito com o analógico, que me serve bem há 42 anos…

Escrevi a página de registro do Helter Skelter em New York quando lá morei e trabalhei. A anotação mostra o nascimento do trabalho em 1985 e sua história subsequente.

Juntamente com o livro de registro criei também uma etiqueta de identificação adesiva, inspirado na etiquetas de Luis Paulo Baravelli e Wesley Duke Lee. Todos os trabalhos que saíam do meu estúdio deveriam teoricamente estar registrados no livro e portar a etiqueta. Houve falhas…

Esta outra colagem/pastel de 25 x 64,5 cm também esteve na exposição da Judite Galleries, participou da exposição na Galeria Suzanna Sassoun, e foi para Belo Horizonte, para a exposição na Sala Corpo, finalmente dei de presente para minha amiga Claudia Gnemmi, e hoje mora com ela na Ilhabela!

Este trabalho de 31 x 123 cm. dei de presente para o Roland Sainz, dono da galeria.


Carta do Roland, de 12 fevereiro 1986

é isso, por fernando stickel [ 18:34 ]