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sandra pierzchalski diplomou-se!

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Sandra Pierzchalski recebeu hoje em Oxford, Inglaterra, o diploma do curso “Foundation School” promovido pelo IDIS e CAF.
A conselheira da Fundação Stickel voltará recheada de informações valiosas, tenho certeza, pois o mesmo aconteceu comigo no ano de 2011, quando participei do mesmo curso na cidade de Bertinoro, na itália.

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Aulas, pessoas interessantíssimas, livros, apostilas, visitas a instituições, uma montanha de informações valiosas!

é isso, por fernando stickel [ 15:51 ]

fare mondi

moemas-rothko

Em 20 Maio 2006 inaugurei na Pinacoteca do Estado de São Paulo exposição de fotos “Vila Olímpia”.
Diógenes Moura, curador de fotografia, e a equipe da Pinacoteca trabalharam impecávelmente na preparação e montagem, até convite impresso foi enviado pelo correio. A exposição foi um sucesso, assim como o lançamento simultâneo do livro “Vila Olímpia” editado pela Terceiro Nome.

Era uma época pré-Facebook.

Hoje muitas instituições abandonam os convites impressos em favor dos virtuais, consequência lógica do crescimento da web, sistema prático, simples e barato, que acaba por eliminar, porém, o “prazer analógico” de manusear uma peça gráfica de qualidade.

Em plena explosão das redes sociais, realizarei nova exposição das minhas fotos, trata-se da série inédita “Fare Mondi”. A vernissage será no dia 4 Junho próximo no Club Transatlântico. Não haverá convite impresso, e farei óbviamente uso de todos os meios eletrônicos disponíveis na divulgação da exposição. Já criei evento “Fare Mondi” no Facebook.

Pretendo reformar este blog e o meu site, e também criar uma conta no Twitter.

é isso, por fernando stickel [ 9:16 ]

public light/private light

mischa
Dona Glorinha, Antonio, Antonio Jr. e Roberto, 1998. Foto Kelly Kellerhoff

Em 1998, seis anos antes do início do meu trabalho de “ressurreição” da Fundação Stickel, alguém me procurou para pedir ajuda, tratava-se da finalização do catálogo da exposição “Private Light/Public Light” do artista representante alemão na 24ª Bienal de São Paulo, Mischa Kuball.
Marcamos um almoço no restaurante do MAM, e lá conheci o Mischa e a curadora da exposição, Karin Stempel.
Eu fiquei fascinado com a idéia da exposição, que era a seguinte: (descrição emprestada do site da Bienal)

“Dona Glorinha trabalha na Bienal há dezesseis anos, desde 1982. Ela conta que das bienais, as que ela mais gostou foram as do Paulo Herkenhoff e as da gestão do Edemar Cid Ferreira (22ª e 23ª).

Mas foi na 24ª Bienal, com a curadoria de Herkenhoff, que ela participou mais ativamente. Ela conta que o curador perguntou se ela aceitaria fazer uma foto na casa dela com sua família, numa permuta de lustres que fazia parte da projeto Public Light/Private Light, do artista alemão Mischa Kuball.
Durante a exposição, o lustre da sala da Dona Glorinha veio para o pavilhão e a sua sala ganhou um novo, como podemos ver na foto, que está na página 226 do catálogo Representações Nacionais da 24ª Bienal.

Ela comenta que a fotógrafa apareceu com um intérprete em sua casa, e ela, recém-chegada da feira, queria tirar o avental para a foto, mas a fotógrafa não deixou, falando que com o avental, sim, seria uma obra de arte. No final da Bienal, o lustre voltou para a sala dela e o outro ficou de presente.

E que não faltem lustres para a ilustre Dona Glorinha!”

As conversas evoluiram, e a Fundação Stickel apoiou a impressão do catálogo. Ao final da Bienal houve um leilão beneficente em que foram oferecidas as luminárias das residências que participaram do projeto, eu arrematei várias…

é isso, por fernando stickel [ 19:01 ]

sentimentos humanos

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O livro “sentimentos humanos: origem e sentidos” ficou pronto! Acaba de chegar da gráfica. É sempre uma sensação deliciosa pegar no objeto livro, sentir seu peso, seu volume, folhear as primeiras páginas.

Eis a introdução que escrevi:

Esta pequena obra-prima sobre os sentimentos humanos não estará completa (perdoem minha ousadia!) se não acrescentarmos mais um:

O impacto de uma mente brilhante: misto de paixão, curiosidade e ambição….

Cérebros privilegiados não se encontram em qualquer esquina… Eu tive o privilégio de conviver com gênios duas ou três vezes vida afora. A primeira experiência foi com o Professor Albrecht Tabor, no Colégio Visconde de Porto Seguro, e depois, lembro-me muito bem, nas aulas de português do Professor Flávio Di Giorgi, no colegial do Colégio Santa Cruz.

Chain-smoker, Flávio misturava em suas aulas poeira de giz com erudição e provocação, enquanto cinzas dos Lincoln sem filtro queimavam buracos em suas camisas brancas eternamente amarfanhadas.

O gênio, envolto em volutas de fumaça e totalmente alheio ao perigo de incêndio, continuava nos estimulando na busca pela excelência. Com inteligência e cultura enciclopédica declamava poemas, escrevia em grego na lousa, analisava as origens das palavras e respondia sobre todos os assuntos, ele era o máximo!

Colaborar com a edição deste livro, que presta merecida homenagem ao espírito genial do Professor Flávio é um enorme prazer. A obra se beneficia da combinação inteligente de estímulo à curiosidade com o prazer visual, seara perfeita para abertura de mentes e ampliação de universos.

Fernando Stickel
Fundação Stickel

é isso, por fernando stickel [ 18:14 ]

sentimentos humanos

sentimentos
“Sentimentos humanos: origem e sentidos”
 
Será lançado na próxima quarta-feira, dia 17 de Abril, a partir das 19 horas no teatro do Colégio Santa Cruz (Av. Arruda Botelho, 255, Alto de Pinheiros, São Paulo-SP), o livro “Sentimentos humanos: origem e sentidos”.

De autoria do do professor Flávio Di Giorgi, Beatriz Di Giorgi e Cristiano Di Giorgi, a obra apresenta um conjunto de 75 palavras que expressam as emoções humanas, tais como amor, ódio, desejo, preguiça, orgulho, indignação, coragem, vergonha, entre tantas outras presentes na vida e no cotidiano de todos.
 
Os verbetes estão distribuídos em 13 capítulos que configuram grupos temáticos, organizados de acordo com uma identidade comum. Sobre cada um deles se explicitará a etimologia, a definição e seus significados contemporâneos, evidenciando a relação particular e inédita que o professor Flávio Di Giorgi estabelece entre a etimologia e o significado de cada sentimento.

Em linguagem fluente, de fácil compreensão, os sentimentos são ilustrados por Alex Cerveny, Libero Malavoglia, Maria Eugênia e Vera Helena Ferreira, e por citações de textos poético-literários especialmente selecionados para a obra. 
 
O livro foi editado pela Fundação Stickel, com o patrocínio de Itaú Cultural e Morlan.

“Colaborar com a edição deste livro, que presta merecida homenagem ao espírito genial do Professor Flávio, é um enorme prazer. A obra se beneficia da combinação inteligente de estímulo à curiosidade com o prazer visual, seara perfeita para abertura de mentes e ampliação de universos”, revela Fernando Stickel, presidente da Fundação.

Durante o lançamento do livro, será realizada uma homenagem póstuma ao prof. Flávio, que dedicou sua vida e carreira às aulas de Literatura Latina e humanidades em geral em várias universidades e no Colégio Santa Cruz.


No lançamento do livro no Teatro Santa Cruz, os primos Fernando Diederichsen Stickel e Bernardo Ratto Diederichsen.
 

é isso, por fernando stickel [ 18:07 ]

better world books

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Depois de muitos e muitos anos comprando livros na Amazon, a preços excelentes e entrega confiável, me vi órfão, por razões que eu ainda não entendi direito.
A Amazon internacional deixou de enviar livros ao Brasil, acho que é porque se instalou aqui para vender Kindle, ao menos é o que indica o site brasileiro.
Agora vejam o que é a civilização e o livre mercado. Civilização em um país civilizado, entenda-se… e livre mercado, entenda-se, livre!!
É o que ocorre nos E.U.A, aquele país do norte que acaba de iniciar um mega-acordo comercial com a União Européia.
Uma dica no Facebook me levou a um outro site de venda de livros, que resolvi testar, trata-se do Better World Books.
Me cadastrei e comprei um livro usado, por U$7,00. Sim, míseros SETE dólares, cerca de R$14,00, sem frete.
A descrição do estado do livro: “Used – Very Good” ou seja, “Usado – Muito bom”.
Passadas algumas semanas o livro chegou pelo correio, Hubert’s Freaks, escrito por Gregory Gibson, conta da descoberta e comercialização de fotos raras de Diane Arbus.
Capa dura, perfeito, estado de zero, não indica nenhum manuseio, limpo, cheiroso, impecável! Este mesmo livro custaria em qualquer livraria brasileira cerca de R$40,00.
Não sei há quanto tempo a Better World Books opera, o fato é que a Amazon não opera mais para o Brasi, mas tem alguém que opera, é o livre mercado se adaptando, descobrindo nichos.
Depois tem gente que não entende o pibinho de Dilma e Mantega…
Livre mercado, preços baixos, e impostos razoáveis, dá nisso: consumidores (eu) satisfeitos.

é isso, por fernando stickel [ 18:07 ]

oscar niemeyer

oscar
“Toda forma que cria beleza tem uma função”

“O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que no encontro sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curva é feito todo o universo. O universo curvo de Einstein.”

Fiz esta homenagem a Oscar Niemeyer (1907-2012) em 9 Maio 1979, no caderno que mantive com meu amigo Cassio Michalany.

Como artista, escultor, desenhista, um gênio!
Já como arquiteto, sofrível (estive DENTRO de várias obras dele, são péssimas)
Como político, lamentável.

Sobre o comunismo de butique de Niemeyer, ícone perfeito da CHEC (Comunistas Hipócritas da Esquerda Caviar) leiam o excelente artigo de Reinaldo Azevedo.

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Por outro lado, é inegável o legado plástico de Niemeyer, homenageado pelo Edifício Copan, neste meu óleo sobre tela de 1980.

é isso, por fernando stickel [ 9:16 ]

vera martins: pintura por desconstrução

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Livro Vera Martins: Pintura por Desconstrução

A Fundação Stickel, a Editora Terceiro Nome e a Galeria Jaqueline Martins convidam para o lançamento do livro “Vera Martins: Pintura por Desconstrução”, na Galeria Jaqueline Martins (Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 74, São Paulo-SP), no próximo dia 15 de dezembro (sábado), a partir das 12 horas.

O evento também marcará o início de uma exposição de Vera Martins no local e contará com uma performance da artista.

Editado pela Fundação Stickel e pela Terceiro Nome, o livro é belo registro da obra desta artista plástica que propõe a desconstrução do suporte da pintura. Desfiando a tela, Vera a transforma em fios e eles, por sua vez, tornam-se chicote e pincel, impondo suas marcas, formas e nós que geram linhas em uma ação enérgica, corporal e vital.
A artista vem de uma família de fiandeiras portuguesas que faziam à mão todas as etapas do trabalho: o plantio do linho, a sedagem, a fiação e o tear dos lençóis. Em seu percurso de 25 anos nas artes plásticas, Vera também se tornou uma fiandeira, tecendo a vida, a morte e a sexualidade em pinturas, objetos e instalações.

O livro começou com o Projeto Contrapartida da Fundação Stickel, por meio do qual a artista criou uma parceria para publicar seu trabalho e, em troca, desenvolveu um curso sob o mesmo tema, para jovens da Brasilândia, a partir das suas experiências com alunos na Alemanha. ”O livro é o projeto editorial mais ambicioso da Fundação Stickel até agora. Iniciou-se como um registro do Projeto Contrapartida e foi evoluindo, incorporou vários textos, fotos, recebeu a colaboração de várias pessoas e sofreu inúmeras revisões do design gráfico”, relata Fernando Stickel, presidente da fundação.

Performance – Por volta das 16 horas, a artista realizará na galeria uma demonstração de sua técnica de chicotear para produzir suas obras.
A exposição das obras de Vera Martins ficará aberta na galeria ate 22 de dezembro.

Serviço:
Livro Vera Martins: Pintura por Desconstrução
Organização: Fernando Stickel
Textos: Agnaldo Farias e Carlos Perrone
Fotos: Rômulo Fialdini
108 págs
ISBN: 978-85-7816- 100-2
Preço: R$ 40,00

Lançamento, exposição e performance da artista
Local: Galeria Jaqueline Martins (Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 74, São Paulo-SP)
Data: 15/12 (sábado)
Horário: 12 horas

é isso, por fernando stickel [ 8:35 ]

blog de papel

ultimo-blog
Blog de papel…

Recebi hoje agradável surpresa pelo correio (sim, aquele troço que chega na tua casa em envelopes de papel).

Dentro do envelope o anunciado livro (sim, aquele troço retangular feito de papel e tinta) sobre a “blogosfera” do meu amigo Eduardo Lunardelli, dono do blog “Varal de Idéias” e vários outros blogs.

A obra responde por “o último blog e outras blogagens” assim mesmo em minúsculas, em edição do autor finamente impressa em papel polen.

Nós blogueiros, pioneiros e sobreviventes ao mesmo tempo, insistimos no nosso ofício, apesar da concorrência de Twitter, Facebook, Linkedin e outras cositas más, e o Eduardo conta um pouco sobre esta nossa insistência no ofício de blogueiro, são muitas histórias, que você pode saborear com o computador desligado, nesta delícia imortal, o LIVRO.
Aliás, o rapaz anda pródigo em produzir essas coisas em PAPEL, Setembro passado ganhei também dele um pequeno livro, POEMA [entre chaves].

Obrigado Eduardo!!!!!

é isso, por fernando stickel [ 18:03 ]

automat & diane arbus

automat
Em 1970 fui a New York com 22 anos de idade, sériamente intoxicado pelo vírus da ARTE, que havia adquirido no contato com Luis Paulo Baravelli no Cursinho Universitário, e nas aulas de desenho de observação de Frederico Nasser.

Lá um grupo de amigos artistas se encontrou, Dudi Maia Rosa, Frederico Nasser, Augusto Livio Malzoni, Baby Maia Rosa e eu.

Visitávamos os museus e galerias, conversavamos “non stop”, fascinados com o poder da ARTE que exalava da megalópole, e muitas vezes frequentavamos o restaurante self service “Automat” da Horn & Hardart da Rua 57, muito barato e sem atendentes, comprava-se o prato que ficava exposto em vitrines automáticas, colocando moedas.
Eu ficava fascinado com aquele lugar, principalmente pelas pessoas malucas e esquisitas que por lá ficavam, pois não havia ninguém para enxotá-las. Era inverno, e lá dentro era aquecido.

diane
Estas memórias voltaram avassaladoras pela leitura da biografia da fotógrafa Diane Arbus, falecida em 1971 aos 48 anos, por Patricia Bosworth, que exatamente nos anos 60 frequentava o submundo de New York, incluindo aí o Automat da 57 Street… mencionado diversas vezes livro afora.

é isso, por fernando stickel [ 9:02 ]

livro vera martins

livro-vera
Fazer um livro é uma das coisas mais gostosas que conheço.
Já fiz vários, tanto de minha autoria quanto para terceiros. Com maior ou menor grau de participação, a excitação e o prazer de ver a coisa pronta é sempre igual.

O livro sobre o trabalho da artista plástica Vera Martins “Pintura por Desconstrução” é o projeto editorial mais ambicioso da Fundação Stickel até agora, iniciou-se como um simples registro do “Projeto Contrapartida”, foi evoluindo, incorporou vários textos, fotos, recebeu a colaboração de várias pessoas, sofreu inúmeras revisões do design gráfico, e ao final de longo processo de maturação acertamos parceria com a editora Terceiro Nome, o que acabou por fornecer ao livro um “acabamento editorial” que só uma editora ativa no mercado sabe proporcionar.

Com 108 páginas, bilíngue (português-inglês) foi impresso a 4 cores em 1500 exemplares.
Coordenação geral: Fernando Stickel / Fundação Stickel
Textos: Agnaldo Farias, Carlos Perrone, Jochen Dietrich, Vera Martins
Concepção e projeto gráfico: Iris Di Ciommo
Revisão: Cecilia Ramos
Versão para inglês: Patrick David Hall
Fotos das obras: Rômulo Fialdini
Fotos na alemanha: Jochen Dietrich
Editora Terceiro Nome: Mary Lou Paris

Escrevi a introdução do livro:

Alquimia Contemporânea

Ao conhecer Vera Martins você percebe que ela não se revela por inteiro, mas se constrói aos poucos. É necessário um tempo para se chegar à inteireza da artista.

Para melhor compreender a artista e sua obra, a Fundação Stickel colaborou com o Projeto Contrapartida de Vera, e agora oferece, nesta publicação, as ferramentas necessárias para se entender sua trajetória.

Vera trabalhou em várias frentes. Sua trajetória é interessantíssima e recentemente incluiu uma forma de “atletismo artístico”, o pleno uso do vigor físico na fatura artística… Vera, porém, não descuida de aspectos espirituais e místicos – pois, ao final das contas, onde está a alma da obra de arte? Essa talvez seja a pergunta principal que se coloca em seu trabalho.

Alquimistas (ainda os há hoje… ) e artistas plásticos trabalham de maneira similar, trancados em seus estúdios e laboratórios, destilando bem guardadas sabedorias, muitas vezes mantendo seu trabalho propositalmente escondido do mundo.

O curioso na Vera é que o resultado de seu trabalho caminha no sentido oposto ao dos alquimistas tradicionais, que agregavam em seu cadinho substâncias exóticas e preciosas, para delas depurar conhecimento, sabedoria e poder.

Vera, na solidão do estúdio, tomou um caminho avesso para obter a pedra filosofal.
Seu objetivo? Chegar ao elemento primordial da pintura, isolar e capturar sua alma, sua essência, despindo-se no processo de todas as substâncias, excessos e acessórios, físicos e mentais. Um caminho difícil e tortuoso, que se revela claro e luminoso ao final .

Quanto mais Vera Martins desconstrói sua obra, mais ela própria se constrói.

Fernando Stickel
Outubro de 2011

é isso, por fernando stickel [ 15:09 ]

mini-livro

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Olha só o tamanho deste mini-livro!

é isso, por fernando stickel [ 8:52 ]

michalany & stickel

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Entre 1976 e 1980 meu amigo Cassio Michalany e eu fizemos uma brincadeira com um caderno de folhas brancas, de 31x22cm.
A regra era única e simples: Uma vez você, uma vez eu.

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O caderno ficava comigo durante um período, que podia ser de alguns dias até vários meses, e eu passava o caderno ao Cassio com alguma coisa escrita/desenhada/colada, em seguida ele fazia algo e me devolvia, e assim sucessivamente.

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Nas cerca de 100 páginas deste “Livro de Artistas” ficaram inclusive registrados (com arte!) momentos importantes de nossas vidas, exposições, nascimento dos meus filhos mais velhos, conquistas esportivas, etc…

é isso, por fernando stickel [ 11:29 ]

rouxinol 51, o catálogo

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A capa do catálogo

Em 2005/06 a Fundação Stickel dedicava-se ao projeto de implantação, ao longo de três anos, de um “Centro de Pesquisas sobre a Escola Brasil: e a Arte Contemporânea Paulista”, sob coordenação da Profª Drª Claudia Valladão de Mattos, constituindo um espaço de referência sobre este tema, aberto ao público, com múltiplas atividades, inclusive banco de dados informatizado.
A Escola Brasil: fundada em 1970, pelos artistas Luiz Paulo Baravelli, Carlos Fajardo, Frederico Nasser e José Resende, funcionou como instituição de ensino entre 1970 e 1974 e opôs-se às formas pedagógicas tradicionais. Sua proposta de aprendizagem baseava-se na vivência e na atividade artística como experimentação, apoiando-se fortemente no modelo de formação recebido pelos seus fundadores na convivência com Wesley Duke Lee.
Procurando romper com as formas de ensino tradicionais, fundadas numa relação autoritária entre professor e aluno, os quatro artistas organizaram a Escola, não em torno de um currículo fixo e progressivo, mas em torno das personalidades de cada um dos fundadores. Os Ateliês tinham o nome de seus professores com a constante modificação do conteúdo de acordo com a orientação do professor.

Este trabalho de pesquisa resultou na exposição ROUXINOL 51 – UM OLHAR SOBRE A ESCOLA BRASIL: com a edição de um catálogo, com projeto gráfico de Iris Di Ciommo e texto da Profª Drª Claudia Valladão de Mattos, a seguir:

“Arte é muitas coisas”:
sobre a Escola Brasil: e o ensino da arte contemporânea

Prof. Dra. Claudia Valladão de Mattos

Rouxinol 51. Nesse endereço funcionou entre 1970 e 1974 a Escola Brasil:. Seus fundadores, os jovens artistas Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende, possuíam uma história comum de aprendizagem com Wesley Duke Lee, alguma experiência como professor e o desejo de realizar uma revolução no ensino das artes. De acordo com Baravelli, a idéia inicial de fundar uma escola foi de José Resende e surgiu na época em que, após terem sido ‘diplomados’ por Wesley, os quatro passaram a compartilhar um mesmo ateliê: “Um dia ele falou: ‘Olha, vamos lá no bar pedir um chopp que eu preciso conversar uma coisa com vocês aí, quero fazer uma proposta.’ ‘Está bom, vamos lá’. ‘Vamos fazer uma escola.’ ‘Escola? Como? Quem? Como fazer uma escola?’ ‘Essa coisa que a gente está fazendo aqui, a gente pode expandir, aumentar e tal’”.
Pouco depois, a experiência de ateliê comum terminou, tendo cada um alugado seu próprio espaço, mas a idéia da escola permaneceu viva. Ainda de acordo com Baravelli, nos dois anos seguintes os quatro artistas passaram a fazer uma espécie de teste piloto do que poderia ser a escola, até finalmente decidirem de fato realizá-la: “tínhamos discussões contínuas tentando dar corpo ao que seria o nosso ensino, o que seria a Escola Brasil:”, lembra Fajardo.
Claro estava que o fundamento da escola deveria ser suas próprias experiências como artistas. Mas que experiência exatamente tinham esses quatro jovens no momento da fundação da Escola Brasil:? E por que tal experiência exigia um novo projeto pedagógico?

Devemos lembrar que os quatro artistas começaram suas carreiras durante um período especialmente significativo para a história da arte brasileira. A passagem dos anos 60 para os anos 70 foi marcada por grandes transformações políticas, econômicas e sociais que alteraram significativamente o cenário das artes em São Paulo. Foram os anos da ditadura e da articulação de novas formas de resistência e sobrevivência cultural, mas também os anos do‘milagre econômico’ que proporcionou as condições para o surgimento da cultura de massas, para o nascimento de um mercado de arte, propriamente dito, e para uma internacionalização da produção artística. Ampliaram-se, num espaço relativamente curto de tempo, os horizontes tradicionais da arte, e ela passou a se caracterizar fundamentalmente por uma intensa experimentação, tanto no que se refere aos materiais, quanto a conceitos.

O convívio com Wesley Duke Lee havia posto os quatro artistas, desde muito cedo, em contato direto com os debates sobre arte que se desenvolviam então em São Paulo. As atividades do Grupo Rex, organizadas em torno da figura irreverente de Wesley, das quais participaram ‘milagre econômico’ que proporcionou as condições para o surgimento da cultura de massas, para o nascimento de um mercado de arte, propriamente dito, e para uma internacionalização da produção artística. Ampliaram-se, num espaço relativamente Resende, Fajardo e Nasser, atualizavam o pensamento de Duchamp, questionando as formas geralmente aceitas de arte, denunciando a relação entre arte e mercado e propondo novos modelos de atuação para o artista. No final da década de 60 também se multiplicaram as oportunidades para dialogar com a produção artística internacional mais recente. Um dos espaços privilegiados para isso eram as Bienais. A Bienal de 1967 trouxe uma mostra da arte Pop, por exemplo, e em 1969 uma exposição de arte conceitual. O MAC-USP, sob a direção de Walter Zanini, também tornou-se fórum da nova arte no início dos anos 70, abrindo espaço para exposições de jovens artistas e valorizando uma produção conceitual.

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Fajardo e Baravelli

Os futuros fundadores da Escola Brasil: circulavam por estes espaços e discutiam os novos rumos da arte. Nesse contexto, surgiu uma questão central: se a arte deixou de ser definida através de seus meios artesanais tradicionais (pintura, escultura, desenho, gravura) para ampliar-se e tornar-se “muitas coisas”, para citar a definição de arte que mais tarde nortearia as atividades da Escola Brasil:, as formas tradicionais de ensino da arte também deveriam mudar. Sabemos que o ensino tradicional das “belas artes” organizara-se, ao longo de vários séculos de tradição, em torno dos gêneros tornou-se fórum da nova arte no início dos anos 70, abrindo espaço para exposições de jovens artistas e valorizando uma produção conceitual. Os futuros fundadores da Escola Brasil: circulavam por estes espaços e discutiam os novos rumos da arte. Nesse artísticos que definiam o campo da arte então. Assim, o aluno ingressando em uma instituição voltada para a formação de artistas passaria por diversos ateliês onde as técnicas tradicionais vinculadas a cada um dos gêneros da arte eram transmitidas. Este cânone acadêmico mantinha-se, paradoxalmente, ainda vivo na década de 70 (e, diga-se de passagem, continua sendo adotado por muitas instituições de ensino de arte hoje), mesmo sendo totalmente incoerente com o novo modelo ampliado de arte que estava sendo adotado por uma nova geração de artistas.

Encontrar uma nova proposta de ensino que estivesse em sintonia com os novos modelos teóricos contemporâneos que circunscreviam o campo das artes, tornou-se o desafio principal dos quatro artistas fundadores da Escola Brasil:. Esta tarefa realizou-se não sem muita discussão e experimentação no decorrer dos anos em que funcionou a Escola. Se a Escola Brasil: deu alguma contribuição significativa para o campo das artes em São Paulo, foi através da realização desse novo modelo pedagógico. Um modelo que poderíamos denominar de “didática do processo” (por razões que ficaram claras a seguir) e que se mostrou mais coerente e em sintonia com uma definição contemporânea de arte.

A apostila que definia os princípios e objetivos da Escola Brasil: abria com as seguintes palavras que deixavam claro as intenções de seus autores: “Brasil: não é uma escola de arte no sentido usual. Nas escolas de arte, em geral, o que interessa primeiro são as matérias, o aprendizado ‘teórico’. Elas estão preocupadas com os resultados imediatos e com a especialização, dando aos alunos um falso conhecimento artístico, fragmentando-o e reduzindo-o a modalidades acadêmicas de expressão. Em Brasil: o mais importante é o interesse do aluno e suas experiências. A ênfase está na experimentação constante, na investigação do processo criativo, no investigar durante o fazer, no conhecimento artístico como um todo.” Concluindo: “O processo de envolvimento do aluno durante o trabalho interessa mais do que o resultado final desse trabalho.”
Os princípios fundamentais expressos aqui valorizam o elemento conceitual (em sentido amplo) da arte, expresso através da idéia de processo. A arte deixou de ser definida através de seus materiais intrínsecos para tornar-se reflexão sobre a realidade, produzida por uma mente criativa e investigativa que lança mão, para tanto, de qualquer tipo de material para expressar-se.

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Créditos das imagens do catálogo

A estrutura do curso da Escola Brasil: espelhava esta concepção contemporânea de arte. Ao invés de organizar a Escola por ateliês ligados a diferentes meios: pintura, gravura, escultura, etc., Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende optaram por distribuir as aulas em quatro ateliês, cada um vinculado a um deles. Nesses ateliês ocorriam atividades as mais diversas, visando estimular a criatividade e a capacidade discursiva do aluno. “A minha idéia era fazer perceber que a arte é uma linguagem que opera em todos os níveis”, recordaria Frederico Nasser em um depoimento para a revista Arte em São Paulo, em 1984.
Aprender a operar com essa linguagem seria o objetivo primeiro do curso. A apostila Brasil: descreve alguns dos exercícios idealizados para cada ateliê. Fajardo, por exemplo, propunha diferentes temas e pedia para que os alunos se manifestassem. Remontar um texto de James Joyce, criar uma topografia com massa de modelagem, ou trabalhar a partir do I-Ching, eram algumas das atividades propostas. Já o José Resende priorizava a questão da relação aluno/espaço, desenvolvendo atividades como caminhar pela escola com um rolo de barbante, ou realizar uma intervenção no espaço, acendendo e apagando as luzes. Tais investigações sobre o espaço ocorriam também fora da sala de aula, em exercícios denominados “atividades de percurso”, onde os alunos saíam para explorar a malha urbana da cidade de São Paulo.

O conceito ampliado de arte que embasava a pedagogia da Escola Brasil: permitiu ainda a ampliação do âmbito de formação do aluno. Aprender a operar de forma criativa com a linguagem das artes plásticas poderia não só ajudar na formação de um artista, mas também de outros agentes culturais, como galeristas, diretores de museus, etc.
A herança duchampiana que marcava o modelo de arte adotado pelo fundadores da Escola alertava para a impossibilidade de compreender a arte fora de seus circuitos e este princípio era levado a sério. Assim, a Escola Brasil: ajudou a formar alguns galeristas, como Luisa Strina e Regina Boni, designers e outros profissionais vinculados ao campo das artes que, como vimos, se expandia em São Paulo.

Um olhar retrospectivo sobre as atividades da Escola Brasil: nos anos de sua atuação talvez nos permita considerá-la como a primeira escola de arte verdadeiramente contemporânea em São Paulo. A presente exposição que traz uma série inédita de fotografias tiradas durante os anos de funcionamento da Escola, acompanhada de trabalhos dos alunos realizados na época, configura-se como uma tentativa de reconstruir o cotidiano da escola e com ele ressaltar a originalidade do projeto pedagógico desenvolvido ali.

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Placa da Av. Rouxinol em Moema, São Paulo, onde se localizava a Escola Brasil:

é isso, por fernando stickel [ 14:36 ]

eduardo lunardelli

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Na última sexta-feira recebi na Fundação Stickel o meu amigo Eduardo Lunardelli, e recebi de presente simpático opúsculo de suas poesias: Poema [ENTRE CHAVES]
Conversamos horas sobre o delicioso ofício de fazer livros, sobre os tempos de Escola Brasil:; as artes, os trabalhos da Fundação, enfim, colocando a conversa em dia durante longo almoço na Praça São Lourenço.
Eduardo lançará a seguir um livro sobre sua experiência como blogueiro, seu blog principal é o “Varal de Idéias”

é isso, por fernando stickel [ 13:39 ]

um olhar sobre a brasilândia

No último sábado, 15 Setembro 2012 a Fundação Stickel e Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha inauguraram a exposição
“Um Olhar sobre a Brasilândia”
Fotos dos alunos do curso de Arnaldo Pappalardo e Lucas Cruz, promovido pela Fundação Stickel durante 2011.

A exposição ficará em cartaz de 15 Setembro a 15 Outubro 2012
FÁBRICA DE CULTURA DA VILA NOVA CACHOEIRINHA
Rua Franklin do Amaral 1281, esquina com a R. Conselheiro Moreira de Barros 02479-001 São Paulo SP
Horário de visitação: terça a sexta, das 9h às 17h; sábado das 12:30 às 17:00

Contato: 11 3922-7664 com Glaucia glaucia@fundacaostickel.org.br
Patrocinio: Fundação Stickel
Apoio: T Tanaka; Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha; Museu da Imagem e do Som – MIS

Esta exposição marca o início de parceria da Fundação Stickel com a Fábrica de Cultura, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura e a Poiesis, Organização Social de Cultura (OS) responsável por sua gestão.

um-olhar
Esta exposição teve um catálogo, editado pela Fundação Stickel, com textos do Arnaldo Pappalardo e meu próprio.

é isso, por fernando stickel [ 11:49 ]

livro escola viva

escola-viva
Exatamente há dez anos atrás, no sábado, 14 Setembro 2002 houve na Escola Viva na Vila Olímpia a ‘Manhã Viva 2002’, evento que se propunha a trazer aos pais, alunos, ex-alunos e amigos, um pouco dos 30 anos de história da Escola Viva.
Houve exposição, feira de livros, oficinas, contação de histórias, música e teatro.

Houve também o lançamento do livro “Escola Viva”, com texto de Antonio Prata (ex-aluno); fotos de Jade Stickel (mãe de aluno); ilustração de Fernando Stickel (pai de aluno); editado pela DBA do Alexandre Dórea Ribeiro (pai de aluna).

O livro sofreu um processo meio complicado para ficar pronto, no início eu fiz uma diagramação básica e um boneco, depois me encomendaram uma ilustração, e acabei fazendo uma aquarela, ao final a programação visual ficou por conta da Rex Design, e a minha ilustração entrou no livro como uma espécie de anexo.
O resultado final é excelente, o texto do Antonio Prata é delicioso e hilário, o livro é colorido, cheio de imagens, gostoso de folhear.

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De quebra veio a foto da minha filha Fernanda, na época em que frequentou a escola. Todos os meus três filhos são “crias” da Escola Viva.

é isso, por fernando stickel [ 17:53 ]

vila olímpia e diógenes moura

vol
Lancei meu livro de fotografias “Vila Olímpia” em 20 Maio 2006, simultâneamente à inauguração da exposição de mesmo nome, com curadoria de Diógenes Moura, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
O livro, editado pela Editora Terceiro Nome, contou com o texto de Diógenes, a seguir:

Ruas como telas
Diógenes Moura
Curador de Fotografia
Pinacoteca do Estado de São Paulo

Numa imagem assinalada por uma geometria simples, um recorte negro interrompe o olhar para quase criar um terceiro plano na medida em que uma esfera de vidro propõe ao espectador descobrir: que tubo azulado é aquele que ali está? O que se passa por trás desse primeiro plano? Quais as referências dessa quase-abstração? O que se esconde num anúncio cujo ponto de fuga é quase um segredo? A resposta está, ou estava, num bairro paulistano sem muita personalidade chamado Vila Olímpia. Está na série que o fotógrafo e artista plástico Fernando Stickel vem descobrindo nas ruas e recantos daquele mesmo bairro desde 2003. Estava porque a cidade, seu corpo, seus músculos, adormece com uma cor e no dia seguinte sua vida cotidiana já lhe trocou as roupas, as dores, os sons, o gozo, os dias, as noites, as palavras. A fotografia não estará mais ali. O recorte, o recanto, o tombo daquela “outra” imagem, será parte do passado.

Ao contrário da “destruição” visual imposta pelos grafites – com sua ira de torcida de futebol organizada -, onde qualquer superfície limpa é afeto para ser imediatamente poluída (costuma-se falar que é a arte dos sem vozes), as imagens de Stickel praticamente nos remete a uma cidade perfeita. Límpida, o que São Paulo não consegue ser; harmonizada em suas cores, muito menos; deliciosa de olhar em seu devaneio geométrico, tampouco. Stickel criou uma série em muitos momentos com uma apuradíssima fatura pictórica, o que leva sua fotografia para a ponta de um bisturi que perscruta os devaneios da própria cidade. São imagens do que seria ideal, produzidas em fases que se completam dentro da simplicidade de detalhes comuns, imperceptíveis a olho nu: um corte de luz solar por trás de um tonel cria um drama onde se pode escutar barulho em volta; uma lanterna interrompendo novamente o negro de um muro qualquer se transforma num minuto de silêncio japonês; uma pin-up fragmentada entre luz e sombra, com seu corpo americanizado, é capaz de interromper o passo, para ser notada: aquela mulher transforma-se em transeunte, pulsa, vive com seus poros de plástico.
A cidade de Stickel tem seu mapa geográfico situado entre imagem e palavra, raciocínio e construção. Um filme, uma sessão particular: penumbra, urbis e tempo, que, em sua explosão luminosa, ultrapassa a expectativa do dia-a-dia e imprime São Paulo como metáfora e memória.

olhar-que-vê
O livro tem também um texto escrito por mim, a seguir:

olhar que vê
Fernando Stickel

Diz a lenda que Ezra Pound, próximo de seus últimos dias e após ter permanecido em absoluto silêncio durante anos, ao ser procurado para uma entrevista e permanecer mais uma vez em profundo mutismo, concordou, após muita insistência do entrevistador em proferir uma única palavra, que considerasse significativa como mensagem:
CURIOSITY

Sempre gostei de fotografar e o faço desde cedo: comecei na adolescência, com uma câmera 6 x 6, que ganhei do meu avô Arthur; em seguida passei a usar uma Pentax Spotmatic 35 mm e depois várias outras ao longo dos anos. Quando conheci o trabalho de Diane Arbus e de Lee Friedlander (só para citar dois mestres), no início dos anos 1970, tive uma certeza: aí tem coisa!

Desenho, pinto, faço colagens, fotografo e escrevo desde pequeno, e meu principal instrumento de trabalho é o olhar – o olhar que foi sendo treinado para descobrir coisas bonitas, excitantes, nos lugares mais banais e à primeira vista desinteressantes; o olhar curioso, que de tanto observar, e observar cada vez com mais paixão e critério, me permitiu desenvolver uma ferramenta poderosa: o olhar que vê, fundamental para descobrir o que não se mostra à primeira vista e sem o qual não existe expressão artística.

Adicione-se a esse “olhar que vê” a minha obsessão em caminhar pela Vila Olímpia, bairro onde moro e trabalho há vinte anos. Quando me mudei para lá, esse bairro de São Paulo, delimitado pelas avenidas Santo Amaro, dos Bandeirantes, Marginal Pinheiros e Juscelino Kubitschek, sofria freqüentemente com as enchentes provocadas pelos córregos Uberaba e Uberabinha, hoje canalizados, e passava por um processo de transformação intenso, no qual suas velhas chácaras davam lugar a prédios sofisticados e a faculdades, e as pequenas indústrias e oficinas que ocupavam sua parte mais baixa se transformavam em mega casas de shows e eventos. A transformação rápida e intensa deu lugar a tudo, da modernidade à decadência, da imundície à sofisticação.

No início de 2003, com uma câmera digital Sony DSC-F717, iniciei um trabalho constante, pesquisando inúmeras maneiras de fotografar e diversos temas. A versatilidade da câmera, a lente “zoom-zeiss” e a possibilidade de ver o resultado instantaneamente transformaram esse período meio caótico, de aprendizado, em uma riquíssima introdução do meu “olhar que vê” no universo da fotografia digital.

Pouco depois, no início de 2004, comecei a caminhar pela Vila Olímpia com a câmera na mão, com a intenção de fotografar os edifícios comerciais recém-construídos na parte “nobre” do bairro, mas acabei mergulhando justamente nas áreas mais antigas e degradadas, nos detalhes, ruas, calçadas, muros, tapumes, casas, portões, beirais e janelas, e os resultados me deixaram excitado e gratificado, pois meu olhar havia encontrado um foco extremamente claro e fértil.

Desde então, nos fins de semana, por volta das onze horas, de preferência com sol alto e céu azul, saio andando. Minhas caminhadas duram entre uma e duas horas; cada dia faço um roteiro diferente, e é interessante como, mesmo passando várias vezes por um mesmo lugar ou determinada rua, sempre acabo descobrindo algo novo. Ao voltar para casa descarrego as fotos no meu Macintosh, seleciono as melhores, trato-as minimamente no Photoshop, as arquivo. E, agora reúno uma seleção delas neste livro.

Uma particularidade interessante deste trabalho são as conversas que acabo tendo com algum morador mais curioso ou ressabiado, ou com as crianças, que são bem mais acessíveis e pedem para ser fotografadas, ou até, como aconteceu uma vez, com a moradora de uma casa humilde que eu fotografava e que veio me perguntar se eu a estava observando pensando em seqüestrá-la!

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Meu amigo Bruno Mortara também escreveu:

A fotografia de Fernando Stickel

“Qualidade, luz, cor, profundidade, que estão aí diante de nós, aí só estão porque despertam um eco em nosso corpo, porque este lhes faz acolhida.” (Maurice Merleau-Ponty em O olho e o espírito, 1960)

O plano do devir que nos atinge é repercutido no corpo e pelo corpo do artista. Seu corpo funciona como uma janela nervosa indo de um lado ao outro, de cima a baixo, girando a cabeça, inclinando-se. A intersecção do plano da vida com o plano do olhar é o resultado do trabalho do artista.

Fernando Stickel nos apresenta suas imagens: resultado da conjunção do trabalho do músculo do olho, da consciência, da inconsciência e da imaginação, que selecionam o que ver, e do trabalho do músculo do dedo indicador direito, que decide o momento certo a ser selecionado – em detrimento de todos os outros. É nessa escolha que seu ser se funde nas imagens captadas. As imagens revelam muito daquele que seleciona e compõe, brinca e pinta recriando seu próprio mundo. É por isso que ao ver suas fotos sentimos alegria e curiosidade. Sentimos o olhar-criança do artista adulto-que-pensa-a-vida.

As imagens sentidas-escolhidas por Fernando Stickel fazem lembrar aquilo que Merleau-Ponty disse sobre a percepção: a seleção de alguns fragmentos do fluxo de fenómenos que nos atingem é já parte da obra do artista, seu visar. Sua sensibilidade, através de seu visar, seleciona ver isso e não aquilo, a todo momento. Isso reduz o fluxo de sensações a recortes particularizados da realidade – o mundo do artista. Ao clicar um fragmento desse seu mundo, Fernando Stickel nos revela aspectos das coisas que já estavam lá e não seriam percebidos sem o visar do artista. Essa revelação, resultado do processo de criação, é o que o artista tem de mais precioso e nos mostra sua maneira única de penetrar nos mistérios daquilo que aparentemente está visível para todos mas só alguns são capazes de perceber.

Com atitude provocadora, o artista foge da visão clássica de mundo – como cosmo, ordem ou totalidade. A partir de seu corpo, mergulhado no mundo, Fernando Stickel garimpa nos fragmentos da realidade o fio condutor para expressar suas percepções, emoções e valores.

Bruno Mortara

é isso, por fernando stickel [ 23:08 ]