
Manhã de sábado na Vila Olímpia.

Manhã de sábado na Vila Olímpia.

Final de tarde de sexta-feira em São Paulo.

Ontem vi uma pessoa que se suicidou, jogando-se do alto de um prédio. O corpo estava lá, estendido no chão, com uma mancha de sangue embaixo da cabeça.
Não pude deixar de pensar numa série de coisas.
Hoje cedo, quando o sol deu uma rápida presença fui ao Parque do Ibirapuera andar um pouco.
Elevei meu pensamento para aquela pobre alma, tentando ajudá-la a encontrar um bom lugar no cosmos. Em seguida ergui novamente minha consciência e agradeci por estar ali, vivo, com pouca dor nas costas, podendo caminhar. Chama-se a isso reza, oração, prece? Não sei, mas é assim que faço, quase que por instinto.
Cinco bons motivos para não malhar:
1 – Minha avó começou a andar 5 km por dia aos 80 anos. Hoje ela tem 97 e ninguém sabe onde ela está.
2 – Me inscrevi numa academia no ano passado e não perdi um quilo sequer! Parece que é preciso participar das atividades.
3 – Não faço nenhum exercício. Se Deus quisesse que tocássemos nossos dedos dos pés, Ele os teria feito mais próximos das mãos.
4 – Eu não corro porque derruba o gelo do copo.
5 – Tartaruga não faz nada, anda bem devagar e dura 200 anos.

Esse cara aí na foto do Joaquim Marques é o Klaus Fridrich Foditsch, foi meu amigo íntimo, sentávamos juntos nas carteiras duplas do primeiro ano primário no Colégio Visconde de Porto Seguro, na Praça Roosevelt.
Andamos de carrinho de rolemâ que ele construia ajudado pelo Seu Simon, pai dele, e pelo Hans (O Belo) irmão dele.
Destruimos bicicletas e tocamos punheta juntos no meio do mato. Roubamos o carro dos pais e pescamos juntos com meu avô Arthur Stickel na Ilha da Moela no Guarujá.
Construimos kart com motor de serra e andamos de moto, fizemos tudo que dois amigos adolescentes podem fazer juntos, inclusive traçar a primeira puta, eu no banco da frente e ele no banco de trás da perua DKW-Vemag Vemaguet de um também já falecido colega, Luis Antonio da Silva Telles. O Klaus morreu muito cedo, fruto de uma vida muito intensa, com muito sucesso e pouca sabedoria.
Seu Simon e Dona Frida eram os pais do Klaus. A familia morava na R. Barão de Aguiar, provavelmente no Nº 95, pertinho do Aeroporto de Congonhas. O Klaus tinha dois irmãos mais velhos, Hans e Erika. A casa modesta foi durante muitos anos meu segundo lar, como o Klaus e eu éramos carne e unha, ou ele estava comigo na minha casa na R. dos Franceses, ou vice-versa.
Dona Frida tinha especial prazer em me servir Speck, porque ela sabia que eu adorava, e na minha casa não tinha nunca!
Saudades do Klaus Fridrich Foditsch.

Fazia muito tempo que eu não encontrava uma destas uniformizadas almas abnegadas que percorrem os restaurantes distribuindo santinhos, sorrisos e passagens nos elevadores do Exército da Salvação para ganhar o céu rápidamente. Desta vez foi no restaurante Guanabara, no Vale do Anhangabaú.

Aula de desenho de observação com modelo vivo.

Coisas no estúdio.
Dentro do vidrinho encontram-se os restos cirúrgicos da minha hérnia do disco, L5-S1, operada em 1990.


Inacreditável o estoque de fotos do Joaquim Marques! Iris Di Ciommo, a mãe dos meus filhos mais velhos e eu, por volta de 1977. Estranhíssima a falta dos meus óculos…

Em alemão: Hexenschuss
Em português: Golpe de vento
Em qq lingua: Proteja-se dos golpes de vento, eles podem matar! E se não matam, engordam!

Sábado em Indaiatuba. Arthur está contente, ou não?

Na entrada da exposição do artista/fotógrafo Axel Hutte em Madrid: Duas Sandras e um eu.

Ana Maria, minha irmã nos anos setenta. Foto do Joaquim Marques.

Ah! Filho é uma coisa louca, né memo? Em todos os sentidos. Muitos de vocês meus leitores comentam a eterna presença dos meus filhos neste blog, e não é pra menos.
Olha só esta última do Arthur: Foi com os amigos num piquenique no Bosque do Morumbi (Parque Alfredo Volpi) e trouxe de lá para mim “aquelas frutinhas que você gosta” Não é pra se rasgar?!

… e a tarde cai mais fria ainda que a manhã de hoje. A noite promete ser gelada!

O que vocês acham disso? Fiz esta foto no pequeno pátio descoberto do meu estúdio.

A mulher não é ela. É o clima dela. Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recente que se descobre no cabelo e na nuca ou de capim cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou camisola. Nada de voz aguda. Um tom de médio para grave é preferível. Uma gota de rouquidão incentiva. Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e espírito. Só de caráter. Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo.
O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no rosto, atraentes. Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que, isolados, crescem muito e ganham no todo. O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos estrábicos, o nariz um pouco maior do que ela desejaria, tudo isso aquece a atração. Carinho tem hora.
Não hora marcada, mas hora adivinhada. Carinho fora de hora, eriça. Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é forte fator de atração. Lágrimas a postos. Sempre. Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido nosso. Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas ou ideológicas.
Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição idealizada ou basbaque certinho demais. Mas honradez ele deve ter…
Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar. Pedir como quem ajuda, saber esperar. E não pode ficar falando “eu acho” toda hora, nem descuidar-se das unhas dos pés. Pudor é essencial. Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil mas eloqüente de seu corpo, no modo de se encolher na cadeira ou cruzar os pés. Rebolados, só os muito suaves e discretos. Mas evidentes. Ser friorenta é indispensável. Se for possível, preferir o silêncio – entre reclamar e reivindicar, salvo quanto tenha muita razão – melhor ainda. Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão. E depois não permaneça a resmungar.
Que goste de eventuais e raros pilequinhos, jamais de alcoolismo. Que ame beijar. Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar a porta na frente. Pisar firme, mas leve.
Mulher não deve chegar, deve aparecer. Não deve entrar, deve aproximar-se. Não deve mastigar, deve diluir. Não deve engolir, deve sorver. E por favor, cuspir, jamais. Só no consultório dentário…
Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível. E dormir o mais encolhidinha possível e depois acordar solta, confiante no sono. Em viagens, é essencial cuidar da gente. E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente.
Sim, ser bela nada tem com ser bonita. É muito mais.
Porque a mulher não é apenas ela. É também o clima dela.
Artur da Távola