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sabedorias

linda manhã de sol

Linda manhã de sol, com mais um poema do Paulo Mendes Campos, do livro Alhos e Bugalhos:

Coisas deleitáveis
Arrancar os sapatos depois do baile;
andar descalço em relva úmida;
sombra de árvore;
passarinho colorido quando pousa perto da gente;
mudar para apartamento maior;
flores;
dormir cansado;
banho de cachoeira antes do almoço;
achar dinheiro;
varanda de fazenda;
o sorriso de Ingrid Bergman;
janela para o mar…

é isso, por fernando stickel [ 8:50 ]

são paulo acorda

No meio da bruma São Paulo acorda, e nada melhor para começar a semana do que esta pérola:

ACORRENTADOS de Paulo Mendes Campos, do livro “O Anjo Bêbado”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1969.

Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

é isso, por fernando stickel [ 10:46 ]

cassia e fernando, o pessoa

Minha amiga Cassia Gonçalves me enviou este delicioso poema de Fernando Pessoa:

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

é isso, por fernando stickel [ 19:39 ]

peguei no dudi


Peguei no Dudi:
“Pouca observação e muito raciocínio conduzem ao erro.
Muita observação e pouco raciocínio conduzem à verdade.”

é isso, por fernando stickel [ 11:07 ]

true blessedness


The true blessedness of a man is not to to arrive, but to travel.
Robert Louis Stevenson.

é isso, por fernando stickel [ 19:28 ]

longas distâncias


Das minhas anotações, Robert Motherwell disse:

O artista tem que ser um corredor de longas distâncias, um fundista, maratonista, ultra-maratonista, não pode desistir nunca e jamais esmorecer. Seu objetivo e sua paixão estão lá, de manhã, à tarde e à noite, todos os dias da sua vida.

é isso, por fernando stickel [ 0:00 ]