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sabedorias

sabedoria chinesa

Lembrei hoje cedo, ao levar o Arthur para a escola a pé, de um episódio de sabedoria que me marcou, e do qual sempre me recordo em dias lindos como hoje aqui em Sampa.
Eu morava em New York em 1985, e andava pelas ruas de Chinatown, num dia de sol forte, céu azul e brisa fresca. Na minha direção vinha andando pela calçada um senhor chinês de no mínimo uns 95 anos de idade, baixinho, sorridente, de óculos. Parou na minha frente, olhou para cima e exclamou em seu sotaque carregado:

BEAUTIFUL DAY!!!

Abaixou os olhos, seguiu seu caminho e eu nunca mais me esqueci desta cena.

é isso, por fernando stickel [ 9:31 ]

graciliano ramos

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948, sobre o ofício do escritor:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.
Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

é isso, por fernando stickel [ 13:04 ]

doutora bia badaud

Doutora Bia Badaud, num acesso de sabedoria:

“As profundas razões psicológicas que levam as pessoas a não enxergar o evidente, não me cabe decifrar.
Apenas repito o que já disse aqui: remédio é coisa pra quem está doente. Se você pode andar, se teve o privilégio de ter onde morar e o que comer, e se estudou, e se não está doente, sugiro que, antes de mais nada, agradeça estas dádivas a Deus, com sinceridade.
Isto feito, antes de reclamar que o chão está molhado, verifique se não deixou a torneira aberta!!
Antes de correr atrás de uma panacéia, verifique se já segue hábitos consagrados pelo bom senso, ao longo dos milênios de civilização humana.”

é isso, por fernando stickel [ 11:41 ]

o corpo é natural da cama

Luiz Melodia diz que o corpo é natural da cama.
Também acho, só tem um problema, a consciência não é.

é isso, por fernando stickel [ 20:17 ]

fajardo disse

Meu amigo Carlos Fajardo disse:

Angústia é quando você toma uma indecisão.

é isso, por fernando stickel [ 0:33 ]

o caracol e a pitanga


… e do nosso sábio Millôr:

O Caracol e a Pitanga
Há dois dias o caracol galgava lentamente o tronco da pitangueira, subindo e parando, parando e subindo.
Quarenta e oito horas de esforço tranqüilo, de caminhar quase filosófico.
De repente, enquanto ele fazia mais um movimento para avançar, desceu pelo tronco, apressadamente, no seu passo fustigado e ágil, uma formiga-maluca, dessas que vão e vêm mais rápidas que coelho em desenho animado. Parou um instantinho, olhou zombeteira o caracol e disse: “Volta, volta, velho! Que é que você vai fazer lá em cima? Não é tempo de pitanga”. “Vou indo, vou indo”- respondeu calmamente o caracol.
“Quando eu chegar lá em cima vai ser tempo de pitanga”.

MORAL: NO BRASIL NÃO HÁ PRESSA!

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]

assassinato com elegância

Aprendi numa revista Esquire antiga: Como assassinar alguém e se livrar da arma com elegância e bom gosto.
Tome um pernil de bom tamanho, temperado, e congele-o.
Convide sua vítima para jantar.
Enquanto tomam os primeiros drinks , peça licença, pegue o pernil congelado e desfira um golpe certeiro.
Em seguida abra um excelente vinho e vá curtindo o sucesso da empreitada, enquanto espera que a arma descongele.
Leve a arma ao forno, e desfrute!

Mas,… como se livrar do corpo?
Cartas para a redação.

é isso, por fernando stickel [ 17:50 ]

ajuda do millôr

Página de um caderno de anotações, com a ajuda do Mestre Millôr:

De repente
Na alma
O terror da calma

é isso, por fernando stickel [ 10:21 ]

sair fora dos trilhos

Para descobrir novos caminhos é preciso sair fora dos trilhos.
Albert Einstein

Parece lógico, né? Quantos de nós conseguimos de fato sair fora da rotina?
Será que temos interesse verdadeiro?

é isso, por fernando stickel [ 9:24 ]

schopenhauer reliefpfeiler

Uma das características do meu pai que mais gosto são as pequenas citações e sabedorias, por exemplo, segundo meu pai, Schopenhauer foi quem descobriu o único palíndromo da língua alemã de 4 sílabas:

RELIEFPFEILER

ou seja, coluna em relêvo.

é isso, por fernando stickel [ 18:10 ]

chocolates para os pés

Sapatos são chocolates para os pés.
Achei lá no Salón Comedor da Sil Curiati.

é isso, por fernando stickel [ 9:58 ]

dizer umas verdades

No dia da mentira, estou pensando em dizer umas verdades.
No dia em que este blog completa dois meses e um dia de vida, estava eu pensando sobre minhas razões para fazer um blog.
Vocês se lembram da cena do imperdível filme “A Festa de Babette” em que o General, arrumando-se para o jantar em frente ao espelho diz, pensativamente:
“Vanity, all is vanity”
ou seja,
“Vaidade, tudo é vaidade”.
Pois é, acho que tudo começa com a vaidade.
Depois vem a liberdade, autenticidade, curiosidade, contatos, humor, excitação, mistério, obsessão, poesia, arte, culinária, política, beleza, precisão, paranóia, elegancia, saudade, tecnologia, DIVERSIDADE, inteligência, máquinas, gratificação, história, links, muitos links.

é isso, por fernando stickel [ 14:27 ]

linda manhã de sol

Linda manhã de sol, com mais um poema do Paulo Mendes Campos, do livro Alhos e Bugalhos:

Coisas deleitáveis
Arrancar os sapatos depois do baile;
andar descalço em relva úmida;
sombra de árvore;
passarinho colorido quando pousa perto da gente;
mudar para apartamento maior;
flores;
dormir cansado;
banho de cachoeira antes do almoço;
achar dinheiro;
varanda de fazenda;
o sorriso de Ingrid Bergman;
janela para o mar…

é isso, por fernando stickel [ 8:50 ]

são paulo acorda

No meio da bruma São Paulo acorda, e nada melhor para começar a semana do que esta pérola:

ACORRENTADOS de Paulo Mendes Campos, do livro “O Anjo Bêbado”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1969.

Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

é isso, por fernando stickel [ 10:46 ]

cassia e fernando, o pessoa

Minha amiga Cassia Gonçalves me enviou este delicioso poema de Fernando Pessoa:

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

é isso, por fernando stickel [ 19:39 ]

peguei no dudi


Peguei no Dudi:
“Pouca observação e muito raciocínio conduzem ao erro.
Muita observação e pouco raciocínio conduzem à verdade.”

é isso, por fernando stickel [ 11:07 ]

true blessedness


The true blessedness of a man is not to to arrive, but to travel.
Robert Louis Stevenson.

é isso, por fernando stickel [ 19:28 ]

longas distâncias


Das minhas anotações, Robert Motherwell disse:

O artista tem que ser um corredor de longas distâncias, um fundista, maratonista, ultra-maratonista, não pode desistir nunca e jamais esmorecer. Seu objetivo e sua paixão estão lá, de manhã, à tarde e à noite, todos os dias da sua vida.

é isso, por fernando stickel [ 0:00 ]