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...desde janeiro de 2003

sabedorias

a mulher não é ela


A mulher não é ela. É o clima dela. Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recente que se descobre no cabelo e na nuca ou de capim cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou camisola. Nada de voz aguda. Um tom de médio para grave é preferível. Uma gota de rouquidão incentiva. Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e espírito. Só de caráter. Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo.
O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no rosto, atraentes. Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que, isolados, crescem muito e ganham no todo. O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos estrábicos, o nariz um pouco maior do que ela desejaria, tudo isso aquece a atração. Carinho tem hora.
Não hora marcada, mas hora adivinhada. Carinho fora de hora, eriça. Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é forte fator de atração. Lágrimas a postos. Sempre. Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido nosso. Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas ou ideológicas.
Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição idealizada ou basbaque certinho demais. Mas honradez ele deve ter…
Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar. Pedir como quem ajuda, saber esperar. E não pode ficar falando “eu acho” toda hora, nem descuidar-se das unhas dos pés. Pudor é essencial. Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil mas eloqüente de seu corpo, no modo de se encolher na cadeira ou cruzar os pés. Rebolados, só os muito suaves e discretos. Mas evidentes. Ser friorenta é indispensável. Se for possível, preferir o silêncio – entre reclamar e reivindicar, salvo quanto tenha muita razão – melhor ainda. Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão. E depois não permaneça a resmungar.
Que goste de eventuais e raros pilequinhos, jamais de alcoolismo. Que ame beijar. Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar a porta na frente. Pisar firme, mas leve.
Mulher não deve chegar, deve aparecer. Não deve entrar, deve aproximar-se. Não deve mastigar, deve diluir. Não deve engolir, deve sorver. E por favor, cuspir, jamais. Só no consultório dentário…
Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível. E dormir o mais encolhidinha possível e depois acordar solta, confiante no sono. Em viagens, é essencial cuidar da gente. E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente.
Sim, ser bela nada tem com ser bonita. É muito mais.
Porque a mulher não é apenas ela. É também o clima dela.

Artur da Távola

é isso, por fernando stickel [ 12:41 ]

final de tarde glorioso

Diz a sabedoria popular:

Não há mal que sempre dure nem alegria que não se acabe.

E o dia se abriu num final de tarde glorioso sobre a Vila Olímpia, que mostro aqui em 180 graus da minha janela.

é isso, por fernando stickel [ 17:46 ]

slow life

SLOW LIFE !!! Mensagem de uma Bela Época . . .
“Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association – cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália.
O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, “curtindo” seu preparo, no convívio com a família e com os amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida.

A base de tudo está no questionamento da pressa e da loucura gerada pela globalização, pelo apelo à quantidade do ter em contraposição à qualidade de vida ou à qualidade do ser. Segundo a Business Week os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada slow attitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do FAST e do DO IT NOW.
Portanto, essa atitude sem-pressa não significa fazer menos, nem menor produtividade.
Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais qualidade e produtividade, com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos stress.
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do local presente e concreto – em contraposição ao global – indefinido e anônimo.
Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé.
Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais leve e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem com prazer o que sabem fazer de melhor.
Gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados DEVAGAR SE VAI LONGE ou ainda A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIçÃO não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?
Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de qualidade sem-pressa, até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da qualidade do ser ?
No filme “Perfume de Mulher”, há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde:
“Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos…”
“Mas em um momento se vive uma vida” Responde ele, conduzindo-a num passo de tango. E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme. Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim.
Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.
Tempo todo mundo tem, por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença . . . é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber viver cada momento, porque, como disse John Lennon…
“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”.

é isso, por fernando stickel [ 0:37 ]

what life is about

Vira e mexe recebo textos e animações em pps por e-mail, falando sobre amizade, amor, anjos, etc…, na grande maioria das vezes intragávelmente piegas e adocicados.
Este aí abaixo fugiu à regra, achei interessante, desculpem-me a preguiça de traduzir:

What life is about.
Life isn’t about keeping score.
It’s not about how many friends you have.
Or how accepted you are.
Not about if you have plans this weekend or if you’re alone.
It isn’t about who you’re dating, who you used to date, how many people you’ve dated, or if you haven’t been with anyone at all.
It isn’t about who you have kissed,
It isn’t about who your family is or how much money they have.
Or what kind of car you drive.
Or where you are sent to school.
It’s not about how beautiful or ugly you are.
Or what clothes you wear, what shoes you have on,
Or what kind of music you listen to.
It’s not about if your hair is blonde, red, black, or brown,
Or if your skin is too light or too dark.
Not about what grades you get how smart you are, how smart everybody else thinks you are, or how smart standardized tests say you are.
It’s not about what clubs you’re in or how good you are at “your” sport.
It’s not about representing your whole being on a piece of paper and seeing who will “accept the written you.”
Life just isn’t.
Life is about who you love and who you hurt.
It’s about who you make happy or unhappy purposely.
It’s about keeping or betraying trust.
It’s about friendship, used as a sanctity or as a weapon.
It’s about what you say and mean, maybe hurtful, maybe heartening.
It’s about starting rumors and contributing to petty gossip.
It’s about what judgments you pass and why.
And who your judgments are spread to.
It’s about who you’ve ignored with full control and intention.
It’s about jealousy, fear, ignorance, and revenge.
It’s about carrying inner hate and love, letting it grow and spreading it.
But most of all, it’s about using your life to touch or poison other people’s hearts in such a way that could have never occurred alone.
Only you choose the way those hearts are affected, and those choices are what life’s all about.

é isso, por fernando stickel [ 9:53 ]

auf keinen sand gebaut

Levei hoje o Arthur hoje pela segunda vez, a pedido dele, ao Cemitéro dos Protestantes, que fica encravado dentro do Cemitério da Consolação.
Lá repousam os bisavôs/ós dele. Acho excelentes os tranquilos momentos que lá passamos, compramos flores, conversamos sobre famílias, ele faz observações interessantes sobre a arquitetura dos túmulos, e até uma plantação de tomates encontramos. No túmulo da família da minha mãe encontra-se esta frase em alemão:

Wer Gott dem Allerhoechsten traut, der hat auf keinen Sand gebaut.

Traduzindo:

“Quem em Deus Todo Poderoso confiou, não construiu sobre areia.”

é isso, por fernando stickel [ 14:02 ]

homo homini lupus

Estou desiludido com o mundo.
Homo homini lupus
Não tem jeito, só vai piorar.

é isso, por fernando stickel [ 19:20 ]

sabedoria chinesa

Lembrei hoje cedo, ao levar o Arthur para a escola a pé, de um episódio de sabedoria que me marcou, e do qual sempre me recordo em dias lindos como hoje aqui em Sampa.
Eu morava em New York em 1985, e andava pelas ruas de Chinatown, num dia de sol forte, céu azul e brisa fresca. Na minha direção vinha andando pela calçada um senhor chinês de no mínimo uns 95 anos de idade, baixinho, sorridente, de óculos. Parou na minha frente, olhou para cima e exclamou em seu sotaque carregado:

BEAUTIFUL DAY!!!

Abaixou os olhos, seguiu seu caminho e eu nunca mais me esqueci desta cena.

é isso, por fernando stickel [ 9:31 ]

graciliano ramos

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948, sobre o ofício do escritor:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.
Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

é isso, por fernando stickel [ 13:04 ]

doutora bia badaud

Doutora Bia Badaud, num acesso de sabedoria:

“As profundas razões psicológicas que levam as pessoas a não enxergar o evidente, não me cabe decifrar.
Apenas repito o que já disse aqui: remédio é coisa pra quem está doente. Se você pode andar, se teve o privilégio de ter onde morar e o que comer, e se estudou, e se não está doente, sugiro que, antes de mais nada, agradeça estas dádivas a Deus, com sinceridade.
Isto feito, antes de reclamar que o chão está molhado, verifique se não deixou a torneira aberta!!
Antes de correr atrás de uma panacéia, verifique se já segue hábitos consagrados pelo bom senso, ao longo dos milênios de civilização humana.”

é isso, por fernando stickel [ 11:41 ]

o corpo é natural da cama

Luiz Melodia diz que o corpo é natural da cama.
Também acho, só tem um problema, a consciência não é.

é isso, por fernando stickel [ 20:17 ]

fajardo disse

Meu amigo Carlos Fajardo disse:

Angústia é quando você toma uma indecisão.

é isso, por fernando stickel [ 0:33 ]

o caracol e a pitanga


… e do nosso sábio Millôr:

O Caracol e a Pitanga
Há dois dias o caracol galgava lentamente o tronco da pitangueira, subindo e parando, parando e subindo.
Quarenta e oito horas de esforço tranqüilo, de caminhar quase filosófico.
De repente, enquanto ele fazia mais um movimento para avançar, desceu pelo tronco, apressadamente, no seu passo fustigado e ágil, uma formiga-maluca, dessas que vão e vêm mais rápidas que coelho em desenho animado. Parou um instantinho, olhou zombeteira o caracol e disse: “Volta, volta, velho! Que é que você vai fazer lá em cima? Não é tempo de pitanga”. “Vou indo, vou indo”- respondeu calmamente o caracol.
“Quando eu chegar lá em cima vai ser tempo de pitanga”.

MORAL: NO BRASIL NÃO HÁ PRESSA!

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]

assassinato com elegância

Aprendi numa revista Esquire antiga: Como assassinar alguém e se livrar da arma com elegância e bom gosto.
Tome um pernil de bom tamanho, temperado, e congele-o.
Convide sua vítima para jantar.
Enquanto tomam os primeiros drinks , peça licença, pegue o pernil congelado e desfira um golpe certeiro.
Em seguida abra um excelente vinho e vá curtindo o sucesso da empreitada, enquanto espera que a arma descongele.
Leve a arma ao forno, e desfrute!

Mas,… como se livrar do corpo?
Cartas para a redação.

é isso, por fernando stickel [ 17:50 ]

ajuda do millôr

Página de um caderno de anotações, com a ajuda do Mestre Millôr:

De repente
Na alma
O terror da calma

é isso, por fernando stickel [ 10:21 ]

sair fora dos trilhos

Para descobrir novos caminhos é preciso sair fora dos trilhos.
Albert Einstein

Parece lógico, né? Quantos de nós conseguimos de fato sair fora da rotina?
Será que temos interesse verdadeiro?

é isso, por fernando stickel [ 9:24 ]

schopenhauer reliefpfeiler

Uma das características do meu pai que mais gosto são as pequenas citações e sabedorias, por exemplo, segundo meu pai, Schopenhauer foi quem descobriu o único palíndromo da língua alemã de 4 sílabas:

RELIEFPFEILER

ou seja, coluna em relêvo.

é isso, por fernando stickel [ 18:10 ]

chocolates para os pés

Sapatos são chocolates para os pés.
Achei lá no Salón Comedor da Sil Curiati.

é isso, por fernando stickel [ 9:58 ]

dizer umas verdades

No dia da mentira, estou pensando em dizer umas verdades.
No dia em que este blog completa dois meses e um dia de vida, estava eu pensando sobre minhas razões para fazer um blog.
Vocês se lembram da cena do imperdível filme “A Festa de Babette” em que o General, arrumando-se para o jantar em frente ao espelho diz, pensativamente:
“Vanity, all is vanity”
ou seja,
“Vaidade, tudo é vaidade”.
Pois é, acho que tudo começa com a vaidade.
Depois vem a liberdade, autenticidade, curiosidade, contatos, humor, excitação, mistério, obsessão, poesia, arte, culinária, política, beleza, precisão, paranóia, elegancia, saudade, tecnologia, DIVERSIDADE, inteligência, máquinas, gratificação, história, links, muitos links.

é isso, por fernando stickel [ 14:27 ]