
Reunião da equipe da Fundação Stickel com seus educadores, no escritório da R. Nova Cidade, Vila Olímpia.


Reunião da equipe da Fundação Stickel com seus educadores, no escritório da R. Nova Cidade, Vila Olímpia.


Passo caminhando em frente à essa parede azul no mínimo umas 6 vezes por semana, no meu caminho de ida e volta para o almoço.
Sua beleza me passou desapercebida por um bom tempo!
Nossos olhos se acostumam, o raciocínio se desliga, a rotina toma conta e tira o brilho das coisas.
Algo no entanto me fez olhar novamente, lá estava ela, linda! Pronta para se transformar em uma imagem que enche os olhos de alegria! Recorte privilegiado do banal!

O jornalista Toni Sciarretta do caderno “Morar” do jornal Folha de São Paulo do último domingo, 17 Abril 2016, me entrevistou sobre a minha experência como morador da Vila Olímpia.
Conversamos também sobre a série de fotos que realizei no bairro em 2003-2005, que acabaram por gerar a exposição “Vila Olímpia” na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2006, com curadoria de Diógenes Moura, e lançamento simultâneo do livro “Vila Olímpia” pela Editora Terceiro Nome.
A minha foto na matéria é da Raquel Cunha.
ENTREVISTA FERNANDO STICKEL
Vila Olímpia foi dos inferninhos aos arranha-céus
Fotógrafo registrou detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986 e reuniu as imagens em livro e em mostra na Pinacoteca.
RAIO X
NOME Fernando Diederichsen Stickel
IDADE 67
FORMAÇÃO Arquitetura na FAUUSP
OCUPAÇÃO Presidente da Fundação Stickel de oficina de artes na periferia e autor do blog “aqui tem coisa”
Artista plástico, fotógrafo, blogueiro e agora executivo do terceiro setor, o arquiteto Fernando Stickel, 67, vive na Vila Olímpia há 30 anos, época em que o bairro ficava submerso nas águas do córrego Uberaba, onde hoje fica a avenida Hélio Pellegrino. Pelas lentes de Stickel e pelo bairro, retratado no blog “aqui tem coisa”, iniciado em 2003, passaram diferentes tribos: motoqueiros dos anos 1990, inferninhos “de quinta categoria” dos anos 2000 e agora executivos dos prédios espelhados e estudantes do Insper e da Anhembi Morumbi.
Stickel, que nos anos 1990 manteve um loft e ateliê de 2.000 m² até se render à especulação imobiliária local, chegou fotografar os prédios espelhados que surgiam na região, mas não gostou do resultado. Preferiu retratar detalhes de fachadas, tapumes de prédios em construção, portas e janelas do bairro. O trabalho motivou uma exposição na Pinacoteca e virou o livro “Vila Olímpia” em 2006 (ed. Terceiro Nome).
Leia trechos da entrevista feita na Fundação Stickel, instituição sem fins lucrativos que faz trabalhos na Vila Nova Cachoeirinha e na Vila Brasilândia (zona norte).
Folha – Como era a Vila Olímpia quando você chegou?
Fernando Stickel – Estou no bairro desde 1986. Construí um loft na rua Ribeirão Claro com a Fiandeiras –era meu estúdio e residência. A Vila Olímpia era um bairro pobre. A Hélio Pellegrino era um córrego imundo com uma favela. Quando chovia, a água subia mais de um metro.
O bairro inteiro tinha tecnologias diferentes para conviver com as enchentes: escadinha, rampa… Eu tinha um portão com gaxeta de borracha, que virava uma comporta para barrar a água.
Foi assim até que veio a obra que canalizou o córrego. Em seguida, saiu a nova Faria Lima. Aí o bairro explodiu.
E a sua história de fotógrafo?
Minha história de fotógrafo começa em 2003, quando montei o blog “aqui tem coisa”. Falava do meu filho, minha mulher, meu cachorro e do bairro. Ainda não tinha máquina digital. Comprei e saí fotografando como doido. Participava do Fotolog, um serviço de blog de fotografia que acabou de morrer. Fui formando uma visão das ruas do bairro que acabou gerando três anos depois a mostra na Pinacoteca e o livro.
A máquina fotográfica tem a mesma característica de um pincel –mas, no lugar de tinta e pincel, tem uma máquina. A visão é de artista plástico. Tanto que muitas pessoas falavam que era uma pintura.
O que as fotos mostram que não existe mais?
Tem tapume, fachada, janela, porta, portão; algumas coisas ainda lembro onde estão, outras foram embora há décadas. Era um bairro de casinhas, oficinas mecânicas, borracheiros, botequinhos, papelaria, mercadinho de bairro. O que era um barzinho de esquina, hoje virou um restaurante de quilo.
Esses bares da esquina da Quatá e Nova Cidade começaram na fase áurea dos motoqueiros. Aqui era “point” dos motoqueiros. Depois vieram os inferninhos. Eram boates de quinta categoria.
Onde estão esses moradores?
O borracheiro foi embora; não cabe mais aqui. O mercadinho foi comprado ou fechou. E assim tudo foi se modificando. Um dia vem o mercado imobiliário e toca a sua campainha. Ligavam todos os dias: eram corretores, incorporadores…
Não adianta lutar contra, então vamos fazer da melhor forma possível. Vendi o terreno para uma sinagoga, que ficou linda. Pelo menos, não foi um predião.
Os moradores da Vila Olímpia foram organizados e tiveram voz no desenvolvimento do bairro, como ocorreu no Itaim, onde a população ajudou a conservar o patrimônio histórico?
Sim. O cidadão, quando pode, se organiza e põe o dedo na ferida. Qual é o valor disso? Existe, mas o poder econômico é maior. Na minha visão, o poder público é totalmente omisso –não regulamenta, não fiscaliza e é vendido. O resultado é essa cidade completamente desestruturada e carente de infraestrutura.
Você tentou fotografar os prédios espelhados?
Quando comecei, achava que também iria fotografar os espelhados”¦ Tentei, mas não faz minha cabeça. Outros fotógrafos vão fazer mil vezes melhor, provavelmente não tiram a foto do detalhe como eu. Até porque esse tipo de detalhe está sumindo.
O que seria o detalhe dos prédios espelhados? A grama amendoim do paisagismo?
É tudo muito igual. Talvez você vá achar pessoas interessantes que passam na frente desses prédios.
Você tem nostalgia daquela Vila Olímpia?
Minha nostalgia não vai para dez anos atrás. Vai para o Guarujá dos anos 1950, onde eu cresci. Não tenho saudade do tempo dos botecos, era infernal! Demorava 45 minutos para andar dois quarteirões. Depois, assim como veio, também foi embora.
Hoje diria que é um bairro tranquilo. Faço tudo o que preciso a pé. Andei durante muito tempo de moto até que tive um acidente. Tentei andar de bicicleta, mas fui atropelado por um motoboy, ainda antes da ciclovia.
Almoço com os estudantes e executivos. Essa mistura é excelente. Vi na Vila Olímpia uma transformação não só de cidade mas também de vida. E acho ótimo que vá embora essa minha vizinha [aponta para o sobradinho em frente, com placa de “vende-se”], que mandou derrubar uma árvore linda porque sujava a casa dela. (TONI SCIARRETTA)
Veja aqui o artigo “Fotógrafo registra em livro detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986” on line.
EM TEMPO: Recebi esta mensagem, acompanhada da foto da pintura, muito interessante e simpática!
“Olá Fernando
Estava viajando e não vi seu email. Então, esse é o quadro que minha mãe pintou baseado na foto do seu livro “Vila Olímpia”. Ela tb pintou mais dois que devem estar com a família.
Vou procurar saber para te enviar tb. O nome dela é Therezinha Fontes, já faleceu há dois anos, dei pra ela o seu livro de presente justamente por causa das fotos.
Espero que vc goste do resultado.
Um abraço
Cristina Teresa Fontes”


Li na edição do Estadão de 12/2/2016 a notícia do falecimento da minha ex-aluna Beatriz (Bia) Esteves e fiquei chocado. Muito jovem!
Alguns dias depois leio no Facebook que foi o coração, dormindo… o que pode-se dizer é uma benção…
Vivi com ela um episódio muito interessante durante minhas aulas de desenho de observação, cerca de 1986/87.
Em um dia de aula no meu estúdio na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia a Bia reclamava muito que não conseguia desenhar, estava intranquila, falava muito, ao ponto em que solicitei aos outros alunos que parassem de desenhar, reuni todos ao redor da lareira e pedi para a Bia falar sobre sua intranquilidade.
Ela era uma pessoa reservada, discreta e estranhou a minha solicitação, diria que ficou chocada… Tranquilizei-a dizendo que se fosse necessário conversar para podermos evoluir no desenho, era isso que faríamos, sem problema nenhum.
Timidamente ela começou a contar seu momento e rapidamente surgiu o assunto que originou o desconforto, ela estava desmamando seu bebê! Leio no anúncio fúnebre que ela deixou os filhos Ana Helena e Francisco, não lembro sobre qual deles era a questão.
As angustias do crescimento e a consequente separação da criança estavam atrapalhando sua concentração na aula de desenho. Foi um momento catartico. Houve compreensão, choro e alivio.
Me senti altamente gratificado com meu momento “Dr. Freud”, foi muito bom ajudar a Bia a encontrar o caminho da solução da questão.
Penso com carinho nela e seus filhos, já adultos… Desejo que faça uma boa viagem.
Este imóvel fica na cidade de São Paulo, Vila Olímpia, e tem duas frentes, para a R. das Fiandeiras e Av. Helio Pellegrino. Trata-se de uma antiga indústria, com telhado em “shed”. O terreno é grande, deve ter algo como 50x20m, área aprox de 1.000m2
O curioso são os hábitos estranhos do filho do dono do imóvel, que lá opera um discreto antiquário. Sua grande preocupação é impedir que automóveis parem defronte sua calçada rebaixada.
Ele lança mão e organiza vários elementos, cones, plaquetas ameaçadoras, fitas, cavaletes, correntes, tudo para coibir o estacionamento, e sai na porta do estabelecimento dezenas de vezes durante o dia para checar se alguém ousou desobedecer sua lei.
Quando percebe algum carro ou van parado, sai imediatamente pela rua, entra nos bares e restaurantes, salão de barbearia, oficina mecânica, loja de peças procurando o transgressor e não sossega enquanto o veículo não sai.

Algum tempo atrás o restaurante Arabia, cuja unidade industrial fica exatamente defronte ao antiquário chegou a alugar o espaço para seus clientes, mas o esquema não prosperou, e a situação voltou ao “normal”, com ninguém parado, nem na rua, nem nas vagas do antiquário. Sim, gastando seu tempo fiscalizando a rua o cidadão provavelmente tem pouco tempo para tocar o negócio, raras vezes vi algum cliente ali.
Não vendem o imóvel, não alugam, não fazem nada, a não ser fiscalizar o estacionamento… Curioso…

Alô alô Prefeitura, olha só como funciona a parceria com a iniciativa privada.
Há poucos meses atrás a Praça Doutor Júlio Conceição Neves, na esquina da Av. Helio Pellegrino com Av. Faria Lima estava completamente abandonada, cheia de entulho e lixo.
Hoje, apadrinhada por uma incorporadora, esbanja limpeza e elegância…

A situação há menos de um ano atrás.

Minha amiga e ex-aluna Lorna Lee Balestrery me enviou esta fotografia do grupo de 46 alunos do meu Curso de Desenho de Observação que expuseram seus trabalhos na Galeria Montesanti-Roesler (hoje Nara Roesler) em 24 e 25 Junho 1989. Eu estou sentado.
A foto foi tirada no meu estúdio da R. Ribeirão Claro 37, Vila Olímpia, onde se realizavam as aulas. Se bem me lembro o fotógrafo foi Hiroto Takada, a foto utilizada na divulgação e no convite.
Os alunos:
Andrea Greeb
Beth Meloni
Bia Ferreira de Oliveira
Caio Escobar
Carla Ricciuti
Cássia Gonçalves
Célia Guagliano
Cristiane Sammarone
Edgar Souza
Edna Scatamacchia
Edouard Bos
Elizabeth C. Moyses
Eveli Przepiorka
Fábio Carrijo
Fábio Mazzantini
Fátima Junqueira Enout
Fernanda Junqueira
Filomena Ragone
Flora Gusmão
Heloisa G. Soares
Isabel Romero
João da Rocha
Katia Albanez
Leandro Spett
Letícia Dias de Moura
Lígia Gonçalves
Lorna Lee
Lou Richter
Luiz Camargo de Paula
Magda Recalde
Malvina Sammarone
Malu Leal
Mariangela Fiorini
Maria Cecília Whately
Marita Dirceu
Marlene Bernd
Marta V. M. de Campos
Mels
Micaela Marcovici
Monica Medeiros
Naji Ayoub
Neide Jallageas
Pedro Luba
Rosa Maria Salvetti
Tais Camargo de Paula
Tom

Sim, vivemos para o bem, e para o mal o “Big Brother World”.
Vejam só que interessante, e até um pouquinho amedrontador…
Recebi a seguinte mensagem no Facebook, acompanhada de seis fotos, de uma pessoa que não conheço:
“Boa Noite, me desculpe a ïntromissão e ousadia, mas semana passada, estavámos, eu e meu marido passando pela Vila Olímpia quando nos deparamos com seu belo carro, com uma simpática moça e um cachorro muito estiloso, não resistimos e fotografamos, confesso que quase demos uma buzinada para vocês olharem porque eu queria tentar um retrato, mas fiquei com vergonha, mesmo assim fiz umas fotos de vocês.
Pelo adesivo de um torneio de Interlagos não foi muito difícil de acha-lo.
Enfim, Parabéns pelo carro, pela moça e pelo cachorro.”
A mensagem veio assinada, trata-se de uma amiga de amigos meus…com aparente vocação para “papparazzi”….

Esta é a Lela, foi modelo vivo nas minhas aulas de desenho de observação por muitos e muitos anos. Bonita, forte, positiva, simpática, os alunos (e eu evidentemente) gostavam muito dela. Esta foto é de 2006, o último ano em que dei aulas.
Recebo agora uma notícia dando conta que ela foi operada, vejam a íntegra do e-mail que recebi da minha amiga Rosely Nakagawa:
“Queridos amigos
Nossa querida amiga e modelo Lela fez uma cirurgia de emergência e vai ficar afastada dos trabalhos até o inicio de 2014.
Para ela o seu corpo é além de tudo a matéria prima do trabalho.
Sabemos da fragilidade da situação dela como um todo e contamos com sua colaboração para que ela tenha uma recuperação tranquila e confortável.
Formamos uma cooperativa para depositar R$ 50,00 até janeiro de 2014 , pelo menos.
Quem puder colaborar com um valor maior será muito bem vindo. Quem puder ampliar esta rede também.
Os dados para depósito :
BRADESCO
Agencia 2818-5
Conta corrente 0000236-4
CPF: 001.338.478-37
Terezinha Severino
Contamos sua participação nesta ação.
Para mais informações sobre a saúde dela e mais detalhes, me liguem 999174877
Desde já obrigada e um grande abraço
Rosely Nakagawa e Rubens Matuck”
Eu já colaborei, quem puder faça o mesmo, ela vai agradecer de coração.

Lela posando no meu estúdio da R. Ribeirão Claro na Vila Olímpia.

A Vila Olímpia continua a se modificar em ritmo frenético.
A Fundação Stickel está localizada na R. Nova Cidade, na sobreloja em cima da farmácia. Somos vizinhos deste novo edifício comercial em construção.
Em 2003 no terreno onde sobe este prédio havia um sobrado com lojas ao nível da rua, auto-escola, borracheiro, mini-mercado, papelaria, tudo pequeno, servindo aos moradores do bairro.

Na esquina da R. Quatá havia um daqueles enormes bares.

Com a verticalização os personagens curiosos vão sumindo, como o borracheiro que vivia com um charuto na boca, e jogava dominó à tarde na borracharia.

A fase dos bares point de encontro de motociclistas e danceterias que infernizou o bairro no início do Séc XXI também já ficou para trás… Agora os reis do pedaço são os restaurantes a quilo, atendendo no almoço a centenas de estudantes do Insper e Anhembi-Morumbi.

Este galpão era meu vizinho de muro, abrigava uma produtora de filmes publicitários. Coisas estranhas entravam e saiam de lá… A produtora saiu, uma discoteca infernal se instalou, e o mercado imobiliário ocupou… a memória da cidade se acabou…

O Google Maps traz uma imagem da R. Nova Cidade com o sobradão ainda de pé, mas já com algumas lojas fechadas atrás do tapume azul.
Estive ontem no Madalena Centro de Estudos da Imagem, cujo folheto informativo esclarece:
“Uma experiência educativa através do pensar, vivenciar e olhar imagens. Um espaço para a formação e reflexão sobre o campo da fotografia, a discussão e desenvolvimento de ideias.”
Me encontrei com o fotógrafo Iatã Cannabrava para uma “leitura de portfolio”. É a segunda vez na minha carreira de artista plástico/fotógrafo que submeto meu trabalho à opinião de um expert. A primeira vez se deu quando eu morava em New York e conheci a curadora Alanna Heiss, mas esta história contarei em outra oportunidade.
A fotografia evoluiu muito e eu andava sem contato com a comunidade da fotografia, trabalhando sozinho, e acabei sentindo necessidade de uma atualização.
Levei para a entrevista as fotos originais do meu livro “Vila Olímpia”, o próprio livro e vários arquivos em pen-drive, inclusive as imagens da exposição “Fare Mondi”. A conversa foi ótima e acabou se estendendo, os assuntos se sucederam, pareciam não ter fim, minha sede de sabedoria só ficou maior…

Recentemente um acidente ocorreu na Praça Doutor Júlio Conceição Neves, na esquina da Av. Helio Pellegrino com Av. Faria Lima, onde também tem início a R. Nova Cidade, na Vila Olímpia.
Não foi o primeiro acidente nesta esquina e certamente não será o último. Se os imbecis quiserem se matar bêbados nas madrugadas, não tenho nada contra, contanto que não destruam vidas além das próprias nem patrimônio alheio.

Ocorre que a Prefeitura de São Paulo evidentemente não tem muito interesse em manter a pequena praça livre de sujeira, entulho e o poste quebrado pelo motorista maluco.
Evidentemente este mesmo motorista não será convidado a ressarcir os cofres públicos pelo prejuízo causado à cidade, que, como sempre, será pago por todos nós, os otários contribuintes da enorme carga de impostos municipais, estaduais e federais.
E assim o pobre país tropical, representado por uma pequena praça na cidade mais rica da América do Sul vai tropeçando em suas mazelas, sem força para sobrepujar séculos de descaso pela coisa pública. E os munícipes vão tropeçando na sujeira e no entulho, sonhando com o dia em que o motorista bêbado volte ao local do acidente com carrinho de mão, pá, vassoura e faça ele mesmo o conserto do estrago.

Até pouco tempo atrás esta loja fechada na R. Quatá, quase esquina com R. Nova Cidade, na Vila Olímpia, era uma oficina de usinagem, com torno, fresa, etc… Eu passava em frente e dava uma espiada nas máquinas, às vezes batia um papinho com o proprietário.
Pouco a pouco todos os estabelecimentos deste tipo estão sumindo do bairro, aparecem no lugar restaurantes a quilo, e outros, ou então os imóveis são vendidos em bloco para a especulação imobiliária.
O bairro muda muito, muito rápido.

Mais um capítulo da tragédia “BRASILEIRO ODEIA ÁRVORE”
A notícia é de ontem no Estadão: Prefeitura autoriza corte recorde de árvores para construção de condomínio de luxo.
1787 árvores irão para o lixo no Panamby (há promessas da construtora Bueno Netto de replantio, etc…)
É uma notícia grave em uma cidade sem verde como São Paulo. É notícia atual, mas não é novidade. A minha experiência de quase trinta anos circulando pelo bairro da Vila Olímpia mostra que o principal responsável pela destruição de árvores na cidade é a própria Prefeitura de São Paulo. Talvez em segundo lugar venham os motoristas…
Aqui no blog já tratei do assunto várias vezes, veja na série que intitulei “Brasileiro odeia árvore”
A cidade é vítima do corte indiscriminado, e eu como cidadão também sou vítima. Vejam só:

Até Outubro 2007 a R. Nova Cidade na Vila Olímpia contava com duas magníficas árvores no quarteirão entre a R. Quatá e a R. Casa do Ator, saudáveis e frondosas. Uma delas foi estúpidamente assassinada, pelo motivo mais fútil que se possa imaginar. A história do assassinato está aqui.
No último dia 26 Abril a R. Nova Cidade se apresentava assim, com uma única árvore no quarteirão, imagem obtida no Google.

No mesmo dia, mais uma vez um caminhão da Prefeitura de São Paulo e sua equipe se dedicaram a podar a árvore, na minha ingenuidade achei que era apenas uma poda meio radical…
Qual nada, tratava-se apenas de mais um ASSASSINATO.
A Prefeitura aproveitou o feriado de 1 Maio e laboriosamente eliminou a árvore rente à calçada, como que a dizer aos cidadãos anestesiados: “Aqui nunca houve uma árvore saudável e frondosa.”
Pra disfarçar, plantaram uma árvorezinha miúda, com assinatura e tudo, eis o nome do criminoso: Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, com a palavra o Secretário Ricardo Teixeira.

Pronto, Secretário!!! Parabéns!!!!!
Mais uma rua árida, menos uma casa para os passarinhos, menos uma sombra para os pobres paulistanos, mais alguns graus na temperatura e na poluição da cidade, mas em compensação a academia de jiu-jitsu ganhou mais uma vaga de estacionamento…

Almoço de domingo em Paris, ou quase…
O restaurante Ruella da Vila Olímpia tem mesinhas o ar livre deliciosas! Pet friendly!
O Jimmy adora almoçar fora com Papai e Mamãe, até parece que quem tomou vinho foi ele!