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Posts tagueados ‘rua dos franceses’

sonho

Sonhei que estava no hall de escadas da casa dos meus pais na R. dos Franceses com o Dudi Maia Rosa e o meu pai, Erico Stickel.
Dudi, de costas para a porta da sala de jantar, olhou para mim, que vestia uma camisa vermelha e disse:
– Puxa, você envelheceu com esta camisa vermelha.
Meu pai, em perfeita saúde, com sua barriguinha de anos atrás, examinava um quadro encostado à parede e pensava em voz alta: Preciso fazer umas observações sobre este pintor…

é isso, por fernando stickel [ 10:09 ]

batedeira


Ganhei esta batedeira da minha sogra.
Ao vê-la, imediatamente me vieram lembranças profundas.
Na casa dos meus pais, na Rua dos Franceses, morava com a família uma poderosa governanta alemã, de nome Lina Johanna Dietze, (na foto escaneada de uma 3×4 de 1987) mais conhecida como “Dona Frola”, uma abreviatura tupiniquim de Fräulein (senhorita).
Dona Frola tinha uma incrível habilidade para fazer bolos, tortas e biscoitos, particularmente na época do Natal.
Eu, desde cedo, tinha uma insaciável curiosidade por tudo o que ocorria na casa. Naquela época, ínicio dos anos 50, não existia pré-escola, e as crianças brincavam em casa até a hora de ir para o Kindergarten (jardim de infância) aos 6 anos de idade.
Portanto os assuntos do dia eram variados. Logo cedo acompanhar Dona Maria, a cozinheira, na execução da galinha para o almoço, (tinha galinheiro em casa) observava com certo horror a execução da penosa com um tranco no pescoço, com fascínio e nojo o processo de arrancar as penas, extrair os intestinos, verificar o conteúdo da moela da falecida, etc…
Em seguida descer ao porão e acompanhar o trabalho da costureira, depois andar de velocípede no quintal, à tarde sintonizar o rádio galena, quem sabe produzir um pouco de pólvora no almofariz, e assim passava-se o dia, encapsulado dentro de casa.
Um dos meus assuntos preferidos era ajudar a Fräulein na feitura dos bolos e tortas, e é aí que entra a poderosa lembrança da batedeira…
Grande parte do alemão que falo hoje (“Küchen Deutsch”), devo a Nani, o apelido que eu e meus irmãos usávamos com a Dona Frola.

é isso, por fernando stickel [ 22:05 ]

costura


Eu devia ter 9 ou 10 anos de idade e passava horas sentado em frente a uma máquina de costura Singer como essa, operada pela Dona Eugênia, costureira que vinha costurar em casa.
Observava atentamente tudo o que ela fazia, os gestos precisos de levantar e abaixar a lingueta que prendia o tecido à máquina, o bailado de virar a peça de roupa pra lá e pra cá, para as mudanças de rumo da costura.
Eu era (e ainda sou) absolutamente fascinado pelas maravilhas mecânicas, sempre com vontade de, como num filme de David Lynch, entrar por dentro das coisas para entender como funcionam.
O motor elétrico, a correia de couro, e principalmente por aquilo que não se via, as engrenagens internas, o carretel de linha que ficava escondido por baixo do plano da máquina. Meu momento de glória era quando ela me deixava operar a rebobinação dos pequenos carretéis metálicos, apertando eu mesmo o acelerador elétrico ao máximo, criando na maioria das vezes um embaralhamento gigantesco das linhas.
Tudo isso se dava no porão da casa dos meus pais na Rua dos Franceses, com trilha musical de novelas radiofônicas ouvidas no radinho SPICA, ligado o dia inteiro.
À noite, nos andares superiores, minha avó ouvia o repórter Esso no radinho Zenith.

é isso, por fernando stickel [ 9:12 ]

erico stickel


Na foto do meu filho Antonio, minha irmã Sylvia, meu pai, minha mãe e minha filha Fernanda.

Na quinta-feira 16 Dezembro a família estava reunida ao final da tarde ao lado do meu pai, que sofria muito com as consequências do cancer de pancreas, com dificuldade de se alimentar e mesmo de beber água. Várias semanas antes ele havia decidido que ficaria em casa até o último momento, a partir daí seria sedado e levado ao hospital.

Mesmo sem muita clareza, meu pai comunicou que não aguentava mais, e queria ser sedado.

Por volta das 22 horas, com minha mãe ao seu lado, meu irmão Neco e meu filho Antonio, ele tomou, em silêncio, os remédios que encerraram seu sofrimento. Na manhã seguinte a ambulância o levou para o Hospital Osvaldo Cruz.

é isso, por fernando stickel [ 9:25 ]

família ramenzoni

A família Ramenzoni era vizinha de frente da casa dos meus pais na Rua dos Franceses, bairro da Bela Vista.
Os filhos, Lamberto, Dante, Virgilio e Lucia são todos mais velhos do que eu, de vez em quando eles me convidavam a entrar e aí eu me deliciava em universos novos, como as armas de fogo ou os carros e lanchas potentes. Lembro-me bem de uma pick-up com motor de Corvette…
No início dos anos sessenta, adolescente, eu ia de ônibus às aulas de dança da Madame Poços Leitão e na volta para casa, cerca de 23:00h fisgava umas cenas do namoro da Lucia Ramenzoni com o Paulo Francini, no portão. Achava aquilo muito excitante!
Hoje a Lucia continua minha vizinha de bairro na Vila Olímpia, com estúdio na R. Fiandeiras.

é isso, por fernando stickel [ 14:40 ]

amigos na r. dos franceses


Na R. dos Franceses, minhas irmãs Sylvia e Ana Maria, Luiz Paoliello e Tina Alcantara Machado.

é isso, por fernando stickel [ 12:35 ]