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corrida de rua em são paulo


Eu de camiseta branca e calção vermelho e minha filha Fernanda, com as mesmas cores do Papai… Estou na esquina da R. Araujo x R. Major Sertório, no centro de São Paulo.

Em 28 Outubro 1979, um dia antes da minha filha Fernanda completar 2 anos de idade, participei, aos 31 anos de idade, da “Primeira Corrida pela Cidade de São Paulo” na distância de 8km, que completei em 45’ 27”. Na minha camiseta o logotipo “und”, do estúdio de design gráfico do qual eu era sócio na época.

Descobri a corrida com cerca de 22 anos de idade, quando comprei o livro do Dr. Keneth Cooper, e fui fazer o famoso teste dos 12 minutos na pista de atletismo do Clube Pinheiros. A partir daí comecei a correr sozinho, fui tomando gosto, corria na praia no Guarujá, até que meu amigo Renato me avisou desta prova, que resolvemos correr juntos. A largada foi no Estádio do Pacaembu, circulamos pelo centro da cidade e a corrida terminou no Pacaembu.

é isso, por fernando stickel [ 9:35 ]

de pessoas e suas influências

Uma conjunção muito especial de fatores propiciou a sistematização destas memórias, focadas principalmente nos anos 70, um pouco antes e um pouco depois.
Em Fevereiro deste ano faleceu meu amigo Frederico Nasser, na sequência instalou-se a pandemia do coronavírus e a quarentena.
Na enorme quantidade de tempo livre resultante me voltei para arquivos fechados há muitos anos, repassei textos, documentos, atualizei este blog e registrei novas memórias. Um documento em particular atuou como poderoso catalisador de lembranças, o convite de casamento do Frederico e Marina. Foi fundamental a ajuda dos amigos para ajustar detalhes, datas, locais e nomes! Obrigado a todos!

De pessoas e suas influências

Somos a soma de nós mesmos com tudo o mais, e tudo misturado. Adicione ao seu eu genético, à sua estrutura biológica original os aprendizados, amores, encrencas, circunstancias, os livros que leu, amizades, viagens e naturalmente os muitos erros e os poucos acertos e me terás… Vou tentar explicar. Ou não. Deixemos os fatos, ou as minhas memórias, falarem por si.

No Colégio Visconde de Porto Seguro um único professor me deixou saudades, pelo seu brilho, personalidade e integridade: Albrecht Tabor, professor de biologia e cientista maluco… A mesma coisa aconteceu no Colégio Santa Cruz com Flavio Di Giorgi, professor de português e sábio.

Me preparando para o vestibular de arquitetura no Cursinho Universitário em 1968, conheci mestres como o artista plástico Luis Paulo Baravelli, que me capturou imediatamente com sua simpatia e fascinante habilidade de desenhar, e o cineasta Francisco Ramalho Jr., professor de física. Na mesma época um amigo me falou de um curso de desenho do professor Frederico Nasser, em uma casinha de vila na R. da Consolação, estúdio emprestado por Augusto Livio Malzoni.

Fui procurar o Frederico e iniciei as aulas, desenhávamos em uma espécie de pátio, sob uma pérgula. Neste local Frederico me apresentou Marcel Duchamp e com isso selou meu destino, me conectando irremediavelmente às artes. Lá encontrei também meu primo Marcelo Villares e fiquei conhecendo D. Rene, mãe do Dudi Maia Rosa. Não sei nem como encontrava tempo para tudo isso, pois cursava simultaneamente o terceiro colegial! Foram tempos muito ricos e intensos!

Um dia precisei fazer um desenho grande e não tinha lugar adequado. Meu amigo Rubens Mario se propos a ajudar e disse que eu poderia usar a prancheta de seu amigo, o arquiteto Eduardo Longo. Rubens Mario me garantiu que não haveria problema, que o Eduardo era “gente fina” e lá fui eu em uma tarde desenhar no apartamento do arquiteto no Edifício Suzana na R. Bela Cintra.
Fiquei maravilhado com o pequeno apartamento, todo reformado, o teto em ângulos, um biombo de metal e a porta do banheiro pintada de amarelo, parecia um submarino, achei o máximo! Logo depois conheci o Eduardo pessoalmente, e somos amigos desde então.

O vestibular para arquitetura no Mackenzie em 1968 foi antes da FAUUSP, e eu fiquei sabendo através do então diretor da Arquitetura do Mackenzie, o arquiteto Salvador Candia, que eu estaria na lista de espera, nas primeiras colocações. Isto significava que eu estava praticamente matriculado no Mackenzie, pois quando saia o resultado da FAUUSP, muitos aprovados no Mackenzie desistiam para se matricular na FAUUSP, abrindo lugar para a fila de espera. Simplesmente antecipei minhas férias e fui para o Guarujá!
Poucos dias antes do vestibular da FAUUSP voltei para São Paulo, dei uma passada no Cursinho Universitário, cumprimentei os amigos, preparei meus materiais e fui para o vestibular absolutamente tranquilo! O resultado de tanta cuca fresca é que entrei na FAUUSP no 19º lugar!

Com meu colega Edo Rocha fomos para a Bahia comemorar. Na volta de Salvador capotamos o meu Fusca 68 bordô perto de Jequié, mas isto é outra história…

Em 1969 Frederico mudou seu espaço de aulas para um sobrado no Itaim, na R. Pedroso Alvarenga. Vários colegas recém ingressados na FAUUSP também tinham aulas lá, Cassio Michalany, Plinio de Toledo Piza, Edo Rocha, Leslie M. Gattegno (já falecido), Claudio Furtado… Enquanto desenhávamos nu feminino dentro da casa, Frederico pintava coisas esquisitas no pátio externo da casa… No segundo semestre de 1969 Frederico organizou uma visita de seus alunos ao estúdio do mestre Wesley Duke Lee em Santo Amaro, em um domingo de manhã. Entrar naquele estúdio já era um privilégio, fiquei totalmente fascinado! Wesley com sua cultura e charme inigualáveis, falou sobre muitas coisas, mas sobretudo sobre tecnologia e da chegada do homem à Lua recém ocorrida no dia 20 de Julho. Inesquecível!

Um belo dia, em 1969, a informação correu como fogo em rastilho de pólvora: Chegou Liquitex na Casa do Artista!


Nas setas Alice e eu em Cabo Frio.

E houve o réveillon de 1970 em Cabo Frio, na casa do Tio Bubi e da Tia Lila, promovido pelo João e Marília Vogt. O espírito da coisa era EU VOU!!!! Todos os amigos iam, ninguém perguntou se tinha lugar ou convite, o negócio era simplesmente ir! (os anfitriões não gostaram muito… no final deu tudo certo) Foram dias fantásticos, mais de 30 pessoas, amigos, parentes, a casa explodindo, a pequena piscina abarrotada de gente!! Todo mundo soltando pipa nas dunas, inesquecível!
Entre outros minha memória acusa:
Os anfitriões Bubi e Lila, os co-anfitriões João e Marilia, Baravelli e Sakae, Zé Resende e Sophia, Fajardo e Renata, Frederico Nasser, Ricardo Alves Lima, Dudi, Gilda, Monica, Alice e eu.

No espaço da Escola Brasil: rolou uma interessantíssima aula de Tai Chi Chuan com Carlos Carvalho, na fazenda da Lucila Assumpção um fim de semana delicioso e na casa do Tremembé do Zé Resende conheci o ceramista Megumi Yuasa, em uma exposição de ceramica organizada por Frederico Nasser em Dezembro 1971, assim como as esculturas do Zé instaladas ao ar livre.

Em um salão em cima da garagem, na edícula de uma grande casa imersa nas árvores da R. Atlantica, Carlos Fajardo me apresentou Bob Dylan. Na Vila Nova Conceição no estúdio de portão verde do meu amigo Cassio Michalany rolavam intermináveis sessões de jazz, whisky e arte!

Visitar o estúdio/oficina do Baravelli na Escola Brasil: era o máximo, assim como seus estúdios particulares que sempre foram fascinantes, muito bem resolvidos arquitetonicamente, limpos, amplos, organizados. Havia de tudo lá, até um pote com unhas cortadas… foram vários:
– Av. Miruna, 1967 a 1971
– R. Padre João Manoel, esquina da Oscar Freire, 1971 a 1974 (neste espaço surgiu a primeira Galeria Luisa Strina)
– R. Pedroso Alvarenga, 1974 a 1979
– R. João Cachoeira, 1980 a 1984
– Granja Viana, 1984 até hoje
Pelo menos duas galerias saíram das suas hábeis mãos, Galeria Luisa Strina e Galeria São Paulo na R. Estados Unidos, da Regina Boni.
O mesmo fascínio e curiosidade acontecia também no novo estúdio do Fajardo, em um porão da Rua Pamplona, onde ele também dava aulas.

Em Janeiro de 1970 Dudi Maia Rosa, Frederico Nasser, Augusto Livio Malzoni, e eu partilhamos um gigantesco quarto no Wellington Hotel da 7ª Avenida em New York, para um mês de imersão no universo das artes, com direito a tropeçar em Diane Arbus no Automat Horn & Hardardt da Rua 57… e visita à inesquecível exposição “New York Painting and Sculpture: 1940-1970” no Metropolitan Museum of Art, inaugurando sob curadoria de Henry Geldzahler o Departamento de Arte Contemporânea do Museu. Baby Maia Rosa, que aparece na foto, estava em outro endereço.

Na sequência do estúdio na R. Pedroso Alvarenga, Frederico Nasser com seus amigos e colegas artistas plásticos Luis Paulo Baravelli, Carlos Fajardo, e José Resende criaram o Centro de Experimentação Artística Brasil: na Av. Rouxinol 51 em Moema. Eu fui aluno em 1970, no ano da abertura daquela que ficou conhecida como Escola Brasil:

No segundo semestre de 1970, Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende realizaram a poderosa exposição BFNR 1970 no MAM Rio de Janeiro em Agosto e no MACUSP em Setembro. Eu estou em uma foto na capa do catálogo do Frederico, e fiz alguns retratos do artista. Fui ao Rio para a inauguração, me hospedei “comme il faut” no apartamento da Vovó Zaíra de frente para o mar no Posto 6 em Copacabana, foram dias deliciosos com direito a um jantar no Antonio’s…

Frederico Nasser teve uma importância gigantesca na minha vida e na minha opção pelas artes plásticas. Foi uma presença instigante, fascinante, generosa, surpreendente e carismática, um poderoso magneto que despertava conhecimento e provocava sede de saber, e de quebra atraía muitas pessoas, que se conheceram e formaram um grupo de amigos e amantes das artes que de uma maneira ou outra gravitavam em torno da Escola. Amigos como Augusto Livio Malzoni, Sophia Silva Telles, Dudi Maia Rosa, Gilda Vogt, Norma Telles, Lucila Assumpção, Baby Maia Rosa, José Carlos BOI Cezar Ferreira (1944-2018), Leila Ferraz, Wesley Duke Lee (1931-2010), Maciej Babinski, Guto Lacaz, Arnaldo Pappalardo, Santuza Andrade, Megumi Yuasa, e muitos outros foram fruto desta amizade.

Em 1971 casei com Maria Alice Kalil, e convidei o Frederico para ser meu padrinho. Durante alguns anos Frederico frequentou assiduamente meu apartamento na R. Hans Nobiling, éramos amigos íntimos, Frederico aparecia com presentes, uma bebida, um desenho do Evandro Carlos Jardim… No apartamento de cima havia sempre festas, e acabamos descobrindo que lá morava o mafioso Tommaso Buscetta!!
O casamento com a Alice terminou, mudei para um apartamento na R. Tucumã 141 e comecei a namorar a Iris Di Ciommo, por volta de 1974.

No enorme apartamento na Av. Angélica, de frente para a Pça. Buenos Aires, onde morava com os pais Lamartine e Rene, Dudi Maia Rosa montou um pequeno atelier de gravura, e foi lá que ele me ensinou a fazer a primeira e única gravura da minha carreira em 10 Agosto 1972… Obrigado Dudera! Neste mesmo ano Dudi e Gilda se casaram em uma linda festa na casa do João e Marília em Osasco.
Muitos anos depois, já nos 2000, Dudi foi a mola propulsora para eu criar este blog, mas esta é outra história….

A Galeria Luisa Strina inaugurada em 1974 tinha seu acesso pela R. Padre João Manoel por uma escada que levava à sobreloja. Passava-se por um pequeno espaço administrativo e chegava-se a um paralelepípedo de paredes brancas com o chão de tacos de madeira, logo à esquerda o “escritório” da Luisa era nada mais que uma mesinha com telefone e algumas cadeiras. Sentada em seu canto Luisa recebia clientes, amigos, colecionadores, xeretas e desocupados que lá ficavam visitando, papeando, e, naturalmente, comprando! Lá encontrei inúmeras vezes o meu contraparente Pituca Roviralta, já falecido, um dos primeiros compradores do meu treabalho…

Xico Leão era um dos alunos da Escola, um doce de pessoa, simpático, reservado, atencioso, e além de tudo um excelente pintor. Marina, sua filha, muito jovem, bonita e delicada caiu nas graças do Prof. Nasser. O namoro evoluiu e chegou o casamento, o Frederico me convidou para ser seu padrinho, Iris e eu nos preparamos e na quarta-feira 8 de Dezembro 1976 embarcamos na minha VW Variant amarela para estarmos pontualmente na casa dos pais da noiva, Xico e Zizá na R. Bolivia às 20:30h
O casamento se deu em altíssimo astral, me diverti muito, fiquei bêbado, conversei com todo mundo, foi uma farra! Lá pelas tantas encontrei D. Maria Cecilia, minha professora do Kindergarten no Colégio Porto Seguro, me apresentei e disse a ela:
-D. Maria Cecilia, que prazer!!! A senhora está muito bem!!! Ela me olhou de viés, sem entender direito, e eu prossegui rodopiando…
Iris e eu fomos os últimos a sair da festa, voltamos alegremente para casa na alta madrugada, eu pilotando a Variant amarela como se fosse um Porsche. Lembro-me que no dia seguinte, repassando a façanha automobilística da madrugada, decidi comigo mesmo nunca mais cometer a tolice de pilotar bêbado.

Em 1977 nasceu minha filha Fernanda, seu padrinho foi Cassio Michalany, ele deu de presente para ela uma tela de 15 x 15 cm. Um ladrilho tecido e pintado a mão, em cada aniversário ela ganhou mais um… Em 1979 nasceu o meu filho Antonio, e convidei o Frederico para ser seu padrinho (ausente, diga-se…)

Na segunda metade dos anos 70 Frederico Nasser planejava abrir uma livraria. Em uma conversa no Guarujá com Dudi Maia Rosa, Claudinho Fernandes, que também queria abrir uma livraria ficou sabendo dos planos do Frederico, e acabaram se compondo, abrindo em 1978 como sócios a Livraria Horizonte na R. Jesuino Arruda 806, quase esquina da R. João Cachoeira.
O imóvel selecionado abrigava originalmente um açougue, e o Baravelli, homem dos sete instrumentos, o transformou em uma charmosa livraria de tijolinhos à vista, que acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, era uma farra, uma enorme mesa central e poltronas confortáveis completavam o ambiente acolhedor. No andar de cima Frederico tocava sua editora Ex Libris. Naquela época eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico “und” e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.

Plinio e Virginia casaram-se em 1978.

Na sequência Frederico e Claudinho desmancharam a sociedade e o Frederico montou em 1980, também com projeto do Baravelli, uma nova livraria, a poucas dezenas de metros, na R. João Cachoeira 267. A execução da obra a cargo do faz tudo Roberto (o chão era de tijolo aparente, cortado a 45 graus) com dois mezaninos e janelas abertas ilegalmente para a lateral do prédio.
A Livraria Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley Duke Lee, o estúdio do artista plástico Luis Paulo Baravelli na sobreloja, e o escritório de paisagismo de Toledo Piza, Cabral e Ishii, arquitetos associados na edícula.
Algum tempo depois a Livraria Universo fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas e se especializando em livros raros. Lá Frederico continuava a operar a Editora Ex Libris/Edições Universo, lançando em 1987 o notável livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo…” fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.

Em seu novo estúdio inaugurado em 1980 na R. João Cachoeira, Baravelli trabalhava à noite. Os amigos mais próximos se davam ao direito de chegar, tocar a campainha, subir as escadas e ficar lá perturbando o artista. Por vezes ele colocava um bilhete na campainha: ESTOU TRABALHANDO – CAMPAINHA DESLIGADA. Neste espaço certo dia Baravelli confidenciou aos amigos:
– Estou com uma grana, não sei se faço uma revista de arte ou compro um Camaro…
E a opção foi fazer a revista Arte em São Paulo! Muito pragmaticamente, Baravelli fez a lista dos itens necessários, e comprou-os:
– Impressora
– Prensa de hot stamping para as capas
– Encadernadora espiral
– Estoque de papel para impressão
– Estoque de cartão para as capas
Finalmente contratou Lisette Lagnado e Marion Strecker Gomes, duas jovens estudantes jornalistas, para tocarem a revista. O primeiro número saiu em 1981, com um texto meu sobre Cassio Michalany, e o último em 1985.

Entrando nos anos 80 minha vida virou de ponta cabeça… tomei a decisão de ser artista plástico profissional, saí do escritório de design gráfico “und” que havia criado com o Lelé Chamma, separei da Iris, mudei para o apartamento da R. Pinheiros, foi um caos!
A estas alturas o encanto dos anos 70 criativos e loucos estava se quebrando, os contatos entre aquela grande turma de amigos foram se espaçando, as amizades se esgarçando, cada um cuidando de sua vida, os filhos crescendo, e o Frederico iniciou um processo misterioso de se fechar para o mundo. Pouco a pouco foi evitando o contato social com amigos, família e foi se isolando. Não respondia telefonemas, ninguém entendia o que estava acontecendo.

Muitos anos depois, andando de carro pelo Itaim na véspera do Natal vi o Frederico andando a pé na calçada oposta, parei o carro e me dirigi a ele de mão estendida, feliz com o encontro! Frederico simplesmente me ignorou e passou reto… eu fiquei ali incrédulo, parado com a mão estendida, observando ele se afastar, totalmente alheio à minha presença… Que Frederico Nasser era aquele?!!

Seu coração falhou definitivamente no início de 2020 aos 75 anos de idade. Foi muito triste e difícil aceitar a perda de um amigo, o luto e a tristeza que senti em 2020 já havia sentido e trabalhado durante quase 40 anos…

Fernando Stickel
9 Julho 2020

Agradecimentos:
Sandra Pierzchalski
Plinio de Toledo Piza Filho
Claudio Furtado
Iris Di Ciommo
Claudio Fernandes
Mauro Lopes
Monica Vogt Marques
Luis Paulo Baravelli
Cassio Michalany
José Resende

é isso, por fernando stickel [ 10:37 ]

história frágil

cesar queiroz
É impressionante como os registros da história podem ser frágeis.
Fiz por curiosidade uma pesquisa no Google sobre o escritório de design gráfico “und” que criei em 1977 com Norberto (Lelé) Chamma, e do qual me desliguei em 1980
Apareceu uma única referência, um livro eletrônico de 2014 “Do Design ao Branding” de César Queiroz.
O texto da página 91 apesar de não contar exatamente o que aconteceu, registra a minha sociedade com o Lelé, que encerrei em 1980 para me lançar nas artes plásticas.

Veja aqui tudo sobre a und neste blog.

é isso, por fernando stickel [ 11:49 ]

livraria horizonte

horizonte

Horizonte2
Na segunda metade dos anos 70 Frederico Nasser planejava abrir uma livraria. Em uma conversa no Guarujá com Dudi Maia Rosa, Claudinho Fernandes, que também queria abrir uma livraria ficou sabendo dos planos do Frederico, e acabaram se compondo, abrindo em 1978 como sócios a Livraria Horizonte na R. Jesuino Arruda 806, quase esquina da R. João Cachoeira.

O imóvel selecionado abrigava um açougue, e o Baravelli, homem dos sete instrumentos, o transformou em uma charmosa livraria, que acabou virando ponto de encontro dos amigos artistas, era uma farra, uma enorme mesa central e poltronas confortáveis completavam o ambiente acolhedor. No andar de cima Frederico tocava sua editora Ex Libris.

Naquela época, 1978 ou 79, eu era sócio do Norberto (Lelé) Chamma na empresa de design gráfico “und” e produzimos alguns itens gráficos para a livraria.

Na sequência Frederico e Claudinho desmancharam a sociedade e o Frederico montou em 1980, também com projeto do Baravelli, uma nova livraria, a poucas dezenas de metros, na R. João Cachoeira 267, onde hoje existe uma agência do Santander. A Livraria Universo tinha como vizinhos a CLICK Molduras, de Odila de Oliveira Lee, mulher de William Bowman Lee, pais de Wesley Duke Lee, o estúdio do artista plástico Luis Paulo Baravelli na sobreloja, e o escritório da paisagista Sakae Ishii na edícula.

Algum tempo depois a Livraria Universo fechou as portas ao público, trabalhando somente com visitas agendadas, se especializando em livros raros. Lá Frederico continuava a operar a Editora Ex Libris, lançando em 1987 o notável livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo…” fac-símile do diário coletivo da garçonnière de Oswald de Andrade.

é isso, por fernando stickel [ 18:26 ]

und jangada

und jangada
Iris Di Ciommo, Lelé Chamma e eu éramos sócios do estúdio de design gráfico chamado “und”.
No Natal de 1978 pedimos ao nosso colega de classe da FAUUSP, Paulo Caruso para fazer uma charge, que ele gentilmente desenhou, imprimimos um cartão postal (bons tempos…) e enviamos para clientes e amigos.
Na cestinha, a minha filha (e da Iris) Fernanda com um aninho de idade… dois dias atrás, 29/10 ela completou 37!!!!
Desde os tempos do Cursinho Universitário ficávamos fascinados com a fantástica capacidade de desenhar e caricaturar dos gêmeos Chico e Paulo Caruso.

é isso, por fernando stickel [ 18:18 ]

christo no rio de janeiro

Em 1977 um amigo me deu a dica de uma notícia interessantíssima na coluna do Zózimo no JB:
Javacheff Christo, o artista búlgaro naturalizado americano, que enbrulha coisas, viria ao Brasil embrulhar o Pão de Açúcar em celofane!

(post em capítulos, a história é longa…)

Naquela época eu estava com a bola toda, minha filha Fernanda recém nascida e meu escritório de design “Und” recém inaugurado. Meu inglês estava a 1.000, porque eu havia trabalhado recentemente em uma multinacional de engenharia, onde todas as comunicações eram em inglês.
Acreditando piamente na notícia do Zózimo, mais do que depressa descolei o endereço do artista em New York, e escrevi uma carta dizendo querer ser o Gerente de Projeto da empreitada no Rio de Janeiro.

christoj
Bons tempos de pré-eletrônica e cartas escritas em papel! O máximo de sofisticação era a IBM de bolinha…
Carta posta no correio, pouco menos de um mês depois chegou a resposta, assinada pela esposa e administradora/empresária do artista, Jeanne-Claude Christo, informando que óbviamente a notícia era falsa…

jeanne1
Alguns anos depois, em 1985, morando em New York, voltei a escrever para Christo e Jeanne-Claude, e eles mais uma vez me responderam simpáticamente.
Acabei por nunca encontrá-los ao vivo, mas fiquei contente com a atenção das respostas.

clinton

é isso, por fernando stickel [ 17:17 ]

demissão curiosa

A história do post abaixo tem um final curioso…
A Iris, minha ex-mulher e eu voltamos felizes da viagem de 40 dias à Europa no domingo, na segunda-feira voltei ao trabalho e passei o dia fazendo “social”, cumprimentando meus colegas de trabalho, contando da viagem, conversando.
Ao final da tarde o Newton Simões, meu chefe na Racional Engenharia, me chamou, jogamos um pouco de conversa fora e o diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:
– Fernando, não vai dar.
– Não vai dar o que?
– Não vai dar para você continuar…
– Continuar o que, Newton?!
– O seu trabalho aqui, durante as suas férias estouraram muitos pepinos que você não deixou previstos… sua atuação como Gerente foi falha…
– Ah, sei… sabe o que é, Newton, realmente eu não tenho vocação para burocrata, eu gosto dos desafios, depois que tudo se estabiliza eu perco o tesão… vamos fazer o seguinte, você me demite e eu continuo prestando serviços nas áreas que eu gosto e sei fazer como autônomo.
– OK!
E assim em uma conversa agradável de menos de dez minutos resolveu-se a questão.

Minha demissão se efetuou, e simultâneamente elaboramos um contrato de prestação de serviços de comunicação visual, audio-visual, decoração da sede com fotos do George Love, etc…

racional
Na verdade desde a minha admissão eu havia feito um grande trabalho de modernização da imagem institucional da empresa, contratei o escritório Cauduro Martino que desenvolveu a nova identidade visual, e coordenei todos os esforços subsequentes de aplicação da nova marca em sinalização, folhetos, tapumes de obra, etc…
Logo em seguida nasceu a minha filha Fernanda, e logo depois, juntamente com meu colega Norberto Chamma iniciamos o escritório de design visual und.

é isso, por fernando stickel [ 12:39 ]

crise com meu pai

Em uma década tudo pode mudar. (em vinte minutos também…)

Por volta de 1980-81, tive claramente uma visão e um desejo:

Quero ser artista plástico profissional.

Logo em seguida, colocando o desejo em prática, mudei toda a minha vida. Separei da Iris, com quem estava casado, mudei de casa e saí da sociedade que tinha com Lelé Chamma na und, tudo no mesmo ano.

fsol
O período que se seguiu até 1989 foi brilhante, exigente, cheio de desafios e novidades, fiz quatro exposições individuais, participei de uma dezena de coletivas, ganhei prêmios e morei em New York.
Na volta da viagem a NYC montei curso de desenho de observação no meu estúdio na Vila Olímpia, que acabou por ser extremamente bem sucedido, em 1989 cheguei a ter 60 alunos, meu sustento não oferecia maiores problemas.
Em Março 1990 o baque do Plano Collor fez com que eu recomeçasse as aulas com apenas dois alunos, o ano foi terrível, as artes em geral sofreram mais que a média, e o início de 1991 não trazia boas perspectivas.

Foi quando minhas irmãs vieram conversar comigo dizendo que minha mãe estava muito preocupada, pois o meu pai Erico estava manifestando a ela preocupações com os negócios, coisa que ele, homem da velha guarda, nunca havia feito antes. De fato, o Plano Collor havia virado de cabeça para baixo coisas “imutáveis”, acabou quebrando equilíbrios de décadas, e foi isto que tirou o sono do meu pai.

Novamente casado eu precisava de um salário, e meu pai de ajuda, acertamos um pro-labore para que eu trabalhasse na organização dos negócios da família, básicamente a solução de encrencas com imóveis, desde inquilinos inadimplentes, multas diversas, muros caídos, calçadas destruidas a imóveis deteriorados e desocupados, brigas com a Prefeitura por conta de IPTU, etc…

pilha
A relação de trabalho com meu pai não foi fácil, mesmo porque a minha entrada foi mais por pressão da família do que por decisão dele, engoli muitos sapos, batemos boca, mas uma das piores crises veio quando eu, tomado de furor organizatório, aproveitei um período em que meu pai estava fora do escritório, viajando, e fiz um levantamento de todas as suas pendências, anotações que ele tinha o hábito de fazer em cadernos em branco, fichários, folhas soltas, etc… e a pilha destes papéis dava quase um metro de altura!

é isso, por fernando stickel [ 11:58 ]

und

und3
Tropecei neste contato que repousa em algum caderno de anotações antigo. É a minha mesa no estúdio de comunicação visual (naquela época as pessoas nem sabiam o que era design gráfico) que criei com o Lelé Chamma em 1977 na R. Felipe de Alcaçova, Vila Madalena.
O nome do escritório era (e é) und.

é isso, por fernando stickel [ 9:25 ]

und

felipe
Engraçado como as coisas mudam, hoje passei pela Vila Madalena, que já não faz parte das minhas trajetórias habituais pela cidade, e aproveitei para visitar o imóvel onde Lelé Chamma e eu iniciamos em 1977 o estúdio de design gráfico und, na R. Felipe de Alcaçova na Vila Madalena.

Eu era fascinado por design, adorava o assunto, assinava revistas, comprava livros, até o dia em que descobri que a arte me fascinava muito mais que o design, então saí do escritório em 1980 e me lancei na conquista do sonho de ser artista plástico profissional.

Hoje o imóvel voltou a ser residencial, a rua continua mais ou menos igual ao que era quase trinta anos atrás, e eu estou mergulhado até o pescoço em uma nova carreira no Terceiro Setor.

é isso, por fernando stickel [ 16:13 ]

burrice mata

li-67-paiutta
Burrice mata, ou aleja.
Durante muitos anos evitei comentar a burrice que cometi em cima de uma Lambretta, e que acabou por encerrar minha vida motociclística naquela época.
Agora que retornei à vida em cima de motocicleta, com extremo cuidado, me permito contar o acidente que sofri, graças única e exclusivamente à minha burrice.

A história começa com um furto. Lá pelos idos de 1978, tocando o estúdio de comunicação visual und (hoje tem um nome mais “chique”: design gráfico) que havia criado com o Lelé Chamma em 1977, um belo dia, na hora do almoço um gatuno entra no escritório, que ficava na R. Felipe de Alcaçova, na Vila Madalena, e leva nossa jóia da coroa, uma máquina de escrever elétrica IBM, “de bolinha”.
Ao saber do sumiço da peça, decidi que precisávamos de um muro alto, pois a casa era aberta para a rua, com murinho baixo.
Saí na minha Lambretta cor de laranja atrás de um depósito de material de construção, para encomendar areia, cimento, ferro e tijolo.
Quando desci a íngreme ladeira da R. Purpurina, entre a Fradique e a Mourato, encontrei um caminhão que subia e cuja carga de ferros de construção havia “escorrido” para o chão. O motorista e o ajudante estavam ali sem saber o que fazer, coçando a cabeça. Parei e perguntei:
– Tá sobrando ferro aí
– Por que, tá precisando quanto?
– Duas barras. (cada uma tem cerca de seis metros de comprimento)
– Pode pegar.
Embalado pela fantástica economia que eu proporcionaria à obra do muro, peguei duas barras no chão, dobrei-as ao meio, passei pelo estepe da Lambretta, amarrei com elástico, e saí arrastando uma espécie de rabo de andorinha com três metros de cada lado da Lambretta.
Subi a Purpurina em primeira marcha, virei à direita na Fradique, tudo ia bem, o ruído dos ferros arrastando no asfalto, me animei, coloquei segunda marcha, já estava no meio do quarteirão, ganhando velocidade na descida, quando um brutal tranco me lançou ao chão.
Deitado no asfalto, tonto, arranhado, esfolado, com enorme corte no pé, roupas e sapato rasgado, sem óculos e sem relógio, fui socorrido por “populares”, que gentilmente recolheram meus pertences espalhados e me ajudaram a levantar.
Aí entendi o tamanho da minha burrice, o lado direito daquele apêndice metálico que arrastava havia sido “mordido” pelo pneu de um carro estacionado, brecou a Lambretta que simplesmente me ejetou.
O saldo da brincadeira: Um pé mal costurado no pronto socorro da esquina, que depois inflamou e tive que ir a um cirurgião plástico que abriu tudo de novo, uma Lambretta destruída, a obra do muro adiada e uma lição aprendida:
Burrice mata.

é isso, por fernando stickel [ 10:18 ]

líder


Nunca me considerei muito como um líder, apesar de já ter ocupado esta posição algumas vezes vida afora.
Bem ou mal, hoje à frente da Fundação Stickel cumpro (acho que razoavelmente bem) o papel.
Achei no meio de papeladas antigas e me surpreendeu esta mensagem do nosso colaborador A.D., lá no final dos anos setenta, época em que eu e o Lelé Chamma éramos sócios no estúdio und.
Gostei!

é isso, por fernando stickel [ 11:22 ]

passado e futuro

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Passado e Futuro

Lançado ontem na Livraria Cultura, o livro Marcas e Sinalização, de autoria do meu ex-sócio e colega da FAUUSP Lelé Chamma mostra meu passado distante de designer gráfico, e contém referências elogiosas à minha pessoa, que me sensibilizaram profundamente.
Lelé eu criamos em 1977 a und, estúdio de Comunicação Visual.
Na verdade acho que nasci já com o design gráfico embutido no meu “software”, pois é algo que adoro e faço desde sempre, em qualquer lugar, palpitando, corrigindo, limpando, organizando.

Recebi nesta semana pelo correio o livro Crescimento Econômico e Distribuição de Renda, de Jacques Marcovitch , sua leitura instruirá o início do meu curso na 5ª Turma do MBA FIA-CEATS em Gestão e Empreendedorismo Social, na próxima semana, e representa o futuro, o aperfeiçoamento da minha nova escolha profissional no Terceiro Setor, à frente da Fundação Stickel.

é isso, por fernando stickel [ 14:57 ]

lelé chamma

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Em 1977 o Lelé Chamma e eu iniciamos a und, escritório de Design. Eu me desliguei quatro anos depois e fui perseguir a carreira de artista plástico. O Lelé continuou no Design e agora lança este livro:

Marcas & Sinalização de Norberto “Lelé” Chamma e Pedro D. Pastorelo
Editora Senac
25 Fevereiro 2008 – segunda-feira – 19:00h
Livraria Cultura – Cj. Nacional, Av. Paulista 2073

é isso, por fernando stickel [ 11:54 ]

nem eu mesmo sabia


Meus queridos leitores, nem eu mesmo sabia que este triste episódio do Joaquim Marques iria me envolver de tal maneira. Crescemos juntos, férias em Campos do Jordão, brincadeiras no porão da casa da Joaninha, mãe dele, na Rua Maranhão, Higienópolis, e um pouco mais tarde, curtições fotográficas, incursões ao laboratório fotográfico, sob a mágica luz vermelha.
Ele fotografou o “making-off” do meu casamento com a Maria Alice Kalil em 1971, em seguida fez a foto de apresentação da “und”, meu primeiro estúdio de design.
Depois ficamos redondamente 30 anos afastados, cada um cuidando da sua vida, nos encontrando esporádicamente. O contato se reestabeleceu no Fotolog, onde nos iniciamos no ano passado. Troca de opiniões nas respectivas fotos, longas conversas ao telefone, muitas dicas dele, que mais uma vez mostrou ser um excelente Mestre da arte da fotografia.
A partir do diagnóstico do terrível câncer que acabou por vitimá-lo, fui visitá-lo em seu estúdio algumas vezes, levei meu pai também doente para visitá-lo, conheci um pouco melhor a intimidade daquela “figura”, e no período final de uma semana internado na UTI do Hospital Oswaldo Cruz não arredei o pé.
Em nenhum momento deste incrível sofrimento ele reclamou, mantendo seu bom humor característico até o final.
Exigiu que fosse fotografado na UTI. Enfim, me tocou profundamente.

é isso, por fernando stickel [ 9:48 ]

lelé chamma e eu

Lelé Chamma e eu em 1977. Foto do Joaquim Marques.

é isso, por fernando stickel [ 20:53 ]

und

Lá no finalzinho dos anos 70 iniciei com meu colega arquiteto Lelé Chamma uma empresa de comunicação visual que batizei de und (“e”, em alemão).
Quatro anos depois decidi dar a grande guinada profissional da minha vida, abandonando o design em favor das artes plásticas, e me retirei da und.
Hoje, recebo com prazer um e-mail do Lelé mostrando o painel que fizeram em parceria com a Casa Santa Luzia e o Gregorio Gruber.

é isso, por fernando stickel [ 10:47 ]

claramente um desejo


Muitos anos atrás, por volta de 1980-81, tive claramente uma visão e um desejo: Quero ser artista plástico profissional.
Logo em seguida, colocando o desejo em prática, mudei toda a minha vida.
Separei da Iris, com quem estava casado, mudei de casa e saí da sociedade que tinha com Lelé Chamma na Und, tudo no mesmo ano.
Hoje, várias mudanças mais tarde, quero apenas fazer este blog funcionar direito!

é isso, por fernando stickel [ 18:06 ]