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visão urbana idea zarvos

É curioso como se processa o reconhecimento de um olhar, o meu olhar sobre a cidade de São Paulo.

O meu olhar está aqui comigo, estou em São Paulo, sou paulistano com muito orgulho, faço parte da cidade. Observá-la e fotografá-la é para mim uma segunda natureza, como escovar os dentes.

Milhares de vezes meu olhar escolheu algo na cidade para ser registrado. Dificilmente passam-se na minha vida 24 horas sem que eu fotografe algo na cidade. Vejo macro e vejo micro, com foco e sem foco, de dia e de noite, de perto e de longe. No carro, a pé, no escritório, no clube, em casa, no Norte, no Sul, no alto, no chão, na riqueza e na pobreza, na sofisticação e na natureza.

Participar do concurso “Visão Urbana Idea Zarvos” teve o condão de estimular a revisão das minhas fotos da cidade, conectando o fio condutor que aglutinou este olhar. A instigante atividade de aplicar a hashtag #visaourbanaiz ao meu enorme acervo de fotos instrumentalizou o reconhecimento deste olhar. Incorporei-o conscientemente ao meu repertório, ampliando e potencializando seu alcance.

idea zarvos
Está rolando até 10 Maio uma ideia muito bacana da incorporadora Idea!Zarvos, um concurso de fotos da cidade para a cidade – Arquitetura / São Paulo / para quem / passa / vive /curte, veja aqui.

O concurso é organizado pela produtora cultural Estúdio Madalena e terá como juri Claudia Jaguaribe, Ekaterina Kholmogorova, Iatã Cannabrava, Mozart Mesquita e Nelson Kon.

Coloque a #VISAOURBANAIZ na sua foto no Instagram e concorra a prêmios, veja o Regulamento.

é isso, por fernando stickel [ 17:52 ]

fernando stickel na folha de são paulo

f s paulo
O jornalista Toni Sciarretta do caderno “Morar” do jornal Folha de São Paulo do último domingo, 17 Abril 2016, me entrevistou sobre a minha experência como morador da Vila Olímpia.
Conversamos também sobre a série de fotos que realizei no bairro em 2003-2005, que acabaram por gerar a exposição “Vila Olímpia” na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2006, com curadoria de Diógenes Moura, e lançamento simultâneo do livro “Vila Olímpia” pela Editora Terceiro Nome.
A minha foto na matéria é da Raquel Cunha.

ENTREVISTA FERNANDO STICKEL

Vila Olímpia foi dos inferninhos aos arranha-céus

Fotógrafo registrou detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986 e reuniu as imagens em livro e em mostra na Pinacoteca.

RAIO X
NOME Fernando Diederichsen Stickel

IDADE 67

FORMAÇÃO Arquitetura na FAU-USP

OCUPAÇÃO Presidente da Fundação Stickel de oficina de artes na periferia e autor do blog “aqui tem coisa”

Artista plástico, fotógrafo, blogueiro e agora executivo do terceiro setor, o arquiteto Fernando Stickel, 67, vive na Vila Olímpia há 30 anos, época em que o bairro ficava submerso nas águas do córrego Uberaba, onde hoje fica a avenida Hélio Pellegrino. Pelas lentes de Stickel e pelo bairro, retratado no blog “aqui tem coisa”, iniciado em 2003, passaram diferentes tribos: motoqueiros dos anos 1990, inferninhos “de quinta categoria” dos anos 2000 e agora executivos dos prédios espelhados e estudantes do Insper e da Anhembi Morumbi.
Stickel, que nos anos 1990 manteve um loft e ateliê de 2.000 m² até se render à especulação imobiliária local, chegou fotografar os prédios espelhados que surgiam na região, mas não gostou do resultado. Preferiu retratar detalhes de fachadas, tapumes de prédios em construção, portas e janelas do bairro. O trabalho motivou uma exposição na Pinacoteca e virou o livro “Vila Olímpia” em 2006 (ed. Terceiro Nome).
Leia trechos da entrevista feita na Fundação Stickel, instituição sem fins lucrativos que faz trabalhos na Vila Nova Cachoeirinha e na Vila Brasilândia (zona norte).

Folha – Como era a Vila Olímpia quando você chegou?
Fernando Stickel – Estou no bairro desde 1986. Construí um loft na rua Ribeirão Claro com a Fiandeiras –era meu estúdio e residência. A Vila Olímpia era um bairro pobre. A Hélio Pellegrino era um córrego imundo com uma favela. Quando chovia, a água subia mais de um metro.
O bairro inteiro tinha tecnologias diferentes para conviver com as enchentes: escadinha, rampa… Eu tinha um portão com gaxeta de borracha, que virava uma comporta para barrar a água.
Foi assim até que veio a obra que canalizou o córrego. Em seguida, saiu a nova Faria Lima. Aí o bairro explodiu.
E a sua história de fotógrafo?
Minha história de fotógrafo começa em 2003, quando montei o blog “aqui tem coisa”. Falava do meu filho, minha mulher, meu cachorro e do bairro. Ainda não tinha máquina digital. Comprei e saí fotografando como doido. Participava do Fotolog, um serviço de blog de fotografia que acabou de morrer. Fui formando uma visão das ruas do bairro que acabou gerando três anos depois a mostra na Pinacoteca e o livro.
A máquina fotográfica tem a mesma característica de um pincel –mas, no lugar de tinta e pincel, tem uma máquina. A visão é de artista plástico. Tanto que muitas pessoas falavam que era uma pintura.

O que as fotos mostram que não existe mais?
Tem tapume, fachada, janela, porta, portão; algumas coisas ainda lembro onde estão, outras foram embora há décadas. Era um bairro de casinhas, oficinas mecânicas, borracheiros, botequinhos, papelaria, mercadinho de bairro. O que era um barzinho de esquina, hoje virou um restaurante de quilo.
Esses bares da esquina da Quatá e Nova Cidade começaram na fase áurea dos motoqueiros. Aqui era “point” dos motoqueiros. Depois vieram os inferninhos. Eram boates de quinta categoria.

Onde estão esses moradores?
O borracheiro foi embora; não cabe mais aqui. O mercadinho foi comprado ou fechou. E assim tudo foi se modificando. Um dia vem o mercado imobiliário e toca a sua campainha. Ligavam todos os dias: eram corretores, incorporadores…
Não adianta lutar contra, então vamos fazer da melhor forma possível. Vendi o terreno para uma sinagoga, que ficou linda. Pelo menos, não foi um predião.

Os moradores da Vila Olímpia foram organizados e tiveram voz no desenvolvimento do bairro, como ocorreu no Itaim, onde a população ajudou a conservar o patrimônio histórico?
Sim. O cidadão, quando pode, se organiza e põe o dedo na ferida. Qual é o valor disso? Existe, mas o poder econômico é maior. Na minha visão, o poder público é totalmente omisso –não regulamenta, não fiscaliza e é vendido. O resultado é essa cidade completamente desestruturada e carente de infraestrutura.

Você tentou fotografar os prédios espelhados?
Quando comecei, achava que também iria fotografar os espelhados”¦ Tentei, mas não faz minha cabeça. Outros fotógrafos vão fazer mil vezes melhor, provavelmente não tiram a foto do detalhe como eu. Até porque esse tipo de detalhe está sumindo.

O que seria o detalhe dos prédios espelhados? A grama amendoim do paisagismo?
É tudo muito igual. Talvez você vá achar pessoas interessantes que passam na frente desses prédios.

Você tem nostalgia daquela Vila Olímpia?
Minha nostalgia não vai para dez anos atrás. Vai para o Guarujá dos anos 1950, onde eu cresci. Não tenho saudade do tempo dos botecos, era infernal! Demorava 45 minutos para andar dois quarteirões. Depois, assim como veio, também foi embora.
Hoje diria que é um bairro tranquilo. Faço tudo o que preciso a pé. Andei durante muito tempo de moto até que tive um acidente. Tentei andar de bicicleta, mas fui atropelado por um motoboy, ainda antes da ciclovia.
Almoço com os estudantes e executivos. Essa mistura é excelente. Vi na Vila Olímpia uma transformação não só de cidade mas também de vida. E acho ótimo que vá embora essa minha vizinha [aponta para o sobradinho em frente, com placa de “vende-se”], que mandou derrubar uma árvore linda porque sujava a casa dela. (TONI SCIARRETTA)

Veja aqui o artigo “Fotógrafo registra em livro detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986” on line.

EM TEMPO: Recebi esta mensagem, acompanhada da foto da pintura, muito interessante e simpática!
“Olá Fernando
Estava viajando e não vi seu email. Então, esse é o quadro que minha mãe pintou baseado na foto do seu livro “Vila Olímpia”. Ela tb pintou mais dois que devem estar com a família.
Vou procurar saber para te enviar tb. O nome dela é Therezinha Fontes, já faleceu há dois anos, dei pra ela o seu livro de presente justamente por causa das fotos.
Espero que vc goste do resultado.
Um abraço
Cristina Teresa Fontes”

pintora

é isso, por fernando stickel [ 14:31 ]

rochelle costi no ceu paz

rofs
Rochelle e eu em frente aos trabalhos dos alunos. A exposição abriu hoje, 1 Março 2016 no CEU Paz.

Um trabalho experimental, em um local muito, muito distante, em uma comunidade muito, muito carente, realizado com escassez de recursos, abordando temas controversos, dramáticos e de enorme impacto psico-social, e, ao final de tudo isso, um resultado maravilhoso, forte, rico, muito rico!!!!

Esta foi a “Oficina Espaço, Espesso, Espelho:” ministrada para jovens da comunidade local pela artista/fotógrafa Rochelle Costi no CEU Paz, abordando as transformações urbanas e ambientais radicais ocorridas na comunidade, pelas obras do Trecho Norte do Rodoanel, na Serra da Cantareira.

A Fundação Stickel e o CEU Paz, suas equipes, alunos, moradores, e, principalmente a professora Rochelle Costi estão de parabéns, por ter descascado este abacaxi, por ter feito deste ousado limão uma deliciosa limonada!

rochelle ceu
Rochelle com as equipes do CEU Paz e da Fundação Stickel

rochelle ceu paz
As molduras dos trabalhos foram feitas com gavetas, caixas, etc… achados no lixo!

é isso, por fernando stickel [ 23:04 ]

olhares s/ a cachoeirinha 2015


Abertura da exposição dos trabalhos dos alunos do curso gratuito de fotografia de Lucas Cruz “Olhares sobre a Cachoeirinha 2015”, promovido pela Fundação Stickel na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha, com a presença do Secretário de Estado de Cultura, Marcelo Mattos Araújo e o Superintendente da Fábrica, Rubens de Morais.


Os alunos.


A equipe da Fundação Stickel, Glaucia, Miriam, Roberta, Ana e eu.


Lucas Cruz.


Jarbas Mariz, Rubens Morais, Marcelo Araújo, eu e Lucas Cruz.

é isso, por fernando stickel [ 13:39 ]

canon nova

eos
Pensei, pensei, pensei… Pesquisei, perguntei, fucei, pensei, pensei de novo, olhei o Mercado Livre, OLX, E-Bay, comparei preços aqui e no exterior, verifiquei novas e usadas e finalmente decidi!!!!
Canon EOS 5D Mark III no Mercado Livre, com apenas 500 clics, ou seja, absolutamente zero, e por um preço bom, pronto, comprei!!!
Eu mereço uma ferramenta de primeira linha!!!
E já nas primeiras fotos dá para perceber a enorme evolução tecnológica entre a minha agora “antiga” Mark I (lançada em 2005) e a nova Mark III (lançada em 2012). Simplesmente chocante!

é isso, por fernando stickel [ 23:13 ]

auto retrato do fotógrafo

auto fs
Parece que nenhum fotógrafo pode prescindir de um auto retrato assim, então vamos começar o ano direito!

é isso, por fernando stickel [ 17:24 ]

as memórias e as fotografias

autoretrato
“Selfie” com Pentax, 1970.
Lidar com a memória, cutucá-la, estimulá-la e recuperá-la com o auxílio de imagens é fascinante!
Depois que comecei a abrir as caixinhas de plástico cheias de slides, as memórias começaram a borbulhar! É bom lembrar da minha câmera Pentax, enorme condutor deste processo.

é isso, por fernando stickel [ 17:23 ]

pentax selfie, 1972

selfie
Selfie com câmera Asahi Pentax no espelho, ligeiramente fora de foco. Provavelmente 1972.

é isso, por fernando stickel [ 17:03 ]

pulinho na bahia

familia174hgppol
Foto German Lorca, anos 50.
OK, ok, lição de casa feita, missão cumprida, o ano acabou, panetones e Papai Noel, agora vamos dar um merecido pulinho ali na Bahia e já voltamos!

é isso, por fernando stickel [ 22:09 ]

noite

noite
Noite

é isso, por fernando stickel [ 7:45 ]

george bell & diane arbus

bell2
Photograph by JOSH HANER
The Lonely Death of George Bell – A história de uma morte solitária em New York. Aqui.

bell
Esta foto PB me lembrou o trabalho da fotógrafa Diane Arbus, poderia perfeitamente bem ser de autoria dela… inclusive pelo formato quadrado. E claro, pela história ligada a ela…

é isso, por fernando stickel [ 16:58 ]

pça dos omaguás & blogs

oma
Encontrei a foto acima nos meus arquivos, uma das mais antigas em formato digital, e com menor resolução, dei-lhe um banho de photoshop e republiquei o post:

Na praça dos Omaguás, vizinho à FNAC em Pinheiros reuniram-se no dia 22 Maio 2003, pontualmente às 20:00h no Café Gardênia, por iniciativa da Luciana Benatti alguns amantes, relacionados, amigos e fazedores de blogs.
Adorei a iniciativa, adorei principalmente ver, conhecer, conversar com algumas das pessoas por trás destas maravilhas chamadas blogs.

Da esq. para a dir; eu, Marcelo Min, Arthur, Paulo, Luciana Jardim, Marianne Wenzel, Luciana Benatti, Jean Boechat.

é isso, por fernando stickel [ 0:34 ]

marcelo min

marcelo
Marcelo Min na Pinacoteca de São Paulo, Agosto 2003

Conheci o fotógrafo Marcelo Min e sua mulher Luciana Benatti em uma caminhada fotográfica organizada por amigos blogueiros em 2003. Eram tempos de Fotolog, lembra?

Visitei muitas vezes seu blog, ficamos amigos, passei a admirá-lo e mantinhamos contato virtual, depois a vida nos separou…

Que pena, leio que nos deixou por causa de um fdp de um aneurisma. Um forte abraço na Luciana, seus filhos e familiares.

Faça boa viagem, Marcelo!

Leia aqui um excelente texto da Eliane Brum sobre o Marcelo e seu trabalho.

é isso, por fernando stickel [ 10:08 ]

avançado com lucas cruz

AVANCADO_CONVITE
Curso inédito! Inscrições encerradas!

é isso, por fernando stickel [ 16:07 ]

rochelle costi no CEU PAZ

ROCHELLE_CONVITE_FINAL
Abertas as inscrições para a segunda turma com Rochelle Costi!

é isso, por fernando stickel [ 15:29 ]

auto-retrato

fshj
Auto-retrato no escritório no feriado.

é isso, por fernando stickel [ 15:34 ]

alexandre ribeiro na fábrica

alexandre
O novo Conselheiro Curador da Fundação Stickel, o editor Alexandre Dórea Ribeiro, visita a exposição de fotos dos alunos do curso de Arnaldo Pappalardo e Lucas Cruz “Olhares sobre a Cachoeirinha 2014”, na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha.

é isso, por fernando stickel [ 11:20 ]

vivian maier & me

vivian
Na exposição de fotos de Vivian Maier no Museu da Imagem e do Som – MIS tem uma brincadeira bem interessante, um Photo Booth onde você faz um selfie com a Vivian.
Em seguida a funcionária do museu te fornece um QR code para acessar a tua foto na internet.

Colhi algumas observações sobre seu trabalho na internet:

Street photography in Vivian Maier & Diane Arbus

Like the difference between going into the woods for collecting mushrooms and a leisurely stroll – in the first case you’ll find mushrooms and in the second, you’ll find anything.

The “mushrooms vs leisurely stroll” is one very point that makes Arbus differ from Maier. Arbus went for the mushrooms whereas Maier apparently went out strolling. There are some early candid (and less-known) images from Arbus which could be compared to Maier’s street portraits. But at one point Arbus opted for a different routine, she gave up doing candid, made appointments, asked the people to pose… It’s a totally different process, and a resulting different artistic statement.

é isso, por fernando stickel [ 18:27 ]