Romeu Loureiro Ferreira Leite Jr. Foto: Bruna Guerra/Divulgação/SHP
Assunto sério e polêmico, envolve um sócio da Sociedade Hípica Paulista, com muita visibilidade, pois foi seu presidente por dois mandatos consecutivos, total de 6 anos. Romeu sempre foi uma presença constante no clube, e durante sua gestão muitas coisas boas foram feitas, o clube foi inteirinho reformado, pintado, inúmeras melhorias implantadas.
Como sócio da Hípica Paulista, e arquiteto, acompanhei as reformas, muitas vezes Romeu me pediu palpites, sobre isso, sobre aquilo, mas na verdade ele fazia tudo exatamente do jeito dele. Na área do meu interesse, que é o fitness, spa e a piscina não houve jeito de convencer o Romeu a fazer a coisa certa… Até hoje é impossível usar a piscina nos meses de inverno, o aquecimento não dá conta…
Com a descoberta de seus “supostos malfeitos” a coisa toda mudou de aspecto. Grupos de sócios se mobilizaram a favor e contra o ex-presidente, mais importante, um dos grupos exige transparência, um abaixo assinado circulou recentemente entre os sócios (eu e minha mulher Sandra Pierzchalski assinamos) solicitando à diretoria divulgação dos resultados da auditoria, o que até agora não ocorreu.
Acho que a Diretoria e o Conselho do clube deveriam se comprometer claramente com uma apuração rigorosa e transparente dos fatos, e a eles dar ampla divulgação. As punições internas cabíveis e mesmo um processo administrativo e/ou criminal que se faça necessário se seguiriam, respeitando todas as regras.
É intolerável e injurioso ao sócio que cumpre com suas obrigações a manutenção do um clima do tipo “O assunto é tratado com sigilo pelo Conselho”, e o investigado continua a frequentar o clube.
A matéria do Estadão assinada por Rayssa Motta foi publicada on-line ontem, 4 Junho de 2022, a seguir a íntegra:
“Auditoria atribui desvios e abusos a ex-presidente da Hípica Paulista
Romeu Loureiro Ferreira Leite Jr, que presidiu o tradicional clube de São Paulo entre 2015 e 2021, é acusado também de assédios por funcionários e pode ser expulso e perder o título remido; ele tem 15 dias para apresentar defesa; seu advogado refuta com veemência as acusações
O ex-presidente da Sociedade Hípica Paulista (SHP), Romeu Loureiro Ferreira Leite Jr, foi acusado de assédio moral e sexual por funcionários do clube, um dos mais tradicionais e exclusivos de São Paulo, cujos títulos custam em torno de R$ 68 mil. Ele também foi colocado no centro de suspeitas de abuso financeiro.
As denúncias apareceram em uma auditoria interna que apontou uma série de irregularidades na conduta do empresário. Sócio do clube há 50 anos, ele corre o risco de ser expulso e, com isso, perder o título remido. O conselho da Hípica, composto por 30 sócios eleitos, ainda vai deliberar sobre o caso em uma reunião extraordinária que não tem data marcada.
Uma comissão de sindicância, formada por cinco conselheiros, foi criada por orientação da assessoria jurídica do clube para analisar o material levantado na auditoria e será responsável por sugerir uma eventual punição. O procedimento envolve a tomada de depoimentos de testemunhas e do próprio Romeu, que recebeu prazo de 15 dias para apresentar sua defesa. A partir do relatório final da comissão, o conselho do clube colocará em votação o destino do ex-presidente.
Procurado pela reportagem, o advogado Gerson Mendonça, que representa Romeu no caso, disse que os fatos foram “auditados de forma unilateral” e que são “absolutamente inverídicos”. Também afirmou que é “leviana e prematura qualquer conclusão desabonadora” contra o cliente dele.
O Estadão teve acesso ao relatório com as conclusões da auditoria. O trabalho durou cinco meses e foi entregue no final de abril por uma empresa especializada contratada pelo clube após as primeiras denúncias de funcionários. O documento dá o pontapé no processo interno de investigação.
Romeu foi presidente da Hípica Paulista por dois mandatos consecutivos. Foto: Bruna Guerra/Divulgação/SHP
A auditoria diz ter encontrado indícios do favorecimento de empresas de familiares, amigos e sócios da Hípica nas contratações. Também teriam sido localizados gastos pessoais no cartão corporativo e uso do estoque de produtos e suprimentos do clube para consumo pessoal. O documento lista desde comida até álcool em gel e fita isolante que teriam sido usados sem pagamento. Ainda segundo a apuração preliminar, Romeu obrigava funcionários de manutenção, eletrônica, segurança e TI a prestarem serviços na casa dele no horário do expediente.
Outro ponto abordado é a consumação no restaurante da Hípica. Os funcionários entrevistados dizem que Romeu mandava retirar itens da conta e, quando recebia convidados, incluindo amigos e familiares, mandava as cobranças para o centro de custo de marketing do clube.
“Romeu tinha por hábito não pagar seu consumo do mesmo dia e quando era notificado por algum funcionário do restaurante, deixava o funcionário ‘plantado’ por 20 ou 30 minutos, sem atendê-lo. Quando atendia, informava que não ia pagar, alegando que não tinha consumido os alimentos ou bebidas”, diz um trecho do documento. Ele também teria deixado de pagar pelo menos R$ 74,6 mil em ração de seus cavalos.
O relatório aponta ainda supostas regalias para sócios inadimplentes em troca de apoio nas eleições internas e indícios da venda de títulos com desconto para amigos e familiares. Outro questionamento gira em torno da troca das lâmpadas do picadeiro, que segundo o documento haviam sido substituídas menos de um ano antes, ao custo de R$ 1 milhão.
Os relatos gravados de nove funcionários e ex-funcionários também apontam uma suposta rotina de agressões verbais, intimidações, xingamentos, humilhações, racismo, gordofobia, xenofobia e assédio sexual.
O documento diz que Romeu “tinha predileções por pessoas brancas e magras”, o que ele chamaria de “padrão Hípica”, e “não gostava de contratar pessoas gordas” ou LGBTQIA+. Os funcionários relataram ter ouvido, além de xingamentos, frases como: “Se você voltar gorda, eu te mando embora”, “Quanto você pesa?”, “Olha o tamanho daquele cara, não dá para ele ficar andando no clube desse jeito”, “Baiano não gosta de trabalhar” e “Veadinho”. Todos os trabalhadores ouvidos disseram que cogitaram pedir demissão por causa da “pressão psicológica diária” e do ambiente de trabalho “tóxico”. A auditoria também traz relatos de supostos episódios de assédio sexual.
Títulos na Sociedade Hípica Paulista custam em torno de R$ 68 mil.
Romeu foi presidente do clube em dois mandatos consecutivos, de 2015 a 2021, e vice-presidente até romper com o sucessor no ano passado. Em sua gestão, demitiu 518 funcionários. O quadro total de pessoal da Hípica é de 360 colaboradores – ou seja, é como se tivesse mandado embora todos os funcionários e depois demitido quase 70% dos substitutos. Segundo relatos, tudo era motivo para mandar embora colaboradores. Uma funcionária com quatro anos de casa teria sido demitida porque “engordou”. Os acordos em rescisões trabalhistas fechados entre janeiro de 2018 e dezembro de 2021 giram em torno de R$ 2,5 milhões, aponta levantamento da auditoria, sendo que 88% das dispensas ocorreram sem justa.
Mais de cem sócios do clube subscreveram um abaixo-assinado pedindo acesso ao relatório da auditoria. Por enquanto, o procedimento corre sob sigilo.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO GERSON MENDONÇA, QUE REPRESENTA ROMEU
“Os fatos ventilados na auditoria estão submetidos a comissão de sindicância da SHP. O Sr. Romeu Loureiro Ferreira Jr. apresentará cabal defesa perante a sindicância interna da SHP, demonstrando a absoluta inveracidade dos fatos auditados de forma unilateral. A própria sindicância da SHP, após a apresentação da defesa de Romeu e procedimento interno previsto pelo Estatuto Social da SHP, deliberará sobre os fatos ventilados na auditoria, sendo absolutamente leviana e prematura qualquer conclusão desabonadora tanto com relação ao Sr. Romeu Loureiro Ferreira Leite Jr, quanto com relação a Sociedade Hípica Paulista, clube da mais alta honorabilidade.”
COM A PALAVRA, O PRESIDENTE DA SOCIEDADE HÍPICA PAULISTA, FERNANDO SAMPAIO FERREIRA FILHO
“Em outubro de 2021, o Conselho Deliberativo recebeu um relatório elaborado por um grupo de funcionários apontando uma série de supostas irregularidades cometidas pelo vice presidente, Romeu Loureiro Ferreira Leite Junior. No intuito de amparar os funcionários e evitar injustiças, determinaram a contratação de uma empresa de auditoria investigativa.
O relatório foi apresentado ao Conselho e aprovado por maioria, no mês de abril de 2022. Em seguida, foi instaurada uma Comissão de Sindicância para conduzir o processo.
O assunto é tratado com sigilo pelo Conselho.
Em nome da diretoria executiva, determinei de imediato que fossem tomadas todas as medidas para amparar os funcionários que efetuaram as denúncias e reforçamos nosso apoio aos membros do Conselho Deliberativo.”
Romeu Ferreira Leite apresenta defesa, leia AQUI.
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