
Foto: Zeca Florentino
Faleceu minha querida amiga Valu Oria. Faça uma linda viagem, Valu.

Foto: Zeca Florentino
Faleceu minha querida amiga Valu Oria. Faça uma linda viagem, Valu.

Foto: Chao Soi Cheong/AP

A sala do meu apartamento, com a TV
22 anos atrás, no fatídico 11 setembro 2001, conhecido posteriormente como 9/11, eu tomava café da manhã no meu apartamento da R. Casa do Ator, na Vila Olímpia, quando a TV começou a mostrar as imagens do ataque ao World Trade Center, as torres gêmeas de New York.
Fiquei muito tempo grudado na TV, assistindo entre horrorizado e fascinado a tragédia.
Iraci, minha empregada na época, assistia junto comigo, ao mesmo tempo em que eu me lembrava da época em que morei em New York e visitei o World Trade Center.

Outro ângulo sa sala, mostrando a entrada do corredor dos quartos.

A sala.

Em 2005, aos 57 anos de idade, eu limpava obsessivamente as lentes dos meus óculos, sem me dar conta que a sujeira não estava nas lentes, e sim na progressiva opacidade dos cristalinos, as lentes dos nossos olhos. Era a catarata se instalando subrepticiamente. “Muito cedo” disse na época o Dr. Marcelo Cunha (1955-2021), meu oftalmologista, mas já que apareceu, vamos operar. O procedimento inclui o implante de uma Lente Intra Ocular (LIO) que substitui o seu cristalino “original” danificado. Assim fizemos, nos dois olhos, um na sequência do outro, pouco depois das cirurgias o processo se completou com novas lentes para os óculos, pois com a operação o grau diminui. Tudo funcionou, lentes limpas!
Cerca de seis meses atrás, em consulta de rotina, fui diagnosticado com início de glaucoma no olho esquerdo, o tratamento para a pressão alta intraocular que origina a doença é uma gota de colírio diária, muito simples. Há dois dias atrás meu olho esquerdo subitamente ficou com a visão embaçada e todas as luzes apresentavam um halo… Fiquei apavorado com a possibilidade de alguma coisa grave relacionada ao glaucoma, e ontem mesmo já estava de volta ao consultório da Dra. Gabriela, oftalmologista.

A seta na foto aponta a lente deslocada
O resultado da consulta: A lente implantada na operação de catarata 18 anos atrás saiu do lugar, se deslocou, provocando a visão embaçada. UFA!!! Nada relacionado ao glaucoma. A correção será cirúrgica, já marquei para a semana que vem com o Dr. Andre Maia.
Neste meio tempo ficamos pensando sobre a possível razão para a lente sair do lugar, um evento raro segundo a Dra. Gabriela, mas relatado na literatura: Movimentos bruscos ou traumas oculares, qualquer ação que cause pressão ou movimento repentino no olho, como esfregar o olho vigorosamente, pode levar ao deslocamento da Lente Intra ocular (LIO). Sandra lembrou do meu tombo de moto, um evento traumático 8 anos atrás que pode ter dado início ao processo de deslocamento da lente.

Logo após a cirurgia, na sala de recuperação
Na quinta-feira 14/9/2023 às 11:00h ocorreu a cirurgia denominada vitrectomia na clínica da Av. Gabriel Monteiro da Silva, tudo dentro do previsto. A dose de Dormonid foi mais fraca e eu fiquei em estado de sonolência, não apaguei completamente, deve ser parte do aprimoramento da técnica. A cirurgia levou cerca de 3h00 bem mais do que a cirurgia de catarata, que leva no máximo 30 minutos. Chegamos em casa cerca de 14h30, almocei e dormi profundamente no sofá. Sandra preparou um maravilhoso jantar com direito a mille-feuille da Confeitaria Dama, assistimos TV.

A lente implantada
Assim que deitei para dormir e apaguei a luz senti que meu olho esquerdo tinha como se fosse um foco de luz aceso em sua frente e o direito não, na normalidade do quarto escuro. Essa diferença me perturbava e me preocupei que não conseguiria dormir desse jeito. Fui me acalmando tentando reduzir essa luminosidade virtual e pouco a pouco os dois olhos passaram a ter a mesma sensação de quarto escuro. Ainda assim não consegui dormir, ao contrário da minha rotina diária, talvez pela ausência do CPAP, que não pude usar por causa do tampão no olho. Cerca de meia-noite e meia senti que a anestesia estava finalmente se dissipando.
Não dormi bem, levantei às 5:30 e vim escrever este relato, utilizando só o olho direito. Funciona, mas não é confortável, pela perda da profundidade de campo. O olho operado doi um pouco mas nada que me obrigue a tomar uma Novalgina. Logo mais às 9h00 voltarei à clínica para retirar o tampão e iniciar a rotina dos colírios.
Retirado o tampão minha visão se apresentou bastante confusa, mas todos me garantem que é assim mesmo. Dr. Andre Maia me explicou que o primeiro dia é o pior e vai melhorando progressivamente.
Utilizando uma tabela para não me perder, devo utilizar colírios de hora em hora. Os exames na retirada do tampão indicaram que a cirurgia foi perfeita. Em 6 a 8 semanas tudo estará normalizado e nova lente para os óculos poderá ser encomendada.
Após uma rápida passagem no meu escritório após a consulta da manhã, passei o dia em casa, a visão atrapalhada ainda não me motiva a fazer alguma coisa. Amanhã será um novo dia!

A tabela de uso dos colírios.
2ª noite: Dormi bem usando o CPAP, cerca de 8h00 no total. Acordei às 5h00 da manhã com a sensação do olho grudado, passei uma água e voltei a dormir. Acordei com a sensação da visão mais encaixada, porém embaçada, o olho esquerdo bem congestionado, vermelho e cheio de meleca. Banho, colírio e vida que segue.

ERNESTO DIEDERICHSEN – Um visionário
Meu avô Ernesto Diederichsen (1878-1949) e sua esposa Maria Elisa Arens Diederichsen (Lili)(1883-1973) chegaram à cidade serrana de Campos do Jordão, SP em 1936. Encantados com o cenário, compram grandes glebas de terra e iniciam a construção da residência de veraneio da família, concluída em 1941, na sequência empreendem em sociedade com o genro Luiz Dumont Villares o Hotel Toriba, concluído em 1943.
A vivência em Campos do Jordão os colocou em contato com a situação de pobreza e más condições de saúde em que viviam moradores e ocupantes dos sanatórios existentes na região. Sensibilizados com a situação, Ernesto e Lili iniciam um trabalho filantrópico assistencialista, e criam em 1946 o Grêmio Bernardo Diederichsen. Com gestão do Reverendo Oswaldo Alves o Grêmio atendia famílias e crianças carentes que chegavam à cidade para acompanhar o tratamento de tuberculose de parentes internados, incluindo distribuição de remédios, alimentos, agasalhos e realização de tratamentos médicos.
Após o falecimento de Ernesto, em 1949, as obras assistenciais foram assumidas por sua filha Martha Diederichsen Stickel junto ao seu marido Erico João Siriuba Stickel (1920-2004), meus pais. Em 1954 este trabalho assistencial se transformou, na Fundação Beneficente Martha e Erico Stickel, hoje Fundação Stickel.
Industrial e empresário, Ernesto estava à frente de seu tempo, pois tinha sua atenção voltada para o bem estar de todos os empregados de suas indústrias, criando muito antes que as leis o obrigassem, creche, ambulatório, gabinete médico, escola primária, cinema e biblioteca em suas empresas.
O Sítio das Figueiras ficava às margens da represa Billings e abrigava a casa de veraneio da família, inserida em meio a gigantescas figueiras, daí o nome do sítio. A estrutura de lazer da casa incluía quadras de esporte e um enorme escorregador, alguns barcos também ficavam disponíveis para brincadeiras aquáticas.
A cerca de 400 metros da casa ficava a Colônia de Férias dos funcionários do grupo empresarial Diederichsen, que incluía indústrias têxteis, comércio de café, adubos e forragens, óleos vegetais hotel e outras atividades. A Colônia de Férias era ampla, com acomodações para para os funcionários, salões de eventos, cozinha, restaurante, etc…
Anos mais tarde, o Sítio das Figueiras se transformou no SESC Interlagos.
Quando conheci a Argos Industrial nos anos 70 fiquei fascinado pela marca da empresa, criada pelo designer Alexandre Wollner (1928-2018),considerado o pai do design moderno no Brasil.





Faleceu em Lisboa a minha amiga Monica Figueiredo. Quando comecei a dar aulas de desenho de observação no meu estúdio na R. Ribeirão Claro na Vila Olímpia, conheci a Monica, ela me deu dicas fantásticas para divulgar o meu curso, na sequência ficamos amigos. Ela se vai muito cedo, vítima de um cancer… Boa viagem Monica!!

Sonhei que estava em uma barcaça grande, ancorada na costa com vários barcos ao redor, onde havia uma piscina. Eu estava dentro da piscina, e do meu lado, encostado na borda estava meu neto Noah. Peguei ele no meu colo, e ele ficou ali tranquilo. Nisto a barcaça se solta e começa a avançar sozinha mar a dentro, enfrentando ondas e vários barcos por ali. Eu penso: Alguma onda maior vai virar a barcaça.
Aí a barcaça pega uma onda grande e volta “de jacaré” em direção à costa, velozmente. Vejo à distancia pessoas se movimentando para escapar do impacto da barcaça, mas ela aporta tranquilamente e as pessoas começam a sair, auxiliadas por dois guardinhas muito mal vestidos e franzinos. Nisto se abre uma porta na barcaça como se fosse a entrada do porão ou sala de bombas e lá estava meu falecido primo Bernardo, muito magro, vestido com uma roupa cor de laranja.
Ao sair da barcaça com o Noah no colo vejo que o caminho da saída é muito difícil, cheio de pedras escorregadias, aí digo para o Noah me esperar que vou descer e pego ele na sequência. Quando vou pegá-lo ele está grudado no lugar, puxo ele e não solta, olho atrás do corpo dele e vejo que ele está preso em uma teia de aranha muito forte, puxo com força e vai soltando, até que a própria aranha se desgruda e consigo soltar o Noah.

Faleceu no último domingo em Ribeirão Preto Itália Novelli Bighetti, mãe do Arnaldo Halpern, meu amigo e Conselheiro da Fundação Stickel.

Faleceu meu amigo José Maria Monteiro Ribeiro, colega no Colégio Santa Cruz e posteriormente Conselheiro da Fundação Stickel.


O mestre Dudi Maia Rosa em seu estúdio.

Como parte do meu curso de desenho de observação no Espaço Fundação Stickel, realizamos com os alunos do curso uma visita ao estúdio do meu amigo artista Dudi Maia Rosa.


A casa do artista se confunde com o estúdio, há obras de arte por todos os lados, tanto do próprio artista como de outros pintores, desenhistas, escultores…

Nas paredes dois mestres da Escola Brasil: À esquerda Wesley Duke Lee, à direita Frederico Jayme Nasser.

Cerca de 1970 alguns colegas da FAUUSP da turma 1969-1973 criaram um grupo de trabalho. Nós éramos, da esquerda para a direita, Edo Rocha, Plinio de Toledo Piza Fº, Sergio Ficher, Leslie Joseph Gattegno, Iris Di Ciommo e eu.

Em 2008, na comemoração dos 35 anos de formados a festa foi na maravilhosa casa de Marlene e Marcos Acayaba, reunimos 64 colegas e o Leslie já não estava entre nós, falecido precocemente.

50 anos de formados e a festa no sábado 3/6/23 foi na própria escola, nossa querida FAUUSP, reformada, bonita, elegante, acompanhada de uma linda exposição dos trabalhos da nossa turma!
A efeméride tem um valor adicional, pois a nossa turma de 1969 inaugurou o novo prédio de Vilanova Artigas na Cidade Universitária!

Foto Bob Wolfenson
Rita Lee (1947-2023) fez parte da minha vida, temos praticamente a mesma idade. Muito triste sua partida, fica a sensação de uma vida bem vivida, uma artista fantástica, uma brasileira corajosa. Faça uma linda viagem Rita.

Faleceu aos 79 anos de idade o meu amigo Claudio Augusto da Rosa Ferlauto. Estou sem palavras…
A foto é do dia 7 maio 2022, inauguração da minha exposição “OLHAR 70″na Galeria Mapa. Claudio e Cris vieram, fazia muito tempo que não nos víamos, foi ótimo…

Minha filha Fernanda encontra em suas antigas agendas alguns recortes de coluna social dos anos 90, nas fotos meus longos cabelos em evidência!
Era uma época pré internet, onde eu saia de casa quase todas as noites para vernissages, festas, etc…
Mal me lembro quem eram os colunistas sociais da época, mas os jornais eram O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo, os tempos do Telmo Martino no Jornal da Tarde já haviam (infelizmente) acabado.
Provavelmente alguns destes nomes estavam à frente das colunas: Cesar Giobbi, Sonia Racy, Gilda Mattar, Nirlando Beirão, Joyce Pascowitch, Monica Bergamo.

Faleceu meu amigo José Beleza Moreira Chicau (Zé Chicau). Não era a hora, sua saúde nos traiu a todos, família e amigos foram obrigados a se despedir muito cedo.
Conheci o Zé cerca de 30 anos atrás nas deliciosas reuniões de charuteiros nos sábados à tarde, na charutaria do Beto Ranieri, esquina da Al. Lorena com Min. Rocha Azevedo.
Nós frequentamos durante muitos anos o mesmo clube, a Sociedade Hípica Paulista, e por vezes esticamos para um chopp em algum bar por ali perto. Excelente companhia, bom papo e bom copo, o Zé vai deixar saudades!


A minha turma da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP, formada em 1973.

Aproxima-se a comemoração do aniversário de meio século de formados!!!

Faleceu Glória Maria (1949-2023) a primeira repórter negra da televisão brasileira. RIP.

Erico Stickel em sua casa na R. dos Franceses em 2003.
Mil anos atrás perguntei ao meu pai se ele já tinha tomado um dry martini, ao que ele me respondeu que não. Perguntei então se ele não gostaria de experimentar um, e ele mais uma vez disse que não. Achei meio estranha e ridícula sua recusa de experimentar algo “novo” e segui na minha arrogância de jovem.
No Estadão de hoje Leandro Karnal comenta sobre seu aniversário de 60 anos: “Não preciso mais conhecer o novíssimo restaurante três estrelas Michelin inaugurado em uma vila da Ligúria, a três horas de carro de Gênova. Enfrentar menus obrigatórios com espuma e fumaça? Nunca mais. Farei em casa minha massa de grão duro, tomate fresco, manjericão, muçarela de búfala e um fio de azeite bom – com duas ou três pessoas íntimas. Esse é meu paraíso três estrelas!”
Hoje penso exatamente como o Karnal, e percebo, olhando para trás, como meu pai já havia conquistado silenciosa e discretamente a sabedoria dos sessenta… e sua taça diária de vinho…
Leandro Karnal
Bodas de diamante
Seriam os 60 os novos 40? Os 60 são 60 mesmo, com todas as suas glórias e desastres.
A partir de agora, posso entrar na fila das prioridades. Chego ao jubileu de diamante: 60 verões completados.
Se fosse uma referência histórica, poderíamos dizer que dobro o Cabo da Boa Esperança. O primeiro contato lusitano com o promontório meridional da África dá origem ao termo Cabo das Tormentas. Depois, com a pressão do poder em Lisboa, surge o novo nome, mais suave. Será assim comigo? Outro dado animador: o ponto extremo sul-africano é o Cabo das Agulhas. Há coisas novas a descobrir.
Seriam os 60 os novos 40? Os 60 são 60 mesmo, com todas as suas glórias e desastres. Prossigo na chamada “maturidade com saúde”.
Na prática: tenho mais tempo atrás do que pela frente. Minha casa é muito mais atrativa agora. Minha cama é uma companhia extraordinária. Ver uma boa série deitado, confortavelmente, tem se tornado meu nirvana. Não preciso mais conhecer o novíssimo restaurante três estrelas Michelin inaugurado em uma vila da Ligúria, a três horas de carro de Gênova. Enfrentar menus obrigatórios com espuma e fumaça? Nunca mais. Farei em casa minha massa de grão duro, tomate fresco, manjericão, muçarela de búfala e um fio de azeite bom – com duas ou três pessoas íntimas. Esse é meu paraíso três estrelas. Essa é minha consciência de 60 anos.
A libido que explodia diariamente (e de forma inconveniente aos 20) é agora uma experiência um pouco mais espaçada. A vontade de passar uma semana acampado no deserto de Gobi, sem tomar banho, foi realizada. Amo meu chuveiro de forma apaixonada e sou feliz sob o fluxo da água na minha residência. Em mim, Marco Polo perde uma parte do seu impulso.
Nunca fui melancólico. O que ocorre é o fim da sofreguidão, o fim do furor com as coisas, a pressa absoluta que há de ter marcado minha existência. A ansiedade diminui. Já sei que sou e serei incompleto, que não verei tudo, que não conhecerei tudo. Aceito a contingência da vida e sei que a beleza está em seu caráter passageiro.
Reflito que, com minha idade, Shakespeare já estava morto há oito anos. O legal dos 60 é pensar que nunca serei como ele. Tive e tenho o privilégio de lê-lo. É o bastante! Faço bodas de diamante, ainda sendo carvão comum. No fim, convenço-me de que diamantes são pouco úteis no frio da vida… Tenho esperança de continuar lendo bem aos 70.
E você, querida leitora e estimado leitor? Teme algo ao ver a estação final cada vez mais perto?