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...desde janeiro de 2003

encrencado aos 13 anos


A “bíblia”

Minha educação sexual foi praticamente inexistente, meu pai Erico jogou na minha mão aos 13 anos de idade um calhamaço ilustrado chamado “A nossa vida sexual” de autoria do Dr. Fritz Kahn (1888-1968), médico e divulgador científico de origem alemã, editado pela Civilização Brasileira. O livro trazia algumas imagens dos órgãos sexuais masculino (que eu já conhecia) e do feminino, o grande desconhecido!!

Por sorte minha família não era religiosa, então as noções de pecado e culpa nunca tiveram lugar no meu imaginário e portanto pude me dedicar com afinco à punheta, sem medo de pelos crescerem nas palmas das minhas mãos…Para completar, fui agraciado pelo Criador com uma boa dose de bom senso logo no nascimento, o que vem me ajudando muito a driblar as encrencas da vida.


Dr. Fritz Kahn (1888-1968)

Encrencado como qualquer adolescente, coberto de eczemas, e sofrendo de asma, meus pais acharam por bem que eu deveria ter ajuda profissional, e com cerca de 14 anos de idade meu pai me levou ao Rio de Janeiro, para ser atendido pelo papa da psicologia da época, um tal de Emilio Mira Y Lopez (1896–1964)


O “catecismo” do Carlos Zéfiro

Embarcamos para o Rio de Janeiro pela ponte aérea, em um Convair CV-240, pousando no lindo aeroporto Santos Dumont. Eu sempre fui fascinado pela cidade, então só o fato de estar em terras cariocas me deixou mais animado, nos hospedamos no Hotel Miramar em Copacabana, Posto 6, em seguida nos dirigimos ao consultório.


Dr. Emilio Myra y Lopez (1896-1964)

A sumidade atendia em um escuro apartamento em Copacabana, após as formalidades iniciais meu pai se afastou, o doutor fechou as portas com vitrais de seu estudio e eu fiquei frente a frente com o monstro.Lembro que ele perguntava insistentemente quem eram os meus ídolos, e eu dizia que não os tinha, mas ele teimava:
– Mas você não gosta de futebol? Eu dizia NÃO, e ele insistia:
– Mas você não gostaria de ter um autógrafo do seu jogador de futebol preferido? Eu pacientemente explicava ao doutor que não tinha o menor interesse por futebol.
Para terminar ele pediu para que eu abaixasse as calças e a cueca, e, sem me tocar, examinou minha genitália.
Meu pai voltou à nossa presença, sabe Deus o que ele e o psicólogo conversaram, mas para mim a consulta foi um fiasco total.


O Convair da ponte aérea

A educação sexual real da minha geração todos conhecem, as conversas com os amigos, os catecismos do Carlos Zéfiro e qualquer revista de mulher pelada que nos caísse nas mãos!

O lucro da visita ao Doutor foram as deliciosas lembranças que ficaram daqueles dois ou três dias no Rio de Janeiro, sozinho com meu pai, a viagem de avião, o Aeroporto Santos Dumont, a hospedagem no Hotel Miramar, no Posto 6, os almoços em restaurantes à beira da praia, do vento e o cheiro do mar.


Copacabana!

é isso, por fernando stickel [ 8:42 ]

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