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por que aqui tem coisa

Encontrei nestas intermináveis arrumações proporcionadas pela pandemia do coronavirus e a consequente enorme quantidade de horas dentro de casa, um texto manuscrito explicativo (será que explica?) do título do meu livro “aqui tem coisa”, lançado em Dezembro 1999. A data provável da execução deste texto seria entre 1997 e 1999, antes do início do meu trabalho com fotografia em 2003.

Por que aqui tem coisa

Na verdade explicar o título do livro serve como pretexto para falar um pouco do meu trabalho, afinal o material para este livro vem sendo criado preparado, revisado, repaginado desde 1968/69/70 quando as portas da percepção do mundo artístico me foram abertas por Baravelli, Fajardo, Nasser e Resende. Em 1970 ao organizarem a Escola Brasil: os quatro artistas prepararam um folheto explicativo dos objetivos e da filosofia da Escola em cuja capa se lia:

ARTE É MUITAS COISAS

Vinte e cinco anos de carreira me levaram a trabalhar com com muitas coisas. Meu interesse continua a circular por diversas coisas e assuntos diferentes.
No entanto a formação formal de arquiteto e artista plástico delimita seu currículo e você se acostumar dizer:

Sou arquiteto e artista plástico.

Minha atividade artística iniciou-se em 1971 participando da 5ª Jovem Arte Contemporânea No MAC USP na seção de Poesia.
Trabalhei com design, arquitetura, engenharia e marketing, voltando à atividade artística em 1980.
Não faço diferença entre uma tela de Matisse, uma Ferrari by PininFarina, um almoço no Joel Robuchon, um poema de e e cummings, uma foto de Man Ray, um quadrinho do Angeli, a coluna da Barbara Gancia ou uma música e letra do Caetano. É tudo arte. É tudo inteligência. É tudo prazer sabor e enriquecimento.
É tudo coisa.
Então aqui tem coisa, lá tem coisa, estamos cercados de coisas. Coisas boas e coisas ruins e coisas mais ou menos.
As minhas coisas boas se manifestaram na minha carreira artística como aulas, poemas, textos, desenhos, pinturas, esculturas, objetos, arquitetura, design, culinária, instalações, curadoria, joias, ilustração, cenografia.
Aqui tem coisa são as coisas boas da escrita.

é isso, por fernando stickel [ 9:54 ]

prêmio remington 1977


O primeiro estímulo que tive para publicar minhas poesias ocorreu em 1977.

Foi o anúncio em uma revista do Prêmio Remington de Prosa e Poesia, com premiação em dinheiro. A Comissão Julgadora: Flávio Moreira da Costa, Affonso Romano de Sant’Anna, Hélio Pólvora, Dirce Côrtes Riedel, Silviano Santiago e José J. Vieira.

Arregacei as mangas e fui à luta. Submeti minha obra “Prosa ou Poesia, conforme o caso” sob o pseudônimo de M. Pseudonym. Meu amigo Cassio Michalany me ajudou a fazer as capas, com um gabarito.

22 anos depois, em 1999 surgiu o meu livro de poesias “aqui tem coisa”, publicado pela DBA.

é isso, por fernando stickel [ 10:29 ]

vozes do ofício


Em 14 Dezembro 1999 lancei meu primeiro livro de poesias e desenhos “aqui tem coisa” pela Editora DBA, na A Estufa do Leo Laniado, na R. Wizard 53 na Vila Madalena.

Foi um evento alto astral, veja aqui.

Menos de um ano depois quatro poetas com livros recém lançados se organizaram em torno da Livraria Spiro da Lili Guimarães para fazer uma noite de leitura de poemas.

Eliane Accioly Fonseca – Trapeiro de Sonho
Fernando Stickel – aqui tem coisa
Luciana Wis – Vida
Rita Moreira – Perscrutando o Papaia

Criamos o grupo “Vozes do Ofício”, se bem me lembro fui eu que propus este nome, e convidamos o saxofonista Lloyd Bonnemaison para acompanhar a leitura. Jade Gadotti fez uma linda foto, imprimimos um convite, conquistamos alguns patrocinadores, e fizemos um lindo evento no dia 27 Junho 2000, na Al. Lorena 1979!


Lloyd e eu.


Meus pais Martha, Erico e eu.


Luciana Wis e Rita Moreira.


Eu com Eliane Fonseca.


Giovanna Pennacchi e Lili Guimarães, a anfitriã.


Naji e Roberta Ayoub com Anisio Campos


A audiência.

é isso, por fernando stickel [ 11:22 ]

carta ao frederico


Durante um bom tempo eu me debati com os porquês do sumiço do meu amigo Frederico Jayme Nasser.

Conversei várias vezes com o Fajardo, que era talvez o amigo mais próximo dele, conversei com a Marina, ex-mulher, tentei de tudo quanto é jeito encontrar uma explicação lógica, mas o sentido do isolamento do meu amigo continuava a me escapar.

Finalmente escrevi a carta acima, à guisa de pá de cal no triste assunto, que enviei a ele acompanhada do meu livro “aqui tem coisa”, lançado três anos antes em 1999.

Obviamente não houve resposta, mas fiquei apaziguado e virei a página.

é isso, por fernando stickel [ 9:43 ]

marcel duchamp’s studio


Em 1985 morei em New York na rua 18 West, quase esquina com a 5ª avenida.
Eu sabia que Marcel Duchamp tinha morado ali perto na rua 11, e na página 127 do meu livro “aqui tem coisa” tem um desenho meu alusivo a este assunto.


Agora, através deste artigo, descubro o endereço exato do antigo estúdio de Duchamp na 80 East 11th Street #403, e também que o artista Serkan Ozkaya reproduziu no local a obra mais importante de Duchamp. Étant donnés: 1. la chute d’eau 2. le gaz d’éclairage (1946–1966).

é isso, por fernando stickel [ 17:21 ]

faleceu millôr fernandes

millor1
No meu livro ‘aqui tem coisa”, que publiquei em 1999, incluí uma homenagem ao Millôr Fernandes (1924-2012), utilizando uma de suas frases geniais:

“Discutem os sábios sem certeza, os imbecis atacam de surpresa”

Que perda!!!!!

é isso, por fernando stickel [ 13:04 ]

steve jobs

apple
Eu não o conheci pessoalmente, mas de alguma forma a vida de Steve Jobs e suas geniais criações esteve entralaçada com a minha, principalmente por duas vertentes:

1. O computador pessoal
Quando morei em New York, no período 1984-85, necessitei escrever meu currículo, e acabei por descolar um freelancer que escrevia em um PC primitivo com sistema DOS, tela preta e letras verdes; eu sentava ao lado dele em um apartamento da Sétima Avenida e ia corrigindo o que ele digitava, ao final da sessão imprimia-se o resultado em uma impressora matricial.
Fiz desta maneira várias versões, e na volta ao Brasil necessitei continuar o trabalho.
Por uma fantástica coincidência, conheci em Campos do Jordão o Bruno Mortara, amigo da minha ex-mulher Jade, e vi em cima da mesa na casa dele uma revista com o título “Desktop Publishing”, perguntei o que era aquilo, ele me explicou que com o computador Macintosh era possível criar uma publicação no estúdio, em cima de sua mesa de trabalho.
Achei o máximo, e comecei a trabalhar com o Bruno e seu computador Apple, fizemos inúmeros trabalhos desta maneira, anos mais tarde em 1997, orientado pelo Bruno, comprei meu primeiro Macintosh, me tornando um fiel usuário desde então. Entre 1997 e 99 produzi integralmente o meu livro “aqui tem coisa” em um Power Mac G3. Desnecessário dizer que o meu celular é um iPhone 4.

2. Jay Chiat
Conheci o Jay, fabulosa figura humana em 1983 em New York, e tive o privilégio de me tornar seu amigo. Em 1984 sua agência de publicidade, Chiat/Day, foi responsável por uma das mais famosas campanhas jamais feitas, o lançamento em rede nacional no Superbowl do filme “1984” que apresentou ao mundo o Macintosh da Apple.
Neste mesmo ano cheguei a New York, onde morei até Dezembro de 1985.
O contato com o Jay, ouvir suas histórias do mundo da publicidade, suas campanhas para a Apple, Porsche e Energyzer, frequentar sua casa na 34th Street, e conviver com seus amigos foi para mim uma experiência única, insubstituível. Através dele conheci o estúdio do arquiteto Frank O. Gehry, jantei com o ator Dennis Hopper, manuseei várias caixas do artista Joseph Cornell e guiei seu Porsche um dia inteiro em Los Angeles, além de passar duas temporadas seguidas na Côte D’Azur. Com ele aprendi também sobre o lado positivo do “American Way Of Life”, o empreendedorismo e a objetividade, a valorização do trabalho e de fazer as coisas direito, da criatividade e da inteligência.

As mortes de Jay Chiat em 2002 aos 70 anos de idade, vítima de câncer da próstata, e de Steve Jobs, aos 56, vítima de câncer do pâncreas, marcam para mim o fim de um ciclo, dois homens geniais que souberam como ninguém falar de modernidade, eficiência, beleza e inteligência, com muito humor e generosidade. O Jay eu conheci de perto, o Steve e seu legado fazem parte da minha vida…

é isso, por fernando stickel [ 15:43 ]

cabo frio

cabo

Cabo Frio

É tarde e eu já estou exausto de não fazer nada.
Felizes são aqueles que não fazem nada em paz.
E aqueles que não se cansam de não fazer nada.
E aqueles que dormem bem sem estarem cansados de não
fazer nada além de mergulhar nas águas frias do
Cabo Frio de Janeiro apesar do Janeiro encalorado
e as águas são d’Álcalis como se fossem veículo
de peixes e mergulhadores encalorados por não
além de nada trabalhar na madrugada encalorada
pela água dos canos plásticos em exposição ao sol
ardente oriundo do calor da madrugada que o banho
em canos quentes não deu cabo.

(do meu livro “aqui tem coisa”)

é isso, por fernando stickel [ 9:11 ]

várias coisas

Este fim de ano está tão movimentado que esqueci de comemorar várias coisas:

arthure
Meu filho Arthur passou de ano com boas notas, recebeu o famoso “Canudo”, encerrou muitos anos de feliz convivência na Escola Viva e já está matriculado no ensino médio da Escola Vera Cruz…

arthurd
… podendo agora descansar tranquilo…

neco
Meu irmão Neco completou 55 anos no dia 14/12, travestido com a peruca que o Arthur usou nos últimos dias de Escola Viva…

aquit
No mesmo dia do aniversário do Neco, completaram-se dez anos do lançamento do meu primeiro livro, “aqui tem coisa”

antoni
Meu filho Antonio completou 30 anos no dia 25/11, forte e firme!

marthas
Mais forte e firme que todos, minha mãe Martha caminha para os 83 anos de idade, que completará em 21 Fevereiro!

é isso, por fernando stickel [ 10:58 ]

o tempo passa

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Me impressiona muito a passagem do tempo.

O tempo passa e as coisas mudam, rápidamente.
Em Agosto 2004, cinco anos atrás, a Fundação Stickel se movimentava lentamente para sair de um sono letárgico de 30 anos, por pouco não desisti da empreitada, tal a quantidade de problemas enfrentados.

Em Agosto 2005, há quatro anos atrás, iniciava-se a reforma do Espaço Fundação Stickel, na R. Ribeirão Claro, Vila Olímpia, obra da arquiteta Sandra Pierzchalski, que foi inaugurado em Outubro com a exposição do Baravelli.
Utilizado intensamente até Dezembro 2006, abrigou nove exposições.

shalom
O imóvel da R. Ribeirão Claro 37 foi demolido e hoje recebe a construção da nova sede da Comunidade Shalom.
shalom2

Vencedores de um concurso de arquitetura promovido pela Shalom, o projeto será de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, da Brasil Arquitetura.
Eu fico particularmente feliz com o desfecho do uso de um imóvel que foi minha casa/estúdio por 20 anos, na qual nasceu meu filho Arthur, escrevi meu livro aqui tem coisa e plantei várias árvores, no terreno e na calçada.

é isso, por fernando stickel [ 17:59 ]

aqui tem coisa, o livro

na-gamela
Desenho no meu livro “aqui tem coisa”, de 1999.
Incrível! Acabo de me dar conta que já são dez anos desde o seu lançamento!

é isso, por fernando stickel [ 9:59 ]

jade & stickel

jade1.jpg
Em Março 1990 o Plano Collor fez um estrago geral no país. A crise atingiu com dureza máxima a classe artística, e eu vi meu até então bem sucedido curso de desenho de observação minguar de 60 alunos para apenas dois…
Para contorná-la, me associei à Jade, minha mulher na época, e passamos a fazer alguns trabalhos de pintura para decoração juntos. Até um curso especializado fizemos no início de 1991.
Na sociedade Jade & Stickel eu era o “marketeiro”, preparava propostas, currículo, logotipo, etc… Naquela época eu não tinha computador e fazia todos os meus trabalhos gráficos com a ajuda do Bruno Mortara da Prata da Casa, com o programa PageMaker, (atual Indesign) que acabei dominando e com o qual fiz o meu livro “aqui tem coisa”.

é isso, por fernando stickel [ 13:40 ]

floaters 2


Escrevi sobre os “floaters” em 1984, quando morava em New York.
Está publicado no meu livro “aqui tem coisa”

é isso, por fernando stickel [ 9:13 ]

mundinho ridículo

Lancei meu livro aqui tem coisa em Dezembro de 1999, e desde então o envio, vez por outra, de presente para alguém.
São pessoas que conheci em eventos artísticos ou festas, ou em raríssimos casos para desconhecidos que eu gostaria que conhecessem um pouco do meu trabalho.
Existem também casos de pessoas que viram meu livro na casa de alguém, e aí me encontram e comentam: -Puxa, que legal teu livro, onde encontro? E aí, naturalmente, eu dou de presente.
Após enviar, fico aguardando a reação do presenteado. Algumas são extremamente gratificantes, como a da Fal, ou do Edemar Cid Ferreira, da Brasil Connects que, educadíssimo, me agradeceu enviando um maravilhoso livro do Instituto Cultural Banco Santos. Outros me brindam com um sonoro silêncio
Tudo isso para comentar que dia desses (já houveram outros eventos como esse), encontrei em uma exposição conhecidíssima figura do mundo das artes, a quem havia enviado meu livro.
Perguntei o que havia achado do presente, e a figura, visívelmente embaraçada, disse que sim, havia recebido… e só. Nem obrigado falou. E aí fico me perguntando porque será que determinadas pessoas tão destacadas são tão desprovidas de educação assim. E como é difícil viver nesta eterna fogueira das vaidades do mundinho das artes plásticas.

é isso, por fernando stickel [ 11:57 ]

fal

A Fal e eu fizemos um escambo (ou troca-troca), o meu livro aqui tem coisa pelo livro dela.
O correio se encarregou de entregá-los, nós só nos conhecemos até agora através do universo blogueiro, não tivemos ainda o prazer do contato pessoal.
Agora, com o livro dela na mão, conheço um pouco melhor a autora de “Crônicas de Quase Amor”, de Fabia Vitiello, Editora Iglu, 1999.

…olho para trás e vejo os maiores patos que alguém poderia imaginar. Enormes. Cara de malvados. Grasnavam ameaçadoramente para mim. Mas eu, pessoa normal que sou, sentei na manta e esperei os patos queriam saber o que aquelas duas bicho-grilo-poncho-e-conga faziam em sua casa…

…e assim vai, histórias deliciosas! Obrigado, Fal, adorei!

é isso, por fernando stickel [ 23:15 ]

duas pessoas importantes


Conheci duas pessoas importantes em New York em Junho 1983, Jay Chiat e Washington Olivetto.
Veja aqui perfil do Jay no Art Directors Club.

Encontrei com Washington Olivetto hoje numa festa, e me lembrei da carta que enviei a ele, logo após o falecimento do Jay, em Abril 2002, acompanhada do meu livro “aqui tem coisa”:

São Paulo, 25 Abril 2002
Caro Washington,
Junho de 1983, NYC, Chanterelle, você nos apresentou aquela jóia do Jay Chiat, depois teve Carnaval no Rio, alguns eventos em São Paulo, etc… e eu acabei ficando muito amigo do Jay.
Ele agora se foi, fazia um ano que eu tentava entrar em contato, sem sucesso, ele provavelmente já devia estar muito doente.
E voltei a lembrar de você.
Nos encontramos no hall do evento da Mercedes, e logo em seguida você foi sequestrado. Fiquei pensando em você à distância, desejando que tudo terminasse bem, o que Graças aos Céus, aos Budas e a todos os Deuses aconteceu.
Me deu vontade de conversar um pouco sobre o Jay, tentei te ligar ontem e você estava ainda em Portugal.
Abração!
Fernando Stickel

Esta carta ficou sem resposta, vou reenviar hoje através deste post, e também pelo correio.

é isso, por fernando stickel [ 2:26 ]

coloquei um link

Hoje coloquei um link aí na coluna da esquerda para o meu livro de poesias e desenhos, aqui tem coisa, e fiquei me perguntando se alguém, por pura curiosidade já clicou na imagem do trabalho do Beuys ou no meu Fs vermelho. Aliás, tenho muito orgulho da minha rúbrica de extração oriental. E adoro vermelho.

é isso, por fernando stickel [ 0:48 ]

mondialino 50cc

mondialino1.jpg
Quando fiz meu livro aqui tem coisa, escrevi na introdução:

“Uma boa maneira de trazer à luz coisas que de outra forma permaneceriam ocultas na solidão de cadernos e pastas.”

Me referia aos desenhos que incluí junto com as poesias.
Agora estou gostando muito dessa história de blogar. Talvez não tenha encontrado ainda o equilíbrio ideal que gostaria entre todas as minhas vontades e interesses, talvez ande exagerando no uso do meu brinquedo novo, a câmera digital, mas no final das contas estou ADORANDO, inclusive porque continuo a garimpar nos meus cadernos e pastas por outras coisas, igualmente significativas, como minha motocicleta Mondial (Mondialino) 50cc, com a qual infernizava (sem capacete) as ruas calmas de São Paulo em 1966.

é isso, por fernando stickel [ 11:54 ]