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acervo iconográfico

Em Julho 2008:

IMS incorpora Acervo Iconográfico Martha e Erico Stickel

O Instituto Moreira Salles acaba de agregar a seus conteúdos uma coleção de importância fundamental na arte e na memória brasileiras: o Acervo Iconográfico Martha e Erico Stickel, resultado de acuradas aquisições realizadas pelo casal ao longo de mais de 40 anos. Formado por cerca de 1500 peças, entre desenhos, aquarelas, mapas, gravuras, óleos e álbuns iconográficos, quase que exclusivamente no suporte papel, o material cobre um período que vai de meados do século XVI até o final do século xix.

Entre os autores das obras há nomes como Christoff Artischowsky, Jean-Baptiste Bourguignon d’Anville, Manoel Araújo Porto-Alegre, Evan Baillie Jr., Johannes Blaeu, J. Bury, Henry Chamberlain, Eugène Cicéri, Izaak Commelin, Vincenzo Maria Coronelli, Frank Edward Cox, Jean-Baptiste Debret, Iluchar Desmons, Hercule Florence, Frans Post (Gaspar Barleaus), Henrique Goldschmidt, Friedrich Hagedorn, Eduard Hildebrand, Hendrik Hondius, Petrus Kerius, Johannes van Keulen, Georg Marggraf, William Gore Ouseley, Jean Leon Pallière, Carlos Roberto de Planitz, Johann Moritz Rugendas, Leon Jean-Baptiste Sabatier, Johann Jakob Steinmann, Thomas Marie Hippolyte Taunay, Karl Wilhelm von Theremin, Victor Frond e Carl Friedrich Phillip von Martius.

As técnicas utilizadas em seus trabalhos são as mais diversas, desde o desenho a grafite ou nanquim até a gravura — tanto em metal (ponta-seca, etching ou água-forte, água-tinta ou lavis) quanto em madeira (xilogravuras) e pedra (litogravuras) —, passando por óleo, aquarela e guache, entre outras. Um dos pontos altos do conjunto é formado por 78 obras de Von Martius (grafite sobre papel, basicamente), com registros da paisagem brasileira. Juntamente com Johann Baptist Spix, ele foi o mais importante naturalista que circulou pelo país entre 1817 e 1820, autor da clássica Flora brasiliensis e tido como o iniciador da botânica brasileira em sua fase científica.

Outro destaque é um álbum de Araújo Porto-Alegre, com desenhos, poemas e textos do autor. Tecnicamente, a coleção constitui uma “brasiliana”. O termo se refere a imagens produzidas num período definido — do “Descobrimento” até o fim do século XIX, com a intenção de tornar reconhecível a gente e a paisagem brasileiras. No acervo do iMS, o material se soma a itens como o Highcliffe album, com centenas de imagens do Brasil produzidas pelo artista inglês Charles Landseer, em que se incluem trabalhos de Henry Chamberlain, Jean-Baptiste Debret e William Burchell. E, ainda, às raríssimas 24 aguadas de Paul Harro-Harring, além de peças avulsas.

Como resultado, o IMS passa a guardar e preservar o maior acervo de memória visual brasileira do gênero na esfera privada, com cerca de 2 mil peças iconográficas e mais de 20 mil fotografias que registram a natureza, as cidades e a gente brasileira no século xix. Talvez nenhuma outra entidade pública, com a provável exceção da Biblioteca Nacional, possa ostentar um repertório dessa importância e natureza. A formação desse inestimável patrimônio coloca o Instituto num novo e mais relevante patamar entre as instituições culturais do país, o que lhe abre novos horizontes também no exterior.

é isso, por fernando stickel [ 16:08 ]

sociedade beneficente alemã

sba
Este é o “Stickel Heim”, pavilhão que meus pais doaram à Sociedade Beneficente Alemã SBA no Sesquicentenário da Imigração Alemã 1824-1974.
O projeto arquitetônico ficou a cargo do arquiteto Salvador Candia, em cujo escritório eu trabalhava na época. Sob a orientação do arquiteto Yasuhiro Aida, braço direito do Salvador, trabalhei bastante neste projeto.
São 12 quartos, sala de estar, copa e terraço para uso dos idosos que a SBA abriga.


Os dizeres da placa comemorativa, afixada no prédio:

Em homenagem à memória de nossos pais
Ernesto Diederichsen
Maria Elisa A. Diederichsen
Arthur Stickel
Erna H. Stickel
No ano comemorativo do Sesquicentenário da Imigração Alemã no Brasil, construimos esta casa.
Martha Diederichsen Stickel
Erico João Siriuba Stickel


Meu pai, Erico Stickel, na inauguração.


Eu, meu pai Erico, iris Di Ciommo, minha mãe Martha e o arquiteto Salvador Candia.


Meu pai assinava o “Käseblatt” apelido carinhoso com que a comunidade alemã se referia ao jornal em lingua alemã “Deutsche Zeitung”, que trouxe uma longa reportagem com fotos sobre a inauguração do “Stickel-Heim”.

é isso, por fernando stickel [ 20:06 ]

porsche 912

Meu pai Erico comprou em 1968 um Porsche 912 branco zero km na Dacon. Ele tinha o último motor dos 356, com quatro cilindros, 1.600 cc dois carburadores e 90 hp, cambio 5 marchas “dog leg”, ou seja, a primeira era para baixo. Era capaz de cerca de 190km/h, dado seu baixo peso de cerca de 900kg.
Foi um carro que eu guiei muito, curti muito, com minha carteira de habilitação recém obtida.
Fazia o maior sucesso na FAUUSP, meus colegas adoravam quando eu dava carona…
Lembro-me de uma viagem para Ilhabela, eu sozinho e o carro carregado até as tampas com mantimentos, etc… A estabilidade, que já era excelente, com o carro carregado ficou melhor ainda, e me diverti muito na serra de Caraguatatuba.
Era preciso se acostumar com o câmbio de 5 marchas com a primeira marcha para baixo, (no lugar da segunda marcha da câmbios tradicionais) mas fora isso o carro era uma delícia.
As rodas estampadas cromadas com calotas idem tinham um ar retro que eu gostava muito, e sem calotas ele ficava “malandro”…

é isso, por fernando stickel [ 15:17 ]

erico 100 anos


Erico João Siriuba Stickel (1920-2004)
Fosse vivo, meu pai completaria hoje 100 anos de idade!!!

é isso, por fernando stickel [ 10:23 ]

lili e a gripe espanhola


Lili, minha mãe Martha e meu tio Ernesto, anos 30, na casa da R. dos Franceses

Minha avó Lili – Maria Elisa Arens Diederichsen (1883-1973), foi uma sobrevivente da gripe espanhola de 1918.

Ela se curou da gripe, mas teve como sequela uma lesão no pulmão que muitos anos mais tarde se transformaria em enfisema, doença que acabou sendo a causa de sua morte aos 90 anos de idade.

Ela tinha 35 anos de idade quando foi infectada em São Paulo pelo H1N1, a pandemia infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época, e vitimou entre 50 e 100 milhões de pessoas no planeta, as vítimas preponderantemente adultos jovens.

Dois anos mais tarde nasceu a caçula da família, minha mãe Martha em 1920. Lili teve uma vida excelente, suas sequelas não diminuíram em nada seu vigor e alegria de viver. Dois anos ates de falecer o enfisema se manifestou, e ela passou a ter sintomas de falta de ar.


Lili no navio, com meu pai Erico, eu e minha irmã Sylvia, anos 50


Lili com minha irmã Sylvia na Suíça, anos 50


Lili com 87 anos, na festa do meu noivado com Maria Alice Kalil, 1970


A ciência tem dados das epidemias e pandemias, as curvas e as precauções são as mesmas…

é isso, por fernando stickel [ 9:23 ]

encrencado aos 13 anos


A minha educação sexual foi praticamente inexistente, meu pai jogou na minha mão aos 13 anos de idade um calhamaço chamado “A nossa vida sexual” de um tal Dr. Fritz Kahn. A parte interessante do livro é que ele trazia algumas “gravuras” dos órgãos sexuais masculino (que eu já conhecia) e do feminino, o grande desconhecido!


A educação sexual informal da minha geração todos conhecem, os amigos e os catecismos do Carlos Zéfiro!


Encrencado como qualquer adolescente, coberto de eczemas, e já com pelos crescendo nas palmas das minhas mãos, meus pais acharam por bem que eu deveria ter ajuda profissional, e com 14 ou 15 anos de idade meu pai me levou ao Rio de Janeiro, para ser atendido pelo papa da psicologia, um tal de Mira Y Lopez.

No consultório da sumidade, um escuro apartamento em Copacabana, após as formalidades iniciais meu pai se afastou, o doutor fechou as portas com vitrais de seu estudio e eu fiquei frente a frente com o monstro.
Lembro que ele perguntava insistentemente quem eram os meus ídolos, e eu dizia que não os tinha, mas ele teimava:
– Mas você não gosta de futebol?
Eu dizia NÃO, e ele insistia:
– Mas você não gostaria de ter um autógrafo do seu jogador de futebol preferido?
– Eu pacientemente explicava ao doutor que não tinha o menor interesse por futebol.
Ou seja, a consulta foi um fiasco total.


O lucro da visita ao doutor são as deliciosas lembranças que ficaram daqueles dois ou três dias no Rio de Janeiro, sozinho com meu pai, a viagem de avião, o Aeroporto Santos Dumont, a hospedagem no Hotel Miramar, no Posto 6, os almoços em restaurantes à beira da praia, do vento e o cheiro do mar.

é isso, por fernando stickel [ 9:05 ]

aniversário martha


Minha mãe Martha Diederichsen Stickel completa hoje, 21 Fevereiro 2020, 93 anos de idade!!! Parabéns Mamãe!!! Suas fiéis escudeiras Tide e Ivani a ladeiam na foto.
A Fundação Stickel também comemora o aniversário de sua instituidora, que com seu marido e meu pai Erico João Siriuba Stickel a criaram em 1954.


Que Mamãe continue a navegar acompanhada dos quatro filhos, Fernando, Sylvia, Ana Maria e Roberto, quatro netos, Fernanda, Antonio, Joana e Arthur e cinco bisnetos, Samuel, Rodrigo, Ian, Noah e Pedro.


Anos 60, Martha com 30 e poucos anos…


Familia quase completa no Natal 2019.

é isso, por fernando stickel [ 9:57 ]

erico stickel


Encontrei na publicação “Quem é Quem no Brasil – Biografias Contemporâneas” Volume VI de 1961 o verbete alusivo ao meu pai.
A editora Sociedade Brasileira de Expansão Comercial Ltda se dedicava a traçar perfis de empreendedores e divulgar empresas.

STICKEL, Erico João Siriuba — Advogado e Industrial.

Nasceu a 3 de abril de 1920, em São Paulo (Capital). Filho do Sr. Arthur Stickel e de D. Erna Stickel.
Casado com D. Martha Diederichsen Stickel. Tem quatro filhos: Fernando, Sylvia, Ana Maria e Roberto.
Fêz seus estudos no Ginásio São Bento; Escola de Comércio “Alvares Penteado” e na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É Oficial do Exército Brasileiro pelo CPOR; Diretor do grupo industrial S.A. Fiação para Malharia “Indiana”; S.A. Cotonifício Adelina; Argos Industrial S.A. e Lanificio Argos S.A.; Diretor do grupo Villares S.A. — Participações Industriais; Ibaté S.A. Agropecuária e Alduvi S A. Agrícola e Pecuária; Gerente Geral das firmas: Sociedade Agrícola e Comercial Siriuba Ltda.; Autogar Ltda. e Sociedade Hotel Toriba Ltda.; Presidente (instituidor) da Fundação Beneficente “Martha e Erico Stickel”, Presidente da Fundação “Visconde de Porto Seguro”; Vice-Presidente dos “Sanatorinhos” de Campos do Jordão; Conselheiro (vitalício e colaborador ativo) das Fundações: “Luiz Dumont Villares”, “Martius de Ciências, Artes e Letras” e “Instituto Hans Staden”. Pertence ao Jóquei Clube, e Automovel Clube de São Paulo; São Paulo F.C. e à Hípica Paulista.

Residência: Rua dos Franceses, 324 — Fone: 32-1160.
Escritorio: Largo do Ouvidor, 102 — 5.o andar — Fone: 32-5483 — S. Paulo.

Interessante a divulgação aberta de amplos dados pessoais, incluindo endereços e telefones, algo impensável no Brasil de hoje.

é isso, por fernando stickel [ 9:59 ]

ernesto diederichsen


Meu amigo Vignoli me envia este texto sobre meu avô que eu não conhecia!

ERNESTO DIEDERICHSEN
in “Os precursores do progresso do Brasil” de Eddie Augusto da Silva-Rubens Veras-Julio Ewigkeit
Editora: Sociedade Brasileira de Expansão Comercial Ltda 1959

Nascido em São Paulo. em 19 de Setembro de 1878, faleceu na mesma cidade, em 20 de Outubro de 1949, aos 71 anos de uma longa vida dedicada ao trabalho construtivo, à prática de atos de bondade consciente e espontânea, como de patriotismo sem alardes.
Foram seus pais Bernardo Diederichsen e D. Ana da Rocha Leão Diederichsen. Casado com D. Maria Eliza Arens Diederichsen, teve os seguintes filhos: Bernardo; Leonor, casada com o Dr. Luiz Dumont Villares; Ernesto George casado com D. Maria Antonieta Ratto Diederichsen, e Martha, casada com o Dr. Erico João Siriuba Stickel. Seu pai, dono, com seu cunhado, da Fazenda Morumbi, situada nos arredores de São Paulo, onde se produzia chá, vinhos e hortaliças, mandou-o estudar na Alemanha. Voltando à sua terra, empregou-se na firma Theodor Wille & Cia. Secção Têxtil, cuja chefia lhe era entregue pouco tempo depois. Sua operosidade, dinamismo, inteligência e lealdade, elevaram-no, em breve, à categoria de sócio e chefe da filial paulista dessa poderosa e conhecida emprêsa.
São múltiplos e notáveis os empreendimentos pessoais de ERNESTO DIEDERICHSEN.
Em 1914 em sociedade com Luiz Trevisioli e Aleardo Borin, fundou uma fábrica de tecidos em Jundiai. Essa fábrica transformou-se no que é hoje a “Argos Industrial S/A” uma das mais pujantes organizações industriais do ramo. Acompanhado por alguns amigos ERNESTO DIEDERICHSEN fundou ainda a “S/A Fiação para Malharia Indiana”, o “Lanifício Argos S/A”, e adquiriu e ampliou a “S/A Cotonificio Adelina”.
Outros setores industriais beneficiaram-se também de sua inteligência criadora e de sua capacidade de organização. Assim. fundou a “Pró-Pecuária, Forragens Equilibradas, Limitada”, a “Indústria e Comércio de Adubos e Forragens ICAF, Ltda”, a “Indústria Brasileira de Óleos Vegetais, Ltda.”; além de indústrias para beneficiamento de fibras nacionais. como o rami, o caroá, indústrias de descaroçamento de algodão; de malharia; de tinturaria e beneficiamento de tecidos; emprêsa de navegação costeira; indústria eletrônica e de construções de máquinas e outras.
Espirito ativo e empreendedor, sempre inclinado a novos cometimentos, ERNESTO DIEDERICHSEN dedicou-se também a atividades imobiliárias, e nesse setor, em companhia do seu genro Luiz Dumont Villares dotou Campos do Jordão de um notável patrimônio, fazendo ali construir o conhecido Hotel Toriba.
Suas maneiras afáveis e sua bondade caracterizavam-se no trato não só com seus auxilares, como também com todos aqueles deparados na trajetória de sua operosa vida, quer ricos ou pobres, potentados ou humildes.
Tinha sempre voltada a sua atenção para o bem estar de todos os empregados de suas indústrias, junto às quais, antes que as leis para tanto obrigassem, fez instalar Creche, Ambulatório, Gabinete Médico, Escola primária, Cinema e Biblioteca.
A entidade que administra esses serviços nas indústrias de Jundiaí, a “Associação dos Empregados da Argos”, é autônoma e dirigida pelos próprios empregados.
Desse modo, ERNESTO DIEDERICHSEN inscreve-se, com justiça, entre aqueles que muito contribuiram para a grandeza Brasil.

E eu completo: Um pioneiro do Terceiro Setor!

é isso, por fernando stickel [ 15:38 ]

stickel e turelli


Meu pai Erico Stickel e o diretor do Colégio Visconde de Porto Seguro, Amilcar Turelli. Os outros não sei quem são.

é isso, por fernando stickel [ 14:50 ]

erico stickel doou ao ieb

ieb
Meus pais Erico e Martha Stickel doaram em 2002 parte importante da biblioteca que meu pai criou durante sua vida de bibliófilo e estudioso da iconografia brasileira. Foram cerca de 4.000 volumes.
A instituição escolhida para a doação foi o Instituto de Estudos Brasileiros da USP – IEB, e a doação ocorreu em 2002, dois anos antes do falecimento do meu pai, em 25/12/2004.

é isso, por fernando stickel [ 8:37 ]

atestado de regularidade

regularidade
Atestado de Regularidade e Aprovação de Contas – Ministério Público do Estado de São Paulo – Curadoria das Fundações – Airton Graziolli – Promotor de Justiça Cível

Obter este certificado significa que desde 1997, quando meu pai Erico me empossou como o responsável pela Fundação Stickel, que está tudo em ordem na minha gestão.

Na verdade está tudo em ordem desde 1954, quando a Fundação foi instituida por meus pais Erico e Martha.

Não é mole manter uma instituição do Terceiro Setor neste padrão. No Brasil de hoje, aliás, não é mole manter qualquer tipo de negócio.

Ano após ano é uma satisfação receber este atestado, principalmente porque quem o assina é o Dr. Airton Graziolli, profissional extremamente competente, reconhecido por toda a comunidade do Terceiro Setor paulista.

é isso, por fernando stickel [ 14:11 ]

sonhei com meu pai

p0rtico
Sonhei que estava com meu pai Erico no pórtico de entrada da casa da família na Rua dos Franceses.
Estávamos de pé, um de frente para o outro, e ele me desabotoava a camisa, num gesto de carinho e intimidade.

é isso, por fernando stickel [ 7:22 ]

casamento martha e erico

cas
Começo do ano é uma época tranquila para os projetos, portanto propícia para limpezas e organizações gerais no escritório.
Decidi abrir caixas de arquivo fechadas há décadas, e começo a descobrir pequenas jóias, como por exemplo o convite de casamento dos meus pais Martha e Erico em 6 Janeiro 1947.
Se meu pai estivesse vivo, aos 96 anos de idade, estaria casado há 69 anos…

con
Após a cerimônia religiosa, recepção na Rua dos Franceses 324 na Bela Vista, a casa onde minha mãe, eu e meus irmãos nasceram, e onde meus pais viveram até o falecimento do meu pai em 2004.
con2
Menu amplo e curioso… A cargo do Automóvel Club de São Paulo.

é isso, por fernando stickel [ 14:36 ]

erico stickel por cerri

erico stickel jovem
Meu pai Erico João Siriuba Stickel. Chuto que ele deveria ter nesta foto no máximo uns 20 anos, cursando direito na USP.

cerri
Fotógrafo Cerri, no Largo do Patriarca. Reparem a beleza do logotipo “Art-deco”

é isso, por fernando stickel [ 16:07 ]

ouro velho

ouro
Mais uma foto antiga encontrada! O endereço do Edifício Siriuba, R. São Francisco 71, escrito pelo meu pai nas costas da foto.
Em destaque a entrada do Restaurante Ouro Velho, com um recepcionista uniformizado.

ouro2
O luminoso, afixado na fachada do prédio.

ouvidor
Este prédio de seis andares e subsolo, sem garagem, foi construido pelo meu pai Erico Stickel no final dos anos 50, na esquina das ruas São Francisco e Ouvidor, no centro de São Paulo, com projeto arquitetonico de Oswaldo Bratke (1907-1997).
Aos sábados de manhã ele me convidava:
– Fernando, vamos ver o “predinho”?
E lá íamos nós ao centro da cidade visitar a obra, o momento culminante era andar no elevador de madeira da obra, eu devia ter 10 ou 11 anos de idade.
O prédio ficou pronto, meu pai se instalou no último andar, o restante do prédio era ocupado pelos escritórios da Argos Industrial do meu tio Ernesto George Diederichsen, cuja sala ficava no quinto andar.
Naquela época o centro da cidade era muito arrumado, ao ponto de meu pai exigir que eu colocasse terno e gravata “para ir ao centro”. Hoje está tudo degradado, sujo, uma tristeza…

ouro-velho
Projetado pelo arquiteto Jacob Ruchti (1917-1974), no subsolo do prédio, com entrada pela Rua do Ouvidor 52, ficava o sofisticado restaurante Ouro Velho, muito conhecido nos anos 60 e 70 pelos almoços de executivos, palco de “power-lunches” e happy-hour. Era pequeno, acolhedor e decorado em estilo Brasil Colônia. Servia pratos clássicos como Chateaubriand e Camarão à Newburg.
As grandes ocasiões da família eram sempre comemoradas lá. O logotipo do restaurante tinha a letra “V” no lugar do “U”.


Mary Wynne, jornalista americana nascida no Texas e trabalhando em São Paulo, tinha uma coluna social no jornal ‘O Estado de S.Paulo’ chamada Carrossel “Mary”-Go-Round iniciada em meados da década de 1950 que durou toda a década de 1960. O texto sobre o Ouro Velho diz:
“Anteontem comecei a minha noite com uma visita ao meu “N.º 1 barman” Fritz no seu novíssimo Ouro Velho, lugar bonitinho e já com as suas novidades. Agora tem música suave e selecionada, “Background music” que não atrapalha a conversa e deixa o ambiente mais alegre.
E também tem ventiladores que continuamente renovam o ar, muito agradavel. Tanto o Fritz como os membros do seu excelente “staff”: o elegante “maitre” Jorge, o “barman” Rocha (que era ajudante do Fritz no Othon), o garção Rudy e o “chef” José Ferreira da Silva estão contentíssimos com o movimento da nova casa.
Este último, que foi treinado pelo “N.° 1 chef” Manolo Rimbau, está obtendo êxitos com seus pratos especiais que incluem “Escalope Parisiense”, “Lobster Newberg”, “Filet Ouro Velho”, “Chicken a la King” e brevemente será iniciado o serviço de “Chicken in the basket”, aquele delicioso frango frito que a gente come na mão.
Na semana que vem já deve ser colocado o lindo luminoso que o Fritz encomendou.”

é isso, por fernando stickel [ 0:26 ]

willy kenzler

willy
Com cerca de 16 anos de idade eu sofria de disturbios gastro-intestinais, tinha muita azia e vivia tomando Sal de Frutas…
Meus pais me levaram ao Instituto de Gastroenterologia (Hospital IGESP) do Dr. José Fernandes Pontes na R. Silvia, e lá, depois de consultas, exames, etc… me foi sugerido participar de uma terapia em grupo com o Dr. Wilhelm Kenzler.

Assim fiz, participei de longas e tediosas sessões, o terapeuta pouco ou nada falava, devolvia as questões ao grupo: “O que vocês acham?”

O curioso é que neste grupo conheci duas pessoas que me foram muito importantes naquele momento, Ricardo Hannud, de quem me tornei amigo, e Maria Alice Kalil, com quem namorei e depois me casei.

Por acidente, encontrei o perfil do Dr. Willy no site dos ex-alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro, e me lembrei que meu pai Erico Stickel me contou certa feita que tinha patrocinado os estudos do Dr. Willy na Alemanha.

Do site dos Ex-alunos – Destaques
Wilhelm Kenzler (setembro/2013)
 
Descrever a vida de Wilhelm (Willy) Kenzler (1933-2012) com palavras não é tarefa simples.  Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo em 1957, Willy segue para a Alemanha, onde faz o seu Doutorado em Gastroenterologia na Universidade de Erlangen. Ainda na Alemanha, entra em contato com a Medicina Psicossomática, o que muda o seu rumo acadêmico: ele passa a dedicar-se à Psicanálise. Como médico no Brasil, encontra a Antroposofia e torna-se membro fundador da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica. Fundou o programa inédito de ensino da Medicina na Faculdade de Medicina Santo Amaro, atual UNISA, incluindo assuntos da Psicologia Médica nos seis anos do currículo, sempre com o olhar para a humanização da Medicina. Ali atuou por 38 anos! Mas, além de médico, psicoterapeuta e professor universitário, Willy é também um amante da arte: produz inúmeros poemas, pinturas e esculturas.

Durante toda sua vida, Willy Kenzler atribuiu muito de seu sucesso profissional e social ao legado recebido do Colégio Visconde de Porto Seguro. Em 2006, expressou a sua gratidão e o seu carinho pela Instituição em um depoimento publicado no Anuário daquele ano:

“Entrei no Colégio (Deutsche Schule) em 1939, ele ficava na Praça Roosevelt. Nessa época, havia uma escola popular, bem mais barata. Era talvez um embrião do que é hoje a Escola da Comunidade, mas era direcionada à colônia de imigrantes alemães.

Meu pai tinha uma oficina chamada Oficina Eletromecânica Alemã e morávamos atrás dela, em uma espécie de cortiço. Éramos muito pobres, por isso fui estudar nessa escola mais barata.

Com a Guerra, o colégio popular foi fechado e fui estudar com os alunos mais ricos. Foi um choque. Meus colegas iam de Cadillac, e o meu me levava de motoneta. Fiquei no Colégio, pois era ótimo aluno, os professores tinham orgulho de mim. Meu pai morreu quando eu tinha 15 anos e ganhei uma bolsa integral no Porto, para concluir os meus estudos. Entrei em Medicina na USP. Depois de formado, fiz pós-graduação na Europa. Quando voltei, Dr. Turelli, meu tutor paternal, me convidou para ser médico do Porto, então trabalhei no Colégio por um tempo. Sempre tive uma forte ligação com a Escola.

Ainda estudante, fui uma espécie de diretor de natação. Fomos campeões muitas vezes. Quando eu estava no 2º ano do Ensino Médio (antigo 2º colegial), levei uma turma para competir com um clube de Marília, no interior do estado. Fomos recebidos pelo prefeito, que me entregou a bandeira da cidade, pois eu era o representante do Porto… aos 16 anos! Que confiança! Virei adulto.

Quando saí do Colégio, fundei a Associação dos Ex-alunos.  Promovíamos bailes, conferências, concertos.

Graças ao Porto Seguro, eu cresci e saí da classe operária. Mudou minha vida profundamente, tanto cultural como economicamente. Dei um salto evolutivo. Sou conselheiro vitalício da Fundação Visconde de Porto Seguro, com orgulho e gratidão. Sou médico, terapeuta e professor universitário graças à oportunidade e apoio do meu Porto Seguro.”

é isso, por fernando stickel [ 16:33 ]

pai herói

jk
Por conta desta foto do pai dos meus amigos José e Roberto Rodrigo Octavio, publicada no Facebook lembrei do meu pai, Erico João Siriuba Stickel em circunstâncias bem interessantes!

Nas férias de Julho lá nos anos sessenta meu pai enfiou cinco moleques, entre 11 e 17 anos, em seu Alfa-Romeo JK e fomos para Minas Gerais! Infelizmente não tenho fotos desta viagem.

Se bem me lembro foram nesta viagem, além do meu pai ao volante o meu primo Bernardo, meu irmão Neco, meu amigo Klaus e o meu primo Renato (Pimp’s) O carro tinha banco inteiriço na frente, por isso cabiam três na frente e três atrás.

Lá no meio do sertão de lugar nenhum, final da tarde, envoltos em densas nuvens de poeira, encontramos uma pousada, se é que poderia ser denominada assim, os quartos estavam fechados, sem uso, ao serem abertos estavam totalmente empoeirados, parecia cena de filme.

Meu pai perguntou se teríamos algo para comer, diante da afirmativa sentamos e meu pai perguntou a cada um o que queria, acho que o máximo que o local poderia nos servir era um sanduiche de pão com mortadela e tubaína.

Naquela situação de penúria o Renato pediu: Tio Erico, quero melão com presunto!!!!

Situação digna de pai herói!!!

é isso, por fernando stickel [ 10:56 ]