Na igreja do Carmo em Salvador, BA.
Pequena observação sobre minha relação com igrejas, conventos, claustros, etc…
Na minha adolescência meus pais viajavam com regularidade à Europa nas férias de verão, com a família toda, principalmente à Itália.
Muito zelosos da cultura, meus pais faziam questão de visitar igrejas, catedrais e museus de arte sacra. Naquela época, no inverno, estes locais eram gelados, escuros, soturnos (para não dizer aterradores) e cheiravam mal.
Meus pais, muito cultos, faziam questão de detalhar as características de cada edifício, quem projetou, quem fez as esculturas, as pinturas, portões, pias batismais, etc… Nomes como Bernini, Giotto, Raphael, Michelangelo, Piero da Francesca eram do cardápio diário.
É óbvio que eu estava mais interessado na Ferrari estacionada na esquina, nas confeitarias “MOTTA” ou no parque de diversões, mas estas sofisticações da psicologia moderna não haviam ainda chegado (estávamos em 1962…)
O resultado foi que criei profunda aversão a tudo isso, e que agora, passados 40 e tantos anos, levantado o longo e pesado véu da erudição, posso voltar a reencontrá-la, numa boa, na Bahia.
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