Margarete, minha fisioterapeuta, me indicou um otorrinolaringologista especializado em labirintite, conhecido por fazer uma manobra que elimina as tonturas.
Muito bem. Marquei uma hora e lá fui hoje.
Contei a ele do acidente, ele me fez diversas perguntas, como se manifesta a tontura, em quais posições, qual a duração, etc…
Depois tomou um modelo em plástico do ouvido, cerca de três vezes maior que o natural, vi na etiqueta que era “made in Germany”, e me explicou o funcionamento do labirinto e o que provavelmente aconteceu no meu acidente, que tem o nome meio esquisito de Vertigem Postural Paroxistica Benigna, ou VPPB
É impossível não se maravilhar com a engenharia de altíssima precisão do corpo humano…
Em seguida fez um exame clinico para comprovar sua teoria, e complementou a sessão com a manobra destinada a reequilibrar o sistema.
Vamos aguardar 48 horas para confirmar o sucesso da operação.
Estou me sentindo bem.
Arquivo: fevereiro de 2014
27 de fevereiro de 2014
manobra
é isso, por fernando stickel [ 0:19 ]
24 de fevereiro de 2014
melhora?
Hoje cedo, quatro semanas e dois dias após o acidente ligo para o meu clínico e digo que a tontura da labirintite piorou muito. Ele me prescreve aumento da dose do Labirin, e assim faço.
À tarde decido ir ao escritório, mesmo sofrendo das tonturas e da “neblina mental”, que para mim é pior que as tonturas, é um estado semi-zumbi, onde você é incapaz de se concentrar em nada, a visão também é afetada, difícil focar, difícil resolver qualquer coisa que não seja banal.
Ao final da tarde começo a sentir ligeira melhora, e agora, quase meia-noite me deitei (sem tontura) e percebi que estou me sentindo bem, com a mente afiada, ao ponto de levantar da cama (sem tontura) para escrever estas linhas.
Vamos ver como estarei amanhã cedo.
é isso, por fernando stickel [ 23:55 ]
20 de fevereiro de 2014
a vida por uma fresta
Vocês já tiveram labirintite? É chato paca!!!!
A tontura começou dois ou três dias depois do acidente, durante a noite, depois ficou me acompanhando no ritmo vai e volta, mais leve, mais forte, e foi piorando até que voltei ao Einstein para examiná-la.
Entrei no PA (Pronto Atendimento) por volta das 11:00h, depois das burocracias fui colocado em um pequeno consultório onde fui atendido por um clínico que me fez perguntas e testes neurológicos, depois conversou com o meu médico particular.
Desconfiavam de possível lesão nas artérias que passam pelo pescoço, e indicaram uma ressonância magnética do crânio. A enfermeira pediu para me deitar na maca, fez um eletrocardiograma e depois informou que o horário previsto para a ressonância seria 21:30h!!! Seguiu-se o diálogo:
– 21:30!!!??? Ok, vou para casa e volto mais tarde.
– Não vai poder sair… O médico pediu para o Sr. ficar aqui em observação, vamos ligá-lo ao monitor.
– Nossa! Pra que??
– É o procedimento.
Em seguida me empurraram na maca para um espaço fechado por cortinas. Lá passei das 11:30 até cerca de 18:00h, deitado, cheio de fios, quando me levaram com maca e tudo para a ressonância.
A vida passou pela minha frente nesta tarde por uma estreita visão na fresta da cortina, vultos que passam, conversas entrecortadas, comentários, barulhos e cheiros… Você se sente cuidado, sim, mas miserável na sua imobilidade e tontura. Dormi um pouco, almocei, e mais tarde tomei um lanche.
Ao final do exame a médica me informa que não há dano nas artérias, e que a tontura foi diagnosticada como labirintite. Finalmente quase 22:00h sou liberado!
A labirintite tem várias causas, no meu caso acho que foi o impacto da queda de motocicleta, e o resultante stress.
é isso, por fernando stickel [ 17:02 ]
17 de fevereiro de 2014
anatomia de um(ns) acidente(s)
Anatomia de um(ns) acidente(s)
No sábado 15/2/2014 completaram-se três semanas do meu acidente de motocicleta. A inatividade forçada dos primeiros dias, mais o susto, mais a ida e vinda ao hospital e médicos para consultas, exames e curativos, mais várias conversas com motoristas de taxi, e mais várias outras coisas impalpáveis acabaram por me lançar na procura de uma luz sobre o acontecido.
Na busca por clareza acabei por me lembrar de vários outros acidentes que sofri ao longo da vida. Mais ou menos graves, os que ficaram na memória:
CAVALO
– Caí do cavalo, galopando na curva da casa do Fritz em Campos do Jordão – 1960 – Ralados gerais
BICICLETA
– Em corrida de bicicleta no Brooklin, atropelei pedestre – 1962 – Ralados gerais
– Caí sozinho andando sem mão em Sutton Place, New York – 1985 – Fratura da rótula esquerda
– Caí em Campos do Jordão, rebocado no caminho do Hotel Toriba – 1987 – Ralados graves gerais
– Caí na Faria Lima, consequência de corrente quebrada, – 2003 – Joelho ralado
– Fui atropelado por motoboy na Faria Lima – 2005 – Ralados gerais
– Caí sozinho, andando sem mão no Ibirapuera – 2009 – Ralados gerais
MOTOCICLETA
– Derrapei com a Leonette no paralelepípedo molhado da Al. Casabranca – 1964 – Ralados gerais
– Caí com Lambretta, carregando ferro de construção na R. Fradique Coutinho – 1978 – Corte no pé direito, ralados gerais
– Caí na garagem do prédio, com o portão automático fechando na minha cabeça – 2011 – Ralados gerais, câmera fotográfica quebrada
– Colisão com Fiat Siena na Cardeal Arcoverde – 2014 – Duas costelas e duas vértebras quebradas, ralados gerais, câmera fotográfica quebrada
CARRO
– Capotei o Fusca 68 na Rio-Bahia – 1969 – Corte no supercilio
– Engavetamento com a Variant amarela na Via Anchieta – 1978 – Sem danos pessoais
– Fui abalroado por não me lembro quem no Volvo na esquina da Ribeirão Claro com Helio Pellegrino – 2006 – Sem danos pessoais
– Um Honda CRV me pegou no Porsche Boxster S na esquina da Helio Pellegrino com Diogo Jacome – 2012 – Sem danos pessoais
É interessante notar que com exceção da queda do cavalo, nenhum dos acidentes se deu por excesso de velocidade, algo de que sempre fui acusado pela família, e que acabou por gerar um estigma: “O Fernando corre muito!!!”
Outra coisa digna de nota é que os danos pessoais sempre foram comigo mesmo, o único terceiro que ficou machucado foi o motoboy que me atropelou.
Houveram inúmeros outros acidentes de menor porte, como esbarrões e pequenas colisões no trânsito infernal de São Paulo, até contra coluna de garagem já esbarrei… mas estes não contam.
Através dos anos aprendi a trafegar cada vez com mais calma e mais atenção, e a quantidade de pequenas colisões e esbarrões diminuiu drasticamente. Na média, considerando todos os acidentes acima, foi um a cada 3,6 anos…
é isso, por fernando stickel [ 9:32 ]
12 de fevereiro de 2014
kapara
Uma amiga me disse que o meu acidente de motocicleta BMW poderia ser interpretado com um palavra em hebraico: KAPARA
Fui pesquisar.
Kapara
Hebrew word that means “atonement”. Used by religious Jews to let things roll off one’s shoulders. Based on the belief that a bit of pain gives atonement for one’s small sins.
Don’t worry for what happened. Kapara!
atonement n (amends) indenização, compensação sf
atonement n Cristianismo: redenção sf expiação sf
Explanation:
The word is spelt: Kaf Peh Resh Heh. The literal meaning of the word is expiation or atonement (as in Yom Kipur, Day of Atonement). Also, pardon, forgiveness, indulgence, expiation, propitiation, and absolution.
Expiar um pecado
A expressão redenção, origina-se do ato de soltura de um escravo, que ocorria no primeiro século, mediante o pagamento de um preço. A palavra foi emprestada pelos cristãos da igreja primitiva para designar a libertação da escravidão do pecado por meio da obra redentora de Jesus Cristo.
Pequenos pecados, small redemption?
Se há expiação, houve pecado?
Follows impeccable behavior (minha observação)
The Hebrew language does not contain the concept of kaparah for a sin, but rather only kaparah for a soul. Kaparah is ransom for a soul, a replacement for death.
The word “kaparot” is plural for the Hebrew word “kapara,” which roughly translates in English as atonement. But the meaning of “kapara” is complex, implying an exchange of a sort. In the Kaparot ritual, this exchange takes the form of a chicken. This chicken is meant to absorb all the sins of the person who is performing the Kaparot ritual, and is then given as charity to a poor family—transforming sin into good deeds.
It is mostly the ultra-Orthodox who perform the Kaparot ritual with a chicken. More moderate Orthodox people usually perform the ritual with money instead, with the same result—the money is given to charity.
A verdade é que sempre estamos “pagando alguma”…
Não existe comportamento impecável, mesmo involuntáriamente somos grosseiros aqui, injustos ali e alheios acolá. É da natureza humana. Isto sem falar em maldade!
Quem briga muito paga o preço, quem se isola também.
Os pecados estão distribuídos por toda a humanidade, uns com mais daquele, outro com menos daqueloutro. E todos pagam, de um jeito ou de outro.
Acho que tudo está conectado em um sistema universal de pesos e contra-pesos, e quando as imperfeições no sistema dão origem a um acúmulo de tensões ocorrem rupturas. Estas rupturas serão maiores ou menores, mais ou menos doloridas, algumas até passam desapercebidas…
O meu acidente foi uma ruptura, e paguei barato! Kapara!
é isso, por fernando stickel [ 7:44 ]
5 de fevereiro de 2014
edifício poema
Na esquina das ruas José Maria Lisboa com Capitão Pinto Ferreira fica o “Edifício Poema”, simpático predinho de 6 andares, construído em 1954, ano do Quarto Centenário de São Paulo.
No segundo andar moravam meus avós paternos, Arthur e Erna. Vez por outra meus pais iam visitá-los comigo e meus irmãos. Nós os netos nos sentávamos educadamente na mesa para um lanche de biscoitos ou bolo com suco. Em uma das portas da garagem que dava para a rua morava o Dodge “Fluid Drive” 1946 do meu avô.
Quando meu avô faleceu em 1967, fui ao apartamento, ele estava deitado na cama, vestido para o funeral, com aquele pano amarrado na cabeça segurando a mandíbula. Fiquei chocado, acho que foi a primeira vez na vida que vi um cadáver, eu tinha 19 anos.
Me impressionou a ausência de sua monumental barriga, meu avô foi “forte” a vida toda, e lá estava ele magro e morto.
Acho que nunca mais voltei ao apartamento, pouco tempo depois minha avó faleceu.
é isso, por fernando stickel [ 8:05 ]
3 de fevereiro de 2014
stickel na hoc die design
São Paulo é cheia de belezas e charmes escondidos, este é um deles:
Na R. Peixoto Gomide 1887, entre a Barão de Capanema e a Oscar Freire situa-se a simpaticíssima loja HocDie Design, Tel (11)3088 6141 hocdiedesign@uol.com.br
Em frente à loja uma das árvores mais bonitas dos Jardins! Embaixo da árvore, na calçada, os proprietários Patricia Fernandes e Nelson Schiesari colocam um banco, onde os clientes são convidados a se sentarem, são fotografados e passam a fazer parte da coleção Hoc Die no Instagram.
A loja tem também uma página no Facebook.
O mais interessante é que fui convidado a colocar algumas fotos da minha série “Vila Olímpia” na loja, e elas estão à venda!! Veja as fotos no Flickr.
é isso, por fernando stickel [ 17:58 ]
3 de fevereiro de 2014
Uma semana após meu acidente de motocicleta com a BMW F800 GS posso dizer que a rotina de vida já voltou praticamente ao normal. Vamos entender esta “normalidade”:
– Não estou fazendo atividades físicas, apenas caminhadas bem curtas.
– Não estou dirigindo carro, nem moto…
– Estou dormindo razoavelmente bem, as dores controladas com remédios.
– Consulta a médicos, exames de imagem, sessões de gelo no ombro direito, visita ao Einstein para curativos a cada dois dias, preenchimento de Boletim de Ocorrência Eletrônico na Internet (funciona!!!), acompanhamento do processo de sinistro da seguradora pela Internet (também funciona!!!!) e uma natural diminuição do ritmo de trabalho pedem ajustes na agenda.
– Entrar e sair do carro é o momento mais crítico para as dores lombares.
– Só ando de havaiana, o pé direito ainda muito inchado. Estou usando um colete.
Por outro lado,
– Sentar ao computador, falar no telefone e participar de reuniões, normal.
– Ontem fomos ao restaurante, à Pracinha com meu neto Samuel e ao cinema, tudo sem problema.