{"id":9318,"date":"2009-04-08T12:28:21","date_gmt":"2009-04-08T15:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/?p=9318"},"modified":"2009-09-02T10:39:48","modified_gmt":"2009-09-02T13:39:48","slug":"raul-marinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/sabedorias\/9318","title":{"rendered":"raul marinho"},"content":{"rendered":"<p>Interessant\u00edssimo o coment\u00e1rio do Raul Marinho ao meu post sobre sustentabilidade a\u00ed em baixo.<br \/>\nEm seu <a href=\"http:\/\/raulmarinhog.wordpress.com\/2008\/10\/15\/quem-sabe-sabe\/\">blog<\/a>, Raul publica este texto, abordando aspectos presentes no meu post, que reproduzo integralmente:<\/p>\n<p>&#8220;A (des)vantagem do ego\u00edsmo<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea saiu para jantar com o pessoal do escrit\u00f3rio, todas as 100 pessoas do seu departamento. Voc\u00ea est\u00e1 numa fase complicada de dinheiro, mas\u2026 Como a conta vai ser dividida por igual, por que n\u00e3o pedir lagosta? Se todo o resto do departamento pedir fil\u00e9 com fritas que custa 10 reais e voc\u00ea pedir a lagosta de 40 reais, todos pagar\u00e3o R$10,30. Sua vantagem ent\u00e3o ser\u00e1 de R$29,70, contra um acr\u00e9scimo de m\u00f3dicos R$0,30 para cada um dos outros colegas. Genial, n\u00e3o? Sim, se n\u00e3o fosse pelo fato de todos os outros pensarem de maneira an\u00e1loga e todo mundo pedir os pratos mais caros do card\u00e1pio \u2013 at\u00e9 quem realmente gostaria de comer um simples fil\u00e9 com fritas pediria um prato caro para n\u00e3o ficar em desvantagem frente aos demais. No final, todo mundo vai pagar uma conta salgada. O que aconteceu nesse jantar hipot\u00e9tico ficou conhecido como a Trag\u00e9dia dos Comuns, uma outra aplica\u00e7\u00e3o da Teoria dos Jogos.?<br \/>\nA Trag\u00e9dia dos Comuns \u00e9 uma esp\u00e9cie de Dilema do Prisioneiro com um grande n\u00famero de participantes. A deser\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo em particular afeta muito pouco o restante da coletividade, mas traz grandes vantagens para o desertor. Mas \u00e9 justamente a\u00ed que est\u00e1 o problema: como cada um pensa que sua pr\u00f3pria deser\u00e7\u00e3o tem pouco significado, todo mundo tende a desertar, o que faz com que a massa de pessoas desertando influencie significativamente o resultado de todo o grupo. No fim das contas, acontece o equil\u00edbrio do sistema na situa\u00e7\u00e3o em que todos desertam, de forma muito semelhante ao Dilema do Prisioneiro.<br \/>\n?Na verdade, a Trag\u00e9dia dos Comuns \u00e9 um fen\u00f4meno percebido e estudado muito antes do aparecimento da Teoria dos Jogos. Na Europa da Idade M\u00e9dia, havia muita terra sem um dono espec\u00edfico, onde os pastores podiam criar seu rebanho livremente. Seria vantajoso para cada pastor sempre aumentar uma cabe\u00e7a de gado no seu plantel. Acontece que, se todos agissem assim, em pouco tempo o pasto comum estaria superpovoado e todos sairiam prejudicados. Na Inglaterra medieval existiam leis para regular a quantidade de cabe\u00e7as que cada pastor poderia cuidar nas propriedades comuns justamente para evitar que a coletividade sa\u00edsse perdendo.?<br \/>\nHoje em dia, podemos perceber v\u00e1rias Trag\u00e9dias dos Comuns acontecendo \u00e0 nossa volta. Um bom exemplo pode ser visto no tr\u00e2nsito das grandes cidades. Repare nos autom\u00f3veis na rua: a grande maioria deles tem um \u00fanico ocupante. Todos sabem que o tr\u00e2nsito poderia ser muito melhor se as pessoas se organizassem de modo a andar com tr\u00eas ou quatro pessoas por carro. Mas, por outro lado, tamb\u00e9m existe a sensa\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o \u00e9 o meu carro que est\u00e1 fazendo com que o tr\u00e2nsito fique t\u00e3o engarrafado\u201d. Pois \u00e9, a culpa \u00e9 sempre dos outros\u2026<br \/>\n?Para evitar a trag\u00e9dia dos comuns, existem duas op\u00e7\u00f5es: ou o Estado cria mecanismos legais para coibir determinadas pr\u00e1ticas \u2013 como acontecia na Inglaterra da Idade M\u00e9dia; ou a pr\u00f3pria comunidade cria mecanismos de autodefesa. Cada vez mais, a segunda op\u00e7\u00e3o tem sido utilizada. Os \u201cG\u00e9rsons\u201d n\u00e3o s\u00e3o exclusividade brasileira e o mundo todo tem adotado pr\u00e1ticas auto-reguladoras. Em um mundo com recursos naturais cada vez mais escassos, mecanismos anti-Trag\u00e9dia dos Comuns t\u00eam sido particularmente necess\u00e1rios para impedir que n\u00f3s destruamos o planeta.<br \/>\nO Protocolo de Kyoto \u00e9, no fundo, um mecanismo criado para evitar uma Trag\u00e9dia dos Comuns ambiental. A n\u00e3o ades\u00e3o dos Estados Unidos ao Protocolo seria equivalente \u00e0 pessoa que pede lagosta no restaurante quando todos pedem fil\u00e9 com fritas \u2013 com o fator agravante do peso da deser\u00e7\u00e3o americana ser desproporcionalmente grande.<br \/>\nSeria muito diferente se, por exemplo, o Uruguai n\u00e3o aderisse ao Protocolo.?Segundo os estudiosos das estrat\u00e9gias utilizadas em Teoria dos Jogos, a \u00fanica forma de derrotar um jogador que adote a estrat\u00e9gia do \u201cdeserte sempre\u201d \u00e9 o ostracismo: n\u00e3o jogar com quem adota este tipo de estrat\u00e9gia. Mas como condenar o pa\u00eds mais rico e influente do planeta ao ostracismo? Isto \u00e9 imposs\u00edvel e os Estados Unidos sabem disto. Justamente por isto que eles adotam a postura do \u201cdeserte sempre\u201d. \u00c9 uma decis\u00e3o racional dos Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 justa, mas \u00e9 racional.<br \/>\nA prop\u00f3sito: se algu\u00e9m lhe disse que o mundo \u00e9 justo, sinto muito, mas voc\u00ea foi enganado.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interessant\u00edssimo o coment\u00e1rio do Raul Marinho ao meu post sobre sustentabilidade a\u00ed em baixo. Em seu blog, Raul publica este texto, abordando aspectos presentes no meu post, que reproduzo integralmente: &#8220;A (des)vantagem do ego\u00edsmo Imagine que voc\u00ea saiu para jantar com o pessoal do escrit\u00f3rio, todas as 100 pessoas do seu departamento. 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