{"id":5863,"date":"2008-11-10T15:06:36","date_gmt":"2008-11-10T17:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/?p=5863"},"modified":"2009-11-03T11:08:54","modified_gmt":"2009-11-03T13:08:54","slug":"bienal-do-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/arte\/5863","title":{"rendered":"bienal do vazio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/tob1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/tob1.jpg\" alt=\"\" title=\"tob1\" width=\"680\" height=\"510\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5866\" \/><\/a><br \/>\nA fila para andar de tobog\u00e3.<\/p>\n<p>Mais Bienal do Vazio, transcrevo abaixo artigo de Jorge Coli na Folha de S\u00e3o Paulo 09\/11\/2008<\/p>\n<p>&#8220;O t\u00edtulo deste \u201cPonto de fuga\u201d est\u00e1 na coluna de <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20081031\/not_imp269905,0.php\">Barbara Gancia &#8211; Esta Bienal&#8230; reflete a arte contempor\u00e2nea?<\/a> Um artigo que lavou a alma. Enfim, algu\u00e9m berrou: \u201cO rei est\u00e1 nu\u201d.<br \/>\nOu melhor: a Bienal de S\u00e3o Paulo est\u00e1 vazia. Vazia. Sem floreios ou firulas: vazia, irremediavelmente vazia, pat\u00e9ticamente vazia. Vazia de obras, de id\u00e9ias, de vergonha.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 gesto art\u00edstico: Yves Klein [1928-62] pintou de branco a galeria Iris Klert, em Paris, e exp\u00f4s o vazio, provocando filas de gente querendo entrar para ver o que n\u00e3o havia.<br \/>\nIsso em 1958. Cinq\u00fcenta anos depois, est\u00e1 l\u00e1, no pavilh\u00e3o do Ibirapuera, o cavo, o inane, o chocho.<br \/>\nN\u00e3o adianta vir com hist\u00f3ria de que essa Bienal causa \u201cpol\u00eamica\u201d, palavra hedionda porque reduz argumentos e debates a um espet\u00e1culo de circo. N\u00e3o pode haver \u201cpol\u00eamica\u201d com alguma coisa que se situa entre o simpl\u00f3rio e o safado. N\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel contemporizar, dizendo que a arquitetura do Niemeyer ficou vis\u00edvel, patati e patat\u00e1.<br \/>\nNem que houve semin\u00e1rios, confer\u00eancias e quejandos: a Bienal de S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 academia ou universidade. Existe para mostrar arte recente.<br \/>\nNem que ela \u201cquestiona\u201d a produ\u00e7\u00e3o de hoje ou a natureza das pr\u00f3prias bienais. Questiona nada, porque \u00e9 um nada.<br \/>\nO que ela traz, sem querer, n\u00e3o \u00e9 art\u00edstico ou est\u00e9tico, \u00e9 \u00e9tico. Aracy Amaral, com sua serenidade de s\u00e1bia, tocou num nervo exposto, declarando \u00e0 Folha: \u201cExiste uma produ\u00e7\u00e3o nacional muito vigorosa que n\u00e3o est\u00e1 aqui e poderia\u201d.<br \/>\nBasta comparar a atual Bienal de S\u00e3o Paulo com as \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.<br \/>\nL\u00e1, as mostras, nacionais e internacionais, s\u00e3o vivas, agudas, brilhantes.<br \/>\nParquinho<br \/>\nNo segundo andar da Bienal n\u00e3o h\u00e1 nada. Literalmente. No primeiro, algumas obras minguadas. Entre elas, um escorregador, de Carsten H\u00f6ller. Escorregador mesmo.<br \/>\nNa Tate Modern, de Londres, h\u00e1 dois anos, eram cinco. Aqui \u00e9 um s\u00f3, perdido no des\u00e2nimo.<br \/>\nSe \u00e9 para perturbar a seriedade sagrada dos lugares reservados \u00e0s artes, uma sugest\u00e3o: instalar a pr\u00f3xima bienal no Playcenter. Tanya Barson, da Tate Modern (Londres), que lamentou, na Folha, ter voado 14 horas para ver a Bienal do Vazio, poderia ao menos se divertir na montanha-russa, no chap\u00e9u mexicano.<br \/>\nCharabi\u00e1<br \/>\nComo muitas pessoas s\u00e3o fascinadas por aquilo que n\u00e3o conseguem entender, a cr\u00edtica e a teoria das artes abusam.<br \/>\nJonathan Shaughnessy sobre Carsten H\u00f6ller: \u201cEsses objetos tentam ao mesmo tempo embrulhar e revelar os sentidos a fim de que inibam a subjetividade e o sentimento de si ao inv\u00e9s de favorec\u00ea-los\u201d. Tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: depois de escorregar no tobog\u00e3 a gente fica tonto.<br \/>\nCoron\u00e9is<br \/>\nUm problema de certas institui\u00e7\u00f5es brasileiras voltadas para a arte e para a cultura \u00e9 que se acham nas m\u00e3os de rica\u00e7os.<br \/>\nNos EUA, contribui\u00e7\u00f5es v\u00e3o para o MoMA ou a Metropolitan Opera. Uma dire\u00e7\u00e3o especializada decide o destino das verbas. Aqui, quem tem dinheiro mete o bedelho. Os resultados s\u00e3o desastrosos. Sem contar a freq\u00fc\u00eancia com que dinheirama e falcatrua se tornam s\u00f3cias.<br \/>\nIlustra\u00e7\u00e3o evidente, o caso de Edemar Cid Ferreira. Chegou a ser mais poderoso do que o ministro da Cultura no Brasil e acabou na cadeia.<br \/>\nTristes fraquezas pressupostas naquele latim: \u201cSic transit gloria mundi\u201d, ou seja, uma hora por cima, outra hora por baixo. Edemar Cid Ferreira vivia circundado por uma corte de intelectuais que se agitava ao seu servi\u00e7o. Que se escafedeu ao sentir o cheiro de queimado.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fila para andar de tobog\u00e3. Mais Bienal do Vazio, transcrevo abaixo artigo de Jorge Coli na Folha de S\u00e3o Paulo 09\/11\/2008 &#8220;O t\u00edtulo deste \u201cPonto de fuga\u201d est\u00e1 na coluna de Barbara Gancia &#8211; Esta Bienal&#8230; reflete a arte contempor\u00e2nea? Um artigo que lavou a alma. 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