{"id":5821,"date":"2008-11-09T15:58:09","date_gmt":"2008-11-09T17:58:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/?p=5821"},"modified":"2009-11-03T11:07:41","modified_gmt":"2009-11-03T13:07:41","slug":"bienal-sem-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/arte\/5821","title":{"rendered":"bienal sem vergonha"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/vaz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/vaz.jpg\" alt=\"\" title=\"vaz\" width=\"680\" height=\"510\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5828\" \/><\/a><br \/>\nTomei coragem, minha mulher foi fazer algo mais interessante e eu fui visitar a &#8220;bienal do vazio&#8221; neste domingo quente, duas da tarde e Parque do Ibirapuera lotado.<\/p>\n<p>Descobri que, al\u00e9m de ser p\u00e9ssima, a <a href=\"http:\/\/www.28bienalsaopaulo.org.br\/\">28\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo<\/a> presta um desservi\u00e7o \u00e0 ARTE, nivelando-a por baixo, favelizando-a.<br \/>\nPregui\u00e7a, empulha\u00e7\u00e3o, sem-vergonhice, cara-de-pau, engana\u00e7\u00e3o, vigarice, glorifica\u00e7\u00e3o do n\u00e3o-trabalho, tudo isso me veio \u00e0 mente enquanto caminhava r\u00e1pidamente por TR\u00caS andares vazios.<br \/>\nVazios de vontade, vazios de tes\u00e3o, vazios de boas id\u00e9ias, vazios de emo\u00e7\u00e3o, vazios de beleza, vazios de excita\u00e7\u00e3o, vazios de capricho, vazios de tudo.<br \/>\nNem mesmo conseguiram organizar decentemente a entrada e a sa\u00edda dos visitantes.<\/p>\n<p>Seu slogan &#8220;em vivo contato&#8221; est\u00e1 mais para &#8220;melanc\u00f3licamente desconectada&#8221;<\/p>\n<p>Reproduzo abaixo na \u00edntegra o artigo de Mauro Chaves, publicado no Estad\u00e3o de ontem com o qual concordo em g\u00eanero, n\u00famero e grau:<\/p>\n<p>&#8220;Vazio \u00e9 o dos gigol\u00f4s da Arte<\/p>\n<p>A pretensiosa e constrangedora &#8220;Bienal do Vazio&#8221;, em lugar de refletir, criticamente, a vacuidade dos conceitos, caminhos e resultados da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea, no Brasil e no mundo &#8211; como, certamente, imaginam seus petulantes curadores -, n\u00e3o passa de uma tremenda vigarice, destinada a enganar incautos e ignorantes com um bestial\u00f3gico argumentativo que tenta camuflar o profundo vazio mental de seus organizadores. N\u00e3o deixa, por\u00e9m, de refletir dois fen\u00f4menos delet\u00e9rios que se antep\u00f5em \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira &#8211; a qual est\u00e1 bem longe de ser vazia, antes pelo contrario.<br \/>\nO primeiro \u00e9 o da infesta\u00e7\u00e3o dos &#8220;gigol\u00f4s da Arte&#8221;: aqueles que, apropriando-se de institui\u00e7\u00f5es, funda\u00e7\u00f5es e entidades criadas para incentivar o desenvolvimento das Artes no Pa\u00eds, delas procuram tirar indevidos proveitos, tal como fazem os &#8220;cartolas&#8221; do nosso futebol. Eles se penduram nessas institui\u00e7\u00f5es, renovando sistematicamente seus mandatos gra\u00e7as \u00e0 coopta\u00e7\u00e3o de conselheiros &#8211; \u00e0s vezes personalidades respeit\u00e1veis, que se tornam d\u00f3ceis cupinchas. Realizam esp\u00farias transa\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es que dirigem e empresas nas quais t\u00eam interesse privado, seja envolvendo publicidade, opera\u00e7\u00f5es de factoring, de corretagem de seguros e coisas do tipo, em beneficio pr\u00f3prio ou de parentes.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os esc\u00e2ndalos que surgem, quando v\u00eam \u00e0 tona tais indevidas locupleta\u00e7\u00f5es, s\u00f3 podem desprestigiar essas institui\u00e7\u00f5es e espantar o mecenato &#8211; com o qual sempre contaram a Cultura e as Artes, independentemente de incentivos ou ren\u00fancias fiscais. Com a falta de doa\u00e7\u00f5es e a m\u00e1 gest\u00e3o, certamente se agravam as crises financeiras de entidades cujos custos de manuten\u00e7\u00e3o s\u00e3o cronicamente superiores \u00e0s receitas que auferem.<\/p>\n<p>O segundo fen\u00f4meno de emperramento da Arte, no campo espec\u00edfico das artes pl\u00e1sticas, adv\u00e9m da absurda supervaloriza\u00e7\u00e3o de atravessadores culturais, designados por &#8220;curadores&#8221;. Quem s\u00e3o eles? N\u00e3o s\u00e3o cr\u00edticos, mas posam de. N\u00e3o s\u00e3o marchands, mas podem ganhar mais que estes, sem riscos. N\u00e3o s\u00e3o decoradores &#8211; embora \u00e0s vezes a\u00ed esteja o limite de sua contribui\u00e7\u00e3o nas exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na verdade, com as honrosas exce\u00e7\u00f5es de praxe, &#8220;curadores&#8221; s\u00e3o especialistas em juntar o aleat\u00f3rio, camuflando-o de &#8220;coer\u00eancia conceitual&#8221;. Misturam pe\u00e7as e artistas, aos quais atribuem &#8211; em linguagem sempre arrevesada, que os pr\u00f3prios artistas nunca entendem (muito menos o p\u00fablico) &#8211; &#8220;interpreta\u00e7\u00f5es&#8221; que retiram da cabotina cachola, quando n\u00e3o as extraem de leituras pouco assimiladas sobre Hist\u00f3ria da Arte. Exemplo disso \u00e9 o amontoado desconexo de &#8220;explica\u00e7\u00f5es&#8221; sobre a vexaminosa &#8220;Bienal do Vazio&#8221;, em melanc\u00f3lica exposi\u00e7\u00e3o no Ibirapuera. Bastaria mencionar algumas de suas frases: &#8220;Esta Bienal n\u00e3o \u00e9 sobre produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica&#8221;; &#8220;estamos propondo um outro tempo de ver uma exposi\u00e7\u00e3o&#8221;; &#8220;este projeto nunca se colocou como uma nega\u00e7\u00e3o. O vazio se prop\u00f5e como espa\u00e7o de pot\u00eancia, de repensar, entrar o ar&#8221;; &#8220;n\u00e3o haver\u00e1 visitas para escolas. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o toda auto-identific\u00e1vel e auto-explicada&#8221;; &#8220;a gente tinha de vir com um modelo assim mais estranho. A Bienal precisa fazer esta parada&#8221;; &#8220;o modelo de institui\u00e7\u00e3o foi criado a partir do modelo da filantropia americana. Isso n\u00e3o pegou aqui, porque n\u00f3s somos cat\u00f3licos, n\u00e3o protestantes&#8221;; &#8220;o p\u00fablico que vem \u00e0 Bienal \u00e9 o que vai \u00e0 Flip, em Paraty. S\u00e3o os 10% do Brasil, ou seja, uma Su\u00ed\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Citemos, agora, o que disseram dois grandes artistas sobre a &#8220;Bienal do Vazio&#8221;. Escreveu Cacipor\u00e9 Torres, o \u00fanico artista brasileiro vivo que participou da 1.\u00aa Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo. &#8220;Devo o in\u00edcio de minha bem-sucedida carreira art\u00edstica a esta institui\u00e7\u00e3o, pois aos 16 anos enviei trabalhos, que n\u00e3o s\u00f3 foram aceitos como tamb\u00e9m premiados: recebi o pr\u00eamio Viagem \u00e0 Europa, que me proporcionou dois anos de estudo na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia. Tornei-me assim um artista respeitado ainda muito jovem e, depois, participei de outras seis Bienais, tendo sido premiado outras tr\u00eas vezes. Participei tamb\u00e9m das Bienais de Veneza e Paris.(&#8230;) Na \u00e9poca em que comecei a Bienal, criada por iniciativa do memor\u00e1vel Ciccillo Matarazzo, funcionava como um grande sal\u00e3o aberto a todos os artistas que desejassem inscrever seus trabalhos.&#8221; Agora, Cacipor\u00e9 foi procurado por jovens artistas decepcionados e indignados, sem oportunidade de mostrar seus trabalhos &#8211; enquanto a Bienal exibe seu imenso espa\u00e7o vazio de obras e id\u00e9ias.<\/p>\n<p>Escreveu Antonio Henrique Amaral: &#8220;A confusa montagem das obras expostas em meio a tapumes os mais variados, como se fossem divis\u00f3rias, permite ao visitante assistir a diversos v\u00eddeos que desde os anos 60 sempre estavam presentes nas exposi\u00e7\u00f5es como novas m\u00eddias. Hoje, nem tanto. Alguns artistas interessantes s\u00e3o identificados e suas obras ficam perdidas nessa triste e melanc\u00f3lica confus\u00e3o de tapumes de compensados, banquinhos, mesas, muita madeira compensada, de maneira que a gente pensa mesmo que a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de ser finalizada por falta de verba e de planejamento. Uma amostra que pretensiosamente se diz contempor\u00e2nea e express\u00e3o de sofisticado e misterioso conceito que faz uma ?reflex\u00e3o sobre o futuro das megaexposi\u00e7\u00f5es?, mas que reflete apenas a pobreza de conceitos dos seus organizadores. N\u00e3o \u00e9 uma Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo. \u00c9 outra coisa, uma mostra prec\u00e1ria, t\u00edmida, pretensiosa, que empobrece a obra dos artistas participantes e que ignora a obra de um imenso n\u00famero de artistas brasileiros e estrangeiros, que est\u00e3o vivos e atuantes, no Brasil e no exterior, para n\u00e3o falar na aus\u00eancia total de tecnologias aplicadas ao fazer art\u00edstico.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer mais, para mostrar que este \u00e9 o vazio dos gigol\u00f4s da Arte e de seus incur\u00e1veis &#8220;curadores&#8221;? <\/p>\n<p>Mauro Chaves \u00e9 jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor.<br \/>\ne-mail: mauro.chaves@attglobal.net&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomei coragem, minha mulher foi fazer algo mais interessante e eu fui visitar a &#8220;bienal do vazio&#8221; neste domingo quente, duas da tarde e Parque do Ibirapuera lotado. 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