{"id":42758,"date":"2025-11-13T18:24:45","date_gmt":"2025-11-13T21:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/?p=42758"},"modified":"2026-03-11T08:12:16","modified_gmt":"2026-03-11T11:12:16","slug":"42758","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/arte\/42758","title":{"rendered":"arte em pinheiros"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-1.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"513\" class=\"alignleft size-full wp-image-42759\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-1.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-1-150x109.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1980 rec\u00e9m separado da Iris, fui morar no Ed. Ipau\u00e7u, na R. Pinheiros 1076, ao lado do posto de gasolina da Av. Pedroso de Morais.<\/p>\n<p>O apartamento no terceiro andar, de cerca 120 m2, tinha dois quartos com terra\u00e7o e uma boa sala tamb\u00e9m com terra\u00e7o. O pr\u00e9dio era antigo, dos anos 50, amplo e muito gostoso, um quarto para mim e outro para os meus filhos Fernanda, na \u00e9poca com 5 anos e o Antonio com 3. Uma vaga de garagem para o meu VW Passat branco. No pr\u00e9dio n\u00e3o havia porteiro eletr\u00f4nico, ent\u00e3o quando chegava algu\u00e9m eu jogava l\u00e1 de cima a chave embrulhada em uma esponja. Morei neste apartamento at\u00e9 o final de 1983.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-2.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"709\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42764\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-2.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><br \/>\nEu e meus filhos Fernanda e Antonio no terra\u00e7o dos quartos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-3.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"709\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42763\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-3.jpg 550w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-3-116x150.jpg 116w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/p>\n<p>Adaptei a sala para ser um amplo est\u00fadio, e l\u00e1 preparei minha primeira exposi\u00e7\u00e3o individual de desenhos, na extinta Paulo Figueiredo Galeria de Arte, na Rua Dr. Mello Alves 717 casa 1.<br \/>\nCom os trabalhos da exposi\u00e7\u00e3o quase prontos, e ainda sem moldura, pedi ao meu amigo fot\u00f3grafo Arnaldo Pappalardo para fotograf\u00e1-los.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-4.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"476\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42762\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-4.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-4-150x101.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><br \/>\nNo dia das fotos, meu amigo Cassio Michalany (1949-2024) veio participar da sess\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-5.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"429\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42761\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-5.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-5-150x91.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/p>\n<p>O convite da exposi\u00e7\u00e3o \u201cFernando Stickel Desenhos\u201d. A vernissage foi no dia 5 abril 1983 \u00e0s 21:00h. O trabalho reproduzido no convite T\u00edtulo: Audit; T\u00e9cnica mista; Dimens\u00f5es 26 x 182cm.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-6.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"1023\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42760\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-6.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/pf-6-104x150.jpg 104w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/p>\n<p>ARTE<br \/>\nS\u00f3 para os &#8220;happy few&#8221;<br \/>\nDois estilos eficazes, pessoais, exclusivos<br \/>\nMANFREDO DE SOUZA NETO E FERNANDO STICKEL \u2022 Galeria Paulo Figueiredo, S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Dentre todas as \u00e1reas, a de artes pl\u00e1sticas \u00e9 seguramente a que tem um p\u00fablico mais especializado &#8211; e essa tese pode ser provada pela presente exposi\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, a cr\u00edtica, os colecionadores e os habitu\u00e9s do circuito ter\u00e3o grandes prazeres, e muito o que falar, diante dos trabalhos destes dois jovens artistas. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil explic\u00e1-los para o leigo. Que diabos, afinal, querem dizer os compridos desenhos de Fernando Stickel, quase uma tira de papel com formas geom\u00e9tricas simples, aparentemente sem grandes emo\u00e7\u00f5es e nenhum virtuosismo? E qual a &#8220;mensagem&#8221; das pinturas de Manfredo de Souzaneto, que s\u00e3o na verdade montagens de telas de formatos distintos, cada uma recoberta uniformemente com uma cor, e muitas vezes com a moldura e o pr\u00f3prio chassi tornando-se parte do quadro?<br \/>\nDecididamente este texto n\u00e3o ter\u00e1 a pretens\u00e3o de responder com clareza a tais perguntas. Mesmo porque a no\u00e7\u00e3o de &#8220;mensagem&#8221;, na obra de arte contempor\u00e2nea, \u00e9 bem mais complexa do que a de transmiss\u00e3o de um recado que est\u00e1 &#8220;fora&#8221; da obra. Isto \u00e9: a mensagem de um quadro \u00e9 o pr\u00f3prio quadro &#8211; e acabou-se. N\u00e3o interessa tanto se ele mostra um determinado assunto (no caso da arte figurativa) ou se ele extravasa determinadas emo\u00e7\u00f5es (como em certo tipo de abstra\u00e7\u00e3o). O que de fato conta \u00e9 a forma por cujo interm\u00e9dio esse conte\u00fado est\u00e1 expresso. Em est\u00e9tica moderna, ali\u00e1s, pode-se at\u00e9 afirmar que a distin\u00e7\u00e3o entre forma e conte\u00fado \u00e9 uma fal\u00e1cia. Na verdadeira obra de arte, um \u00e9 o outro, interagindo. Esse tipo de elucubra\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e9 inevit\u00e1vel, para legitimar e qualificar o trabalho de Fernando e de Manfredo. Da mesma gera\u00e7\u00e3o (34\/35 anos), ambos com forma\u00e7\u00e3o de arquiteto, e evidentemente atualizados em mat\u00e9ria de contemporaneidade, fazem uma arte consciente de sua fun\u00e7\u00e3o no universo. Tanto Manfredo quanto Fernando come\u00e7am por questionar certos limites at\u00e9 a n\u00edvel t\u00e9cnico. O primeiro \u00e9 apresentado aqui como pintor e o segundo como desenhista. Mas na verdade Manfredo faz objetos que invadem ambiciosamente o espa\u00e7o, exploram o lado reverso da pintura (atrav\u00e9s dos chassis aparentes), n\u00e3o usam a cor como seu maior recurso expressivo e n\u00e3o chegam a ser escult\u00f3ricos. E os desenhos de Fernando s\u00f3 s\u00e3o desenhos porque utilizam o l\u00e1pis &#8211; entre outras t\u00e9cnicas. Em apenas um ou outro caso, o elemento especificamente gr\u00e1fico impera.<br \/>\n\u00c9 claro que o objetivo dos dois artistas n\u00e3o \u00e9 apenas essa discuss\u00e3o formal. No caso de Manfredo &#8211; que tem maior curr\u00edculo e est\u00e1 visivelmente mais maduro -, sua atual fase \u00e9 o leg\u00edtimo ponto de chegada para outras etapas onde o elemento &#8220;extrapict\u00f3rico&#8221; era maior. Mineiro, ele chegou a<br \/>\ndesenhar, numa linguagem semi-abstrata, as montanhas de Minas. Viveu depois na Fran\u00e7a uma fase quase experimentalista e retorna agora a um suporte cl\u00e1ssico &#8211; a tela -, mantendo-se ainda fiel \u00e0s origens (suas tintas s\u00e3o todas feitas com terras, por ele mesmo preparadas). Fernando faz aqui sua primeira individual, com honestidade e garra. O que mais impressiona, em ambos, \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o imediata de acerto, Isto \u00e9: deram um tiro com boa pontaria.<br \/>\nConstru\u00edram uma linguagem bem articulada e eficaz.<br \/>\nCabe a pergunta se vale a pena criar essa linguagem, que seguramente se destina a minorias. Com rara coragem, Manfredo argumenta: &#8220;N\u00e3o creio que a arte possa mudar o mundo. Ela pode, quando muito, colaborar para mudar a cabe\u00e7a de indiv\u00edduos&#8221;. Dependendo do ponto de vista, esta posi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tachada de alienada ou realista. Mas mesmo tal distin\u00e7\u00e3o \u00e9 menos importante do que o fato de que a op\u00e7\u00e3o de Manfredo e Fernando n\u00e3o exclui (pelo contr\u00e1rio: incorpora) a beleza. Por isso, at\u00e9 quando n\u00e3o &#8220;entendida&#8221;, sua obra prova-se capaz de despertar sempre a mesma exclama\u00e7\u00e3o. &#8220;Que bonito!&#8221; E este \u00e9, seguramente, um crit\u00e9rio decisivo de valor. Em vez de discursos, temos a instaura\u00e7\u00e3o de objetos que enriquecem a sensibilidade do indiv\u00edduo. N\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m isso um ato social?<br \/>\nOlivio Tavares de Ara\u00fajo<br \/>\nISTO\u00c9 13\/4\/1983<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio dos anos 1980 rec\u00e9m separado da Iris, fui morar no Ed. Ipau\u00e7u, na R. Pinheiros 1076, ao lado do posto de gasolina da Av. Pedroso de Morais. O apartamento no terceiro andar, de cerca 120 m2, tinha dois quartos com terra\u00e7o e uma boa sala tamb\u00e9m com terra\u00e7o. 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