{"id":42063,"date":"2025-02-01T09:42:44","date_gmt":"2025-02-01T12:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/?p=42063"},"modified":"2025-02-03T11:39:25","modified_gmt":"2025-02-03T14:39:25","slug":"acampamento-paiol-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/3setor\/42063","title":{"rendered":"acampamento paiol grande"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol-grande.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"442\" class=\"alignleft size-full wp-image-42066\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol-grande.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol-grande-150x94.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/p>\n<p>A HIST\u00d3RIA DO <strong><a href=\"https:\/\/paiolgrande.com.br\/#home\">PAIOL GRANDE<\/a><\/strong><a href=\"https:\/\/paiolgrande.com.br\/#home\"><\/a> por Paulo Diederichsen Villares<\/p>\n<p>Como nasceu a id\u00e9ia?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Segunda Guerra Mundial, l\u00e1 pelos anos de 1946, meu pai, Luiz Dumont Villares, foi procurado por um grande amigo seu, o Dr Job Lane, que era dono do Hospital Samaritano em S\u00e3o Paulo. Disse ele \u00e0 meu pai:<\/p>\n<p>\u201cLuiz eu conheci um americano l\u00e1 nos Estados Unidos, que tem um Acampamento de F\u00e9rias para jovens e perdeu seus dois filhos na Guerra. Em homenagem e lembran\u00e7a de esses dois filhos, ele gostaria de tocar um acampamento de f\u00e9rias aqui no Brasil, semelhante ao dele, mas precisa de quem de apoio a ele. Voc\u00ea n\u00e3o gostaria de conhec\u00ea-lo? \u201c<\/p>\n<p>Assim foi que meu pai numa pr\u00f3xima ida sua para os Estados Unidos, convidou o Mr. Donald D. Kennedy para um jantar em Nova Iorque e o di\u00e1logo dos dois foi mais ou menos assim, segundo meu pai:<\/p>\n<p>\u201cMr. Kennedy, o que \u00e9 um acampamento de f\u00e9rias para jovens?\u201c<\/p>\n<p>Mr. Kennedy ent\u00e3o explicou e explicou, contando o que ele e a mulher dele, Harriet, faziam, no chamado \u201cCamp Kieve\u201d, em Vermont. Era uma oportunidade para jovens meninos, entre onze e quinze anos de idade, aprenderem a desfrutar a natureza, a fazer amigos, atrav\u00e9s de muito esporte, num ambiente longe da cidade e longe das \u201csaias das m\u00e3es\u201d.<\/p>\n<p>Meu pai ficou muito impressionado e disse :<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos nada parecido no Brasil\u201d<\/p>\n<p>Mr. Kennedy ent\u00e3o respondeu:<\/p>\n<p>\u201cPorisso mesmo que eu tive a id\u00e9ia de fazer algo semelhante ao que eu tenho aqui, em mem\u00f3ria aos meus filhos que perdi na Guerra\u201d<\/p>\n<p>Meu pai voltou para o Brasil, chamou o Dr. Job Lane e ambos juntos resolveram procurar amigos que topassem a ideia de implantar o primeiro acampamento de f\u00e9rias do Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil reunir um punhado de amigos. O dif\u00edcil foi realizar a tarefa no curto espa\u00e7o de tempo que restava, pois o compromisso de meu pai com o Mr. Kennedy, foi o de ter um acampamento de f\u00e9rias pronto para funcionar no ver\u00e3o de 1947!!<\/p>\n<p>Como foi escolhido o local?<\/p>\n<p>Em 1943, no final da constru\u00e7\u00e3o do Hotel Toriba, em Campos do Jord\u00e3o, que meu pai fazia com meu av\u00f4, Ernesto Diederichsen, o famoso empreiteiro Floriano Pinheiro, que constru\u00eda o Hotel, apresentou a ele o humilde pedreiro, Antonio Cortez que havia acabado de subir a Pedra do B\u00e1u, at\u00e9 ent\u00e3o nunca escalada. Era plena Segunda Guerra, mas meu pai ficou t\u00e3o entusiasmado, aos ter sido levado pelo Antonio, para tamb\u00e9m escalar a Pedra, que resolveu compr\u00e1-la, com id\u00e9ia de fazer uma escada, e mais tarde, l\u00e1 em cima, um abrigo, do tipo dos que existiam no Alpes da Su\u00ed\u00e7a, Pa\u00eds onde havia estudado.<\/p>\n<p>Queria que \u201ctodo o mundo\u201d pudesse escalar a Pedra, afim de desfrutar daquela empolgante natureza.<\/p>\n<p>Foi assim que, anos depois, justamente quando meu pai resolveu levar para a frente a id\u00e9ia do Mr. Kennedy, que o tal abrigo, em cima da Pedra do Ba\u00fa estava sendo feito. E numa ida dele, para ver como andava a constru\u00e7\u00e3o da casinha, em que eu tamb\u00e9m estava presente; l\u00e1 de cima, me lembro do seguinte di\u00e1logo de meu pai com o Antonio Cortez, que n\u00e3o s\u00f3 havia colocado as escadas e os degraus, mas estava tamb\u00e9m construindo a casinha. Disse ele:<\/p>\n<p>\u201cAntonio, presta bem aten\u00e7\u00e3o. Eu vou explicar para voc\u00ea o que \u00e9 um Acampamento de F\u00e9rias para Jovens\u201d<\/p>\n<p>Respondeu o Antonio :<\/p>\n<p>\u201cPois n\u00e3o Doutor, pode falar ! \u201c<\/p>\n<p>e meu pai, com muita paci\u00eancia, explicou e explicou, tudo o que havia apreendido do Mr. Kennedy, terminou e perguntou :<\/p>\n<p>\u201cAntonio, voc\u00ea entendeu o que eu falei?\u201c<\/p>\n<p>respondeu o Antonio:<\/p>\n<p>\u201cEntendi sim, doutor\u201d<\/p>\n<p>meu pai ent\u00e3o perguntou :<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o me diga aonde posso fazer esse Acampamento?\u201c<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 em baixo\u201c<\/p>\n<p>respondeu prontamente o Antonio Cortez, apontando, l\u00e1 de cima do Ba\u00fa, para o vale l\u00e1 em baixo, onde hoje \u00e9 o Acampamento Paiol Grande.<\/p>\n<p>Meu pai voltou para S\u00e3o Paulo, reuniu seus amigos, e compraram as terras onde hoje est\u00e1 o Acampamento Paiol Grande.<\/p>\n<p>Porque o nome Acampamento Paiol Grande?<\/p>\n<p>Porque o Acampamento est\u00e1 no Vale do Paiol Grande. A Pedra do Ba\u00fa est\u00e1 no meio de dois vales. Um chama-se Vale do Ba\u00fa, fica no lado de campos e Jord\u00e3o, e ou outro, Vale do Paiol Grande.<\/p>\n<p>E da\u00ed?<\/p>\n<p>Da\u00ed, ap\u00f3s a compra do terreno, foi uma correria incr\u00edvel!! O Acampamento tinha que ficar pronto em poucos meses! N\u00e3o dava tempo de contratar um arquiteto. Ent\u00e3o, meu pai, pegou os desenhistas do departamento de projetos da Elevadores Atlas, que projetavam as cabines dos elevadores, e juntos foram projetando os primeiros chal\u00e9s de madeira.<\/p>\n<p>Meu pai havia acabado de comprar seu primeiro avi\u00e3o, um Beechcraft Bonanza,e conseguiu com o Prefeito de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed que fizesse um campinho de avia\u00e7\u00e3o na cidade, para assim ele poder sair na hora do almo\u00e7o do Campo de Marte, onde guardava o seu avi\u00e3o e dar um pulo at\u00e9 o Paiol, afim de ver como andavam as obras. Nos domingos ele me convidava:<\/p>\n<p>\u201cPaulo, vamos dar um pulinho at\u00e9 S\u00e3o Bento, para ver como andam as obras do Acampamento?\u201c<\/p>\n<p>Eu tinha s\u00f3 dez aninhos de idade, mas l\u00e1 ia de \u201cco-pila\u201d<\/p>\n<p>Como foi a primeira temporada ?<\/p>\n<p>Foi uma aventura total. A piscina n\u00e3o tinha ficado pronta. Era uma piscina de terra, mas muito divertida. Uma lama s\u00f3 ! O pr\u00e9dio do refeit\u00f3rio estava pronto, felizmente, ent\u00e3o a gente tinha onde comer, mas o Ranch\u00e3o, onde a gente iria fazer os eventos fechados, n\u00e3o estava. Faltavam as paredes laterais.<\/p>\n<p>E a\u00ed o que aconteceu?<\/p>\n<p>Deu um \u201cp\u00e9 de vento\u201d e o teto do Ranch\u00e3o desabou! Ficamos sem o Ranch\u00e3o no primeiro ano.<\/p>\n<p>E os chal\u00e9s ?<\/p>\n<p>Tudo bem, mas n\u00e3o tinham \u00e1gua quente. Ali\u00e1s, assim foi por muito tempo, pois apesar das primeiras temporadas serem de dois meses, era ver\u00e3o, ent\u00e3o o Mr. Kennedy entendia que n\u00e3o precis\u00e1vamos de \u00e1gua quente. S\u00f3 mais tarde, quando come\u00e7aram as temporadas das mo\u00e7as, em Julho, com era inverno, ent\u00e3o os chal\u00e9s ganharam \u00e1gua quente.<\/p>\n<p>Resumo da primeira temporada, n\u00e3o havia meio termo, alguns Paioleiros adoraram, mas outros, entre os \u201cgrandes\u201d, que ficaram no chal\u00e9 dos Ventos, detestaram a tal ponto que at\u00e9 FUGIRAM do Paiol.<\/p>\n<p>Qual era a programa\u00e7\u00e3o no primeiro ano?<\/p>\n<p>Muito esporte, piscina de barro, lutas de Box, longas cavalgadas, banhos de rio de descoberta de cachoeiras, campeonatos de arco e flecha e \u00e9 claro, muitas subidas na Pedra do Ba\u00fa. Muitas porque eram dois meses!<\/p>\n<p>Nas cavalgadas, sempre acamp\u00e1vamos em barracas e nunca sab\u00edamos direito para onde est\u00e1vamos indo, pois n\u00e3o haviam trilhas. Era s\u00f3 mato. \u00c0 noite, \u00e9 claro, sempre ouv\u00edamos miados de on\u00e7as. N\u00e3o sab\u00edamos que on\u00e7a n\u00e3o mia e s\u00f3 \u201cesturra\u201d !!!<\/p>\n<p>FOI UMA EXPERI\u00caNCIA INESQUECIVEL<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 27 de Abril de 2012<\/p>\n<div id=\"attachment_42103\" style=\"width: 719px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42103\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"458\" class=\"size-full wp-image-42103\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/paiol-150x97.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><p id=\"caption-attachment-42103\" class=\"wp-caption-text\">Screenshot<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A HIST\u00d3RIA DO PAIOL GRANDE por Paulo Diederichsen Villares Como nasceu a id\u00e9ia? 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