{"id":35913,"date":"2021-03-03T09:48:00","date_gmt":"2021-03-03T12:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/?p=35913"},"modified":"2021-03-05T09:03:01","modified_gmt":"2021-03-05T12:03:01","slug":"ladroes-ladroes-ladroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/coisas\/35913","title":{"rendered":"ladr\u00f5es, ladr\u00f5es, ladr\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/agape-1.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"879\" class=\"alignleft size-full wp-image-35931\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/agape-1.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/agape-1-121x150.jpg 121w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><br \/>\nSobre este assunto escrevi aqui neste blog alguns anos atr\u00e1s: \u201cEu gostaria muito que algum jornalista investigativo se interessasse por este assunto, tenho certeza que existe a\u00ed muita coisa a ser investigada\u201d<br \/>\nMeu desejo foi atendido, a\u00ed est\u00e1 o artigo do David \u00c1gape!<\/p>\n<p>O Brasil sofre uma infesta\u00e7\u00e3o de ladr\u00f5es. Assim como o Covid 19 se espalha sem controle, a epidemia de ladroagem devasta impunemente o pa\u00eds de Norte a Sul, e em muitos casos, como esse, silenciosamente.<br \/>\nMelhor! (no ponto de vista dos ladr\u00f5es) As v\u00edtimas n\u00e3o sabem que est\u00e3o sendo roubadas&#8230; Melhor ainda!!! S\u00e3o as pr\u00f3prias v\u00edtimas que com zelo e carinho entregam seus caramingu\u00e1s aos bandidos.<br \/>\nO assunto, magistralmente tratado no texto do jornalista David \u00c1gape da <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/ideias\/ongs-usam-a-comocao-para-sustentar-negocio-lucrativo-e-luxos-de-fundadores\/\">Gazeta do Povo<\/a>, \u00e9 este <a href=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/tag\/santo-expedito\">AQUI<\/a>.<br \/>\nEm Dezembro 2014, ao receber uma mala direta da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Santo Exdpedito eu j\u00e1 intuia o tamanho do esquema de ladroagem, agora exposto em detalhes pela Gazeta do Povo.<br \/>\nAos mais de 500 leitores deste blog que postaram nos coment\u00e1rios suas d\u00favidas, angustias e indigna\u00e7\u00e3o digo apenas que levantem suas vozes, denunciem os abusos, apenas assim haver\u00e1 uma chance de puni\u00e7\u00e3o a estes LADR\u00d5ES!<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que esse tipo de bandidagem tem um efeito adverso na percep\u00e7\u00e3o do Terceiro Setor pelo p\u00fablico desavisado, que ao ler uma reportagem como essa tem a tend\u00eancia de rotular todo e qualquer trabalho no Terceiro Setor como bandidagem, roubo, safadeza, etc&#8230; \u00c9 mais uma barreira a ser superada por aqueles que trabalham seriamente em institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos&#8230;.<\/p>\n<p>A seguir a \u00edntegra da mat\u00e9ria:<\/p>\n<p>ONGs usam a como\u00e7\u00e3o para sustentar neg\u00f3cio lucrativo e luxos de fundadores<br \/>\nDAVID \u00c1GAPE, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO 02 MAR\u00c7O 2021<\/p>\n<p>Nos primeiros dias de fevereiro o pa\u00eds todo se comoveu com a foto do padre J\u00falio Lancelotti quebrando a marretadas pedras colocadas embaixo de um viaduto. As pedras, colocadas pela prefeitura de S\u00e3o Paulo, tinham o objetivo de inibir a presen\u00e7a de moradores de rua e o Padre, indignado com isso, resolveu tomar uma atitude. \u201c\u00c9 uma pol\u00edtica necr\u00f3fila, higienista e desumana\u201d, disse o padre durante a a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA foto correu as redes sociais gerando indigna\u00e7\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o pelo trabalho do religioso. Mas h\u00e1 algo sobre ela que n\u00e3o aparece nas imagens. O autor da foto se chama Henrique de Campos, um fot\u00f3grafo e ativista de esquerda, especialista em marketing e que aprendeu com seu pai, Humberto Silva, como transformar causas sociais em dinheiro, muito dinheiro.<br \/>\nHumberto \u00e9 um conhecido ativista que luta no combate \u00e0 hepatite C e que fundou diversas ONGs em uma rede para a capta\u00e7\u00e3o de recursos. Essas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o administradas pela empresa de marketing H2A, fundada por Henrique e seu pai, e s\u00e3o denunciadas por n\u00e3o destinarem todos os recursos \u00e0s causas que dizem apoiar.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gia<\/strong><br \/>\nHumberto, que j\u00e1 foi empres\u00e1rio da \u00e1rea de esporte e de turismo descobriu um neg\u00f3cio promissor e altamente lucrativo: o mercado de arrecada\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es. Criou ent\u00e3o a H2A, empresa de marketing que traz em seu nome os fundadores, os H\u2019s s\u00e3o Humberto e seu filho Henrique, e o \u2018A\u2019 \u00e9 de Alexandre Ferreira, um funcion\u00e1rio que conseguiu o status de s\u00f3cio. Junto do grupo constam mais uma s\u00e9rie de pessoas, seja como funcion\u00e1rios ou como associados das ONGs, como Verginia Alves, ex-esposa de Humberto, e a professora aposentada Maria Leonor Gitirana, que presidem algumas dessas entidades.<br \/>\nEx-funcion\u00e1rios e pessoas que foram ligadas \u00e0 H2A explicam que a estrat\u00e9gia do grupo consiste em criar ONGs com propostas variadas e apelativas e em seguida elas contratam a pr\u00f3pria H2A. De animais abandonados a crian\u00e7as com c\u00e2ncer e pessoas portadoras de hepatite. Se h\u00e1 uma causa que estimula doa\u00e7\u00f5es, ela ter\u00e1 uma ONG pronta para receber o seu dinheiro. Mesmo que esse dinheiro n\u00e3o v\u00e1 necessariamente para as causas a que se prop\u00f5em. A t\u00e9cnica agressiva de capta\u00e7\u00e3o de recursos inclui pr\u00e1ticas controversas. Tudo para sustentar viagens de primeira classe pelo mundo todo, estadia em hot\u00e9is cinco estrelas e im\u00f3veis de luxo.<br \/>\nNa teoria, s\u00e3o diversas associa\u00e7\u00f5es independentes. Na pr\u00e1tica, todas fazem parte da pr\u00f3pria H2A. Isso \u00e9 explicitado pela a\u00e7\u00e3o judicial do ex-funcion\u00e1rio Henrique Franco, que entrou na justi\u00e7a pleiteando seus direitos: reclamava que foi contratado para trabalhar apenas em uma ONG, o Fundo de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a, mas acabava trabalhando para todas do grupo. A ju\u00edza, na decis\u00e3o, concordou com o pedido de Henrique, de que haveria solidariedade na d\u00edvida entre as ONGs, e observou sobre a confus\u00e3o nessas contas.<br \/>\n&#8220;Ademais, as planilhas financeiras e e-mails demonstram que h\u00e1 uma verdadeira confus\u00e3o patrimonial entre as reclamadas, as quais se utilizam reciprocamente de numer\u00e1rios umas das outras, o que denota verdadeira afinidade empresarial&#8221;, diz a ju\u00edza do trabalho Thereza Christina Nahas na decis\u00e3o.<br \/>\nHenrique Franco n\u00e3o quis conversar com a nossa reportagem. No seu LinkedIn ele informa que trabalha ainda hoje com marketing social na ONG de Andr\u00e9 Meira, outro ex-funcion\u00e1rio da H2A e uma pe\u00e7a chave no caso.<\/p>\n<p><strong>Neg\u00f3cio da China<\/strong><br \/>\nO processo de capta\u00e7\u00e3o da H2A foi inspirado nos projetos do ativista sino-americano Joseph Lam, filho de Nora Lam, uma mission\u00e1ria crist\u00e3 que inspirou o filme &#8216;China Cry&#8217;, um relato de sua fuga da ditadura chinesa, ainda no per\u00edodo de Mao Ts\u00e9-tung. O testemunho de Nora alcan\u00e7ou milh\u00f5es em solo americano.<br \/>\nNos EUA, Nora construiu um imp\u00e9rio evangel\u00edstico e comandou diversas cruzadas de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos. O Nora Lam Ministries, que tinha como prop\u00f3sito enviar b\u00edblias para a China comunista, foi o embri\u00e3o para o World Children&#8217;s Fund e International Medical Mission, que passaram a ser comandados pelos seus filhos Joseph Lam e Ruth Kendrick.<br \/>\nAs ONGs do grupo foram denunciadas ao longo dos anos por pr\u00e1ticas como o envio de cartas apelativas e destina\u00e7\u00e3o indevida dos recursos: cerca de 80% do valor arrecadado era utilizado com as despesas das cartas.<br \/>\nEm 2011 a unidade da Unicef na China alertou que o World Children&#8217;s Fund estaria utilizando um logo e nome parecidos com os seus para ludibriar as pessoas e receber doa\u00e7\u00f5es desde a d\u00e9cada de 90. Afirmou tamb\u00e9m que solicitou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o sistema de arrecada\u00e7\u00e3o via mala direta da WCF.<br \/>\nA pr\u00f3pria Nora Lam teve a capta\u00e7\u00e3o de recursos para suas iniciativas questionadas ainda na d\u00e9cada de 90. Segundo o historiador americano Randall Balmer, no seu livro \u201cEncyclopedia of Evangelicalism\u201d, o minist\u00e9rio de Nora, apesar das acusa\u00e7\u00f5es de irregularidades financeiras e t\u00e9cnicas evangel\u00edsticas enganosas, continuou a ter sucesso e popularidade entre os evang\u00e9licos. E sua organiza\u00e7\u00e3o, com sede em San Jose, Calif\u00f3rnia, arrecadou v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nA iniciativa no Brasil<br \/>\nEm 2001 os Lam queriam iniciar no Brasil um trabalho nos moldes do que eles j\u00e1 aplicavam no exterior, mas precisavam de algu\u00e9m de confian\u00e7a. Escolheram Humberto e juntos criaram o Fundo de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a (FAC), j\u00e1 come\u00e7ando suas atividades com a proposta do marketing direto via cartas. Joseph participou da cria\u00e7\u00e3o das ONGs da H2A, constando nas atas de funda\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH) veio em seguida, um projeto pessoal de Humberto, que, em entrevista ao apresentador J\u00f4 Soares, em 2011, contou que iniciou o projeto por ter se descoberto infectado com hepatite C e a partir da\u00ed surgiu o desejo de combater a doen\u00e7a.<br \/>\nTempos depois os americanos n\u00e3o tiveram mais interesse no mercado brasileiro e os grupos se separaram. A marca ent\u00e3o foi redesenhada a pedido dos americanos, mas o m\u00e9todo de capta\u00e7\u00e3o continuou o mesmo.<\/p>\n<p><strong>As ONGs<\/strong><br \/>\nTanto a FAC quanto a ABPH funcionam na sede da H2A, na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nA principal captadora de recursos \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o Cultural Santo Expedito, que utiliza a imagem do santo hom\u00f4nimo e tem como proposta ajudar pessoas carentes ou em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria. \u00c9 presidida pela professora aposentada Maria Leonor Gitirana e sua sede fica no Rio de Janeiro.<br \/>\nUma outra associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a Amor \u00e0s Crian\u00e7as. Um projeto de internacionaliza\u00e7\u00e3o do esquema para capta\u00e7\u00e3o de recursos em d\u00f3lar e euro. Mas a iniciativa n\u00e3o deu o resultado esperado devido ao trabalho feito por \u00f3rg\u00e3os de controle desses pa\u00edses, que exigem transpar\u00eancia e uma porcentagem m\u00ednima de recursos a serem doados.<br \/>\nE ainda uma outra ONG ligada ao grupo \u00e9 o Instituto Mapaa. O projeto de prote\u00e7\u00e3o animal, segundo ex-funcion\u00e1rios, consiste em apenas algumas a\u00e7\u00f5es de doa\u00e7\u00e3o para divulga\u00e7\u00e3o do projeto, puro marketing. \u00c9 presidida pela ex-mulher de Humberto e m\u00e3e de Henrique, Verg\u00ednia.<br \/>\nA Miss\u00e3o M\u00e9dica Internacional (MMI) \u00e9 mais uma das ONGs que integraram o grupo. Hoje \u00e9 presidida pelo empres\u00e1rio M\u00e1rcio dos Santos. A MMI n\u00e3o apresenta em seu site nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre onde \u00e9 gasto o dinheiro arrecadado nem quem comanda o projeto.<br \/>\nAs ONGs, segundo a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, n\u00e3o precisam prestar contas \u00e0s popula\u00e7\u00e3o das doa\u00e7\u00f5es que recebem. Apenas precisam prestar contas caso recebam recursos p\u00fablicos.<br \/>\nAs associa\u00e7\u00f5es ligadas ao grupo de Humberto, conscientes dessa brecha, n\u00e3o recebem um centavo de dinheiro p\u00fablico. Assim, ficam livres para gastar como e o quanto quiserem.<br \/>\nAjuda da pandemia<br \/>\nTanto Henrique, quanto Humberto t\u00eam utilizado a pandemia da Covid-19 para capta\u00e7\u00e3o de recursos. Henrique criou dentro de seu projeto \u201cMis\u00e9ria que Habita\u201d uma campanha para arrecadar fundos para a compra de testes de COVID-19 e denuncia um \u201cgenoc\u00eddio ind\u00edgena\u201d por parte da gest\u00e3o Jair Bolsonaro. A campanha conseguiu mobilizar artistas e celebridades nos pedidos de doa\u00e7\u00e3o como o humorista Rafael Portugal, o apresentador Daniel Zukerman e a atriz Luiza Brunet.<br \/>\nO site do Mis\u00e9ria que Habita est\u00e1 registrado no nome da Mapaa, de Verg\u00ednia, e o pagamento \u00e9 feito via PagSeguro e vai para o fundo de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a, de Humberto.<br \/>\nJ\u00e1 Humberto criou em parceria com o Rotary o Corona Zero, com o objetivo de testar idosos em asilos. \u201cEu quero testar todos os asilos do mundo\u201d, afirma Humberto em um v\u00eddeo institucional.<br \/>\nEnquanto Henrique apresenta um breve balan\u00e7o do quanto arrecadou e o quanto supostamente foi doado pela sua campanha, Humberto segue o procedimento das ONGs do grupo e n\u00e3o mostra onde os recursos s\u00e3o aplicados.<\/p>\n<p><strong>Compra de dados<\/strong><br \/>\nAs atividades das ONGs s\u00e3o centralizadas na H2A, que utiliza gigantescos bancos de dados para contatar pessoas por meio de campanhas milion\u00e1rias. Organizadas para captar o m\u00e1ximo de recursos poss\u00edvel, essas campanhas usam dados comprados de empresas especializadas a peso de ouro, ou obtidas de maneira ainda mais controversa.<br \/>\nUm dos maiores motivos de reclama\u00e7\u00e3o na internet \u00e9 o uso indevido de dados das pessoas para as quais s\u00e3o enviados boletos com os seus nomes.<br \/>\n\u201cSolicito pela segunda vez contato para discutirmos em quais circunst\u00e2ncias \u00e9 lan\u00e7ado BOLETO REGISTRADO DDA em minha conta BRADESCO. H\u00e1 in\u00fameras ocorr\u00eancias semelhantes no site RECLAME AQUI. Caso n\u00e3o receba o devido contato desse FAC, procurarei a DELEGACIA DE POL\u00cdCIA CIVIL E JU\u00cdZADO DE PEQUENAS CAUSAS. Novamente, pe\u00e7o contato. Tentei entrar em contato pelo seu site, mas o seu e-mail retorna com erro. N\u00e3o permitirei mancharem meu nome e CPF, o que ser\u00e1 devidamente cobrado dos respons\u00e1veis a titulo de PERDAS e DANOS morais. J\u00e1 comuniquei o Bradesco\u201d, comenta uma pessoa na p\u00e1gina do FAC.<br \/>\n&#8220;Chantilly&#8221;<br \/>\nAndr\u00e9 Meira, ex-integrante dos Arautos do Evangelho, grupo cat\u00f3lico que vem sendo investigado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e sofre interven\u00e7\u00e3o do Vaticano, foi uma pe\u00e7a chave nesse processo. Ap\u00f3s sair de uma das ONGs ligadas aos Arautos, quando suspeitaram que ele vendia os dados dos doadores e tamb\u00e9m por suspeita de recebimento de propina, Andr\u00e9 foi trabalhar para a H2A e ajudou a aperfei\u00e7oar o esquema de capta\u00e7\u00e3o de recursos. Levou n\u00e3o apenas o que ele tinha aprendido com os Arautos, mas tamb\u00e9m diversas listas com os bons pagadores. Essas listas, chamadas por eles de \u201cchantilly\u201d, seriam uma nova fonte de doa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTendo os dados dos Arautos do Evangelho em m\u00e3os e seguindo o lema &#8220;N\u00e3o h\u00e1 melhor forma de agradecer do que pedir mais&#8221;, de Andr\u00e9 (Ap\u00f3s receberem a primeira doa\u00e7\u00e3o, uma carta de agradecimento pedindo mais dinheiro \u00e9 enviada), os neg\u00f3cios na H2A decolaram.<br \/>\nSegundo ex-funcion\u00e1rios, os s\u00f3cios da H2A viram o seu patrim\u00f4nio multiplicar por dez a partir de 2012. Em 2014, s\u00f3 o Fundo de Assist\u00eancia \u00e0 Crian\u00e7a captou cerca de R$ 1,5 milh\u00e3o por m\u00eas.<br \/>\nAndr\u00e9 Meira, em determinado momento, passou a captar os dados da H2A para uso posterior em futuros projetos seus. Mesmo na \u00e9poca recebendo cerca de R$ 23 mil, mais comiss\u00f5es de cerca 30 mil por m\u00eas. Foi descoberto e demitido.<br \/>\nEm mensagens trocadas em meados de 2016, ele confessa o medo da pris\u00e3o, que ele acreditava ser iminente. Mas nada aconteceu, e hoje Andr\u00e9 dirige a FAOS (Fundo de Apoio \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es Sociais) junto da sua atual esposa, Vivian Marques, atuando nos mesmos moldes que as organiza\u00e7\u00f5es para as quais tinha trabalhado.<br \/>\nCampanhas milion\u00e1rias<br \/>\nA forma de arrecada\u00e7\u00e3o deles \u00e9 sempre via mala direta, enviadas aos milh\u00f5es para endere\u00e7os de todo o Pa\u00eds. A H2A \u00e9 um dos dez maiores clientes dos correios no Brasil e segundo maior captador de recursos via cartas, atr\u00e1s apenas dos Arautos do Evangelho.<br \/>\nA campanha, por sua vez, consiste em identificar as pessoas alvo dentro dos bancos de dados que s\u00e3o segmentadas de acordo com a renda, a idade ou outras caracter\u00edsticas, e fazer disparos de mala direta. O conte\u00fado geralmente \u00e9 igual: Uma carta falando sobre a causa de uma crian\u00e7a doente ou pedindo doa\u00e7\u00f5es para uma cl\u00ednica. As mensagens s\u00e3o dram\u00e1ticas, produzidas para comover quem as l\u00ea, e trazem ao fim um pedido de doa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cVenho a voc\u00ea hoje pedir, porque eu sei que voc\u00ea, como eu, confia no bem maior e quer que a cura chegue a esses pequenos, que tanto sofrem. Eu sei que voc\u00ea, ao ver uma crian\u00e7a escurecer o olhar, como mirando para dentro, sem nenhuma esperan\u00e7a\u2026 triste pela doen\u00e7a, eu sei que voc\u00ea sente um aperto no cora\u00e7\u00e3o&#8221;, diz uma das milhares de cartas enviadas para capta\u00e7\u00e3o de recursos.<br \/>\n\u00c9 tamb\u00e9m enviado junto um brinde, que pode ser uma caneta ou uma medalhinha de um santo. \u00c9 o &#8220;truque&#8221;, que, segundo Humberto, foi aprendido com Joseph Lam, e \u00e9 utilizado para fazer com que a pessoa doe por d\u00f3 da empresa que gastou com o presente.<br \/>\n&#8220;Isso da\u00ed \u00e9 uma estrat\u00e9gia de marketing, a pessoa fica um pouco na obriga\u00e7\u00e3o fala: &#8220;poxa o coitado est\u00e1 me passando um presentinho, ent\u00e3o eu vou dar aten\u00e7\u00e3o pra ele. \u00c9 uma t\u00e1tica que d\u00e1 certo no marketing. \u00c9 um investimento que a gente faz. Se compra 100 milh\u00f5es de brinde, aquilo l\u00e1 traz 200 pra ONG&#8221;, conta Humberto.<br \/>\nOs brindes, s\u00e3o muitas vezes comprados de empresas do pr\u00f3prio grupo. Mais uma forma de o dinheiro ir para os pr\u00f3prios &#8220;donos&#8221;. S\u00e3o tamb\u00e9m comprados de empresas estrangeiras que enviam para o Brasil os milhares de envelopes prontos para a distribui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor \u00faltimo, a parte mais importante: vai junto um boleto com os dados da pessoa para pagamento junto ao banco. Os boletos DDA n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rios, ou seja, se n\u00e3o for pago, n\u00e3o h\u00e1 cobran\u00e7a. Mas muitas pessoas, geralmente as mais simples ou idosas, acabam pagando e com isso passam a fazer parte dos doadores mensais fixos da rede.<br \/>\nMilhares de reclama\u00e7\u00f5es na internet escancaram as pr\u00e1ticas controversas que continuam a ser praticadas livremente.<br \/>\nParte da extens\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de dados de cidad\u00e3os \u00e9 exposto pelo pr\u00f3prio Henrique no site de sua campanha de arrecada\u00e7\u00e3o &#8220;Mis\u00e9ria que Habita&#8221;. Onde ele diz que a H2A possui cadastro de \u201cmilh\u00f5es de contribuintes\u201d.<br \/>\nHenrique tamb\u00e9m conta que \u00e9 cofundador da H2A e que ela \u00e9 respons\u00e1vel pela capta\u00e7\u00e3o de mais de R$ 150 milh\u00f5es em recursos para os seus clientes.<br \/>\n Carta enviada pela ONG<\/p>\n<p><strong>Atividades internas<\/strong><br \/>\nNossa reportagem conversou com outros ex-funcion\u00e1rios, que trabalharam nas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o quiseram se identificar por seguran\u00e7a. Aqui os chamaremos de Jo\u00e3o e Daniel (nomes fict\u00edcios), respectivamente.<br \/>\nJo\u00e3o conta que o procedimento interno da empresa possui um grande contingenciamento de informa\u00e7\u00f5es para que nenhum funcion\u00e1rio saiba de tudo o que acontece ali.<br \/>\nPor isso, conta Jo\u00e3o, havia uma alta rotatividade de funcion\u00e1rios. Conta tamb\u00e9m que era a H2A a controlar as ONGs, que tinham parte de suas atividades acontecendo na pr\u00f3pria sede da empresa, e que havia grande cobran\u00e7a por resultados, fazendo com que o clima dentro da empresa fosse pesado.<br \/>\nJo\u00e3o* confirma a grande soma de valores que s\u00e3o captados pela H2A.<br \/>\n&#8220;Voc\u00ea fez uma campanha singela e tem um retorno absurdo, muito maior que o necess\u00e1rio. S\u00e3o ONGs que captam muito dinheiro. \u00c9 uma m\u00e1quina de gerar dinheiro&#8221;, explica.<br \/>\nSegundo Daniel, a H2A utiliza uma estrat\u00e9gia meticulosamente planejada para captar recursos apelando para o lado emocional das pessoas, fundando ONGs com causas diversas.<br \/>\n\u201cNo caso da ONG voc\u00ea precisa de uma causa recorrente com um motivo bem apelativo: crian\u00e7a com c\u00e2ncer, gente desesperada, pobre. E nada comove mais que pessoas com c\u00e2ncer, do que gente em extrema necessidade, do que animais. Por isso que as ONGs s\u00e3o fundadas com esses objetivos\u201d, conta o ex funcion\u00e1rio Daniel*.<br \/>\nDaniel* explica que h\u00e1 um grave desvio \u00e9tico nas atividades da H2A e isso sempre o incomodou. Ele afirma que teve acesso a uma carta enviada para a Associa\u00e7\u00e3o Cultural Santo Expedito que solicitava a suspens\u00e3o da cobran\u00e7a de doa\u00e7\u00e3o naquele m\u00eas, algo que o levou a entrar em uma profunda depress\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Era de uma senhora, claramente semianalfabeta. Ela estava pedindo perd\u00e3o para o santo pois ela n\u00e3o p\u00f4de pagar os 20 reais que ela contribu\u00eda mensalmente pois teve um acidente de moto com o neto. Ela prometeu para o santo que devolveria em dobro no m\u00eas seguinte, 40 reais. Voc\u00ea apela direto para os sentimentos da pessoa, se voc\u00ea manda uma carta escrito Santo Expedito a pessoa n\u00e3o vai identificar que \u00e9 uma ONG, ela vai achar que \u00e9 o Santo em pessoa.\u201d<br \/>\nPara ele, o m\u00e9todo de capta\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 imoral e um jeito sujo de ganhar dinheiro.<br \/>\n\u201c\u00c9 com esse tipo de recurso que eles ganham dinheiro. \u00c9 com gente bem humilde, que n\u00e3o conhece o esquema e se sensibiliza com a hist\u00f3ria da carta, se sensibiliza pelo brinde. \u00c9 apelativo, eles conseguiram um jeito de explorar a boa f\u00e9 das pessoas. Essa \u00e9 a imoralidade que me incomoda, porque \u00e9 um jeito sujo de ganhar dinheiro\u201d, diz.<br \/>\nAmbos declaram sentir muito medo de retalia\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8220;\u00c9 muito dinheiro. A gente n\u00e3o sabe at\u00e9 onde vai a maldade do ser humano quando a coisa \u00e9 relacionada a dinheiro. \u00c9 uma coisa obscura, a gente tem receio de estar falando. Por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a\u201d, conta Jo\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Arquiteto paulistano faz den\u00fancia<\/strong><br \/>\nFernando Stickel, arquiteto paulistano que trabalha h\u00e1 anos no terceiro setor, recebeu um dos malotes da Associa\u00e7\u00e3o Santo Expedito e desconfiou que poderia ser um golpe. Publicou no ano de 2014 no seu blogue \u201cAqui tem coisa\u201d um relato sobre a medalha que recebeu e as suspeitas que tinha.<br \/>\n\u201cEste parece ser um estratagema discreto e silencioso, com milhares (desconfio que sejam CENTENAS DE MILHARES) de malas-diretas enviadas pelo correio para pessoas de boa f\u00e9, que voluntariamente pagam boletos de 10, 20, 50 reais para hipoteticamente ajudar os desvalidos. Digo hipoteticamente porque a Associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o divulga relat\u00f3rios de uso do dinheiro arrecadado\u201d, publicou na ocasi\u00e3o.<br \/>\nSegundo Stickel, a simples publica\u00e7\u00e3o dos valores arrecadados onde s\u00e3o aplicados j\u00e1 resolveria facilmente a quest\u00e3o.<br \/>\n\u201cPara encerrar, volto a afirmar que as d\u00favidas e suspeitas que recaem sobre a Associa\u00e7\u00e3o Cultural Santo Expedito seriam simplesmente extintas dos anos anteriores, desde caso fossem publicados seus relat\u00f3rios operacionais do ano corrente e sua cria\u00e7\u00e3o, contendo os valores arrecadados, quais as formas de arrecada\u00e7\u00e3o, os nomes dos doadores, e onde como s\u00e3o aplicados estes recursos\u201d, escreveu em seu blogue.<br \/>\nEm face disso, a Santo Expedito o processou por danos morais exigindo a retirada da publica\u00e7\u00e3o do ar, sob pena de multa. O Google tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo na a\u00e7\u00e3o. A ju\u00edza Vanessa Ribeiro Mateus, da 8\u00aa Vara C\u00edvel de S\u00e3o Paulo, inocentou Stickel. Para ela n\u00e3o havia justificativa para a a\u00e7\u00e3o pois o arquiteto apenas fez indaga\u00e7\u00f5es, n\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es, e estava exercendo o seu direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o.<br \/>\nStickel tamb\u00e9m realizou uma den\u00fancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo, que investigou as atividades da ONG, mas concluiu que n\u00e3o havia a pr\u00e1tica de fraude, pois ela de fato fazia algumas doa\u00e7\u00f5es. Aos investigadores foi apresentado o \u201clivr\u00e3o\u201d, um registro das atividades de doa\u00e7\u00e3o e que \u00e9 produzido especificamente para situa\u00e7\u00f5es como essa.<br \/>\nCom isso, o processo foi arquivado.<br \/>\n\u201cEu gostaria muito que algum jornalista investigativo se interessasse por este assunto, tenho certeza que existe a\u00ed muita coisa a ser investigada\u201d, disse Stickel na ocasi\u00e3o.<br \/>\nUma den\u00fancia foi realizada no GAECO-SP (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado). Foram entregues planilhas e movimenta\u00e7\u00f5es financeiras das ONGs da H2A. A pessoa que realizou a den\u00fancia, que prefere n\u00e3o se identificar por motivo de seguran\u00e7a, contou \u00e0 reportagem que durante o tempo em que esteve em contato com o grupo sempre desconfiou da destina\u00e7\u00e3o dos recursos e decidiu denunciar pois viu que o esquema cresceu sobremaneira nos anos subsequentes.<br \/>\n\u201cEles fingem que ajudam as pessoas e fazem uma doa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para n\u00e3o causar suspeitas. Sempre achei estranh\u00edssimo ONGs com uma capta\u00e7\u00e3o de recursos dessas. Por que as pessoas fazem uma campanha milion\u00e1ria para uma coisa que custa t\u00e3o pouco, ou nada?&#8221;, conta.<br \/>\n\u201cEles criaram um meio de ganhar dinheiro e parecer bons. Eles arrancam dinheiro de gente pobre. O repasse disso \u00e9 muito pequeno e n\u00e3o justifica o tamanho da m\u00e1quina. Se eles fossem tudo isso, essas ONGs seriam milion\u00e1rias. Teria hospital sendo fundado em todo lado.\u201d<br \/>\n\u201cEspero que tenha alguma legisla\u00e7\u00e3o sobre isso. A lei \u00e9 muito frouxa, n\u00e3o dizer quanto tem que ter de repasse \u00e9 deixar uma margem pras pessoas desviarem dinheiro\u201d, dispara.<br \/>\nO Gaeco informou que os procedimentos de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o sigilosos, e que por isso n\u00e3o podem ser prestadas informa\u00e7\u00f5es a respeito.<\/p>\n<p><strong>O problema legal<\/strong><br \/>\nSegundo a contadora especialista no 3\u00ba setor Walkyria Santana, o maior problema nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 moral, e n\u00e3o legal, pois a legisla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 pobre em rela\u00e7\u00e3o a isso.<br \/>\n\u201cLegalmente n\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a [uma ONG comprar servi\u00e7os de algu\u00e9m de sua diretoria] desde que n\u00e3o receba valores p\u00fablicos. Se no estatuto n\u00e3o constar esta proibi\u00e7\u00e3o pode sim, ainda que moralmente duvidoso\u201d.<br \/>\nWalkyria tamb\u00e9m explica que as ONGs devem prestar contas dos valores arrecadados \u00e0 Receita Federal e que cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico a investiga\u00e7\u00e3o em caso de den\u00fancias.<br \/>\nO vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Imprensa (API), C\u00e9sar Rom\u00e3o, entrou em contato com nossa reportagem para obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. C\u00e9sar, que \u00e9 palestrante e escritor de livros de autoajuda, \u00e9 tamb\u00e9m ligado ao Rotary Clube e ao pr\u00f3prio Humberto, que confessou ter pedido ao amigo uma ajuda para resolver a situa\u00e7\u00e3o que o colocava em apuros.<br \/>\n\u201cEu gostaria dizer que n\u00f3s somos parceiros inclusive da associa\u00e7\u00e3o paulista de imprensa, temos o aval do vice-presidente da API. Eu pretendo que haja coer\u00eancia na sua reportagem. A nossa vida \u00e9 totalmente transparente. Desafio qualquer um a vir provar o contr\u00e1rio!\u201d, afirmou Humberto.<\/p>\n<p><strong>Respostas<\/strong><br \/>\nHumberto negou as acusa\u00e7\u00f5es de que h\u00e1 fraude ou apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita dos recursos arrecadados. Embora as ONGs n\u00e3o tenham transpar\u00eancia em seus dados cont\u00e1beis e financeiros, Humberto afirma que a contabilidade e o gerenciamento de pagamentos s\u00e3o feitos pela multinacional holandesa TMF.<br \/>\nHumberto prometeu apresentar balan\u00e7os das ONGs e da H2A, mas at\u00e9 o momento desta publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebemos tais documentos.<br \/>\nTamb\u00e9m confirmou possuir uma mans\u00e3o no interior de S\u00e3o Paulo que, embora esteja em um condom\u00ednio de alto padr\u00e3o onde os valores de resid\u00eancias v\u00e3o de R$ 1,5 milh\u00e3o a R$ 3 milh\u00f5es, \u00e9 chamada por ele de \u201ccasinha\u201d, e apartamentos de luxo na capital. Mas afirmou que todos foram financiados e que os recursos prov\u00eam de seu trabalho na H2A. Sobre as viagens pelo mundo em voos de primeira classe e hospedagem em hot\u00e9is de luxo ele explica que s\u00e3o formas de captar recursos.<br \/>\n\u201cEu n\u00e3o sou pobre, n\u00e3o sou obrigado a ser pobre, eu n\u00e3o quero ser pobre. Eu n\u00e3o fiz voto de pobreza. Eu gero para essas ONGs milh\u00f5es e o que a nossa ag\u00eancia recebe nem faz parte, nem 20% do que n\u00f3s dever\u00edamos ganhar pelos milh\u00f5es que n\u00f3s arrecadamos para as ONGs. Eu sempre tive um padr\u00e3o de vida, eu venho de uma fam\u00edlia boa. N\u00e3o sou um cara que caiu do nada. \u00c9 justamente no meio dos ricos que a gente obt\u00e9m recursos. E consegue verbas para ajudar as ONGs. Eu conheci tanta gente ficando em bons lugares e bons hot\u00e9is. Eu tenho um monte de coisas, rela\u00e7\u00f5es com o mundo inteiro\u201d, replica Humberto, mesmo tendo ele vendido o pr\u00f3prio carro para investir no trabalho social quando ainda tinham poucos recursos.<br \/>\nSobre a compra de dados, Humberto nos contou que n\u00e3o compra mais de empresas dados de pessoas para captar doa\u00e7\u00f5es e que, como a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD) n\u00e3o est\u00e1 em vigor no momento, ainda vai regularizar a situa\u00e7\u00e3o para entrar em conformidade com a nova legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor fim, Humberto reafirma a qualidade do seu trabalho. \u201cN\u00f3s temos um trabalho muito forte, muito humanit\u00e1rio. E em 20 anos, ser\u00e1 que ningu\u00e9m nunca questionaria nada? Acho que j\u00e1 teriam encontrado algum estelionato se houvesse, n\u00e9? Deus me livre\u201d.<br \/>\nHenrique de Campos, Eleonor Gitirana, Marcio dos Santos e Andr\u00e9 Meira n\u00e3o retornaram o nosso contato. O GAECO nos informou que os procedimentos s\u00e3o sigilosos, e que por isso n\u00e3o podem ser prestadas informa\u00e7\u00f5es a respeito. Padre J\u00falio Lancellotti contou \u00e0 nossa reportagem que o trabalho de Henrique de Campos \u00e0 sua equipe \u00e9 volunt\u00e1rio e que n\u00e3o conhece a H2A.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre este assunto escrevi aqui neste blog alguns anos atr\u00e1s: \u201cEu gostaria muito que algum jornalista investigativo se interessasse por este assunto, tenho certeza que existe a\u00ed muita coisa a ser investigada\u201d Meu desejo foi atendido, a\u00ed est\u00e1 o artigo do David \u00c1gape! O Brasil sofre uma infesta\u00e7\u00e3o de ladr\u00f5es. Assim como o Covid 19 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1428],"acf_quotes":[],"reactions":{"like":0,"heart":0,"laugh":0,"wow":0,"sad":0,"clap":0,"fire":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35913"}],"collection":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35913"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35932,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35913\/revisions\/35932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}