{"id":32922,"date":"2020-04-01T12:14:30","date_gmt":"2020-04-01T15:14:30","guid":{"rendered":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/?p=32922"},"modified":"2020-06-13T10:06:11","modified_gmt":"2020-06-13T13:06:11","slug":"flavio-motta-e-guto-lacaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/arte\/32922","title":{"rendered":"flavio motta e guto lacaz"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm1.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"492\" class=\"alignleft size-medium wp-image-32924\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm1.jpg 656w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm1-150x113.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><br \/>\nGuto Lacaz e o Prof. Flavio Motta, na casa deste na R. Bartira em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"945\" class=\"alignleft size-full wp-image-32926\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm2-1.jpg 709w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/fm2-1-113x150.jpg 113w\" sizes=\"(max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><br \/>\nEm 2004 Takashi Fukushima e Guto Lacaz foram visitar o Prof. Flavio Motta em sua resid\u00eancia, Guto escreveu o relato da experi\u00eancia:<\/p>\n<p>Visita ao Prof. Flavio Motta<\/p>\n<p>O Prof. Flavio Motta e a Coca Cola &#8211; Encontro com o Prof. Flavio Motta &#8211; sexta feira dia 9 de abril de 2004 das 16 \u00e0s 19h<\/p>\n<p>H\u00e1 muito ouvia falar do Prof. Flavio Motta, de sua sabedoria, do encanto que exercia sobre seus alunos e da forma pessoal como abordava os assuntos e citava fontes. Primeiro, foi na d\u00e9cada de 70, durante a Faculdade de Arquitetura de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos atrav\u00e9s de meu colega Fernando Zanforlin, amigo de Marcelo Nitsche que convivia com o prof. naquela \u00e9poca. Depois, na d\u00e9cada de 80, atrav\u00e9s de Rafic Jorge Farah, ex aluno do prof. na FAU USP. Farah me narrou uma emblem\u00e1tica passagem com o mestre. Estava ele parado na rampa da FAU, obeservando grande manifesta\u00e7\u00e3o no sal\u00e3o caramelo em oposi\u00e3o \u00e0 ditadura militar vigente no pa\u00eds. O prof. passa e para ao lado dele, observa a cena e diz: Farah\u2026a maior subvers\u00e3o \u00e9 ser. Em seguida continua sua caminhada. (isso \u00e9 com o Farah. N\u00e3o me lembro. Mas convenhamos \u00e9 uma tirada aceit\u00e1vel:vide Hamlet)<br \/>\nNa d\u00e9cada de 90 quem narrou seus encontros com o prof. foi o colega Marcelo Cipis. Soube tamb\u00e9m de uma passagem ocorrida na casa de Lina e Pietro Maria Bardi no Morumbi. O casal recebia o artista Saul Steinberg em visita ao Brasil. Com a chuva, os vidros da casa emba\u00e7aram e se transformaram em ef\u00eamero suporte para Saul Steinberg realisar um desenho com o dedo indicador, a figura de uma mulher nua, junto a uma coluna grega. Devido ao calor da lareira, na \u201ccasa de Vidro\u201d, o desenho come\u00e7ou a escorrer. Verteu-se em l\u00e1grimas. Foi a maior tristeza daquela noite inesquec\u00edvel. Choramos de rir.<br \/>\nAgora, uma garrafa de Coca Cola realiza o antigo sonho de conhecer o prof. \u2026o filho de Takashi Fukushima me convida para a festa surpresa que organizava para o anivers\u00e1rio de seu pai. Durante a festa Takashi me mostrou uma garrafa de Coca Cola que havia ganho,vinda do Egito . Me falou de sua admira\u00e7\u00e3o pelo produto e de sua cole\u00e7\u00e3o de garrafas e latas. Logo me lembrei de uma garrafa que possuia que tinha recebido para fazer um stand que nunca saiu do papel. Era uma edi\u00e7\u00e3o especial em pl\u00e1stico prateado. Antes de dizer que possuia tal raridade e que iria presente-\u00e1-lo, tomei o cuidado de localiz\u00e1-la. Uma vez encontrada liguei para o Takashi e deixei recado dizendo que a garrafa era dele. Dias depois ele me ligou agradecendo e dizendo ter vindo do atelier de Luis Paulo Baravelli onde realizou entrevista para sua tese sobre o ensino de desenho. Me disse tamb\u00e9m que havia agendado a proxima entrevista com o Prof. Flavio Motta. Logo me adiantei dizendo que queria aproveitar a oportunidade para conhec\u00ea-lo. Takashi gentilmente aceitou minha intromiss\u00e3o e comunicou ao prof. minha presen\u00e7a no encontro. Disse o prof. que eu era benvindo e que conhecia meu pai. O prof. ainda n\u00e3o havia chegado do almo\u00e7o e quem nos recebe \u00e9 sua filha Guli que conhecia de passagens pela Pinacoteca e pelo MAC. Come\u00e7amos a observar as muitas pinturas, desenhos e objetos na casa neo colonial na rua Bartira pr\u00f3xima a PUC,onde mora. Logo chega o prof. e sorrindo nos cumprimenta.<br \/>\nCarrega uma pequena sacola feita com um peda\u00e7o de manga de camisa onde leva seus rem\u00e9dios e utens\u00edlios para sua higiene pessoal e se queixa do desconforto p\u00f3s operat\u00f3rio. Takashi o presenteia com o belo livro que fez por ocasi\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o de seu pai Tikashi Fukushima na Pinacoteca em 2001. Flavio Motta o pega com carinho e nos sentamos para que ele o observe. O prof. come\u00e7a a olh\u00e1-lo do final para o come\u00e7o onde est\u00e3o reproduzidas as fotografias de eventos art\u00edsticos. Com rapidez FM vai identificando\u2026Tomie Othake, Walter Zanini, Renina Katz, Takaoka e outros contemporaneos. Admira outras reprodu\u00e7\u00f5es e mesmo nas pinturas abstratas consegue ver montes, neve e \u00e1gua corrente t\u00edpicos da pisagem japonesa. Takashi pergunta sobre uma xerox colorida sendo montada em partes sobre a mesa. Ele nos diz que \u00e9 uma colagem com retalhos de costura que pegou de uma de suas filhas. Takashi lhe fala de um certo retrato e ele lembra Quentin Metsys dizendo ter feito o melhor retrato de Erasmo de Roterdam. Diz que Erasmo ao saber de tal afirma\u00e7\u00e3o replicou dizendo que seu melhor retrato eram seus textos! \u2013 (Mas n\u00e3o podemos descartar a possibilidade de estar reproduzido, no \u201cElogio da loucura\u201d, uma edi\u00e7\u00e3o com o retrato feito por Holbein.)<br \/>\nPergunta ent\u00e3o o que quer o Takashi. Takashi lhe fala da tese que est\u00e1 fazendo sobre o ensino de desenho e que est\u00e1 entrevistando antigos mestres para uma reavalia\u00e7\u00e3o de suas aulas e de seus m\u00e9todos. Flavio Motta diz que a quest\u00e3o \u00e9 oportuna e cita o pequeno livro Pincelada Unica de Shitao que sest\u00e1 lendo no momento. Traz uma c\u00f3pia presenteada pelo colega Feres Khoury. L\u00ea pausadamente uma p\u00e1gina onde diz que o pincel \u00e9 Yin e a tinta Yang.. Juntos, quando desenham colocam ordem no caos. (vide tamb\u00e9m pg. 414 do YIN-YANG \u2013 CHEVALIER, Jean:GHEERBRANT, Alain,Dictionnaire DES SYMBOLES.Paris.SEGNERS,1974. \u2013 VON FRANZ, Marie-Louise, TIME. Rhythmand Repose, Thames and Hudson London 1972.P YANG (masculine):Tempo YIN(feminine):Espa\u00e7o)<br \/>\nFalou da concentra\u00e7\u00e3o e da aten\u00e7\u00e3o necessarias para desenhar e dos muitos movimentos que o corpo, o bra\u00e7o e a m\u00e3o podem fazer para descrever trajet\u00f3rias no papel ou no espa\u00e7o. Falou que o mestre pede ao disc\u00edpulo para tra\u00e7ar uma linha entre dois pontos. Feita a linha o mestre diz ao disc\u00edpulo que ele n\u00e3o havia vivido a linha, que ela carecia de express\u00e3o. Falamos da palavra desenho, sua origem designio, dar nome, designar ou destino, dire\u00e7\u00e3o, desejo. Design, draw e draft. L\u00ea um trecho de Saramago \u2013 \u201cA Caverna\u201d pg. 84 \u2013 toda a arqueologia de materiais \u00e9 uma arqueologia humana.O que este barro esconde e mostra \u00e9 o tr\u00e2nsito do ser no tempo e sua passagem pelos espa\u00e7os. Os sinais dos dedos, as raspaduras das unhas, as cinzas e os ti\u00e7\u00f5es das fogueiras apagadas, os caminhos que eternamente se bifurcam e s\u00e3o distanciados e se perdem uns dos outros. Este gr\u00e3o que aflora \u00e0 superf\u00edcie \u00e9 uma mem\u00f3ria, esta depress\u00e3o a marca que ficou de um corpo feito. O c\u00e9rebro perguntou e pediu, a m\u00e3o respondeu e fez. Leu cita\u00e7\u00e3o de Goethe no livro \u201cEsbo\u00e7o para um Auto Retrato\u201d de Bernard Berenson. Onde fala da diferen\u00e7a entre desejo e vontade. Falou de que hoje j\u00e1 se pode realizar o sonho dos alquimistas de transformar mercurio em ouro.(vide Plank) Falou do conceito metaf\u00f3rico de alquimia onde, pode se transformar, pelo pensamento, a qualidade das escolhas. Diz que quimica quer dizer suco, em Grego. Da sala fomos para a salinha.<br \/>\nAli ele tinha seu lugar predileto, encostado a parede repleta de pinturas. Disse que se o ach\u00e1ssemos feio poderiamos olhar os quadros. Falou da aula de f\u00edsica onde seu prof.mostrava um raio de luz atravessar um celofane e este o fazia mudar de cor. Mais um celofane, uma nova cor. Pediu para que o lembrasse de falar sobre a tor\u00e7\u00e3o no raio de luz. Repentinamente nos sugeriu desenho de uma estrela de 7 pontas. Ficamos estudando sua constru\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o da circunfer\u00eancia, movimentos, trajet\u00f3rias, angulos, formas ocultas e outras estrelas \u2013 4 pontas, 5 pontas, 6 pontas. Com sua lapiseira nos mostrou a constru\u00e7\u00e3o, o peixe e o vaso nela ocultos. (Anexar copia da folha). Desenhamos outras possibilidades de alfabetos e falamos no c\u00f3digo bin\u00e1rio. Nos contou de um congresso de comunica\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia onde representou o Brasil. Nos contou dos livros de Bruno Munari que apresentam a laranja como se fosse um produto desenhado por designers e do filme que apresentou no congresso onde um atleta d\u00e1 um salto mortal filmado em hiper camera lenta acompanhado de trilha sonora (som puro) e quase enervante. Disse que nesse congresso s\u00f3 os europeus falavam e que a comiss\u00e3o brasileira resolveu se pronunciar. Neste congresso, Humberto Eco, Abraham Moles, Argan, entre outros\u2026 F.M. ent\u00e3o se apresentou para fazer um pronunciamento sobre comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Disse que comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a ponte entre dois extremos, inclusive fisiol\u00f3gicos, o que arrancou sorrisos na plat\u00e9ia. (vide \u201cL\u00f3gica da Vida\u201d \u2013 Fran\u00e7ois Jacob) Apresentando ou comentando um assunto acolhedor em seguida a outro, nos falou do livro de Saramago que conta a hist\u00f3ria de uma tradicional fam\u00edlia de poteiros portugueses acostumados a uma rotina secular de produzir e vender potes. At\u00e9 que um dia a loja recusa novas encomendas pois haviam chegado os novos potes de pl\u00e1stico. O poteiro tem ent\u00e3o que decidir por outro produto para manter o neg\u00f3cio. Decide produzir figuras, bonecos\u2026 Nos conta que no estacionamento no bairro soube de um pintor que escreveu LAVA-SE CARRO. Comparou a dificuldade e determina\u00e7\u00e3o ao tempo levado para \u201cdar o salto mortal\u201d no filme de Bruno Munari, reproduziu lentamente a poss\u00edvel trajet\u00f3ria do pincel acompanhado de um FIIIIII semelhante \u00e0 trilha sonora original. O prof. ia ligando uma hist\u00f3ria em outra, uma cita\u00e7\u00e3o em outra de forma po\u00e9tica e an\u00e1rquica, elucidou.<br \/>\nTakashi lhe contou de uma biblioteca que visitou na China onde os livros eram laminas de pedra gravadas e que o frequentador podia imprimir o que desejasse. Disse que sua filha gostaria de escutar essa hist\u00f3ria e logo veio Paula que disse j\u00e1 ter conhecimento do fato pois Rubens Matuck havia contado. Com a presen\u00e7a de Paula o prof. procura o editor do livro Pincelada \u00danica. Encontramos na ficha o nome de uma cidade XXXX que todos desconheciam.Logo pensamos tratar-se de uma edi\u00e7\u00e2o portuguesa. O prof. sai e logo volta trazendo um grande livro de capa vermelha e apontando nos diz; \u2026.cidade portuguesa e tamb\u00e9m brasileira. Enquanto Takashi conversava com Paula o prof. me fez um sinal.Percebendo que eu n\u00e3o o havia acompanhado retornou e tocou meu bra\u00e7o para acompanh\u00e1-lo. Retirou um volume da biblioteca e me mostrou uma gravura de Durer onde ao fundo de uma cena aparecia um incomum s\u00f3lido geom\u00e9trico ( a pedra filosofal da \u201cMelancolia\u201d) Pediu-me que o identificasse mas n\u00e3o consegui. Era um s\u00f3lido irregular. Ao nos despedirmos me abra\u00e7ou dizendo: Guto voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 de casa. Nos acompanhou pelo jardim at\u00e9 o port\u00e3o. Disse que gostamos muito da conversa. Ele disse: conversa sim\u2026n\u00e3o gosto de bate papo!<br \/>\nGuto Lacaz posted by takashi fukushima @ 7:07 AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guto Lacaz e o Prof. Flavio Motta, na casa deste na R. Bartira em S\u00e3o Paulo. 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