{"id":31003,"date":"2016-04-19T14:31:47","date_gmt":"2016-04-19T17:31:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/?p=31003"},"modified":"2025-04-05T18:24:16","modified_gmt":"2025-04-05T21:24:16","slug":"fernando-stickel-na-folha-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/arte\/31003","title":{"rendered":"fernando stickel na folha de s\u00e3o paulo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-31005\" src=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/f-s-paulo.jpg\" alt=\"f s paulo\" width=\"652\" height=\"1115\" srcset=\"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/f-s-paulo.jpg 652w, https:\/\/stickel.com.br\/atc\/uploads\/f-s-paulo-88x150.jpg 88w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><br \/>\nO jornalista Toni Sciarretta do caderno \u201cMorar\u201d do jornal Folha de S\u00e3o Paulo do \u00faltimo domingo, 17 Abril 2016, me entrevistou sobre a minha exper\u00eancia como morador da Vila Ol\u00edmpia.<br \/>\nConversamos tamb\u00e9m sobre a s\u00e9rie de fotos que realizei no bairro em 2003-2005, que acabaram por gerar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cVila Ol\u00edmpia\u201d na Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo em 2006, com curadoria de Di\u00f3genes Moura, e lan\u00e7amento simult\u00e2neo do livro \u201cVila Ol\u00edmpia\u201d pela Editora Terceiro Nome.<br \/>\nA minha foto na mat\u00e9ria \u00e9 da Raquel Cunha.<\/p>\n<p>ENTREVISTA FERNANDO STICKEL<\/p>\n<p>Vila Ol\u00edmpia foi dos inferninhos aos arranha-c\u00e9us <\/p>\n<p>Fot\u00f3grafo registrou detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986 e reuniu as imagens em livro e em mostra na Pinacoteca.<\/p>\n<p>RAIO X<br \/>\nNOME\t\tFernando Diederichsen Stickel<\/p>\n<p>IDADE           67<\/p>\n<p>FORMA\u00c7\u00c3O\tArquitetura na FAUUSP<\/p>\n<p>OCUPA\u00c7\u00c3O\tPresidente da Funda\u00e7\u00e3o Stickel de oficina de artes  na periferia e autor do blog &#8220;aqui tem coisa&#8221;<\/p>\n<p>Artista pl\u00e1stico, fot\u00f3grafo, blogueiro e agora executivo do terceiro setor, o arquiteto Fernando Stickel, 67, vive na Vila Ol\u00edmpia h\u00e1 30 anos, \u00e9poca em que o bairro ficava submerso nas \u00e1guas do c\u00f3rrego Uberaba, onde hoje fica a avenida H\u00e9lio Pellegrino. Pelas lentes de Stickel e pelo bairro, retratado no blog &#8220;aqui tem coisa&#8221;, iniciado em 2003, passaram diferentes tribos: motoqueiros dos anos 1990, inferninhos &#8220;de quinta categoria&#8221; dos anos 2000 e agora executivos dos pr\u00e9dios espelhados e estudantes do Insper e da Anhembi Morumbi.<br \/>\nStickel, que nos anos 1990 manteve um loft e ateli\u00ea de 2.000 m\u00b2 at\u00e9 se render \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria local, chegou fotografar os pr\u00e9dios espelhados que surgiam na regi\u00e3o, mas n\u00e3o gostou do resultado. Preferiu retratar detalhes de fachadas, tapumes de pr\u00e9dios em constru\u00e7\u00e3o, portas e janelas do bairro. O trabalho motivou uma exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca e virou o livro &#8220;Vila Ol\u00edmpia&#8221; em 2006 (ed. Terceiro Nome).<br \/>\nLeia trechos da entrevista feita na Funda\u00e7\u00e3o Stickel, institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que faz trabalhos na Vila Nova Cachoeirinha e na Vila Brasil\u00e2ndia (zona norte).<\/p>\n<p><strong>Folha &#8211; Como era a Vila Ol\u00edmpia quando voc\u00ea chegou?<\/strong><br \/>\n<strong>Fernando Stickel<\/strong> &#8211; Estou no bairro desde 1986. Constru\u00ed um loft na rua Ribeir\u00e3o Claro com a Fiandeiras &#8211;era meu est\u00fadio e resid\u00eancia. A Vila Ol\u00edmpia era um bairro pobre. A H\u00e9lio Pellegrino era um c\u00f3rrego imundo com uma favela. Quando chovia, a \u00e1gua subia mais de um metro.<br \/>\nO bairro inteiro tinha tecnologias diferentes para conviver com as enchentes: escadinha, rampa&#8230; Eu tinha um port\u00e3o com gaxeta de borracha, que virava uma comporta para barrar a \u00e1gua.<br \/>\nFoi assim at\u00e9 que veio a obra que canalizou o c\u00f3rrego. Em seguida, saiu a nova Faria Lima. A\u00ed o bairro explodiu.<br \/>\n<strong>E a sua hist\u00f3ria de fot\u00f3grafo? <\/strong><br \/>\nMinha hist\u00f3ria de fot\u00f3grafo come\u00e7a em 2003, quando montei o blog &#8220;aqui tem coisa&#8221;. Falava do meu filho, minha mulher, meu cachorro e do bairro. Ainda n\u00e3o tinha m\u00e1quina digital. Comprei e sa\u00ed fotografando como doido. Participava do Fotolog, um servi\u00e7o de blog de fotografia que acabou de morrer. Fui formando uma vis\u00e3o das ruas do bairro que acabou gerando tr\u00eas anos depois a mostra na Pinacoteca e o livro.<br \/>\nA m\u00e1quina fotogr\u00e1fica tem a mesma caracter\u00edstica de um pincel &#8211;mas, no lugar de tinta e pincel, tem uma m\u00e1quina. A vis\u00e3o \u00e9 de artista pl\u00e1stico. Tanto que muitas pessoas falavam que era uma pintura.<\/p>\n<p><strong>O que as fotos mostram que n\u00e3o existe mais?<\/strong><br \/>\nTem tapume, fachada, janela, porta, port\u00e3o; algumas coisas ainda lembro onde est\u00e3o, outras foram embora h\u00e1 d\u00e9cadas. Era um bairro de casinhas, oficinas mec\u00e2nicas, borracheiros, botequinhos, papelaria, mercadinho de bairro. O que era um barzinho de esquina, hoje virou um restaurante de quilo.<br \/>\nEsses bares da esquina da Quat\u00e1 e Nova Cidade come\u00e7aram na fase \u00e1urea dos motoqueiros. Aqui era &#8220;point&#8221; dos motoqueiros. Depois vieram os inferninhos. Eram boates de quinta categoria.<\/p>\n<p><strong>Onde est\u00e3o esses moradores? <\/strong><br \/>\nO borracheiro foi embora; n\u00e3o cabe mais aqui. O mercadinho foi comprado ou fechou. E assim tudo foi se modificando. Um dia vem o mercado imobili\u00e1rio e toca a sua campainha. Ligavam todos os dias: eram corretores, incorporadores&#8230;<br \/>\nN\u00e3o adianta lutar contra, ent\u00e3o vamos fazer da melhor forma poss\u00edvel. Vendi o terreno para uma sinagoga, que ficou linda. Pelo menos, n\u00e3o foi um predi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os moradores da Vila Ol\u00edmpia foram organizados e tiveram voz no desenvolvimento do bairro, como ocorreu no Itaim, onde a popula\u00e7\u00e3o ajudou a conservar o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico? <\/strong><br \/>\nSim. O cidad\u00e3o, quando pode, se organiza e p\u00f5e o dedo na ferida. Qual \u00e9 o valor disso? Existe, mas o poder econ\u00f4mico \u00e9 maior. Na minha vis\u00e3o, o poder p\u00fablico \u00e9 totalmente omisso &#8211;n\u00e3o regulamenta, n\u00e3o fiscaliza e \u00e9 vendido. O resultado \u00e9 essa cidade completamente desestruturada e carente de infraestrutura.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tentou fotografar os pr\u00e9dios espelhados?<\/strong><br \/>\nQuando comecei, achava que tamb\u00e9m iria fotografar os espelhados&#8221;\u00a6 Tentei, mas n\u00e3o faz minha cabe\u00e7a. Outros fot\u00f3grafos v\u00e3o fazer mil vezes melhor, provavelmente n\u00e3o tiram a foto do detalhe como eu. At\u00e9 porque esse tipo de detalhe est\u00e1 sumindo.<\/p>\n<p><strong>O que seria o detalhe dos pr\u00e9dios espelhados? A grama amendoim do paisagismo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 tudo muito igual. Talvez voc\u00ea v\u00e1 achar pessoas interessantes que passam na frente desses pr\u00e9dios. <\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem nostalgia daquela Vila Ol\u00edmpia?<\/strong><br \/>\nMinha nostalgia n\u00e3o vai para dez anos atr\u00e1s. Vai para o Guaruj\u00e1 dos anos 1950, onde eu cresci. N\u00e3o tenho saudade do tempo dos botecos, era infernal! Demorava 45 minutos para andar dois quarteir\u00f5es. Depois, assim como veio, tamb\u00e9m foi embora.<br \/>\nHoje diria que \u00e9 um bairro tranquilo. Fa\u00e7o tudo o que preciso a p\u00e9. Andei durante muito tempo de moto at\u00e9 que tive um acidente. Tentei andar de bicicleta, mas fui atropelado por um motoboy, ainda antes da ciclovia.<br \/>\nAlmo\u00e7o com os estudantes e executivos. Essa mistura \u00e9 excelente. Vi na Vila Ol\u00edmpia uma transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de cidade mas tamb\u00e9m de vida. E acho \u00f3timo que v\u00e1 embora essa minha vizinha [aponta para o sobradinho em frente, com placa de &#8220;vende-se&#8221;], que mandou derrubar uma \u00e1rvore linda porque sujava a casa dela. (TONI SCIARRETTA)<\/p>\n<p>Veja <a href=\"http:\/\/especial.folha.uol.com.br\/2016\/morar\/itaim-vila-olimpia\/2016\/04\/1761515-fotografo-registra-em-livro-detalhes-do-dia-a-dia-do-bairro-em-que-vive-desde-1986.shtml\">aqui<\/a> o artigo \u201cFot\u00f3grafo registra em livro detalhes do dia a dia do bairro em que vive desde 1986\u201d on line.<\/p>\n<p>EM TEMPO: Recebi esta mensagem, acompanhada da foto da pintura, muito interessante e simp\u00e1tica!<br \/>\n&#8220;Ol\u00e1 Fernando<br \/>\nEstava viajando e n\u00e3o vi seu email. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o quadro que minha m\u00e3e pintou baseado na foto do seu livro &#8220;Vila Ol\u00edmpia&#8221;. Ela tb pintou mais dois que devem estar com a fam\u00edlia.<br \/>\nVou procurar saber para te enviar tb. O nome dela \u00e9 Therezinha Fontes, j\u00e1 faleceu h\u00e1 dois anos, dei pra ela o seu livro de presente justamente por causa das fotos.<br \/>\nEspero que vc goste do resultado.<br \/>\nUm abra\u00e7o<br \/>\nCristina Teresa Fontes&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/pintora.jpg\" alt=\"pintora\" class=\"alignleft size-medium wp-image-31035\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Toni Sciarretta do caderno \u201cMorar\u201d do jornal Folha de S\u00e3o Paulo do \u00faltimo domingo, 17 Abril 2016, me entrevistou sobre a minha exper\u00eancia como morador da Vila Ol\u00edmpia. Conversamos tamb\u00e9m sobre a s\u00e9rie de fotos que realizei no bairro em 2003-2005, que acabaram por gerar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cVila Ol\u00edmpia\u201d na Pinacoteca do Estado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4,5],"tags":[1738,1273,1272,70,98,1419,187,1070,735,19,1407],"acf_quotes":[],"reactions":{"like":0,"heart":0,"laugh":0,"wow":0,"sad":0,"clap":0,"fire":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31003"}],"collection":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31003"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31003\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40066,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31003\/revisions\/40066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}