{"id":29650,"date":"2015-02-01T12:14:55","date_gmt":"2015-02-01T14:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/?p=29650"},"modified":"2015-02-02T07:48:05","modified_gmt":"2015-02-02T09:48:05","slug":"29650","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/stickel.com.br\/atc\/cidade\/29650","title":{"rendered":"colapso h\u00eddrico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/balde.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.stickel.com.br\/atc\/uploads\/balde.jpg\" alt=\"balde\" width=\"709\" height=\"472\" class=\"alignleft size-full wp-image-29651\" \/><\/a><br \/>\nEu trouxe hoje um companheiro para tomar banho comigo.<\/p>\n<p>Chama-se BALDE.<\/p>\n<p>Ele vai fazer uma enorme diferen\u00e7a na quantidade de \u00e1gua pot\u00e1vel que eu gasto todos os santos dias.<\/p>\n<p>Ele fica ali no canto do box, quando abro a \u00e1gua quente para tomar banho ele recebe toda aquele fluxo que normalmente vai para o ralo enquanto o chuveiro vai se temperando para a temperatura ideal.<\/p>\n<p>Durante o banho ele fica ali quietinho, do meu lado, e vai recebendo \u00e1gua.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que a cada banho de chuveiro obtem-se cerca de um balde cheio, suficiente para pelo menos duas a tr\u00eas descargas da privada. Simples assim.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se engane, os tempos de \u00e1gua abundante e barata acabaram para sempre, cabe a cada um fazer a sua parte, e mesmo assim n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil conviver com o colapso h\u00eddrico. Leia o texto a seguir, mais claro imposs\u00edvel:<\/p>\n<p><strong>Crise H\u00eddrica? Que crise? N\u00e3o existe nenhuma crise h\u00eddrica!<\/strong><br \/>\nBlog do DENER GIOVANINI &#8211; Estad\u00e3o<br \/>\n31 Janeiro 2015 | 14:40<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que governos, imprensa e at\u00e9 organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas afirmam, n\u00e3o existe nenhuma crise h\u00eddrica no Brasil. Classificar o que est\u00e1 acontecendo com os recursos h\u00eddricos nos maiores Estados do pa\u00eds como \u201ccrise\u201d \u00e9 reduzir e limitar a real compreens\u00e3o dos fatos.<br \/>\nCrises s\u00e3o acontecimentos abruptos e moment\u00e2neos. Um momento dif\u00edcil na exist\u00eancia, quando enfrentamos \u2013 na maioria das vezes \u2013 situa\u00e7\u00f5es quase sempre alheias a nossa vontade.<br \/>\nPodemos ter uma \u201ccrise renal\u201d quando o nosso corpo sofre um ataque bacteriano ou quando as nossas fun\u00e7\u00f5es nefrol\u00f3gicas falham subitamente. Podemos ter uma \u201ccrise no casamento\u201d quando os conjugues descobrem segredos ocultos ou quando se desentendem por alguma raz\u00e3o. Podemos ter uma \u201ccrise ministerial\u201d quando algum ministro fala pelos cotovelos ou quando o seu chefe imediato o desautoriza em p\u00fablico. Podemos ter uma \u201ccrise financeira\u201d quando perdemos o emprego ou quando enfrentamos uma doen\u00e7a na fam\u00edlia. Podemos ter uma \u201ccrise pol\u00edtica\u201d quando os representantes do povo s\u00e3o pegos com a boca na botija ou quando o governo, n\u00e3o tendo mais como explicar desmandos, resolve censurar os cr\u00edticos. Crises, como dito, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es que nos pegam de surpresa, no pulo.<br \/>\nOutra caracter\u00edstica de uma crise \u00e9 a sua temporalidade. Crises sempre acabam. Para o mal ou para o bem, em algum momento cessam. Crise que n\u00e3o cessa n\u00e3o \u00e9 crise. Crise cont\u00ednua n\u00e3o \u00e9 crise, \u00e9 doen\u00e7a cr\u00f4nica. Na rela\u00e7\u00e3o conjugal, ou acaba a crise ou acaba o casamento.<br \/>\nNenhuma dessas caracter\u00edsticas acima se aplica ao quadro de escassez de \u00e1gua em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Esp\u00edrito Santo. A \u00e1gua n\u00e3o acabou do nada, de repente. E muito menos ser\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o passageira. O quadro que se instalou nesses Estados, particularmente em S\u00e3o Paulo, \u00e9 irrevers\u00edvel. Pelo menos para o paulistano que nasceu na data de hoje. Ele, por mais longeva vida que tenha, n\u00e3o viver\u00e1 como viveram seus antepassados.<br \/>\nA falta de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 uma \u201ccrise\u201d, porque ela n\u00e3o \u00e9 fruto de um acontecimento imprevis\u00edvel. N\u00e3o se trata de um capricho de S\u00e3o Pedro que, de uma hora para outra, resolveu castigar a Regi\u00e3o Sudeste. H\u00e1 mais de 10 anos os governos tinham informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas confi\u00e1veis que as torneiras iriam secar a m\u00e9dio prazo.<br \/>\nA falta de \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 uma \u201ccrise\u201d por que ela n\u00e3o ser\u00e1 passageira. Os fatores que levaram ao esvaziamento das represas n\u00e3o cessar\u00e3o subitamente. Recuperar as Matas Ciliares que protegem os rios do assoreamento, reflorestar grandes \u00e1reas para manter a perenidade das nascentes, cessar o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica e da Amaz\u00f4nia, substituir uma pr\u00e1tica agr\u00edcola predat\u00f3ria e, principalmente, adotar um novo modelo de desenvolvimento, n\u00e3o s\u00e3o medidas f\u00e1ceis de serem adotadas e muito menos elas se encontram presentes na agenda dos atuais governantes. Quem acreditar nisso estar\u00e1 sendo, no m\u00ednimo, ing\u00eanuo. No caso dos pol\u00edticos que tentam se justificar \u2013 chamando de crise o que permanente ser\u00e1 \u2013 \u00e9 pura leviandade mesmo.<br \/>\nPor maiores que sejam os dil\u00favios que possam cair sobre as regi\u00f5es que hoje enfrentam a escassez de \u00e1gua, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ir\u00e1 mudar. E n\u00e3o mudar\u00e1 por que n\u00e3o existem sinais de que mudaremos as nossas pr\u00e1ticas cotidianas. Os reservat\u00f3rios at\u00e9 poder\u00e3o encher, mas as raz\u00f5es que os levaram a secar continuar\u00e3o e eles novamente voltar\u00e3o a ser o que s\u00e3o hoje: terra seca. O nosso \u201cbalde natural\u201d furou. E o rombo \u00e9 muito maior do que a boca da torneira que o enche.<br \/>\nO que acontece hoje em S\u00e3o Paulo e que se espelha em outras regi\u00f5es do pa\u00eds, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno natural. Ali\u00e1s, eventos da natureza s\u00e3o absolutamente previs\u00edveis. At\u00e9 terremotos e tsunamis s\u00e3o cada vez mais antecipados pela ci\u00eancia. Erup\u00e7\u00f5es Vulc\u00e2nicas s\u00e3o identificadas meses antes de ocorrerem. N\u00e3o existem \u201ccrises s\u00edsmicas\u201d ou \u201ccrises vulc\u00e2nicas\u201d. Assim como n\u00e3o existem \u201ccrises h\u00eddricas\u201d.<br \/>\nEm se tratando de natureza, tudo \u00e9 extremamente previs\u00edvel, direto e muito simples: apesar de ser existencialmente complexo em sua ess\u00eancia, o ciclo da vida no planeta reage imperiosamente contra quem tenta interromp\u00ea-lo. A natureza nunca privilegiou os fracos ou os \u201cdesajustados\u201d. Para continuar existindo, o ciclo da vida se renova constantemente a fim de eliminar as amea\u00e7as.<br \/>\nSe n\u00e3o \u00e9 uma crise, o que s\u00e3o ent\u00e3o aquelas imagens de represas e a\u00e7udes vazios? Simples a resposta: um colapso. Um \u201cColapso H\u00eddrico\u201d!<br \/>\nUm colapso significa fal\u00eancia, esfacelamento e esgotamento.<br \/>\nO colapso, ao contr\u00e1rio de uma crise, n\u00e3o \u00e9 passageiro.<br \/>\nO colapso, ao contr\u00e1rio de uma crise, \u00e9 perfeitamente previs\u00edvel.<br \/>\nO \u201cColapso H\u00eddrico\u201d se instalou por que esgotamos o atual modelo de desenvolvimento, que privilegia a distribui\u00e7\u00e3o de lucros em detrimento dos investimentos em pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<br \/>\nO \u201cColapso H\u00eddrico\u201d est\u00e1 acontecendo por que esfacelamos todas as oportunidades de adotarmos pol\u00edticas p\u00fablicas que priorizassem a moderniza\u00e7\u00e3o dos nossos recursos tecnol\u00f3gicos, para que diminu\u00edsse a press\u00e3o sobre os recursos naturais.<br \/>\nO \u201cColapso H\u00eddrico\u201d continuar\u00e1 por que o nosso sistema pol\u00edtico est\u00e1 totalmente falido e n\u00e3o \u00e9 mais capaz de planejar a m\u00e9dio e longo prazo.<br \/>\nO Brasil est\u00e1 come\u00e7ando a vivenciar o seu primeiro colapso ambiental. Outros vir\u00e3o. E as consequ\u00eancias s\u00e3o imprevis\u00edveis. Um pa\u00eds que reduz 95% da Mata Atl\u00e2ntica, que incentiva a emiss\u00e3o de gases poluentes, atrav\u00e9s de pol\u00edticas fiscais que estimulam o uso do transporte individual, que ignora a sistem\u00e1tica redu\u00e7\u00e3o dos Biomas, que mant\u00e9m uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ultrapassada, que produz leis como o C\u00f3digo Florestal e, principalmente, que elege pol\u00edticos que n\u00e3o tem nenhum compromisso, a n\u00e3o ser com a perpetua\u00e7\u00e3o do poder para sustentar suas m\u00e1quinas partid\u00e1rias, est\u00e1 fadado a colapsar.<br \/>\nA primeira e \u2013 a mais importante \u2013 medida que devemos adotar agora \u00e9 assumir a realidade como ela \u00e9. Devemos ser francos e admitir que o que estamos vivendo n\u00e3o \u00e9 uma crise e sim um colapso. O fim de um ciclo econ\u00f4mico que falhou.<br \/>\nN\u00e3o compreender \u2013 e aceitar \u2013 a diferen\u00e7a entre uma crise e um colapso \u00e9 o mesmo que tratar gripe e c\u00e2ncer com chazinho caseiro. A gripe at\u00e9 pode passar, o c\u00e2ncer n\u00e3o. Ele sempre evolui. E para pior.<br \/>\nAs Polianas de plant\u00e3o \u2013 principalmente aquelas que t\u00eam um grau maior de responsabilidade sobre o que est\u00e1 acontecendo \u2013 v\u00e3o taxar esse texto de extremamente pessimista. V\u00e3o continuar espalhando sua vis\u00e3o rom\u00e2ntica sobre o mundo, enquanto as gotas nas torneiras continuar\u00e3o sumindo.<br \/>\nMas a verdade \u00e9 que o sonho acabou. Ou mudamos ou sumimos. Simples assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu trouxe hoje um companheiro para tomar banho comigo. Chama-se BALDE. Ele vai fazer uma enorme diferen\u00e7a na quantidade de \u00e1gua pot\u00e1vel que eu gasto todos os santos dias. 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